Cabras transgênicas ajudam no tratamento de hemofilia (15/05/2012)
Cientistas afirmam que o leite animal pode ser uma opção econômica para obtenção de medicamentos
Duas cabras transgênicas, Shangool e Mangool, que nasceram no Royan Research Institute, no Irã, em janeiro de 2010, produzem proteínas recombinantes utilizadas no tratamento de hemofilia. O cientista do Instituto, Rahman Fakheri, confirmou que conseguiu a expressão do gene de coagulação humana (fator 9) no leite das cabras transgênicas. O diretor geral do Instituto afirmou que o sucesso desse trabalho foi alcançado após três anos de pesquisas com as cabras transgênicas. Segundo o estudo, a produção de medicamentos por meio de leite de gado é uma forma mais econômica e prática que a produção em laboratórios tradicionais ou por meio de cultura de tecidos.
Cientistas identificam gene de câncer de pulmão (14/05/2012)
A descoberta pode auxiliar o diagnóstico precoce da doença e indicar o caminho para a cura
Cientistas liderados pelo Dr. Bing Lim, do Instituto de Genoma de Cingapura, identificaram o gene que causa o câncer de pulmão. Eles usaram marcadores celulares capazes de identificar células de câncer em tumores de estágio inicial. Com isso, encontraram genes envolvidos no crescimento das células de câncer.
Além disso, os pesquisadores também identificaram que quando o nível metabólico de certas enzimas aumenta, as células se tornam cancerosas. A enzima glicina descarboxilase parece ser a chave para a terapia do câncer de pulmão. “Essa descoberta é um grande passo para a medicina, já que aponta para a cura de um dos mais devastadores tipos de câncer, o de pulmão”, avalia o Dr. Lim.
Cientistas chilenos desenvolvem cítricos tolerantes a salinidade (09/05/2012)
Em laboratório, foram geradas mais de 70 plantas resistentes a solos com alto teor de sal
Como resultado de mais de quatro anos de pesquisa, cientistas chilenos desenvolveram plantas cítricas geneticamente modificadas (GM) tolerantes à salinidade. O trabalho, liderado pelo professor Patricio Arce, da Universidade Católica do Chile, gerou em laboratório mais de 70 plantas resistentes à condição de alta salinidade, dentre as quais foram selecionadas as que possuem maior efetividade.
A segunda fase do projeto é a avaliação das variedades em campo. As experiências serão conduzidas no Vale do Copiapó e vão priorizar variedades de interesse comercial. Os testes serão efetuados em condições de biossegurança controlada, com autorização do Serviço de Agricultura e Pecuária do Chile. As avaliações periódicas levarão em conta o crescimento vegetativo, caracterização morfológica e ecofisiológica.
Outras instituições também participam do projeto: a Fundação para Desenvolvimento Frutícola (FDF), a Associação de Exportadores Frutícolas (ASOEX) e a empresa Unifrutti Traders Ltda.
Genes de espinafre podem combater doença em árvores (08/05/2012)
O greening cítrico causa má formação de frutos e amarelamento das folhas; primeiro diagnóstico aconteceu no Brasil
Cientistas norte-americanos descobriram uma forma de combater com o greening cítrico, doença bacteriana que afeta a resistência de pés de laranja, limão e tangerina.
Causador de má formação de frutos e amarelamento das folhas, o greening apareceu pela primeira vez na América em março de 2004, na cidade de Araraquara (Brasil). Segundo especialistas, para não contaminar o pomar inteiro, a árvore diagnosticada com a doença precisa ser arrancada pela raiz.
A fim de dar às árvores mais resistência contra o greening, o fitopatologista Erik Mirkov, juntamente com sua equipe do Texas AgriLife Research and Extension Center, pesquisou as proteínas do espinafre, conhecidas por seu amplo espectro de resistência contra vários tipos de bactérias e fungos. Mirkov conseguiu transferir dois genes do espinafre para as plantas. Testes preliminares realizados em estufa indicaram que a experiência foi bem sucedida.
De acordo com Mirkov, um dos genes do espinafre é mais eficiente que o outro, porém trabalham melhor em conjunto. “Agora vamos testar a eficácia dos dois genes nos campos da Flórida”, comentou ele. Se confirmados os resultados, o greening cítrico poderá estar com os dias contados.
Segunda geração de algodão transgênico é desenvolvida na China (07/05/2012)
Feito poderá ajudar a melhorar a qualidade do algodão chinês e livrar o país da importação de fibras
Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências Agrárias (CAAS, na sigla em inglês) desenvolveram um algodão geneticamente modificado (GM), que apresenta melhor qualidade de fibras e cápsulas maiores. O presidente da CAAS e vice-ministro da agricultura da China, Dr. Li Jiayang, ressaltou a importância da nova variedade. “Historicamente, pragas e fibras de baixa qualidade têm sido obstáculos para o crescimento da indústria algodoeira na China”, disse.
Nos anos 90, cientistas chineses desenvolveram o primeiro a algodão transgênico do mundo. As primeiras modificações genéticas, também chamadas de primeira geração de organismos GM, são marcadas pela inserção de características agronômicas nas plantas, a exemplo de resistência a insetos e bactérias. O desenvolvimento deste algodão, com melhor fibra e cápsula maior, marca a segunda geração de transgênicos, que se caracteriza pelo incremento da qualidade do organismo modificado.
Pesquisadores da Filadélfia identificam gene da obesidade infantil (27/04/2012)
Cientistas do instituto de pesquisa do Children’s Hospital of Philadelphia conseguiram identificar o gene da obesidade infantil. Segundo Struan Grant, um dos autores da pesquisa, a descoberta se deu ao isolamento das mutações de dois genes que promoveriam a doença em crianças. “Percebemos que aquele material genético era mais do que um simples componente da obesidade”, declarou em coletiva à imprensa.
O projeto reuniu estudos dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Europa, e envolveu mais de 5 mil crianças obesas e outras 8 mil sadias. Os resultados apontaram que os genes OLFM4 e HOXB5 destacaram-se e deram sinais claros da obesidade infantil extrema. Assim que entenderem de que forma os genes atuam, os cientistas serão capazes de encontrar um novo tratamento para a doença, que já atinge 17% dos jovens nos Estados Unidos.
Transgênicos podem reduzir deficiência de vitamina C em humanos (26/04/2012)
A fim de descobrir como plantas produzem ascorbato, cientistas neozelandeses identificaram a enzima GDP – galactore fosforilase como a responsável pelo controle dos níveis de vitamina C em plantas. Após a introdução dessa proteína em morangos, batatas e tomates, os resultados mostraram que o índice de ascorbato presente nessas frutas aumentou em até 500%.
Plantas são a principal fonte de ascorbato para o consumo humano. No entanto, elas possuem baixos níveis de vitamina C, o que leva muitas pessoas a fazerem uso de suplementos para completar sua dose diária. O consumo de ascorbato, apesar disso, ainda é menor do que o recomendado.
Segundo o Dr. William Laing, da New’s Zealand’s Plant and Food Research, que coordenou a pesquisa, uma boa maneira de reduzir a deficiência de vitamina C na população é modificar plantas geneticamente para que incorporem mais ascorbato. Desta maneira, alimentos comuns, como a batata, passarão a apresentar os índices de vitamina C recomendados pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
Pesquisadores prolongam vida útil de ratos (24/04/2012)
Cientistas da Universidade Ramat Gan, em Israel, descobriram como prolongar a vida útil de ratos. A pesquisa mostrou que a enzima sirtuína 6 (SIRT6), uma das sete sirtuínas encontradas em mamíferos, quando inserida em ratos, foi capaz de aumentar o tempo de vida destes animais em mais de 15%.
Os pesquisadores comparam animais geneticamente modificados com outros comuns e perceberam que os machos tiveram mais tempo de vida útil. Ainda não se sabe por que o mesmo não aconteceu com fêmeas, mas acredita-se que a resposta esteja nas diferenças entre os genes masculinos e femininos dos animais.
A descoberta, publicada na revista Nature, representa mais um avanço para o tratamento de diabetes e de doenças relacionadas ao envelhecimento.
Nova alfafa pode aumentar a produção de leite nos Estados Unidos (23/04/2012)
Uma nova alfafa promete aumentar a produção de leite nos EUA. A variedade N-R-Gee possui maior porcentagem de carboidratos e pectina, compostos que são convertidos em leite pelas vacas. Além disso, contém menos fibras que esses animais não conseguem digerir, permitindo que comam mais alfafa e produzam mais leite.
Segundo Julie Hansen, especialista em geração de plantas geneticamente modificadas da Universidade Cornell, no estado americano de Nova York, “a combinação entre maior quantidade de alfafa e facilidade de digestão deve aumentar significativamente a produção da indústria de lacticínios”.
A descoberta é ainda mais vantajosa do que se imaginava. A alfafa N-R-Gee é resistente a uma série de doenças típicas do nordeste norte-americano, cujas condições climáticas são ideais para o cultivo da planta.
Índia aposta em banana transgênica para combater deficiência de ferro (18/04/2012)
Cientistas australianos modificaram geneticamente a banana para que a fruta, rica em vitaminas, apresente também alto teor de ferro. O professor James Dale, que coordenou o projeto da Universidade de Tecnologia de Brisbane, estado de Queensland na Austrália, afirmou que a conquista faz parte de um programa de biotecnologia que visa compartilhar a descoberta com pesquisadores da Índia. Segundo Dale, “a escolha pelo nutriente se deu em virtude da alta taxa de deficiência de ferro entre os indianos, já que a dieta vegetariana pode ser carente desse mineral”.
O professor revela que a estratégia é aproveitar o fato de a Índia ser o país que mais cultiva banana no mundo. “Tudo o que é produzido lá é para consumo interno”, afirma. Investir na produção em larga escala de bananas geneticamente modificadas poderá contribuir para reduzir não só o número de mortes por anemia, como também as outras doenças consequentes da deficiência de ferro.
Espera-se que, após a fase inicial de quatro anos de pesquisa, sejam necessários mais cinco anos para que as frutas transgênicas estejam disponíveis para os agricultores.
Pesquisadores prolongam vida útil de ratos (24/04/2012)
Cientistas da Universidade Ramat Gan, em Israel, descobriram como prolongar a vida útil de ratos. A pesquisa mostrou que a enzima sirtuína 6 (SIRT6), uma das sete sirtuínas encontradas em mamíferos, quando inserida em ratos, foi capaz de aumentar o tempo de vida destes animais em mais de 15%.
Os pesquisadores comparam animais geneticamente modificados com outros comuns e perceberam que os machos tiveram mais tempo de vida útil. Ainda não se sabe por que o mesmo não aconteceu com fêmeas, mas acredita-se que a resposta esteja nas diferenças entre os genes masculinos e femininos dos animais.
A descoberta, publicada na revista Nature, representa mais um avanço para o tratamento de diabetes e de doenças relacionadas ao envelhecimento.
Nova alfafa pode aumentar a produção de leite nos Estados Unidos (23/04/2012)
Uma nova alfafa promete aumentar a produção de leite nos EUA. A variedade N-R-Gee possui maior porcentagem de carboidratos e pectina, compostos que são convertidos em leite pelas vacas. Além disso, contém menos fibras que esses animais não conseguem digerir, permitindo que comam mais alfafa e produzam mais leite.
Segundo Julie Hansen, especialista em geração de plantas geneticamente modificadas da Universidade Cornell, no estado americano de Nova York, “a combinação entre maior quantidade de alfafa e facilidade de digestão deve aumentar significativamente a produção da indústria de lacticínios”.
A descoberta é ainda mais vantajosa do que se imaginava. A alfafa N-R-Gee é resistente a uma série de doenças típicas do nordeste norte-americano, cujas condições climáticas são ideais para o cultivo da planta.
Laranja transgênica pode ajudar a reduzir obesidade (10/04/2012)
Gosta de um café da manhã saudável? Um suco de laranja sanguínea é uma boa pedida para começar o dia. Pesquisas mostram que o consumo da fruta, parente da laranja comum, pode trazer benefícios para a saúde. Além de reduzir o dano causado pela gordura ingerida, o que diminui a chance de alguém se tornar obeso, a dieta baseada nessa fruta também ajuda a prevenir doenças cardiovasculares e controlar diabetes.
Entretanto, a coloração vermelha da fruta faz com que poucos a apreciem. Para resolver esse problema, cientistas britânicos buscam uma forma de modificar geneticamente laranjas comuns para que incorporem os benefícios que somente as sanguíneas apresentam.
Uma pesquisa indica que componentes encontrados na laranja sanguínea podem ajudar a combater a obesidade, reduzindo a acumulação de gordura no corpo. No Reino Unido, estudos realizados mostram que uma dieta baseada nessa espécie de laranja ajudou a diminuir o índice de obesidade em ratos de laboratório. Se o resultado se repetir em humanos, pode interessar principalmente aos países desenvolvidos, onde estão cerca de um terço dos obesos do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 300 milhões de pessoas sofrem de obesidade em todo o planeta.
Biotecnologia renderá US$ 124 bilhões para a agricultura brasileira nos próximos 10 anos (12/04/2012)
Um novo estudo sobre impactos dos transgênicos nas lavouras brasileiras avaliou os potenciais benefícios da biotecnologia para o meio ambiente e a sustentabilidade do agronegócio brasileiro nos próximos 10 anos. De acordo com o levantamento, realizado pela consultoria Céleres para a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM), a redução do uso de água decorrente da menor necessidade de aplicações de defensivos e de variedades mais resistentes a pragas, por exemplo, pode chegar a 149 bilhões de litros. É um volume suficiente para abastecer 3,4 milhões de pessoas.
Em sua quinta atualização, o estudo que é realizado anualmente aponta também que a redução no número de aplicações de defensivos nas lavouras, no mesmo período, equivalerá a 3,8 milhões de toneladas de CO2 que não serão emitidas na atmosfera. A economia de combustível também é significativa: equivalente ao necessário para abastecer 516 mil camionetes (o tipo de veículo mais comum nas lavouras).
A agricultura gera impacto ambiental, e é importante poder mensurar no médio e longo prazos como a biotecnologia pode ajudar a reduzir os efeitos e tornar o agronegócio cada vez mais sustentável, analisa Paula Carneiro, diretora da Céleres Ambiental e coordenadora do estudo socioambiental.
O estudo traz ainda um novo e importante dado: a cada R$ 1 investido em biotecnologia na saca de sementes em 2011, o produtor obteve, em média, R$ 2,61 de retorno adicional na produção de milho, R$ 1,59 na de soja e R$ 3,59 na de algodão.
Pela primeira vez conseguimos calcular o ganho sobre a margem operacional da produção. Com isso, foi possível trazer os benefícios econômicos para uma realidade bem mais próxima do agricultor brasileiro, explica Anderson Galvão, sócio-diretor da Céleres e coordenador do estudo econômico.
A análise da Céleres mostra que, em 10 anos, a biotecnologia renderá um acumulado de US$ 124 bilhões para a agricultura brasileira. Mas ainda mais importante do que isso é mostrar que 84% desse valor ficará nos bolsos dos produtores brasileiros, observa o presidente da ABRASEM, Narciso Barison Neto. Podemos nos tornar mais competitivos, produzir mais, reduzir o impacto ambiental e, ainda assim, ganhar mais dinheiro.
Galvão, da Céleres, explica que, desse total de US$ 124 bilhões, 58% virá do milho, 34% da soja e 8% do algodão. De fato, o milho GM no Brasil é talvez o exemplo mais bem sucedido de adoção de biotecnologia no mundo. O cereal precisou de apenas quatro safras para atingir o mesmo nível de adoção que a soja, que demorou 10 anos para que três quartos da área fossem cultivados com transgênicos. Segundo ele, a área global com biotecnologia cresceu 10% em 2010, mas tem ritmo mais acelerado no Brasil.
Os resultados do estudo se baseiam em pesquisa de campo e entrevista com mais de 360 produtores de soja, milho e algodão espalhados pelo País. Essas são as três culturas com eventos GM aprovados no Brasil que já estão disponíveis no mercado.
Cientistas produzem insulina em batata transgênica (12/04/2012)
Pesquisadores iranianos da Universidade de Modares Tarbiat conseguiram produzir insulina humana em uma batata transgênica. O procedimento, divulgado em março de 2012, foi realizado por meio de agricultura molecular, técnica que consiste na inserção de proteínas e enzimas de uso farmacêutico em vegetais.
Plantas transgênicas possuem grande potencial para a produção de compostos medicinais, pois são biofábricas seguras e econômicas, afirma a cientista Kimia Kashani, que trabalhou juntamente com o Dr. Mokhtar Jalali no desenvolvimento da batata geneticamente modificada (GM).
A introdução do material genético de interesse foi feita via Agrobacterium tumefaciens, um microrganismo naturalmente presente no solo, que entra em contato direto com o DNA vegetal. Testes preliminares indicaram alto nível de expressão do gene da insulina na batata. Cerca de 0,7% da população do Irã sofre de diabetes nos dias de hoje.
Cientistas criam ovo que não causa alergia (28/03/2012)
Indivíduos alérgicos à proteína presente no alimento podem sofrer choque anafilático se o consumirem
Os dias de restrições alimentares para pessoas que podem sofrer choque anafilático ao consumir ovos podem estar perto do fim. Uma pesquisa pioneira realizada pelas instituições australianas, Universidade de Deakin, Organização de Pesquisa Industrial e Científica da Comunidade das Nações (CSIRO) e Centro de Pesquisa das Cooperativas de Aves Domésticas tem como objetivo a produção de ovos que não causariam esse tipo de reação.
A união da excelência acadêmica da universidade com a experiência da CSIRO na técnica de RNA interferência resultou no desenvolvimento de ovos que não causam alergias. O processo envolve o desligamento da parte alergênica da proteína do ovo e a posterior reintrodução de uma versão inofensiva da substância de volta no alimento.
Das 40 proteínas presentes no ovo, quatro são as maiores causadoras de reações alérgicas. Os pesquisadores as desligaram e criaram um ovo que pode gerar galinhas que, por sua vez, colocariam ovos livres dessas proteínas. Essas aves não seriam transgênicas, seriam apenas animais gerados a partir de ovos cujas proteínas foram modificadas, afirmou o professor Tim Doram, um dos responsáveis pelo projeto.
Ainda segundo o professor Doram, a vida da pessoa que tem esse tipo de alergia tem sérias restrições alimentares. É muito difícil garantir que os alimentos preparados fora de casa não vão ter traços de ovos que poderão causar reações adversas.
A expectativa é que o estudo esteja completo em três anos e que ovos não-alergênicos estejam disponíveis para consumo em 10 anos.
Biotecnologia pode contribuir para uso sustentável da água (22/03/2012)
O uso de sementes geneticamente modificadas na agricultura resulta na redução do uso de defensivos agrícolas e água no manejo das lavouras
O uso inteligente da água é a base da manutenção da vida no planeta Terra. Um estudo do Water Resources Group mostra que a agricultura é responsável por cerca de 70% da água consumida no planeta ou 3,1 bilhões de m³. O restante é formado por consumo industrial (800 milhões de m³) e doméstico (600 milhões de m3).
O acesso a tecnologias que permitem o uso mais eficaz da água disponível é uma das maneiras de economizar esse recurso natural tão importante. A biotecnologia já contribui para reduzir o uso da água na agricultura e tem potencial para nos ajudar ainda mais a cumprir metas de sustentabilidade. De acordo com a consultoria Céleres, de 1998 e 2009, o uso da de sementes geneticamente modificadas com características de resistência a insetos ou tolerância a herbicidas na agricultura brasileira, além de ter gerado US$ 3,6 bilhões, resultou na redução no uso de defensivos agrícolas e no uso de água no manejo das lavouras.
Para os próximos 10 anos, levando em consideração as safras 2010/11 a 2019/2020, o Brasil pode economizar 133,95 bilhões de litros de água com a adoção se a doção da biotecnologia agrícola. Esse volume é suficiente para prover as cidades de Recife e Porto Alegre por um ano. Esses dados foram divulgados em pesquisa feita pela Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) e pela Céleres Ambiental.
Sem ganhos de eficiência, a agricultura irá consumir cerca de 4,5 bilhões de m³ em 2030. Este aumento, somado à elevação do consumo industrial para 1,5 bilhão de m³ e doméstico para 900 milhões de m³, fará com que o total chegue a 6,9 bilhões de m³, um crescimento que precisa ser freado.
Fonte: Redação CIB e Céleres
México aprova plantio de novo algodão transgênico (27/02/2012)
O algodão é resistente a quatro tipos diferentes de pragas, além de ter tolerância ao herbicida glifosato
O Servicio Nacional de Sanidad e Calidad Inocuidad Agroalimentar do México, a agência que supervisiona a análise e liberação de organismos geneticamente modificados (GM) no país, autorizou o plantio desse algodão geneticamente modificado. A aprovação veio no final de 2011 e a previsão é que as sementes transgênicas estejam disponíveis já para a safra de 2012.
A nova variedade de algodão apresenta resistência combinada contra insetos, a exemplo do curuquerê-do-algodoeiro (Alabama argillacea), da lagarta-das-maçãs (Heliothis virescens), da lagarta rosada (Pectinophora gossypiella) e da lagarta do cartucho ou militar (Spodoptera frugiperda ), além de tolerância ao herbicida glifosato.
O mesmo evento GM foi aprovado para plantio na Austrália (2006), Colômbia (2007), Costa Rica (2008) e África do Sul (2007). O Japão, a Coreia do Sul e as Filipinas aprovoram o produto para consumo humano e animal e sua importação.
Cientistas desenvolvem laranja transgênica resistente a insetos (02/02/2012)
As laranjeiras modificadas são resistentes ao inseto vetor do greening, doença que ameaça a produção de cítricos em todo o mundo Cientistas da Universidade de Cornell, Estados Unidos, desenvolveram laranjeiras geneticamente modificadas (GM) que oferecem resistência a uma doença bacteriana que tem ameaçado a produção de cítricos em todo o mundo. As árvores foram modificadas para serem imunes ao Diaphorina citri, inseto responsável pela transmissão do greening da laranja, doença que faz com que os frutos fiquem permanentemente verdes, com gosto amargo, medicinal e azedo. Kerik Cox and Herb Aldwinckle, pesquisadores envolvidos no estudo, identificaram alguns genes que naturalmente expressavam a característica inseticida em bactérias, fungos e plantas conhecidas por afastarem alguns tipos de insetos. Posteriormente, por meio da biotecnologia, os possíveis genes de resistência ao inseto vetor do greening foram inseridos em plantas de tomate para testar sua eficiência. Uma vez que alguns tomateiros apresentaram a característica desejada, os genes foram transferidos para uma variedade de laranja. Aldwinckle espera que os resultados dos primeiros testes com as laranjeiras transgênicas estejam disponíveis em um ano. O Greening foi identificado inicialmente na Flórida em 2005 e, desde então, espalhou-se por todos os países produtores de frutas cítricas. O atual combate ao Diaphorina citri é feito por meio do uso de inseticidas e do corte de árvores contaminadas. Fonte: Cornell University - Janeiro de 2012
Melancia transgênica é estudada em Taiwan (01/02/2012)
A pesquisa com a fruta geneticamente modificada (GM) garante a resistência diversas doenças virais A produtividade do cultivo da melancia diminui significativamente em virtude de várias doenças virais. Para evitar essas perdas, a equipe do pesquisador da National Chung Hsing University de Taiwan, Ching-Yi Lin, desenvolveu uma melancia GM resistente a alguns tipos de vírus. Eles colocaram em um único gene fragmentos provenientes do vírus da mancha prateada, vírus do mosaico do pepino, vírus da mancha verde do pepino e vírus do mosaico da melancia. Por meio da bactéria do solo Agrobacterium tumefaciens os cientistas inseriram esse gene em um cultivar de melancia. A modificação genética foi confirmada por meio de análises de laboratório e as variedades da planta que foram expostas às doenças causadas pelos vírus apresentaram resultados promissores de resistência. Para realizar o download do estudo completo, acesse: Transgenic Research Fonte: ISAAA - Janeiro de 2012
Biotecnologia além das portas da universidade (31/01/2012)
Bolsas de estudo no exterior são opções para estudantes atuarem no setor industrial Uma das melhores oportunidades para alunos de cursos na área de ciência, a exemplo da biotecnologia, são as bolsas-sanduíche (programas em que os estudantes têm oportunidade de concluir parte de suas pesquisas em universidades fora do Brasil). O caminho para conseguir uma dessas vagas é procurar programas de intercâmbio que realizam parcerias com as universidades brasileiras. O projeto Ciência sem fonteiras busca estudantes graduados na área de biotecnologia para estudar no Canadá ou no Reino Unido. As inscrições vão até o dia 06/02 e podem ser realizadas pelo site do projeto. Outra opção é a Capes, que oferece opções de intercâmbio para os mais variados cursos. No site da instituição há a descrição de vagas e mais informações sobre como conseguir as bolsas. No Brasil, a área que mais emprega os profissionais formados na área de ciência é a academia. Porém, os setores industrial e empresarial também absorvem alguns profissionais especializados em áreas como biotecnologia, farmácia, petróleo e aeronáutica. As estáticas estão aí para comprovar. Segundo o IBGE, no Brasil, enquanto apenas 9,1% dos profissionais pós-graduados se encontram trabalhando no setor industrial, no Canadá, 62,2% do quadro de funcionários na indústria é formado por esse tipo profissional. Fonte: Redação CIB
Saiba mais sobre o mosquito da dengue transgênico (19/01/2012)
Tecnologia brasileira com mosquito transgênico pode ser solução para epidemia da dengue no Brasil e no mundo. O mosquito da dengue transgênico pode ser a saída para deter o avanço da doença no Brasil e no mundo. Em decorrência de uma modificação genética, todos os mosquitos machos nascem estéreis, o que impediria a proliferação da doença. Quando cruzam, sua prole herda o gene e morre ainda em estágio larval. O estudo é liderado pela pesquisadora brasileira da Universidade de São Paulo (USP) Margareth Capurro. O Portal ‘Saiba Mais Sobre Biotecnologia’ da Sociedade Brasileira de Genética (SBG) traz um novo módulo sobre animais geneticamente modificados (GM) com explicações e artigos científicos sobre o novo inseto. Didaticamente, o curso explica um pouco mais sobre o atual estágio da pesquisa. De acordo com resultado do LIRAa 2011 (Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti), divulgado em dezembro de 2011, 48 municípios brasileiros estão em situação de perigo para surto de dengue e 4,6 milhões de pessoas vivem em áreas de risco para epidemia. A mesma pesquisa aponta que 236 cidades estão em alerta e 277 possuem índice satisfatório. Os municípios em risco estão localizados em 16 estados brasileiros: quatro na Região Norte; sete no Nordeste; três no Sudeste; um no Centro-Oeste e um na Região Sul. Acesse o Portal ‘Saiba Mais Sobre Biotecnologia’ para outras informações. 19 de Janeiro de 2012
Portal interativo oferece conteúdo gratuito sobre biotecnologia (12/01/2012)
O objetivo é mostrar como a ciência está inserida no dia-a-dia das pessoas “A biotecnologia vai muito além dos muros dos institutos de pesquisa, também está presente na vida das pessoas e por isso é importante conhecer os avanços conquistados por essa ciência”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Genética (SBG), professor Carlos Menk. Com o intuito de facilitar o acesso à ciência, o portal “Saiba mais sobre Biotecnologia” oferece conteúdo online para estudantes, professores e quem mais tiver interesse sobre o assunto. O acesso é gratuito e qualquer pessoa pode se inscrever. O portal é dividido em cinco áreas: biotecnologia, vegetais transgênicos, animais transgênicos, terapia gênica e células-tronco. O destaque são as aplicações da biotecnologia nas mais variadas situações, a exemplo de investigações criminais, testes de paternidade e clonagem. Todo o conteúdo foi desenvolvido com supervisão de pesquisadores e, além de textos, conta com vídeos, mapas, animações e linhas do tempo. Segundo o professor Carlos Menk, a ferramenta pode ajudar no entendimento do que é de quais são as aplicações possíveis da engenharia genética. “Acreditamos que seremos importante fonte para alunos de ensino médio, cursinhos e até mesmo de universidades.” Além disso, o usuário também pode propor debates sobre os temas nos fóruns interativos e sugerir alterações e inclusões nos assuntos abordados. Para ter acesso ao conteúdo completo, basta realizar um cadastro no portal: Saiba Mais sobre Biotecnologia
Pesquisadores buscam novos antibióticos em bactérias no solo
Objetivo é descobrir moléculas com potencial para se tornarem drogas
11 de janeiro de 2012 | 8h 16
Agência Fapesp
Na esperança de descobrir moléculas com potencial para se tornarem drogas imunossupressoras, anticancerígenas ou antibióticas, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) têm se dedicado ao estudo de um grupo de micro-organismos existente no solo conhecido como actinobactérias.
A pesquisa, intitulada “Explorando a biodiversidade brasileira para a obtenção de produtos naturais ‘não naturais’”, é coordenada por Luciana Gonzaga de Oliveira, professora do Instituto de Química, e tem apoio da FAPESP por meio do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes.
Oliveira explica que as bactérias existentes no solo e os fungos são os maiores produtores de moléculas conhecidas como metabólitos secundários.
Ao contrário do que o nome possa sugerir, essas moléculas são essenciais para a sobrevivência dos microrganismos, pois fazem parte dos processos de crescimento, desenvolvimento e reprodução. Além disso, muitos metabólitos secundários apresentam propriedades bioativas, ou seja, podem ser usados no desenvolvimento de fármacos.
“A maioria dos metabólitos secundários com potencial terapêutico foi descoberta na era de ouro dos antibióticos - entre 1944 e 1972 - e deu origem a medicamentos que usamos até hoje, como a eritromicina e a rapamicina”, explicou a pesquisadora.
Mas as pesquisas diminuiram à medida que se tornou mais difícil encontrar novas moléculas promissoras. Desde então, poucos antibióticos foram desenvolvidos - a grande maioria são variações de fármacos descobertos há mais de 50 anos. As bactérias patogênicas, por outro lado, foram se tornando resistentes a várias classes de drogas existentes.
A esperança para reverter esse quadro sombrio veio com o avanço e barateamento das técnicas de mapeamento genético, de acordo com Oliveira. Muitas equipes investiram no sequenciamento total do genoma de várias actinobactérias. Descobriram então a presença de genes associados à produção de metabólitos secundários ainda não conhecidos.
“Percebeu-se que o potencial biossintético dessas linhagens é subestimado. Esses microrganismos possuem um verdadeiro maquinário para produzir metabólitos que pode ser explorado. Com a informação do genoma, é possível prever a estrutura desse metabólito e assim estimar o potencial do microrganismo em sintetizar os alvos de interesse”, explicou.
A equipe coordenada por Oliveira está particularmente interessada em dois tipos de metabólitos: os policetídeos reduzidos e os peptídeos não ribossomais, que possuem inúmeras atividades farmacológicas. Essas moléculas são sintetizadas por um grupo de proteínas e complexos enzimáticos conhecidos como policetídeo sintase (PKS) e peptídeo não ribossomal sintetase (NRPS).
“Equipes de pesquisa ao redor do mundo têm investido em aproximações guiadas pelo genoma para a identificação de novos metabólitos. No Brasil, possuímos uma diversidade riquíssima em termos de fauna, flora e também de microrganismos, mas temos poucos grupos empenhados em desenvolver pesquisas dessa natureza, que poderiam impulsionar a descoberta de novas drogas”, afirmou Oliveira.
Sequenciamento
Em vez de sequenciar todo o genoma das actinobactérias estudadas - o que atualmente é inviável por causa do custo - o grupo da Unicamp está mapeando os fragmentos genéticos responsáveis pela produção das enzimas PKSs e NRPSs. Dessa forma, é possível estimar o potencial biossinético de diversas linhagens de actinobactérias, entre elas a Streptomyces.
Inicialmente, os pesquisadores investigaram 15 linhagens de bactérias. Depois, o número foi expandido para 80. Com o objetivo de concentrar esforços nos organismos mais promissores, aplicaram outros testes que ajudam a identificar a presença de PKSs e NRPSs. Desse modo, conseguiram escolher duas linhagens para estudo mais aprofundado.
“Os estudos envolvem a identificação dos metabólitos produzidos em condições de cultivo em laboratório e também daqueles que não são produzidos, muitas vezes porque o sistema de expressão gênica não está sendo ativado nessas condições”, contou Oliveira.
A pesquisadora ressalta que todo o trabalho seria facilitado e as previsões seriam feitas com mais agilidade se houvesse possibilidade de se fazer o sequenciamento total do genoma dos microrganismos.
“Queremos, em um futuro próximo, sequenciar essas duas linhagens completamente. Essas informações trariam resultados de maior impacto e permitiriam um progresso notável nessa área de pesquisa, tornando o país competitivo internacionalmente”, disse.
Oliveira conta que o custo estimado do mapeamento completo do genoma de um microrganismo está em torno de R$ 30 mil. “Estamos tentando nos reunir com outros grupos que também tenham interesse nessa área para investir no sequenciamento de vários microrganismos da nossa biodiversidade”, disse.
O projeto envolveu, até o momento, a participação de um aluno de mestrado e seis alunos de iniciação científica. Resultados parciais foram apresentados em congressos nacionais e internacionais, entre eles o da Sociedade Brasileira de Química e o Simpósio Ibero-americano de Química Orgânica.
Últimos avanços na área de biotecnologia (transgênicos)
Estes dois trabalhos abaixo apontam para um menor uso de agrotóxicos, através da resistência genética.
O terceiro se refere ao bicho-da-seda transgênico com fio de seda tão resistente quanto à teia de aranha. É preciso ressaltar que a teia de aranha é dezenas de vezes mais resistente que o aço.
Alguns dirão: mas tudo foi inventado pelos EUA. É verdade. Inclusive eles não produzem cacau, mas desenvolveram o mapa genético do mesmo. Os franceses não têm problema com malária, mas estão desenvolvendo uma vacina contra a malária. Isto só prova que o poder na nova sociedade que está se desenvolvendo tem como base o conhecimento, ficando o capital em segundo plano. Uns dirão: mas é o capital que propicia o conhecimento! Era assim. Hoje ainda é, mas em parte. Com muito pouco capital se pode desenvolver conhecimento. Disse-nos um dia no ano de 1985 o Coordenador da FAO durante um curso: “Esta nova ciência, a biotecnologia, capaz de colocar qualquer país no rumo do desenvolvimento depende muitíssimo mais do cérebro do que de equipamentos importados; e cérebros vocês têm”. Infelizmente há brasileiros que não acreditam nisto e acham que nós não temos condições de competir com o Primeiro Mundo. Peguem o exemplo da Coréia do Sul e alguns países vizinhos, que se há 30 anos estavam no nosso nível, hoje estão 30 anos na nossa frente porque seus governos investiram fortemente em educação. E mesmo que em educação estejamos nos mesmos níveis do Congo e de Uganda, a biotecnologia brasileira é de primeira linha. Pena que isto se resuma na Embrapa, USP e Unicamp.
Mas revoltar-se contra a tecnologia porque os EUA estão à frente é coisa realmente de quem não tem cérebro.
O Brasil, recentemente, realizou um feito exaltado no mundo inteiro: o feijão transgênico resistente ao mosaico dourado. A tecnologia totalmente brasileira vai correr o mundo. E não é só o Brasil que está fazendo isto. O Primeiro Mundo ficou curioso para saber como que o Terceiro Mundo está fazendo tanto em biotecnologia com tão pouco dinheiro. Descobriram um dos fatores: com 1 dólar nós fazemos tanto quanto o Primeiro Mundo faz com 5 dólares. Claro que infelizmente aí estão os baixos salários, as condições péssimas de trabalho e a necessidade de improvisações pela falta de recursos. Improvisações? Ou criatividade que nos levará brevemente à primeira linha em biotecnologia. Infelizmente o Brasil está limitado por um problema muito sério: a deficiência energética.
O desenvolvimento segue a Lei do Mínimo: o potencial de desenvolvimento estará limitado ao fator mais fraco do conjunto. Em nosso caso, a deficiência energética.
Mas dá tempo, Brasil!
Primeiro é preciso acabar com a corrupção...
Prof. Mairesse
Mapeamento genético do cacaueiro avança (11/01/2012)
A iniciativa pode beneficiar tanto os produtores de cacau quanto a indústria do chocolate
Uma parceria entre a iniciativa privada e a divisão de pesquisa em agricultura do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) está trabalhando no mapeamento genético do cacaueiro. Até agora, 92% do genoma da planta já foi sequenciado. A iniciativa pode beneficiar tanto os produtores de cacau quanto a indústria do chocolate.
De acordo com o Banco de Dados do Genoma do Cacau, historicamente, a produção do fruto com o qual se faz o chocolate foi severamente afetada por pragas e doenças. O mapeamento do genoma da planta vai permitir que os cientistas lancem mão de ferramentas genéticas para melhorar as propriedades do vegetal.
Países como Estados Unidos, França e Alemanha consomem mais da metade do suprimento mundial da fruta. Embora o mercado consumidor esteja majoritariamente nos países desenvolvidos, os países em desenvolvimento são responsáveis pela maior parte da produção.
Trigo transgênico resistente a fungo é desenvolvido nos EUA (10/01/2012)
Cientistas pesquisaram uma nova linhagem de trigo que possui um gene resistente à fusariose da espiga
Cientistas do Laboratório de Pesquisas Agrícolas do Norte dos Estados Unidos, em Fargo, Dakota do Norte, identificaram um gene de resistência à fusariose da espiga do trigo (também conhecida como giberela, essa doença é causada por um fungo que produz micotoxinas) em uma variedade conhecida como grama-trigo. Já o trigo duro, variedade amplamente utilizada para consumo humano nos Estados Unidos, Canadá e Europa, não possui defesa genética contra esse patógeno.
Para tornar o trigo resistente à fusariose da espiga, pesquisadores do Projeto de Melhoramento do Germoplasma do Trigo Duro (DGE, na sigla em inglês) transferiram o gene de resistência do grama-trigo, desenvolvendo uma nova linhagem.
Posteriormente, por meio de cruzamentos da linhagem resistente com culturas convencionais do trigo duro (geneticamente vulnerável à doença) e do uso da técnica de marcadores moleculares, foram desenvolvidas espécies híbridas do trigo duro com a característica da resistência.
Bicho-da-seda transgênico produz fio tão resistente quanto teia de aranha (05/01/2012)
O composto poderia ser uma alternativa sustentável a plásticos duros, que usam muita energia em sua produção
Pesquisadores da Universidade de Wyoming (EUA) desenvolveram bichos-da-seda geneticamente modificados (GM) para produzir fios mais resistentes, que se assemelham aos fios das teias de aranha. O estudo foi publicado na revista científica PNAS.
Tentativas anteriores de criar aranhas para a produção comercial de sua teia fracassaram porque os aracnídeos não produzem quantidades suficientes e têm tendências a comer uns aos outros. Por outro lado, bichos-da-seda podem ser criados em cativeiro facilmente e produzem grandes quantidades de seda, mas o material é mais frágil.
O estudo da equipe liderada por Don Jarvis estaria gerando um composto de seda de aranha e de bicho-da-seda, tão forte quanto as teias dos aracnídeos, em vastas quantidades.
Um dos objetivos do trabalho é o desenvolvimento de materiais para usos em diversas áreas, a exemplo da engenharia. Na área médica, o novo material poderia ser usado para criar suturas, implantes e ligamentos mais resistentes e elásticos. A fibra também poderia ser usada como um substituto sustentável para os plásticos que usam muita energia em sua produção.
Argentina aprova plantio e comercialização de novo milho transgênico (12/12/2011)
A variedade, terceiro evento de milho aprovado em 2011, é tolerante a herbicidas.
O Ministério da Agricultura da Argentina autorizou, no dia 1º de dezembro, o plantio, o consumo e a comercialização de mais um milho geneticamente modificado (GM). A nova variedade da planta, ainda não aprovada no Brasil, é tolerante a herbicidas e vai ser mais uma tecnologia disponível para os agricultores do país vizinho.
Na Argentina, até hoje, estão aprovados 22 eventos agronômicos geneticamente modificados. 3 de soja, 3 de algodão e 16 de milho. Desses, 5 foram aprovados em 2011, 2 de soja e 3 de milho.
De acordo com o Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações Biotecnológicas Agrícolas (ISAAA), a Argentina é o terceiro país que mais planta transgênicos no mundo, com 22,9 milhões de hectares cultivados em 2010, atrás de Estados Unidos (66,8 milhões de hectares) e Brasil (25,4 milhões de hectares).
Adoção da biotecnologia na agricultura deve crescer 21% no país (05/12/2011)
Segundo dados da consultoria Céleres, 31,8 milhões de hectares devem ser cultivados com sementes transgênicas no País
A área plantada com sementes geneticamente modificadas (GM) no Brasil deve chegar a 31,8 milhões de hectares na safra 2011/12, um aumento de 20,9% em relação à safra passada. O número consta de levantamento realizado pela consultoria Céleres e faz referência à safra que começa a ser colhida em janeiro.
A soja é a cultura na qual a tecnologia é mais utilizada. Ao todo, serão 21,4 milhões de hectares cultivados com sementes transgênicas, um aumento de 16,7% em relação ao plantio do ano de 2010/11. A extensão corresponde a 85,3% de toda a área dedicada à cultura. No ano passado, essa participação foi de 76%.
Já a cultura do milho foi a que mais rápido teve a adoção da tecnologia. Apenas quatro anos depois de a primeira variedade GM do grão ter sido aprovada no Brasil (maio de 2007), o milho transgênico já deve responder por 67,3% da produção total (somando-se as áreas de verão e inverno) da safra 2011/12. De acordo com a Céleres, elas serão cultivadas em 9,9 milhões de hectares, uma expansão de 32% em relação à temporada anterior.
No algodão, 469 mil hectares (33% de um total de 1,45 milhão), serão ocupados com transgênicos. Trata-se de um aumento de 26,1% em relação à safra passada.
Estudo mede impactos socioeconômicos de 15 anos de transgênicos na Argentina (02/12/2011)
Desde a sua introdução em 1996, a biotecnologia agrícola gerou US$ 72,36 bilhões de dólares e criou 1,82 milhões de postos de trabalho no país
A Argentina é um dos países líderes na utilização de organismos geneticamente modificados (GM) desde a adoção da soja tolerante ao glifosato em 1996. Em 2010, o país atingiu a marca de 22,9 milhões de hectares plantados com soja, milho e algodão geneticamente modificados (GM), ocupando, assim, o terceiro lugar no ranking dos transgênicos – atrás dos Estados Unidos e do Brasil.
De acordo com um recente estudo realizado pelo pesquisador Eduardo Trigo (Fundação Forges e Grupo CEO), o benefício bruto gerado por este processo de adoção para o período 1996-2010 atinge US$ 72,363 milhões.
Por culturas
No caso da soja tolerante ao glifosato, os benefícios somam US$ 65,153 milhões, sendo que, destes, US$ 3,231 milhões atribuíveis à redução nos custos de produção (principalmente devido à redução do plantio indireto e aplicações de herbicidas seletivos exigido pelas por variedades convencionais). Vale lembrar que, na Argentina, praticamente toda a área plantada de soja é transgênica.
Desse total de benefícios, 72,3% foram recebidos pelos próprios agricultores, 21,3% pelo governo – recolhidos por meio de impostos de exportação e outros tributos – e 6,5% para os fornecedores de tecnologia (sementes e herbicidas).
Já no caso do milho (variedades resistentes a insetos e tolerantes a herbicida), a geração de benefícios foi de US$ 5,375 milhões, assim distribuídos: 68,2% para os produtores, 11,4% para governo e 20,4% para fornecedores de tecnologia. Hoje, a lavoura de milho GM no país responde por 86% da produção total da cultura.
Finalmente, os benefícios totais para o algodão GM (resistente a insetos e tolerante a herbicidas), atingiram US$ 1,834 milhões de dólares americanos que foram principalmente para os agricultores (96%), com 4% tendo sido destinados aos fornecedores de tecnologia (sementes e herbicidas).
Benefícios sociais
O pesquisador Eduardo Trigo também avaliou o impacto que as tecnologias GM tiveram na geração de empregos. Ao longo de 15 anos, a criação de mais de 1,8 milhão de postos de trabalho pode ser atribuída ao uso de tecnologias GM na agricultura argentina.
O levantamento aponta ainda alguns dados ambientais relacionados às culturas GM, com ênfase na sinergia especial entre a expansão destas culturas e nas práticas de plantio direto, agricultura e seu impacto positivo na estrutura do solo e o uso eficiente da energia.
Todos os dados do estudo foram estimados usando-se o SIGMA, um modelo matemático desenvolvido pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), que utiliza dados do Perfil Tecnológico do Setor Agrícola da Argentina (INTA), com informações adicionais fornecidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca, pela ArgenBio, pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) e pela FAO.
Segundo a diretora-executiva da ArgenBio, Gabriela Levitus, o processo de adoção da biotecnologia na agricultura argentina foi, sem dúvida, muito bem-sucedido, não apenas porque os produtos têm sido competitivos e os preços internacionais têm sido bons, mas também porque, quando a tecnologia foi colocada à disposição, o país estava pronto para adotá-la. “Havia melhoristas de primeira classe treinados e agricultores inovadores e havia a vontade política que resultou na criação de um sistema de regulamentação pioneiro, que garantiu a adoção segura de culturas GM em nosso país desde o início”, enfatiza.
O estudo completo, em espanhol ou inglês, está disponível em www.argenbio.org
Biotecnologia desenvolve novo método de vacinar gado (24/11/2011)
O método consiste em inserir o material genético da vacina no DNA de um parasita do gado para que ele entre em contato com o sangue do hospedeiro
Cientistas ingleses do Conselho de Pesquisas de Biotecnologia e Ciências Biológicas (BBSRC, na sigla em inglês) desenvolvem uma técnica que utiliza um parasita do gado – que vive nele, mas não oferece riscos á sua saúde – para levar medicamentos para a sua corrente sanguínea. O método consiste em inserir o material genético da vacina no DNA do parasita para que ele entre em contato com o sangue do hospedeiro e libere pequenas quantidades de vacina ao longo do tempo.
O tratamento poderá oferecer resistência por longo tempo contra doenças como a febre aftosa, a tuberculose bovina, entre outras. Os cientistas afirmam que a técnica também pode ser adaptada para levar medicamentos que atuam contra outras doenças comuns ao gado.
Segundo o pesquisador líder do projeto, Keith Matthews, da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Edimburgo, o método tem potencial para prevenir muitas doenças. “Essa abordagem na proteção de animais é um exemplo de como anos de pesquisa podem levar ao desenvolvimento de um produto economicamente viável.”
Cientistas desvendam genoma de leguminosa da família da soja (10/11/2011)
O Guandu, comum nas regiões centrais do Brasil, está adaptado a altas temperaturas e condições de seca.
Uma equipe de cientistas indianos e chineses do Instituto Internacional de Pesquisas de Colheita nos Trópicos Semiáridos (Icrasat, na sigla em inglês), localizado na cidade de Hyderabad, na Índia, sequenciou o DNA completo do Guandu (Cajanus cajan), uma leguminosa da família da soja. Os resultados do trabalho do foram divulgados na revista científica "Nature Biotechnology".
Adaptada a altas temperaturas e condições de seca, o guandu teve seus 48.680 genes mapeados. Desses, cerca de 200 são únicos da espécie e estão ligados à capacidade de resistência da planta às secas. Os pesquisadores acreditam que esse traço genético possa ser transferido a vegetais da mesma família, a exemplo da soja, o feijão-caupi e outros tipos de vagem.
O guandu é a segunda leguminosa a ter seu genoma desvendado, atrás apenas da soja. Para William Dar, diretor-geral do Icrasat, atualmente são necessários até 10 anos para gerar uma nova variedade do guandu. Com o sequenciamento genético, este tempo pode cair para até 3 anos.
A planta é comum na região central do Brasil, em outros países da América do Sul, África e Ásia. A Índia é o principal produtor da planta no mundo. Fonte de proteínas, a leguminosa compõe uma dieta balanceada quando combinado com cereais.
Argentina aprova novo milho transgênico (04/11/2011)
No Brasil, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou a semente em novembro de 2010
O Ministério da Agricultura da Argentina aprovou ontem (03 de Novembro) mais uma variedade de milho transgênico. O novo organismo geneticamente modificado a ser comercialmente cultivado no país combina os eventos Bt11 x MIR 162 x GA21. O evento triplo estará disponível para os produtores da Argentina para a safra de 2012/2013. No Brasil, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou a semente em novembro de 2010.
O milho com o evento triplo Bt11 x MIR162 x GA21 combina tolerância a herbicidas e resistência a insetos. Apresenta resistência à lagarta do cartucho, à broca da cana-de-açúcar e à lagarta de espiga, algumas das principais pragas que atingem o milho na Argentina, além de também proteger a cultura de outras pestes da família dos lepidópteros.
Fonte: CIB, 04 de Novembro de 2011
Cientistas desenvolvem capim transgênico para produção de energia (26/10/2011)
Por meio da introdução de um gene do milho no capim, cientistas criaram uma planta que pode produzir biocombustível
Pesquisadores da Universidade de Berkeley, nos EUA, modificaram geneticamente um tipo de capim para que ele tenha rápido crescimento e produza mais amido, um produto que pode ser eventualmente processado para produzir biocombustível.
Por meio da introdução de um gene do milho (congrass 1) no capim, os cientistas criaram uma planta que rende mais do que o dobro da quantidade de amido produzido por variedades não modificadas. Essas características, além do fato de o novo capim conter menos lignina (polímero orgânico que fortalece a parede celular), fazem com que ele seja comercialmente interessante para a produção de energia.
Geroge Chuck, geneticista do centro de pesquisa que desenvolveu a planta GM, afirma que eles buscam uma alternativa ao milho para a obtenção de biocombustível. “Estamos desenvolvendo muitas respostas à questão colocada pela crise de energia e o capim transgênico é certamente uma parte da solução.”
China produz proteína humana em arroz Em estudo, cientistas conseguiram grãos com alto teor de albumina, importante para a indústria de remédios Ideia não é consumir o produto, mas processar a colheita para obter a substância; agora virão testes de segurança SABINE RIGHETTI DE SÃO PAULO Cientistas chineses conseguiram obter uma proteína humana amplamente usada pela indústria farmacêutica a partir de arroz transgênico. Os pesquisadores desenvolveram um tipo de arroz que tem 10% do seu conteúdo proteico formado pela versão humana da albumina, encontrada no sangue. Essa substância é utilizada em grande escala -cerca de 500 toneladas por ano- para produção de vacinas e remédios e para o tratamento de queimaduras e de cirrose. O problema é que a albumina é obtida atualmente por doação de sangue e cultivada em soro. Isso dificulta seu uso em larga escala e aumenta o risco de contaminações, por exemplo, por vírus. Por isso, os chineses resolveram produzi-la no arroz. O trabalho está publicado hoje na revista científica "PNAS". BIOFÁBRICA "O objetivo desse tipo de transgenia é usar plantas como veículos para a produção de medicamentos", explica Francisco Aragão, da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Ele coordenou o grupo que desenvolveu o feijão transgênico brasileiro, aprovado em setembro para uso comercial. "As plantas têm se mostrado eficazes para produzir proteínas de interesse. Sai mais barato, reduz o risco de contaminação e aumenta a produção", defende o cientista. No caso, os chineses conseguiram extrair 2,75 g da proteína humana por quilo de arroz transgênico. Agora, os pesquisadores vão avaliar o uso comercial da albumina do arroz -o que pode levar cerca de dez anos. "Mas os chineses já adiantaram que a composição físico-químico da proteína do arroz é tão efetiva quanto a da extraída do sangue." Outra questão a ser analisada é a forma de cultivo do arroz transgênico com proteína humana para que a planta não caia na cadeia alimentar. De acordo com Aragão, a dificuldade é que o arroz tem polinização aberta e, por isso, pode facilmente "contaminar" outras plantações. "Mas o cultivo pode ser feito em estufas. Isso já acontece em Cuba, com plantas transgênicas para produção de proteínas usadas em vacinas", explica Aragão. Esse tipo de transgenia também está sendo feito no Brasil. O grupo de Aragão tem estudado a produção de proteínas no alface e na soja. Diferentemente do feijão transgênico desenvolvido na Embrapa, resistente a uma praga (o vírus do mosaico dourado), o arroz transgênico chinês não será comido. Mas outro tipo de arroz transgênico está em vias de aprovação naquele país -o que será inédito no mundo. No Brasil, o arroz transgênico para uso comercial, desenvolvido pela Bayer, foi retirado da pauta da CTNBio (Comissão Nacional Técnica de Biossegurança) em 2010.t FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0111201101.htm- 01.11.2011
População mundial bate o recorde de 7 bilhões de pessoas (31/10/2011)
Crescimento demográfico impõe o desafio de aumentar a produtividade com práticas agrícolas sustentáveis
Hoje, 31 de outubro de 2011, o planeta atingiu a marca de 7 bilhões de habitantes. De acordo com a ONU, apenas 12 anos depois de termos chegado ao sexto bilhão, já somos 7 bilhões de pessoas a serem alimentadas. A previsão é que até 2025 sejamos 8 e, até o fim do século, 10 bilhões de habitantes. Uma das questões que esse crescimento populacional impõe é como alimentar esse número de indivíduos de maneira sustentável. Para se ter uma ideia, o relatório Foresight Report on Food and Farming Futures, publicado no Reino Unido no início do ano, indica que a produção de alimentos deve crescer 40% nas próximas duas décadas para evitar o aumento da fome global.
Na opinião do pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen) Elíbio Rech, o aumento na produção de alimentos terá que ser acompanhado da redução da área plantada, o que só será possível com o aumento dos índices de produtividade no campo. E o Brasil, segundo ele, deverá protagonizar o cenário mundial, ao lado dos Estados Unidos e da Ásia. Para tanto, o pesquisador recomenda que sejam utilizadas novas tecnologias, a exemplo da modificação genética de organismos vivos, da clonagem na pecuária e da nanotecnologia, uma vez que cresce consistentemente a necessidade de variedades mais produtivas, que apresentem resistência a doenças e que possam crescer em condições adversas (solos salinos, regiões secas ou que sofram inundações).
Para a diretora-executiva do CIB, Adriana Brondani, a biotecnologia empregada à agricultura representa um avanço importante e terá um papel fundamental nas próximas décadas, especialmente no desenvolvimento de variedades que melhorem a qualidade nutricional dos alimentos e aumentem a produtividade. “Cientistas de diversos locais no mundo estão desenvolvendo variedades transgênicas de grãos, frutas e legumes enriquecidos de nutrientes, que ampliarão as opções de alimentação e poderão auxiliar na prevenção de doenças”.
Ela cita estudos com morangos enriquecidos com vitamina C; mandioca, batata e arroz enriquecidos com vitamina A; trigo com maior concentração de ácido fólico; milho e soja com níveis elevados de aminoácidos; batatas ricas em proteína; beterrabas com maior teor de açúcar e tomates com mais licopeno, entre outros.
Certamente, a biotecnologia é mais uma ferramenta para aumentar a oferta de alimentos em consonância com práticas sustentáveis e preservação do meio ambiente. Contudo, serão necessárias ações integradas, que proporcionem mudanças nos sistemas de produção. Para tanto, segundo Anderson Galvão, sócio-diretor da Céleres Consultoria, é imperativo que se olhe para essa questão de maneira pragmática. “A agricultura comercial, conduzida com padrões elevados de produtividade e qualidade, é uma parte fundamental do desafio de prover alimentos, fibras e biocombustíveis para todos os mercados”.
Fonte: CIB – 31 de Outubro de 2011
Será que ainda tem gente contrária aos transgênicos. Claro que sim; e muitos. Afinal, tem gente que ainda não acredita em vacinas e diz por aí, por exemplo, que as vacinas contra as gripes promovem as gripes! Mairesse
Vacina anti-HIV geneticamente modificada tem 90% de sucesso (06/10/2011)
Voluntários submetidos aos testes desenvolveram resposta imunológica contra o virus e o efeito da vacina permaneceu por até um ano.
Pesquisadores do Centro Nacional de Biotecnologia da Espanha anunciaram em setembro terconseguido uma alta taxa de sucesso em uma vacina contra o vírus da Aids. Em um ensaio clínico com 30 pessoas, a vacina melhorou a resposta imunológica de 90% delas. Além disso, os efeitos do antídoto permaneceram no organismo dos participantes por até um ano.
A nova arma contra a Síndrome da Imonodeficiência Adquirida (Aids) é um produto da biotecnologia. Cientistas espanhóis inseriram quatro genes (Gag, Pol, Nef e Env) do vírus HIV, causador da doença, na sequência genética da vacina, dando origem à substância MVA-B, uma variedade atenuada do vírus. O MVA-B é estudado há mais de 10 anos e já foi usado em pesquisas para desenvolvimento de vacinas contra várias doenças, entre elas, a varíola.
Os genes de HIV inseridos no DNA do antídoto não são capazes de se autorreplicar, o que garante a segurança do teste clínico. A equipeque conduziu os estudos ressaltou que o MVA-B é seguro. “O MVA-B demonstrou que é tão potente ou até melhor do que outras vacinas atualmente em estudo”, afirmou o pesquisador do Centro Nacional de Biotecnologia e responsável pelo desenvolvimento do composto, Mariano Esteban.
Embora os testes ainda estejam na faseinicial, são os mais promissores, até agora, em relação à durabilidade do remédio no corpo humano. Agora, os cientistas espanhóis precisam estender os ensaios clínicos.
Proteína produzida por células GM pode auxiliar no tratamento do câncer (05/10/2011)
Ratos foram geneticamente modificados para expressarem a proteína Par-4, que inibe a metástase.
Pesquisadores da Universidade do Kentucky modificaram geneticamente ratos para que expressassem a proteína Par-4 (também conhecida como PWAR), capaz de induzir seletivamente a apoptose (morte celular) em células cancerosas. Dessa maneira, tornavam-se resistentes a tumores. O efeito se dá apenas em células doentes, sendo inócuo para as saudáveis.
Em outra etapa dos estudos, as células contendo o gene que produz a proteína foram transferidas para outros ratos, que originalmente não expressavam a proteína. Os ratos que receberam a medula óssea dos animais geneticamente modificados passaram a exibir atividade elevada do sistema responsável pela produção da proteína Par-4. Isso significa que o transplante foi bem-sucedido e que o ‘sistema de proteção ao câncer’ foi passado adiante para os receptores. Mais: a injeção de uma solução contendo a proteína Par-4 nos camundongos também inibiu a metástase, ou formação de tumores secundários no corpo.
A medula óssea é um tecido gelatinoso que fica dentro da cavidade dos ossos e é responsável pela produção de leucócitos — células que combatem microrganismos — e outras células que compõem o sangue, como as hemácias.
Segundo Vivek Rangnekar, responsável pelo trabalho, o tratamento de tumores primários e secundários pode melhorar com os novos procedimentos de transplante usando células-tronco geneticamente modificadas.
Desde meados do século 20, quando as vacinas se tornaram uma das armas mais poderosas da medicina, os oncologistas invejam os imunologistas. Não seria fantástico se a capacidade do sistema imunológico de identificar, perseguir e exterminar bactérias e vírus pudesse ser usado para combater células cancerosas?
Apesar da inveja velada, oncologistas e imunologistas passaram os últimos 50 anos colaborando para dirigir o canhão do sistema imunológico contra as células cancerosas. Alguns sucessos, como anticorpos monoclonais capazes de matar células tumorais, foram adicionados ao armamento dos oncologistas, mas até agora não havia sido possível convencer o sistema imunológico a se voltar de modo eficiente contra as células tumorais. Parece que isso vai mudar.
A base do sistema imunológico é sua capacidade de distinguir o que faz parte do nosso corpo (self) do que não faz (non-self) e destruir esses últimos. Quando o sistema imunológico detecta o vírus da gripe, ele "decide" que o vírus não faz parte do "self"e monta um ataque sistemático. Ficamos com febre, os gânglios onde as células do sistema imunológico se dividem incham e após alguns dias o sistema imunológico ataca e destrói o vírus.
O sistema é tão potente que é importante ele não errar, mas quando ele se engana e ataca uma parte do self, provoca doenças autoimunes. O problema que aflige oncologistas e imunologistas é que nosso sistema imunológico, quando detecta uma célula de nosso corpo que sofreu uma ou mais mutações e se transformou em uma célula tumoral, a classifica corretamente como self e não ataca. A célula tumoral continua a se dividir impunemente e o câncer pode se espalhar.
Nas últimas décadas, o mecanismo usado pelo sistema imune para fazer essa classificação foi elucidado. Ele reside em grande parte nos linfócitos T, mais especificamente nos receptores na superfície desses linfócitos. Usando técnicas de engenharia genéticas, imunologistas e oncologistas vêm modificando esses receptores de modo a forçar os linfócitos T a atacar células de tumores. Mas até agora essas células modificadas, quando injetadas nos pacientes, não se dividiam rapidamente e não duravam o suficiente para erradicar o tumor. Agora, parece que os cientistas conseguiram modificar essas células de modo que elas exterminem o tumor.
Nos últimos meses, essa nova estratégia foi testada em três pacientes. Os pacientes sofriam de uma forma avançada de leucemia resistente a todos os tratamentos quimioterápicos. Eles foram internados e amostras de seus linfócitos T foram isoladas. Esses linfócitos foram cultivados fora do corpo durante dez dias. Nesse tempo, foram infectados com um vírus modificado capaz de colocar no genoma dos linfócitos T do paciente uma versão alterada de seus receptores.
Esses receptores haviam sido modificados para garantir que os linfócitos reconhecessem as células cancerosas e que pudessem se multiplicar rapidamente e atacar o tumor. No décimo dia, um pequeno número desses linfócitos transgênicos foi injetados no sangue dos pacientes.
Resultado inesperado. Por uma semana, nada aconteceu, mas em seguida os pacientes começaram a ter febre e outros indícios de que uma resposta imunológica estava ocorrendo. Ela foi tão forte e rápida que os médicos tiveram dificuldade de controlá-la. Após duas semanas, foi possível verificar que os linfócitos T não somente haviam reconhecido o tumor, mas haviam se dividido rapidamente e destruído as células tumorais.
Os cientistas estimam que o sistema imunológico dizimou quase 1 quilo de células tumorais em cada paciente em poucos dias. Os cientistas, que esperavam um sucesso parcial, ficaram espantados: em dois dos três pacientes, nenhuma célula tumoral sobreviveu. E seis meses após o tratamento, eles continuam livres da leucemia.
O mais interessante é que os linfócitos T capazes de combater a leucemia colonizaram os órgãos do sistema imune e permanecem no corpo desses pacientes. Provavelmente eles atacarão novamente se surgirem novas células tumorais. Esses pacientes parecem estar "vacinados" contra este tipo específico de tumor.
Esse resultado mostra que temos tecnologias capazes de manipular o sistema imune de modo a dirigir seu poder de destruição contra o alvo de nossa preferencia. Mas, apesar deste sucesso, nem tudo são flores. Um dos três pacientes não foi curado completamente e nos três, ao matar as células tumorais, os linfócitos T modificados mataram também outras células que possuíam o marcador usado para identificar as células tumorais. E é preciso esperar um tempo mais longo que os seis meses decorridos para saber se a cura foi definitiva.
Nos próximos anos, saberemos se esse procedimento pode ser usado em diferentes tipos de tumor. E teremos uma ideia melhor de sua eficiência quando ele for testado em um número maior de pacientes, em diversos centros.
BIÓLOGO
MAIS INFORMAÇÕES: T CELLS WITH CHIMERIC ANTIGEN RECEPTORS HAVE POTENT ANTITUMOR EFFECTS AND CAN ESTABLISH MEMORY IN PATIENTS WITH ADVANCED LEUKEMIA. SCI TRANSL. MED., VOL. 3, PÁG. 95RA73, 2011
Feijão transgênico desenvolvido pela Embrapa é aprovado no Brasil (15/09/2011)
Trata-se da primeira planta transgênica totalmente produzida por instituições públicas liberada para comercialização
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou hoje a liberação para cultivo comercial do feijão geneticamente modificado (GM) resistente ao vírus do mosaico dourado, pior inimigo da cultura no Brasil e na América do Sul.
Desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o feijão é a primeira planta transgênica totalmente produzida por instituições públicas de pesquisa a ser aprovada comercialmente. Foram quase 10 anos de pesquisa em parceria entre a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia – Cenargen e Embrapa Arroz e Feijão.
“Nos testes de campo realizados, mesmo com muita presença da mosca branca, inseto que transmite o vírus do mosaico, a planta transgênica não foi infectada pela doença”, afirma Francisco Aragão, pesquisador do Cenargen e um dos responsáveis pelo projeto.
Importância social, ambiental e econômica
O feijão é uma cultura de extrema relevância social, especialmente na América Latina e na África, sendo a leguminosa mais importante na alimentação de mais de 500 milhões de pessoas. No Brasil, é a principal fonte vegetal de proteínas e de ferro e, associado ao arroz, resulta em uma mistura ainda mais nutritiva.
A produção mundial de feijão é de mais de 12 milhões de toneladas. O Brasil ocupa o segundo lugar nesse ranking e a planta é produzida principalmente por pequenos agricultores, com cerca de 80% da produção e da área cultivada em propriedades com menos de 100 hectares. Uma vez que o vírus do mosaico dourado atinge a plantação ainda na fase inicial, pode causar perdas de até 100% na produção. Segundo estimativas da Embrapa Arroz e Feijão, os danos causados pela doença seriam suficientes para alimentar até 10 milhões de pessoas.
O feijão transgênico apresentou vantagens econômicas e ambientais, a exemplo da diminuição das perdas, a garantia das colheitas e a redução da aplicação de defensivos. Com a aprovação, as sementes transgênicas serão multiplicadas e devem chegar ao mercado em dois ou três anos.
“Todas as análises de segurança foram realizadas e o feijão geneticamente modificado é tão ou mais seguro que as variedades convencionais, tanto para o consumo humano quanto para o meio ambiente”, ressalta Aragão.
Nova tecnologia
Os pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Francisco Aragão, e da Embrapa Arroz e Feijão, Josias Faria, utilizaram quatro estratégias de transformação genética.
Em linhas gerais, eles modificaram geneticamente a planta para que ela produzisse pequenos fragmentos de RNA responsáveis pela ativação de seu mecanismo de defesa contra o vírus mosaico dourado, devastador à lavoura.
"Mimetizamos o sistema natural", diz Francisco Aragão, explicando que a grande vantagem dessa nova técnica é que não há produção de novas proteínas nas plantas, e consequentemente não há potencial de alergenicidade e toxidez. Além disso, os fragmentos de RNA podem causar resistência a várias estirpes do mesmo vírus.
O uso das bactérias GM pode ser uma forma mais barata e eficiente de limpar água contaminada com mercúrio
A Universidade de Porto Rico, nos Estados Unidos, desenvolveu bactérias geneticamente modificadas (GM) que suportam altas concentrações de mercúrio, acumulando-o em elevadas taxas. As mais resistentes suportam até 24 vezes mais mercúrio do que uma bactéria sem a modificação genética.
Essas bactérias podem ser usadas para limpar água contaminada com mercúrio, representando uma alternativa sustentável para processos industriais nos quais o metal é um resíduo. Esses microrganismos são capazes de capturar até 80% do mercúrio diluído. Além disso, como eles se agrupam, são facilmente removidos da solução, para posterior utilização do mercúrio capturado. Depois de limpa, a água também pode ser reutilizada. A ideia é bombear água contaminada para colunas contendo as bactérias GM.
As emissões de mercúrio estão aumentando em todo o mundo, principalmente por termoelétricas a carvão e incineradores de lixo. A exposição à forma mais tóxica, o metilmercúrio, pode causar danos permanentes à saúde. Hoje já existem métodos biológicos de limpeza para metais como o cobre, mas na natureza não há bactérias que sejam capazes de acumular o mercúrio.
Mexicanos criam fungos GM para limpeza de solos contaminados (05/09/2011)
O novo microrganismo transgênico é capaz de produzir enzimas eficientes na degradação de compostos tóxicos
A identificação de fungos que sobrevivem em áreas contaminadas por derramamentos de petróleo foi o ponto de partida para a pesquisa com microrganismos transgênicos que podem descontaminar áreas degradas.
Os fungos encontrados no solo sobrevivem em condições de contaminação, mas não são capazes de destruir os hidrocarburetos aromáticos policíclicos (HAP), compostos extremamente contaminantes e cancerígenos existentes no petróleo. Entretanto, fungos que crescem em madeira (lignolíticos) são capazes de degradar a lignina, composto quimicamente bastante similar ao HAP.
Os genes dos fungos lignolíticos foram então transferidos para os fungos isolados em solo contaminado. O novo microrganismo transgênico é capaz de produzir enzimas muito eficientes na degradação dos compostos tóxicos HAP.
A garantia de que estes fungos GM não se disseminariam no meio ambiente é o fato de, além de realizarem a biorremediação das áreas contaminadas, também eliminarem compostos que, em determinada concentração, os intoxica e destrói.
Pesquisadores desvendam DNA de mais uma espécie de Eucalipto (09/09/2011)
Com seu genoma mapeado, a Eucalyptus grandis, é uma das maiores variedades da planta
O eucalipto é a árvore mais usada para compor florestas plantadas em todo o mundo. Com o sequenciamento da espécie conhecida como Flooded Gum ou Rose Gum, os pesquisadores poderão avançar ainda mais em pesquisas florestais, até porque trata-se da segunda árvore de florestas a ter seu genoma decodificado.
Esta sequência completa do DNA da planta foi obtida pelo Departamento de Energia e Rede de Genoma do Eucalipto, nos EUA, e permitirá aos cientistas a identificação de genes responsáveis pelo rápido crescimento dessa espécie. Este conhecimento facilitará o desenvolvimento de variedades com características desejáveis melhoradas.
No passado, o processo desde a seleção de árvores diferentes, seu crescimento e posterior avaliação levaria pelo menos 20 anos. Segundo o professor Bill Foley, especialista em genética de plantas da Universidade Nacional da Austrália e participante do estudo, agora é possível fazer tratamentos precisos em bem menos tempo.
O eucalipto é uma árvore nativa da Austrália, do Timor e da Indonésia, sendo exótico em todas as outras partes do mundo. Os primeiros plantios datam do início do século XVIII, na Europa, Ásia e África. Já no século XIX, começou a ser plantado em países como Espanha, Índia, Brasil, Argentina e Portugal.
Prêmio Nobel afirma que críticas à biotecnologia não têm base científica (31/08/2011)
Werner Arber, que descobriu as enzimas de restrição, afirma que a engenharia genética é importante para a saúde alimentar
O prêmio Nobel Werner Arber é o homenageado do Congresso Brasileiro de Genética, que acontece de 30 de agosto a 02 de setembro, em Águas de Lindoia (SP). Em visita ao Brasil, o cientista afirmou que as eventuais críticas aos alimentos geneticamente modificados têm motivação principalmente política. “A engenharia genética é importante tanto para a saúde alimentar quanto para ajudar a tornar as lavouras mais resistentes a pragas e mais adaptadas a fenômenos relacionados às mudanças climáticas”, disse.
Arber também afirmou que a biotecnologia pode contribuir para melhorar o valor nutricional de um alimento, por exemplo, desenvolvendo um arroz com vitamina A ou selecionando plantas mais aptas.
O pesquisador suíço descobriu as denominadas enzimas de restrição, que fragmentam o DNA. Em parceria com outros dois cientistas, Arber mostrou que essas enzimas “cortam” o material genético e revelou como ocorre o processo. Nos anos 1960, ele estudou como as bactérias distinguem seu próprio DNA do DNA de outros organismos que penetram nas células por meio de infecções virais. O cientista descobriu que há enzimas que permitem essa alteração e as de restrição que, quando ativadas, protegem as células quebrando o material genético do vírus em pequenas partes. Seu estudo marcou a nova era da manipulação genética e lhe rendeu o prêmio Nobel de Medicina em 1978.
Arber, de 82 anos, afirma com entusiasmo que a engenharia genética seria uma forma de acelerar o que já ocorre na natureza, como uma expansão da teoria da seleção natural, de Darwin.
Pesquisador desenvolve técnica inédita para diagnóstico de doenças em plantas
Pelo diagnóstico tradicional, são necessários de 30 a 45 dias para a apresentação dos resultados. A partir da nova técnica, o tempo foi reduzido para menos de cinco minutos, identificando o agente causador da doença com 100% de eficiência. "Em todo o mundo o diagnóstico era feito em cerca de um mês. Saímos na frente e apresentamos essa grande novidade", acrescenta Aires. A rapidez no resultado só é possível com a utilização de um espectômetro denominado de Maldi/Tof-MS, que foi disponibilizado pela Micoteca da Universidade do Minho (MUM).
José Aires contou com o auxílio dos pesquisadores portugueses Nelson Lima e Cledir Santos. Os testes foram desenvolvidos a partir de amostras de diferentes cultivares de abacaxi infectadas pelo fungo Fusarium e que já haviam sido avaliadas nos laboratórios do Incaper.
"É um método extremamente poderoso, que também pode ser utilizado na área médica. Na maioria dos casos, pacientes com suspeita de infecção por fungos aguardam mais de um dia para receber os resultados dos exames e, consequentemente, o diagnóstico da doença. A partir da técnica que utiliza o Maldi/Tof-MS, teremos essa resposta em cerca de dois a cinco minutos. Assim, o médico poderá agir com os cuidados necessários mais rapidamente e aumentar as chances de cura", explica José Aires.
Na agricultura, a nova técnica pode auxiliar na certificação fitossanitária de mudas e frutas, evitando a introdução e disseminação de doenças. O convite para que José Aires desenvolvesse as análises no laboratório surgiu no VI Congresso Brasileiro de Micologia, em dezembro de 2010, no qual o Incaper apresentou as últimas pesquisas feitas com o fungo Fusarium no Espírito Santo.
"A parceria com a Universidade do Minho e o Núcleo de Biotecnologia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) permitiu que obtivéssemos novas informações sobre a interação planta-patógeno e investigação sobre a eficiência da técnica", frisa o pesquisador.
O laboratório utilizado em Portugal é referência em todo o mundo e recebe alunos de diversos países para cursos de mestrado e doutorado, bem como pesquisadores de várias instituições internacionais. A partir de um sistema integrado, técnicos de países europeus contribuíram, simultaneamente, no desenvolvimento das análises feitas.
A previsão é de que seja publicado um artigo científico, ainda neste ano, na revista inglesa Plant Pathology, de alto impacto e destaque no meio, informando os resultados obtidos. Segundo José Aires, um equipamento semelhante ao utilizado na Micoteca da Universidade do Minho, deverá ser adquirido e utilizado em parceria com a UFES.
A técnica foi testada pela primeira vez com o Maldi/Tof-MS, na última semana de julho em Portugal. "Isso mostra um avanço tecnológico que o mundo está recebendo para a evolução das pesquisas em doenças", frisa o pesquisador.
FONTE
Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural Assessoria de Comunicação do Incaper Ana Carolina Marchesi - Jornalista
CTNBio adia decisão sobre liberação comercial de feijão transgênico
11/08/2011 O feijão transgênico foi desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Emprapa) e é resistente ao vírus do mosaico dourado, principal praga da cultura do grão no Brasil e na América do Sul. A proposta deve ser votada na próxima reunião do colegiado, marcada para os dias 14 e 15 de setembro.
Em linhas gerais, eles modificaram geneticamente a planta para que ela produzisse uma molécula - o RNA - responsável pela ativação de seu mecanismo de defesa contra o vírus mosaico dourado, devastador à lavoura.
"Mimetizamos o sistema natural", diz Francisco Aragão, explicando que a grande vantagem dessa nova técnica é que não há produção de novas proteínas nas plantas, e consequentemente, não há possibilidade de alergenicidade e toxidez. Além disso, a tecnologia de RNA pode causar resistência a várias estirpes do mesmo vírus.
Os pesquisadores, paralelamente, construíram um vetor para geração de plantas transgênicas, com o objetivo de bloquear a ação do gene AC1 viral, essencial para a replicação do genoma do vírus do mosaico dourado.
Desde 2006, os pesquisadores da Embrapa repetem pesquisas de campo com o feijão transgênico em Sete Lagoas (MG), Londrina (PR) e Santo Antônio de Goiás (GO), regiões de alta produção no país. Em todos os casos, os grãos foram infectados naturalmente pelo mosaico dourado. Os transgênicos, diz Aragão, não apresentaram sintomas da doença. Os convencionais tiveram de 80% a 90% das plantas afetadas.
Além de testar a eficiência das variedades transgênicas, essas análises avaliaram a biossegurança para comprovar a sua inocuidade ao ambiente e à saúde humana.
IMPACTO SOCIAIS DA ENGENHARIA GENÉTICA
Esse projeto é um exemplo significativo de impacto social e alimentar do uso da engenharia genética. No Brasil o feijão é uma cultura de extrema importância social, já que é produzido basicamente por pequenos produtores, com cerca de 80% da produção e da área cultivada em propriedades com menos de 100 hectares.
Além disso, é a principal fonte vegetal de proteínas (o teor das sementes varia de 20 a 33%), além de ser também fonte de ferro (6-10 mg/100 g). Associado ao arroz dá origem a uma mistura tipicamente brasileira e ainda mais nutritiva e rica em vitaminas. Na verdade, a importância do feijão na alimentação transcende as fronteiras brasileiras, sendo a leguminosa mais importante na alimentação de mais de 500 milhões de pessoas na América Latina e África.
A produção mundial de feijão é superior a 12 milhões de toneladas. O Brasil ocupa o segundo lugar na produção mundial, mas sua produção ainda não é suficiente para suprir a demanda interna, o que se deve em grande parte às perdas causadas por pragas e doenças como o mosaico dourado do feijoeiro, associadas a estresses hídricos.
As variedades transgênicas de feijão garantem vantagens econômicas e ambientais, com a diminuição das perdas e garantia das colheitas. Segundo Aragão, "a variação econômica acontece quando a safra é prejudicada por doenças ou pela seca, pois a oferta e o preço para o consumidor sobem consideravelmente. Com a variedade GM, a planta torna-se resistente ao vírus e as perdas diminuem, estabilizando o preço do produto", comenta.
FONTE
Agência Brasil Luana Lourenço - Repórter Lana Cristina - Edição
Legislação trava pesquisas científicas e tecnológicas da biodiversidade
11/08/2011 No entanto, há uma luz no fim do túnel, de acordo com Carlos Joly, da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped) do Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI) e coordenador do Programa Biota-Fapesp. Segundo ele, algumas iniciativas implementadas nas últimas semanas prometem agilizar o processo de autorização para pesquisas e bioprospecção, facilitando a vida de cientistas e empresas.
"Há um consenso em relação à ineficiência da legislação, definida por uma medida provisória de 2001. Mas, como o processo para modificá-la é longo e imprevisível, não podemos esperar parados. Por isso, está sendo realizado um grande esforço, por parte do CGEN e dos ministérios mais envolvidos com o tema, para destravar a questão das autorizações de pesquisa científica e tecnológica com uso da biodiversidade", disse à Agência Fapesp.
Uma das principais novidades no CGEN, de acordo com Joly, consistiu em viabilizar a possibilidade da regularização do acesso aos recursos genéticos para fins de pesquisa, prospecção e desenvolvimento tecnológico. A nova norma, criada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) em abril de 2011, começou a ser posta em prática em meados de julho, a partir da última reunião do CGEN.
"É muito importante que essa mudança seja divulgada. Porque até agora, quando uma empresa ou um pesquisador estavam em uma situação considerada irregular, simplesmente não havia solução. A medida provisória não previa mecanismos de regularização, o que é algo até inconstitucional. É preciso que exista a possibilidade de reconhecer o descumprimento da lei e adequar-se a ela", afirmou Joly, que é diretor do Departamento de Políticas e Programas Temáticos da Seped e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
De acordo com Joly, a legislação exige que a autorização seja pedida antecipadamente ao CGEN, que era o único órgão autorizado para emiti-la. Assim, além de uma grande quantidade de processos acumulados no CGEN, os casos nos quais o acesso aos recursos da biodiversidade havia sido feito sem autorização se acumulavam sem solução possível.
"O CGEN tinha pelo menos uma centena de processos acumulados, desde 2007, relacionados a esses casos nos quais a autorização foi pedida depois de o acesso ter sido realizado. Agora eles podem ser regularizados", disse.
Segundo Joly, há cerca de dois meses um grupo de trabalho que reúne representantes de seu departamento no MCT, do Departamento de Patrimônio Genético do MMA, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) -- que no momento está analisando pedidos de patentes feitos no início da vigência da Medida Provisória -- está elaborando uma alteração significativa da legislação atual, com o objetivo de desburocratizar a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico. De acordo com ele, há necessidade de alterações que extrapolam a competência das resoluções do CGEN.
"Trabalhamos de forma intensa na discussão de uma modificação substancial da medida provisória em vigência. Acredito que em breve vamos concluir esse trabalho para passá-lo às instâncias superiores, que deverão dar um encaminhamento capaz de equacionar esses problemas de maneira definitiva", afirmou.
Outra medida que facilitará o trabalho dos pesquisadores é a ampliação das competências do CNPq, aprovada no fim de julho de 2011. Com isso, o CNPq passa a ter poder para autorizar também o desenvolvimento tecnológico a partir de produtos provenientes da biodiversidade.
"Até agora o CNPq podia fazer apenas o credenciamento das etapas de pesquisa e bioprospecção, mas agora pode autorizar também a realização do desenvolvimento tecnológico. Essa é uma medida importante de descentralização do trabalho do CGEN, porque no CNPq todo o processo é informatizado, em uma plataforma semelhante à do Currículo Lattes, com a qual todos os pesquisadores já estão familiarizados", afirmou.
MEDIDAS PALIATIVAS
Com as mudanças no CGEN, a fabricante de cosméticos Natura teve dois pedidos de exploração econômica de plantas aprovados. O fato foi comemorado por membros do governo como uma sinalização de que os processos realmente vão ganhar agilidade. Antes, a empresa havia recebido multas que totalizavam R$ 21 milhões por uso de recursos genéticos sem autorização.
Apesar dos dois pedidos aprovados, no entanto, a empresa ainda permanece cética em relação aos avanços no CGEN. De acordo com Rodolfo Guttilla, diretor de Assuntos Corporativos da Natura, enquanto não houver modificação da medida provisória, as medidas serão apenas paliativas.
"O nosso marco regulatorio é uma aberração. Não há outra palavra para descrevê-lo. A legislação exige que a empresa peça autorização prévia, mesmo sem saber se a pesquisa que ela está fazendo levará a um produto que irá ao mercado", disse.
Segundo ele, muitas das pesquisas feitas com insumos da biodiversidade são exploratórias e é inconstitucional pedir uma autorização para essa etapa da prospecção. "Isso inibe o desenvolvimento tecnológico de um país que visivelmente tem na biodiversidade um diferencial competitivo", afirmou.
Guttilla afirmou que as mudanças até agora são insuficientes e, enquanto o marco regulatório não for substituído, a pesquisa brasileira não avançará. Para ele, é preciso especialmente eliminar o artigo que exige a autorização prévia para pesquisa.
EXPERIÊNCIAS INTERNACIONAIS
De acordo com Bráulio Dias, secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, a legislação de fato precisa de mudanças e está havendo um avanço contínuo nas discussões internas do governo. Mas as mudanças do marco legal vão depender de um processo longo e tortuoso.
"Abrimos várias frentes para trabalhar por avanços no processo de autorização de uso da biodiversidade. Algumas delas são rápidas e outras são lentas. Algumas estão dentro do nosso controle de governança, enquanto outras dependem de fatores externos ao governo", disse.
Uma das iniciativas, segundo ele, consistiu em uma mudança completa, no início de 2011, da equipe que está à frente do Departamento de Patrimônio Genético do MMA. "Trouxemos gente com muita experiência na área de pesquisa científica e bioprospecção. Outra iniciativa foi a retomada das discussões sobre a questão do credenciamento. Esse debate resultou na ampliação do papel do CNPq no credenciamento, aprovado pelo CGEN", afirmou.
Dias afirma estar em negociação com outras agências do governo, além do CNPq, com a intenção de ampliar ainda mais a permissão de credenciamento, descentralizando progressivamente as tarefas do CGEN. "A ideia é que nos próximos meses a deliberação possa ser feita por esses órgãos externos. Assim, o CGEN poderia se concentrar mais nos aspectos normativos, tornando-se a instância para recursos", afirmou.
O MMA está analisando a experiência de outros países no assunto, a fim de aproveitar as legislações bem-sucedidas. "Realizamos uma oficina com um grupo internacional de especialistas e vamos contratar alguns estudos para tentar aproveitar melhor essas lições. Existem cerca de 20 países com legislações nacionais", disse.
Alguns países, como o Peru e as Filipinas, não conseguiram implementar suas legislações por dificuldades jurídicas operacionais, segundo Dias. Outros, como o México, tiveram dificuldades por terem regras distintas para os setores de biodiversidade, florestas e pesca, por exemplo.
"A Austrália tem um sistema interessante, bastante simplificado. A África do Sul tem uma experiência interessante e Índia tem um sistema bem implantado, mas com uma burocracia pesada. A Namíbia tem uma legislação muito bem feita, que combina muito bem as regras de controle com incentivos ao biocomércio", disse.
A questão da autorização prévia, segundo Dias, poderá ser modificada, mas para isso é necessário substituir o marco legal e, portanto, conseguir uma convergência de posicionamento em diferentes setores do governo.
Cientistas criam 1º animal com informação artificial no código genético
A técnica poderia dar aos biólogos controle total sobre as moléculas em organismos vivos
11 de agosto de 2011 | 16h 48
Pesquisadores da Universidade de Cambridge (Grã-Bretanha) criaram o que alegam ser o primeiro animal com informação artificial em seu código genético.
A técnica, segundo os cientistas, pode dar aos biólogos "controle átomo por átomo" das moléculas em organismos vivos.
O trabalho da equipe de pesquisadores usou vermes nematoides e foi publicado na revista especializada Journal of the American Chemical Society.
Os vermes, da espécie Caenorhabditis elegans, têm um milímetro de comprimento, com apenas mil células formando seu corpo transparente.
Segundo o estudo, o que torna o animal único é que seu código genético foi estendido para criar moléculas biológicas que não são conhecidas no mundo natural.
Genes são as unidades hereditárias dos organismos vivos que os permitem construir o seu mecanismo biológico - as moléculas de proteína - a partir de "blocos de construção" mais simples, os aminoácidos.
Nos organismos naturais vivos, são encontrados apenas 20 aminoácidos, unidos em diferentes combinações para formar as dezenas de milhares de proteínas diferentes necessárias para manter a vida.
Mas os pesquisadores Jason Chin e Sebastian Greiss fizeram um trabalho de reengenharia da máquina biológica do verme para incluir um 21º aminoácido, não encontrado na natureza.
Proteína
Jason Chin, do Laboratório de Biologia Molecular da Universidade de Cambridge, afirma que a técnica tem um potencial transformador, pois proteínas poderão ser criadas sob controle total dos pesquisadores.
Mario de Bono, especialista em vermes Caenorhabditis elegans e que também trabalha no Laboratório de Biologia Molecular, afirma que este novo método poderá ser aplicado em uma ampla variedade de animais.
No entanto, até o momento, esta é apenas uma prova de um princípio. A proteína artificial que é produzida em cada célula do minúsculo corpo do verme contém um corante fluorescente que brilha em uma cor de cereja quando colocada sob a luz ultravioleta. Se o truque genético tivesse fracassado, não haveria o brilho.
Chin afirma que qualquer aminoácido artificial poderia ser escolhido para produzir novas propriedades específicas, e De Bono sugere que esta abordagem agora pode ser usada para introduzir em organismos proteínas criadas que podem ser controladas pela luz.
Os dois pesquisadores agora planejam colaborar em um estudo detalhado de células neurais no cérebro do nematoide, com o objetivo de ativar ou desativar neurônios isolados de forma precisa e com minúsculos flashes de laser. BBC Brasil
Pesquisa revela aumento na área plantada com transgênicos no Brasil (04/08/2011)
De acordo com o levantamento, o crescimento é resultado do aperfeiçoamento das sementes geneticamente modificadas
A área cultivada no Brasil com milho, soja e algodão geneticamente modificados (GM) já cresce a um ritmo superior à área total plantada com essas mesmas variedades. Essa é uma das conclusões do 1º estudo da adoção de biotecnologia na safra 11/12, realizado pela consultoria Céleres. Segundo o coordenador do estudo, Anderson Galvão, esse crescimento é resultado do aperfeiçoamento constante das sementes transgênicas, cada vez mais bem adaptadas às diferentes regiões produtivas no País.
A pesquisa também mostra que a área plantada com soja GM na próxima safra será 13,4% maior do que na safra 10/11, ocupando 20,8 milhões de hectares (82,7% da área total prevista). O algodão transgênico, que teve três novos eventos aprovados em 2010, ocupará 606 mil hectares, equivalentes a 39% dos campos da cultura (um aumento de 62,7% sobre o ciclo anterior).
No caso do milho, as variedades GM estarão presentes em 9,1 milhões de hectares, ou 64,9% da área. Um segundo acompanhamento da adoção da biotecnologia para essa safra está previsto para o dezembro, após a conclusão dos trabalhos de plantio da safra de verão. Para Galvão, esse é o exemplo mais bem-sucedido da adoção da biotecnologia no Brasil: em quatro anos, ocupa mais da metade das terras cultivadas com milho.
Outra descoberta do levantamento é que, pela primeira vez na história da agricultura nacional, a região Centro-Oeste – tradicional produtora de soja convencional – ultrapassou a região Sul em valores absolutos de área destinada à soja transgênica, plantando 8,8 milhões de hectares.
Cientistas identificam gene que leva ao desenvolvimento muscular (05/08/2011)
O gene codifica a proteína miostatina (MSTN) que, quando inibida, pode estimular o crescimento dos músculos
Cientistas da Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, identificaram a mutação genética que confere músculos superdefinidos e, muitas vezes, agilidade superior a quem a possui. O segredo está no gene que codifica a proteína miostatina (MSTN), que inibe o crescimento muscular. Recentes pesquisas revelaram que existe uma relação direta entre a força e a mutação que “silencia” ou diminui a produção da MSTN.
De acordo com a cientista Anneleen Stinckens, a relação entre ganho muscular e as mutações do chamado gene MSTN é conhecida desde 1997. “Entretanto, a ligação ficou mais clara com a descoberta de humanos e cachorros que a apresentavam”, revela Anneleen.
Há informações sobre dois garotos com deficiência dessa proteína. O primeiro, um alemão que, antes dos cinco anos, podia segurar mais de três quilos com os braços estendidos. Seus músculos são o dobro do tamanho dos de outras crianças de sua idade e ele possui apenas metade da gordura corporal. O outro caso é uma criança de Michigan (EUA) que possui 40% a mais de músculos. Tem muita força, agilidade, metabolismo superacelerado e quase nenhuma gordura corporal.
Segundo a pesquisadora, o estudo com a miostatina contribui na busca de curas para doenças musculares, que estão entre as disfunções herdadas mais comuns e incluem, por exemplo, a distrofia muscular.
Uma descoberta feita por cientistas da Universidade de Münster, na Alemanha, pode resultar em uma nova fonte de borracha para a fabricação de pneus, menos agressiva ao meio ambiente. Segundo os pesquisadores, o látex da flor conhecida como Dente-de-Leão produz uma borracha com a mesma qualidade oferecida pela seiva da seringueira.
Para transformar essa iniciativa em uma realidade de mercado, a Continental, juntamente com um consórcio de institutos de pesquisas e parceiros industriais, estão dando continuidade aos estudos com a planta. De acordo com a empresa, fornecedora mundial de autopeças, o Dente-de-Leão apresenta diversas vantagens. A borracha natural é uma opção à utilização de uma fonte não-renovável, como o petróleo, empregado na fabricação da borracha sintética. Além disso, a seiva da seringueira tem uma procura maior do que a sua oferta, refletindo nos custos de produção.
Para tornar viável a exploração industrial de borracha natural do Dente-de-Leão e o seu cultivo extensivo, bioquímicos descobriram a enzima responsável pela rápida coagulação do látex e, inibindo sua ação, foram capazes de fazer com que a seiva escorra livremente de forma a ser extraída desta planta.
Segundo o parecer dos pesquisadores, futuramente cerca de 1/10 da demanda alemã de borracha poderia ser suprida pelo Dente-de-Leão, que tem um período de crescimento de apenas um ano, da semeação até a colheita, contra os cinco a sete exigidos para o cultivo da seringueira.
Fungos causadores da ferrugem do trigo têm seus genomas sequenciados (26/07/2011)
A doença causada pelo fungo ataca, além do trigo, o álamo e a cevada
Os genomas de dois fungos que atacam as culturas de trigo e álamo foram sequenciados depois de seis anos de esforços. Eles são os causadores da ferrugem do trigo (Puccinia graminis) e da ferrugem da folha do álamo (Melampsora larici-populina). Os códigos genéticos serão usados no desenvolvimento de técnicas que resolvam os problemas causados pelos fungos nas plantações de trigo, álamo e cevada, cultura em que a doença também é encontrada.
A ferrugem do trigo provoca grandes epidemias em campos de cevada e trigo pelo mundo. Uma cepa conhecida como Ug99 se espalhou pela África e Ásia Central, e tem sido capaz de superar a maioria das variedades resistentes à ferrugem desenvolvidas ao longo dos últimos 50 anos.
No caso do álamo, a ferrugem ameaça o progresso destas árvores como fonte para a produção de biocombustíveis nos EUA e na Europa.
Como esses fungos dependem de seus hospedeiros para sobreviver, não há como cultivá-los de maneira satisfatória em laboratório. Entretanto, o sequenciamento genético abre possibilidades de combate ao microrganismo, por meio do entendimento de seus fundamentos moleculares e de seu método de disseminação da infecção.
O tubérculo é a terceira mais importante cultura agrícola do mundo, atrás apenas do trigo e do arroz
Um consórcio de cientistas internacionais conseguiu, pela primeira vez, “mapear” o genoma da batata. A descoberta poderá contribuir para o melhor desenvolvimento das lavouras e impulsionar a produção do tubérculo. Por ser a terceira cultura agrícola mais importante do mundo, o sequenciamento dos genes da batata é um feito de grande importância para a segurança alimentar.
A decodificação do genoma de um organismo é o mapeamento de como seus genes estão relacionados. Pesquisadores identificaram que a batata tem pelo menos 39 mil genes, quase o dobro do que um ser humano.
O professor do James Hutton Institute, Reino Unido, Iain Gordon, afirmou que a descoberta é o primeiro passo para o desenvolvimento de variedades mais nutritivas, resistentes a insetos e tolerantes a herbicidas.
A batata é uma planta que pertence à família das solanáceas, da qual o tomate, a pimenta e a berinjela também fazem parte. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a importância da cultura, especialmente para os países em desenvolvimento, está aumentando. A produção em 2009 alcançou 330 milhões de toneladas.
Cebola geneticamente modificada não faz chorar (18/07/2011)
A planta foi obtida por meio do silenciamento do gene que codifica a enzima que leva às lágrimas
As lágrimas geradas por uma cebola são um mecanismo de defesa da planta. Quando o vegetal é cortado, ralado ou quebrado, aminoácidos sulfóxidos e uma enzima particular da cebola são liberados. A enzima transforma os sulfóxidos em vapor que, em contato com os olhos, causa irritação.
O laboratório do Dr. Colin Eady, localizado na Nova Zelândia, desenvolveu uma cebola geneticamente modificada (GM) que acaba com as lágrimas “desligando” essa enzima. A cebola GM veio da descoberta, por cientistas japoneses, do gene da planta responsável pela produção das lágrimas.
Diferentemente de outros produtos GM, no caso dessa variedade de cebola, a enzima não é neutralizada pela adição de um gene ao genoma da planta. Nesse caso, o gene foi silenciado pelo processo de RNA interferência, e assim, os sulfóxidos não são convertidos nos agentes que levam ás lágrimas.
“Ao “desligar” o gene do fator lacrimogêneo, conseguimos impedir a formação de enxofre, tornando-o assim disponível para ser transformado em outros compostos, a exemplo daqueles relacionados ao sabor ou às propriedades nutritivas da cebola”, afirma o pesquisador.
Cabras brasileiras GM produzem proteína no leite (15/07/2011)
A proteína produzida pelas cabras transgênicas é utilizada na fabricação de medicamentos para tratamento de diferentes condições de deficiência imunológica
A única cabra transgênica capaz produzir o medicamento hG-CSF em seu leite teve seus primeiros descendentes em 2011. A pesquisa que deu origem aos animais foi desenvolvida pelo Laboratório de Fisiologia e Controle da Reprodução (LFCR) da Faculdade de Veterinária (FAVET) da Universidade Estadual do Ceará (UECE). O medicamento em questão é uma proteína muito utilizada no tratamento de diferentes condições de deficiência imunológica, o Fator Estimulante de Colônia de Granulócitos Humano (hG-CSF).
Os pesquisadores do laboratório realizaram a fecundação de cabras não-transgênicas com sêmen de um macho geneticamente modificado e conseguiram sete filhotes. Testes de DNA comprovaram que quatro deles são transgênicos (dois machos e duas fêmeas). Já a fêmea transgênica em cujo leite já foi detectada a presença da proteína, deu origem a três crias, uma delas geneticamente modificada.
Para o professor Vicente Freitas, coordenador do LFCR e presidente da Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões (SBTE), o nascimento dos filhotes foi um grande passo para formação de um futuro rebanho transgênico que seja capaz de produzir o hG-CSF em seu leite e possibilite produzir o medicamento em escala comercial.
Cientistas afirmam que a proteína derivada de plantas é mais segura e econômica do que a proveniente de animais
Pesquisadores da Universidade de Iowa conseguiram expressar genes humanos que codificam esta proteína de forma exógena em uma variedade de milho transgênico.
O professor da instituição, Dr. Kan Wang, afirma que o trabalho sugere potencias usos a um custo mais baixo, com maior especificidade e menor risco de contaminação. “Produzir colágeno humano em sementes de milho é uma alternativa mais barata do que a proteína derivada de animais, uma vez que é mais fácil de cultivar, processar e armazenar”, afirma Wang.
O colágeno é uma proteína amplamente utilizada na indústria farmacêutica, cosmética e também de alimentos. A maior parte do colágeno é essencialmente extraída de tecido animal, mas esse método de obtenção apresenta riscos associados a agentes infecciosos e à rejeição. Para evitar esses efeitos colaterais, muitas pesquisas têm sido feitas usando plantas para produzir colágeno, já que proteínas recombinantes derivadas de vegetais têm menos agentes infecciosos.
Pesquisadores espanhóis desenvolvem trigo com menos glúten (06/07/2011)
A descoberta pode contribuir no tratamento de portadores da doença celíaca, que causa dores de estômago devido à ingestão de glúten
Uma equipe espanhola do Consejo Superior de Investigaciones Cientificas (CSIC), liderada por Javier Gil-Humanes, conseguiu com sucesso diminuir a expressão do glúten no trigo.
A notícia é especialmente relevante aos portadores de doença celíaca, uma desordem digestiva que atinge 1 em cada 133 indivíduos. A enfermidade afeta o intestino delgado de pessoas geneticamente predispostas, e é induzida pela ingestão de alimentos que contêm glúten (contido no trigo, na cevada e no centeio). Até agora, não há cura para a doença. Os celíacos devem evitar alimentos que contenham essa proteína, a exemplo de pães, massas e cervejas.
Diferentemente de outras culturas nas quais genes de tolerância a herbicidas ou resistência a insetos foram inseridos, a equipe de Gil-Humanes removeu a proteína do trigo por meio de RNA interferente. Isto resultou no decréscimo de gliadinas, uma das proteínas componentes do glúten.
A continuidade dos estudos poderá, no futuro, levar à produção de pães e massas que possuam quantidades irrisórias de glúten, mantendo a qualidade do alimento feito com base em variedades de trigo convencionais.
Pesquisadores identificam genes de resistência de superbactéria (28/06/2011)
Conhecido como MRSA, o microrganismo é responsável por boa parte das infecções hospitalares
Cientistas do Reino Unido identificaram genes na bactéria Staphylococcus aureus resistente à Meticilina (MRSA, na sigla em inglês), que podem ser responsáveis por sua sobrevivência mesmo sob atuação de tratamentos antibióticos.
Para compreender como a MRSA sobrevive, os pesquisadores da Unidade de Genética Humana do Conselho de Pesquisas Médicas, das Universidades de Dundee, St. Andrews e St. George mapearam seu código genético. Foram identificados 22 genes que poderão “ser usados” para combater a superbactéria, a exemplo do gene ftsH, considerado como um “ponto fraco” do microrganismo. Com base nos resultados, a equipe de pesquisadores realizou testes em laboratório com o antibiótico Ranalexin e verificou que ele enfraquece as paredes e as membranas celulares da MRSA, descoberta que possibilitará o desenvolvimento de novos tratamentos.
O número de casos de pessoas infectadas pela MRSA, que pode causar problemas na pele, no coração, nos pulmões e, em casos mais severos, levar o paciente à morte, tem aumentado sensivelmente, em especial em hospitais, dizem os especialistas. Só no Reino Unido, infecções de MRSA contribuíram para a morte de 781 pessoas em 2009, o que representa quase um terço das mortes envolvendo Staphylococcus aureaus (em 1993, foram 51 mortes).
Um dos autores do estudo, Ian Overton, afirmou que “as infecções por Staphylococcus são um problema mundial, e a resistência aos tratamentos existentes continua aumentando”. O desenvolvimento de novos medicamentos é, portanto, fundamental. “A pesquisa nos possibilitou compreender melhor como o antibiótico funciona para combater a MRSA e nos ajudou a entender mais sobre o desenvolvimento dessas infecções”.
Cientistas identificam genes relacionados à enxaqueca (17/06/2011)
Nova descoberta científica pode ser um avanço na compreensão da origem dessas dores
Por meio de sequenciamentos genéticos, cientistas podem ter descoberto a solução para as dores de cabeça de muitas pessoas ao redor do mundo. Pesquisa publicada na revista britânica Nature Genetics revelou que a enxaqueca está vinculada a um trio de genes do corpo humano.
Para realizar a pesquisa, Markus Schürks, do Hospital Brigham para Mulheres, analisou os genomas de 23.230 mulheres, das quais 5.122 sofriam de enxaqueca. A análise mostrou que existem dois genes diretamente ligados às dores de cabeça, o PRDM16 e o TRPM8. Este último está relacionado principalmente aos sintomas das enxaquecas nas mulheres. Há também um terceiro gene suspeito de provocar dores na cabeça: o LRP1. Ele interage com alguns neurotransmissores do nosso cérebro que podem modular as respostas nervosas que promovem ou suprimem as crises de enxaqueca.
Segundo Schürks a herança de qualquer uma das variedades genéticas altera os riscos de enxaqueca em 10% a 15%. Porém, a influência destes genes provavelmente não é grande o suficiente para ser imediatamente usado como uma ferramenta de diagnóstico.
As enxaquecas são dores de cabeça intensas e que afetam cerca de 20% da população.
Genética ajuda a desenvolver medicamentos do futuro (16/06/2011)
Fármacos biológicos que tratam doenças sem efeitos colaterais são desenvolvidos com ajuda da Biotecnologia
Imagine se existissem remédios mais eficazes, capazes de atacar a causa da doença de forma seletiva, evitando efeitos colaterais. Em breve, com a ajuda da biotecnologia, eles poderão estar por aí. Essa é a aposta dos pesquisadores para os denominados “medicamentos inteligentes”.
“As drogas inteligentes fazem parte de uma nova classe de medicamentos e prometem revolucionar muitos campos da Medicina nas próximas décadas”, destaca o professor Carlos Menck, presidente da Sociedade Brasileira de Genética (SBG). Segundo ele, a biotecnologia utilizada para a produção de fármacos tem sido aplicada com sucesso e hoje já existem, por exemplo, enzimas que dissolvem coágulos, utilizadas logo após um infarto, e até hormônios de crescimento humano.
No Brasil, alguns pesquisadores também já realizam estudos com os “medicamentos do futuro”. Na Universidade Estadual do Ceará, cientistas desenvolveram um leite especial que funciona como remédio para pessoas com baixa resistência imunológica. Uma cabra e um bode da raça Canindé, típica da caatinga, tiveram seu DNA modificado e receberam o gene que estimula a produção de proteínas que aumentam a resistência de portadores do vírus HIV e pacientes de câncer que tenham passado por radioterapia ou quimioterapia.
Até 2008, a agência americana que controla a produção de alimentos e medicamentos, Food and Drug Administration (FDA), aprovou o uso de mais de 400 remédios produzidos por meio dessa tecnologia. Entre os que já estão no mercado, produtos para artrite reumatóide, anemia, infertilidade, osteoporose, câncer de mama e psoríase, além de uma vacina contra hepatite B.
Arroz foi modificado geneticamente por agricultores pré-históricos (10/06/2011)
Há 10 mil anos o grão é melhorado por meio do processo de seleção artificial
Não é de hoje que o ser humano interfere na genética das plantas para obter variedades com melhores características agronômicas, a exemplo da produtividade. Segundo um grupo de cientistas liderados por Masanori Yamasaki, da Universidade de Kobe, no Japão, esse é o caso do arroz. Testes genéticos mostraram que, no processo de domesticação, as mutações tornaram os talos do arrozeiro mais robustos e aumentaram a capacidade de produção de grãos da planta.
Os cientistas analisaram o genoma do arroz selvagem e o comparou ao de duas subespécies do cereal, domesticados em momentos e de forma diferentes. Devido a uma mutação no gene “semi anão 1” (SD1), o caule do arroz ficou mais curto. A diversidade genética no SD1 é muito maior no arroz selvagem que nas espécies cultivadas pelo ser humano, que guardaram as mutações. Para os autores, isso sugere que houve uma seleção artificial durante o início do processo de domesticação do arroz.
A conclusão da pesquisa é de que nossos antepassados (agricultores chineses) levaram em conta a altura dos pés e selecionaram as menores plantas, que tinham características genéticas específicas. Assim como acontece com os atuais transgênicos, os antigos produtores também tinham o objetivo de aumentar a produtividade.
Argentina apresenta vaca clonada para produzir leite similar ao materno
Na clonagem, cientistas utilizaram genes que codificam proteínas presentes no leite materno
09 de junho de 2011 | 16h 43
Efe
Buenos Aires - A presidente da Argentina Cristina Kirchner apresentou nesta quinta-feira a bezerra Isa, fruto da clonagem de genes bovinos com humanos realizada por cientistas argentinos para gerar uma vaca que produza leite maternizado (semelhante ao humano).
Isa, nascida no último mês de abril no Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), produzirá, quando adulta, "um leite similar ao humano", declarou.
A clonagem da "primeira vaca no mundo capaz de produzir leite maternizado foi realizada por cientistas do Inta e da Universidade de San Martín (USAM), afirmou a governante.
A bezerra é resultado da clonagem de "dois genes humanos que codificam proteínas presentes no leite humano e de grande importância para a nutrição dos lactantes", assinalou o Inta em comunicado.
"Essas proteínas são a lactoferrina e a lisozima humanas, que têm funções antibacterianas", nutrem as crianças de ferro e fornecem agentes de imunidade contra doenças, segundo o Inta.
"É um orgulho para todos os argentinos ter a primeira vaca clonada que dará leite maternizado, isto demonstra as coisas que somos capazes de fazer", destacou a governante, assinalando que Isa é "o nome simpático" que os cientistas puseram na bezerra ao misturar as siglas do Inta e da USAM.
A Argentina entrou no seleto clube da clonagem destinada a criar vacas transgênicas com fins medicinais em agosto de 2002, quando nasceu Pampa, fruto da clonagem realizada por especialistas do laboratório Bio Sidus a fim de obter leite bovino com a proteína de crescimento humano hGH.
As descendentes de Pampa, primeira bezerra clonada na América Latina, produzem leite do qual é extraída essa proteína para produzir a menor custo remédios para crianças com deficiências de crescimento.
Nos últimos anos, cientistas argentinos clonaram cavalos e touros para obter exemplares de melhor rendimento.
Brasil obtém variedade de cana tolerante à seca (03/06/2011)
A planta desenvolvida pela Embrapa pode reduzir as perdas e aumentar a produtividade dos canaviais
As pesquisas com transgenia em cana-de-açúcar vêm sendo desenvolvidas desde 2008, sob a coordenação do pesquisador Hugo Bruno Correa Molinari. De acordo com o pesquisador, as áreas de expansão da cultura da cana têm como características solos com baixa fertilidade, altas temperaturas e baixa ocorrência de chuvas. “A tecnologia pode ser uma alternativa para melhorar o desempenho da planta e impulsionar a produção no Brasil”, afirma Molinari.
As plantas foram selecionadas em laboratório e nos próximos três meses estarão em estágio de multiplicação in vitro para serem avaliadas em casa de vegetação. Até maio de 2012, serão avaliadas quanto às características de tolerância à seca. Após estes processos, as que apresentarem melhor desempenho terão potencial de avaliação a campo mediante aprovação de processo junto ao Comitê Técnico Nacional de Biossegurança (CTNBio).
A cultura da cana-de-açúcar ocupa um papel estratégico como fonte para a produção de etanol no Brasil. A produção está concentrada principalmente nas regiões Centro-Sul e Nordeste e ocupa uma área de aproximadamente 8,1 milhões de hectares.
A Embrapa, em parceria com a Japan Internacional Research Center for Agricultural Sciences (Jircas), empresa de pesquisa vinculada ao governo japonês, também está inserindo o gene para tolerância à seca (DREB) em outras culturas, a exemplo do eucalipto, da soja, do milho, do algodão e do feijão.
Fonte: Embrapa- 03 de junho de 2011 A Embrapa Agroenergia obteve em maio as primeiras plantas transgênicas brasileiras de cana-de-açúcar. A variedade foi geneticamente modificada para ser tolerante à seca e deve tornar possível (ou mais fácil) o cultivo da cana em áreas onde a ocorrência de chuvas é menor. As perdas da cultura devido à seca podem variar de 10% a 50% dependendo da região e da época de plantio.
Biotecnologia ganha portal interativo e gratuito (23/05/2011)
O objetivo é mostrar como a ciência está inserida no dia-a-dia das pessoas
“A biotecnologia vai muito além dos muros dos institutos de pesquisa, também está presente na vida das pessoas e por isso é importante conhecer os avanços conquistados por essa ciência”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Genética (SBG), professor Carlos Menk. Com o intuito de facilitar o acesso à ciência, a SBG lançou o portal “Saiba mais sobre Biotecnologia” com conteúdo online para estudantes, professores e quem mais tiver interesse sobre o assunto. O acesso é gratuito e qualquer pessoa pode se inscrever.
O portal é dividido em cinco áreas: biotecnologia, vegetais transgênicos, animais transgênicos, terapia gênica e células-tronco. O destaque são as aplicações da biotecnologia nas mais variadas situações, a exemplo de investigações criminais, testes de paternidade e clonagem. Todo o conteúdo foi desenvolvido com supervisão de pesquisadores e, além de textos, conta com vídeos, mapas, animações e linhas do tempo.
Segundo o professor Carlos Menk, a ferramenta pode ajudar no entendimento do que é de quais são as aplicações possíveis da engenharia genética. “Acreditamos que seremos importante fonte para alunos de ensino médio, cursinhos e até mesmo de universidades.” Além disso, o usuário também pode propor debates sobre os temas nos fóruns interativos e sugerir alterações e inclusões nos assuntos abordados.
Comissão Europeia publica novo relatório sobre aspectos socioeconômicos dos transgênicos (17/05/2011)
O documento critica a falta de análise objetiva dos cultivos geneticamente modificados (GM) na Europa
Baseado em dados obtidos por meio de estudos, pesquisas de opinião pública e testes de campo, o documento divulgado pela Comissão Europeia (CE), em abril deste ano, critica a limitação e a falta de clareza das análises sobre as tecnologias transgênicas na Europa. A publicação revela que as informações existentes na Europa são frequentemente baseadas em ideias preconcebidas sobre o tema.
O relatório foi fundamentado em dados fornecidos pelos países-membros da União Europeia, em literatura científica internacional e nos resultados de pesquisas financiadas pelo European Framework Programme for Research.
De acordo com o comissário responsável pela Saúde e Defesa do Consumidor, John Dalli, com a publicação deste relatório, a CE atende a uma solicitação do Conselho do Meio Ambiente. “Cabe agora aos países-membros, à Comissão, ao Parlamento Europeu e a todos os interessados ponderar sobre as conclusões do relatório e lançar um debate objetivo sobre os fatores socioeconômicos dos OGM na União Europeia”, afirmou Dalli.
Uma das conclusões do estudo é a de que, uma vez que a UE representa apenas uma pequena parte da superfície dedicada ao cultivo de OGM no mundo, obviamente a experiência da Europa nesta matéria é limitada. “Não é, portanto, surpreendente que a massa de informação estatística relevante sobre as repercussões socioeconômicas do cultivo de OGM seja restrita”, ressalta o relatório.
Benefícios dos OGMs
Análises dos dados dos países-membros produtores de OGMs apontam para um cenário positivo ao investigar os impactos dos transgênicos para produtores e para a cadeia produtiva, em particular ao avaliar as culturas tolerantes a herbicidas e resistentes a pragas. Entre as principais conclusões, está a confirmação de que agricultores que optaram por variedades transgênicas têm maior produtividade, especialmente quando a infestação de plantas daninhas ou de pragas é mais acentuada.
Esse é o segundo documento sobre o tema divulgado pela instituição em menos de 6 meses. Em dezembro de 2010, a publicação Uma Década de Pesquisas com OGMs Financiadas pela União Europeia (2001-2010) concluiu que os transgênicos são tão seguros quanto suas variedades convencionais para a saúde e o meio ambiente.
Pesquisadores aumentam concentração de proteína na soja (06/05/2011)
Cientistas conseguiram um aumento de 30% a 60% de proteína nas sementes da soja
As cientistas Eve Wurtele and Ling Li, do laboratório de biologia da Universidade do Estado de Iowa, introduziram, por meio de técnicas de biotecnologia, um gene da Arabidopsis (uma planta da família da mostarda) na soja e conseguiram um aumento de 30% a 60% na quantidade de proteína nas sementes da planta.
O gene em questão tem relação com a regulação e o acúmulo de amido, a chamada deposição. Estudos complementares mostraram que o gene não está envolvido diretamente com a síntese do amido, mas pode estar implicado na alteração da composição da planta em geral. Daí surgiu a ideia de utilizá-lo na soja, que é uma leguminosa de grande importância agronômica.
O resultado foi que a concentração de proteína da soja foi significativamente maior. O gene é atípico por sua sequência de DNA e também por seu tamanho. O próximo passo é fazer a experiência em outros cultivos a exemplo da batata, da mandioca e de outros alimentos, que são básicos na dieta de diversas populações.
Mapeamento genético de pacientes com câncer pode ajudar no tratamento da doença (02/05/2011)
Resultados sugerem que cerca de 4% dos pacientes com um tipo de câncer de medula têm mutações em um gene denominado BRAF
Cientistas mapearam o código genético completo de 38 pessoas com mieloma múltiplo, um tipo de câncer que se desenvolve na medula óssea e identificaram genes que desempenham um papel determinante nesse tipo de doença. Ao comparar o genoma da célula tumoral com o genoma da célula normal, os pesquisadores podem ter pistas das modificações que ocorrem no DNA para que o câncer comece a se desenvolver.
Os resultados sugerem que cerca de 4% dos pacientes com mieloma múltiplo têm mutações em um gene denominado BRAF. As mesmas alterações foram encontradas em pessoas com câncer de pele (melanoma). Os pacientes com melanoma têm mostrado boa resposta ao medicamento experimental. A esperança é que o mesmo remédio possa ajudar pacientes com mieloma múltiplo.
De acordo com Todd Golub, professor de pediatria da Escola de Medicina de Harvard (Harvard Medical School) e pesquisador do Instituto Médico de Howard Hughes (Howard Hughes Medical Institute), nos Estados Unidos, esses dados foram obtidos devido à nova geração de sequenciadores de DNA, que permite mapear o genoma completo de um paciente em poucos dias.
Ainda segundo Todd Golub, “daqui a cinco anos é possível que tenhamos identificado o perfil genético dos cânceres mais comuns”.
Cientistas identificam genes ligados ao nascimento prematuro (27/04/2011)
O problema afeta uma em cada oito crianças e coloca em risco não só a vida do bebê, mas também a da mãe
Uma pesquisa realizada por cientistas americanos e escandinavos identificou que o nascimento de bebês prematuros pode estar relacionado à genética.
Os cientistas partiram de uma premissa: o ser humano teve pouco tempo para se adaptar a processos evolutivos que podem dificultar o parto, a exemplo do aumento do crânio para acomodar um cérebro maior e o estreitamento da bacia pélvica para facilitar o andar sobre dois pés. Os pesquisadores presumiram que os genes estariam envolvidos no processo evolutivo que resulta na diminuição do tempo de gestação e do tamanho do feto, já que um bebê menor e mais novo causa menos problemas ao nascer.
A partir dessa hipótese, os cientistas identificaram 150 genes que passaram por um processo de evolução acelerada na espécie humana. Compararam então as diferenças desses genes em duas populações na Finlândia: 165 mulheres que tiveram parto prematuro e 163 que deram à luz no tempo esperado. Identificaram assim variações no gene responsável pela produção do receptor do hormônio folículo-estimulante (FSHR, na sigla em inglês). Depois, confirmaram a presença das mesmas variações associadas à prematuridade em norte-americanas afrodescendentes.
Para os pesquisadores, as evidências sugerem que o parto tenha mudado ao longo dos tempos, em resposta a outras adaptações exclusivamente humanas. Portanto, a abordagem evolutiva genética deve ser aplicável e deve também ajudar outros pesquisadores a estudar o nascimento prematuro.
Novo relatório britânico reforça a contribuição dos transgênicos para a agricultura sustentável (15/04/2011)
De acordo com a consultoria PG Economics, o plantio de grãos geneticamente modificados reduziu a emissão de CO2 e a aplicação de defensivos nas lavouras
São Paulo, 15 de abril de 2011 - O mais recente relatório sobre o impacto global dos cultivos geneticamente modificados (GM) ou transgênicos aponta que a biotecnologia continua promovendo benefícios socioeconômicos e ambientais e está contribuindo positivamente para a produção global de alimentos e para a segurança alimentar.
Lançado esta semana no Reino Unido, o levantamento – que reúne os dados de 1996 a 2009 – indica que a adoção de transgênicos contribuiu para reduzir a emissão de gases de efeito estufa provenientes da agricultura, diminuiu a pulverização com defensivos e aumentou significativamente os rendimentos dos agricultores, especialmente nos países em desenvolvimento.
"A tecnologia também fez relevantes contribuições para aumentar a produtividade e ampliar a produção global de culturas-chave", afirmou Graham Brookes, diretor da PG Economics, coautor do relatório.
Os principais resultados do estudo são:
- Redução na emissão de gases de efeito estufa – As culturas GM contribuíram para reduzir significativamente as emissões de gases de efeito de estufa provenientes das práticas agrícolas. Isso é resultado da redução do consumo de combustível nos maquinários (em razão da diminuição de aplicações de defensivos) e armazenamento adicional de carbono no solo em áreas de preparo reduzido. Em 2009, foi equivalente à remoção de 17,7 bilhões quilos de dióxido de carbono da atmosfera (ou igual à remoção de 7,8 milhões de carros das ruas por um ano);
- Redução de defensivos – De 1996 a 2009, a diminuição das pulverizações de pesticidas em lavouras transgênicas foi equivalente a 393 milhões/kg (-8,7%). Assim, o impacto ambiental associado ao uso de herbicidas e inseticidas sobre a área plantada com culturas GM caiu 17,1%;
- Diminuição da erosão do solo – Plantas GM tolerantes a herbicidas têm facilitado a adoção do plantio direto em muitas regiões, especialmente na América Latina. A prática tem contribuído para a redução da erosão e para melhorar os níveis de umidade do solo;
- Ganhos econômicos para os produtores – A parcela dos ganhos de rendimento agrícola, tanto em 2009 quanto cumulativamente (1996-2009), foi de cerca de 50% para agricultores de países desenvolvidos e em desenvolvimento;
- Aumento da produção de alimentos – Desde 1996, a adoção da biotecnologia na agricultura acrescentou 83,5 milhões de toneladas de soja e 130,5 milhões de toneladas de milho à produção mundial. A tecnologia também contribuiu com um acréscimo de 10,5 milhões de toneladas de algodão em pluma e 5,5 milhões de toneladas de canola;
- Redução da área de plantio – Para alcançar os mesmos níveis de produção mundial de algumas culturas em 2009, a necessidade de expansão de terras teria aumentado se não tivessem sido usados os grãos GM. Teria sido indispensável o plantio adicional de 3,8 milhões de hectares de soja, 5,6 milhões de hectares de milho, 2,6 milhões de hectares de algodão e 0,3 milhões de hectares de canola. Essa área total seria equivalente a cerca de 7% da terra arável dos Estados Unidos ou 24% da terra arável do Brasil.
Sobre a PG Economics – PG Economics Limited foi fundada em 1999 e é empresa especializada em serviços de assessoria e consultoria para a agricultura e outros recursos naturais, indústrias baseadas em recursos. Suas áreas específicas de especialização são a biotecnologia vegetal, sistemas de produção agrícola, os mercados agrícolas e de política.
Aprovada no Brasil nova vacina GM contra doenças que afetam as aves (14/04/2011)
O produto foi liberado comercialmente pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) após as avaliações de segurança
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou hoje (14/4) uma nova vacina recombinante de uso veterinário. O produto atua contra duas importantes enfermidades em aves, a doença de Marek (caracterizada por tumores em diferentes regiões do corpo) e a laringotraqueíte infecciosa (doença respiratória aguda). Ambas são graves e frequentemente levam o animal à morte.
Com essa aprovação, já são 12 vacinas geneticamente modificadas (todas de uso animal) liberadas para comercialização no Brasil, além de oito variedades de algodão, 5 de soja, 15 de milho e uma levedura para produção de biocombustível.
Instituto espanhol desenvolve batatas com melhor amido (13/04/2011)
O amido de batata é muito utilizado em processos industriais, como na manufatura de papel, cola, materiais de construção, plásticos e medicina
O Instituto Basco de Pesquisa em Agricultura e Desenvolvimento está utilizando novos métodos para obter batatas com alta qualidade de amido. A ideia é que o amido obtido possua melhor qualidade físico-química para utilização industrial, além de proporcionar melhores qualidades nutricionais e funcionais.
Para tanto serão utilizadas técnicas de biotecnologia, a exemplo do mapeamento genético. Segundo pesquisadores do instituto, para obter essas variedades de batata é necessário usar novas ferramentas, uma vez que o tradicional melhoramento genético não conseguiria criar uma planta com mais amido.
O amido de batata é muito utilizado em processos industriais, como na manufatura de papel, cola, materiais de construção, plásticos e medicina. É particularmente apreciado pela indústria pelos seus baixos conteúdos de proteína e gordura.
Mapeamento de cromossomos pode ajudar no desenvolvimento de medicamentos (12/04/2011)
Cientistas mapearam as proteínas do cromossomo 19 que podem estar ligadas a doenças
Os genes que compõem o genoma humano foram mapeados pela Human Genome Organisation (HUGO, na sigla em inglês) em 2001. Desde então, descobrimos que o estudo do gene que codifica informações ligadas a diferentes proteínas pode fornecer informação para desenvolver novos medicamentos.
Agora o projeto está se expandindo para a Human Proteome Organisation (HUPO, na sigla em inglês). No âmbito desta organização, centenas de pesquisadores ao redor do mundo irão trabalhar juntos para identificar as proteínas de diferentes genes que originam no corpo humano.
Dado que os genes de um ser humano possuem 46 cromossomos, pesquisadores da HUPO decidiram dividir-se em redes internacionais e assumirem cada um o seu cromossomo. Pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, decidiram coordenar o mapeamento de todas as proteínas do cromossomo 19.
O seqüenciamento de todas as proteínas ligadas ao cromossomo 19 é o primeiro passo na pesquisa de novos medicamentos. A próxima etapa é extrair proteínas específicas de, por exemplo, pacientes com câncer. Na terceira fase, será verificado se algumas das proteínas do cromossomo 19 estão ligadas à doença.
Os resultados do trabalho serão publicados em um banco de dados, disponível tanto para pesquisadores industriais quanto para acadêmicos do mundo todo.
Enzimas transgênicas podem descontaminar áreas degradadas por petróleo (11/04/2011)
Pesquisadores mexicanos usaram a biotecnologia para criar método de descontaminação de resíduos do petróleo
Um grupo de cientistas do Instituto de Biotecnologia da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) está trabalhando no desenvolvimento de métodos alternativos de limpeza de áreas contaminadas por hidrocarburetos (derivado do petróleo perigoso por sua capacidade de mutação).
O projeto teve inicio há 16 anos, como uma alternativa para limpar zonas contaminadas em virtude de derramamento de petróleo. As enzimas utilizadas são moléculas de proteína que têm a capacidade de oxidar os hidrocarburetos, em especial os aromáticos, altamente tóxicos para os humanos. Os cientistas da UNAM modificaram sua sequência genética para fazê-las mais estáveis e eficientes, ou seja, acelerando a conclusão de sua reação.
Além disso, os pesquisadores também modificaram a enzima para revesti-las com um polietilenglicol, polímero que faria com que elas se dissolvessem em água e petróleo. Esse também é um passo fundamental, pois de outra maneira as enzimas não poderiam “entrar” na moléculas de hidrocarburetos e efetuar sua transformação.
Estudo aponta que Brasil pode economizar US$ 80 bilhões com o uso da biotecnologia (25/03/2011)
A previsão para os próximos 10 anos considera os eventos transgênicos aprovados no País até a safra 2010/2011
Nos próximos dez anos, o Brasil pode deixar de gastar cerca de US$ 80 bilhões com a adoção da biotecnologia agrícola, prevê o estudo apresentado neste mês pela Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) e pela Céleres Ambiental.
A estimativa leva em consideração a redução do uso de água em 133,95 bilhões de litros. Esse volume é suficiente para prover as cidades de Recife e Porto Alegre por um ano. A economia no uso de combustível seria de 1,1 bilhão de litros, ou seja, quantidade que abasteceria 465 mil veículos. Em conseqüência da economia de combustível, não seriam jogados na atmosfera 2,9 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), que só seriam compensados com a plantação de 22 milhões de árvores. Esses números consideram a diminuição na aplicação de pulverizações e menor consumo de combustível pelas máquinas nos próximos 10 anos.
De acordo com a pesquisa, no período de 1996 a 2009, a economia gerada pelo uso da biotecnologia foi de US$ 5,9 bilhões. Segundo o diretor da Céleres Ambiental, Anderson Galvão, responsável pelo estudo, a redução de gastos no agronegócio nos próximos 10 anos leva em consideração o aumento da taxa de adesão ao uso de biotecnologia pelo agricultor e também o crescimento da área cultivada. Os números projetados referem-se a três culturas: soja, milho e algodão.
Pesquisadores brasileiros testam alface para detectar dengue
23 de março de 2011
Atualmente, o antígeno é feito em cérebro de ratos
Pesquisa da UnB com alface ainda tem mais dois anos pela frente
Cientistas da UnB (Universidade de Brasília) estão estudando um novo método para diagnosticar o vírus da dengue. A ideia deles é produzir o tradicional kit de diagnóstico utilizando alfaces, e não camundongos, como é feito atualmente. As informações são da UnB Agência.
De acordo com o pesquisador Tatsuya Nagata, do Departamento de Biologia Celular da UnB, o Brasil precisa ter uma alternativa para o diagnóstico da dengue.
- Atualmente, o antígeno é preparado pela injeção em cérebro de camundongos. A nossa técnica, além de não sacrificar esses animais, tem baixo custo.
O Brasil não consegue, hoje em dia, produzir a quantidade de antígeno que precisa e acaba tendo que importar de outros países, como a Austrália. A nova alternativa poderá acabar com a necessidade do país em importar o kit diagnóstico.
O método consiste em “injetar” uma parte do gene do vírus da dengue em DNA do cloroplasto de alfaces e colocá-las em um meio de cultura com antibiótico. Isso vai garantir que sobrevivam apenas as células que receberem o gene do vírus. Elas irão brotar e gerar uma nova planta.
Essa nova planta será estimulada para adquirir raízes e se desenvolver. Esse processo leva cerca de quatro meses, explica o pesquisador.
O projeto é financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal, que destinou R$ 210 mil ao projeto.
Projeto ainda vai levar dois anos
Nagata trabalha junto com a estudante de doutorado Franciele Maldaner e com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Aropecuária).
Franciele explica que a pesquisa está em fase de validação de kit, utilizando um antígeno feito com alfaces em colaboração da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).
- Por enquanto os resultados estão sendo positivos. Ainda temos mais dois anos pela frente.
O antígeno está sendo testado com sangue de pessoas que tiveram a doença – registradas no banco de dados da Fiocruz.
- A validação pode sair em três meses ou em dois anos. Precisamos de um aproveitamento de cerca de 95%. Não podemos comercializar um produto em grande escala se der muitos falso negativo ou falso positivo.
Nagata defende que a utilização de alface é o melhor custo-benefício. Outros métodos com células de mamíferos, células de insetos, leveduras e bactérias também são utilizados para a preparação de vacinas ou para o diagnóstico de doenças.
As plantas, no entanto, aproximam-se mais do sistema do ser humano do que bactérias e leveduras, por isso garantem melhor qualidade, diz o professor.
- Utilizar um camundongo, por exemplo, sai bem mais caro e é preciso sacrificar o animal. O ponto positivo [de usar camundongo] é o funcionamento do sistema, que é bem semelhante ao do ser humano. Mas as plantas garantem também um bom resultado.
Cientistas criam plantas resistentes a vírus inibindo apenas um gene (23/03/2011)
O melão foi a primeira planta da família das curcubitáceas a ser modificado para resistência a vírus
Um grupo de cientistas espanhóis desenvolveu um método para criar variedades de curcubitáceas (família do melão, pepino, melancia, abóbora) resistentes a doenças virais. Os pesquisadores inibiram um gene (“silenciaram”, para que ele não tenha mais efeito) da planta que codifica uma proteína utilizada pelo vírus para se multiplicar nas células dos vegetais.
A peculiaridade deste método é que se obtém uma planta melhorada geneticamente sem se adicionar nenhum gene estranho à própria espécie. Os primeiros testes aconteceram com o melão. Das nove doenças causadas por vírus que foram testadas no melão transgênico, quatro não se manifestaram.
Doenças causadas por vírus que afetam as curcubitáceas causam grandes perdas econômicas todos os anos. A Espanha é um grande exportador desta fruta, exportando entre 5 e 10% de sua produção anual.
Rosas transgênicas podem durar mais depois de cortadas (22/03/2011)
Cientistas descobriram que um fungo causa a vulnerabilidade das plantas a doenças.
Pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, pretendem aumentar a vida pós-colheita das rosas. Por meio da inserção de um gene do aipo as rosas seriam capazes de se defender de doenças mesmo depois de cortadas. Uma das maiores pragas pós-colheita, o crestamento das pétalas, que faz com que as pétalas desmanchem e apodreçam, poderia ser combatido por essa técnica.
Os fungos que infectam as plantas são os responsáveis pela produção de uma substância chamada manitol, que interfere na capacidade delas de bloquear doenças. Os cientistas John Dole e John Williamson inseriram um gene do aipo capaz de decompor o manitol na rosa, permitindo que a planta se defenda.
As rosas geneticamente modificadas estão em fase de ensaios de laboratório na Carolina do Norte. O prolongamento de vida pós-colheita das rosas é de grande interesse para a indústria de floricultura, principalmente no aspecto de exportação. “O objetivo final é conseguir que as rosas sobrevivam por três ou quatro semanas depois de cortadas”, explica Dole.
Fungo transgênico pode combater malária (21/03/2011)
A nova técnica elimina o parasita causador da doença sem matar o mosquito transmissor
Cientistas da Universidade de Maryland, nos EUA, e da Universidade de Westminster, no Reino Unido, estão desenvolvendo uma nova forma de controle da malária: ao invés de combater o mosquito transmissor da doença, o Anopheles, eles pretendem matar o parasita dentro do inseto.
Pesquisadores modificaram geneticamente o fungo Metarhizium anisopliae para que ele possa eliminar o parasita do sangue do hospedeiro por meio da produção de uma proteína antimalária.
Não é necessário ingestão para que o fungo penetre no corpo do mosquito. Apenas o contato já é suficiente, uma vez que o organismo geneticamente modificado agiria como uma pequena seringa hipodérmica. Em poucos dias o fungo curaria o inseto da malária.
Testes mostraram que mosquitos com o fungo geneticamente modificado têm menor possibilidade de desenvolver a doença. Os testes de campo serão iniciados na África assim que possível.
Até hoje, o combate à malária tem sido feito por meio de inseticidas e outras toxinas. Entretanto, aparecem cerca de 240 milhões de novos casos da doença por ano, em 100 diferentes países do mundo.
Novos genes relacionados ao Mal de Parkinson são identificados (18/03/2011)
A chance de alguém ter a doença é de cerca de 2,5%, contudo, esta porcentagem aumenta para 6% caso haja algum parente próximo que sofra d o Mal
Uma análise que envolveu aproximadamente 8 milhões de mutações genéticas revelou cinco novos genes relacionados ao Mal de Parkinson. Antes disso, outros seis genes haviam sido identificados. Embora essa descoberta ainda não leve a um tratamento imediato da doença, um dos pesquisadores envolvidos acredita que nos próximos cinco anos possa surgir um teste para diagnosticar a doença.
O estudo foi feito com a manipulação de 12 mil amostras de portadores de Parkinson e outras 21 mil amostras de pessoas que não possuem a doença. A análise indicou que as pessoas com o maior número de mutações em 11 genes ligados à enfermidade têm 2,5 vezes mais chances de desenvolver o Mal de Parkinson.
A chance média de um indivíduo ter a doença é de cerca de 2,5%, contudo, esta porcentagem aumenta para 6% caso ela tenha algum parente próximo que tenha sofrido do mal.
Monsanto apresenta nova tecnologia para soja na Expodireto Cotrijal
14/03/11 - 17:29
INTACTA RR2 PROTM reúne proteção contra as principais lagartas que atacam a cultura e tolerância ao glifosato
A Monsanto, empresa pioneira no desenvolvimento de tecnologias de ponta na área agrícola, que contribuem para aliar produção de alimentos com redução de recursos, apresenta na principal feira agrícola do Rio Grande do Sul, a Expodireto Cotrijal 2011, que acontece de 14 a 18 de março, em Não-Me-Toque, sua nova tecnologia para soja que promete revolucionar as lavouras brasileiras. Ao longo dos últimos 10 anos, a empresa investiu cerca de US$ 100 milhões para o desenvolvimento da INTACTA RR2 PROTM (confira vídeo em: http://bit.ly/e25LtW), a primeira tecnologia pensada para um mercado fora dos Estados Unidos.
A nova tecnologia é única porque reúne, ao mesmo tempo, três soluções em um só produto: resultados de produtividade sem precedentes, devido a tecnologias avançadas de mapeamento, seleção e inserção de genes em regiões do DNA com potencial impacto positivo na produtividade; proteção contra as principais lagartas que atacam a cultura da soja; e tolerância ao glifosato proporcionada pela tecnologia Roundup Ready (RR).
O produto viabiliza práticas agrícolas sustentáveis ao reduzir o uso de inseticidas para o controle das principais lagartas da soja. “Essa nova tecnologia está em sintonia com o nosso compromisso de sustentabilidade focado em aumento de produtividade, preservação de recursos naturais e melhoria na qualidade de vida dos agricultores. Além disso, mantém a eficácia, o amplo espectro de ação e a flexibilidade da tecnologia Roundup Ready”, afirma André Dias, presidente da Monsanto do Brasil.
Segundo Dias, a Monsanto confia no futuro da biotecnologia agrícola no Brasil e nos benefícios que proporciona aos agricultores, ao meio ambiente e à saúde das pessoas e dos animais. “O fortalecimento da estrutura institucional e regulatória brasileira, e o respeito pela propriedade intelectual no país fazem com que a Monsanto reafirme seu compromisso de seguir investindo no Brasil.”
Escolha estratégica
Os estudos com a tecnologia INTACTA RR2 PROTM começaram há mais de 10 anos nos laboratórios da Monsanto nos EUA e os testes de campo no Brasil tiveram início na safra 2006/07. A nova soja transgênica da Monsanto foi aprovada pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) em reunião realizada em 19 de agosto de 2010.
A exemplo do que aconteceu com a tecnologia RR, a Monsanto também pretende licenciar a tecnologia INTACTA RR2 PRO™ para outras empresas de melhoramento genético de soja. “Trabalhamos no modelo de amplo licenciamento, ou seja, colaboramos no desenvolvimento de pesquisas e produtos com vários parceiros. Essa é uma de nossas filosofias de trabalho. Atualmente, oito empresas de pesquisa de soja estão realizando melhoramento genético com a soja INTACTA RR2 PRO™”, afirma Rodrigo Santos, diretor de Estratégia, Gerenciamento de Produto e Desenvolvimento Tecnológico da Monsanto.
A aprovação da soja INTACTA RR2 PRO™ beneficia os agricultores brasileiros, pois dá mais um passo em direção à oferta de uma nova tecnologia, que ampliará as opções de escolha do sojicultor. “Para nós que temos profunda ligação com a agricultura brasileira será um privilégio demonstrar aos produtores o valor desta tecnologia para a sojicultura nacional”, afirma Márcio Santos, gerente de Marketing de Soja da Monsanto.
Ao longo de 2011, os agricultores, clientes e parceiros da Monsanto do Brasil terão a oportunidade de conhecer de perto a nova soja INTACTA RR2 PRO™. “Vamos participar de várias feiras agrícolas pelo Brasil para apresentá-la ao mercado. Temos certeza que, ao verem de perto a nova tecnologia, todos irão perceber a verdadeira revolução que traremos para os campos de soja”, diz Rogério W. Andrade, gerente de Marketing responsável pela apresentação da soja INTACTA RR2 PRO™.
Como o projeto está na fase final de pesquisa e desenvolvimento, a soja INTACTA RR2 PRO™ estará apta para ser comercializada após o registro das cultivares e as aprovações para importação em mercados importantes.
Controle eficaz
As principais lagartas que atualmente atacam a cultura da soja serão controladas com essa tecnologia. “Haverá uma redução no número e no custo de pulverizações de inseticidas nas lavouras com o uso dessa tecnologia, conseqüência da resistência a algumas espécies de lagarta, uma das novas características que se expressam nessa soja. Os agricultores devem continuar utilizando os princípios do manejo integrado de pragas”, afirma Marcelo Nishikawa, gerente de Biotecnologia da Monsanto para a cultura.
As informações são da assessoria de imprensa da Monsanto.
Agrolink
Indonésia desenvolve cana-de-açúcar transgênica resistente à seca (04/03/2011)
A planta geneticamente modificada também produzirá um melaço de melhor qualidade.
Depois de 12 anos de pesquisa, cientistas da Indonésia em parceria com pesquisadores internacionais desenvolveram uma cana-de-açúcar resistente à seca. A característica da planta geneticamente modificada (GM) foi conseguida por meio da introdução do gene betA, clonado da bactéria Rhizobium meliloti ou da Escherichia Coli.
Esta variedade de cana vai permitir o plantio em áreas sujeitas a estresse hídrico (falta de água em algum grau), além de produzir um melaço de melhor qualidade.
Na Indonésia, o cultivo de cana-de-açúcar migrou para áreas mais secas e marginais desde que as terras irrigadas tradicionalmente disponíveis para arroz e cana diminuíram substancialmente.
Segundo a empresa obtentora da tecnologia, a nova planta deve começar a ser comercializada após o parecer da avaliação de biossegurança alimentar do país, processo que ainda pode levar alguns anos.
Fonte: CIB – 04 de Março de 2011
Brasil amplia área de transgênicos e atinge o recorde de 25,4 milhões de hectares em 2010 (22/02/2011)
O país se consolidou na segunda posição do ranking mundial com um aumento de 19% em relação ao ano anterior, de acordo com dados do ISAAA.
São Paulo, 22 de fevereiro de 2011 – O Brasil plantou 25,4 milhões de hectares (ha) de cultivos transgênicos ou geneticamente modificados (GM) em 2010, um aumento de 19% (ou 4 milhões de hectares) em relação ao ano anterior (21,4 milhões).
O resultado levou o Brasil a consolidar a importante posição conquistada em 2009, quando passou a ocupar o segundo posto no ranking mundial de países que adotam as culturas transgênicas. De um total de 148 milhões de hectares plantados no mundo em 2010, os Estados Unidos permanecem no topo da lista (66,8 milhões), seguidos por Brasil (25,4 milhões) e Argentina (22,9 milhões).
Área mundial de culturas GM em 2010 (milhões de ha) – 5 maiores produtores
PosiçãoPaísÁrea (em milhões de hectares)Culturas GM 1EUA66,8Soja, milho, algodão, canola, abóbora, papaia, alfafa e beterraba 2Brasil25,4Soja, milho e algodão 3Argentina22,9Soja, milho e algodão 4Índia9,4Algodão 5Canadá8,8Canola, milho, soja e beterraba
Brasil
O Brasil plantou 25,4 milhões de hectares:Soja - 17,8 milhões de hectares (75% do total plantado com soja)Milho - 7,3 milhão de hectares (55% do total plantado com milho)Algodão - 0,25 milhão de hectares (26% do total plantado com algodão)De acordo com Anderson Galvão, representante do ISAAA no Brasil, o aumento de produtividade decorrente das plantações transgênicas contribuiu para dobrar a produção brasileira anual de grãos nos últimos 20 anos, enquanto a área utilizada para as plantações aumentou apenas 27%.Para Clive James, presidente do ISAAA, com a capacidade de levar à produção até 100 milhões de hectares de área plantada, o Brasil continuará sendo a mola propulsora na adoção global de plantações biotecnológicas e está investindo em infraestrutura para apoiar esse crescimento.
Mundo 2010 – Foram plantados no ano passado 148 milhões de hectares de transgênicos no mundo, crescimento de 10% em relação ao ano anterior (134 milhões de hectares). Ao todo, 15,4 milhões de agricultores de 29 países plantaram culturas geneticamente modificadas.Área total – De 1996 a 2010, as lavouras GM acumuladas ultrapassaram 1 bilhão de hectares, com um aumento de 10% em relação ao ano anterior.Países em desenvolvimento – Os países em desenvolvimento cultivaram 48% das plantações GM globais em 2010 e, segundo o ISAAA, ultrapassarão as nações industrializadas até 2015. Os países da América Latina e da Ásia deverão ser os maiores responsáveis pela ampliação dos hectares globais cultivados com lavouras GM na segunda década de comercialização da tecnologia. Pequenos produtores – Dos 15,4 milhões de agricultores que plantaram culturas transgênicas, 90% ou 14,4 milhões são pequenos agricultores de países em desenvolvimento e com poucos recursos. Hoje, a maior parte dos pequenos agricultores na China e na Índia cultiva transgênicos: 6,5 milhões de agricultores chineses e 6,3 milhões de agricultores indianos.Novos produtores - Em 2010, três países cultivaram comercialmente plantações GM pela primeira vez. Aproximadamente 600 mil agricultores do Paquistão e 375 mil de Myanmar plantaram algodão Bt resistente a insetos, e a Suécia, o primeiro país escandinavo a comercializar colheitas geneticamente modificadas, plantou uma batata de alta qualidade aprovada para alimentação e uso industrial. Além disso, a Alemanha também plantou batata GM em 2010, retomando seu lugar entre os oito países da UE que cultivam atualmente batatas ou milho transgênicos.Perspectivas para os próximos anos – De acordo com Clive James, são esperadas, para os próximos anos, aprovações de novas culturas com importantes características nutricionais e agronômicas. Um dos exemplos é o arroz com provitamina A, ou arroz dourado, que, espera-se, esteja disponível para ser plantado nas Filipinas em 2013, depois em Bangladesh, Indonésia e Vietnã. “É um importante progresso”, afirma James. “Mais de 6.000 mortes por dia podem ser evitadas com o arroz dourado em populações com deficiência desse nutriente.” Também é aguardada a comercialização do arroz Bt resistente a insetos, que deve ser apresentada antes de 2015. O milho tolerante à seca é esperado nos EUA no começo de 2012 e, de forma importante, na África até 2017. Estão em desenvolvimento variedades de trigo GM com diversas características, entre elas: tolerância à seca, resistência a doenças e qualidade dos grãos. Os primeiros devem estar prontos para comercialização em 2017, segundo o ISAAA. James espera ainda que outras culturas sejam aprovadas para comercialização até 2015, entre elas: batata resistente à requeima, cana-de-açúcar com melhores características de agronomia e de qualidade, banana resistente a doença, berinjela, tomate, brócolis e repolho Bt, além de mandioca, batata doce, leguminosas e amendoim GM. Os 29 países que cultivaram plantações transgênicas em 2010 já correspondem a 59% da população mundial.
Sobre o relatório - O relatório é inteiramente financiado por duas organizações filantrópicas europeias: a Fundação Bussolera-Branca, da Itália, que apoia o compartilhamento livre de conhecimento de plantações biotecnológicas para auxiliar a tomada de decisão por parte da sociedade global e uma unidade filantrópica dentro do Ibercaja, um dos maiores bancos espanhóis com sede na região de plantação de milho da Espanha.
Sobre o ISAAA - O Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agro-Biotecnológicas (ISAAA) é uma organização sem fins lucrativos com uma rede internacional de centros voltada para contribuir para minimizar a fome e a pobreza, compartilhando conhecimento e aplicações de plantações biotecnológicas. Clive James, presidente e fundador do ISAAA, viveu e/ou trabalhou, nos últimos 30 anos, nos países em desenvolvimento da Ásia, América Latina e África, dedicando esforços para questões de pesquisa e desenvolvimento agrícola com foco na biotecnologia de plantações e na segurança global de alimentos.
Biotecnologia é escolhida como carreira que traz mais felicidade (18/02/2011)
Pesquisa divulgada pelo site Career Bliss elegeu a profissão como a mais satisfatória dos Estados Unidos
Os americanos premiaram a carreira de biotecnologia como aquela que traz mais felicidade. Para chegar a essa conclusão, o site Career Bliss entrevistou mais de 200 mil profissionais sobre 70 mil empregos nos Estados Unidos. Foram avaliados nove fatores e, depois de 1,6 milhão de votos, 10 carreiras foram destacadas como as mais satisfatórias. Biotecnologia está no topo da lista, mas o ranking também ressalta as áreas de finanças e contabilidade.
Os critérios analisados foram relacionamento com a chefia e os colegas, o ambiente de trabalho, o salário, a oportunidade de crescimento, a cultura corporativa entre outros. Segundo os profissionais da área, o relacionamento com seus pares é o fator mais importante para o biotecnólogo americano.
A carreira combina conceitos de engenharia, tecnologia e ciências biológicas e tem uma área de atuação que inclui o setor de desenvolvimento sustentável, a indústria farmacêutica, a de alimentos e o agronegócio.
No Brasil, a carreira de biotecnologia é uma das mais aquecidas do mercado. Entre as razões, estão a crescente procura por meios para tornar a produção agrícola mais eficiente e os investimentos em projetos ligados à fabricação do etanol de primeira e segunda gerações.
Novo algodão aprovado no Brasil é resistente a insetos e tolerante a herbicidas (17/02/2011)
Com essa nova liberação comercial, o Brasil tem aprovadas oito variedades de algodão, 15 de milho e cinco de soja.
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta quinta-feira, 17 de fevereiro, o oitavo evento de algodão transgênico do Brasil. A variedade chamada de TwinLink agrega à semente de algodão dois importantes eventos para a autodefesa contra pragas lepidópteras (lagartas) e para a seletividade ao herbicida à base de glufosinato de amônio.
As sementes TwinLink geram plantas de algodão imunes às pragas lepidópteras tais como curuquerê, lagarta-da-maçã, lagarta militar, lagarta-rosada e falsa medideira. Além disso, a tecnologia também permite uso seletivo do herbicida à base de glufosinato de amônio para o controle de plantas daninhas em pós-emergência.
Com essa nova liberação comercial, o Brasil tem aprovadas 15 variedades de milho GM, oito de algodão e cinco de soja. Além disso, 10 vacinas e uma levedura também estão aprovadas.
Paraguai inicia cultivo experimental com milho transgênico (10/02/2011)
Testes vão seguir normas de biossegurança que incluem regras de coexistência e refúgio
De acordo com o Instituto Paraguaio de Tecnologia Agrária (IPTA), o cultivo de sementes de milho geneticamente modificado foi iniciado no país. As normas de biossegurança a serem seguidas incluem a manutenção de uma distância de 600 metros entre sementes GM e as tradicionais, além de área de refúgio de 10% em torno do local plantado.
Em novembro de 2010, o Ministério da Agricultura do Paraguai, por meio de quatro resoluções, autorizou quatro empresas a começarem os procedimentos legais e administrativos correspondentes para a introdução de variedades geneticamente modificadas de milho no país.
O IPTA será o órgão responsável pelo ensaio em andamento e apresentará um relatório final. Também será responsável pelo cumprimento das exigências técnicas e administrativas do ensaio.
Cientistas argentinos sequenciam o genoma do vírus da doença azul do algodão (09/02/2011)
Esta praga provoca grandes perdas nas colheitas de algodão principalmente na Argentina, Brasil e Paraguai
Cientistas argentinos mapearam o DNA do vírus causador da doença azul do algodão, a mais importante praga viral na América do Sul. A pesquisa permitirá a melhoria de estratégias de controle da doença, que ameaça esta atividade econômica de grande importância para o continente. Os resultados desta pesquisa foram publicados na revista Archieves of Virology.
Com as informações genéticas do vírus, será possível acelerar o melhoramento genético para resistência do algodão à doença azul. Esta praga provoca grandes perdas nas colheitas principalmente na Argentina, Brasil e Paraguai.
Atualmente o combate à doença é feito indiretamente, utilizando-se inseticidas que combatem o inseto que é o transmissor da praga, o pulgão da espécie Aphis gossypii.O trabalho foi realizado no Instituto de Biotecnologia de INTA-Castelar e na Estação Experimental Agropecuária Roque Saenz-Pena, INTA-Chaco.
Biotecnologia é caminho para aumentar oferta de alimentos e preservar recursos naturais (08/02/2011)
Pesquisador da UFRGS aborda em palestra a adoção dos cultivos transgênicos e as novidades em biotecnologia para o campo
Cascavel, 7 de fevereiro de 2011 — O pesquisador Marcelo Gravina, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), estará no Show Rural Coopavel, no estande da Coodetec, para conversar com os participantes da feira a respeito da adoção dos transgênicos no mundo, seus benefícios para o meio ambiente e as principais novidades da biotecnologia para o aprimoramento das práticas de cultivo, melhoria na qualidade dos produtos agrícolas e aumento da renda dos produtores.
De acordo com Gravina, a biotecnologia empregada à agricultura representa um avanço importante. “Trata-se de uma tecnologia inovadora, que não apenas permite redução de custos, e, consequentemente, ganhos econômicos para o produtor, como também apresenta vantagens bastante relevantes no que diz respeito à preservação de recursos naturais”, enfatiza o pesquisador.
No Brasil
Segundo maior produtor mundial de transgênicos, o Brasil tem hoje 27 eventos aprovados para cultivo e comercialização, sendo todos eles eventos de soja, milho e algodão com características de resistência a insetos e/ou tolerância a herbicida.
Mas já está sendo avaliada na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança uma variedade de feijão resistente ao vírus do mosaico dourado, trabalho de pesquisa realizado no Brasil pela Embrapa. “É uma variedade inédita no mundo e que, se aprovada, poderá reduzir em grande escala as perdas decorrentes da doença mais importante do cultivo do feijão”, ressalta Gravina.
Pelo mundo
Há muito mais por vir. Diversas outras variedades com características agregadas estão sendo pesquisadas e efetivamente já cultivadas em sete países, a exemplo do milho, que tem oito genes inseridos e controla uma ampla variedade de insetos e tolera diferentes herbicidas.
O pesquisador da UFRGS e membro do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) falará dessa variedade e também de outras, como o milho com fitase, que é mais eficiente porque melhora a digestão de fósforo nos suínos – o que trará incremento do crescimento dos animais e redução da poluição causada pelos dejetos – e do milho com lisina, aminoácido que é adicionado à alimentação de aves e suínos.
Aumento da oferta de alimentos
Gravina acredita que a aplicação da biotecnologia na agricultura terá um papel fundamental nas próximas décadas, especialmente no desenvolvimento de variedades que melhorem a qualidade dos alimentos e aumentem a produtividade. Um estudo encomendado pelo governo britânico, relatório Foresight Report on Food and Farming Futures concluiu que a produção de alimentos deve crescer 40% nas próximas duas décadas para evitar o aumento da fome global. Para o cientista John Beddington, chefe do Conselho Científico do Governo e líder do programa Foresight, a população mundial chegará a aproximadamente 8 bilhões de pessoas em 20 anos, o que gerará um aumento da demanda não apenas por comida, como também por água potável (30%) e energia (50%). O documento ressalta que, para transformar esse cenário, não há uma solução única. Segundo o material, será necessário um conjunto de ações que proporcione importantes mudanças nos sistemas de produção, gerando aumento da oferta de alimentos em linha com práticas sustentáveis e preservação do meio ambiente. Para tanto, os pesquisadores recomendam que não sejam descartadas as novas tecnologias, a exemplo da modificação genética de organismos vivos, a clonagem na pecuária e a nanotecnologia.
Serviço Palestra Biotecnologia Agrícola do Futuro – Marcelo Gravina
Show Rural Coopavel - Estande da Coodetec
Horários:
Dia 7 (segunda-feira) – 15h Dia 8 (terça-feira) – 10h e 15h30 Dia 9 (quarta-feira) – 9h Dia 10 (quinta-feira) – 9h
Sobre Marcelo Gravina - Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), doutor em Fitopatologia pela Universidade de Wisconsin–Madison (EUA). É professor associado da UFRGS e conselheiro do CIB.
Sobre o CIB - O Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), criado no Brasil em 2001, é uma organização não-governamental sem fins lucrativos, cujo objetivo é divulgar informações técnico-científicas sobre biossegurança, biotecnologia e seus benefícios, aumentando a familiaridade de todos os setores da sociedade com o tema. Na Internet, você pode nos conhecer melhor por meio do site www.cib.org.br.
O Conselho desenvolve suas atividades com o suporte de profissionais ligados aos principais centros de pesquisa, universidades e institutos de cunho científico do País. O grupo hoje é composto por mais de 80 profissionais que atuam em campos distintos do conhecimento científico. Desta forma, o CIB se consolidou como fonte para jornalistas, pesquisadores, consumidores, empresas e instituições interessadas em biotecnologia e biossegurança.
Informações à Imprensa Durante o Show Rural Coopavel:
Alfafa transgênica é liberada nos Estados Unidos 31/01/11 - 15:27
Agricultores terão acesso à variedade geneticamente modificada (GM) ainda este ano
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou, na última quinta-feira (27), a liberação da variedade GM de alfafa tolerante ao herbicida glifosato para plantio e comercialização. A decisão foi tomada pelo Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal do USDA, depois que o estudo de potenciais impactos ambientais e econômicos conduzido pelo departamento concluiu que a planta transgênica é tão segura quanto a convencional. O Secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Tom Vilsack, afirmou que essa é uma decisão que favorece a coexistência de plantas transgênicas e convencionais. “Os agricultores devem ter a opção de plantar a variedade convencional, transgênica ou orgânica”, disse Vilsack. A alfafa é usada principalmente como feno para gado e já poderá ser cultivada na próxima primavera. Agricultores que usam sementes da planta GM afirmam que, com elas, seus rendimentos aumentariam, e que isso poderia ajudar a reduzir o preço final para o consumidor. A alfafa é quarta maior cultura nos EUA, com um valor aproximado de US$ 9 bilhões e cerca de 20 milhões de hectares plantados. Fontes (USDA e Reuters – 27 de Janeiro de 2011) As informações da assessoria de imprensa da Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB). Agrolink
Balanço da biotecnologia no Brasil em 2010
Por Alda Lerayer
O ano de 2010 foi muito positivo para a Biotecnologia, principalmente no que diz respeito aos organismos geneticamente modificados (GM), cujas aprovações comerciais tiveram próspero andamento durante o período. Desde fevereiro, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) está sob o comando do geneticista Edilson Paiva, que deverá permanecer no cargo até 2012.
Da gestão anterior, Paiva herdou os processos em estágios avançados de avaliação pelos membros. Sua principal missão é manter o ritmo das avaliações de organismos GM dentro dos prazos estabelecidos pela Lei de Biossegurança, e conservar o diálogo dentro da comissão, composta por 27 autoridades em biotecnologia.
Foram oito liberações de cultivos comerciais para soja, milho e algodão em 2010, além de outras 3 referentes a vacinas e 1 levedura. Com essas aprovações, O Brasil já tem à disposição 27 eventos agronômicos liberados. O destaque é para esta levedura modificada para produção de óleo diesel a partir da cana-de-açúcar.
Quanto à soja, foram aprovados dois eventos tolerantes ao herbicida glufosinato de amônio e um resistente a insetos e tolerante ao glifosato. Para o milho, as novidades são quatro eventos resistentes a insetos e a diferentes tipos de herbicidas. Já para o algodão, o mais recente evento aprovado é resistente ao glifosato.
Para 2011, a expectativa é de que haja mais aprovações relacionadas de eventos de milho e de algodão, e possivelmente também do feijão transgênico. Neste caso, a variedade será resistente ao vírus do mosaico dourado do feijoeiro, que é o pior inimigo dessa cultura agrícola na América do Sul. No Brasil, a doença está presente em todas as regiões e, se atingir a plantação ainda na fase inicial, pode causar perdas de até 100% da produção. O resultado é inédito para a biotecnologia mundial, pois trata-se do desenvolvimento das primeiras plantas transgênicas totalmente produzidas por instituições públicas de pesquisa, no caso a Embrapa Recursos Genéticos, em parceria com a Embrapa Arroz e Feijão.
Contribuições para o campo e o meio ambiente
De acordo com o relatório ISAAA, divulgado em fevereiro, o Brasil plantou 21,4 milhões de hectares com culturas geneticamente modificadas e se tornou o segundomaior produtor de transgênicos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos,deixando a Argentina em terceiro lugar, em um universo de 25 países produtores.
O número representa um crescimento de 35,4% em relação a 2008, justificado especialmente pela rápida adoção do milho GM.
Ao todo, 25 países plantaram 134 milhões de hectares, o que corresponde a 9 milhões de hectares a mais do que em 2008. Foram 14 milhões de grandes e pequenos agricultores no mundo que adotaram cultivos transgênicos em suas lavouras. Ainda de acordo com o ISAAA, os oito principais países no ranking de maiores produtores foram:
Estados Unidos (64 milhões ha.), Brasil (21,4 milhões ha.), Argentina (21,3 milhões ha.), Índia (8,4 milhões ha.), Canadá (8,2 milhões ha.), China (3,7 milhões ha.), Paraguai (2,2 milhões ha.) e África do Sul (2,1 milhões ha.).
Diversas plantas geneticamente melhoradas estão disponíveis no mundo para o cultivo na Europa, mas apenas duas culturas transgênicas podem ser cultivadas comercialmente. A primeira é um milho resistente a insetos e a segunda é a batata com um maior teor de amilopectina, aprovada neste ano.
Na Europa, a área plantada deste único milho transgênico alcançou 94.750 hectares em 2009. Os principais países de cultivo são: Espanha, República Checa, Romênia e Portugal. Além destes, a Eslováquia e a Polônia também estão cultivando o milho resistente a insetos. Hoje, a batata transgênica é plantada na Alemanha, República Checa e Suécia.
Além das vantagens comerciais, um estudo realizado pela Consultoria Céleres apontou que a adoção da biotecnologia no Brasil contribuiu com a redução de 12,6 bilhões de litros de água na agricultura, o que significaria abastecer uma população de 287,2 mil pessoas no período de 1996/97 a 2008/09.
Além disso, foram economizados 104,8 milhões de litros de óleo diesel e houve uma redução na emissão de 270,4 mil toneladas de CO2, decorrente da queima do óleo diesel utilizado no maquinário agrícola, o que representaria a preservação de 2 milhões de árvores de floresta ripária.
Alda Lerayer – Engenheira Agrônoma, Ph.D. em Genética e Melhoramento de Plantas e Microrganismos e Diretora-Executiva do CIB
Cientistas de Portugal mapeiam genoma do abacaxi (20/01/2011)
Pela primeira vez, pesquisadores de Portugal sequenciam o genoma dessa espécie de fruta tropical.
O cultivo do abacaxi representa a terceira maior produção de frutas tropicais do mundo, perdendo apenas para a banana e para os cítricos. Entretanto, o genoma dessa espécie não é tão conhecido quanto o de outras frutas tropicais. Mas essa história vai mudar. O pesquisador da Universidade do Algarve, em Portugal, Jorge Dias Carlier, e uma equipe de cientistas desenvolveram o primeiro mapa genético do abacaxi.
Os pesquisadores usaram a segunda geração de um cruzamento entre duas espécies de abacaxis. Por meio da análise dos marcadores moleculares, o estudo identificou 33 grupos de ligações com marcadores herdados das duas espécies parentais, 4 grupos de ligações com marcadores provenientes de apenas um dos pais e outros 3 grupos com marcadores da outra planta que gerou o abacaxi estudado.
O mapa resultante possui 492 marcadores de DNA, que cobrem cerca de 80% da cadeia genética completa do abacaxi. Esta cadeia pode ser usada para reprodução molecular e estudos biotecnológicos envolvendo a planta e espécies análogas. Fonte: ISAAA - 07 Janeiro de 2011
Vacina contra cólera e hepatite serão produzidas em tomates GM (13/01/2011)
Pesquisa pioneira na América do Sul, feita no Chile, usa tomates como biofábricas de vacinas contra doenças.
Tomates geneticamente modificados (GM) que produzem vacinas contra a hepatite e o cólera estão sendo desenvolvidos por cientistas da Pontifícia Universidade Católica de Chile. Trata-se do primeiro “alimento-vacina” da América do Sul.
Patricio Arce, líder das pesquisas, explicou que a vacina derivada do tomate GM é mais barata, não precisa de acomodações especiais para a estocagem, e pode ser consumida de forma integral, diminuindo possíveis danos causados pela temperatura de cozimento.
Os cientistas trabalharam durante cinco anos e isolaram os genes que codificam proteínas chave de ambos os patógenos, os fundiram em um único gene, e o introduziram em plantas de tomate. Os genes foram feitos de forma a se expressaram tanto na fruta quanto nas sementes, e será avaliado para o reconhecimento pelas defesas do corpo. O tomate GM será testado em cobaias em 2011, e se obtiver sucesso, será testado em humanos em 2013.
Cientistas constroem proteína sintética capaz de sustentar a vida (12/01/2011)
A descoberta de cientistas da Universidade de Princeton pode ajudar na “construção” de novos sistemas biológicos.
O grupo de pesquisadores desenvolveu sequências genéticas idéditas e demonstrou que elas podem produzir substâncias que mantêm vivas as células quase como as proteínas encontradas na natureza. “O que fizemos são máquinas moleculares que funcionam bem em organismos vivos embora sejam expressas por genes artificiais”, afirma Michael Hetch, professor de química em Princeton e coordenador da pesquisa. O estudo sugere que os componentes moleculares necessários para a vida não estão restritos àqueles encontrados na natureza.
O trabalho é um avanço na biologia sintética e pode ser usado para desenhar e fabricar componentes biológicos que já não existem naturalmente. Os potenciais usos desse conhecimento incluem diversas áreas, a exemplo da medicina. Um dos cientistas está investigando como a duplicação de proteínas do cérebro pode levar ao mal de Alzheimer, e isto envolve uma pesquisa por compostos que impeçam este processo.
Estas seqüências artificiais têm sido inseridas em várias bactérias mutantes que tiveram alguns genes naturais, indispensáveis para a sobrevivência da célula, previamente apagados. Se a bactéria mutante assumir a nova proteína como sua, a célula poderá sobreviver.
Genoma do morango silvestre é sequenciado (11/01/2011)
Você sabia que o genoma do morango silvestre, pesquisado por 75 cientistas, é o menor já sequenciado até agora?
Um consórcio internacional sequenciou o genoma do morango silvestre, de acordo com artigo publicado na revista Nature Genetics. A descoberta pode favorecer a produção de variedades mais saborosas e mais resistentes desta e de outras culturas da mesma família.
O morango silvestre (Fragaria vesca) é o menor genoma sequenciado até agora. O grupo de cientistas, composto por 75 pesquisadores de 38 instituições, também identificou os genes responsáveis por algumas características da planta, como sabor, aroma, valores nutricionais, tempo de florescimento e respostas a doenças. Estas descobertas permitem a criação de tratamentos específicos, de acordo com o que se deseja da fruta a ser cultivada.
Análises complementares revelam uma grande similaridade entre essa e outras plantas. O morango silvestre é membro da família das Rosaceae, que consiste em mais de 100 gêneros e 3.000 espécies, incluindo várias espécies de importância econômica (frutas como morango, pêssego, cereja e maçã, além de amêndoa e plantas ornamentais, a exemplo da rosa). No longo prazo, os cientistas utilizarão estas informações para a produção de plantas que causem menor impacto ambiental, perfis nutricionais melhores e produtividade maior.
Embrapa pede liberação comercial de feijão transgênico (16/12/2010)
Pesquisadores afirmam que a vantagem da técnica usada para produzir o feijão é que não há produção de novas proteínas nas plantas
Pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e da Embrapa Arroz e Feijão, duas das 46 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, entregaram na última quarta-feira (15/12) à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio o pedido de liberação para cultivo comercial de variedades de feijão transgênicas resistentes ao vírus do mosaico dourado. Esse vírus é o pior inimigo dessa cultura agrícola na América do Sul. No Brasil, a doença está presente em todas as regiões e, se atingir a plantação ainda na fase inicial, pode causar perdas de até 100% na produção.
Essa iniciativa é resultado de mais de 10 anos de pesquisa e marca um feito inédito no Brasil: são as primeiras plantas transgênicas totalmente produzidas por uma instituição pública de pesquisa. Além dos centros da Embrapa Arroz e Feijão e Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, as análises de biossegurança envolveram os centros da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Embrapa Agrobiologia e a UNESP.
Nova tecnologia de transformação genética
Para chegar às variedades geneticamente modificadas (GM), os pesquisadores Francisco Aragão, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, e Josias Faria, da Embrapa Arroz e Feijão, utilizaram quatro estratégias de transformação genética.
Em linhas gerais, eles modificaram geneticamente a planta para que ela produzisse uma molécula - o RNA - responsável pela ativação de seu mecanismo de defesa contra o vírus mosaico dourado, devastador à lavoura. "Mimetizamos o sistema natural", diz Francisco Aragão, explicando que a grande vantagem dessa nova técnica é que não há produção de novas proteínas nas plantas, e consequentemente, não há possibilidade de alergenicidade e toxidez. Além disso, a tecnologia de RNA pode causar resistência a várias estirpes do mesmo vírus. Os pesquisadores, paralelamente, construíram um vetor para geração de plantas transgênicas, com o objetivo de bloquear a ação do gene AC1 viral, essencial para a replicação do genoma do vírus do mosaico dourado.
Desde 2006, os pesquisadores da Embrapa repetem pesquisas de campo com o feijão transgênico em Sete Lagoas (MG), Londrina (PR) e Santo Antônio de Goiás (GO), regiões de alta produção no país. Em todos os casos, os grãos foram infectados naturalmente pelo mosaico dourado. Os transgênicos, diz Aragão, não apresentaram sintomas da doença. Os convencionais tiveram de 80% a 90% das plantas afetadas. Além de testar a eficiência das variedades transgênicas, essas análises avaliaram a biossegurança para comprovar a sua inocuidade ao ambiente e à saúde humana.
Impactos sociais da engenharia genética
Esse projeto é um exemplo significativo de impacto social e alimentar do uso da engenharia genética. No Brasil o feijão é uma cultura de extrema importância social, já que é produzido basicamente por pequenos produtores, com cerca de 80% da produção e da área cultivada em propriedades com menos de 100 hectares.
Além disso, é a principal fonte vegetal de proteínas (o teor das sementes varia de 20 a 33%), além de ser também fonte de ferro (6-10 mg/100 g). Associado ao arroz dá origem a uma mistura tipicamente brasileira e ainda mais nutritiva e rica em vitaminas. Na verdade, a importância do feijão na alimentação transcende as fronteiras brasileiras, sendo a leguminosa mais importante na alimentação de mais de 500 milhões de pessoas na América Latina e África.
A produção mundial de feijão é superior a 12 milhões de toneladas. O Brasil ocupa o segundo lugar na produção mundial, mas sua produção ainda não é suficiente para suprir a demanda interna, o que se deve em grande parte às perdas causadas por pragas e doenças como o mosaico dourado do feijoeiro, associadas a estresses hídricos.
As variedades transgênicas de feijão garantem vantagens econômicas e ambientais, com a diminuição das perdas e garantia das colheitas. Segundo Aragão, “a variação econômica acontece quando a safra é prejudicada por doenças ou pela seca, pois a oferta e o preço para o consumidor sobem consideravelmente. Com a variedade GM, a planta torna-se resistente ao vírus e as perdas diminuem, estabilizando o preço do produto”, comenta.
Clique aqui para ver a entrevista com o pesquisador engenheiro agronômo Francisco Aragão.
Pesquisadores desenvolvem maçã que não escurece após o corte (15/12/2010)
Por meio da biotecnologia, o gene responsável pela produção da enzima que escurece a fruta foi silenciado.
Pouco tempo após ser cortada, a maçã escurece. A razão para que isso aconteça é explicada por uma reação entre a fruta partida e o oxigênio do ar, que resulta no tom escurecido da polpa. A velocidade do efeito pode ser aumentada ainda mais se houver ferro por perto, a exemplo da faca usada para o corte.
Com o objetivo de prolongar a boa aparência da maçã após o corte, cientistas canadenses desenvolveram uma fruta que não escurece depois de fatiada. A variedade geneticamente modificada possui inibidores do gene que produz as enzimas que causam o escurecimento. A técnica usada silenciou um gene já existente na planta, sem adicionar novos de outro organismo.
O desenvolvedor da tecnologia prevê que a nova maçã possa impulsionar as vendas da fruta e levar a uma eventual queda de preço no produto. As maçãs estão em fase de testes e ainda não há previsão de quando estarão disponíveis para os consumidores. Autoridades responsáveis dos Estados Unidos analisam a possibilidade de comercializar a fruta no país.
Academia de Ciências do Vaticano reafirma a segurança dos transgênicos (30/11/2010)
A Academia de Ciências do Vaticano (PAS, na sigla em inglês) deu luz verde para os organismos geneticamente modificados (OGM), ao considerar que não há perigo em usar a engenharia genética no melhoramento de culturas.
A agência do Vaticano manifestou seu posicionamento em um relatório publicado na revista New Bioctechnology. "Não há nada, inerente ao uso da engenharia genética para melhorar as colheitas, que colocaria em risco as plantas e os produtos alimentares deles derivados", diz o relatório. O documento é resultado de um seminário chamado “Semana de Estudo – Plantas transgênicas para a segurança alimentar no contexto do desenvolvimento”, que reuniu 40 especialistas (incluindo membros da PAS) e foi realizado em maio de 2009, na sede da academia.
O documento ainda ressalta que um bilhão de pessoas no mundo sofrem de subnutrição, o que exige o urgente desenvolvimento de novos sistemas de tecnologia agrícola – que, segundo os pesquisadores, são mais urgentes do que nunca, se levarmos em conta que a população mundial terá aumentado até 2,5 bilhões de pessoas em 2050, e as alterações climáticas e a redução dos recursos hídricos afetam diretamente a capacidade de alimentar a população.
Os especialistas também observaram que a "aplicação adequada" da engenharia genética e outras técnicas moleculares modernas "ajuda a enfrentar esses desafios." Para eles, é necessário que os agricultores pobres nos países em desenvolvimento tenham acesso a variedades melhoradas de culturas geneticamente modificadas adaptadas às condições locais.
A diretora-executiva do CIB, Alda Lerayer, vê a publicação desse documento de forma muito positiva. “O estudo é de extrema relevância do ponto de vista científico e social e vem reafirmar a segurança dos alimentos geneticamente modificados ou transgênicos para o consumo humano e animal”, enfatiza.
Cientistas criam plantas que produzem novos medicamentos (18/11/2010)
Pesquisadores adicionaram material genético bacteriano à vinca para produção de compostos de interesse.
Há muito tempo usamos a grande variedade de compostos medicinais produzidos pelas plantas. Agora, cientistas do MIT, Massachusetts Institute of Technology, nos Estados Unidos, descobriram uma maneira de expandir esse potencial farmacêutico por meio da engenharia genética. Este processo faria que vegetais geneticamente modificados produzissem compostos que podem ter funções medicinais.
Os cientistas, liderados pela professora associada Sarah O’Connor, adicionaram material genético bacteriano à Catharanthus roseus, também conhecida como vinca, que a partir de então pode anexar halogênios como cloro ou bromo em uma classe de compostos chamados alcalóides, que a planta produz normalmente. Muitos dos alcalóides possuem propriedades farmacêuticas, e os halogênios, que são utilizados em antibióticos e outros remédios, podem tornar os medicamentos mais efetivos ou mais duradouros no corpo.
A introdução de novos genes em plantas já havia sido feita anteriormente: em 1990 cientistas produziram uma planta capaz de produzir um inseticida chamado Bt, por meio da introdução de um gene de bactéria. Entretanto, a abordagem da equipe de O’Connor vai além da adição de um gene que codifica uma determinada proteína. “A engenharia genética de metabolismo mexe em uma série de reações, levando a uma grande variedade de possíveis produtos”, afirma Sarah O’Connor.
Matéria-prima do plástico pode ser produzida por plantas transgênicas (17/11/2010)
A técnica garantiria uma fonte renovável e sustentável deste composto.
A engenharia genética, teoricamente, pode transformar plantas em biofábricas produtoras de compostos que hoje são obtidos quimicamente com base em derivados do petróleo. Uma pesquisa feita por Cientistas do Departamento de Energia Norte-Americano (DOE) torna a teoria mais próxima da prática. Eles desenvolveram uma planta geneticamente modificada (GM) que produz níveis industrialmente relevantes de compostos que poderiam ser usados como matéria-prima para fazer plásticos.
Segundo o bioquímico John Shanklin, que liderou o estudo, uma nova atividade metabólica permitiria que plantas produzissem um tipo de ácido graxo que pode ser usado como precursor de blocos químicos que compõem plásticos. Essa nova fonte de matéria-prima seria renovável e sustentável, diferentemente das fontes de petróleo.
“Ainda são necessárias tecnologias que convertam de maneira eficiente os ácidos graxos em blocos químicos, mas a pesquisa aponta as plantas como fontes potenciais de matéria-prima”, afirma Shankiln. A pesquisa está disponível em versão online no site da revista Plant Physiology, e será publicada na versão impressa no mês de dezembro.
Cientistas identificam genes que podem estar ligados à queda de cabelo (12/11/2010)
A descoberta é o resultado de um estudo com genomas de mais de mil indivíduos com um tipo de calvície chamado alopecia areata.
A alopecia areata é uma doença que atinge de 1% a 2% da população e é caracterizada por queda do cabelo em tufos, criando buracos arredondados no couro cabeludo. Uma pesquisa recente aponta que este tipo de calvície pode ser causada por ataques de células do sistema imune contra folículos capilares.
A descoberta é o resultado de um estudo em que genomas de mais de mil indivíduos com alopecia areata foram comparados a genomas de pessoas sãs. Angela Christiano e sua equipe da Universidade Columbia, em Nova York (Estados Unidos), descobriram 18 genes associados à doença.
A equipe encontrou quantidades maiores de um tipo de proteína em tecidos de folículos capilares de pessoas com alopecia areata do que em amostras de pessoas sem a doença, fornecendo prova adicional do seu envolvimento na enfermidade. O grupo espera que as descobertas abram novos caminhos para o seu tratamento.
"Agora podemos testar o papel desses genes no desenvolvimento da alopecia." diz Rod Sinclair, dermatologista da Universidade de Melbourne, na Austrália. A pesquisa foi publicada na revista científica “Nature”.
Genoma do café está disponível em biblioteca internacional (05/11/2010)
A iniciativa pode estimular cientistas que trabalham com outras culturas a realizar estudos de genomas comparativos.
O Projeto Genoma Café, iniciado em 2002 por pesquisadores da Embrapa Café, da Fapesp e de instituições participantes do Consórcio Pesquisa Café, já desvendou mais de 200 mil sequências de DNA e identificou cerca de 30 mil genes da planta. Ao longo do segundo semestre de 2010, as sequências obtidas estão sendo colocadas em um banco de dados internacional de informações biotecnológicas, o National Center for Biotechnology Information (NCBI), que permitirá o acesso a elas. A previsão é de que até o fim do ano todo o estudo já esteja disponível online.
Segundo Luiz Filipe Protasio Pereira, pesquisador da Embrapa Café, o compartilhamento desses dados, além de divulgar o trabalho realizado no Brasil, facilitará o acesso de pesquisadores de todo o mundo à informação. “Isso permitirá firmar novas parcerias para a continuação da pesquisa”, avalia.
Para o pesquisador da Unicamp e coordenador do Projeto, Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, o estudo do genoma do café é importante, já que o Coffea arabica, a espécie mais consumida em todo o mundo, tem uma base genética estreita, tornando a planta muito suscetível a novas doenças. “O conhecimento do genoma dessa espécie vai ajudar em seu melhoramento genético, tanto pelo método tradicional, quanto por via da transgenia”, afirma Pereira.
Pesquisa identifica gene que pode causar infertilidade (04/11/2010)
O responsável seria o gene NR5A1 que, quando sofre mutações, pode causar 4% dos casos de infertilidade masculina.
Em todo o mundo, de cada 7 casais, 1 é estéril. A infertilidade masculina é responsável por até 50% desses casos. Mutações no gene NR5A1, também conhecido como SF1, podem ocasionar cerca de 4% dos problemas de infertilidade masculina por defeitos na produção de espermatozoides. A conclusão é de um estudo publicado no American Journal of Human Genetics.
Coordenado por Anu Bashamboo, do Instituto Pasteur, na França, a pesquisa contou com a parceria de outras instituições, a exemplo da University College London, no Reino Unido, de onde o doutorando brasileiro Bruno Ferraz de Souza contribuiu na fase de conferência dos resultados do estudo. “O índice de 4% parece pequeno, mas em termos populacionais tem um peso muito importante”, disse Ferraz de Souza.
O Instituto Pasteur analisou 315 homens que apresentavam problemas na produção de espermatozóides e sequenciou o gene NR5A1 de todos eles, comparando os resultados com os de outro grupo formado por 2 mil homens que não tinham esse tipo de problema. Foram encontradas mutações no NR5A1 dos voluntários que apresentaram alterações mais graves.
O estudo ainda permitiu levantar a hipótese de que a mutação no NR5A1 pode provocar uma alteração progressiva na qualidade do líquido seminal, ou seja, a redução gradual do número de espermatozóides ao longo do tempo.
Argentina aprova comercialização de novo milho GM (19/10/2010)
Os estudos apontaram eficiência do milho GM para o controle da Diatréia e melhora significativa do controle de Helicoverpa e Spodóptera
O Gabinete do Secretário da Agricultura da Argentina anunciou, na semana passada, a aprovação comercial de uma variedade de milho geneticamente modificado (GM) que combina dois eventos de transformação individual (realizados por melhoramento convencional), chamados MON89034 e MON88017, também aprovados para plantio comercial.
Como resultado, o novo milho produz as proteínas inseticidas Cry1A.105 e Cry2Ab2 (contra insetos lepidópteros), Cry3Bb1 (que confere resistência a coleópteros) e CP4 EPSPS, para tolerância ao glifosato.
Os estudos apontaram eficiência do milho GM para o controle da Diatréia e melhora significativa do controle de Helicoverpa e Spodóptera. Em relação aos insetos abaixo do solo (coleópteros), a incorporação dessa nova tecnologia protege contra a Diabrótica da raiz, gerando melhor absorção de água, nutrientes e melhor ancoragem.
Plantio de milho Bt e convencional em lavouras vizinhas gera economia (15/10/2010)
Trabalho publicado na Revista Science aponta que a presença de pragas na lavoura convencional diminui em razão do efeito da transgênica
A edição de outubro da Revista Science traz um estudo inédito, realizado por pesquisadores da Universidade de Minnesota (EUA), que analisou economicamente as vantagens do milho Bt (resistente a insetos) também para as lavouras convencionais vizinhas.
De acordo com o trabalho, o plantio dessa variedade de milho transgênico diminuiu também a presença da broca europeia em plantações vizinhas de milho convencional. A pesquisa avaliou a situação das lavouras em cinco estados do meio-oeste dos Estados Unidos, de 1996 a 2009: Minnesota, Illinois, Iowa, Wisconsin e Nebraska).
O resultado do levantamento mostrou uma diminuição de 20% a 70% na incidência de brocas nas plantações convencionais. Com isso, a economia dos agricultores foi de US$7 bilhões em 14 anos, mais da metade para os produtores de milho convencional.
Batata com mais proteína e maior produtividade é desenvolvida na Índia (23/09/2010)
A variedade geneticamente modificada (GM) pode apresentar aproximadamente 10% da quantidade de proteína recomendada para consumo diário
Um grupo de cientistas do Central Potato Research Institute (Índia) desenvolveu uma batata GM com até 60% a mais de proteína em cada grama do produto (em comparação com as variedades convencionais).
Uma batata média convencional, de cerca de 150 gramas, é composta, principalmente, de carboidratos, mas também contém cerca de 3 gramas de proteína. Já o tubérculo transgênico eleva esse número para 4,8 gramas, aproximadamente 10% do que é recomendado para consumo diário, segundo padrões internacionais.
De acordo com a pesquisadora que conduziu o grupo de cientistas, Subra Chakraborty, a batata GM, desenvolvida em 2003 por meio da biotecnologia, recebeu um gene do grão amaranto, espécie amplamente consumida em regiões tropicais, incluindo a Índia. O gene, no amaranto, está relacionado à função de armazenamento de proteína. Uma vez inserido no genoma da batata, os cientistas observaram também a capacidade de estimular a produção da proteína.
Testes de biossegurança no campo e na alimentação de animais foram realizados por várias gerações, e a nova planta não demonstrou nenhum indício de potencial alergênico.
Além do benefício direto para o consumidor, a nova batata traz vantagens também para o produtor: ela apresenta maiores índices de produtividade. O aumento de 15% a 25% a mais de batatas por hectare é inédito, levando-se em conta que essa variedade GM tem apenas um gene a mais inserido em seu genoma.
A cultura da batata tem se tornado cada vez mais popular em países como a Índia, a China e outros países em desenvolvimento, tendo como principal objetivo o aumento da produção de alimentos e, consequentemente, o combate à fome.
México comprova eficácia do milho geneticamente modificado (20/09/2010)
O resultado desta primeira fase de estudos mostrou que a variedade GM não oferece nenhum risco à saúde ou ao meio ambiente
Pesquisas desenvolvidas por cientistas mexicanos de instituições como o Instituto Tecnológico de Sonora (ITSON) e a Universidade autônoma de Sinaloa (UAS), entre outras, comprovaram a eficiência do milho transgênico no combate a pragas e a plantas daninhas em fase preliminar de testes. Os experimentos foram realizados nos estados mexicanos de Sonora, Sinaloa e Tamaulipas e vão ser concluídos no segundo semestre de 2010.
No país, o marco regulatório que legisla sobre os organismos geneticamente modificados (GM) estabelece duas fases de avaliação antes da aprovação comercial. Na primeira fase, chamada de experimental, as lavouras são monitoradas desde a importação das sementes até a fase pós-colheita. A segunda fase é chamada de programa piloto, que é fundamental para verificar mais de 70 aspectos de biossegurança.
O resultado desta primeira fase de estudos mostrou que a variedade GM não oferece nenhum risco à saúde ou ao meio ambiente e tem as mesmas características agronômicas da planta convencional.
De acordo com o pesquisador do ITSON, Dr. José Luis Martinez Carrillo, estes estudos representam a resposta científica às duvidas e suspeitas levantadas a respeito dos transgênicos. Já o cientista da UAS, Dr. José Antônio Garzón, ressalta as vantagens competitivas da planta. “Enquanto para o manejo convencional de milho foram necessárias pelo menos duas aplicações de inseticidas, para o cultivo transgênico não foi preciso nem uma”, afirma.
Chineses desenvolvem vacina contra a Hepatite E (21/09/2010)
A vacina, chamada HEV239, mostrou-se eficiente em 100% dos casos testados e estudados.
Cientistas chineses desenvolveram uma vacina recombinante contra a Hepatite E baseada no antígeno do vírus. A vacina poderia proteger adultos da doença. A hepatite E tem alta taxa de mortalidade em países com baixos índices de higiene e salubridade.
A doença é uma causada pelo vírus da hepatite E, que produz inflamação e necrose do fígado. A transmissão do vírus é fecal-oral, e ocorre por meio da ingestão de água e alimentos contaminados.
A vacina, chamada HEV239, mostrou-se eficiente em 100% dos casos testados e estudados. Seria a primeira vacina contra a hepatite E que atinge esta eficácia. O teste foi realizado em mais de 100.000 pessoas. Este vírus é o maior causador de hepatite em países da África, México, e no sul da Ásia. Na Índia, 50% dos casos de hepatite são devido a este vírus.
Mamona tem seu genoma sequenciado por pesquisadores americanos (14/09/2010)
O óleo da mamona é usado como lubrificante de motores de alta performance e em alguns cosméticos e produtos medicinais.
Um grupo de cientistas da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, anunciou no mês de agosto o sequenciamento do genoma da mamona. A planta tem chamado a atenção de pesquisadores e da indústria de biocombustíveis por seu potencial de produção de óleo.
Por meio do mapeamento genético, cientistas esperam identificar os genes que produzem o valioso óleo da mamona sem criar uma proteína tóxica chamada ricina. Segundo o pesquisador afiliado à Universidade de Maryland, Pablo Rabinowicz, a ricina, encontrada em altos teores nas sementes da planta, bloqueia o funcionamento dos ribossomos (organelas que reúnem aminoácidos em proteínas) e pode causar a morte das células. “Esse trabalho pode ser a chave para dominarmos o processo metabólico do vegetal”, afirma Rabinowicz.
O óleo da mamona é usado como lubrificante de motores de alta performance e também em alguns cosméticos e produtos medicinais. Além disso, a planta está sendo estudada como componente alternativo do biodiesel, principalmente por conter altas concentrações de óleo e crescer bem sob condições que outras espécies não suportam.
Agricultores brasileiros conheceram as novidades do cinturão do milho nos EUA
Produtividade é o principal objetivo dos produtores rurais. Estão sempre em busca de novas tecnologias, variedades mais resistentes e, de olho no tempo, que também é um fator importante para o sucesso da safra. Algumas empresas já tornaram tradicional premiar os produtores que se destacam em suas áreas. Este ano os quatro agricultores campeões da edição 2010 do Concurso de Produtividade Dekalb com o híbrido DKB 240 YG, que traz a tecnologia Yieldgard, ganharam uma viagem para visitar o cinturão do milho americano.
Eles tiveram a oportunidade de conhecer as tecnologias que estão sendo usada nos Estados Unidos e que, em breve, estarão à disposição dos agricultores brasileiros. Os milhos Genuity SmartStax, Genuity VT Triple PRO e Genuity VT Double PRO foram os que mais chamaram a atenção dos visitantes por sua garantia em aumento de produtividade.
Com direito a conhecer laboratórios, centros de pesquisas, fazendas e cooperativas, os produtores brasileiros estiveram em St. Louis, Chesterfield, Peoria e Monmouth (Illinois), Ankeny (Iowa), Des Moines, Boone, Bettendorf, Davenport, Dekalb e Chicago (Illinois). O gerente de Marketing da Dekalb, André Buran, diz que além de compartilhar informações sobre as mais avançadas tecnologias, os produtores também trocaram informações sobre os aspectos técnicos da biotecnologia. "Aproveitamos para mostrar o que vem sendo feito para melhorar os resultados, métodos de cultivo e a colheita". Sem saber ao certo enumerar as novidades, os produtores citaram algumas que mais chamaram a atenção durante as visitas. A lista inclui genes que aumentam o potencial de produtividade do milho, sistemas que conseguem proteger a cultura e que, portanto, podem trazer um rendimento de 30% a mais na colheita, além de tolerância à seca e utilização de tecnologia Bt com a de interferência de RNA da planta, o que significa mais controle sobre os insetos.
Na opinião de André Buran, com a biotecnologia haverá um aumento considerável na produção brasileira. "Além da tolerância à seca, plantas com mais produtividade e facilidade de manejo vão fazer toda a diferença no campo. A biotecnologia é, sem dúvida, a maior ferramenta para aumentar a produção e baratear o custo agrícola".
Adilson Rubilar de Valle, Ademar Tacca, Fidêncio Fábio Fabris e Renato Zaika estão entusiasmados com as tecnologias que devem chegar ao campo na próxima década. "Sabia do potencial da biotecnologia, mas não imaginava que era tanto. Volto com a certeza de que teremos muitas novidades nos próximos anos, que nos trarão economia, maior produtividade e custo mais baixo às lavouras", afirma Renato Zaika, de Ponta Grossa (PR).
Adilson Valle, gaúcho de Quatro Irmãos (RS), considera importante a experiência de conhecer a realidade de cooperativas e fazendas americanas, centros de pesquisa e de desenvolvimento de sementes. "Os Estados Unidos são referência. A infraestrutura de transporte, o maquinário e, claro, as sementes bem mais adaptadas para o plantio me chamaram muito a atenção".
Milho transgênico ganha o campo. Tecnologia dominará 65% da área que será plantada com o cereal no RS na safra 2010/11
Quem plantou uma vez vai plantar de novo. Quem ainda não plantou, muito provavelmente irá se render aos benefícios do milho geneticamente modificado. As sementes devem tomar a maioria dos 13 milhões de hectares que estão sendo plantados com o grão no Brasil. Pelo menos, no Rio Grande do Sul, onde no ciclo passado se plantou 20% dos 1,2 milhão de ha, a tendência é que o grão ocupe 65% do espaço, ou seja, 780 mil hectares.
Na safra 2009/10, primeira em que o milho transgênico pode ser plantado legalmente no país, o único evento transgênico disponível foi o MON810, o chamado milho Guardian, da Monsanto, vendido pelo nome comercial de YieldGard VT. Foi desenvolvido para ajudar a proteger a plantação das principais pragas da cultura como a lagarta-do-cartucho, a lagarta-da-espiga e a broca-do-colmo. Segundo o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, Antônio Álvaro Purcino, a crescente adesão à transgenia deve-se à segurança de produtividade que ela proporciona. "A principal praga das lavouras é a lagarta-do-cartucho, que pode gerar um prejuízo de, pelo menos, 30% à produção. A garantia de um milho resistente a insetos. Portanto, é um grande diferencial."
A praga ataca no período pós-florescimento e perfura a espiga. Causar estragos físicos e permite a entrada de água, gerando seu apodrecimento. Com o transgênico, há economia com as aplicações de inseticidas (cada uma custa, em média, R$ 50,00 por hectare), nas horas de trabalho dos funcionários e no uso de combustível. O resultado aparece na diminuição das perdas, o que eleva a produtividade.
Segundo o Ministério da Agricultura (Mapa), estão disponíveis 362 cultivares convencionais e 136 transgênicas de milho para a safra 2010/2011. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou 11 eventos transgênicos para uso comercial, mas estão disponíveis para compra as variedades provenientes de cinco deles: MON810 (milho Guardian - Monsanto), TC1507 (milho Herculex - Dow AgroSciences e Du Pont do Brasil), Agrisure TL (milho BT11 - Syngenta); MON89034 (milho PRO - Monsanto) e MIR162 (Syngenta).
Quem ainda não adquiriu as sementes para a safra de verão as encontrará com preços mais altos do que na mesma época em 2009. Conforme o analista de mercadoda AgraFNP, Aedson Pereira, as cultivares estão cerca de 15% mais caras, enquanto a semente convencional apresenta queda de 5%. "No RS, no ano passado, uma saca com 60 mil sementes modificadas custava entre R$ 285,00 e R$ 290,00. Atualmente, está entre R$ 330,00 e R$ 360,00". O analista destaca que, no entanto, no Brasil, não existe segregação entre o milho transgênico e o convencional. "A vantagem dele está no volume menor de perdas. Ele responde no campo."
Para os marinheiros de primeira viagem, ou os de segunda, que querem obter a rentabilidade desejada, é necessário atentar a recomendações das sementeiras à semeadura. Manter uma área de refúgio, plantada com sementes convencionais em volta da lavoura transgênica, é de vital importância, pois o espaço servirá para abrigar lagartas. "O cruzamento natural entre as sensíveis e as não sensíveis ao inseticida é essencial para prolongar o uso da variedade transgênica", explicou Purcino. A área também faz com que a transgenia não seja transmitida para lavouras vizinhas. "Os produtores devem observar e respeitar as indicações técnicas, principalmente no que diz respeito à área de refúgio que deve ser de 5% ou 10%, no caso das duas variedades da Monsanto", alerta o gerente de vendas da multinacional no RS e em SC, Marcelo Gatti. As determinações são importantes, ainda, para que o milho não trilhe o mesmo caminho da soja. A oleaginosa transgênica criou grande resistência de plantas daninhas ao glifosato de amônia, com a buva.
O coordenador da campanha de transgênicos do Greenpeace Brasil, Iran Magno, contrário ao plantio de milho modificado, afirma que o problema dessas cultivares está no risco à agrobiodiversidade. "Para o milho transgênico, a coexistência com o convencional é impossível. Mesmo respeitando as distâncias estabelecidas pela CTNBio, há contaminação", ressalta. Ele explica que, dessa forma, o país acabaria perdendo muitas variedades crioulas porque o milho tem fecundação cruzada, e o pólen viaja por muitos metros.
Conforme o presidente da Associação de Produtores de Milho do RS (Apromilho/RS), Cláudio Luiz de Jesus, 35% da safra 2010/11 no Estado já está plantada, e existe a previsão de redução de 8% no total de área cultivada com relação à safra anterior. "A expectativa é que sejam cultivados 400 mil hectares para silagem, 792 mil ha para ração e 8 mil ha para consumo humano". No RS, cerca de 300 mil propriedades estão voltadas à cultura do milho. O rendimento médio, na última safra foi de 6,8 mil kg/ha, e a colheita chegou a 5,5 milhões de toneladas.
Por:Débora Lucas
China aposta em clones e transgênicos para alimentar população
A China tem de alimentar 22% da população mundial com apenas 7% da terra arável
17 de setembro de 2010 | 15h 22
REUTERS - REUTERS
O geneticista chinês Du Yutao observa o ultra-som da barriga de uma leitoa grávida - uma das mais recentes ferramentas genéticas da China para alimentar melhor uma população que deve chegar a 1,44 bilhões até 2030, de acordo com dados do Banco Mundial. As cerca de 20 fêmeas da fazenda na província de Guangdong, no sul da China, não são animais comuns, mas sim "barrigas de aluguel" carregando filhotes clonados.
A equipe de Du está clonando porcos num laboratório a uma hora de carro da fazenda. Os pesquisadores removem DNA da pele de da orelha de um macho premiado e o transferem para um óvulo de leitoa do qual o material genético foi eliminado. Os embriões resultantes são implantados em "barrigas de aluguel".
"Atualmente nós importamos reprodutores valiosos da Dinamarca e os Estados Unidos. Eles são caros para comprar, transportar e suscetíveis a uma série de doenças durante o transporte", disse Du, chefe de clonagem e engenharia genética no instituto de Genômica de Pequim.
"Com essa tecnologia, podemos importar menos porcos e produzi-los em massa na China".
Especialistas internacionais acreditam que a China poderá ter um papel fundamental na promoção e aceitação global de animais clonados, ou mesmo transgênicos, no mercado de alimentos.
Ingo Potrykus, coinventor do chamado "arroz dourado", enriquecido com vitamina A, disse que China pode preencher um vácuo, garantindo ampla utilização e aceitação.
No laboratório do instituto chinês, outro geneticista, Zhang Gengyun, trabalha com colegas em sementes de arroz, outro alimento fundamental para a China.
Eles querem identificar sequências genéticas do arroz que estão por trás de grandes safras e de sistemas de raiz melhores, para que cada vez mais arroz possa ser produzido com menos uso de terra e água.
"Atualmente, muito fertilizante é usado, e o arroz não assimila tudo. O fertilizante extra vai parar nos rios, danificando o meio ambiente", disse Zhang.
A China tem poucas ferramentas convencionais à mão, tendo de alimentar 22% da população mundial com apenas 7% da terra arável.
Seus recursos hídricos também são poucos, com 25% da água tão poluída que é inútil até mesmo para uso industrial.
A berinjela é uma das maiores culturas vegetais no país em termos de área e volume de produção.
A berinjela transgênica desenvolvida pela unidade Los Baños de melhoramento de plantas da universidade é resistente à broca do fruto e conhecida como “FSB-R”. O gene usado para conferir resistência à nova variedade foi extraído da bactéria Bacillus thuringiensis, por essa razão, a variedade também é chamada de Bt.
A praga FSB é a que mais afeta a produção de berinjela nas Filipinas e leva a perdas da ordem de 54 a 70%. Na natureza, não existem plantas de berinjela que sejam resistentes a esta praga. De acordo com Desiree Hautea, cientista chefe do projeto, a utilização desta nova variedade poderá reduzir até 72 vezes o uso de pesticidas, com 24% de economia nos custos de produção.
A berinjela é uma das maiores culturas vegetais no país em termos de área e volume de produção. A expectativa é que os pequenos produtores que adotam a cultura sejam aqueles que mais se beneficiem desta tecnologia.
Japoneses desenvolvem tomate que produz proteína adoçante (10/09/2010)
Essa mesma proteína é encontrada naturalmente em uma fruta africana e usada para adoçar os pratos e bebidas.
Um grupo de pesquisadores japoneses identificou linhas de tomates transgênicos que expressam altos níveis de miraculina, uma proteína que não é doce, mas é capaz de transformar sabores amargos em doces. No trabalho mais recente, publicado em agosto de 2010, os cientistas cruzaram tomates transgênicos com tomates anões e obtiveram nas linhas resultantes desse cruzamento plantas com altos níveis de miraculina.
A miraculina é encontrada naturalmente na fruta milagrosa (Richadella dulcifica), um arbusto típico da África. Os africanos usam as bagas vermelhas da planta para melhorar o sabor de seus pratos e bebidas. A espécie é tida como uma fonte potencial de edulcorantes (adoçantes diferentes do açúcar) de baixa caloria, entretanto, tem dificuldades de se desenvolver fora de seu habitat natural.
Em pesquisas anteriores, tentou-se produzir miraculina com bactérias e fungos, sem que se chegasse a proteínas com poder adoçante. Agora, com esta descoberta dos cientistas do Japão, a ideia é produzir a proteína a partir de tomates, especialmente em sistemas fechados de produção.
WWF revê posicionamento sobre modificação genética (09/09/2010)
A ONG ressalta que é preciso produzir mais com menos terras para restabelecermos a saúde do planeta.
“Para alimentar a crescente população mundial levando em conta a saúde do planeta, é necessário produzir mais alimentos em uma área menor”, afirmou o vice-presidente do Fundo Mundial da Natureza (World Wildlife Fund, WWF), Jason Clay em agosto de 2010, na cidade de Denver, Estados Unidos. Clay disse que a ONG, em benefício da sustentabilidade global, reviu sua postura contrária à modificação genética adotada nos últimos anos.
O vice-presidente da WWF disse ainda que o fato de termos que “congelar” os impactos sobre a terra não quer dizer estagnar a produção. “A agricultura e os agricultores é que devem ser mais eficientes”, completa.
Para Clay, a equação na qual só ocorre multiplicação, de pessoas, consumo e de terras para cultivo, não resulta em um planeta sustentável. Ele ressaltou que nos próximos 40 anos, a população mundial vai aumentar 33% - de quase 7 bilhões de pessoas atualmente para 9 bilhões – e o consumo deve dobrar. “Em 2050, com 70% das pessoas morando em cidades, o impacto humano sobre a terra e a água não será aceitável”, conclui.
Simpósio discute futuro da biotecnologia no Brasil e no mundo (01/09/2010)
A escolha do tema é oportuna uma vez que em 1985 foi realizado o Simpósio “Impacto da Biotecnologia na Agropecuária”.
Estudantes de graduação e de pós-graduação vão ter a oportunidade de refletir sobre o presente e o futuro da biotecnologia junto com profissionais da área no Simpósio Biotecnologia+25. O Evento, que acontece nos dias 15 e 16 de setembro, é organizado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O objetivo é estudar os avanços que a biotecnologia trouxe nos últimos 25 anos e discutir como a ciência pode continuar a trazer benefícios sociais, ambientais e econômicos pelos próximos 25.
O último relatório do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), publicado em 2010, afirma que para alimentar os possíveis 9,2 bilhões de pessoas que vão existir no mundo em 2050, será necessário dobrar a produção de alimentos de forma sustentável. Esse é um dos desafios que coloca as questões propostas pelo simpósio da UFPel no centro da discussão sobre os rumos da biotecnologia no Brasil e no mundo até 2035.
A escolha do tema é oportuna uma vez que em 1985, com o objetivo de mobilizar esforços para a implantação da área de Biotecnologia na UFPel, foi realizado o Simpósio “Impacto da Biotecnologia na Agropecuária”. Os interessados em participar do simpósio devem acessar a página da universidade na internet e se cadastrarem gratuitamente.
Sequenciamento genético do trigo é anunciado por pesquisadores britânicos (27/08/2010)
O mapeamento do genoma da planta é tido como o mais significativo avanço na produção da cultura em 10 mil anos.
Desde a primeira vez em que o trigo foi cultivado, há mais de 10 mil anos, o sequenciamento do genoma da planta está sendo considerado como o mais significativo avanço para a agricultura, de acordo com artigo publicado no jornal inglês The Independent desta sexta-feira (27/08/2010). Como resultado da descoberta, novas variedades de trigo resistentes a doenças podem estar disponíveis até 2015. As vantagens, segundo os pesquisadores, incluem possibilidade de redução no preço do pão e a produção de um alimento mais seguro e saudável.
Cientistas britânicos responsáveis pela pesquisa vão colocar uma primeira versão do seqüenciamento à disposição de pesquisadores de todo o mundo. O objetivo é estimular a criação de novas variedades resistentes a doenças ou tolerantes à seca. Segundo o professor Keith Edwards, da Universidade de Bristol, a divulgação pública dos dados do trabalho vai aumentar drasticamente a velocidade com que novas plantas serão desenvolvidas.
Na Universidade de Liverpool, outro centro de pesquisa de trigo responsável pelo trabalho, o geneticista Neil Hall também prevê avanços rápidos. “É possível que em cinco anos o pão fique mais barato por conta do desenvolvimento de novas variedades”, afirma.
Embora o trigo tenha sido uma das primeiras espécies domesticadas pelo homem, pesquisas com a planta enfrentaram dificuldades, especialmente por conta de sua complexidade genética, resultado do cruzamento entre três espécies selvagens diferentes.
Desde quando era plantado no império romano, o rendimento por hectare de trigo aumentou três vezes. Contudo, ao longo da última década, a produtividade atingiu um patamar que não foi superado mesmo com os esforços dos pesquisadores e cientistas. Essa é uma das razões pelas quais a descoberta do genoma da planta é tão importante.
Colômbia aprova plantio comercial de soja transgênica (26/08/2010)
Outros quatro eventos geneticamente modificados (GM) foram aprovados para alimentação animal.
O Instituto Colombiano Agropecuário (ICA), órgão responsável pela aprovação de organismos GM na Colômbia, aprovou em julho o plantio comercial de uma variedade de soja transgênica tolerante ao herbicida glifosato. O cultivo da nova soja será feito na região do Orinoco, leste do país.
Além dessa autorização, o ICA aprovou para consumo animal quatro eventos transgênicos de milho e um de soja. A Colômbia, adicionalmente, incluiu as áreas úmidas do Caribe entre aquelas em que o algodão GM pode ser plantado em seu território.
Em 2010 foram concedidas 13 autorizações para atividades com organismos geneticamente modificados na Colômbia.
Nova soja aprovada no Brasil é resistente a insetos e tolerante a herbicidas (25/08/2010)
Com essa nova liberação comercial, o Brasil tem aprovadas onze variedades de milho GM, seis de algodão e cinco de soja.
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou na última quinta-feira, 19 de agosto, o quinto evento de soja transgênica no Brasil. A variedade BtRR2Y combina, através de melhoramento genético convencional, a proteção contra insetos e a tolerância ao glifosato para o controle de plantas daninhas, dessa forma, oferece melhores oportunidades de produtividade ao agricultor.
Com essa nova liberação comercial, o Brasil tem aprovadas onze variedades de milho GM, seis de algodão e cinco de soja. Além disso, 10 vacinas e uma levedura também estão aprovadas.
De acordo com o Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações Biotecnológicas Agrícolas (ISAAA), foram plantados 134 milhões de hectares com culturas provenientes de biotecnologia em 2009. O Brasil é o segundo maior produtor de transgênicos do mundo, com 21,4 milhões de hectares plantados, apenas atrás dos Estados Unidos, que plantou 64 milhões de hectares com lavouras transgênicas em 2009.
Tanzânia vai plantar algodão GM para triplicar produção (20/08/2010)
Resultados de pesquisas em campo indicam aumento na produtividade
A Tanzânia vai começar a produzir algodão geneticamente modificado (GM) visando triplicar sua produção. Paralelamente, também vai oferecer crédito aos agricultores para atingir esse índice de produtividade. Segundo o oficial de legislação Marco Mtunga, o país está preparado. “A regulamentação dos transgênicos está para ser aprovada a qualquer momento”, afirma.
A expectativa é que a produção salte das atuais 90 mil para 260 mil toneladas por metro quadrado em 2014-2015. O algodão GM a ser adotado é o Bt, que produz uma proteína inseticida, naturalmente encontrada na bactéria do solo Bacillus Thuringiensis. Com o gene desta bactéria, a planta passa a ser resistente a insetos.
A Tanzânia é o quinto produtor de fibra de algodão da África, atrás do Egito, Nigéria, Burkina Faso e Benin, de acordo com estatísticas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO. Cerca de 500 mil fazendeiros cultivam a planta em aproximadamente 485 mil hectares no país.
Produção de Algodão do Quênia pode aumentar até seis vezes com variedade transgênica (19/08/2010)
O país será a terceira nação africana a adotar o algodão geneticamente modificado (GM), após África do Sul e Burkina Faso.
Autoridades do Quênia devem aprovar este mês (agosto de 2010) a lei que regulamenta a produção e comercialização de transgênicos no país. A previsão é que, com a variedade geneticamente modificada (GM) de algodão, a produção local aumente seis vezes até 2012. O país passaria de 50 mil para 300 mil fardos por ano, o que ajudará a resolver o déficit do produto.
A variedade GM em vias de aprovação é o algodão Bt, que produz uma proteína inseticida, naturalmente encontrada na bactéria do solo Bacillus Thuringiensis. Com o gene desta bactéria, a planta passa a ser resistente a insetos. Isso diminui o custo de produção, facilita o manejo, ajuda a preservar o meio ambiente e melhora a qualidade de vida dos agricultores.
De acordo com o diretor do Instituto de Pesquisa Agrícola do Quênia, Charles Waturu, as expectativas são positivas. “A menos que haja um bloqueio inesperado, estamos prontos para comercializar o algodão transgênico em larga escala”, afirma. O Quênia, desta maneira, vai se tornar o terceiro país africano a cultivar a planta GM, após a África do Sul e Brurkina Faso, e o primeiro do centro-leste do continente a adotar a tecnologia.
Europa aprova a importação de 6 variedades de milho transgênico (28/07/2010)
A decisão é um sinal de que a União Europeia quer tornar mais dinâmico o processo de tomada de decisão sobre transgênicos
A Comissão Europeia liberou a importação de seis variedades de milho geneticamente modificado (GM) nesta quarta-feira (dia 28). Os seis eventos autorizados podem ser utilizados em alimentos, ração animal e processamento, mas não podem ser cultivados no bloco europeu, segundo a comissão.
Os milhos receberam uma avaliação positiva da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla em inglês) e foram submetidos ao procedimento completo de autorização estabelecido pela legislação da UE. As autorizações são válidas por 10 anos. Entre os eventos liberados para importação estão variedades resistentes a insetos, tolerantes a herbicidas e outras com as duas características combinadas. EventoCaracterística 1507 x 59122 Resistência a insetos, tolerância a herbicida 59122 x 1507 x NK603 Tolerância a herbicidas MON88017 x MON810 Resistência a insetos, tolerância a herbicida MON89034 x NK603 Resistência a insetos, tolerância a herbicida Bt11 x GA21 Resistência a insetos, tolerância a herbicida Bt11 (renovação de aprovação) Resistência a insetos
É a primeira vez que o bloco aprova tantas variedades GM de uma só vez. A decisão é um sinal de que a União Europeia quer tornar mais dinâmico o processo de tomada de decisão sobre transgênicos.
Cientistas brasileiros descobrem gene de tomate que confere resistência a vírus (27/07/2010)
Por meio da biotecnologia, pesquisadores isolaram o gene Sw-5, um fator de resistência ao vírus do vira-cabeça encontrado em espécies de tomate silvestre.
Uma pesquisa realizada pela Embrapa Hortaliças em conjunto com a Universidade de Brasília (UnB) poderá, nos próximos anos, reduzir os impactos de uma das principais doenças do tomateiro, o vira-cabeça. De acordo com o pesquisador da Embrapa, Carlos Alberto Lopes, a patologia é causada por vírus e seu controle é complexo. “Por isso a melhor estratégia para resolver o problema está no melhoramento genético”, afirma Lopes.
Por meio da biotecnologia, pesquisadores isolaram o gene Sw-5, um fator de resistência ao vírus do vira-cabeça encontrado em espécies de tomate silvestre. Posteriormente, o gene foi introduzido em variedades comerciais brasileiras que confirmaram a resistência aos principais tipos de vírus.
O próximo passo no desenvolvimento do tomate resistente aos vírus tem a contribuição do pesquisador Érico de Campos Dianese. Ele descobriu uma “impressão digital” que mostra quando um tomateiro é resistente à doença. O novo marcador, derivado do próprio gene Sw-5, é ideal para diferenciar, sem margem de erro, plantas suscetíveis e resistentes.
Austrália aumenta produção de canola com variedade GM (28/07/2010)
Benefícios incluem redução no uso de pesticidas, combustíveis e melhora no sistema de produção
A adoção da variedade geneticamente modificada (GM) de canola tolerante a herbicida pela Austrália Ocidental (um estado da Austrália) fez com que a área plantada no país aumentasse mais de três vezes, afirma a Federação Australiana de Sementes Oleoginosas (AOF, na sigla em inglês).
Apesar de estar sendo cultivada na região há apenas um ano, o estado já representa mais de 50% da área plantada de canola do país. A previsão é de que aproximadamente 73 mil hectares de canola GM sejam plantados na Austrália Ocidental, do total de 133 mil hectares (que também incluem as produções GM em Victoria e Nova Gales do Sul).
De acordo com a AOF, as estimativas de junho apontam que a planta transgênica representa 8% de um total de 1,61 milhão de hectares plantados em todo o país. Os benefícios trazidos pela tecnologia incluem melhora no comércio de sementes e no sistema de produção, redução na utilização de combustíveis e no uso de herbicidas residuais.
Nova Zelândia desenvolve árvores que crescem mais rápido (22/07/2010)
Técnica pretende modificar outras funções como a utilização de carbono da atmosfera pela planta.
O Instituto de Pesquisas Florestais da Nova Zelândia aguarda aprovação para iniciar testes com árvores transgênicas. O projeto será avaliado pelo órgão competente local nos próximos meses. A iniciativa envolve cerca de 4 mil plantas GM, da espécie Pinus radiata, que devem apresentar maior densidade e estabilidade da madeira, maior biomassa, resistência a pragas e crescimento mais rápido.
Segundo o gerente de comunicação do instituto, Christl McMillan, as árvores transgênicas trarão benefícios ambientais. “O aumento na produtividade das florestas plantadas é uma alternativa para preservação de áreas verdes naturais”, afirma McMillan. A técnica pretende modificar funções específicas como a utilização de carbono da atmosfera pela planta.
Os combustíveis fósseis, como o petróleo, são a principal fonte de energia da Nova Zelândia (50%). Entretanto, se a área de plantações florestais, 7% do território neozelandês, aumentar para 14%, o petróleo usado para abastecer veículos poderia ser substituído por biocombustíveis.
O instituto estima que em 2035, se forem adotadas as variedades transgênicas, a Nova Zelândia poderá reduzir em 60% a sua dependência de importação de petróleo.
Colômbia autoriza pesquisas com batata geneticamente modificada (15/07/2010)
Essa autorização incentiva centros de pesquisa colombianos a continuar com suas atividades no intuito de contribuir para aumentar a produtividade do campo.
A Corporação de Investigações Científicas de Medelin, na Colômbia, recebeu autorização do governo para realizar estudos com a batata geneticamente modificada (GM). A pesquisa ajudará a desenvolver variedades que se adequem melhor às condições locais e que combatam as doenças que atingem as batatas do país.
A principal praga que atinge as batatas na América Latina é a larva de Tecia solanivora (a praga chamada polila guatemalteca). Por meio da engenharia genética se pretende criar variedades resistentes ao inseto. O processo consiste na inserção de um gene sintético da bactéria Bacillus thuringiensis que codifica uma proteína que é ativa contra esses insetos.
Para o pesquisador da Unidade de Biotecnologia Vegetal da Corporação para Investigações Biológicas, Diego Villanueva, o objetivo é reduzir em grande porcentagem a quantidade de herbicidas aplicados na plantação.
Essa autorização incentiva centros de pesquisa colombianos a continuar com suas atividades no intuito de contribuir para aumentar a produtividade do campo. As pesquisas vão ser realizadas sob as condições de biossegurança.
Consumidores escolhem alimentos transgênicos por características nutricionais (14/07/2010)
Outros aspectos considerados na escolha dos alimentos geneticamente modificados são os benefícios ao meio ambiente e à sustentabilidade.
Uma pesquisa do IFIC (Conselho Internacional de Informações sobre Alimentos sediado no Reino Unido), divulgada em junho de 2010, mostra que uma porcentagem significativa dos consumidores americanos está disposta a escolher alimentos produzidos por meio da biotecnologia. Segundo o trabalho, os critérios de escolha dos produtos são os benefícios ao meio ambiente, a sustentabilidade nas práticas de agricultura e as características nutricionais.
O trabalho foi desenvolvido de 5 a 26 de abril, nos Estados Unidos, com 750 pessoas com diferentes níveis de ensino formal. Levantamentos com esse são realizados desde 1997 e esta é a 14ª edição.
A maioria dos entrevistados (76%) respondeu que consumiria produtos derivados da biotecnologia que “produzissem gorduras mais saudáveis, como ômega-3”. Alimentos que evitam gorduras trans também têm grande aceitação (74%), assim como produtos com sabor e frescor melhorados (67%).
Ainda de acordo com a pesquisa, a maioria dos consumidores não acha que a biotecnologia deve ser evitada.
Projeto de Arroz transgênico espera produtividade 50% maior (13/07/2010)
Pesquisadores nas Filipinas desenvolvem arroz transgênico com apoio de consórcio internacional.
O trabalho da Universidade de Sheffield, nas Filipinas, pretende aumentar em 50% a produtividade do arroz por meio da biotecnologia. A ideia é que o arroz geneticamente modificado utilize a fotossíntese, processo em que as plantas convertem dióxido de carbono em carboidratos necessários ao crescimento da planta, de forma mais eficiente.
A fotossíntese do arroz é chamada de C3, mas algumas plantas, como o milho e o sorgo, utilizam a fotossíntese C4. As culturas que convertem o dióxido de carbono pelo processo C4 são mais eficientes devido à enzima RuBisCo, crucial para o processo. Se os cientistas conseguirem criar o arroz faz a fotossíntese via C4, a cultura poderá produzir 50% mais grãos com menor utilização de água e fertilizantes.
“Como as plantas C4 crescem melhor em climas quentes, o novo arroz pode ser importante para a economia de países em desenvolvimento das zonas tropicais.”, afirma Richard Leegood, líder da equipe internacional de cientistas envolvidos no trabalho. O projeto tem previsão de longo prazo, não inferior a 20 anos.
Novo trigo pode ajudar a combater a diabetes (12/07/2010)
Pesquisas recentes apontam benefícios para consumidores, agricultores e toda a cadeia produtiva.
O trigo e seus derivados têm muitos nutrientes que são benéficos à saúde. Entretanto, a quantidade de componentes nutricionais encontrada no trigo pode ser diferente de uma variedade para outra, com algumas oferecendo quatro vezes mais nutrientes. A conclusão é parte do estudo desenvolvido pela HEALTHGRAIN, associação vinculada a União Europeia, que sugere que a biotecnologia deveria investir na adaptação e na produção de novas variedades de trigo que ofereçam benefícios ainda maiores.
Os cientistas envolvidos relatam a descoberta de marcadores para fibras dietéticas, tocoferóis (vitamina E) e esteróis que podem ser usados nos programas de melhoramento do trigo. O objetivo é estimular a produção de alimentos a base de trigo que contenham altos índices desses nutrientes, com potencial para prevenir diferentes tipos de doenças, como 2 tipos de diabetes.
O projeto envolve 40 organizações de 15 países europeus, a exemplo de Bélgica, Alemanha, Hungria, e Polônia. A coordenação está a cargo do Centro de Pesquisas Técnicas da Finlândia. A previsão é que o trabalho seja concluído ainda em 2010.
Berinjela GM começa a ser comercializada nas Filipinas (08/07/2010)
Em 2011, o arquipélago será o primeiro país asiático a produzir essa variedade transgênica
As Filipinas vão começar a comercializar berinjela transgênica em 2011. Como é resistente à praga da broca, a planta geneticamente modificada (GM) pode reduzir substancialmente o uso de pesticidas, assim, diminuindo os custos para o produtores e consumidores.
A performance da variedade GM superou as expectativas dos pesquisadores do Instituto de Biotecnologia da Universidade das Filipinas em Los Baños. A variedade GM combate a praga da broca que, no país, leva a perdas de 50% ou mais de toda a produção. O rendimento médio da lavoura de berinjela no país é 9,95 toneladas por hectare.
As sementes serão comercializadas após aprovação do Comitê de Biossegurança local. A berinjela GM é o primeiro vegetal desta natureza a ser liberado no país.
Americanos desenvolvem tomate com maior durabilidade (07/07/2010)
Tecnologia que estendeu em aproximadamente oito dias a “vida útil” dos tomates pode ser usada em outras frutas.
Pesquisadores da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, encontraram a fonte da juventude para tomates e, provavelmente, para outras frutas. A adição de um gene de levedura aumenta a produção do componente que desacelera o envelhecimento e retarda a deterioração por microrganismos nos tomates. Por meio da biotecnologia, o aumento da vida de prateleira do tomate pode chegar a aproximadamente uma semana.
Um dos maiores problemas das culturas é a baixa durabilidade pós-colheita, principalmente em locais com deficiência no sistema de distribuição de alimentos. A utilização desta tecnologia poderá facilitar a distribuição e comercialização de alimentos, diminuindo perdas e desperdícios.
Segundo o pesquisador Avtar Handa, o conhecimento básico para aumentar a vida útil do tomate pode ser aplicado em outras frutas. Tomates totalmente maduros demoraram cerca de oito dias a mais para dar sinais de envelhecimento em comparação com as plantas não-transgênicas. Sinais do tempo relacionados a fungos demoraram três dias a mais.
Cientistas pesquisam como deixar flores frescas por mais tempo (06/07/2010)
O objetivo é identificar os genes envolvidos no envelhecimento das plantas e tentar “desligá-los”
Algumas flores resistem melhor do que outras ao processo de envelhecimento, que nas plantas se chama senescência. No futuro, graças à biotecnologia, o tempo que as flores vão permanecer frescas poderá ser aumentado. Para isso, o fisiologista botânico Cai-Zhong Jiang e colegas do Serviço de Pesquisas Agrícolas do Departamento de Agricultura dos EUA (ARS) estão estudando o mecanismo genético que controla o envelhecimento das plantas.
Para descobrir o gene responsável por esse processo, os cientistas vão expor as plantas ao vírus TRV (Tobravirus) com genes de interesse dela própria nele inseridos. Nesta técnica, as plantas que são expostas ao vírus geneticamente modificado acionam um mecanismo de defesa para o "desligamento" do vírus. Como o vírus vai conter genes da própria planta, ela vai estar automaticamente desligando também algumas de suas funções. Isso pode levar, eventualmente, a descoberta do gene que provoca a senescência.
Para provar este conceito, Jiang e o professor Michael S. Raid da Universidade da California-Davis conduziram experimentos usando uma petúnia roxa exposta ao vírus com um gene que confere cor. Isto resultou em flores com manchas brancas que podem ser evidências de que os genes de coloração no vírus foram desligados.
Trevo pode reduzir emissão de gás metano (02/07/2010)
Cientistas da Nova Zelândia procuram há anos plantas que reduzam a emissão de gás metano pela pecuária. Cerca de metade dos gases de efeito estufa da Nova Zelândia são produzidos pela agricultura e pecuária. Entretanto, parece que surgiu uma forma economicamente viável de diminuir a emissão.
A solução para essa questão pode estar na produção de um trevo geneticamente modificado. A nova variedade de trevo branco possui grande quantidade de compostos químicos chamados taninos condensados que podem proteger as proteínas durante a digestão do gado.
Segundo o cientista Michael Tavendale, pesquisas anteriores já mostraram que algumas espécies de pastagens podem reduzir as emissões de gases em até 16%. “Essas espécies contendo taninos condensados devem se tornar cada vez mais importantes para uma agricultura e pecuária sustentável”, afirma Tavendale.
Pesquisadores neozelandeses afirmam que podem produzir um cultivar aprimorado de trevo branco que daria a bovinos e caprinos proteína extra e ao mesmo tempo diminuir desperdício de nitrogênio. O trevo, além disso, melhoraria a saúde dos animais.
Reino Unido dá sinal verde a pesquisas com batata GM (30/06/2010)
O trabalho deve ser conduzido de forma puramente acadêmica, sem agenda comercial, e os testes com a cultura serão realizados até 2012.
O Departamento Britânico de Meio-Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (DEFRA) finalmente deu sinal verde para as pesquisas com a batata transgênica no país. Os cultivos serão feitos pela Universidade de Leeds que avaliará a resistência dessa nova planta à infecção de nematóides, no caso, o cisto da batata.
Estes organismos são uma grande ameaça para os agricultores europeus de batata, uma vez que naquele continente está proibido o uso dos principais defensivos agrícolas que podem evitar tais ataques. Se os resultados das pesquisas com a batata GM feitas no Reino Unido tiverem êxito, as pragas poderão ser eliminadas sem o uso de herbicidas.
O cientista da Universidade de Leeds, Peter Urwin, entretanto, salientou que a experiência é puramente acadêmica e que não há agenda comercial por traz dela. “A equipe pretende manter o trabalho em regime de confidencialidade até o fim, para impedir que vândalos destruam os ensaios de campo como já aconteceu antes”, afirmou Urwin.
A solicitação da Universidade de Leeds foi aprovada depois de ser avaliada por um grupo de especialistas independentes da Comissão Consultiva de Liberações ao Meio Ambiente, que concluiu que a proposta não representava qualquer possibilidade de efeito adverso à saúde humana e ao meio ambiente.
Junho de 2010
Segunda geração de milho transgênico chega ao mercado brasileiro (17/06/2010)
A nova variedade foi liberada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para cultivo comercial em outubro de 2009
Quatro anos depois de ser lançada nos EUA, a segunda geração de milho transgênico chega ao Brasil. A nova tecnologia combina duas proteínas e é resistente aos três tipos mais comuns de lagartas que atacam as lavouras de milho – do cartucho, da espiga e a broca-do-colmo.
Pelos testes realizados, o índice de aplicação de inseticidas contra as lagartas tende a zero para a nova tecnologia. Na primeira geração, 80% dos produtores declararam não terem feito nenhuma aplicação, enquanto os 20% restantes fizeram apenas uma. Para as variedades convencionais, as aplicações para lagartas variavam entre duas e oito.
A nova variedade vai estar disponível para a safra de verão. Incluindo todas as variedades geneticamente modificadas - de primeira e de segunda geração - a estimativa é de uma participação de 65% de toda a área plantada no país.
A variedade GM é resistente à peste que ataca as frutas em Uganda, Burundi, República Democrática do Congo, Quênia, Ruanda e Tanzânia.
Em Uganda, na África, fora os cereais, a banana é a cultura mais importante. Cerca de 70% da população local tem a banana como alimento básico. Contudo, em 2001 a indústria perdeu mais de U$200 milhões devido à doença chamada murcha da banana Xanthomonas (BMX, na sigla em inglês).
Buscando resolver esse problema de implicações sociais e econômicas, cientistas de Uganda desenvolveram bananas geneticamente modificadas (GM) que demonstram uma promissora resistência contra a doença Xanthomonas.
A mudança consiste na transferência de dois genes da pimenta doce (Capsicum annuum) para a fruta. O próximo passo no desenvolvimento dessa tecnologia são os testes de campo. Em Uganda, o projeto que aprova o plantio da banana GM está no parlamento.
Cientistas desenvolvem tabaco que produz colágeno (11/06/2010)
O colágeno é a proteína mais abundante no corpo humano e a mais importante em todos os tecidos conectivos.
Cientistas israelenses da Universidade de Jerusalém produziram a réplica do colágeno humano por meio de plantas de tabaco geneticamente modificadas. A importância da pesquisa está ligada ao fato do colágeno ter aplicações médicas como implantes e outros procedimentos da medicina regenerativa.
O colágeno humano foi obtido por meio da expressão de cinco genes diferentes na planta do tabaco. O trabalho foi patenteado e a primeira produção comercial já atraiu o interesse do Japão, dos Estados Unidos, da Europa e de Israel.
O produto atualmente utilizado é feito a partir de animais como bois e porcos, além de cadáveres humanos, o que tem levantado questões éticas sobre o tema. Além disso, a fonte animal pode ser perigosa pela possibilidade de conter vírus que podem ser perigosos para as pessoas, o que não acontece com o novo produto. O mercado atual de colágeno no mundo é de cerca de U$ 30 bilhões por ano.
Brasil desenvolve cana GM com maior teor de açúcar (09/06/2010)
A fim de competir com os combustíveis fósseis no mercado mundial, o governo brasileiro pretende estimular ainda mais a agricultura da cana nos próximos anos
O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), em colaboração com a iniciativa privada, está desenvolvendo variedades de cana-de-açúcar com maior teor de açúcar. Estudos preliminares indicam que a nova técnica pode aumentar a produtividade entre 30% e 40%. Os resultados dessa cooperação devem estar prontos para a etapa regulatória em 2015.
Com a intenção de competir com os combustíveis fósseis no mercado mundial, o governo brasileiro pretende estimular ainda mais a agricultura da cana nos próximos anos e tornar a produção de bioetanol mais eficiente. O objetivo é produzir bioetanol e derivados como bioetileno e biopropileno, aumentando ainda mais a produção de etanol de fontes renováveis.
O diretor executivo do CTC, Nelson Boeta, afirma que a cana é a planta a partir da qual pode ser retirada a maior quantidade de biocombustível. “É o vegetal mais competitivo no que diz respeito à capacidade de gerar energia renovável”, afima Boeta. Em virtude dessa característica, assim que for comprovado que a produção de bioetileno por meio da cana-de-açúcar é mais efetiva do que pelo processo petroquímico, o CTC estima que as empresas vão começar a produção comercial no Brasil numa escala de 500.000 toneladas por ano.
Atualmente, os combustíveis disponíveis no País têm entre 25% e 30% de bioetanol em sua composição. As pesquisas estão sendo desenvolvidas principalmente no Brasil, onde é produzida 40% da cana-de-açúcar do mundo.
Nos últimos 20 anos, o número de aplicações comerciais da biotecnologia cresceu muito em diversos setores industriais. Mas é na agricultura que se apresenta um dos maiores avanços da aplicação da tecnologia: a produção de alimentos GM ou transgênicos.
No texto “Irresponsabilidade Cientifica”, de Lúcia de Souza, a bióloga e membro da Public Research and Regulation Initiative (PRRI) discute os riscos da divulgação de informações baseadas em trabalhos científicos não publicados em periódicos acadêmicos.
Nesse meio, é comum a submissão do trabalho científico ao escrutínio de especialistas qualificados antes da publicação em periódicos catalogados. Para Lúcia, infelizmente, alguns relatórios são amplamente divulgados de forma prematura, antes da revisão apropriada, e causam medo e desconfiança inadvertidamente.
Irresponsabilidade científica
Por Lúcia de Souza
Nos últimos 20 anos, o número de aplicações comerciais da biotecnologia cresceu muito em diversos setores industriais. Mas é na agricultura que se apresenta um dos maiores avanços da aplicação da tecnologia: a produção de alimentos GM ou transgênicos.
A transformação genética de plantas é uma ferramenta que permite o aumento da
produtividade dos cultivos e a melhoria da qualidade nutricional dos alimentos. Por isso, a biotecnologia foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) como ferramenta estratégica para suprir a demanda mundial por alimentos.
De acordo com estimativas da entidade, até 2050 a população mundial chegará a 9 bilhões.
Será necessário, portanto, aumentar a produção de alimentos em 70%, o que só será possível com a contribuição das seguras e modernas técnicas da biotecnologia.
Ainda que tais benefícios sejam reconhecidos, a produção de alimentos é um tema complexo, cheio de mitos e crescentes desafios. É compreensível que haja preocupação com possíveis impactos que a engenharia genética na agricultura possa causar. Na história da introdução dessa e de outras tecnologias, o debate é polarizado e confuso, e nem sempre a qualidade da informação é o que prevalece.
No meio acadêmico, é comum o “peer review”, ou seja, a submissão do trabalho científico ao escrutínio de especialistas qualificados que contribuem para a qualidade antes da publicação em periódicos catalogados. Infelizmente, muitas vezes, alguns relatórios são amplamente divulgados de forma prematura, antes da revisão apropriada, e causam medo e desconfiança inadvertidamente.
Um dos casos mais evidentes e conhecidos é o do estudo desenvolvido pela pesquisadora russa Irina Ermakova, que continua a ser utilizado como fonte por algumas entidades contrárias a transgênicos e, sobretudo, ideologicamente opostas a multinacionais. Seus experimentos – cujos dados parciais e preliminares foram apresentados durante um congresso científico, em 2005 – foram revelados posteriormente sem padrões atuais de qualidade e com tratamento impróprio das cobaias.
Em outro caso, um relatório austríaco sobre o efeito de alimentação prolongada de ratos com uma variedade de milho GM foi prematuramente divulgado. De acordo com o estudo preliminar, não teria havido diferenças significativas na taxa de sobrevivência e nem na reprodutividade nas duas primeiras gerações das cobaias, porém nas terceira e quarta gerações teriam nascido menos ratos no grupo alimentado com esse milho transgênico.
Especialistas e outras autoridades, como a European Food Safety Authority (EFSA), a Food Standards Australia New Zealand (FSANZ) e o The Advisory Committee on Novel Foods and Processes (ACNFP) revisaram o estudo, que continha erros de cálculo e outras falhas. Aqualidade do trabalho foi comprometida, motivo pelo qual a Áustria discretamente retirou apesquisa como prova de risco do milho transgênico em questão.
Esses e outros estudos nos quais, mesmo após revisão, foram constatados resultados
insignificantes, pouquíssimo prováveis ou até incorretos, continuam a ser divulgados de maneira sensacionalista – ainda que a vasta maioria de estudos para acessar a qualidade e a segurança de alimentos apontem o contrário e que entidades profissionais científicas reconheçam a segurança dos produtos comercializados, a exemplo da FAO, Organização Mundial da Saúde (OMS) e academias de ciências, entre elas, Sociedade Real de Londres, Brasil, Estados Unidos, União Europeia e Vaticano.
Não há motivos racionais que justifiquem a obstrução da biotecnologia moderna na agricultura, claramente uma evolução da tecnologia, e é fundamental que, sobretudo, tenhamos responsabilidade na divulgação da produção científica, para que sigamos ampliando os conhecimentos e suas aplicações no sentido de aumentar a segurança alimentar, expandir a produção de alimentos, além de evitar o aumento do uso de água e desmatamento.
Lúcia de Souza é bióloga, doutora em bioquímica e membro da Public Research and Regulation
Initiative (PRRI).
Bactéria com genoma sintético pode ajudar meio ambiente (01/06/2010)
Pesquisadores construíram quimicamente as sequências das bases nitrogenadas do DNA, peça por peça, até conseguirem uma cópia perfeita do genoma da bactéria.
Um grupo de cientistas dos Estados Unidos conseguiu criar células controladas por genomas sintéticos. O feito foi realizado por uma equipe de cientistas de um instituto criado pelo empresário-biólogo americano Craig Venter, um dos pioneiros em pesquisas genômicas. Segundo seus autores, o processo poderá levar à produção de micro-organismos especialmente criados para desempenhar funções específicas, como secretar biocombustíveis, retirar poluentes da atmosfera ou produzir vacinas.
O genoma é o conjunto de genes de um organismo vivo. Os genes, feitos de DNA (ácido desoxirribonucleico), são a unidade básica da hereditariedade, sendo responsáveis por definir as características básicas de cada ser vivo. No experimento, os cientistas pegaram células de uma espécie de bactéria já existente (Mycoplasma micoides) e tiraram do interior delas o material genético que tinham. Posteriormente, elas foram usadas como recipiente para um outro genoma, sequenciado artificialmente. Apenas o genoma da célula é inteiramente sintético.
Após construírem as bases nitrogenadas do DNA, os cientistas a inseriram na célula, que se comportou como uma célula normal da bactéria original, criando proteínas iguais a da M. micoides normal. Entre as várias utilidades da técnica, o cientista-empresário espera usar a tecnologia para projetar novas bactérias que poderiam desempenhar funções úteis. Uma das metas é criar bactérias que absorvam dióxido de carbono e, dessa forma, ajudem o meio ambiente.
Milho biofortificado é alternativa para combater desnutrição (28/05/2010)
Os consumidores não vão sentir nenhuma diferença de sabor entre o milho convencional e o milho biofortificado.
No entanto, a nova variedade possui um gene que melhora a produção dos aminoácidos necessários para a síntese de proteínas nos seres humanos. O milho biofortificado com alta qualidade protéica foi criado pelo Centro Internacional de Melhoria do Milho e do Trigo, CIMMYT, para fornecer alimentos mais nutritivos para a população. O CYMMYT é uma instituição financiada pelo governo do México e pela Fundação Rockefeller.
O técnico de estatística Nilupa Gunaratna, da Fundação Internacional de Nutrição, liderou uma equipe multidisciplinar de quatro profissionais na análise do impacto do novo milho em crianças desnutridas. A conclusão do trabalho mostrou que, no caso de crianças que consumem milho como o principal alimento, aquelas que se alimentaram com o grão biofortificado tiveram taxas de crescimento mais altas com relação à altura (9%) e peso (12%).
O milho é a terceira cultura mais cultivada no mundo. Na África, é um alimento básico para mais de 300 milhões de pessoas. No Brasil, foi colhida na safra 2008/2009 uma área de 14,17 milhões de hectares, o que coloca o país como terceiro no ranking mundial de área colhida. No ano de 2009, o Brasil produziu 51 milhões de toneladas de milho
Livro sobre animais transgênicos é referência no Brasil (19/05/2010)
Os interessados em biotecnologia e ciências biológicas podem contar com bibliografia nacional de qualidade. A obra “Animais Transgênicos”, organizada por Tiago Collares, pesquisador do Centro de Biotecnologia da Universidade Federal de Pelotas, apresenta, de forma atualizada, os princípios e métodos envolvidos nos processos de transgenia animal.
Participam do projeto colaboradores de respeitável atividade científica nas áreas de transgenia animal, biologia molecular, bioinformática, fisiologia, genética, biotécnicas reprodutivas, biossegurança e bioética. Foram descritas no livro experiências desenvolvidas em importantes laboratórios do Brasil e do mundo, a exemplo de trabalhos realizados no Laboratório de Engenharia Genética Animal do Centro de Biotecnologia da Universidade Federal de Pelotas (LEGA).
Fausto Foresti, membro do Conselho Executivo da Sociedade Brasileira de Genética, confirma a relevância da obra. “A biotecnologia mostrou-se essencial em algumas frentes de pesquisas, principalmente aquelas envolvendo biomedicina, farmacologia e toxicologia, além de zootecnia e agronegócio”.
Fonte: Universidade Federal de Pelotas – UFPel
O livro pode ser adquirido pelo e-mail da Suprema Gráfica e Editora (suprema@supremagrafica.com.br) ou pelo telefone (16) 3368-3329.
Óleo de soja mais saudável deve ser lançado em 2012 (14/05/2010)
O produto, após passar por testes de campo nos Estados Unidos e no Canadá em 2011, deve estar disponível para os consumidores desses países em 2012.
O óleo de soja com teor mais alto de ácido oléico, tipo de ácido graxo mais saudável para o organismo, foi desenvolvido nos Estados Unidos a partir de uma variedade transgênica da soja.
Esse novo tipo de óleo contém mais de 75% de ácido oléico, o mais alto teor encontrado atualmente em produtos de soja. É mais saudável por eliminar a necessidade de hidrogenação, que leva à produção de gordura trans – tipo de ácido graxo prejudicial à saúde. Além disso, esses produtos, provenientes de culturas geneticamente modificadas, apresentam redução de 20% de gorduras saturadas se comparados com o óleo de soja tradicional.
A nutricionista e presidente da Nutrition Edge, Mary Lee Chin, afirma que esse é um importante passo a caminho da produção de alimentos mais nutritivos e saudáveis. “A biotecnologia é uma das ferramentas que podem ser usadas pelas indústrias de alimentos para atenderem às demandas dos consumidores por alimentos melhores”, declarou Chin. A Nutrition Edge é uma organização norte-americana que presta consultoria na área de alimentos.
Europeus acreditam que agricultores devem apostar na biotecnologia (12/05/2010)
Uma edição especial do Eurobarômetro – a respeito da percepção dos europeus sobre agricultura – revela que 77% dos entrevistados acham que produtores deveriam fazer uso da biotecnologia para combater o avanço das mudanças climáticas.
Segundo o relatório, divulgado em abril, a maioria dos europeus (90%) acredita que a agricultura é uma das principais questões na discussão do futuro do planeta. Além do aspecto sustentável, há também o lado econômico. Aproximadamente três quartos dos europeus acreditam que o advento da biotecnologia no campo faria com que os produtores locais fossem mais competitivos.
Desde 1973, o Eurobarômetro registra, por meio de uma série de pesquisas feitas regularmente por solicitação da Comissão Europeia, a opinião pública nos 27 países membros. O relatório de março de 2010 entrevistou 26.761 pessoas entre os meses de novembro e dezembro de 2009. Os resultados são publicados pela Unidade de Pesquisa e Análises Políticas da Diretoria Geral de Comunicação da Comissão Europeia.
Entre as pessoas consultadas, 82% acreditam que a União Europeia precisa ajudar os agricultores a mudar seu método de trabalho e, assim, poder encarar os desafios da agricultura do futuro. Já 77% crê que a agricultura sofrerá muito nos próximos anos e que os produtores precisarão adotar outras formas de cultivo.
Assim, segundo o Eurobarômetro, as prioridades europeias seriam: qualidade dos produtos agrícolas (59%), preços razoáveis (49%), proteção ao meio ambiente (41%) e garantia do padrão de vida dos agricultores (41%).
A técnica pioneira vai poder ser usada em outras espécies de interesse comercial e sua patente já foi solicitada.
Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa, desenvolveram uma técnica que permite a modificação genética de partes específicas do café (folha e raízes), sem que o grão sofra nenhuma modificação. A técnica permite a produção de plantas mais resistentes a doenças e condições ambientais difíceis, sem mudanças nas características essenciais do fruto, como o sabor, o aroma e a qualidade do grão.
As pesquisas foram desenvolvidas pelo Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, formado pela Embrapa e por instituições como a Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho”, Unesp, e o Instituto Agronômico (IAC).
Os cientistas isolaram os genes que agem nas folhas (Promotor CalsoR) e nas raízes (Promotor Caperox). A manipulação desses genes permite o desenvolvimento de plantas geneticamente modificadas de forma segura e eficiente.
Segundo a Embrapa, os genes modificados só atuam quando a planta sofre um ataque biótico, que pode ser um fungo nas folhas ou uma doença nas raízes.
Touro Nelore é o 1º a ter genoma sequenciado (05/05/2010)
Um programa de colaboração entre cientistas brasileiros e canadenses pesquisa genes que podem gerar rebanho mais dócil e carne com maior maciez.
O primeiro zebuíno nelore do mundo a ter o genoma sequenciado foi o touro 7308 PO Perdizes, da Fazenda Perdizes, de Campo Grande (MS). Dentre todos os touros participantes do projeto, o animal destacou-se pela sua superioridade genética. O sequenciamento foi realizado pela Genoa Biotecnologia e pela Universidade de Alberta, no Canadá. A pesquisa identificou marcadores moleculares de cinco características: área de lombo, precocidade sexual, acabamento de carcaça, ganho de peso e docilidade.
O projeto escolheu a raça nelore por representar 80% do rebanho bovino brasileiro e pelos seus reflexos na economia do país. Milhares de animais foram pesquisados e 3 mil foram validados. Os resultados da pesquisa, utilizados na seleção genética, vão proporcionar um rebanho precoce, mais dócil e uma carne com maior maciez, propiciando ganhos de produtividade para o setor.
O Touro escolhido para o mapeamento genético tem precocidade sexual e estrutura forte de ossatura. Com apenas 18 meses conquistou medalha de ouro entre os 376 animais avaliados na 4ª Prova de Ganho Peso a Pasto da seleção Perdizes - Nelore Quilombo. Em 2009, teve 70 filhos avaliados pelo Programa de Melhoramento Genético da Raça Nelore (PMGRN) e é destaque nas avaliações.
Benefícios a produtores de transgênicos chegam a US$ 52 bilhões no mundo (04/05/2010)
Agrobiotecnologia garantiu a produção de 154 milhões de toneladas a mais de milho e soja no período de 1996 a 2008, segundo a consultoria britânica PG Economics
Dois novos estudos divulgados pela consultoria PG Economics, do Reino Unido, indicam que a adoção de lavouras geneticamente modificadas desde 1996 vem contribuindo para a redução na emissão de poluentes pela agricultura e impulsionado os ganhos econômicos de produtores em todo o mundo. Entre 1996 - primeiro ano de plantio de culturas transgênicas - e 2008, esses ganhos alcançaram US$ 52 bilhões, metade em ganho de rendimentos e metade em redução de custos de produção.
"A biotecnologia agrícola também propiciou ganho de produtividade e o aumento na produção mundial das principais culturas, como milho e soja", destacou o diretor da PG Economics, Graham Brookes. De acordo com os estudos, nos últimos treze anos a adoção de culturas transgênicas garantiu uma produção adicional de 74 milhões de toneladas de soja e 80 milhões de toneladas de milho.
Do ponto de vista dos benefícios ambientais, graças adoção de culturas transgênicas 352 mil toneladas de defensivos agrícolas deixaram de ser utilizados no mundo de 1996 a 2008, reduzindo o impacto destes compostos no meio ambiente. Só em 2008, a redução de emissão de gases de efeito estufa resultante da redução de aplicação de agroquímicos nas lavouras geneticamente modificadas equivaleu a remover da atmosfera 15,6 milhões de toneladas de CO2 - poluição similar emitida por 7 milhões de automóveis em um ano.
"A combinação de ganhos econômicos aos produtores com benefícios ambientais dá uma contribuição extremamente valorosa para a sustentabilidade da agricultura mundial e também acessibilidade de alimentos", observou Brookes.
Nos EUA, soja GM responde por quase metade dos ganhos
Nos Estados Unidos, maiores produtores mundiais de transgênicos, 43% dos ganhos (ou US$ 10 bilhões) são decorrentes do ganho de produtividade, enquanto 57% (ou US$ 13 bilhões) derivam da redução dos custos de produção nos últimos treze anos. A soja tolerante a herbicidas respondeu por quase metade (47%) dos benefícios dos produtores norte-americanos nesse período, gerando ganhos de US$ 11 bilhões, seguida pelo milho (US$ 7 bilhões).
Segundo o economista especializado em agronegócio, em 2008 havia 13,3 milhões de agricultores cultivando algum tipo de lavoura transgênica - número que aumenta conforme novas variedades ficam disponíveis aos produtores em seus países. O Brasil alcançou, em 2009, a segunda colocação entre os maiores produtores de transgênicos no mundo.
Estudo brasileiro também apontou benefícios
Os estudos da PG Economics ratificam algumas tendências observadas pela terceira edição do estudo da consultoria Céleres para a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) divulgado no início de abril sobre os impactos da adoção de culturas transgênicas no Brasil. De acordo com a Céleres, o uso da agrobiotecnologia garantiu US$ 3,6 bilhões agricultura brasileira entre 1998 e 2009, além de também ter observado benefícios ambientais, como redução no uso de defensivos agrícolas e no uso de água no manejo das lavouras.
Confira as principais novidades sobre biotecnologia.
Culturas GM são ecologicamente mais corretas que as orgânicas. (04/05/2010)
Essa é a opinião do pesquisador Gordon Conway, ex-presidente da Royal Geographical Society, na Inglaterra, para quem o mundo está passando por uma nova revolução verde.
Mas, segundo ele, dessa revolução os alimentos orgânicos não querem participar. No entender do especialista em ecologia agrícola, a biotecnologia está criando culturas que utilizam melhor os recursos naturais e, assim, preservam o meio ambiente da expansão das fronteiras agrícolas.
Conway enfatiza que estudos científicos internacionais têm demonstrado há anos que as culturas geneticamente modificadas são economicamente viáveis e nunca fizeram mal à espécie humana, animal ou vegetal. “Desde que a engenharia genética foi introduzida na agricultura, não há relatos de incidentes envolvendo danos ao homem ou a qualquer outra forma de vida”, afirma.
Na comparação com os orgânicos, segundo o Centro de Pesquisa Elm Farm, na Inglaterra, plantações orgânicas de feijão e trigo, por exemplo, têm produtividades entre 50% e 80% mais baixas que culturas convencionais. Já aquelas provenientes de biotecnologia geralmente contam com produtividade maiores: 36% a mais para o milho e 12% a mais para soja.
Além da desvantagem na produtividade, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, constatou o que muitos pesquisadores no mundo já afirmam há anos. Ou seja, que os alimentos orgânicos não são mais saudáveis do que produtos provenientes de outras tecnologias, a exemplo dos transgênicos. Além disso, Conway enfatiza os aspectos de sustentabilidade das culturas geneticamente modificadas, comparando-as com os produtos orgânicos. “Se quisermos mais alimentos orgânicos teremos que desmatar mais florestas e gastar mais água para irrigação, enquanto com a biotecnologia temos a economia desses recursos naturais”, argumenta o pesquisador.
Há ainda a vantagem dos transgênicos sob o ponto de vista econômico, já que os alimentos orgânicos que sabidamente são muito mais caros.
Brasil pode economizar R$ 100 milhões por ano com bactéria GM (03/05/2010)
Pesquisa genética identifica genes que podem reduzir a necessidade do uso de fertilizantes em culturas como a cana de açúcar.
O sequenciamento genético da bactéria Gluconacetobacter diazotrophicus promete vantagens para a economia e para o meio ambiente. Essa bactéria é capaz de captar o nitrogênio do ar e transferi-lo para plantas como a cana-de-açúcar. Com o conhecimento de seu código genético, é possível aumentar o desempenho de funções úteis na agricultura.
Segundo estatísticas da Embrapa, o uso dessa bactéria pode significar uma redução entre 20% e 40% do nitrogênio necessário para a cultura da cana. A estimativa é que, se dos atuais 8 milhões de hectares plantados, 50% adotarem a nova tecnologia, haverá uma economia aproximada de 120 mil toneladas de fertilizante nitrogenado por ano. Isso equivaleria a uma redução de 108 milhões ou aproximadamente 60 milhões de dólares por ano.
“Quando essa bactéria GM for incluída na planta, a tendência é aumentar o sistema de raízes e com isso a absorção de nutrientes presentes no solo”, afirma o coordenador da pesquisa na Embrapa Agrobiologia, Ivo Baldani. O melhor aproveitamento dos recursos do solo aumenta a produtividade e diminui a necessidade de expandir fronteiras agrícolas, o que preserva o meio ambiente.
O pesquisador Ivo Baldani ressalta que não se trata da introdução de um organismo estranho nas plantas. A Gluconacetobacter diazotrophicus, mesmo antes de seu mapeamento genético, já era encontrada nos tecidos internos das plantas. “Essa é considerada uma bactéria do bem, uma vez que não apresenta nenhum risco a vegetais, animais ou ao homem”, relata Baldani. “O que vamos fazer é superexpressar genes que atuem em funções benéficas para a agricultura”, completa.
As perspectivas de trabalho nesse campo da biotecnologia são enormes. Segundo o pesquisador, no futuro, por exemplo, será possível migrar essa tecnologia para outras culturas. “Acredito que esse conhecimento pode ser transferido para outras plantas, a exemplo do milho - que demanda muito nitrogênio -, além do arroz e do sorgo”, diz Baldani.
A Gluconacetobacter diazotrophicus foi isolada pela primeira vez por pesquisadores da Embrapa Agrobiologia 1988.
Fonte: Redação CIB - 03 de Maio de 2010
Japão aprova mamão papaia GM (30/04/2010)
Depois dos Estados Unidos, onde o mamão papaia geneticamente modificado já está nas prateleiras, o Japão também aprovou essa variedade da fruta.
O projeto foi desenvolvido no Departamento de Pesquisa em Agricultura do Pacífico em Hilo, no Havaí, e liderado pelo diretor do Dennis Gonsalves.
Gonsalves nasceu no arquipélago e acompanhou, desde os anos 1940, a infestação das árvores de mamão pelo vírus da mancha anelar (PRSV, na sigla em inglês). “Esse vírus praticamente eliminou a produção na ilha de Oahu em 1950 e no começo dos anos 1960 tivemos que recomeçar em outra ilha”, explica o pesquisador. Graças ao isolamento geográfico, a nova cultura pode se estabelecer. Entretanto, os cientistas sabiam que em algum momento o vírus chegaria ao novo local das plantações, a apenas 30 quilômetros de Oahu.
Em virtude dessa ameaça, a equipe de Gonsalves começou nos anos 1980 a pesquisar e desenvolver uma variedade de mamão papaia que não fosse afetada pelo vírus. Por meio da biotecnologia, um gene do patógeno foi introduzido na planta para criar uma árvore resistente. “O projeto foi bem sucedido e agora a agricultura havaiana superou um novo desafio: a aprovação comercial de uma cultura geneticamente modificada no Japão”, afirma Dennis Gonsalves.
A fruta é o segundo maior cultivo no arquipélago, que exporta sua produção para a parte continental dos Estados Unidos e agora para o Japão. Os japoneses são responsáveis pela compra de 25% a 30% da produção do arquipélago. “O papaia GM é uma alternativa para reestruturar a indústria havaiana de mamão, que movimenta US$ 47 milhões”, relata Gonsalves.
Ciência pesquisa cana com menos açúcar e mais etanol (23/04/2010)
Para isso, será preciso reprogramar a maneira como a cana distribui os carboidratos que produz via fotossíntese. Ou, como dizem os cientistas, alterar a "partição de carbono" da planta.
Depois de séculos selecionando e cruzando variedades de gramíneas ricas em sacarose, para chegar ao que hoje chamamos de cana-de-açúcar, os cientistas agora se veem diante de um novo desafio: voltar às raízes genéticas da planta e gerar um novo tipo de cana, com mais fibra e menos sacarose, voltada para a produção de etanol celulósico.
O objetivo é fazer uma planta geneticamente potencializada para a produção de biomassa (matéria orgânica vegetal), em vez de sacarose (açúcar). "Por acaso, agora, a gente usa a sacarose também para fazer etanol, mas a planta foi feita para produzir açúcar, e não energia", explica a pesquisadora Glaucia Souza, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP).
Historicamente, portanto, as variedades selecionadas para cultivo foram aquelas que direcionavam a maior parte do carbono para a síntese de sacarose. Agora, com o etanol celulósico despontando no horizonte, a prioridade é outra. "Antes, quando aparecia uma cana parruda, com muita fibra e pouco açúcar, a gente jogava fora. Hoje são justamente essas variedades que procuramos", completa Glaucia.
Essa nova espécie ainda não existe no campo, mas seu nome já pode ser ouvido em todas as reuniões científicas que falam de biocombustíveis: "cana-energia". O desenvolvimento é importante para que o País continue líder na produção de etanol de cana-de-açúcar.
DNA do pêssego é sequenciado com sucesso (16/04/2010)
A descoberta envolve cientistas de vários países, incluindo Itália, Espanha e Chile.
O sequenciamento genético da árvore de pêssego Lovell está completo, segundo artigo publicado pela Universidade de Clemson, nos Estados Unidos. O trabalho é resultado de um programa de pesquisa liderado pelo professor do departamento de genética e bioquímica da instituição Alberto Abbott.
Por meio da compreensão do funcionamento dos genes é possível interferir no desenvolvimento e para trabalhar na melhoria do aspecto nutricional da planta. A pesquisa pode identificar traços benéficos para as árvores se desenvolverem mais e gerar melhores frutos.
“A árvore que seria estudada foi escolhida depois de uma criteriosa análise de DNA vegetal”, afirma Abbot. “A decisão por essa planta foi crucial para o sucesso do projeto”, prossegue. A partir do mapeamento genético do pessegueiro, será possível também determinar características importantes em vegetais semelhantes, como a macieira e a ameixeira.
Cientistas buscam o caminho para a fotossíntese artificial (15/04/2010)
Pesquisadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos Estados Unidos, descobriram uma forma de recriar artificialmente o processo de fotossíntese por meio do qual as plantas usam a luz do sol para quebrar as ligações nas moléculas de água.
Enquanto as plantas usam o processo da fotossíntese para criar compostos úteis ao seu próprio crescimento a partir da quebra das moléculas de água, a equipe de investigação do MIT pretende capturar o hidrogênio e utilizá-lo como combustível. Esta pesquisa abre novos horizontes para automóveis a base de hidrogênio, que por meio deste método, não emitiriam poluentes não dependeriam do sol para geração de energia.
Os pesquisadores conseguiram reproduzir a fotossíntese por meio da utilização de um vírus para quebrar as ligações da molécula da água. O vírus bacteriano M13, comum e não prejudicial ao homem, foi geneticamente modificado e transformado numa espécie de suporte biológico. Desta maneira, ele é capaz de atrair e ligar-se aos componentes necessários - pigmentos e catalisadores - para quebrar as moléculas de água. Esta estrutura mantém os pigmentos e os catalisadores no espaçamento adequado para sustentar a reação.
"Nós recorremos aos mesmos componentes que outros cientistas já vinham usando, mas lançamos mão da biotecnologia para organizá-los e, assim, obter uma maior eficiência," afirmou a pesquisadora do Massachusetts Institute of Technology, Dra. Angela Belcher.
O próximo passo da pesquisa, que já está em andamento, é justamente conseguir reaver os átomos de hidrogênio que têm seus prótons e elétrons liberados pelos vírus.
Trabalho publicado na Nature Biotechnology confirma vantagens das culturas GM (14/04/2010)
Ao todo, foram avaliadas 49 publicações sobre pesquisas científicas em 12 países que adotaram a biotecnologia na agricultura
Uma matéria publicada na edição deste mês (abril/2010) da revista Nature Biotechnology traz a análise do impacto dos transgênicos para o meio ambiente e na economia agrícola dos países que adotaram as culturas provenientes dessa tecnologia. As conclusões têm como referência 49 análises de publicações baseadas em enquetes sobre como as lavouras geneticamente modificadas (GM) beneficiam os agricultores por todo o mundo.
O trabalho revela que com a ajuda da biotecnologia, o agricultor tem um melhor desempenho econômico. “As culturas GM registram, em média, 16% a mais de rendimento do que as convencionais no caso do milho resistente a insetos e 30% a mais no caso do algodão”, conclui a jornalista e pesquisadora Janet E. Carpenter.
“O trabalho comprova os benefícios que os agricultores pelo mundo já relatam há mais de uma década”, diz a Diretora-Executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Alda Lerayer. “Mudanças climáticas e ataques de pestes às plantações fazem com que as metas de segurança alimentar sejam desafiadoras, especialmente para uma população em constante crescimento”, prossegue. Segundo ela, essas são algumas das razões para a adoção de plantas transgênicas.
Uma das pesquisas, realizada nos EUA, revela que os produtores de milho preferem as sementes resistentes a insetos em virtude da facilidade de manejo e da consequente economia de tempo e dinheiro. Neste caso, a redução de custos, levando-se em conta toda a cadeia produtiva, chega US$ 10 por hectare. As análises apresentadas confirmam que plantações GM são mais produtivas, uma vez que com o melhor controle de pragas há uma evidente redução das perdas. Quando comparadas, lavouras convencionais e provenientes de biotecnologia, 74% dos resultados positivos apontam para as plantações que adotaram produtos geneticamente modificados.
O trabalho também conclui que as culturas GM ajudam a conservar o solo por facilitar a adoção do plantio direto (sistema diferenciado de manejo do solo, que visa diminuir o impacto da agricultura e das máquinas agrícolas no solo). De acordo com o International Service for the Acquisition of Agri-biotech Applications (ISAAA), a adoção global de variedades GM aumentou em 7% em 2009. Em 25 países, 14 milhões de agricultores plantam culturas biotech e 90% destes são pequenos produtores em países em desenvolvimento. O Brasil ocupa a segunda colocação de países produtores de transgênicos com 21,4 milhões de hectares.
herbicida glifosato) e MON863 x MON810 x NK603 (resistente a coleópteras e à broca europeia do colmo e tolerante ao herbicida glifosato). Nenhuma das variedades é ainda aprovada no Brasil.
Centro paulista desenvolve laranja GM (23/03/2010)
Variedade resistente ao cancro cítrico já aguarda aprovação para teste de campo
O Centro de Citricultura Sylvio Moreira solicitou à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) autorização para realizar testes de campo com laranjeiras geneticamente modificadas resistentes ao cancro cítrico, grave doença causada por bactérias que afeta os pomares do país.
A variedade foi desenvolvida em casas de vegetação em Cordeirópolis, no interior paulista, e é a primeira laranja GM desenvolvida no Brasil. O centro Sylvio Moreira é considerado uma referência mundial em genética de citros.
No caso dessa variedade, a resistência foi adquirida por meio da estimulação de um gene da própria planta, que já é responsável pela defesa do fruto.
Os experimentos de campo da nova laranja, quando aprovados pela CTNBio, serão realizados em Uberlândia, Minas Gerais.
Austrália colhe primeiras bananas transgênicas (23/03/2010)
Resultados preliminares mostram eficiência no aumento de vitaminas e minerais
Cientistas australianos começaram a colher as bananas geneticamente modificadas plantadas no ano passado, e os primeiros resultados são positivos. O experimento faz parte de um projeto para incremento dos conteúdos de vitaminas e minerais de bananas para consumo no leste africano.
O professor James Dale, da Universidade de Queensland, disse que os resultados iniciais são promissores. “A primeira plantação demonstra que pelo menos uma das combinações de genes que utilizamos está funcionando muito bem para pró-vitamina A, e é no que estamos nos concentrando”, afirmou.
As próximas colheitas serão destinadas à avaliação de outros incrementos de vitaminas e minerais. “Ainda temos muitos frutos a avaliar. O próximo lote será analisado particularmente para ferro e seu acúmulo no fruto”, antecipou Dale.
Nova lentilha deve ser vendida em 2011 (19/03/2010)
Os consumidores que apreciam a lentilha em breve vão poder contar com uma nova e saborosa fonte de proteína para usarem em saladas, sopas e outros pratos.
A nova variedade geneticamente modificada desenvolvida por cientistas norte-americanos chama-se Essex e deve estar pronta para comercialização em 2011. A intenção é produzi-la nas terras do Pacífico Norte e o principal mercado seria a América Latina. A planta apresenta uma boa performance: comparada com as outras duas variedades do mercado (Eston e Athena), a Essex tem bom rendimento de sementes e oferece bactérias de fixação de nitrogênio para cultivo de trigo.
A Essex foi escolhida para licenciamento público pelos resultados que apresentou em campos de experimento conduzidos nos últimos anos no Estado de Washington. Durante estes experimentos a Essex teve um rendimento 21% maior que o de outras duas variedades. As plantas da Essex amadurecem no mesmo tempo da Eston, produzindo pequenas sementes com o interior amarelo e uma casca verde. Os níveis de proteína são de 20 a 30% do peso seco, as sementes possuem maior concentração de fibras, minerais e vitaminas.
A nova variedade possui uma relação benéfica com microrganismos específicos do solo, colonizando as raízes com bactérias que possuem a habilidade de transformar nitrogênio da atmosfera na forma utilizada para o crescimento da planta. Dessa maneira, ajudam na reposição deste elemento no solo e fertilizando-o para plantios subsequentes, como o de trigo e outros grãos. Outro benefício do sistema de rotação de culturas com esta variedade de sementes pequenas incluiriam a redução de erosão do solo, melhoria de controle de sementes e redução de incidência e gravidade de doenças.
Comissão Europeia aprova cultivo de batata GM (03/03/2010)
Além disso, também foram aprovadas variedades de milho GM para alimentação animal, importação e processamento.
A Comissão Europeia aprovou nesta semana o cultivo da variedade de batata Amflora, geneticamente modificada (GM) para conter alto teor de amilopectina, substância de aplicação na indústria, especialmente na manufatura de papéis e adesivos. A batata e seus derivados ainda receberam sinal verde para consumo animal.
Trata-se da primeira aprovação para cultivo na União Europeia desde 1998. Juntamente com a batata, agora são três eventos aprovados para comercialização, sendo, os outros dois, uma soja tolerante a herbicida e um milho resistente a insetos.
Além disso, a comissão ainda aprovou três variedades de milho GM para alimentação animal, importação e processamento: MON 863 x MON810 (resistente a coleópteras e à broca europeia do colmo); MON863 x NK603 (resistente a coleópteras e tolerante ao herbicida glifosato) e MON863 x MON810 x NK603 (resistente a coleópteras e à broca europeia do colmo e tolerante ao herbicida glifosato). Nenhuma das variedades é ainda aprovada no Brasil.
Brasil passa a ser o segundo maior produtor de transgênicos do mundo (23/02/2010)
Pela primeira vez, em 2009, o País ultrapassa a Argentina e fica atrás apenas dos EUA no ranking mundial de cultivos GM, em um universo de 25 países produtores
O Brasil plantou 21,4 milhões de hectares com culturas geneticamente modificadas (GM) ou transgênicas em 2009, um crescimento de 35,4% em relação a 2008 (equivalente a 5,6 milhões de hectares). De acordo com o Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), que divulgou hoje o seu relatório anual sobre a adoção mundial, trata-se do maior índice de crescimento entre os 25 países produtores de transgênicos, especialmente em razão da rápida adoção do milho GM.
O ótimo desempenho levou o País, pela primeira vez, ao segundo lugar no ranking mundial de transgênicos, ultrapassando a Argentina (21,3 milhões) e ficando atrás apenas dos Estados Unidos (64 milhões).
Área Mundial de Culturas GM em 2009: 5 maiores produtores (milhões de ha) PosiçãoPaísÁrea (em milhões de hectares)Culturas GM 1EUA64,0Soja, milho, algodão, canola, abóbora, papaia, alfafa, beterraba 2Brasil21,4Soja, milho, algodão 3Argentina21,3Soja, milho, algodão 4Índia8,4Algodão 5Canadá8,2Canola, milho, soja, beterraba
Fonte: ISAAA, 2009Com isso, o Brasil plantou 16% dos 134 milhõesde hectares de transgênicos cultivados em 2009 no mundo.A biotecnologia na agricultura já é adotada nos principais Estados produtores brasileiros, entre eles: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Piauí, Maranhão e Tocantins.Os 21,4 milhões de hectares de culturas GM no Brasil correspondem a:
Soja - 16,2 milhões de hectares (71%) *
Milho - 5,0 milhões de hectares (31%) *
Algodão - 0,15 milhão de hectares (16%) *
*Valores aproximados
SOJA
1. Dos 21,4 milhões de hectares de culturas GM cultivadas no Brasil em 2009, 16,2 milhões de hectares foram plantados com soja tolerante a herbicida pelo sétimo ano consecutivo, ultrapassando os 14,2 milhões de hectares em 2008.
2. O índice de adoção bateu um recorde de 70,9%, maior que os 65% registrados em 2008, com benefício para 150 mil agricultores.
MILHO
3. Em 2009, o Brasil plantou 5 milhões de hectares de milho Bt (resistente a insetos) em ambas as safras (verão e inverno).
4. A área de milho Bt cresceu 3,7 milhões de hectares, o equivalente a aproximadamente 400% sobre 2008, e foi de longe o maior aumento absoluto para qualquer cultura GM em qualquer país em 2009.
5. O índice de adoção do milho foi de 30,5%.
ALGODÃO
6. Foram cultivados 145 mil hectares de algodão GM em 2009, dos quais 116 mil hectares foram de algodão Bt (resistente a insetos) e 29 mil hectares de algodão tolerante a herbicida.
Cenário da adoção da biotecnologia no mundo
Em 2009, 25 países plantaram 134 milhões de hectares em 2009, o que corresponde a 9 milhões de hectares a mais do que em 2008. Ao todo, 14 milhões de agricultores grandes e pequenos adotaram cultivos transgênicos em suas lavouras.
Os oito principais países no ranking de maiores produtores foram: Estados Unidos (64 milhões ha.), Brasil (21,4 milhões ha.), Argentina (21,3 milhões ha.), Índia (8,4 milhões ha.), Canadá (8,2 milhões ha.), China (3,7 milhões ha.), Paraguai (2,2 milhões ha.) e África do Sul (2,1 milhões ha.). Os países restantes incluem: Uruguai, Bolívia, Filipinas, Austrália, Burquina Fasso, Espanha, México, Chile, Colômbia, Honduras, República Tcheca, Portugal, Romênia, Polônia, Costa Rica, Egito e Eslováquia.
“Conforme previsto nos relatórios anteriores do ISAAA, os países em desenvolvimento continuaram a comandar uma participação crescente nos plantios mundiais, com o Brasil exibindo claramente o seu potencial em se tornar o futuro motor propulsor de crescimento na América Latina”, avalia Clive James, presidente e fundador da ISAAA.
Destaques
Américas
Brasil – O Brasil plantou21,4 milhões de hectares com culturas GM em 2009, um crescimento de 35,4% em relação a 2008 (equivalente a 5,6 milhões de hectares). O ótimo desempenho levou o País, pela primeira vez, ao segundo lugar no ranking mundial de transgênicos, ultrapassando a Argentina e ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
EUA - Os Estados Unidos se mantêm no topo do ranking mundial com 64 milhões de hectares de culturas transgênicas, sendo que 41% da área total são relativos a cultivos GM com mais de uma característica.
Costa Rica - A Costa Rica registrou culturas transgênicas pela primeira vez em 2009, exclusivamente para o mercado de exportação de sementes (soja e algodão);
África
Burkina Fasso - A área de algodão transgênico de Burkina Fasso saltou de 8.500 hectares para 115 mil hectares, ou de 2% a 29% da área de algodão total do país, o maior crescimento percentual registrado;
África do Sul – Confirmando o crescimento contínuo na África, a África do Sul registrou significativos 17% de aumento na adoção, chegando a 2,1 milhões de hectares (soja,milho e algodão)
Egito – O país registrou um aumento de 15% na produção de milho Bt, totalizando 1 mil hectares;
Ásia
Índia - O algodão Bt revolucionou a produção de algodão no país com 5,6 milhões de agricultores plantando 8,4 milhões de hectares em 2009, equivalente a uma taxa de adoção recorde de 87%. O benefício econômico acumulado para os plantadores de algodão Bt na Índia, para o período de 2002 a 2008, foi de US$5,1 bilhões;
Japão - O Japão começou a comercialização de uma variedade de rosa azul geneticamente modificada;
China – A China plantou em 2009 cerca de 3,7 milhões de hectares de algodão, tomate, álamo, papaia e pimentão.O país aprovou, em novembro de 2009, o arroz Bt e o milho com fitase.As aprovações são inéditas e terão impacto muito positivo, não apenas na alimentação das populações da China e da Ásia, mas em todo o mundo;
Europa
Seis países europeus plantaram 94.750 hectares de culturas transgênicas em 2009, menos do que os sete países e 107.719 hectares em 2008, pois a Alemanha suspendeu o plantio. A Espanha plantou 80% de todo o milho Bt na UE em 2009 e manteve a taxa de adoção recorde de 22% do ano anterior.
Impactos econômicos e ambientais
De acordo com o ISAAA, as avaliações de impacto mundial das culturas GM indicam que, no período de 1996 a 2008, os ganhos econômicos de US$ 51,9 bilhões foram gerados em razão dos custos reduzidos de produção (50%), e dos ganhos de rendimento (50%) de 167 milhões de toneladas. Teriam sido exigidos 62,6 milhões de hectares adicionais para produzir a mesma quantidade, não tivessem sido empregadas as culturas GM.
Durante o mesmo período, de 1996 a 2008, a redução de defensivos foi avaliada em 268 milhões de kg de ingredientes ativos, uma economia de 6,9%. Só em 2008, a redução da emissão de CO2 na atmosfera com as culturas GM é estimada em 14,4 bilhões de kg de CO2, equivalente à remoção de 7 milhões de carros das ruas (Brookes and Barfoot, 2010, a ser publicado).
CTNBio aprova dois novos eventos de soja GM (12/02/2010)
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou, nesta semana, quatro novos eventos geneticamente modificados: duas soja tolerantes ao herbicida glufosinato de amônio, duas vacinas de uso animal e uma levedura capaz de produzir diesel diretamente da sacarose.
Com isso, o Brasil passa a ter liberados para comercialização 21 eventos agrícolas (soja, milho e algodão), além de 10 vacinas e a levedura.
Nesta semana também foi indicado o novo presidente da CTNBio, Edilson Paiva, que ocupava o cargo de vice-presidente durante a gestão de Walter Colli. Paiva assume para um mandato de dois anos
Genética vira arma contra bactéria resistente a antibióticos (11/02/2010)
Uma equipe internacional de cientistas desenvolveu um método de mapear geneticamente asbactérias Staphylococcus aureus resistentes à meticilina – as temidas bactérias resistentes a múltiplos antibióticos, contraídas em meio hospitalar, conhecidas pela sigla MRSA. O trabalho, publicado em janeiro na revista Science, criou um método de baixo custo para o mapeamento genético dessas bactérias, permitindo compreender melhor sua forma de migração entre os países. Isso tornará mais fácil responder a novos surtos, ou até a evitá-los.
A descoberta permite identificar não apenas a história da epidemia, os saltos que as bactérias deram entre continentes, como também a viagem que fazem de pessoa para pessoa, de enfermaria para enfermaria.
Foram usadas amostras de diferentes partes do mundo, coletadas durante 20 anos, entre 1982 e 2003. Este material permitiu estabelecer uma árvore evolutiva de uma estirpe da bactéria que é hoje responsável por 90% das infecções na China, mas não se sabia o caminho que a havia levado até lá.
Além do detalhamento da rota dessa estirpe da bactéria, o estudo também usa os avanços da tecnologia para sequenciar rapidamente todo o genoma da bactéria por um custo acessível (US$ 320).
Número de transgênicos saltará três vezes de 2008 a 2015 (11/02/2010)
Um artigo publicado na edição de janeiro da revista Nature Biotechnology estima que o número de variedades vegetais geneticamente modificadas (GM) registradas no mundo vai saltar três vezes de 2008 a 2015. O texto de Emilio Rodríguez Cerezo (Institute for Prospective Technological Studies) e Alexander J. Stein (Centro de Pesquisa Conjunta da Comissão Europeia) analisa, com base em pesquisas anteriores, o impacto potencial sobre o comércio do aumento previsto de cultivos GM nos próximos anos.
Das novas modificações genéticas, a metade virá de potências emergentes, como Índia e China. Os autores consideram que, ainda em 2015, o domínio de modificações genéticas continuará sendo em soja, milho e algodão.
Estudo da Unicamp avalia os custos para segregação de milho GM no Brasil (10/02/2010)
O professor José Maria da Silveira, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apresentou durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), os dados preliminares de um estudo que aponta os impactos da segregação, rastreabilidade e identificação de cargas GM para o Brasil – seja pelo cumprimento do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, seja para atender alguma demanda específica de matéria-prima convencional.
O estudo avaliou as principais rotas de escoamento da produção de milho para o mercado interno e para a exportação e considerou a realização de testes de fita e PCR (usados para identificar a presença de eventos GM) ao longo da rota. Para o estudo, seis eventos foram testados – vale lembrar que o Brasil tem hoje 11 eventos aprovados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
Neste cenário, o sistema de identificação da presença de eventos GM – descriminando os eventos nas cargas – gera um impacto negativo de 12,5% sobre as exportações de milho.
“A implantação de sistemas complexos e baseados em testes caros para identificação de OVM que já tenha sido avaliado nas questões de biossegurança e aprovado para plantio e consumo pela CTNBio, vai de encontro ao esforço feito pelo Brasil para reduzir custos de transporte e armazenamento de cargas, que é um dos fatores de perda de competitividade do agronegócio”, avalia José Maria.
O pesquisador destaca ainda que os EUA e a Argentina, principais competidores do Brasil nesse mercado, levam vantagem. No caso dos EUA, pelo uso de vários modais e de estrutura de segregação mais adaptada. Já a Argentina usa caminhões para distâncias mais adequadas, menores de 500 km. No Brasil, os longos trajetos feitos, por vezes, unicamente por transporte rodoviário, em estradas com manutenção precária, configuram um forte desafio.
“Avaliar esses valores e descobrir quais seriam as possíveis alternativas com custos menos onerosos para o Brasil são tarefas que podem melhorar a posição do país no ranking das exportações de commodities e também do agronegócio”.
Método acelera produção de vacinas para gripe H1N1 (08/02/2010)
Cientistas de Viena desenvolveram uma nova técnica de produção de vacinas contra a gripe A, ou H1N1, em células de inseto. A pesquisa, publicada no periódico científico Biotechnology Journal, mostra como produzir a vacina em menos tempo que o método convencional, que é baseado no uso de ovos de galinha.
O processo atualmente utilizado usa ovos de galinha embrionados, o que torna impraticável a produção de grande quantidade de vacinas em casos de pandemia. Já o método desenvolvido usa células de insetos cultivadas para criar partículas recombinantes do vírus. Como não são partículas inteiras, não são infecciosas. Os cientistas conseguiram produzir partículas recombinantes do H1N1 em dez semanas.
Estudos em ratos confirmaram que a produção é muito mais rápida que a convencional. Além disso, a nova técnica também supera desvantagens da produção com ovos de galinha, como a sua capacidade limitada de produção e as reações alérgicas a proteínas do ovo.
Microorganismos produzem combustível de biomassa (08/02/2010)
Uma equipe de cientistas do Instituto de Bioenergia do Departamento de Energia dos Estados Unidos (JBEI, na sigla em inglês) desenvolveu um microrganismo capaz de produzir um combustível avançado diretamente da biomassa. Utilizando ferramentas da biotecnologia, os cientistas criaram uma cepa da bactéria Escherichia coli (E. coli) que produz óleo biodiesel e outros importantes derivados químicos a partir de ácidos graxos.
Segundo o chefe executivo do JBEI,Jay Keasling, o fato de a bactéria produzir óleo diesel da biomassa sem nenhuma modificação química adicional é muito importante. Considerando que os custos de recuperação do biodiesel são semelhantes aos custos de destilação do etanol, os resultados contribuem para a meta de produção de biocombustíveis e químicos renováveis em escala e por custos eficientes. Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Nature em 28 de janeiro de 2010.
A combinação de aumento diário dos custos de produção de energia e a preocupação com o aquecimento global criou um imperativo internacional para a criação de novas fontes de energia que sejam renováveis e sustentáveis. Estudos científicos apontaram que combustíveis líquidos derivados de biomassa vegetal são uma das melhores alternativas de produção, com relação custo–benefício adequado. Nessa linha, muitas pesquisas têm sido realizadas com ácidos graxos, células vivas ricas em energia.
Bill Gates defende novas tecnologias na agricultura (08/02/2010)
Bill Gates, presidente da Microsoft e criador da Fundação Bill & Melinda Gates, escreveu sobre a importância de se obter tanto a produtividade agrícola quanto a sustentabilidade. A fundação assumiu um compromisso de US$ 1,4 bilhão com pequenos fazendeiros na luta pela redução da fome global, por meio de abordagens que incluem tecnologia na agricultura. “Ajudar fazendeiros pobres a aumentar a produtividade é um passo crucial na redução global da fome”, disse Gates.
O empresário afirmou que tem visto provas de que a ciência na agricultura tem feito a vida das pessoas melhorar. Ele aponta como exemplos avanços como o arroz indiano geneticamente modificado Swarna – sub 1, uma variedade que é capaz de sobreviver submersa na água por mais de duas semanas, ajudando fazendeiros que plantam em terras sujeitas a inundações.
Ainda de acordo com Bill Gates, a próxima “revolução verde” deve ajudar a alimentar bilhões de pessoas usando tecnologias modernas de uma forma sustentável.
SOJA MADE IN BRAZIL Basf e Embrapa lançam variedade transgênica
A primeira soja geneticamente modificada produzida pela Basf em parceria com a Embrapa estará disponível para os produtores brasileiros na safra 2011/12. Com investimento de US$ 20 milhões, as companhias desenvolveram em apenas 10 anos o projeto, aprovado pela Comissão Nacional de Biotecnologia (CTNBio) no final do ano passado.
Em média, o processo de desenvolvimento costuma levar de 12 a 15 anos.
- O valor substancial investido mostra a complexidade de uma pesquisa deste porte - disse Walter Dissinger, vice-presidente de Proteção de Cultivos para a América Latina.
Ele ressalta que a parceria resultou no Cultivance, o primeiro evento transgênico da Basf no mundo, inteiramente desenvolvido no Brasil. O executivo afirma que a multinacional alemã espera atingir de 15% a 20% do segmento de transgênicos no país em até seis anos. Desta forma, entra na disputa por um mercado dominado pela tecnologia Roundup Ready, resistente ao herbicida glifosato, da multinacional Monsanto. Dados da consultoria Céleres indicam que o cultivo de sementes transgênicas representa aproximadamente 65% da área total semeada com soja no Brasil.
A nova semente da Basf será tolerante a herbicidas da classe imizadolinas, usados para controlar a ocorrência de ervas daninhas nas primeiras semanas do período de desenvolvimento das plantas. A companhia ainda não definiu onde ficará a linha de produção dos herbicidas Soyvance, linha que será criada para uso nas plantações transgênicas. Também não foi definido como será feita a cobrança de royalties.
- A ideia é que possamos chegar a uma solução positiva, sem que seja necessário cobrar multas - explica Dissinger.
São Paulo
México libera consumo de mais oito transgênicos (27/01/2010)
A Comissão Nacional para Riscos Sanitários do Ministério da Saúde do México (Confepris, na sigla em espanhol) emitiu na última sexta-feira, 22 de janeiro, autorizações sanitárias para o consumo humano de oito novos organismos geneticamente modificados (GM). São quatro milhos, dois algodões, uma soja e uma alfafa.
Das oito variedades, seis possuem mais de um evento inserido por meio de técnicas de biotecnologia. Apenas um milho e um algodão possuem um único gene. Entre os milhos aprovados, há um com quatro características.
Os pedidos foram protocolados em agosto de 2009, e, agora, aprovados com um diferencial importante sobre outras autorizações anteriores: pela primeira vez, as liberações são por tempo indeterminado. Ou seja, não precisam, necessariamente, ser renovadas para continuar válidas
Fonte: AgroBio México – 22 de janeiro de 2010
Estado australiano libera canola GM (27/01/2010)
O governo da província de Western Australia anunciou ontem, dia 25, a liberação do plantio de canola geneticamente modificada (GM) a partir deste ano. “A decisão coloca Western Australia em linha com os Estados de New South Wales e Victoria, outros grandes produtores de grãos, onde os agricultores podem plantar a canola GM comercialmente desde 2008”, disse em um comunicado o premiê do Estado, Colin Barnett, equivalente a um governador estadual. “Nossos agricultores estão entre os melhores do mundo, mas precisam ter acesso a novas tecnologias, a exemplo da canola GM, para que se mantenham competitivos no mercado global”, completou.
A liberação ocorreu após 17 produtores terem testado variedades GM em 2009. Segundo o comunicado do governo, os produtores mostraram-se “impressionados” com o resultado, especialmente por conta da redução de custo e do trabalho para o controle de plantas daninhas nas plantações. Mais de 1,2 mil toneladas de canola GM foram produzidas nestes testes durante 2009.
As variedades de canola GM liberadas para plantio por Western Australia já haviam sido consideradas seguras para o ser humano e o meio ambiente pelo Regulador Australiano de Tecnologia Genética.
ARS desenvolve soja resistente a nematóide do cisto (12/01/2010)
Cientistas do Serviço de Pesquisa para Agricultura (ARS, na sigla em inglês), órgão de pesquisa agrícola do governo americano, desenvolveu uma variedade de soja (JTN-5109) que combina três fontes de resistência da soja ao nematóide do cisto, a maior praga da cultura em todo o mundo. Para se ter uma ideia, estima-se que o ataque tenha causado perdas da ordem de 94 milhões de arbustos em 2007, apenas nos Estados Unidos.
A nova soja é fruto de uma combinação de variedades convencionais e de seleção assistida por marcadores genéticos.
A população de nematóides é geneticamente variável e adaptável. De acordo com o estudo, a JTN-5109 apresenta níveis de produtividade de semelhantes a outras variedades utilizadas comumente. A vantagem reside mesmo na eficiência contra a praga.
Cientistas desvendam genoma de dois tipos de câncer (12/01/2010)
Cientistas desvendaram o código genético completo de dois dos mais comuns tipos de câncer – pele e pulmão. Além de facilitar o diagnóstico da doença por meio de testes sanguíneos, o sequenciamento também servirá de base para novas pesquisas em medicamentos.
Cientistas de todo o mundo estão trabalhando para catalogar os genes relacionados aos diversos tipos de câncer humano. O Reino Unido está trabalhando no câncer de mama; o Japão com o de fígado e a Índia com o de boca. A China pesquisa o câncer de estômago, os Estados Unidos estuda os de cérebro, ovário e pâncreas.
Estes catálogos mudarão a forma de pensar a doença. Segundo Michael Stratton, líder da equipe inglesa, a identificação destes genes possibilitará o desenvolvimento de novas drogas que tenham como alvo os genes mutados, causadores da doença, e a elaboração de tratamentos para cada paciente.
Pesquisadores descobrem o gene “termômetro” das plantas
(12/01/2010)
Os vegetais são extremamente sensíveis às mudanças de temperatura no seu ambiente, podendo detectar até mesmo mudanças de menos de um grau Celsius. Até agora, isto era um mistério para os cientistas, que agora descobriram um “gene termômetro” que, além de identificar as mudanças nas temperaturas, também coordena uma resposta apropriada à temperatura.
Vinod Kumar e Phil Wigge, do John Innes Centre (Noruega), relataram ao jornal Cell que localizaram o principal regulador do transcriptômetro de temperatura. Usando o modelo da planta Arabidopsis, os pesquisadores mostraram que a chave para a sensibilidade à temperatura é a proteína específica histona, H2A.Z, que enrola o DNA em uma estrutura mais empacotada conhecida como nucleossoma.
A descoberta pode ajudar a desenvolver plantas que tolerem melhor o frio ou o calor em excesso.
Tabaco GM rico em óleo para produção de biocombustível (12/01/2010)
Tabaco GM rico em óleo para produção de biocombustível
Pesquisadores da Universidade Thomas Jefferson (EUA) identificaram uma maneira de aumentar o conteúdo de óleo nas folhas de tabaco usando a superexpressão de genes de diacilglicerol aciltransferase (DGAT) e leafy cotyledon 2 (LEC2) da Arabidopsis thaliana. O DGAT codifica uma enzima da biossíntese de triacilglicerol, e o LEC2 regula a maturação da semente e seu armazenamento de óleo.
O estudo levou a um aumento de até 20 vezes no acúmulo de triacilglicerídeo nas folhas de tabaco. Os dados elevam o tabaco a uma fonte atrativa de energia, e podem ser utilizados como modelo para aplicação na produção de outras plantas como fontes de biocombustível.
Vyacheslav Andrianov, um dos autores do trabalho, diz que o tabaco tem potencial tanto para a produção de etanol quanto de óleo biocombustível, proporcionando mais energia por hectare que qualquer outra cultura não alimentícia.
Tabaco GM rico em óleo para produção de biocombustível (12/01/2010)
Tabaco GM rico em óleo para produção de biocombustível
Pesquisadores da Universidade Thomas Jefferson (EUA) identificaram uma maneira de aumentar o conteúdo de óleo nas folhas de tabaco usando a superexpressão de genes de diacilglicerol aciltransferase (DGAT) e leafy cotyledon 2 (LEC2) da Arabidopsis thaliana. O DGAT codifica uma enzima da biossíntese de triacilglicerol, e o LEC2 regula a maturação da semente e seu armazenamento de óleo.
O estudo levou a um aumento de até 20 vezes no acúmulo de triacilglicerídeo nas folhas de tabaco. Os dados elevam o tabaco a uma fonte atrativa de energia, e podem ser utilizados como modelo para aplicação na produção de outras plantas como fontes de biocombustível.
Vyacheslav Andrianov, um dos autores do trabalho, diz que o tabaco tem potencial tanto para a produção de etanol quanto de óleo biocombustível, proporcionando mais energia por hectare que qualquer outra cultura não alimentícia.
Enzimas ajudam na resposta das plantas ao dióxido de carbono (12/01/2010)
Uma equipe de cientistas da Universidade da Califórnia (EUA) identificou duas enzimas vegetais responsáveis pelo fechamento dos poros das folhas, os estomas, em resposta a altas concentrações de dióxido de carbono (CO2). Os estomas, às vezes, precisam ser abertos para a entrada de CO2, necessário na fotossíntese. No entanto, fechados, conservam a água nas folhas. A descoberta pode ser útil no desenvolvimento de plantas que utilizem a água com mais eficiência, segundo os autores do artigo.
“Muitas plantas fornecem uma resposta fraca ao CO2. Com o aumento de CO2 na atmosfera devido à era industrial, muitas plantas não respondem a isso, e não estão reduzindo seus poros e, assim, estão perdendo menos água”. Pode ser que com estas enzimas se consiga aumentar a eficiência de utilização da água pelas plantas enquanto usam o CO2 para a fotossíntese.
Os dados, segundo ele, sugerem que a resposta ao CO2 pode ser potencializada. A adição de cópias adicionais dos genes destas duas enzimas seria o caminho para isso.
Etapa de testes de campo para o arroz dourado (04/01/2010)
Filipinas, Bangladesh, Índia, Indonésia e Vietnã são alguns dos países que estão realizando testes de campo com o arroz dourado, variedade geneticamente modificada enriquecida com pró-vitamina A. Laboratórios de pesquisa desses países estão avaliando se o crescimento das plantas e seu desempenho no campo seja exatamente como outras variedades melhoradas por meio de genética clássica e que, portanto, apresente as mesmas características agronômicas.
A variedade receberá a autorização para cultivo em cada um dos países apenas após as avaliações necessárias, sob os aspectos de segurança ambiental e de saúde humana e animal. O grão deverá estar disponível para os produtores rurais nas Filipinas e em Bangladesh até 2012, e introduzido nos outros países como Índia, Indonésia e Vietnã em breve.
A deficiência de vitamina A afeta milhões de crianças em todo o mundo, causando queda do sistema imunológico e cegueira. Ocorre particularmente em países pobres, e atinge mais de 90 milhões de crianças no sudeste da Ásia e de outras regiões. De acordo com A Organização Mundial da Saúde (WHO, na sigla em inglês), entre 250 mil a 500 mil crianças ficam cegas anualmente em razão da deficiência de vitamina A. Metade delas morre em doze meses depois de perder a visão.
Estudos da Sociedade Americana de Nutrição apontam que uma xícara de Golden Rice pode suprir metade das necessidades diárias de vitamina A.
A Argentina aprovou, em dezembro, uma nova variedade de milho geneticamente modificado tolerante a herbicida e resistente a insetos. A aprovação foi dada pelo Ministro da Agricultura do país, e o milho Bt11xGA21 estará disponível aos produtores para a safra de 2011.
A variedade já é aprovada nos Estados Unidos, no Canadá e, desde novembro, no Brasil.