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Especial sobre o ataque de Escherichia coli na Europa 

Escherichia coli.doc


Cientistas decifram genoma do vetor da Doença de Chagas

Decodificação permite planejar novas técnicas de controle do barbeiro e estudar mecanismo para inibir ação do inseto

18 de maio de 2012 | 8h 21

fe

Pesquisadores de Brasil, Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Canadá e Reino Unido decifraram o genoma do inseto transmissor da Doença de Chagas, que afeta milhões de pessoas na América do Sul.

 

Reprodução

Barbeiro, o inseto transmissor da Doença de Chagas

A decodificação do genoma do barbeiro, vetor da doença, permite "idealizar novas técnicas de controle do inseto e estudar a interação com o parasita causador da doença", o Trypanosoma cruzi, afirmou à Agência Efe o pesquisador argentino Rolando Rivera Pomar, do Centro Regional de Estudos Genômicos da Universidade de La Plata.

"A informação sobre a decodificação pode ser acessada em um site (www.vectorbase.org) à disposição da comunidade científica, para que possam interpretar esses dados, portanto ainda resta muito caminho a ser trilhado", detalhou o cientista.

Os pesquisadores acreditam que se conseguirem estabelecer os motivos pelos quais o barbeiro transmite o parasita da doença, poderão estudar os mecanismos para inibir essa ação do inseto.

Rivera Pomar assinalou que a descoberta, alcançada após quase dez anos de pesquisas, permite "completar o ciclo" sobre o mal dado que os genomas do humano e do parasita transmissor já tinham sido decifrados.

A decodificação do genoma do barbeiro, o Rhodnius prolixus, abre a possibilidade de "encarar uma luta mais eficaz ao conhecer mais sobre o Mal de Chagas", acrescentou.

Um grupo de 30 cientistas participou da pesquisa, que contou com um financiamento de mais de US$ 4 milhões fornecidos pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA.

Em março, a Argentina anunciou que começou a produzir um remédio para tratar a Doença de Chagas.




Saiba como insetos ajudam a solucionar crimes

Entomologista britânico passou de especialista de museu a cientista forense e diz que é preciso 'pensar como larvas'

16 de maio de 2012 | 7h 33

Fãs de séries policiais americanas, como CSI, já conhecem um pouco sobre a entomologia forense, o campo da ciência que usa insetos para ajudar a solucionar crimes.

 

Tiago Queiroz/AE

Os tipos de insetos e larvas achados na cena do crime podem indicar pistas sobre o que aconteceu

Para o britânico Martin Hall foi preciso um certo período de adaptação entre o seu emprego no Museu de História Nacional de Londres, onde pesquisava doenças e sua ligação com insetos, às horríveis cenas e cheiros com as quais teve de lidar quando foi trabalhar para a polícia pela primeira vez, em 1992.

Os restos mortais de uma jovem mulher foram encontrados em uma floresta, em Dorset, no sul da Inglaterra, e Hall foi chamado para ajudar nas investigações.

"Eu me vi, de repente, em um ambiente que não poderia ter imaginado nos meus sonhos mais loucos", disse Hall à BBC.

Insetos e larvas

Analisando a idade e os tipos de insetos e larvas encontrados na cena do crime, ele pode descobrir pistas sobre quanto tempo o corpo havia passado no local.

"Estudamos o inseto mais velho no corpo, o que nos dá uma boa indicação de quanto tempo a pessoa passou ali. Se o corpo está do lado de fora, no verão, sabemos que seria encontrado por insetos em 24 horas, então a idade dos insetos no corpo é importante", explica o entomologista.

"Também analisamos outros aspectos. Os insetos são consistentes com o local? O corpo poderia ter sido transportado para lá?"

As informações ajudaram a polícia a dar um foco para a investigação, limitando o período no qual a vítima teria sido colocada ali. A partir dali, ele passou a ser cada vez mais requisitado pela polícia e, hoje, este tipo de trabalho ocupa praticamente metade de sua semana, analisando amostras ou desenvolvendo pesquisa.

"Há geralmente uma ligação entre os insetos que se alimentam do corpo e a causa da morte, um tiro, por exemplo. Também é possível encontrar DNA humano, resíduos de pólvora e restos de drogas a partir de moscas que se alimentaram de um corpo humano."

Assassinatos

Em média, Hall lida pessoalmente com algo entre 10 e 20 casos por ano. Os mais recentes incluem o assassinato de Alisa Dmitrijeva, de 17 anos, encontrada morta em terras de propriedade da rainha, em Sandringham, no dia 1º de janeiro.

Ele também participou das investigações da morte de cinco prostitutas, em Suffolk, em 2006, e diz que a adaptação à função policial foi difícil.

"A primeira vez que você vê um corpo é um pouco perturbador, mas estou relativamente confortável com isso agora."

O entomologista de 57 anos - que começou a colecionar besouros e moscas-varejeiras durante a infância, em Zanzibar, na África - pode passar de algumas horas a dias inteiros em um local de crime.

"Você só tem uma chance de coletar provas e é fundamental que não se perca nada", disse Hall.

"Você tem que pensar como uma larva. Onde eu iria se fosse uma larva? O que eu faria?"

Apesar de hoje ser chefe de pesquisa do departamento de entomologia do Museu de História Natural de Londres, Hall diz que trabalhar com crimes é "extremamente gratificante".

"Muitas pessoas passam a vida inteira trabalhando duro com pesquisa e não veem nada produtivo saindo disso. Para mim, é ótimo ter um resultado após alguns meses, no fim de cada caso criminal."

BBC Brasil


Índia aposta em banana transgênica para combater deficiência de ferro (18/04/2012)

Cientistas australianos modificaram geneticamente a banana para que a fruta, rica em vitaminas, apresente também alto teor de ferro. O professor James Dale, que coordenou o projeto da Universidade de Tecnologia de Brisbane, estado de Queensland na Austrália, afirmou que a conquista faz parte de um programa de biotecnologia que visa compartilhar a descoberta com pesquisadores da Índia. Segundo Dale, “a escolha pelo nutriente se deu em virtude da alta taxa de deficiência de ferro entre os indianos, já que a dieta vegetariana pode ser carente desse mineral”.

O professor revela que a estratégia é aproveitar o fato de a Índia ser o país que mais cultiva banana no mundo. “Tudo o que é produzido lá é para consumo interno”, afirma. Investir na produção em larga escala de bananas geneticamente modificadas poderá contribuir para reduzir não só o número de mortes por anemia, como também as outras doenças consequentes da deficiência de ferro.

Espera-se que, após a fase inicial de quatro anos de pesquisa, sejam necessários mais cinco anos para que as frutas transgênicas estejam disponíveis para os agricultores.

Fonte: Universidade de Tecnologia de Brisbane - 09 de março de 2012

 

Pesquisadores prolongam vida útil de ratos (24/04/2012)

Cientistas da Universidade Ramat Gan, em Israel, descobriram como prolongar a vida útil de ratos. A pesquisa mostrou que a enzima sirtuína 6 (SIRT6), uma das sete sirtuínas encontradas em mamíferos, quando inserida em ratos, foi capaz de aumentar o tempo de vida destes animais em mais de 15%.

Os pesquisadores comparam animais geneticamente modificados com outros comuns e perceberam que os machos tiveram mais tempo de vida útil. Ainda não se sabe por que o mesmo não aconteceu com fêmeas, mas acredita-se que a resposta esteja nas diferenças entre os genes masculinos e femininos dos animais.

A descoberta, publicada na revista Nature, representa mais um avanço para o tratamento de diabetes e de doenças relacionadas ao envelhecimento.

Fonte: Revista Nature - 22 de fevereiro de 2012

 

Nova alfafa pode aumentar a produção de leite nos Estados Unidos (23/04/2012)

Uma nova alfafa promete aumentar a produção de leite nos EUA. A variedade N-R-Gee possui maior porcentagem de carboidratos e pectina, compostos que são convertidos em leite pelas vacas. Além disso, contém menos fibras que esses animais não conseguem digerir, permitindo que comam mais alfafa e produzam mais leite.

Segundo Julie Hansen, especialista em geração de plantas geneticamente modificadas da Universidade Cornell, no estado americano de Nova York, “a combinação entre maior quantidade de alfafa e facilidade de digestão deve aumentar significativamente a produção da indústria de lacticínios”.

A descoberta é ainda mais vantajosa do que se imaginava. A alfafa N-R-Gee é resistente a uma série de doenças típicas do nordeste norte-americano, cujas condições climáticas são ideais para o cultivo da planta.

Fonte: Universidade de Cornell - 09 de março de 2012


Álcool pode deixar cérebro mais 'ligado' para lidar com testes, diz pesquisa

Psicólogos americanos avaliaram desempenho de 40 homens para chegar à conclusão

11 de abril de 2012 | 6h 42

Uma pesquisa realizada por psicólogos da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, afirma que beber álcool em quantidades moderadas pode deixar o cérebro mais "afiado" para lidar com atividades que requerem criatividade. 

 
Leonardo Soares/AE

Na pesquisa, alcoolizados responderam às perguntas mais rapidamente

O estudo foi feito com 40 homens de idades entre 21 e 30 anos recrutados de forma voluntária através do site Craigslist. Metade deles foram alcoolizados até atingir concentração de álcool no sangue de 0,075, que é acima do permitido para motoristas na maioria dos Estados americanos. Os demais continuaram sóbrios durante o estudo.

Em seguida, todos os 40 participantes foram submetidos a testes de Associações Remotas de Mednick (RAT, na sigla em inglês), que é uma forma simples e rápida usada por psicólogos para avaliar a solução de problemas criativos.

Os cientistas apresentam três palavras ao entrevistado - por exemplo, "mate", "cadeira" e "bule". O objetivo é encontrar uma palavra comum que possa ser associada a cada um destes termos, como a palavra "chá" (formando a palavra composta "chá-mate" e as expressões "chá de cadeira" e "bule de chá").

No caso da pesquisa feita pela universidade de Illinois, os psicólogos ainda pediram para que cada entrevistado explicasse como chegou à resposta correta - se foi através de algum método de associação ou se foi por um mero "lampejo espontâneo".

Os participantes que estavam alcoolizados conseguiram acertar mais vezes as respostas, do que os sóbrios. O índice de acerto entre as pessoas que haviam bebido era de 58%, em comparação com 42% dos que não tinham ingerido álcool.

Além disso, eles apresentaram respostas de forma mais rápida (12s para os alcoolizados, em comparação com 15s dos sóbrios) e com maior incidência de "lampejos espontâneos". Isso sugere que o álcool pode, em determinados casos, contribuir para que as pessoas encontrem respostas mais rápidas e de forma mais criativa.

O estudo feito pelos pesquisadores Andrew Jarosz, Gregory Colflesh e Jennifer Wiley foi publicado na edição de março de uma revista científica. Os autores do artigo dizem que o resultado é compatível com outros estudos, que sugerem que sonecas tiradas imediatamente antes de tarefas difíceis podem melhorar o desempenho do cérebro na busca por soluções criativas.

Outra pesquisa afirma que um grau menor de concentração também tem mesmo efeito no cérebro. Para os pesquisadores de Illinois, um grau moderado de alcoolização pode contribuir para "desconcentrar" o indivíduo, facilitando soluções criativas.

BBC Brasil -


Cientistas descobrem astro maior que a Terra potencialmente habitável

Com temperatura nem quente nem fria demais, planeta teria possibilidades de abrigar vida

03 de fevereiro de 2012 | 10h 31

Efe

 

Uma equipe internacional de cientistas descobriu um astro que orbita na área habitável de sua estrela, a 22 anos-luz da Terra (cada ano-luz equivale a 9.460 bilhões de quilômetros), com mais possibilidades de ter água e vida que qualquer outro exoplaneta, segundo anúncio na publicação "Astrophysical Journal Letters".

Com um período orbital equivalente a 28 dias terrestres, o planeta GJ 667Cc, que tem no mínimo 4,5 vezes a massa da Terra, gira ao redor de seu sol na zona onde a temperatura não é nem quente nem fria demais para que exista água em estado líquido em sua superfície.

"Este planeta reúne as melhores condições para manter água em estado líquido e é, portanto, o melhor candidato a abrigar vida tal qual nós a conhecemos", explicou Guillem Anglada-Escudé, chefe da equipe que trabalhou na pesquisa pelo Carnegie Institution for Science, em Washington, nos Estados Unidos.

A órbita na qual está reúne as condições nas quais poderia existir água, sem necessidade de cumprir outros requisitos como acontece com alguns planetas descobertos que, por exemplo, precisariam de uma atmosfera com muitos gases estufa.

Os pesquisadores encontraram evidência de pelo menos um e possivelmente outros dois planetas orbitando a estrela GJ 667C.

O estudo indica que a estrela pertence a um sistema triplo e tem uma composição diferente do Sol, com concentração muito inferior de elementos mais pesados que o hélio como o ferro, o carbono e o silício.

Segundo os pesquisadores, isto indica que a existência de planetas habitáveis pode dar-se em uma maior variedade de ambientes do que se acreditava anteriormente.

A equipe descobriu que o sistema também poderia conter um planeta gigante de gás e outro astro maior que a Terra com um período orbital de 75 dias. No entanto, são necessárias novas observações para confirmá-lo.

 

Pesquisa facilita produção do etanol

Cientistas propõem aliar fabricação do etanol de celulose à de biogás; resíduos podem servir de fonte de energia para as usinas

03 de fevereiro de 2012 | 7h 33

Agência Fapesp

O etanol de segunda geração, feito com a celulose existente no bagaço da cana-de-açúcar, é uma alternativa importante para aumentar a produção de biocombustível sem prejudicar as plantações de alimentos ou as áreas de preservação ambiental.

Mas como seu processo de produção é mais caro que o do etanol de primeira geração - obtido pela fermentação da sacarose do caldo de cana -, é preciso encontrar alternativas para torná-lo economicamente viável.

A proposta de um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é aliar a produção do etanol de celulose à produção de biogás e usar os resíduos obtidos no processo como fonte de energia para as usinas.

O projeto de pesquisa “Otimização de pré-tratamento de biomassa e hidrólise para maximizar a produção de biogás a partir de resíduos agroindustriais” foi financiado pela FAPESP e realizado em parceria com pesquisadores do Institut National de la Recherche Agronomique (Inra), da França.

“O bagaço de cana que sobra da fabricação do etanol de primeira geração é hoje queimado e usado pela indústria como fonte de energia elétrica ou térmica em forma de vapor. Quando usamos esse bagaço para fabricar o etanol de segunda geração, conseguimos recuperar apenas 32% da energia que seria obtida com a queima em caldeira”, disse a engenheira química Aline Carvalho da Costa, coordenadora da pesquisa.

No modelo proposto pelos pesquisadores, foi possível recuperar cerca de 65% da energia. A vantagem é o aumento da produção de biocombustível líquido, que pode ser usado para transporte e, por isso, tem um apelo econômico maior. “Além disso, o biogás e os demais resíduos podem ser usados como fonte de energia para a indústria, substituindo o bagaço”, ressaltou Costa.

Além da celulose usada na produção do etanol de segunda geração, o bagaço de cana contém hemicelulose - substância composta por açúcares de cinco carbonos chamados pentoses - e lignina - material estrutural da planta, responsável pela rigidez, impermeabilidade e resistência dos tecidos vegetais.

Para que essa biomassa possa ser transformada em biocombustível, ela precisa passar por um pré-tratamento que separa a celulose da lignina, substância que impede a hidrólise. Esse é um dos passos mais caros e menos maduros tecnologicamente no processo produtivo do etanol de segunda geração.

Depois disso, ainda é preciso submeter a celulose à ação de enzimas que vão quebrá-la em várias moléculas de glicose para que os microrganismos consigam fazer a fermentação. Esse procedimento é conhecido como hidrólise.

“A lignina que sobra depois do pré-tratamento pode ser queimada e usada como fonte de energia. O mesmo pode ser feito com o resíduo sólido que sobra após a hidrólise. Mas, quando se fala em etanol de segunda geração, a grande pergunta é: o que fazer com as pentoses? Tivemos então a ideia de transformá-las em biogás”, conta Costa.

A pesquisadora explica que esse tipo de açúcar não pode ser usado na produção de etanol porque os microrganismos não conseguem fermentá-lo de forma eficiente.

“Microrganismos geneticamente modificados conseguiriam, mas isso exigiria uma infraestrutura de biossegurança nas usinas que tornaria a produção inviável no cenário brasileiro atual, embora isso possa mudar a longo prazo”, disse.

Palha da cana

Por meio de um processo de digestão anaeróbica, feito por um conjunto de bactérias capazes de degradar a matéria orgânica, os pesquisadores conseguiram transformar essas pentoses em biogás.

“Essa etapa da pesquisa foi realizada na França, país com muita experiência na produção de biogás a partir de vários resíduos, e contou com a participação de minha aluna de doutorado Sarita Cândida Rabelo”, disse Costa. O doutorado teve apoio de Bolsa da FAPESP.

Buscando tornar mais eficiente e barata a transformação de celulose em etanol, os pesquisadores também compararam dois tipos de pré-tratamento - um feito com cal e outro com peróxido de hidrogênio alcalino. Esse último se mostrou mais promissor, uma vez que necessita de menos tempo e não deixa resíduo na biomassa.

“Essa etapa ainda precisa ser mais amadurecida para tornar o etanol de segunda geração competitivo”, ressalta Costa. O uso de todos os resíduos do processo de produção, avalia, é provavelmente a única forma de tornar o produto economicamente viável e ambientalmente sustentável. “Nossa grande contribuição foi mostrar que o licor de pré-tratamento, rico em pentoses, tem grande potencial para produção de biogás. Embora várias alternativas de aproveitamento das pentoses venham sendo estudadas, nenhuma é ainda definitiva.”

A pesquisadora ressalta que com o etanol de segunda geração é possível aumentar muito a produção de biocombustível do país sem aumentar a área plantada de cana-de-açúcar.

Embora seja possível obter biocombustível a partir de praticamente qualquer biomassa vegetal, o Brasil tem investido no bagaço de cana por esse ser um insumo abundante e que já está na usina, dispensando gasto com transporte.

“Também pesquisamos a produção de etanol usando como matéria-prima a palha da cana, que representa um terço da planta e hoje não é aproveitada. Os resultados parciais têm se mostrado bastante semelhantes aos obtidos com a produção de etanol a partir do bagaço”, disse Costa.

Essa parte da pesquisa deu origem a um trabalho de mestrado que será defendido em março de 2012. Outras três dissertações também integram o projeto. Resultados da pesquisa foram publicados em congressos nacionais e diversas revistas indexadas, entre elas a Bioresource Technology e o Journal of Chemical Technology and Biotechnology.




Descoberta causa da conservação dos fósseis pré-históricos na Alemanha

Substância gordurosa na qual se transformam tecidos de animais mortos ajuda a preservar os esqueletos

02 de fevereiro de 2012 | 8h 22

Efe

Cientistas descobriram que a substância gordurosa na qual se transformam tecidos de animais mortos (adipocira) é a causa da boa conservação dos esqueletos animais do sítio paleontológico de Messel, no sul da Alemanha, anunciou o Instituto de Pesquisa Senckenberg de Frankfurt.

Segundo os analistas, as bactérias responsáveis pela deterioração dos tecidos animais não eram rápidas suficientes para decompor a camada de gordura dos animais mortos, explicou o instituto.

Desta maneira, os animais pré-históricos de Messel, considerado patrimônio natural mundial, passaram de um estado de saponificação (textura semelhante a um sabão) para fóssil duro sem se decompor e se conservam até hoje em bom estado.

"Os esqueletos de fósseis vertebrados se conservam geralmente como uma coleção de ossos dispersos de forma caótica", afirmou o instituto.

Em Messel, no entanto, a situação é diferente, pois os ossos dos animais pré-históricos do local estão dispostos exatamente como eram.

"Durante décadas, a razão pela qual os esqueletos não se deterioraram representava um enigma sem resposta", declarou Krister Smith, do departamento de Senckenberg para investigação de Messel.

Para resolver o enigma, o cientista analisou junto ao paleontólogo Michael Wuttke um lagarto ("Geiseltaliellus maarius") muito bem conservado.

Após a morte do animal pré-histórico, o cadáver foi depositado no fundo do lago Messel, onde geralmente os microorganismos presentes na água decompõem qualquer corpo orgânico e só os ossos permanecem.

No entanto, "a água do fundo de lago carecia de oxigênio", o que durante um período prolongado freou a decomposição do tecido brando, indicou Michael Wuttke.

"Nestas condições, as bactérias não são capazes de dissolver em sua totalidade a gordura dos cadáveres", explicou o paleontólogo.

Governo mexicano anuncia patente da primeira vacina contra heroína

Imunização será adotada para combater e prevenir a dependência da droga no país, principalmente entre crianças e jovens

02 de fevereiro de 2012 | 19h 25

Efe

O governo mexicano anunciou nesta última quarta, 1, a patente da primeira vacina contra heroína, que será utilizada para combater e prevenir a dependência da droga no México, principalmente entre crianças e jovens.



JB Neto/AE

Medida faz parte das ações do governo em fornecer tratamento ao invés de prender os dependentes

"O México conseguiu patentear a primeira vacina contra o uso de heroína e estamos trabalhando para realizar mais ações", disse o secretário de Saúde do país, Salomón Chertorivski, durante a apresentação da Rede de Transferência de Tecnologia para a Atenção das Dependências.

Segundo Chertorivski, a medida faz parte das iniciativas do governo em fornecer tratamento ao invés de colocar na prisão as pessoas que cometem um crime grave sob a influência de drogas.

Ele também alertou que a dependência é um insulto para a saúde e a liberdade.

A Rede de Transferência de Tecnologia para a Atenção das Dependências, inaugurada pela subsecretária americana de Estado para Assuntos Políticos, Wendy Sherman, é uma plataforma tecnológica que tem como objetivo ajudar na luta contra a dependência das drogas, tendo recebido 18 milhões de dólares do governo dos EUA.

Já foram montadas cerca de 8.500 equipes, distribuídas em 400 centros de saúde.

Como os registros eletrônicos estarão na rede, será possível, entre outras coisas, monitorar informações estratégicas sobre o consumo das drogas, além de descobrir qual é a população de risco, a idade de início e a substância de maior impacto.

O México tem aumentado significativamente o seu orçamento para prevenção da toxicodependência, que passou de 135 milhões de pesos (10,9 milhões de dólares) em 2006 para 400 milhões de pesos (31 milhões de dólares) em 2011.

Segundo o secretário de Saúde Chertorivski, o projeto é um exemplo da sólida cooperação entre o México e os Estados Unidos.O país tem recebido cerca de 750 milhões de dólares como parte da Iniciativa Mérida, um plano de segurança lançado em 2008 pelos EUA, para ajudar o México e a América Central no combate ao narcotráfico e o crime organizado.


Cientistas estudam algas como possível fonte para biocombustíveis

Equipe alterou organismo de bactérias E. coli para extrair o açúcar das algas

20 de janeiro de 2012 | 7h 51

Efe

Uma equipe de cientistas dos Estados Unidos alterou o organismo de bactérias E. coli para extrair o açúcar que se encontra nas algas marinhas e transformá-los em potencial fonte de combustíveis e químicos renováveis, abrindo assim a possibilidade de se produzir biocombustíveis marítimos acessíveis no futuro.

As algas despertaram o interesse dos pesquisadores, assim como da indústria energética, pois seu alto conteúdo de açúcar proporciona uma quantidade significativa de biomassa e não requer terra para ser colhido nem água para crescer.

O problema até agora era que as bactérias não metabolizam imediatamente o componente principal do açúcar nas algas, conhecido como alginato, o que faz com que os biocombustíveis marítimos sejam muito caros para competir seriamente no mercado com combustíveis a base de petróleo.

No entanto, mediante o uso de biologia sintética e engenharia de enzimas, os cientistas conseguiram alterar a bactéria E. coli para produzir enzimas que digerem os polímeros de açúcar presentes na alga marinha.

Os avanços obtidos por cientistas do laboratório Bio Architecture Lab (BAL) - companhia privada com sede em Berkeley (Califórnia) -, onde há quatro criações de algas marinhas, indica a edição de 20 de janeiro da revista "Science".

A bactéria alterada também produz proteínas que transportam o açúcar degradado e contém vias metabólicas que fermentam o etanol dos açúcares, uma fonte de combustível renovável.

Os autores indicam que, se este processo puder ser realizado em grande escala com sucesso, a alga marinha poderia ajudar a satisfazer a crescente demanda de biocombustível.

"Nossos cientistas elaboraram uma enzima para degradar e metabolizar o alginato, que nos permite utilizar os açúcares principais das algas, o que faz de sua biomassa uma matéria-prima econômica para a produção de combustíveis renováveis e substâncias químicas", declarou Daniel Trunfio, diretor-executivo do BAL.

Os especialistas assinalam que menos de 3% das águas litorâneas podem produzir algas capazes de substituir os mais de 60 milhões de galões de combustíveis fósseis que se empregam, mas atualmente já se cultivam algas em escala comercial.

 

Grã-Bretanha debate fertilização envolvendo DNA de três pessoas

Técnica usa material genético de duas mulheres e um homem para evitar doenças mitocondriais

20 de janeiro de 2012 | 18h 34

O governo britânico decidiu promover uma consulta pública a respeito de uma polêmica técnica de fertilização, que envolve material genético de três pessoas e cujo objetivo é prevenir que doenças sejam transmitidas de mãe para filho.

A técnica substitui material genético defeituoso no óvulo para eliminar doenças raras presentes na mitocôndria (componente celular que tem a presença de material genético), como síndromes que podem causar a morte prematura de crianças.

Só depois da consulta pública sobre a "fertilização in vitro de três pessoas" - com o material de fertilização de duas mulheres e um homem -, o governo da Grã-Bretanha decidirá se o método, atualmente usado apenas em pesquisas, poderá ser aplicado em pacientes.

Um centro de pesquisa da Universidade Newcastle também investigará se a técnica é segura.

Defeitos hereditários

A mitocôndria pode ser encontrada em quase todas as células humanas, provendo a energia que essas células precisam para funcionar.

Como os núcleos da célula, a mitocôndria contém DNA, ainda que em pequenas quantidades.

Em média, um em cada 5 mil bebês nasce com problemas hereditários em seu DNA mitocondrial, cujos efeitos podem ser graves ou até mesmo fatais, dependendo de quais células são afetadas por eles.

Cientistas acreditam ter encontrado uma forma de substituir a mitocôndria defeituosa e, assim, eventualmente prevenir o feto de desenvolver uma doença.

A técnica consiste no uso de dois óvulos - um da mãe do feto, e outro de uma doadora. O núcleo do óvulo doado é então removido e substituído pelo núcleo do óvulo da mãe.

O embrião resultante tem, dessa forma, uma mitocôndria em tese saudável e ativa vinda da doadora.

O procedimento pode ser comparado a uma troca de bateria. Não tem, portanto, impacto no DNA do feto nem na determinação de fatores como a aparência da criança.

'Manipulação genética'

No entanto, ainda que o procedimento conte apenas com uma limitada contribuição genética da terceira pessoa - a doadora -, a técnica é criticada por alguns grupos, que defendem que tais manipulações genéticas trazem riscos.

Atualmente, seria necessária uma mudança legal na Grã-Bretanha para que o procedimento possa ser oferecido a pacientes.

Ao anunciar a consulta pública, o ministro britânico para Universidades e Ciência, David Willetts, disse que "cientistas fizeram uma descoberta importante e potencialmente salvadora de vidas ao conseguir prevenir doenças mitocondriais". Mas ele faz a ressalva de que, "com todos os avanços da ciência moderna, é vital que escutemos a opinião do público antes de considerar qualquer mudança".

A consulta deve durar até o final deste ano.

A ONG Wellcome Trust, que vai financiar as pesquisas da Universidade Newcastle, defende que a técnica em discussão pode ser útil na prevenção de doenças incuráveis.

"Saudamos a oportunidade de discutir com o público o porquê de acharmos que esse procedimento é essencial para darmos às famílias afetadas (por doenças mitocondriais) a chance de ter filhos saudáveis", afirmou.

Segundo Douf Turnbull, professor da Newcastle, a universidade recebe anualmente "centenas de pacientes cujas vidas são seriamente afetadas" por essas doenças.

BBC Brasil

 

Genes são responsáveis por 40% da inteligência ao longo da vida

Contexto no qual a vida se desenvolve, considerando-se fatores como nutrição, educação dos pais e escolaridade, contribui para o desenvolvimento da inteligência

19 de janeiro de 2012 | 7h 52

Efe

Os genes são responsáveis por 40% da inteligência ao longo da vida do ser humano, enquanto os outros 60% são determinados pelo contexto, indica um estudo genético publicado nesta quinta-feira, 19, na edição digital da revista científica "Nature".

Peter Visscher, especialista em genética da Universidade de Queensland, considerou que a inteligência incide nas chances de sobrevivência, em declarações à emissora australiana "ABC".

Com o objetivo de saber por que algumas pessoas envelhecem mais inteligentes, o cientista australiano e pesquisadores britânicos examinaram testes de inteligência de mais de duas mil pessoas, que o fizeram aos 11 anos de idade e depois aos 65.

A maioria das pessoas que tinham uma inteligência média quando crianças a aumentou durante a etapa adulta, e as que tinham uma inteligência abaixo da média no início de sua vida mantiveram esta média na velhice.

O contexto no qual a vida se desenvolve, considerando-se fatores como nutrição, educação dos pais e escolaridade, contribui para o desenvolvimento da inteligência, comprovaram os pesquisadores.

Durante o estudo, os especialistas também analisaram amostras genéticas e quantificaram o papel dos genes nas mudanças da inteligência à medida que o ser humano envelhece.

"Calculamos que entre um quarto e um terço destas mudanças são genéticas", indicou Visscher.

Estudo da Nasa indica 14 ações para lidar com as mudanças climáticas

Segundo pesquisadores, medidas poderiam diminuir o ritmo do aquecimento global, melhorar a saúde das pessoas e ainda aumentar a produção agrícola universal

13 de janeiro de 2012 | 19h 16

Estadão.com.br

Um novo estudo da Agência Espacial Americana (Nasa) apresenta as 14 principais medidas para controlar a poluição do ar que, se implementadas, poderiam diminuir o ritmo do aquecimento global, melhorar a saúde das pessoas e ainda aumentar a produção agrícola universal. O estudo está publicado na mais recente edição da revista Science e foi baseado em um relatório ambiental das Nações Unidas, também liderado por Shindell e publicado no ano passado.

"Nós estamos mostrando que a implementação de reduções práticas de emissões específicas poderiam maximizar os benefícios do clima, da saúde humana e da agricultura", disse o líder da pesquisa, Drew Shindell, do Instituto Goddard para Estudos do Espaço (GISS, na sigla em inglês), da Nasa.

De acordo com o texto, a adoção destas medidas auxiliaria na diminuição significativa do aquecimento global, chegando a 0,9º C (0,5 º C) até 2050, além de aumentar o rendimento agrícola em até 135 milhões de toneladas por safra e evitar centenas de milhares de mortes prematuras a cada ano. Para os estudiosos, todas as regiões do planeta poderão sentir os efeitos positivos dessas mudanças.

Shindell e sua equipe consideraram cerca de 400 medidas de controle, baseados nas tecnologias avaliadas pelo Instituto Internacional para Análise Aplicada de Sistemas, em Laxenburg, na Áustria, e chegaram ao número final de 14. Todas tratam da diminuição de poluentes que agravam a mudança climática e colocam em risco a saúde humana e vegetal - seja diretamente ou por levar à formação de ozônio.

Entre os principais poluentes estão o carbono negro e o metano. O primeiro deles é produto da queima de combustíveis fósseis ou de biomassa, como madeira ou esterco, e pode agravar uma série de doenças respiratórias e cardiovasculares. Já o metano é uma substância incolor e inflamável que funciona como potente gás estufa e precursor do ozônio troposférico. Vale recordar que o ozônio é um componente chave dos nevoeiros contaminados por fumaça e dos gases de efeito estufa, que causam graves danos à saúde humana.

Embora o dióxido de carbono seja o principal condutor do aquecimento global a longo prazo, o carbono negro e o metano são ações complementares que teriam um impacto mais imediato, já que ambos circulam fora da atmosfera mais rapidamente.

Para a equipe de estudo de Shindell, as ações de controle oferecem maior proteção contra o aquecimento global para países como Rússia, Tadjiquistão e Quirguistão, em que existem grandes áreas cobertas por neve ou gelo. Irã, Paquistão e Jordânia experimentariam a melhoria na produção agrícola, enquanto os países do sul da Ásia e da região desértica do Sahel, na África, veriam mudanças benéficas nos padrões de precipitação. Já os países do sul da Ásia, como Índia, Bangladesh e Nepal, acompanhariam reduções significativas no número de mortes prematuras. Segundo o estudo, entre 700 mil e 4,7 milhões de mortes prematuras poderiam ser evitadas por ano, em todo o mundo.

"Proteger a saúde pública e o abastecimento de alimentos são ações ligadas às alterações climáticas ocorridas na maioria dos países" disse Shindell. "Sabendo disso, podemos motivar os governos a colocar em prática essas medidas", explica.

 

Via Láctea tem pelo menos 100 bilhões de planetas, garante pesquisa

Equipe estudou 100 milhões de estrelas entre 3 mil e 25 mil anos-luz da Terra e combinou resultados com estudos anteriores

12 de janeiro de 2012 | 12h 20

Efe

 A Via Láctea tem pelo menos 100 bilhões de planetas, revelou um censo planetário realizado por uma equipe de astrônomos e divulgado durante a reunião anual da Sociedade Astronômica Americana.

Os resultados se baseiam em observações realizadas durante seis anos em colaboração com o programa Planet (Probing Lensing Anomalies NETwork), uma rede de telescópios que registram medidas fotométricas das estrelas.

Os cientistas chegaram a este número graças à técnica de microlentes gravitacionais, que pode ser utilizada para detectar a presença de objetos maciços, como buracos negros e planetas extra-solares.

A equipe estudou 100 milhões de estrelas entre 3 mil e 25 mil anos-luz da Terra e combinou seus resultados com estudos anteriores para criar uma amostra estatística de estrelas e planetas que as orbitam.

O cruzamento de dados revela que cada estrela da nossa galáxia contém, em média, um planeta, o que demonstra que, ao contrário do que se pensava até alguns anos atrás, não é tão raro que uma estrela tenha seu próprio sistema planetário, como o Sol.

Utilizando a técnica da microlente os astrônomos podem determinar a massa de um planeta, embora este método não revele nenhuma pista sobre sua composição.

Os pesquisadores concluíram que são predominantes os planetas menores, do tamanho de Mercúrio, Vênus, Terra e Marte, o que abre a possibilidade de encontrar novos candidatos a abrigar vida.


Descobertos novos planetas que orbitam ao redor de 2 sóis

Fenômeno consolida a suspeita de que existem milhões deles na galáxia; corpos celestiais foram chamados de Kepler-34b e Kepler-35b, já que foram localizados pela missão da Nasa

12 de janeiro de 2012 | 7h 57

Efe

Uma equipe de astrônomos encontrou dois novos planetas que orbitam ao redor de dois sóis, um fenômeno que foi observado pela primeira vez na história em setembro do ano passado e que consolida a suspeita de que existem milhões deles na galáxia.

 Universidade da Flórida anunciou nesta última quarta-feira, 11, a descoberta, da qual participaram alguns de seus astrônomos e que foi possível graças à análise dos dados obtidos pela missão Kepler, da Nasa.

Os cientistas batizaram os planetas de Kepler-34b e Kepler-35b. Ambos orbitam ao redor de uma "estrela binária", um sistema estelar composto de duas estrelas que orbitam mutuamente ao redor de um centro de massas comum.

"Embora a existência destes corpos, chamados de planetas circumbinários, tenha sido prevista há muito tempo, era só uma teoria, até que a equipe descobriu o Kepler-16b em setembro de 2011", explicou a instituição em comunicado.

Kepler-16b foi batizado então como "Tatooine", em referência ao desértico planeta dos filmes "Guerras nas Estrelas", que tinha a peculiaridade de contar com dois sóis.

"Durante muito tempo tínhamos achado que esta classe de planetas era possível, mas foi muito difícil de detectar por diversas razões técnicas", explicou o professor associado de Astronomia da Universidade da Flórida, Eric Ford.

Ford acrescentou que a descoberta de Kepler-34b e Kepler-35b, que será publicada nesta quinta-feira na edição digital da revista "Nature", somado à de Kepler-16b em setembro, "demonstra que na galáxia há milhões de planetas orbitando duas estrelas".

Acredita-se que os dois planetas recém-descobertos são formados fundamentalmente por hidrogênio e que são quentes demais para abrigar vida. São dois gigantes de gás de muito pouca densidade, comparáveis em tamanho a Júpiter, mas com muito menos massa.

Kepler-34b é 24% menor que Júpiter, mas tem 78% menos massa, e pode completar uma órbita em 288 dias terrestres. Já Kepler-35b é 26% menor, tem uma massa 88% inferior e demora apenas 131 dias para dar uma volta completa em seus dois sóis.

"Os planetas circumbinários podem ter climas muito complexos durante cada ano alienígena, já que a distância entre o planeta e cada estrela muda significativamente durante cada período orbital", explicou Ford.

A missão Kepler, que começou em março de 2009, utiliza um telescópio para observar uma pequena porção da Via Láctea. Os astrônomos analisam os dados procedentes do telescópio e buscam aqueles que mostram um escurecimento periódico que indique que um planeta cruza a frente de sua estrela anfitriã.

O objetivo da missão é encontrar planetas do tamanho da Terra na zona habitável das órbitas das estrelas (onde um planeta pode ter água líquida em sua superfície).

"A maioria das estrelas similares ao Sol na galáxia não está sozinha, como o sol da Terra, mas tem um 'parceiro de dança' e forma um sistema binário", explicou a Universidade da Flórida.

De fato, a missão Kepler já identificou 2.165 estrelas binárias eclipsantes (que tapam uma a outra desde a perspectiva do telescópio) entre as mais de 160 mil estrelas observadas até o momento.


Como as abelhas exercem a democracia

12 de janeiro de 2012 | 3h 02

Fernando Reinach - O Estado de S.Paulo

Apesar de terem uma rainha, as abelhas tomam decisões usando um processo democrático, que envolve a formação de opiniões individuais e a construção de um consenso coletivo. Agora foi descoberto um novo mecanismo que atua nesse processo. Um sofisticado processo de inibição é capaz de transformar os proponentes da proposta perdedora em defensores da proposta vencedora. Esse mecanismo permite à colmeia atuar unida após o término da eleição.

O processo de formação de uma nova colmeia é bem conhecido. Uma jovem rainha e um grupo de operárias saem da colmeia original e se agrupam em um local próximo. Sua primeira tarefa é decidir onde vão construir a nova colmeia. É uma decisão importante, uma vez que a escolha de um local ruim pode levar a colmeia incipiente à extinção.

Na primeira etapa, o grupo envia as operárias mais experientes para sondar as redondezas. Cada uma delas escolhe o local que acha melhor e defende a sua escolha. Isso ocorre por meio de uma espécie de dança. Essa dança tem duas partes: a primeira consiste em caminhar rebolando em linha reta; a segunda, numa curva sem rebolado, que faz com que a abelha volte para onde iniciou seu rebolado.

O comprimento do percurso em que a abelha caminha rebolando indica a distância até o local proposto; o ângulo da curva indica a direção em que as abelhas têm de voar para chegar ao local. E o número de vezes que ela repete a dança indica a avaliação que ela faz do local. Normalmente, diversas abelhas visitam cada local e fazem a propaganda dele para as colegas. Os diversos partidos políticos (cada um defendendo seu local) dançam até convencer a maioria. Quando isso ocorre, termina a eleição e todas as abelhas, mesmo a rainha, partem para o local escolhido e começam a construir a nova colmeia.

Quando estudaram a maneira como as abelhas analisam as diversas propostas e tomam a decisão (apuração dos votos e declaração da proposta vencedora), cientistas observaram que durante a dança ocorria algo estranho. Enquanto uma abelha dançava, várias outras davam cabeçadas na dançarina - e, dependendo do número de cabeçadas, parecia que ela resolvia parar de repetir a sua dança. Aí eles se perguntaram quem eram as abelhas que davam as cabeçadas.

Para identificá-las, soltaram grupos de abelhas que procuravam um local para fazer uma colmeia em uma ilha deserta, sem locais adequados. Nessa ilha, colocaram duas caixas de madeira adequadas para a nova colmeia. Mas essas caixas continham pequenas quantidades de tinta; assim, as operárias que visitavam as caixas ficavam com as costas marcadas de amarelo (caixa 1) ou rosa (caixa 2). Assim, os cientistas puderam filmar as danças das operárias, identificar as que estavam propondo a caixa 1 ou a 2 (rosa) e contar os votos.

Intriga da oposição. A observação mais interessante foi a identidade das abelhas que davam as cabeçadas. Se uma abelha "amarela" estava dançando, as cabeçadas inibitórias eram sempre das "rosas" e vice-versa. Eles também demonstraram que o número de cabeçadas inibia a quantidade de dança e, portanto, o poder de convencimento das abelhas.

Como as abelhas que possuem maioria têm mais possibilidades de dançar sem levar cabeçadas - e ao mesmo tempo têm a possibilidade de dar mais cabeçadas nas defensoras da proposta adversária -, esse mecanismo leva a uma convergência mais rápida para o consenso. Os cientistas fizeram modelos matemáticos que simulam esse mecanismo de inibição e eles confirmam que a presença de um mecanismo de inibição leva a uma decisão mais rápida, convertendo os perdedores em adeptos da proposta vencedora, garantindo que as abelhas fiquem alinhadas com a proposta vencedora e juntem forças para construir a colmeia no local escolhido.

Nas democracias humanas, não temos um modelo semelhante. Mesmo depois de conhecida a vontade da maioria, é normal os perdedores sabotarem a vontade da maioria. É verdade que muitas vezes ouvimos discursos nos quais o candidato derrotado decreta que "decidido o pleito, vamos trabalhar juntos pela proposta vencedora", mas na maioria das vezes isso não passa de retórica.

É interessante observar como as abelhas, mesmo com um cérebro minúsculo e comportamentos relativamente simples, implementam um processo democrático eficiente, que resulta na execução rápida e eficaz da vontade da maioria. É uma evidência de que o ego dos políticos humanos é um dos componentes que prejudicam os processos democráticos. Abelhas, afinal, que se saiba, não possuem ego ou orgulho exacerbado nem pecam pela falta de humildade.

MAIS INFORMAÇÕES: STOP SIGNALS , PROVIDE CROSS INHIBITION IN COLLECTIVE DECISION-MAKING BY HONEYBEE SWARMS. SCIENCE, VOL. 335, PÁG. 108.

*Biólogo.


Pesquisadores buscam novos antibióticos em bactérias no solo

Objetivo é descobrir moléculas com potencial para se tornarem drogas

11 de janeiro de 2012 | 8h 16

Agência Fapesp

Na esperança de descobrir moléculas com potencial para se tornarem drogas imunossupressoras, anticancerígenas ou antibióticas, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) têm se dedicado ao estudo de um grupo de micro-organismos existente no solo conhecido como actinobactérias.

A pesquisa, intitulada “Explorando a biodiversidade brasileira para a obtenção de produtos naturais ‘não naturais’”, é coordenada por Luciana Gonzaga de Oliveira, professora do Instituto de Química, e tem apoio da FAPESP por meio do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes.

Oliveira explica que as bactérias existentes no solo e os fungos são os maiores produtores de moléculas conhecidas como metabólitos secundários.

Ao contrário do que o nome possa sugerir, essas moléculas são essenciais para a sobrevivência dos microrganismos, pois fazem parte dos processos de crescimento, desenvolvimento e reprodução. Além disso, muitos metabólitos secundários apresentam propriedades bioativas, ou seja, podem ser usados no desenvolvimento de fármacos.

“A maioria dos metabólitos secundários com potencial terapêutico foi descoberta na era de ouro dos antibióticos - entre 1944 e 1972 - e deu origem a medicamentos que usamos até hoje, como a eritromicina e a rapamicina”, explicou a pesquisadora.

Mas as pesquisas diminuiram à medida que se tornou mais difícil encontrar novas moléculas promissoras. Desde então, poucos antibióticos foram desenvolvidos - a grande maioria são variações de fármacos descobertos há mais de 50 anos. As bactérias patogênicas, por outro lado, foram se tornando resistentes a várias classes de drogas existentes.

A esperança para reverter esse quadro sombrio veio com o avanço e barateamento das técnicas de mapeamento genético, de acordo com Oliveira. Muitas equipes investiram no sequenciamento total do genoma de várias actinobactérias. Descobriram então a presença de genes associados à produção de metabólitos secundários ainda não conhecidos.

“Percebeu-se que o potencial biossintético dessas linhagens é subestimado. Esses microrganismos possuem um verdadeiro maquinário para produzir metabólitos que pode ser explorado. Com a informação do genoma, é possível prever a estrutura desse metabólito e assim estimar o potencial do microrganismo em sintetizar os alvos de interesse”, explicou.

A equipe coordenada por Oliveira está particularmente interessada em dois tipos de metabólitos: os policetídeos reduzidos e os peptídeos não ribossomais, que possuem inúmeras atividades farmacológicas. Essas moléculas são sintetizadas por um grupo de proteínas e complexos enzimáticos conhecidos como policetídeo sintase (PKS) e peptídeo não ribossomal sintetase (NRPS).

“Equipes de pesquisa ao redor do mundo têm investido em aproximações guiadas pelo genoma para a identificação de novos metabólitos. No Brasil, possuímos uma diversidade riquíssima em termos de fauna, flora e também de microrganismos, mas temos poucos grupos empenhados em desenvolver pesquisas dessa natureza, que poderiam impulsionar a descoberta de novas drogas”, afirmou Oliveira.

Sequenciamento

Em vez de sequenciar todo o genoma das actinobactérias estudadas - o que atualmente é inviável por causa do custo - o grupo da Unicamp está mapeando os fragmentos genéticos responsáveis pela produção das enzimas PKSs e NRPSs. Dessa forma, é possível estimar o potencial biossinético de diversas linhagens de actinobactérias, entre elas a Streptomyces.

Inicialmente, os pesquisadores investigaram 15 linhagens de bactérias. Depois, o número foi expandido para 80. Com o objetivo de concentrar esforços nos organismos mais promissores, aplicaram outros testes que ajudam a identificar a presença de PKSs e NRPSs. Desse modo, conseguiram escolher duas linhagens para estudo mais aprofundado.

“Os estudos envolvem a identificação dos metabólitos produzidos em condições de cultivo em laboratório e também daqueles que não são produzidos, muitas vezes porque o sistema de expressão gênica não está sendo ativado nessas condições”, contou Oliveira.

A pesquisadora ressalta que todo o trabalho seria facilitado e as previsões seriam feitas com mais agilidade se houvesse possibilidade de se fazer o sequenciamento total do genoma dos microrganismos.

“Queremos, em um futuro próximo, sequenciar essas duas linhagens completamente. Essas informações trariam resultados de maior impacto e permitiriam um progresso notável nessa área de pesquisa, tornando o país competitivo internacionalmente”, disse.

Oliveira conta que o custo estimado do mapeamento completo do genoma de um microrganismo está em torno de R$ 30 mil. “Estamos tentando nos reunir com outros grupos que também tenham interesse nessa área para investir no sequenciamento de vários microrganismos da nossa biodiversidade”, disse.

O projeto envolveu, até o momento, a participação de um aluno de mestrado e seis alunos de iniciação científica. Resultados parciais foram apresentados em congressos nacionais e internacionais, entre eles o da Sociedade Brasileira de Química e o Simpósio Ibero-americano de Química Orgânica.


11 Descobertas científicas que revolucionaram a última década

Saiba quais foram os principais avanços tecnológicos do mundo da ciência

10 de novembro de 2011 | 19h 26

Estadão.com.br

1. Reprogramação celular - A criação das chamadas células pluripotentes, células-tronco capazes de se diferenciar e se transformar em qualquer tipo de célula do corpo, pode tornar possível a reposição de tecidos sem rejeição

2. Biomoléculas de milhões de anos - pesquisadores descobriram que biomoléculas podem sobreviver milhares de anos, guardando importantes informações científicas. A descoberta permitiu, por exemplo, que o genoma de mulheres neandertais fosse sequenciado

3. Água em Marte - descoberta de fortes evidências da presença de água há bilhões até mesmo na superfície do Planeta Vermelho

4. Entendendo o RNA - Antes visto como a "matéria escura" do DNA, os cientistas passam a entender melhor o importante papel do RNA na sintetização de proteínas e construção do genoma

5. Simulação quântica - comportamento de cristais artificiais é simulado em computador

6. Novos materiais - Físicos e engenheiros criaram os chamados "metamateriais", lentes capazes de desafiar as leis de Newton e manipular a luz, criando verdadeiras capas de invisibilidade

7. Receita para o Cosmo - Nos últimos anos, cientistas conseguiram deduzir uma "receita" precisa para a composição do Universo. Estudos sobre a quantidade de matéria, de matéria escura e sobre a taxa de aceleração do cresciemento do universo se tornaram cada vez mais precisos

8. Microbioma - descoberta envolve os micro-organismos que não causam danos à saúde. Segundo a Science, 9 em 10 células do corpo humano são micróbios

9. Exoplanetas - o número de planetas descobertos fora do sistema solar saltou de 26 no ano 2000 para 502 em 2010 com o lançamento da sonda Kepler, da Nasa. O objetivo da missão é encontrar planetas similares à Terra que possam abrigar vida

10. Inflamações - cientistas descobriram que esses processos estão por trás de doenças crônicas como Alzheimer e aterosclerose

11. Mudanças climáticas - avanços no estudo do aquecimento global comprovaram que as temperaturas mundiais não param de subir

 

Astrônomos descobrem nuvem de gás puro que data do universo primitivo

De acordo com pesquisadores, composição do gás é totalmente compatível com o que foi previsto pela teoria do Big Bang

11 de novembro de 2011 | 16h 27

Estadão.com.br

Pela primeira vez na história, astrônomos encontraram duas nuvens de gás puro que se formaram nos minutos iniciais pós-Big Bang. A composição do gás corresponde às previsões teóricas, fornecendo evidências diretas de apoio à explicação cosmológica moderna sobre a origem dos elementos no universo.

Apenas os elementos mais leves, principalmente hidrogênio e hélio, foram criados no Big Bang. Em seguida, algumas centenas de milhões anos se passaram antes que as nuvens deste gás primordial condensassem para formar as primeiras estrelas, em que elementos mais pesados foram forjados. Até agora, os astrônomos sempre detectaram 'metais' (o termo para todos os elementos mais pesados que hidrogênio e hélio) onde quer que eles tenham olhado no universo.

"Nós sempre falhamos ao tentar encontrar material puro no universo. Esta é a primeira vez que observo gás puro não contaminado por elementos mais pesados de estrelas", disse J. Xavier Prochaska, professor de astronomia e astrofísica da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz. Prochaska é co-autor de um artigo sobre as descobertas que foi publicado no site da revista Science nesta última quinta, 10. A autora principal é Michele Fumagalli, uma estudante de graduação da Universidade da Califórnia, e outro co-autor é John O'Meara, do Saint Michael's College, em Vermont.

"A falta de metais nos diz que este gás é puro", disse Fumagalli. "Isso é muito emocionante porque é a primeira evidência de que o gás é totalmente compatível com a composição do gás primordial previsto pela teoria do Big Bang."

Os pesquisadores descobriram as duas nuvens de gás puro quando analisaram a luz de quasares distantes, usando o espectrômetro HIRES que é acoplado ao Telescópio Keck I no Observatório WM Keck, no Havaí. Ao espalhar a luz brilhante de um quasar em um espectro com diferentes extensões de ondas, os pesquisadores puderam ver quais extensões foram absorvidas pelo material entre o quasar e o telescópio.

"Nós pudemos ver as linhas de absorção no espectro onde a luz era absorvida pelo gás, o que nos permitiu medir a composição do gás", disse Fumagalli.

Cada elemento tem uma impressão digital única. Todos eles aparecem em forma de linhas escuras no espectro. Nos espectros das nuvens de gás, os pesquisadores viram apenas o hidrogênio e seu isótopo pesado, o deutério. "Não temos qualquer sensibilidade ao hélio, mas esperaríamos vê-lo se tivéssemos", observou. "Nós temos uma excelente sensibilidade para o carbono, oxigênio e silício, e esses elementos estão completamente ausentes."

Antes da descoberta, os pesquisadores usavam como padrão o índice de metalicidade do Sol para saber sobre os metais existentes no universo. O conceito de 'metalicidade' descreve a abundância relativa de elementos mais pesados que o hélio em uma estrela. A metalicidade absoluta do Sol é 1,6% de sua massa e o índice é de [Fe / H] = 0. Todos os objetos celestes com menos metais que o Sol têm um índice de metalicidade negativo e com mais metais, positivo.

"As pessoas pensavam que havia um 'chão' para a metalicidade, que nada poderia ser inferior a um milésimo do enriquecimento solar. Mas isso é porque os metais produzidos em galáxias estavam dispersos no universo", disse Fumagalli. "Esse fato inesperado desafia nossas ideias sobre como os metais estão distantes das estrelas que os produzem."

Os pesquisadores estimaram uma metalicidade para o gás puro de cerca de um décimo de milésimo do sol. No outro extremo, estrelas e gases com maior metalicidade são quase dez vezes mais enriquecidas como o sol. "A abundância de metal em bolsos diferentes do universo abrange uma gama enorme", disse Prochaska. "Assim, estes achados vão além da nossa compreensão de como os metais são distribuídos por todo o universo."

A análise espectrográfica das nuvens de gás puro as coloca no tempo em cerca de 2 bilhões de anos após o Big Bang, ou quase 12 bilhões de anos atrás. Naquela época, os modelos teóricos previam que as galáxias estavam crescendo, puxados por vastas correntes de gás frio, mas estes 'fluxos frios' nunca foram vistos. De acordo com Fumagalli, as nuvens de gás puro são candidatas potenciais ao papel dessas correntes. Mais estudos são necessários, no entanto, para ver se as nuvens de gás recém-descobertas estão associados com as galáxias.



Pesquisadores descobrem quarto estado físico da água

Quais são os estados físicos da água? Líquida, sólida e gasosa, certo? Errado! Cientistas descobriram que a água pode ter um quarto estado.

Os pesquisadores analisaram a água que, em certas condições específicas de pressão, por exemplo, permanece líquida após 0ºC – ponto em que a água líquida normalmente congela. Mais especificamente, os cientistas usaram simulações de computador (pois os instrumentos de laboratório não são sensíveis o suficiente) para avaliar a água líquida a -47,8ºC nessas condições.

Segundo Pradeep Kumar e H. Eugene Stanley, neste "novo estado" a água está líquida mas mantém algumas características do gelo, passando a ter uma estrutura molecular mais organizada. O que surpreendeu os cientistas foi que a água nesse estado se tornou uma melhor condutora de calor, diferentemente do que acontece com a água e o gelo. 

 


Pesquisadores transformam vírus em legos moleculares

Estudo feito nos EUA tenta imitar a natureza ao 'recriar' estruturas complexas de macromoléculas, como o colágeno, que são parte importante do funcionamento orgânico de animais e plantas

19 de outubro de 2011 | 15h 01

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, fizeram um vírus benigno se tornar uma ferramenta de engenharia utilizada para montagem de estruturas que imitam o colágeno, uma das proteínas mais importantes na natureza. O processo desenvolvido poderia até ser usado para a fabricação de materiais com propriedades ópticas ajustadas, biomédicas e mecânicas. O estudo foi divulgado nesta quarta, 20, pela revista Nature.


"Tiramos nossa inspiração da natureza", disse o pesquisador Lee Seung-Wuk, professor associado de bioengenharia da UC Berkeley e cientista do corpo docente da Lawrence Berkeley National Laboratory (LBNL). "A natureza tem uma capacidade única de criar materiais funcionais a partir de blocos de construção muito básicos. Encontramos uma maneira de imitar a formação de diversas e complexas estruturas de macromoléculas helicoidais, como o colágeno, quitina e celulose, que são os blocos de construção primária para uma ampla variedade de materiais funcionais em animais e plantas".

O mandril, espécie de macaco de cara azul (Mandrillus sphinx), por exemplo, tem uma coloração que deriva não do pigmento, mas a partir do espalhamento de luz específico que é formado quando as fibras finas de colágeno são empacotadas, torcidas e sobrepostas em camadas da sua pele.

Em contraste, o alinhamento do colágeno na perpendicular, padrão estilo rede, cria transparência e é a base do tecido da córnea. E as fibras em formato de saca-rolhas, mineralizadas após interagirem com cálcio e fosfato, podem gerar partes mais difíceis do nosso corpo: ossos e dentes.

"O bloco de construção básico para todos estes materiais funcionais - córneas, pele e dentes - é exatamente o mesmo: colágeno", disse Lee. "Fiquei fascinado quando vi a cor da pele brilhante e os dentes afiados dos macacos de cara azul no zoológico de São Francisco. É impressionante como a maneira que as fibras de colágeno estão alinhadas, torcidas e moldadas, determinem suas funções ópticas e mecânicas. O que não havia sido bem entendido, porém, era como um bloco de construção simples poderia criar tais estruturas complexas com diversas funções", explica o pesquisador.

Os pesquisadores começaram a estudar os fatores que influenciam a formação de estruturas hierárquicas. "Percebemos como o colágeno é secretado em espaços confinados e como a sua montagem em tecidos pode ser influenciada pelo ambiente", disse Woo-Jae Chung, pesquisador pós-doutorado no laboratório de Lee. "Infelizmente, o colágeno é um material difícil de estudar porque é complicado ajustar suas estruturas físicas e químicas. Precisávamos de um sistema modelo que fosse conveniente para resolver o problema", explica.

O sistema era uma sopa de solução salina contendo concentrações variadas de um vírus comum que infecta bactérias: o bacteriófago M13. Os pesquisadores escolheram o vírus M13 - inofensivos aos seres humanos e um organismo modelo em laboratórios de pesquisa - por conta de seu formato com uma ranhura helicoidal na superfície que se assemelha às fibras colágenas.

A técnica desenvolvida pelos cientistas implica mergulhar uma folha plana de vidro dentro do banho viral, e então, lentamente, puxá-lo para fora a velocidades precisas. A folha emerge com um filme novo de vírus já ligado a ela. Seguindo um média de tempo de 10 a 100 micrômetros por minuto, tal operação poderia levar de 1 a 10 horas para uma folha inteira ser processada.


Humanidade é mais inteligente e menos violenta, diz estudo

Segundo psicólogo canadense, melhora nos testes de raciocínio abstrato e desenvolvimento da empatia entre as pessoas são alguns dos responsáveis pelo declive da barbárie

19 de outubro de 2011 | 18h 51

 

Efe

LONDRES - A história da humanidade representa uma evolução na qual as pessoas são cada vez mais inteligentes, e em consequência disso, menos violentas, diz estudo publicado nesta quarta-feira, 19, no último número da revista Nature.

O psicólogo canadense Steven Pinker argumenta que o aumento da inteligência, que se reflete em pontuações médias cada vez mais altas nos teste de raciocínio abstrato, e também o desenvolvimento da empatia entre os seres humanos, propiciaram um declive da barbárie nos últimos séculos.

Além disso, a alfabetização e o cosmopolitismo favoreceram uma troca de ideias em nível global que "possibilita a compreensão do mundo e facilita os acordos" entre distintas sociedades.

"Apesar de atualmente nos sentirmos constantemente rodeados pela violência, em séculos anteriores a situação era muito pior. Impérios em colapso, conquistadores maníacos e invasões tribais" eram comuns, afirma Pinker.

A arqueologia forense e a demografia sugerem que em torno de 15% dos indivíduos nas sociedades "pré-estatais" morriam de maneira violenta, uma proporção cinco vezes maior à registrada no século XX, apesar de suas guerras, genocídios e crises de fome.

Nesse sentido, Pinker aponta que a afirmação popular de que "o século 20 é o mais sangrento da história" é uma mera "ilusão" que dificilmente pode ser apoiada em dados históricos.

A barbárie diminuiu comparada a épocas anteriores não só com relação a conflitos armados, mas também a comportamentos sociais, diz o pesquisador.

No século 14, 40 em cada 100 mil pessoas morriam assassinadas, enquanto atualmente essa taxa se reduziu a 1,3 pessoas.

"Além disso, nos últimos séculos, a humanidade abandonou progressivamente práticas como os sacrifícios humanos, a perseguição de hereges e métodos cruéis de execução como a fogueira, a crucificação e a empalação", lembra o psicólogo.

Pinker atribui essa evolução ao aperfeiçoamento da racionalidade e não a um "sentido moral" dos seres humanos, que por si só serviu para "legitimar todo tipo de castigos sangrentos".

"A propagação de normas morais tornou frequentes as represálias violentas por faltas como a blasfêmia, a heresia, a indecência e as ofensas contra os símbolos sagrados", afirma.

O estudo ressalta que com o tempo o ser humano foi diversificando sua tendência ao comportamento agressivo, presente desde os primeiros "Homo sapiens".

"A racionalidade humana precisou de milhares de anos para concluir que não é bom escravizar outras pessoas, exterminar povos nativos, encarcerar homossexuais e iniciar guerras para restaurar a vaidade ferida de um rei", diz o psicólogo.

O autor do estudo apoia sua tese sobre o aumento da inteligência em pesquisas anteriores, que mostram como o Quociente Intelectual (QI) médio aumenta a cada geração.

"As empresas que vendem testes de inteligência têm que normalizar seus resultados periodicamente. Um adolescente médio de hoje em dia se voltasse a 1910 marcaria um QI de 130, enquanto uma pessoa típica do século 20 não passaria da pontuação 70 atualmente", explica Pinker.



Primeira vacina contra a malária passa em teste importante

Produto deve ser o primeiro medicamento preventivo usado em grande escala

18 de outubro de 2011 | 18h 34

Reuters

Uma vacina experimental do laboratório GlaxoSmithKline reduziu pela metade a incidência da malária entre crianças africanas envolvidas em um teste de grande escala, e provavelmente se tornará o primeiro medicamento preventivo a ser usado em grande escala contra essa doença letal.

Os dados do estágio final do teste, divulgados nesta terça-feira, mostraram que a vacina protegia de forma adequada contra a malária, inclusive os casos graves, em bebês de 5 a 17 meses na África, onde a doença, transmitida por mosquitos, mata centenas de milhares de crianças por ano.

"Esses dados nos deixam prestes a termos a primeira vacina mundial para a malária", disse Andrew Witty, executivo-chefe do laboratório britânico que desenvolveu a vacina em conjunto com a ONG Path -- Iniciativa da Vacina da Malária (MVI, na sigla em inglês).

Mas Witty e outros especialistas salientaram que a vacina, conhecida como RTS,S ou Mosquirix, não levará a uma rápida erradicação da doença. Ela é menos eficaz contra a malária do que outras vacinas contra infecções comuns, como a pólio e o sarampo.

"Desejaríamos que pudéssemos erradicar (a malária), mas acho que (a vacina) vai contribuir para controlar a malária ao invés de erradicá-la", disse à Reuters Tsiri Agbenyega, pesquisador-chefe dos testes com a RTS,S em Gana, durante uma conferência sobre a doença em Seattle.

A malária é endêmica em mais de cem países, e matou 781 mil pessoas em 2009, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Medidas de controle, como o uso de mosquiteiros tratados com inseticidas, aspersões domésticas de inseticidas e o uso combinado de determinados remédios, contribuíram nos últimos anos para uma redução na incidência da doença e na mortalidade, mas especialistas dizem que é vital obter uma vacina efetiva.

Os novos dados, apresentados na conferência do Fórum da Malária da Fundação Bill & Melinda Gates, e publicados simultaneamente na revista New England Journal of Medicine, foram os primeiros da fase 3 (estágio final) do teste clínico realizado em 11 localidades de sete países da África Subsaariana.

O teste continua, mas os pesquisadores que analisaram os dados das primeiras 6.000 crianças concluíram que, após 12 meses de acompanhamento e três doses da RTS,S, a incidência da malária clínica diminuiu 56 por cento nas crianças, e os casos severos tiveram queda de 47 por cento.

"Estamos muito felizes com os resultados. Nunca estivemos mais próximos de termos uma vacina bem sucedida contra a malária", disse Christian Loucq, diretor da Path-MVI, que também esteve na conferência.

Ele acrescentou que o uso disseminado de mosquiteiros sobre as camas -- adotadas por 75 por cento dos participantes -- indicou que a RTS,S pode garantir uma proteção significativa em conjunto com outros métodos existentes de controle da doença.

Os resultados em bebês de 6 a 12 semanas devem sair dentro de um ano e, se tudo correr bem, a GSK acredita que a vacina chegaria ao mercado em 2015.

PREÇO DE CUSTO

Mas levar o produto até as crianças africanas exigirá um esforço concentrado por parte dos financiadores internacionais, como a Fundação Gates, que bancou parte da pesquisa. Especialistas dizem que, para ser viável, a vacina precisará ser barata.

Gates disse que os resultados foram um "grande marco" na luta contra a malária.

Witty recusou-se a dizer se o tratamento com três injeções poderá sair a menos de dez dólares, mas afirmou que a RTS,S será oferecida ao menor custo possível.

A empresa havia dito anteriormente que cobraria apenas o preço de custo, mais um adicional de 5 por cento a ser reinvestido em pesquisas com doenças tropicais. "Não vamos ganhar nenhum dinheiro com este projeto", disse Witty.

Mesmo assim, as ações da Agenus, pequena parceira norte-americana de biotecnologia da GSK que fabrica um componente da vacina, tiveram alta de 40 por cento depois da divulgação dos resultados positivos.

A malária é causada por um parasita transmitido pela saliva dos mosquitos. A vacina RTS,S é acionada quando o parasita entra na corrente sanguínea humana, depois da picada do mosquito. Ao estimular uma reação imunológica, ela pode evitar que o parasita amadureça e se multiplique no fígado.

Sem essa reação imunológica, o parasita volta para a corrente sanguínea e contamina os glóbulos vermelhos, causando febre, dores no corpo e eventualmente a morte.

Joe Cohen, um dos inventores da RTS,S, disse que os dados são robustos e consistentes com testes anteriores, que também mostraram uma eficácia em torno de 50 por cento. Os efeitos colaterais, incluindo febre e inchaço na área da injeção, foram semelhantes em crianças que receberam a RTS,S e um placebo.

Cohen, que há 24 anos desenvolve essa vacina, se disse "muito orgulhoso do que conseguimos."

Alguns comentaristas externos foram cautelosos sobre o potencial da vacina -- os sanitaristas geralmente esperam que uma vacina tenha eficácia superior a 80 por cento --, mas disseram que se trata de uma invenção importante, que deve salvar muitas vidas.

"Provavelmente ainda não chegamos lá, mas é realmente um avanço importante nas ciências", disse à Reuters em Seattle Peter Agre, diretor do Instituto Johns Hopkins de Pesquisa da Malária e ganhador do Prêmio Nobel (2003).

Em artigo na revista New England Journal of Medicine, Nicholas White, da Universidade Mahidol, da Tailândia, afirmou que "está ficando cada vez mais claro que de fato temos a primeira vacina efetiva contra uma doença parasitária em humanos."

Vacina anti-HIV geneticamente modificada tem 90% de sucesso

(06/10/2011)

Voluntários submetidos aos testes desenvolveram resposta imunológica contra o virus e o efeito da vacina permaneceu por até um ano.

Pesquisadores do Centro Nacional de Biotecnologia da Espanha anunciaram em setembro terconseguido uma alta taxa de sucesso em uma vacina contra o vírus da Aids. Em um ensaio clínico com 30 pessoas, a vacina melhorou a resposta imunológica de 90% delas. Além disso, os efeitos do antídoto permaneceram no organismo dos participantes por até um ano.

A nova arma contra a Síndrome da Imonodeficiência Adquirida (Aids) é um produto da biotecnologia. Cientistas espanhóis inseriram quatro genes (Gag, Pol, Nef e Env) do vírus HIV, causador da doença, na sequência genética da vacina, dando origem à substância MVA-B, uma variedade atenuada do vírus. O MVA-B é estudado há mais de 10 anos e já foi usado em pesquisas para desenvolvimento de vacinas contra várias doenças, entre elas, a varíola.

Os genes de HIV inseridos no DNA do antídoto não são capazes de se autorreplicar, o que garante a segurança do teste clínico. A equipeque conduziu os estudos ressaltou que o MVA-B é seguro. “O MVA-B demonstrou que é tão potente ou até melhor do que outras vacinas atualmente em estudo”, afirmou o pesquisador do Centro Nacional de Biotecnologia e responsável pelo desenvolvimento do composto, Mariano Esteban.

Embora os testes ainda estejam na faseinicial, são os mais promissores, até agora, em relação à durabilidade do remédio no corpo humano. Agora, os cientistas espanhóis precisam estender os ensaios clínicos.

Fonte: Science Daily - Setembro de 2011

Proteína produzida por células GM pode auxiliar no tratamento do câncer (05/10/2011)

Ratos foram geneticamente modificados para expressarem a proteína Par-4, que inibe a metástase.

Pesquisadores da Universidade do Kentucky modificaram geneticamente ratos para que expressassem a proteína Par-4 (também conhecida como PWAR), capaz de induzir seletivamente a apoptose (morte celular) em células cancerosas. Dessa maneira, tornavam-se resistentes a tumores. O efeito se dá apenas em células doentes, sendo inócuo para as saudáveis.

Em outra etapa dos estudos, as células contendo o gene que produz a proteína foram transferidas para outros ratos, que originalmente não expressavam a proteína. Os ratos que receberam a medula óssea dos animais geneticamente modificados passaram a exibir atividade elevada do sistema responsável pela produção da proteína Par-4. Isso significa que o transplante foi bem-sucedido e que o ‘sistema de proteção ao câncer’ foi passado adiante para os receptores. Mais: a injeção de uma solução contendo a proteína Par-4 nos camundongos também inibiu a metástase, ou formação de tumores secundários no corpo.

A medula óssea é um tecido gelatinoso que fica dentro da cavidade dos ossos e é responsável pela produção de leucócitos — células que combatem microrganismos — e outras células que compõem o sangue, como as hemácias.

Segundo Vivek Rangnekar, responsável pelo trabalho, o tratamento de tumores primários e secundários pode melhorar com os novos procedimentos de transplante usando células-tronco geneticamente modificadas.

Fonte: Universidade de Kentucky - Agosto de 2011


Cientistas usam clonagem para produzir células-tronco humanas

Experimento é significativo porque tais células potencialmente podem ser transplantadas para substituir células danificadas em pessoas com diabete ou outras doenças sem serem rejeitadas

05 de outubro de 2011 | 17h 12

Reuters

CHICAGO - Cientistas norte-americanos usaram pela primeira vez uma técnica de clonagem para obter células-tronco embrionárias dentro de óvulos humanos não fertilizados, numa descoberta histórica e possível ponto de discórdia para os críticos da pesquisa de células-tronco.

Os pesquisadores estavam tentando provar que é possível usar uma tecnologia de clonagem chamada transferência nuclear de células somáticas (TNCS) para produzir células-tronco embrionárias que correspondam ao DNA de um paciente.

O feito, publicado nesta quarta-feira na revista Nature, é significativo porque essas células específicas de um paciente podem potencialmente ser transplantadas para substituir células danificadas em pessoas com diabete ou outras doenças sem serem rejeitadas pelo sistema imune.

A técnica pode deflagrar mais polêmica, pois alguns opositores consideram que ela seja clonagem, à qual se opõem ferozmente.

"Esse artigo será visto como significativo tanto por aqueles que estão tentando usar a TNCS para produzir linhagens específicas de células-tronco embrionárias humanas como para aqueles que se opõem às experiências de 'clonagem' humana", disse o professor Robin Lovell-Badge, chefe de divisão no Instituto Nacional para Pesquisa Médica da Grã-Bretanha.

As células-tronco são as células mestres do corpo, o material fonte para todas as outras células. Os partidários das células-tronco embrionárias afirmam que elas poderão transformar a medicina, proporcionando tratamentos para a cegueira, a diabete juvenil ou ferimentos graves.

Normalmente, a TNCS envolve a remoção do material genético do núcleo de um óvulo hospedeiro e a sua substituição pelo núcleo de células adultas, na técnica usada para clonar animais como a ovelha Dolly em 1996.

Mas os cientistas até agora não tinham conseguido fazer crescer essas células e dividi-las para além do estágio muito inicial em humanos e em primatas não-humanos.

Nesse estudo liderado por Dieter Egli e Scott Noggle, do New York Stem Cell Foundation Laboratory de Nova York, os cientistas mantiveram o material genético da célula hospedeira e apenas adicionaram o núcleo de células adultas.



Macacos conseguem movimentar e sentir objetos usando apenas seus cérebros

Pela primeira vez, um pesquisador brasileiro demonstrou ser possível a construção de um avatar que permite a comunicação bidirecional com um ser vivo

05 de outubro de 2011 | 14h 00

estadão.com.br

SÃO PAULO - Pela primeira vez na história, um pesquisador brasileiro, parte do grupo científico de uma universidade norte-americana, conseguiu realizar a comunicação bidirecional entre o cérebro de um primata e um corpo virtual. Na pesquisa - realizada por Miguel Nicolelis e apresentada nesta quarta-feira, 5, na revista Nature - os cientistas demonstraram ser possível a construção de um avatar mecânico movido apenas com a atividade cerebral do primata e que também permite ao primata identificar a textura de objetos.

Segundo Nicolelis, essa pesquisa permitirá, no futuro, que pacientes tetraplégicos não apenas recuperem o movimento de seus braços e pernas, como também sintam as texturas dos terrenos por onde estiverem andando, facilitando o uso de exoesqueletos. O pesquisador realizou o trabalho pela Universidade de Duke, nos Estados Unidos, onde é co-diretor do Centro de Neuroengenharia.

Sem mover nenhuma parte de seus corpos reais, os macacos usaram a atividade elétrica cerebral para direcionar as mãos virtuais de um avatar para a superfície de objetos virtuais e, após o contato, puderam diferenciar suas texturas.

Embora os objetos virtuais empregados no estudo fossem visualmente idênticos, eles foram desenvolvidos para ter texturas artificiais diferentes que pudessem ser detectadas apenas caso os animais os explorassem com as mãos virtuais. A textura se traduzia em um padrão de sinais elétricos transmitidos para o cérebro dos macacos. Três padrões diferentes correspondiam a três texturas diferentes, assim os pesquisadores sabiam quando os animais diferenciavam as texturas.

“Interfaces cérebro-máquina gravam e usam a atividade neuronal do cérebro para estabelecer uma comunicação direta com elementos externos, como braços biônicos", explica Nicolelis em entrevista exclusiva ao Link. "Esperamos que esse mecanismo possa ser usado para reestabelecer as funções sensoriais e motoras dos membros, mas por enquanto ainda não havia sensação tátil nessa tecnologia. Aqui nós demonstraremos uma experiência com uma interface cérebro-máquina que pode reestabelecer o sentido de tato nos seres humanos através de uma microestimulação do córtex somatosensorial primário", diz.

Uma atividade elétrica combinada de 50 a 200 neurônios no córtex motor dos macacos controlou o movimento da mão mecânica, enquanto milhares de neurônios no córtex tátil recebiam simultaneamente informações elétricas do avatar, o que permitia que o macaco distinguisse os objetos, baseando-se em suas texturas.

Os macacos tiveram sucesso no experimento com no mínimo quatro e no máximo nove tentativas antes de conseguir selecionar o objeto correto. Diversos testes demonstraram que os primatas estavam realmente sentindo os objetos e não fazendo uma seleção aleatória. “Eles conseguiram identificar os padrões muito rapidamente, por isso acreditamos que seres humanos devem ter uma resposta ainda mais rápida. O cérebro gera um modelo que incorpora todas as ferramentas que ele usa e molda o corpo que é reconhecido como sendo próprio. Temos a confirmação disso com esse estudo, pois o animal passa a usar o corpo virtual realmente como se fosse o deles”, conta o cientista.

Como nenhuma parte do corpo real do animal estava envolvida na interface cerebro-máquina-cérebro (ICMC), o experimento sugere que pacientes com paralisias severas poderão se beneficiar dessa tecnologia no futuro para recuperar o movimento e o tato através do desenvolvimento dos chamados exoesqueletos.

“A ideia é criar uma espécie de sexto sentido que vai possibilitar que um paciente quadriplégico recupere a sensação táctil ao usar uma veste robótica, podendo identificar o tipo de terreno que está pisando ou a textura de um objeto que segura com uma mão biônica”. explica Nicolelis. O texto foi assinado por sete autores, quatro do Centro de Neurociência de Duke (Nicolelis, Joseph E. O’Doherty, Mikhail A. Lebedev, Peter J. Ifft e Katie Z. Zhuang) e dois da Escola Politécnica de Lausanne (Shokur Solaiman e Hannes Bleuler), todos eles ligados um consorcio internacional chamando Projeto Walk Again, que pretende criar uma veste robotica que interprete sinais elétricos vindos do cérebro e devolva o movimento para pacientes quadriplégicos.

“A veste terá sensores de pressão que criarão um padrão, e esse padrão será traduzido em um estímulo elétrico proporcional a textura dos terrenos ou objetos. Ao mesmo tempo que os sinais elétricos do cérebro podem ser usados para controlar o avatar do corpo, o órgão pode receber um feedback do que esse avatar encontra no espaço virtual. Partindo da mesma lógica, outras pesquisas, por exemplo, podem criar uma tecnologia que possibilite a identificação da temperatura, tornando as próteses biônicas mais sensíveis”, diz o pesquisador, que afirma que novas etapas da pesquisa devem ser conduzidas no Instituto Internacional de Neurociências de Natal (RN) nos próximos anos e gradualmente apresentadas ao mundo em ambiciosas demonstrações que envolveriam a Copa do Mundo de 2014 (cujo pontapé inicial pode ser dado por um quadriplégico que recuperou os movimentos) e as Olimpíadas de 2016.

(Com Rafael Cabral, de O Estado de S. Paulo)

Uma 'vacina' contra o câncer

15 de setembro de 2011 | 0h 00

Fernando Reinach - O Estado de S.Paulo

Desde meados do século 20, quando as vacinas se tornaram uma das armas mais poderosas da medicina, os oncologistas invejam os imunologistas. Não seria fantástico se a capacidade do sistema imunológico de identificar, perseguir e exterminar bactérias e vírus pudesse ser usado para combater células cancerosas?

Apesar da inveja velada, oncologistas e imunologistas passaram os últimos 50 anos colaborando para dirigir o canhão do sistema imunológico contra as células cancerosas. Alguns sucessos, como anticorpos monoclonais capazes de matar células tumorais, foram adicionados ao armamento dos oncologistas, mas até agora não havia sido possível convencer o sistema imunológico a se voltar de modo eficiente contra as células tumorais. Parece que isso vai mudar.

A base do sistema imunológico é sua capacidade de distinguir o que faz parte do nosso corpo (self) do que não faz (non-self) e destruir esses últimos. Quando o sistema imunológico detecta o vírus da gripe, ele "decide" que o vírus não faz parte do "self"e monta um ataque sistemático. Ficamos com febre, os gânglios onde as células do sistema imunológico se dividem incham e após alguns dias o sistema imunológico ataca e destrói o vírus.

O sistema é tão potente que é importante ele não errar, mas quando ele se engana e ataca uma parte do self, provoca doenças autoimunes. O problema que aflige oncologistas e imunologistas é que nosso sistema imunológico, quando detecta uma célula de nosso corpo que sofreu uma ou mais mutações e se transformou em uma célula tumoral, a classifica corretamente como self e não ataca. A célula tumoral continua a se dividir impunemente e o câncer pode se espalhar.

Nas últimas décadas, o mecanismo usado pelo sistema imune para fazer essa classificação foi elucidado. Ele reside em grande parte nos linfócitos T, mais especificamente nos receptores na superfície desses linfócitos. Usando técnicas de engenharia genéticas, imunologistas e oncologistas vêm modificando esses receptores de modo a forçar os linfócitos T a atacar células de tumores. Mas até agora essas células modificadas, quando injetadas nos pacientes, não se dividiam rapidamente e não duravam o suficiente para erradicar o tumor. Agora, parece que os cientistas conseguiram modificar essas células de modo que elas exterminem o tumor.

Nos últimos meses, essa nova estratégia foi testada em três pacientes. Os pacientes sofriam de uma forma avançada de leucemia resistente a todos os tratamentos quimioterápicos. Eles foram internados e amostras de seus linfócitos T foram isoladas. Esses linfócitos foram cultivados fora do corpo durante dez dias. Nesse tempo, foram infectados com um vírus modificado capaz de colocar no genoma dos linfócitos T do paciente uma versão alterada de seus receptores.

Esses receptores haviam sido modificados para garantir que os linfócitos reconhecessem as células cancerosas e que pudessem se multiplicar rapidamente e atacar o tumor. No décimo dia, um pequeno número desses linfócitos transgênicos foi injetados no sangue dos pacientes.

Resultado inesperado. Por uma semana, nada aconteceu, mas em seguida os pacientes começaram a ter febre e outros indícios de que uma resposta imunológica estava ocorrendo. Ela foi tão forte e rápida que os médicos tiveram dificuldade de controlá-la. Após duas semanas, foi possível verificar que os linfócitos T não somente haviam reconhecido o tumor, mas haviam se dividido rapidamente e destruído as células tumorais.

Os cientistas estimam que o sistema imunológico dizimou quase 1 quilo de células tumorais em cada paciente em poucos dias. Os cientistas, que esperavam um sucesso parcial, ficaram espantados: em dois dos três pacientes, nenhuma célula tumoral sobreviveu. E seis meses após o tratamento, eles continuam livres da leucemia.

O mais interessante é que os linfócitos T capazes de combater a leucemia colonizaram os órgãos do sistema imune e permanecem no corpo desses pacientes. Provavelmente eles atacarão novamente se surgirem novas células tumorais. Esses pacientes parecem estar "vacinados" contra este tipo específico de tumor.

Esse resultado mostra que temos tecnologias capazes de manipular o sistema imune de modo a dirigir seu poder de destruição contra o alvo de nossa preferencia. Mas, apesar deste sucesso, nem tudo são flores. Um dos três pacientes não foi curado completamente e nos três, ao matar as células tumorais, os linfócitos T modificados mataram também outras células que possuíam o marcador usado para identificar as células tumorais. E é preciso esperar um tempo mais longo que os seis meses decorridos para saber se a cura foi definitiva.

Nos próximos anos, saberemos se esse procedimento pode ser usado em diferentes tipos de tumor. E teremos uma ideia melhor de sua eficiência quando ele for testado em um número maior de pacientes, em diversos centros.


BIÓLOGO

MAIS INFORMAÇÕES: T CELLS WITH CHIMERIC ANTIGEN RECEPTORS HAVE POTENT ANTITUMOR EFFECTS AND CAN ESTABLISH MEMORY IN PATIENTS WITH ADVANCED LEUKEMIA. SCI TRANSL. MED., VOL. 3, PÁG. 95RA73, 2011


 

Feijão transgênico desenvolvido pela Embrapa é aprovado no Brasil

(15/09/2011)

Trata-se da primeira planta transgênica totalmente produzida por instituições públicas liberada para comercialização

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou hoje a liberação para cultivo comercial do feijão geneticamente modificado (GM) resistente ao vírus do mosaico dourado, pior inimigo da cultura no Brasil e na América do Sul.

Desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o feijão é a primeira planta transgênica totalmente produzida por instituições públicas de pesquisa a ser aprovada comercialmente. Foram quase 10 anos de pesquisa em parceria entre a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia – Cenargen e Embrapa Arroz e Feijão.

“Nos testes de campo realizados, mesmo com muita presença da mosca branca, inseto que transmite o vírus do mosaico, a planta transgênica não foi infectada pela doença”, afirma Francisco Aragão, pesquisador do Cenargen e um dos responsáveis pelo projeto.

Importância social, ambiental e econômica

O feijão é uma cultura de extrema relevância social, especialmente na América Latina e na África, sendo a leguminosa mais importante na alimentação de mais de 500 milhões de pessoas. No Brasil, é a principal fonte vegetal de proteínas e de ferro e, associado ao arroz, resulta em uma mistura ainda mais nutritiva.

A produção mundial de feijão é de mais de 12 milhões de toneladas. O Brasil ocupa o segundo lugar nesse ranking e a planta é produzida principalmente por pequenos agricultores, com cerca de 80% da produção e da área cultivada em propriedades com menos de 100 hectares. Uma vez que o vírus do mosaico dourado atinge a plantação ainda na fase inicial, pode causar perdas de até 100% na produção. Segundo estimativas da Embrapa Arroz e Feijão, os danos causados pela doença seriam suficientes para alimentar até 10 milhões de pessoas.

O feijão transgênico apresentou vantagens econômicas e ambientais, a exemplo da diminuição das perdas, a garantia das colheitas e a redução da aplicação de defensivos. Com a aprovação, as sementes transgênicas serão multiplicadas e devem chegar ao mercado em dois ou três anos.

“Todas as análises de segurança foram realizadas e o feijão geneticamente modificado é tão ou mais seguro que as variedades convencionais, tanto para o consumo humano quanto para o meio ambiente”, ressalta Aragão.

Nova tecnologia

Os pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Francisco Aragão, e da Embrapa Arroz e Feijão, Josias Faria, utilizaram quatro estratégias de transformação genética.

Em linhas gerais, eles modificaram geneticamente a planta para que ela produzisse pequenos fragmentos de RNA responsáveis pela ativação de seu mecanismo de defesa contra o vírus mosaico dourado, devastador à lavoura.

"Mimetizamos o sistema natural", diz Francisco Aragão, explicando que a grande vantagem dessa nova técnica é que não há produção de novas proteínas nas plantas, e consequentemente não há potencial de alergenicidade e toxidez. Além disso, os fragmentos de RNA podem causar resistência a várias estirpes do mesmo vírus.

*Com informações da Embrapa.

Brasília, 15 de setembro de 2011

 

Bactérias transgênicas capturam mercúrio (06/09/2011)

O uso das bactérias GM pode ser uma forma mais barata e eficiente de limpar água contaminada com mercúrio

A Universidade de Porto Rico, nos Estados Unidos, desenvolveu bactérias geneticamente modificadas (GM) que suportam altas concentrações de mercúrio, acumulando-o em elevadas taxas. As mais resistentes suportam até 24 vezes mais mercúrio do que uma bactéria sem a modificação genética.

Essas bactérias podem ser usadas para limpar água contaminada com mercúrio, representando uma alternativa sustentável para processos industriais nos quais o metal é um resíduo. Esses microrganismos são capazes de capturar até 80% do mercúrio diluído. Além disso, como eles se agrupam, são facilmente removidos da solução, para posterior utilização do mercúrio capturado. Depois de limpa, a água também pode ser reutilizada. A ideia é bombear água contaminada para colunas contendo as bactérias GM.

As emissões de mercúrio estão aumentando em todo o mundo, principalmente por termoelétricas a carvão e incineradores de lixo. A exposição à forma mais tóxica, o metilmercúrio, pode causar danos permanentes à saúde. Hoje já existem métodos biológicos de limpeza para metais como o cobre, mas na natureza não há bactérias que sejam capazes de acumular o mercúrio.

Fonte: Argenbio - Agosto de 2011

 

Mexicanos criam fungos GM para limpeza de solos contaminados (05/09/2011)

O novo microrganismo transgênico é capaz de produzir enzimas eficientes na degradação de compostos tóxicos

A identificação de fungos que sobrevivem em áreas contaminadas por derramamentos de petróleo foi o ponto de partida para a pesquisa com microrganismos transgênicos que podem descontaminar áreas degradas.

Os fungos encontrados no solo sobrevivem em condições de contaminação, mas não são capazes de destruir os hidrocarburetos aromáticos policíclicos (HAP), compostos extremamente contaminantes e cancerígenos existentes no petróleo. Entretanto, fungos que crescem em madeira (lignolíticos) são capazes de degradar a lignina, composto quimicamente bastante similar ao HAP.

Os genes dos fungos lignolíticos foram então transferidos para os fungos isolados em solo contaminado. O novo microrganismo transgênico é capaz de produzir enzimas muito eficientes na degradação dos compostos tóxicos HAP.

A garantia de que estes fungos GM não se disseminariam no meio ambiente é o fato de, além de realizarem a biorremediação das áreas contaminadas, também eliminarem compostos que, em determinada concentração, os intoxica e destrói.

Fonte: Argenbio - Julho de 2011

 

Pesquisadores desvendam DNA de mais uma espécie de Eucalipto (09/09/2011)

Com seu genoma mapeado, a Eucalyptus grandis, é uma das maiores variedades da planta

O eucalipto é a árvore mais usada para compor florestas plantadas em todo o mundo. Com o sequenciamento da espécie conhecida como Flooded Gum ou Rose Gum, os pesquisadores poderão avançar ainda mais em pesquisas florestais, até porque trata-se da segunda árvore de florestas a ter seu genoma decodificado.

Esta sequência completa do DNA da planta foi obtida pelo Departamento de Energia e Rede de Genoma do Eucalipto, nos EUA, e permitirá aos cientistas a identificação de genes responsáveis pelo rápido crescimento dessa espécie. Este conhecimento facilitará o desenvolvimento de variedades com características desejáveis melhoradas.

No passado, o processo desde a seleção de árvores diferentes, seu crescimento e posterior avaliação levaria pelo menos 20 anos. Segundo o professor Bill Foley, especialista em genética de plantas da Universidade Nacional da Austrália e participante do estudo, agora é possível fazer tratamentos precisos em bem menos tempo.

O eucalipto é uma árvore nativa da Austrália, do Timor e da Indonésia, sendo exótico em todas as outras partes do mundo. Os primeiros plantios datam do início do século XVIII, na Europa, Ásia e África. Já no século XIX, começou a ser plantado em países como Espanha, Índia, Brasil, Argentina e Portugal.

Fonte: AgBioWorld- Julho de 2011

 

Prêmio Nobel afirma que críticas à biotecnologia não têm base científica (31/08/2011)

Werner Arber, que descobriu as enzimas de restrição, afirma que a engenharia genética é importante para a saúde alimentar

O prêmio Nobel Werner Arber é o homenageado do Congresso Brasileiro de Genética, que acontece de 30 de agosto a 02 de setembro, em Águas de Lindoia (SP). Em visita ao Brasil, o cientista afirmou que as eventuais críticas aos alimentos geneticamente modificados têm motivação principalmente política. “A engenharia genética é importante tanto para a saúde alimentar quanto para ajudar a tornar as lavouras mais resistentes a pragas e mais adaptadas a fenômenos relacionados às mudanças climáticas”, disse.

Arber também afirmou que a biotecnologia pode contribuir para melhorar o valor nutricional de um alimento, por exemplo, desenvolvendo um arroz com vitamina A ou selecionando plantas mais aptas.

O pesquisador suíço descobriu as denominadas enzimas de restrição, que fragmentam o DNA. Em parceria com outros dois cientistas, Arber mostrou que essas enzimas “cortam” o material genético e revelou como ocorre o processo. Nos anos 1960, ele estudou como as bactérias distinguem seu próprio DNA do DNA de outros organismos que penetram nas células por meio de infecções virais. O cientista descobriu que há enzimas que permitem essa alteração e as de restrição que, quando ativadas, protegem as células quebrando o material genético do vírus em pequenas partes. Seu estudo marcou a nova era da manipulação genética e lhe rendeu o prêmio Nobel de Medicina em 1978.

Arber, de 82 anos, afirma com entusiasmo que a engenharia genética seria uma forma de acelerar o que já ocorre na natureza, como uma expansão da teoria da seleção natural, de Darwin.

Fonte: IG - Agosto de 2011 

 
 
Pesquisador desenvolve técnica inédita para diagnóstico de doenças em plantas


Pelo diagnóstico tradicional, são necessários de 30 a 45 dias para a apresentação dos resultados. A partir da nova técnica, o tempo foi reduzido para menos de cinco minutos, identificando o agente causador da doença com 100% de eficiência. "Em todo o mundo o diagnóstico era feito em cerca de um mês. Saímos na frente e apresentamos essa grande novidade", acrescenta Aires. A rapidez no resultado só é possível com a utilização de um espectômetro denominado de Maldi/Tof-MS, que foi disponibilizado pela Micoteca da Universidade do Minho (MUM).

José Aires contou com o auxílio dos pesquisadores portugueses Nelson Lima e Cledir Santos. Os testes foram desenvolvidos a partir de amostras de diferentes cultivares de abacaxi infectadas pelo fungo Fusarium e que já haviam sido avaliadas nos laboratórios do Incaper.

"É um método extremamente poderoso, que também pode ser utilizado na área médica. Na maioria dos casos, pacientes com suspeita de infecção por fungos aguardam mais de um dia para receber os resultados dos exames e, consequentemente, o diagnóstico da doença. A partir da técnica que utiliza o Maldi/Tof-MS, teremos essa resposta em cerca de dois a cinco minutos. Assim, o médico poderá agir com os cuidados necessários mais rapidamente e aumentar as chances de cura", explica José Aires.

Na agricultura, a nova técnica pode auxiliar na certificação fitossanitária de mudas e frutas, evitando a introdução e disseminação de doenças. O convite para que José Aires desenvolvesse as análises no laboratório surgiu no VI Congresso Brasileiro de Micologia, em dezembro de 2010, no qual o Incaper apresentou as últimas pesquisas feitas com o fungo Fusarium no Espírito Santo.

"A parceria com a Universidade do Minho e o Núcleo de Biotecnologia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) permitiu que obtivéssemos novas informações sobre a interação planta-patógeno e investigação sobre a eficiência da técnica", frisa o pesquisador.

O laboratório utilizado em Portugal é referência em todo o mundo e recebe alunos de diversos países para cursos de mestrado e doutorado, bem como pesquisadores de várias instituições internacionais. A partir de um sistema integrado, técnicos de países europeus contribuíram, simultaneamente, no desenvolvimento das análises feitas.

A previsão é de que seja publicado um artigo científico, ainda neste ano, na revista inglesa Plant Pathology, de alto impacto e destaque no meio, informando os resultados obtidos. Segundo José Aires, um equipamento semelhante ao utilizado na Micoteca da Universidade do Minho, deverá ser adquirido e utilizado em parceria com a UFES.

A técnica foi testada pela primeira vez com o Maldi/Tof-MS, na última semana de julho em Portugal. "Isso mostra um avanço tecnológico que o mundo está recebendo para a evolução das pesquisas em doenças", frisa o pesquisador.

FONTE

Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural
Assessoria de Comunicação do Incaper
Ana Carolina Marchesi - Jornalista

 

Cientistas desenvolvem vírus que ataca células cancerígenas

Nova técnica desenvolvida por cientistas do Canadá, EUA e Coreia do Sul, pode revolucionar tratamento de câncer.

31 de agosto de 2011 | 17h 18

O implante na corrente sanguínea de um vírus modificado que combate especificamente células cancerígenas pode ser a nova promessa da ciência no combate ao câncer. A descoberta é fruto de uma pesquisa internacional conjunta liderada pela Universidade de Otawa, no Canadá.

O estudo publicado pela revista Nature mostra que uma versão modificada do vírus vaccinia, intitulada JX-594, combate exclusivamente células doentes, deixando incólume o tecido saudável.

A pesquisa ainda não é conclusiva, já que apenas 23 pacientes foram submetidos aos testes. Mas o artigo, assinado por pesquisadores de universidades dos Estados Unidos, do Canadá e da Coreia do Sul, diz que a descoberta "transformará" de maneira efetiva o tratamento da doença do futuro.

O JX-594 (modificado a partir do vírus usado na vacina contra a varíola) foi aplicado em diferentes dosagens nos 23 pacientes, portadores de tipos de câncer que se espalham rapidamente por vários órgãos do corpo humano.

No grupo de oito pessoas que recebeu alta dosagem, o tratamento teve resultados positivos em sete pacientes, nos quais o vírus modificado atacou apenas as células cancerígenas após introdução via corrente sanguínea.

Os pesquisadores observaram que o vírus interrompeu momentaneamente o crescimento dos tumores em seis pacientes após a aplicação. Por questões de segurança, apenas uma dose foi administrada.

Otimismo

Para o professor John Bell, da Universidade de Otawa, que liderou o time de pesquisadores, "a administração intravenosa (do vírus) é crucial para o tratamento do câncer porque permite atacar tumores espalhados pelo corpo".

A terapia viral no combate ao câncer não é novidade. Até agora, no entanto, o vírus era diretamente aplicado no tumor, e não na corrente sanguínea.

"Estamos muito empolgados porque pela primeira vez uma terapia viral se mostrou consistente e efetiva com o vírus replicando no tecido cancerígeno após aplicação intravenosa em humanos", diz Bell.

Apesar do estágio inicial da pesquisa, o cientista diz acreditar que "um dia vírus e outras terapias biológicas podem transformar efetivamente nossa maneira de lidar com o tratamento do câncer".

Ouvido pela BBC, o diretor do Barts Cander Institute da Grã-Bretanha, Nick Lemoine, considera a descoberta "uma promessa real" para "cânceres de difícil tratamento".

"O estudo é importante porque mostra que um vírus previamente usado na vacinação contra varíola em milhões de pessoas pode, uma vez modificado, atingir o câncer por meio da corrente sanguínea, mesmo quando o câncer já se espalhou pelo corpo do paciente", diz. BBC Brasil 

 

 Cientistas afirmam que estão mais próximos de encontrar vida em Marte

Segundo especialista, nova geração de instrumentos de alta tecnologia ajuda o homem nessa tarefa

31 de agosto de 2011 | 8h 25

WASHINGTON - O homem está mais perto de descobrir se existiu ou se ainda existe vida em Marte graças à nova geração de instrumentos de alta tecnologia, informou um painel de especialistas na reunião anual da Sociedade de Química dos Estados Unidos, realizado em Denver.

"Se há (ou houve) vida lá fora, as ferramentas de alta tecnologia especializadas em química a encontrarão", afirmou Jeffrey Bada, da Universidade da Califórnia, em San Diego, organizador de um simpósio de dois dias dedicado ao planeta vermelho.

"Temos os instrumentos agora ou estão no processo de desenvolvimento e redefinição. O desafio é montá-los nas próximas naves espaciais, sabendo que tipo de elementos estudar e onde olhar exatamente", declarou.

O especialista é um firme defensor de atrasar as missões tripuladas a Marte até que as missões robóticas já enviadas consigam informação suficiente para que os astronautas possam aterrissar na área menos inóspita.

Neste sentido, Bada expressou sua preocupação com os cortes de orçamento na Nasa (agência especial americana) nos últimos anos, que podem pôr em perigo as missões não tripuladas e as pesquisas necessárias.

A Nasa definiu 2030 como data preliminar para enviar a primeira missão tripulada a Marte, no entanto é apenas uma declaração de intenções do presidente Barack Obama, uma vez que não há um plano sobre a mesa.

A próxima missão não tripulada da Nasa a Marte será a sonda Curiosity, que partirá em agosto de 2012 rumo a Gale, uma cratera de 154 quilômetros de diâmetro em cujo interior se eleva uma grande montanha, ao pé da qual o robô pousará na busca de vida.

A Nasa, junto com a Agência Espacial Europeia (ESA), prevê também lançar em 2016 a missão Exomars, que levará cinco instrumentos para estudar os gases da atmosfera marciana, na busca por evidências biológicas ou geológicas de vida.

"Os instrumentos dessa missão atmosférica têm uma sensibilidade mil vezes maior que qualquer outro instrumento" que tenha viajado para Marte ou faça parte de uma missão marciana, considerou o professor Mark Allen, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa.

Segundo Bada, um desses instrumentos pode detectar partículas orgânicas de nitrogênio, um componente essencial para a vida na Terra; e os cientistas estão convencidos que se há vida em Marte um de seus componentes será nitrogênio.

Bada explicou que também buscarão sinais de vida debaixo da superfície marciana, já que os raios cósmicos e os ultravioleta aos quais esteve submetido podem ter destruído a matéria orgânica, motivo pelo qual talvez os possíveis rastros de vida poderiam estar ocultos no interior do planeta.

Por enquanto sobre o planeta vermelho opera o robô explorador Opportunity, que chegou no início do mês à cratera Endeavour após uma viagem de quase três anos e os cientistas esperam que novas informações facilitem outras descobertas.


Tabaco transgênico é usado no tratamento da aids (26/08/2011)

Plantas de tabaco foram geneticamente modificadas para servir de base ao cultivo de anticorpos que combatem a doença

O Reino Unido aprovou, em junho de 2011, testes clínicos para um tratamento anti-HIV feito a partir de anticorpos (proteínas produzidas pelas células de defesa do corpo) produzidos em plantas de tabaco geneticamente modificadas (GM). Os anticorpos em questão são denominados monoclonais (clones feitos a partir de uma única célula do sistema imunológico) e combatem um alvo específico, no caso, o HIV, vírus causador da aids.

Os anticorpos produzidos pelas plantas de tabaco são chamados P2G12. As plantas GM que produzem o P2G12 foram cultivadas em estufas no Instituto Fraunhofer, na Alemanha. O anticorpo foi isolado, purificado e, agora, a Universidade de Surrey, na Inglaterra, começará a realizar os testes clínicos.

Muitos fármacos – incluindo os anticorpos monoclonais – são feitos por meio de processos caríssimos, usando tanques de fermentação com bactérias ou células de mamíferos. As plantas têm vantagens em relação ao uso de ingredientes de origem animal porque, além de serem mais baratas, não carregam patógenos humanos. O tabaco foi selecionado por ser de fácil cultivo e adequadas a esse objetivo.

Fonte: Comissão Europeia - Agosto de 2011



Avançam pesquisas com plantas que produzem medicamentos (24/08/2011)

Os vegetais desenvolvidos em laboratório atuariam como produtores de proteínas que não podem ser fabricadas quimicamente

Uma equipe de cientistas alemães do Fraunhofer Institute for Molecular Biology and Applied Ecology utiliza plantas para produzir biofármacos. Os vegetais funcionariam como fábricas de proteínas que, diferentemente de outras substâncias, não podem ser produzidas quimicamente.

Atualmente, já há produção biológica de medicamentos, a exemplo da insulina recombinante e de anticorpos que combatem o câncer. As substâncias produzidas por meio dessa técnica têm uma produção mais barata e em larga escala. Comparadas às produzidas em células animais, têm ainda a vantagem de que as plantas crescem mais rápido, são mais fáceis de cuidar e podem ser protegidas de influências nocivas.

A planta escolhida foi o tabaco, um vegetal bastante utilizado na biologia molecular por ser de fácil manuseio, o que significa que códigos genéticos para a produção de proteína farmacêutica podem ser introduzidos com mais facilidade. Além disso, grande quantidade de biomassa é produzida rapidamente, gerando, consequentemente, mais proteína desejada.

As substâncias produzidas estão sendo testadas em estudos clínicos. Por exemplo, anticorpos que podem ser usados em um gel íntimo usado por mulheres para a proteção contra infecção por HIV. Outro caso, a produção de vacina contra malária em plantas.

Fonte: Check Biotech - Maio de 2011


20 de agosto de 2011
Folha de S. Paulo

KÁTIA ABREU

Agricultura tropical e saúde


A agricultura orgânica é uma coisa ótima, mas seus preços, no mercado real, são 160% mais altos

OS BRASILEIROS sabem que temos uma agricultura moderna e eficiente. O que muita gente não sabe é que o desenvolvimento dessa agricultura enfrentou e ainda enfrenta grandes desafios.
A agricultura moderna, que desmentiu as previsões pessimistas de que a produção de alimentos não poderia acompanhar o crescimento da população, nasceu e se desenvolveu nos países de clima temperado.
Até bem pouco tempo atrás, era crença generalizada que os países tropicais não seriam capazes, em razão do clima e do ambiente, de repetir a experiência dos países desenvolvidos. A experiência brasileira foi a primeira demonstração prática de que aquela crença era um mito, como tantos outros disseminados pela má ciência.
Fazer uma grande agricultura nos trópicos não foi uma realização trivial. As novas variedades de plantas e as novas práticas agrícolas, que constituíram a revolução agrícola no mundo, foram desenvolvidas nas condições de solo e de clima da região temperada e não podiam simplesmente ser transplantadas para a faixa tropical. O Brasil teve de aprender sozinho como conviver e tirar proveito das nossas condições ambientais. Mas, enfim, soube fazê-lo, com o esforço conjunto da Embrapa, das grandes universidades rurais e dos nossos modernos agricultores.
Os solos da região tropical são mais pobres do que os anteriormente cultivados no país, e o clima quente e úmido dessas áreas produz, infelizmente, uma maior quantidade e variedade de insetos e de pragas, que atacam as plantas. O trópico é uma fonte excepcional de vida -mas de todas as formas de vida. Nossa agricultura só prosperou devido ao uso de insumos modernos, como fertilizantes e defensivos. Sem os fertilizantes, os rendimentos agrícolas no cerrado seriam muito baixos, e a agricultura comercial seria inviável. E, diante das inumeráveis doenças que acometiam as plantações, deveríamos desistir ou usar os recursos da tecnologia para combatê-las.
Com essas tecnologias o Brasil produz muito, e produz alimentos saudáveis, exportados para todo o mundo. Nosso principal comprador, destino de 27% de nossas vendas externas, é a União Europeia, o mais regulado e exigente mercado mundial em termos sanitários. O mundo todo consome os alimentos produzidos no Brasil, e a nossa própria população tornou-se visivelmente mais forte e mais saudável quando pôde consumir mais o que produzimos. E pôde consumir porque a tecnologia e a escala de produção reduziram os preços. A agricultura puramente orgânica é uma coisa ótima, mas seus preços, no mercado real, são em média 160% mais altos. A esses custos, como ficaria a fome no mundo?
Para nós, a questão mais sagrada é atender os interesses dos consumidores brasileiros. E, dentre esses interesses, o mais vital é a sua saúde. Com esse objetivo, lutamos em várias frentes. O esforço principal é incentivar a pesquisa agronômica para que se obtenham variedades de plantas resistentes às pragas e às doenças, sem a necessidade de aplicação de defensivos. Para isso, é indispensável ampliarmos a adoção de variedades transgênicas resistentes, que são uma resposta efetiva da ciência à necessidade de reduzir o uso de agroquímicos. Infelizmente, o licenciamento dessas novas variedades tem encontrado, às vezes, inexplicável oposição.
De outra parte, lutamos para que produtos mais modernos e mais amigos do ambiente sejam licenciados com mais presteza, para que possam substituir produtos mais tóxicos.
O esforço da pesquisa em todo o mundo está concentrado hoje na descoberta de princípios ativos com o mínimo de efeitos colaterais. E desejamos que se reforce a fiscalização, para que a aplicação de produtos químicos seja limitada e obedeça estritamente a nossa legislação, que é moderna, rigorosa e de padrão mundial.
Nesse assunto como em tantos outros, a ciência e a tecnologia são instrumentos mais eficientes do que a política. É perfeitamente possível e desejável conciliar grande produção e produção saudável, e assim alimentar os bilhões de seres humanos que habitam o planeta.


KÁTIA ABREU, 49, senadora (DEM-TO) e presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), escreve aos sábados, a cada 14 dias, neste espaço.
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Estudo abre caminho para tratamentos que evitem o alastramento do
câncer

Trabalho é importante porque, ao se espalhar pelo corpo, doença se
torna mais agressiva e difícil de tratar

16 de agosto de 2011 | 9h 36

Cientistas britânicos dizem ter descoberto de que forma células
cancerosas conseguem sair de tumores e se espalhar pelo corpo, um
avanço que abre caminho para o desenvolvimento de drogas que impeçam
o alastramento da doença.

Os pesquisadores, do Institute of Cancer Research, em Londres,
Inglaterra, dizem ter identificado uma proteína conhecida como JAK
que ajuda as células cancerosas a gerar força necessária para o
alastramento.

Em artigo publicado na revista Cancer Cell, a equipe diz que as
células se contraem como músculos para gerar a energia que
permitirá que se movam, forçando seu caminho pelo organismo.

Quando um câncer se espalha - um processo conhecido como metástase
- ele se torna mais difícil de tratar, já que tumores secundários
tendem a ser mais agressivos.

Estima-se que 90% das mortes provocadas pelo câncer ocorram após a
metástase - o que torna imperativo que o processo de alastramento da
doença seja controlado.

A PROTEíNA JAK
Após estudar substâncias químicas envolvidas no processo de
alastramento das células em melanomas - câncer de pele -, a equipe
concluiu que as células cancerosas se alastram de duas formas.

Elas podem forçar sua passagem para fora de um tumor ou o próprio
tumor forma corredores por meio dos quais as células podem escapar.

O líder do estudo, Chris Marshall, disse que ambos os processos são
controlados pela mesma substância.

"Existe um padrão comum de uso da força gerada pelo mesmo
mecanismo, uma mesma molécula, chamada JAK", ele disse.

A proteína JAK já é conhecida por especialistas que estudam o
câncer. Ela já foi, por exemplo, associada à leucemia. Por conta
disso, já há drogas sendo desenvolvidas para atuar sobre ela.

"Nosso novo estudo sugere que essas drogas possam, talvez,
interromper também o alastramento do câncer", disse Marshall.

"O teste vai ser quando começarmos a ver se qualquer desses agentes
vai impedir o alastramento. Estamos pensando em (realizar) testes
clínicos nos próximos anos", acrescentou.

DESAFIO

Uma representante da entidade de fomento a pesquisas sobre o câncer
Cancer Research UK disse que o grande desafio no tratamento da doença
é impedir o alastramento pelo corpo e manter o câncer que já se
alastrou sob controle.

A representante, Lesley Walker, disse: "Descobrir como as células
cancerosas podem abrir passagem pelos tecidos, saindo dos tumores
primários e se espalhando por outras áreas, dá aos cientistas uma
melhor compreensão a respeito de formas de parar o alastramento".

_BBC Brasil - _


Sent: Qua 17/08/11 18:20
Subject: Fwd: [trgn-ufrj]

Bactérias transgênicas podem limpar águas poluídas com mercúrio [JB-17-08-2011]

LabConsS- www.ufrj.br/consumo
Bactérias transgênicas podem limpar águas poluídas com mercúrioBactérias transgênicas que suportam altas doses de mercúrio poderiam sanear seu entorno, facilitando a limpeza de áreas contaminadas com este metal, afirmam cientistas da Universidade Interamericana do Porto Rico.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), anualmente, a indústria química e a mineração vertem 6 mil toneladas de mercúrio no ambiente. Esse metal, que pode entrar na cadeia alimentar, é muito tóxico, sobretudo na forma de metilmercúrio, para humanos e animais.

Oscar Ruiz e seus colegas da Universidade Interamericana do Porto Rico consideram que as bactérias transgênicas que criaram são "uma alternativa" às custosas técnicas de descontaminação adotadas atualmente.

As bactérias transgênicas

Capazes de proliferar em uma solução contendo 24 vezes a dose mortal de mercúrio para bactérias não resistentes, as cepas transgênicas conseguiram absorver em cinco dias 80% do mercúrio contido no líquido, segundo estudo publicado em Londres pela BMC Biotechnology, revista científica que pode ser consultada gratuitamente na internet.

As bactérias Escherichia coli se tornaram resistentes a altas concentrações de mercúrio, graças à inserção de um gene que permite a elas produzir metalotioneína, proteína que desempenha um papel de desintoxicação no organismo de ratos. Trata-se, segundo os cientistas, do primeiro estudo que prova que a metalotioneína "garante uma resistência ao mercúrio e permite sua acumulação na bactéria", que o absorve.

O mercúrio recuperado pelas bactérias nas áreas contaminadas poderia ser utilizado em novas aplicações industriais, segundo a equipe de cientistas.

As bactérias transgênicas demonstraram, no estudo, ser capazes de extrair mercúrio de um líquido, de forma que "a primeira e principal aplicação poderia ser recuperar o mercúrio na água e em outros líquidos", explicou Ruiz em e-mail à AFP.

Não se descarta seu uso a longo prazo para a descontaminação. "Temos ideias de como poderia funcionar", afirmou Ruiz, convencido de que seria mais barato que os sistemas atuais.


Fonte: http://www.jb.com.br/ciencia-e-tecnologia/noticias/2011/08/17/bacterias-transgenicas-podem-limpar-aguas-poluidas-com-mercurio/

CTNBio adia decisão sobre liberação comercial de feijão transgênico

11/08/2011
O feijão transgênico foi desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Emprapa) e é resistente ao vírus do mosaico dourado, principal praga da cultura do grão no Brasil e na América do Sul. A proposta deve ser votada na próxima reunião do colegiado, marcada para os dias 14 e 15 de setembro.

ESTUDOS

Os estudos para o desenvolvimento do feijão transgênico é resultado de mais de 10 anos de pesquisa e marca um feito inédito no Brasil: são as primeiras plantas transgênicas totalmente produzidas por uma instituição pública de pesquisa. Além dos centros da Embrapa Arroz e Feijão e Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, as análises de biossegurança envolveram os centros da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Embrapa Agrobiologia e a Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Para chegar às variedades geneticamente modificadas (GM), os pesquisadores Francisco Aragão, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, e Josias Faria, da Embrapa Arroz e Feijão, utilizaram quatro estratégias de transformação genética.

Em linhas gerais, eles modificaram geneticamente a planta para que ela produzisse uma molécula - o RNA - responsável pela ativação de seu mecanismo de defesa contra o vírus mosaico dourado, devastador à lavoura.

"Mimetizamos o sistema natural", diz Francisco Aragão, explicando que a grande vantagem dessa nova técnica é que não há produção de novas proteínas nas plantas, e consequentemente, não há possibilidade de alergenicidade e toxidez. Além disso, a tecnologia de RNA pode causar resistência a várias estirpes do mesmo vírus.

Os pesquisadores, paralelamente, construíram um vetor para geração de plantas transgênicas, com o objetivo de bloquear a ação do gene AC1 viral, essencial para a replicação do genoma do vírus do mosaico dourado.

Desde 2006, os pesquisadores da Embrapa repetem pesquisas de campo com o feijão transgênico em Sete Lagoas (MG), Londrina (PR) e Santo Antônio de Goiás (GO), regiões de alta produção no país. Em todos os casos, os grãos foram infectados naturalmente pelo mosaico dourado. Os transgênicos, diz Aragão, não apresentaram sintomas da doença. Os convencionais tiveram de 80% a 90% das plantas afetadas.

Além de testar a eficiência das variedades transgênicas, essas análises avaliaram a biossegurança para comprovar a sua inocuidade ao ambiente e à saúde humana.

IMPACTO SOCIAIS DA ENGENHARIA GENÉTICA

Esse projeto é um exemplo significativo de impacto social e alimentar do uso da engenharia genética. No Brasil o feijão é uma cultura de extrema importância social, já que é produzido basicamente por pequenos produtores, com cerca de 80% da produção e da área cultivada em propriedades com menos de 100 hectares.

Além disso, é a principal fonte vegetal de proteínas (o teor das sementes varia de 20 a 33%), além de ser também fonte de ferro (6-10 mg/100 g). Associado ao arroz dá origem a uma mistura tipicamente brasileira e ainda mais nutritiva e rica em vitaminas. Na verdade, a importância do feijão na alimentação transcende as fronteiras brasileiras, sendo a leguminosa mais importante na alimentação de mais de 500 milhões de pessoas na América Latina e África.

A produção mundial de feijão é superior a 12 milhões de toneladas. O Brasil ocupa o segundo lugar na produção mundial, mas sua produção ainda não é suficiente para suprir a demanda interna, o que se deve em grande parte às perdas causadas por pragas e doenças como o mosaico dourado do feijoeiro, associadas a estresses hídricos.

As variedades transgênicas de feijão garantem vantagens econômicas e ambientais, com a diminuição das perdas e garantia das colheitas. Segundo Aragão, "a variação econômica acontece quando a safra é prejudicada por doenças ou pela seca, pois a oferta e o preço para o consumidor sobem consideravelmente. Com a variedade GM, a planta torna-se resistente ao vírus e as perdas diminuem, estabilizando o preço do produto", comenta.

FONTE

Agência Brasil
Luana Lourenço - Repórter
Lana Cristina - Edição

Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
Fernanda Diniz - Jornalista
Telefone: (61) 3448-4769


Legislação trava pesquisas científicas e tecnológicas da biodiversidade
11/08/2011

No entanto, há uma luz no fim do túnel, de acordo com Carlos Joly, da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped) do Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI) e coordenador do Programa Biota-Fapesp. Segundo ele, algumas iniciativas implementadas nas últimas semanas prometem agilizar o processo de autorização para pesquisas e bioprospecção, facilitando a vida de cientistas e empresas.

"Há um consenso em relação à ineficiência da legislação, definida por uma medida provisória de 2001. Mas, como o processo para modificá-la é longo e imprevisível, não podemos esperar parados. Por isso, está sendo realizado um grande esforço, por parte do CGEN e dos ministérios mais envolvidos com o tema, para destravar a questão das autorizações de pesquisa científica e tecnológica com uso da biodiversidade", disse à Agência Fapesp.

Uma das principais novidades no CGEN, de acordo com Joly, consistiu em viabilizar a possibilidade da regularização do acesso aos recursos genéticos para fins de pesquisa, prospecção e desenvolvimento tecnológico. A nova norma, criada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) em abril de 2011, começou a ser posta em prática em meados de julho, a partir da última reunião do CGEN.

"É muito importante que essa mudança seja divulgada. Porque até agora, quando uma empresa ou um pesquisador estavam em uma situação considerada irregular, simplesmente não havia solução. A medida provisória não previa mecanismos de regularização, o que é algo até inconstitucional. É preciso que exista a possibilidade de reconhecer o descumprimento da lei e adequar-se a ela", afirmou Joly, que é diretor do Departamento de Políticas e Programas Temáticos da Seped e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

De acordo com Joly, a legislação exige que a autorização seja pedida antecipadamente ao CGEN, que era o único órgão autorizado para emiti-la. Assim, além de uma grande quantidade de processos acumulados no CGEN, os casos nos quais o acesso aos recursos da biodiversidade havia sido feito sem autorização se acumulavam sem solução possível.

"O CGEN tinha pelo menos uma centena de processos acumulados, desde 2007, relacionados a esses casos nos quais a autorização foi pedida depois de o acesso ter sido realizado. Agora eles podem ser regularizados", disse.

Segundo Joly, há cerca de dois meses um grupo de trabalho que reúne representantes de seu departamento no MCT, do Departamento de Patrimônio Genético do MMA, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) -- que no momento está analisando pedidos de patentes feitos no início da vigência da Medida Provisória -- está elaborando uma alteração significativa da legislação atual, com o objetivo de desburocratizar a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico. De acordo com ele, há necessidade de alterações que extrapolam a competência das resoluções do CGEN.

"Trabalhamos de forma intensa na discussão de uma modificação substancial da medida provisória em vigência. Acredito que em breve vamos concluir esse trabalho para passá-lo às instâncias superiores, que deverão dar um encaminhamento capaz de equacionar esses problemas de maneira definitiva", afirmou.

Outra medida que facilitará o trabalho dos pesquisadores é a ampliação das competências do CNPq, aprovada no fim de julho de 2011. Com isso, o CNPq passa a ter poder para autorizar também o desenvolvimento tecnológico a partir de produtos provenientes da biodiversidade.

"Até agora o CNPq podia fazer apenas o credenciamento das etapas de pesquisa e bioprospecção, mas agora pode autorizar também a realização do desenvolvimento tecnológico. Essa é uma medida importante de descentralização do trabalho do CGEN, porque no CNPq todo o processo é informatizado, em uma plataforma semelhante à do Currículo Lattes, com a qual todos os pesquisadores já estão familiarizados", afirmou.

MEDIDAS PALIATIVAS

Com as mudanças no CGEN, a fabricante de cosméticos Natura teve dois pedidos de exploração econômica de plantas aprovados. O fato foi comemorado por membros do governo como uma sinalização de que os processos realmente vão ganhar agilidade. Antes, a empresa havia recebido multas que totalizavam R$ 21 milhões por uso de recursos genéticos sem autorização.

Apesar dos dois pedidos aprovados, no entanto, a empresa ainda permanece cética em relação aos avanços no CGEN. De acordo com Rodolfo Guttilla, diretor de Assuntos Corporativos da Natura, enquanto não houver modificação da medida provisória, as medidas serão apenas paliativas.

"O nosso marco regulatorio é uma aberração. Não há outra palavra para descrevê-lo. A legislação exige que a empresa peça autorização prévia, mesmo sem saber se a pesquisa que ela está fazendo levará a um produto que irá ao mercado", disse.

Segundo ele, muitas das pesquisas feitas com insumos da biodiversidade são exploratórias e é inconstitucional pedir uma autorização para essa etapa da prospecção. "Isso inibe o desenvolvimento tecnológico de um país que visivelmente tem na biodiversidade um diferencial competitivo", afirmou.

Guttilla afirmou que as mudanças até agora são insuficientes e, enquanto o marco regulatório não for substituído, a pesquisa brasileira não avançará. Para ele, é preciso especialmente eliminar o artigo que exige a autorização prévia para pesquisa.

EXPERIÊNCIAS INTERNACIONAIS

De acordo com Bráulio Dias, secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, a legislação de fato precisa de mudanças e está havendo um avanço contínuo nas discussões internas do governo. Mas as mudanças do marco legal vão depender de um processo longo e tortuoso.

"Abrimos várias frentes para trabalhar por avanços no processo de autorização de uso da biodiversidade. Algumas delas são rápidas e outras são lentas. Algumas estão dentro do nosso controle de governança, enquanto outras dependem de fatores externos ao governo", disse.

Uma das iniciativas, segundo ele, consistiu em uma mudança completa, no início de 2011, da equipe que está à frente do Departamento de Patrimônio Genético do MMA. "Trouxemos gente com muita experiência na área de pesquisa científica e bioprospecção. Outra iniciativa foi a retomada das discussões sobre a questão do credenciamento. Esse debate resultou na ampliação do papel do CNPq no credenciamento, aprovado pelo CGEN", afirmou.

Dias afirma estar em negociação com outras agências do governo, além do CNPq, com a intenção de ampliar ainda mais a permissão de credenciamento, descentralizando progressivamente as tarefas do CGEN. "A ideia é que nos próximos meses a deliberação possa ser feita por esses órgãos externos. Assim, o CGEN poderia se concentrar mais nos aspectos normativos, tornando-se a instância para recursos", afirmou.

O MMA está analisando a experiência de outros países no assunto, a fim de aproveitar as legislações bem-sucedidas. "Realizamos uma oficina com um grupo internacional de especialistas e vamos contratar alguns estudos para tentar aproveitar melhor essas lições. Existem cerca de 20 países com legislações nacionais", disse.

Alguns países, como o Peru e as Filipinas, não conseguiram implementar suas legislações por dificuldades jurídicas operacionais, segundo Dias. Outros, como o México, tiveram dificuldades por terem regras distintas para os setores de biodiversidade, florestas e pesca, por exemplo.

"A Austrália tem um sistema interessante, bastante simplificado. A África do Sul tem uma experiência interessante e Índia tem um sistema bem implantado, mas com uma burocracia pesada. A Namíbia tem uma legislação muito bem feita, que combina muito bem as regras de controle com incentivos ao biocomércio", disse.

A questão da autorização prévia, segundo Dias, poderá ser modificada, mas para isso é necessário substituir o marco legal e, portanto, conseguir uma convergência de posicionamento em diferentes setores do governo.

FONTE

Agência Fapesp
Fábio de Castro – Jornalista

 

Cientistas criam 1º animal com informação artificial no código genético

A técnica poderia dar aos biólogos controle total sobre as moléculas em organismos vivos

11 de agosto de 2011 | 16h 48

Pesquisadores da Universidade de Cambridge (Grã-Bretanha) criaram o que alegam ser o primeiro animal com informação artificial em seu código genético.

A técnica, segundo os cientistas, pode dar aos biólogos "controle átomo por átomo" das moléculas em organismos vivos.

O trabalho da equipe de pesquisadores usou vermes nematoides e foi publicado na revista especializada Journal of the American Chemical Society.

Os vermes, da espécie Caenorhabditis elegans, têm um milímetro de comprimento, com apenas mil células formando seu corpo transparente.

Segundo o estudo, o que torna o animal único é que seu código genético foi estendido para criar moléculas biológicas que não são conhecidas no mundo natural.

Genes são as unidades hereditárias dos organismos vivos que os permitem construir o seu mecanismo biológico - as moléculas de proteína - a partir de "blocos de construção" mais simples, os aminoácidos.

Nos organismos naturais vivos, são encontrados apenas 20 aminoácidos, unidos em diferentes combinações para formar as dezenas de milhares de proteínas diferentes necessárias para manter a vida.

Mas os pesquisadores Jason Chin e Sebastian Greiss fizeram um trabalho de reengenharia da máquina biológica do verme para incluir um 21º aminoácido, não encontrado na natureza.

Proteína

Jason Chin, do Laboratório de Biologia Molecular da Universidade de Cambridge, afirma que a técnica tem um potencial transformador, pois proteínas poderão ser criadas sob controle total dos pesquisadores.

Mario de Bono, especialista em vermes Caenorhabditis elegans e que também trabalha no Laboratório de Biologia Molecular, afirma que este novo método poderá ser aplicado em uma ampla variedade de animais.

No entanto, até o momento, esta é apenas uma prova de um princípio. A proteína artificial que é produzida em cada célula do minúsculo corpo do verme contém um corante fluorescente que brilha em uma cor de cereja quando colocada sob a luz ultravioleta. Se o truque genético tivesse fracassado, não haveria o brilho.

Chin afirma que qualquer aminoácido artificial poderia ser escolhido para produzir novas propriedades específicas, e De Bono sugere que esta abordagem agora pode ser usada para introduzir em organismos proteínas criadas que podem ser controladas pela luz.

Os dois pesquisadores agora planejam colaborar em um estudo detalhado de células neurais no cérebro do nematoide, com o objetivo de ativar ou desativar neurônios isolados de forma precisa e com minúsculos flashes de laser. BBC Brasil

 

Grã-Bretanha libera 9 mil páginas de investigações sobre óvnis

Documentos foram coletados entre 1985 e 2007 e podem ser baixados gratuitamente

11 de agosto de 2011 | 12h 48

O governo britânico liberou para o público quase 9 mil páginas de arquivos secretos sobre supostas aparições de óvnis (Objetos Voadores Não Identificados). Os 34 arquivos foram coletados entre 1985 e 2007. Os arquivos podem ser baixados gratuitamente durante 30 dias.    



AP

Desenho feito por um policia britânico que teria avistado um OVNI na Inglaterra em 1984

Em um dos documentos, um comandante militar prevê que a população ficaria decepcionada se soubesse que "falta de fundos e outras prioridades" estavam impedindo o prosseguimento das investigações sobre os óvnis.

"Um dos documentos mais interessantes nos arquivos é de um oficial do serviço secreto que afirma que, apesar dos milhares de relatos recebidos desde a Segunda Guerra Mundial, eles nunca estudaram ou gastaram dinheiro com o assunto e que as pessoas não acreditariam nisso se soubessem", diz o consultor dos arquivos David Clarke.

O documento datado de 5 de julho de 1995 afirma que a imagem que a mídia consagrou da agência britânica de Inteligência DI55 "como defensora da Terra contra o perigo alienígena" estaria "anos-luz de distância da verdade".

O ex-investigador do ministério da Defesa britânico Nick Pope, que trabalhou na entidade entre 1991 e 1995, diz que "o fascinante sobre os arquivos é que eles refletem o debate que existe na sociedade: é interessante sermos visitados por alienígenas ou é pura bobagem?"

"Nós tínhamos os mesmos debates no Ministério da Defesa", diz ele.

Casos

Entre os documentos está o testemunho feito em 2001 de um controlador de vôo então aposentado da aeronáutica sobre um incidente ocorrido na região de Suffolk em 1956.

Freddie Wimbledon diz ter enviado jatos para interceptor um óvni captado por radar e testemunhos de pessoas. Um dos aviões seguiu o óvni de perto antes que ele partisse a "uma velocidade incrível".

Outros documentos relatam o testemunho de várias pessoas que dizem ter visto um óvni sobre o festival de Glastonbury, em 2003 e um disco voador sobre Nottinghamshire.

Mas há também o registro da reclamação de uma mãe e filha que foram ao Ministério da Defesa relatar terem visto um óvni "com o formato de um verme" sobre o bairro londrino de East Dulwich em 2003.

Durante seu depoimento, dois homens "vestidos em trajes espaciais e óculos escuros que se diziam chamar Mok e Mindy" se juntaram aos policiais, em uma aparente brincadeira com a denúncia das duas mulheres.

Na carta, a mulher diz acreditar que isso aconteceu "para nos fazer parecer idiotas e presumir que nossa história era inacreditável". 

 BBC Brasil -


O homem quase foi extinto

04 de agosto de 2011 | 0h 00

Fernando Reinach - O Estado de S.Paulo

Quando sobram poucos indivíduos de uma espécie, ela é listada como ameaçada de extinção. É o caso do tigre-asiático e do mico-leão-dourado. Agora, um grupo de cientistas descobriu que nós também passamos perto da extinção.

Essa descoberta é um subproduto do sequenciamento completo do genoma humano. Mas como é possível decifrar nossa história analisando a sequência de nosso genoma?

Imagine um saco contendo 100 bolas, 25 vermelhas, 25 amarelas, 25 azuis e 25 verdes. Imagine agora que cada uma dessas bolas se divida a cada 24 horas, dando origem a duas bolas da mesma cor que a bola mãe.

Ao longo do tempo, a população de bolas no saco vai aumentar, mas a proporção entre as bolas vai se manter. Se um número pequeno de bolas "morrerem" (forem tiradas do saco), a proporção entre as cores pode mudar um pouco, mas deve se manter aproximadamente a mesma.

Imagine que, em dado momento, exista uma mortandade em massa dessas bolas e que só sobrem duas bolas dentro do saco. Essas duas podem ser da mesma cor ou de cores diferentes - de qualquer maneira, duas das quatro cores deixarão de existir. Imagine agora que depois desse evento catastrófico as bolas continuem a se reproduzir.

Anos depois, examinemos o saco. Vamos encontrar somente duas cores, descendentes dos poucos indivíduos que sobreviveram à catástrofe. Esse efeito é o que os geneticistas chamam de "efeito fundador", ou seja, uma redução drástica na diversidade genética (o número de cores existentes) de uma população resultante de um afunilamento brutal do número de indivíduos da população em algum momento do passado. Quando o "efeito fundador" é detectado, podemos deduzir que a espécie, por um período, teve pouco indivíduos e portanto correu o risco de ser extinta.

Na verdade, a genética humana é mais complicada, pois não existe somente uma característica (cor), mas milhões delas. Além disso, como a reprodução é sexual, as características se misturam a cada geração. E, o que é importante para esse tipo de análise, surgem novas variantes de cada característica ao longo do tempo (é como se de vez em quando uma bola vermelha tivesse um filho mutante cor-de-rosa, dando origem a uma subpopulação de bolas rosas). O importante é que, analisando o genoma completo de diversos indivíduos e assumindo a duração de cada geração e a taxa de mutação (com que frequência surge uma nova variável, como a bola rosa), esse novo método permite estimar o tamanho da população em cada momento do nosso passado.

Funil. Foi isto que os geneticistas fizeram, utilizando os genoma humanos já sequenciados, que incluem pessoas da Ásia, da Europa e da África. Assumindo que o intervalo de tempo entre as gerações é de 25 anos e que a frequência do surgimento de uma nova variedade genética é de 2,8 x 10 - 8 por geração por base de DNA, foi possível construir um gráfico do número de indivíduos que contribuíram para a diversidade atual de nossa espécie.

O resultado mostra que, há 5 milhões de anos (quando nossos ancestrais ainda eram macacos), a população era grande, mas foi reduzida rapidamente para 100 mil indivíduos por volta da época do surgimento do Homo sapiens, há aproximadamente 300 mil anos. Depois, cresceu novamente. O grande funil ocorreu faz 20 mil anos, quando a população efetiva foi reduzida rapidamente e somente mil pessoas (as duas bolas que sobraram no saco) ficaram vivas. Foram somente essas mil que deram origem a todos os 7 bilhões que somos hoje. Se essas mil pessoas também tivessem morrido, hoje o Homo sapiens não existiria.

Esse resultado vai ser refinado, à medida que um número maior de genomas forem sequenciados. Mas caso essa descoberta se confirme, ela significa que, em um momento relativamente recente, alguns milhares de anos antes de surgirem as primeiras cidades e a agricultura, nossa espécie correu um risco real de ter desaparecido. Se isso tivesse ocorrido, nosso destino teria sido o mesmo de 99% das espécies que já habitaram o planeta - e estaríamos fazendo companhia aos dinossauros. A questão é: que espécie estaria administrando o museu em que nossos esqueletos fósseis estariam expostos?


BIÓLOGO

MAIS INFORMAÇÕES: INFERENCE OF HUMAN POPULATION HISTORY FROM INDIVIDUAL WHOLE-GENOME SEQUENCES. NATURE, VOL. 475, PÁG. 493, 2011


Cientistas europeus abrem caminho para vacina efetiva contra hepatite C

Cientistas franceses produziram 'anticorpos neutralizantes' em animais pela primeira vez

04 de agosto de 2011 | 10h 05

Efe

PARIS - Uma equipe de cientistas europeus conseguiu produzir pela primeira vez em animais "anticorpos neutralizantes" do vírus da hepatite C (HCV), que abrem caminho para a elaboração de uma vacina contra a doença, comunicou o Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França.


E  veja logo abaixo: Um terço da população mundial infectada por hepatite, diz OMS

Em seu estudo publicado na revista americana Science Translational Medicine, os pesquisadores explicam que utilizaram uma nova estratégia baseada no desenvolvimento de estruturas similares às partículas do vírus, mas que não são perigosas porque não contêm material genético e não permitem sua expansão.

A novidade deste processo, segundo o comunicado, residiu na criação de pseudo-partículas virais quiméricas construídas com fragmentos de dois vírus diferentes, neste caso, um "retrovirus" de rato coberto com proteínas do HCV.

Graças a este processo, os cientistas, liderados pelo pesquisador David Klatzmann, observaram pela primeira vez em ratos e macacos a produção de anticorpos neutralizantes desse vírus.

Pela primeira vez os anticorpos desenvolvidos tiveram uma atividade de amplo espectro, ou seja, foram capazes de neutralizar diferentes subtipos do HCV.

O CNRS ressaltou que esta tecnologia pode ser aplicada no desenvolvimento de vacinas contra outras infecções, como o vírus da Aids (HIV), dengue e o vírus respiratório sincicial (VRS), principal agente infeccioso da população infantil, causador da bronquite e outras doenças.

A hepatite C é uma inflamação do fígado que, no pior dos casos, pode provocar insuficiência hepática ou câncer de fígado, e é transmitida quase sempre por exposição a sangue contaminado, que pode acontecer em casos de transfusões de sangue ou pelo uso de seringas infectadas.

Segundo o CNRS, a doença é um grande problema de saúde pública, uma vez que cerca de 200 milhões de pessoas estão infectadas no mundo e em algumas regiões a taxa de infecção atinge de 10% a 30% da população.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que se não houver uma intervenção rápida para conter sua propagação, a mortalidade causada pela hepatite C poderia superar à provocada pelo HIV, já que os tratamentos existentes são muito caros e pouco acessíveis para os países do sul.




Um terço da população mundial infectada por hepatite, diz OMS

Embora a maioria dos portadores de hepatite não saiba que tem a doença, eles são capazes de transmiti-la sem saber às outras pessoas

27 de julho de 2011 | 9h 19

Reuters

GENEBRA - Cerca de um terço da população global - ou 2 bilhões de pessoas - foi infectada pela hepatite, doença hepática que mata cerca de 1 milhão de vítimas anualmente, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) na terça-feira, 26.

E, embora a maioria dos portadores de hepatite não saiba que tem a doença, eles são capazes de transmiti-la sem saber às outras pessoas e, a qualquer momento da vida, ela pode se desenvolver e matá-los ou incapacitá-los, advertiu a agência da Organização das Nações Unidas (ONU).

"Essa é uma doença crônica ao redor do mundo inteiro, mas infelizmente, há uma consciência muito baixa sobre ela, mesmo entre os responsáveis pelas políticas de saúde", disse o especialista em hepatite da OMS Steven Wiersma em uma entrevista coletiva.

A conferência marcou o primeiro Dia Mundial contra a Hepatite, da ONU, proposto pelo organismo para aumentar a consciência sobre a doença viral, amplamente disseminada por água e alimentos contaminados, sangue, sêmen e outro fluidos corporais.

Wiersma disse que a doença - que tem cinco vírus principais - produziu um "peso surpreendente" sobre os sistemas de saúde ao redor do planeta e tem o potencial de causar epidemias, assim como é a principal causa de cirrose e câncer de fígado.

Dos cinco vírus - chamados A, B, C, D e E -, o B é o mais comum e pode ser transmitido pelas mães aos filhos no parto ou na primeira infância, assim como é transmitido por injeções contaminadas ou pelo uso de droga injetável, diz um novo documento da OMS.

O vírus E, transmitido pela água ou por alimentos infectados, é uma causa comum de surtos da doença nos países em desenvolvimento e é registrado cada vez mais em economias desenvolvidas, de acordo com a OMS.

A OMS diz que vacinas eficazes foram desenvolvidas para combater os vírus A e B e também poderão ser usados contra o D. A vacina contra a hepatite E foi desenvolvida, mas ainda não está amplamente disponível. E não há uma vacina eficaz contra o vírus C.

As campanhas de vacinação tiveram um sucesso considerável em vários países. Cerca de 180 dos 193 Estados membros da OMS agora incluem a vacina contra hepatite B nos programas de imunização infantil, informou a agência.

Mas são necessárias mais ações para prevenir ou controlar a doença. É vital garantir às pessoas já infectadas o direito de testar para a doença e receber assistência e tratamento de qualidade sem demora, declarou o documento da OMS.

Pesquisa revela aumento na área plantada com transgênicos no Brasil       (04/08/2011)

De acordo com o levantamento, o crescimento é resultado do aperfeiçoamento das sementes geneticamente modificadas

A área cultivada no Brasil com milho, soja e algodão geneticamente modificados (GM) já cresce a um ritmo superior à área total plantada com essas mesmas variedades. Essa é uma das conclusões do 1º estudo da adoção de biotecnologia na safra 11/12, realizado pela consultoria Céleres.  Segundo o coordenador do estudo, Anderson Galvão, esse crescimento é resultado do aperfeiçoamento constante das sementes transgênicas, cada vez mais bem adaptadas às diferentes regiões produtivas no País.

A pesquisa também mostra que a área plantada com soja GM na próxima safra será 13,4% maior do que na safra 10/11, ocupando 20,8 milhões de hectares (82,7% da área total prevista). O algodão transgênico, que teve três novos eventos aprovados em 2010, ocupará 606 mil hectares, equivalentes a 39% dos campos da cultura (um aumento de 62,7% sobre o ciclo anterior).

No caso do milho, as variedades GM estarão presentes em 9,1 milhões de hectares, ou 64,9% da área. Um segundo acompanhamento da adoção da biotecnologia para essa safra está previsto para o dezembro, após a conclusão dos trabalhos de plantio da safra de verão. Para Galvão, esse é o exemplo mais bem-sucedido da adoção da biotecnologia no Brasil: em quatro anos, ocupa mais da metade das terras cultivadas com milho.

Outra descoberta do levantamento é que, pela primeira vez na história da agricultura nacional, a região Centro-Oeste – tradicional produtora de soja convencional – ultrapassou a região Sul em valores absolutos de área destinada à soja transgênica, plantando 8,8 milhões de hectares.

Fonte: Céleres- Agosto de 2011

 

Cientistas identificam gene que leva ao desenvolvimento muscular       (05/08/2011)

O gene codifica a proteína miostatina (MSTN) que, quando inibida, pode estimular o crescimento dos músculos

Cientistas da Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, identificaram a mutação genética que confere músculos superdefinidos e, muitas vezes, agilidade superior a quem a possui. O segredo está no gene que codifica a proteína miostatina (MSTN), que inibe o crescimento muscular. Recentes pesquisas revelaram que existe uma relação direta entre a força e a mutação que “silencia” ou diminui a produção da MSTN.

De acordo com a cientista Anneleen Stinckens, a relação entre ganho muscular e as mutações do chamado gene MSTN é conhecida desde 1997. “Entretanto, a ligação ficou mais clara com a descoberta de humanos e cachorros que a apresentavam”, revela Anneleen.

Há informações sobre dois garotos com deficiência dessa proteína. O primeiro, um alemão que, antes dos cinco anos, podia segurar mais de três quilos com os braços estendidos. Seus músculos são o dobro do tamanho dos de outras crianças de sua idade e ele possui apenas metade da gordura corporal. O outro caso é uma criança de Michigan (EUA) que possui 40% a mais de músculos. Tem muita força, agilidade, metabolismo superacelerado e quase nenhuma gordura corporal.

Segundo a pesquisadora, o estudo com a miostatina contribui na busca de curas para doenças musculares, que estão entre as disfunções herdadas mais comuns e incluem, por exemplo, a distrofia muscular.

Fonte: msnbc.com- Junho de 2011

 

 

Cientistas da Alemanha utilizam flor para produzir borracha

noticias :: Por Editor em 06/08/2011 :: imprimir   pdf   enviar   celular


Uma descoberta feita por cientistas da
Universidade de Münster, na Alemanha, pode resultar em uma nova fonte de borracha para a fabricação de pneus, menos agressiva ao meio ambiente. Segundo os pesquisadores, o látex da flor conhecida como Dente-de-Leão produz uma borracha com a mesma qualidade oferecida pela seiva da seringueira.


Para transformar essa iniciativa em uma realidade de mercado, a Continental, juntamente com um consórcio de institutos de pesquisas e parceiros industriais, estão dando continuidade aos estudos com a planta. De acordo com a empresa, fornecedora mundial de autopeças, o Dente-de-Leão apresenta diversas vantagens. A borracha natural é uma opção à utilização de uma fonte não-renovável, como o petróleo, empregado na fabricação da borracha sintética. Além disso, a seiva da seringueira tem uma procura maior do que a sua oferta, refletindo nos custos de produção.

Para tornar viável a exploração industrial de borracha natural do Dente-de-Leão e o seu cultivo extensivo, bioquímicos descobriram a enzima responsável pela rápida coagulação do látex e, inibindo sua ação, foram capazes de fazer com que a seiva escorra livremente de forma a ser extraída desta planta.

Segundo o parecer dos pesquisadores, futuramente cerca de 1/10 da demanda alemã de borracha poderia ser suprida pelo Dente-de-Leão, que tem um período de crescimento de apenas um ano, da semeação até a colheita, contra os cinco a sete exigidos para o cultivo da seringueira.

FONTE

Brasil Alemanha New

 

 CCJ aprova proibição de agrotóxico associado a suicídio de lavradores


O Methamidophos é um inseticida utilizado principalmente nas culturas de amendoim, tabaco, pimenta e trigo. Seu uso tem sido discutido porque se suspeita ser a causa da morte de trabalhadores rurais por hemorragias e suicídios.

O relator, deputado Dilceu Sperafico (PP-PR), recomendou a aprovação da medida. Ele apresentou, porém, uma emenda para excluir o artigo do projeto que atribui ao Poder Executivo prazo para regulamentar a matéria. Segundo o relator, esse dispositivo contraria o princípio da separação dos poderes. "Quanto ao mérito, a proposta é oportuna e significa inequívoco progresso na legislação brasileira de agrotóxicos", disse Sperafico.

De acordo com o autor do projeto, o exemplo mais famoso de agrotóxico com o princípio ativo Methamidophos é o Tamaron, que seria usado em larga escala na Região Sul em lavouras de fumo. Conforme Fernando Ferro, pesquisa que indica que o uso desse agrotóxico estaria associado ao elevado índice de suicídio na cidade de Venâncio Aires (RS). "Estudos experimentais e relatos de casos têm demonstrado que várias funções cerebrais superiores podem ser afetadas pelos organofosforados", afirmou o deputado. Ele ressaltou que o Methamidophos já é proibido no Reino Unido e na China.

TRAMITAÇÃO

O projeto havia sido rejeitado pelas comissões de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias; e de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. Agora, o texto seguirá para a análise do Plenário.

Leia a íntegra da proposta: PL-2691/1997

FONTE

Agência Câmara de Notícias
Reportagem -- Lara Haje
Edição -- Marcelo Oliveira


Encontrado crânio de macaco de 20 milhões de anos em Uganda

É a primeira vez que um crânio completo de um macaco desta idade foi encontrado, afirmam cientistas

02 de agosto de 2011 | 14h 34

ELIAS BIRYABAREMA - REUTERS

Cientistas franceses e ugandenses descobriram o fóssil de um crânio de um macaco de cerca de 20 milhões de anos na região de Karamoja, em Uganda, anunciou a equipe na terça-feira.

Os cientistas fizeram a descoberta no dia 18 de julho, enquanto investigavam os fósseis dos remanescentes de um vulcão extinto em Karamoja, uma região semi-árida no extremo nordeste de Uganda.

"Esta é a primeira vez que um crânio completo de um macaco desta idade foi encontrado. É um fóssil muito importante", disse o paleontólogo Martin Pickford, do College de France de Paris, numa entrevista coletiva.

Pickford disse que estudos preliminares do fóssil mostraram que o herbívoro que subia em árvores e tinha cerca de 10 anos ao morrer tinha a cabeça do tamanho da de um chimpanzé, mas o cérebro do tamanho de um babuíno, um macaco maior.

Bridgette Senut, professora do Museu Nacional de História Natural, disse que os restos seriam levados a Paris a fim de que fossem examinados e documentados antes de retornarem à Uganda.


Estudo diz que dietas fazem células do cérebro se canibalizarem

Pesquisa poderia explicar por que é tão difícil manter resultados de dietas de emagrecimento

03 de agosto de 2011 | 7h 30


Um estudo publicado na revista científica Cell Metabolism pode ajudar a explicar por que é tão difícil seguir uma dieta de emagrecimento.

Segundo a pesquisa, quando se passa fome, os neurônios responsáveis por regular o apetite passam a comer partes deles mesmos.

Os cientistas acreditam que isso aconteceria porque após um período de jejum e o uso emergencial de reservas de gordura, o corpo receberia um sinal de que há uma falta de comida e faria com que as células se alimentassem delas mesmas.

Os experimentos realizados com camundongos em laboratório revelaram que o ato de "autocanibalismo" destas células gera a liberação de ácidos graxos, que por sua vez resulta em níveis mais altos de uma substância química no cérebro (a proteína agouti, AgRP) que estimula o apetite.

Um dos responsáveis pelo estudo, o pesquisador Rajat Singh, do Albert Einstein College of Medicine, em Nova York, acredita que remédios que interfiram neste processo de autofagia das células do cérebro poderiam ajudar a tratar a obesidade, fazendo com que as pessoas sintam "menos fome e queimem mais gordura".

Segundo ele, quando a autofagia foi bloqueada nos neurônios dos camundongos, os níveis de AgRP não se elevaram em resposta à fome e os níveis de outro hormônio, o hormônio estimulante dos melanócitos, permaneceram altos. Esta alteração na química do corpo levou os camundongos a ficarem mais magros, já que eles comiam menos após um período de jejum e gastavam mais energia.

Por outro lado, Singh explicou que níveis cronicamente altos de ácidos graxos na corrente sanguínea, como acontece em pessoas com dietas ricas em gordura, podem alterar o metabolismo dos lipídios, "criando um circulo vicioso de superalimentação e equilíbrio de energia alterado."

O estudo também pode ajudar a explicar por que o apetite tende a diminuir com a idade, já que as células de um corpo mais idoso não conseguiriam realizar a autofagia tão bem.

BBC Brasil

 

Cientista colombiano apresenta novidades da nanotecnologia

Hinestroza mostrou materiais nos quais está trabalhando para criar tecidos que não mancham e até sistemas para evitar ataques terroristas

03 de agosto de 2011 | 9h 22

Efe

NOVA YORK - O professor colombiano Juan Hinestroza, referência mundial no campo da nanotecnologia, apresentou nesta terça-feira em Nova York alguns materiais nos quais está trabalhando para criar materiais que mudam de cor, tecidos que não mancham e até sistemas para evitar ataques terroristas com agentes químicos.

Hinestroza explicou que trabalha em seu laboratório com materiais "25 mil vezes menores" que o diâmetro de um fio de cabelo, que assim "permite manipulá-los para que se comportem como queira", e desta forma "mudar completamente" a aplicação dos materiais, explicou o cientista da Universidade de Cornell.

As possibilidades vão desde tecidos que repelem a água e as manchas até sacos para transportar frutas em navios da América Latina a outros mercados que apanhem os gases responsáveis do amadurecimento dos alimentos para evitar sua decomposição.

Hinestroza mencionou também a criação de tecidos que permitam através do contato carregar aparelhos eletrônicos como o celular e o iPod até buscar mecanismos para aliviar sintomas de doenças como artrites e ajudar pessoas com alérgicas ao pólen ou outras substâncias.

"O maior inspirador do meu trabalho é a natureza", disse o professor, que explicou que ela nos dá "milhões de anos" de vantagem e por isso estuda e trabalha com diferentes tipos de materiais e corantes naturais do Amazonas para entender como funcionam e como são modificados.

É preciso "usar a ciência para mudar a forma de pensar e agregar valor às coisas", disse o cientista de Cornell, que define seu trabalho como uma mistura entre algo "velho e tradicional" como os tecidos com algo "novo e revolucionário" como a ciência, abrindo o campo a um mundo "completamente novo".

O professor explicou à Agência Efe que sua principal fonte de financiamento vem do Departamento de Defesa dos EUA. "São meus patrocinadores de ouro", disse, ao lembrar que a pesquisa militar foi responsável de coisas hoje tão comuns como a tecnologia GPS, os telefones celulares e internet.

No entanto, se mostrou a favor de demarcar bem os limites entre a ciência e a indústria militar. "Nosso trabalho é criar ciência e educar para as novas gerações de cientistas. São conceitos muito básicos que nós trabalhamos e depois eles desenvolvem seus produtos, aos quais eu não tenho acesso", acrescentou.

Uma das aplicações nas quais trabalha para uso militar é o que o cientista colombiano chama de "camuflagem interativa", que permite tirar fotos do lugar onde o militar se movimenta para que essa imagem fique impressa em sua roupa e desta forma ficar "camuflada no ambiente".

O Pentágono também está interessado em encontrar mecanismos de proteção contra agentes químicos e biológicos para evitar ataques terroristas, disse Hinestroza, que lembrou que "qualquer pessoa pode usar um elemento químico e causar um grande dano" e assinalou que trabalha para detectar esses materiais antes de serem usados.


Pesquisa testará tratamento de esclerose múltipla com células-tronco

Especialistas esperam que as células-tronco sejam capazes de reparar danos no cérebro

29 de julho de 2011 | 16h 57

Efe

Londres - Um grande teste clínico analisará o possível tratamento da esclerose múltipla (EM) com células-tronco, a fim de estabelecer se elas podem conter e inclusive reverter o dano cerebral ocasionado pela doença.

A pesquisa, na qual participarão 200 pacientes de todo o mundo, será liderada por cientistas do Imperial College de Londres, que receberam fundos da Sociedade de EM e da Fundação de Células-Tronco do Reino Unido para começar o teste no final deste ano.

Os especialistas tomarão células-tronco da medula óssea dos pacientes, depois as tratarão em laboratório e voltarão a injetar na corrente sanguínea, segundo os detalhes do teste divulgados nesta sexta-feira no Reino Unido.

Os pesquisadores esperam que as células-tronco encontrem um caminho até o cérebro para que possam reparar o dano causado pela EM, uma doença que causa lesões crônicas no sistema nervoso central e cujas causas são desconhecidas.

O pesquisador chefe deste estudo no Imperial College, Paolo Muraro, disse nesta sexta-feira que esta é a primeira vez que os especialistas se unem para provar células-tronco em pacientes com esclerose múltipla em um teste de grande escala.

Os cientistas trabalharão em laboratórios em Londres e Edimburgo, onde cultivarão as células-tronco.

"O projeto de pesquisa de Muraro representa o primeiro teste deste tipo feito pelo Reino Unido sobre o uso de células-tronco para o tratamento de EM", afirmou nesta sexta-feira o presidente da Fundação de Células-Tronco do Reino Unido.


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Cientistas conseguem reprogramar células de pele de adultos

Pesquisadores usarão as células-tronco pluripotentes induzidas para estudar a progressão de várias doenças e buscar novos tratamentos para elas

25 de julho de 2011 | 15h 49

Efe

Washington - Uma equipe de cientistas da Universidade de Michigan conseguiu reprogramar células de pele de adultos que se comportam como células-tronco, informou nesta segunda-feira a instituição.

As células reprogramadas também são conhecidas como células-tronco pluripotentes induzidas (iPS, por sua sigla em inglês) e exibem muitas das propriedades das células-tronco de embriões.

Os pesquisadores da Universidade de Michigan utilizarão as iPS junto com as células-tronco de embrião humano para estudar a origem e a progressão de várias doenças e tentar buscar novos tratamentos.

Das primeiras cinco cepas de iPS do consórcio, três provêm de células de pele doadas por pacientes com transtorno bipolar e serão usadas para estudar esse problema.

O trabalho foi realizado por um consórcio criado em março de 2009 do qual participam diversas faculdades, laboratórios e centros de estudos da Universidade de Michigan.

"As duas principais metas que tínhamos quando iniciamos o consórcio eram a produção de cepas de células-tronco de embrião humano e cepas de células iPS. Agora alcançamos os dois objetivos", disse a codiretora do consórcio Sue O'Shea, professora de biologia celular e de desenvolvimento da escola de medicina.

Em outubro de 2010 os pesquisadores do consórcio anunciaram que tinham criado a primeira cepa de células-tronco de embrião humano no país.

Após seis meses, anunciaram que tinham criado as primeiras cepas de células-tronco de embrião humano portadoras dos genes responsáveis por uma doença hereditária.

Uma das metas do consórcio era a criação de cepas de células iPS e de células-tronco de embrião humano afetadas por doenças para poder compará-las.

Quando as células iPS de humanos foram descobertas em 2007, alguns as proclamaram como possíveis substitutas das células-tronco de embrião humano.

No entanto, estudos recentes descobriram algumas importantes diferenças entre as iPS e as células-tronco de embrião humano, e a maioria dos pesquisadores diz que, se for necessário, continuarão os trabalhos com os dois tipos de células, junto com as células-tronco de adultos.


Pesquisadores criam banco de células de pacientes com mal de Parkinson

Estudiosos em Oxford estão coletando células de pele e transformando-as em células cerebrais, para estudá-las.

17 de junho de 2011 | 20h 03

Pesquisadores em Oxford, na Grã-Bretanha, criaram um banco de células cerebrais geradas artificialmente a partir do material genético de pacientes que sofrem do mal de Parkinson.

A BBC apurou que os pesquisadores estão usando uma nova técnica, que lhes permite transformar um pequeno pedaço de pele do paciente em um pequeno pedaço de cérebro.

É a primeira vez que esse procedimento é feito em um estudo de larga escala, cujo objetivo é encontrar possíveis curas para o mal de Parkinson.

Os estudiosos afirmam que, com os avanços, eles devem conseguir analisar as células nervosas dos pacientes à medida que elas começam a se deteriorar.

A primeira leva de celular nervosas foi criada a partir de células de Derek Underwood, 56 anos, morador do condado de Oxfordshire.

Underwood, que teve de se aposentar precocemente por causa do avanço do mal de Parkinson, será o primeiro dos 50 pacientes cujas células, retiradas da pele, serão usadas para criar células cerebrais, como parte do estudo de cinco anos de duração.

Segundo Richard Wade Martins, da Universidade de Oxford, líder da pesquisa, a meta é criar um "banco cerebral", que permita que os cientistas estudem a evolução da doença com detalhes nunca vistos.

"O cérebro é um órgão inacessível, não podemos tirar partes deles para estudá-los", disse Wade Martins. "(Com o novo banco) teremos células que serão iguais às do cérebro de Derek (Underwood), porém acessíveis e possíveis de serem produzidas em quantidade ilimitada."

Laboratório

O primeiro passo, segundo a médica Michelle Hu, do Hospital John Radcliffe, em Oxford, será comparar as células tiradas dos pacientes com outras tiradas de voluntários saudáveis. Assim, será possível notar suas diferenças.

"Pela primeira vez, podemos olhar para as células antes que elas se deteriorem e observar suas mudanças iniciais", ela explicou.

"Podemos observar quais processos celulares estão causando a morte das células e entender o porquê de elas adoecerem. E queremos saber se há tratamentos que possam reverter esse processo e ajudar os pacientes a reconquistar suas funções normais."

Trata-se do primeiro estudo clínico de larga escala a usar a técnica desenvolvida por cientistas japoneses há três anos, chamada de "célula-tronco pluripotente induzida" (IPS, na sigla em inglês).

Genes são inseridos nas células de pele, reprogramando-as para se converterem nas células cerebrais.

A técnica IPS é semelhante à de células-tronco embrionárias. Mas a IPS não resulta na criação de um embrião - despertando, dessa forma, menos questionamentos no âmbito ético. BBC Brasil

Célula-tronco brasileira não representa o País

Cientistas responsáveis pela criação da linhagem nacional argumentam que a falta de compatibilidade genética pode limitar o uso em eventuais terapias

04 de maio de 2011 | 8h 32

Alexandre Gonçalves - O Estado de S. Paulo

A primeira linhagem brasileira de células-tronco embrionárias tem pouca afinidade genética com a população do País. É o que mostra um estudo publicado na revista Cell Transplantation.

Cientistas responsáveis pela criação da linhagem nacional argumentam que a falta de compatibilidade genética pode limitar o uso em eventuais terapias. Eles sublinham a necessidade de novas linhagens obtidas de embriões oriundos de comunidades mais miscigenadas.

A equipe de Lygia da Veiga Pereira, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), avaliou a compatibilidade da linhagem brasileira - batizada de BR-1 e criada em 2008 - com as amostras do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), um banco de dados com registros de mais de um milhão de pessoas que oferece uma boa ideia da variabilidade genética no País.

O estudo não identificou qualquer compatibilidade entre a linhagem nacional de células-tronco embrionárias e a amostra do Redome. Linhagens dos Estados Unidos e de Cingapura apresentaram maior correspondência com a população brasileira.

Lygia explica que os embriões utilizados na criação da BR-1 vieram de clínicas particulares de reprodução assistida. Normalmente, casais que procuram tais clínicas possuem uma situação econômica confortável e ascendência europeia, o que restringe muito a representatividade genética da linhagem.

No trabalho da Cell Transplantation, os cientistas utilizaram o exame HLA, que avalia as características e a compatibilidade de determinadas proteínas na membrana celular. Uma eventual incompatibilidade entre o tecido transplantado e o organismo do receptor pode desencadear um processo de rejeição grave.

O mesmo método é usado, por exemplo, antes de transplantes de rim. "Ainda não sabemos a resposta do sistema imunológico ao transplante de CTEs", aponta Lygia. "Em breve, com a publicação dos resultados dos testes realizados pela Geron (primeira empresa a testar terapias com CTEs em humanos), saberemos."

Os serviços de reprodução assistida públicos não costumam produzir embriões excedentes. Todos são implantados. Para Lygia, seria conveniente mudar a prática. Ela não descarta a criação, no futuro, de bancos de linhagens de células-tronco embrionárias análogos ao Redome.


Feira de ciência em Londres mostra protótipo de 'óculos para cegos enxergarem'

Evento da Royal Society ocorre há 150 anos

06 de julho de 2011 | 15h 30

Acontece esta semana a Feira Anual de Ciências de Londres, que tem como destaque um protótipo de óculos que podem vir, no futuro, a ajudar cegos a perceber objetos e pessoas.

"As pessoas podem colocar óculos que simulam cegueira. Então, elas poderão ver se as formas e as cores brilhantes são o bastante para elas possam encontrar o caminho sozinhas", diz o pesquisador Stephen Hicks, da Universidade de Oxford, que desenvolveu o projeto.

Hicks contou ainda que eles estão tentando produzir óculos leves, fáceis de usar, com luzes de led nas lentes e duas câmeras pequenas colocadas na armação.

"As câmeras serão conectadas a um pequeno computador, que vai levar as imagens de volta às lentes com as luzes de led. Com isto, estas luzes poderão se acender quando a câmera captar a presença de uma pessoa ou objeto."

O evento da Royal Society, que termina no sábado, acontece todo verão há mais de 150 anos. Seu objetivo é explicar ciência para as pessoas comuns.

"Me lembro de minhas visitas à feira quando tinha apenas 15, 16 anos e de ficar muito animado com todas as experiências que via, as coisas para brincar e assistir. Não é apenas ler palavras no papel, são objetos interativos, então você pode aprender brincando", diz Paul Nurse, presidente da Royal Society. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Leonardo Koppes


Câmera lenta flagra 'segredos' das tigelas tibetanas cantantes

Tigelas milenares emitem sons ao serem enchidas com água e tocadas com uma baqueta de couro

01 de julho de 2011 | 14h 33

Cientistas tentam desvendar os segredos das tigelas tibetanas cantantes que emitem sons ao serem enchidas com água e tocadas com uma baqueta de couro.

Um vídeo em câmera lenta mostra o que acontece dentro da tigela, com partículas de água pulando sobre a superfície. 

A pesquisa, publicada na revista científica Nonlinearity, conseguiu produzir um modelo matemático que pode revelar como determinados processos envolvendo fluidos acontecem, como injeções de combustível.

Os cientistas estudaram ondas de Faraday, que surgem quando fluidos vibram, mas são restringidos por uma barreira, como a tigela.

Quando a frequência do girar da baqueta ao redor da tigela atinge o ponto natural de vibração, as bordas começam a mudar de formato de forma ritmada.

A energia destas mudanças se transfere para a água, e uma série de padrões começa a surgir na medida em que a força aplicada à baqueta se intensifica.

Em um determinado momento, a água fica instável e pequenas partículas começam a pular e dançar caoticamente sobre a superfície.

Um vídeo em câmara lenta mostra a forma como os padrões irregulares de ondas surgem, e como elas se chocam umas com as outras.

Este comportamento - chamado de "instabilidade de Faraday" - já é conhecido pelos cientistas. O cientista John Bush, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), disse que em 2009 apresentou um programa no canal de televisão Discovery Channel sobre o fenômeno.

"Uma mulher chamada Rosie Warburton viu o programa e me mandou um e-mail dizendo que tinha observado o mesmo comportamento nas tigelas tibetanas cantantes", disse Bush à BBC. "Este e-mail me inspirou a estudar o fenômeno."

Mas ao observar o comportamento nas experiências com as tigelas cantantes, Bush disse que detectou padrões estranhos, até mesmo para especialistas em dinâmica de fluidos.

Bush e o outro autor do estudo, Denis Terwagne, da Universidade de Liege, na Bélgica, desenvolveram um modelo matemático para como a água se comporta nas tigelas.


BBC Brasil



Cientistas descobrem variante de gene que aumenta o risco de Alzheimer

De acordo com estudo, variante impediria a evacuação de placas senis do tecido cerebral, favorecendo o desenvolvimento da doença

30 de junho de 2011 | 12h 09

Efe

WASHINGTON - Cientistas descobriram que a variante de um gene associado à doença de Alzheimer impede a evacuação de placas senis do tecido cerebral, o que aumenta o risco de desenvolvimento da doença, segundo estudo publicado nesta quarta-feira pela revista "Science Translational Medicine".

As placas senis são formadas devido à acumulação de proteínas beta-amilóide, que se concentram em cúmulos ou novelos impenetráveis que afetam à transmissão entre as células nervosas do cérebro.

A descoberta serviria para explicar por que algumas pessoas sofrem maior acumulação da proteína e buscar novas maneiras para atrasar e inclusive deter a acumulação dessas placas.


Os pesquisadores identificaram vários genes que parecem aumentar o risco de Alzheimer, um deles é o gene APOE, cuja variante ApoE4 aumenta o risco e antecipa a idade de aparição da doença.

Estudos anteriores haviam sugerido que a ApoE4 contribuía para dirigir a acumulação de beta-amilóide, e agora o doutor David Holtzman, da Escola de Medicina da Washington University, e seus colaboradores revelaram o motivo.


Segundo suas pesquisas, a ApoE4 contribui para a acumulação da proteína mediante a desaceleração de sua evacuação do cérebro, o que explicaria por que algumas pessoas acumulam mais esse tipo de proteína que outras, aumentando o risco de Alzheimer.


Os autores mediram a concentração de beta-amilóide no fluido cerebral de indivíduos cognitivamente normais de menos de 70 anos de idade usando formas distintas de APOE.

A equipe descobriu que os indivíduos com ApoE4 tinham muita mais proteína beta-amilóide no cérebro que os indivíduos com as formas ApoE2 e ApoE3 (outras duas formas comuns de proteínas do gene).


Em um segundo momento, os pesquisadores estudaram as concentrações de beta-amilóide em ratos geneticamente modificados e descobriram maiores concentrações da proteína humana nos animais com ApoE4 que nos animais com as outras formas.


A equipe também observou que o cérebro dos ratos (tanto jovens como velhos) com a ApoE4 humana se desfez da beta-amilóde muito mais devagar que aqueles com as outras formas da proteína.

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que afeta principalmente adultos de idade avançada, cujo principal sintoma é a perda de memória.




Cientistas comprovam que inseto de 2 mm é o animal mais ruidoso da Terra

Som produzido pelo percevejo aquático 'Micronecta scholtzi' surge quando ele esfregar o pênis contra o abdômen

30 de junho de 2011 | 11h 55

Efe

O animal mais barulhento da Terra em proporção ao seu tamanho é um inseto aquático que mede apenas 2 milímetros e, que para atrair as fêmeas, "canta" com uma potência de até 99,2 decibéis, equivalente ao som de uma orquestra assistida na primeira fileira.

Cientistas do Museu Nacional de História Natural de Paris e da Universidade escocesa de Strathclyde conseguiram gravar e medir pela primeira vez com microfones debaixo da água o som produzido pelo "Micronecta scholtzi", um percevejo aquático, ao esfregar seu pênis contra o abdômen, em processo conhecido como estridulação.


"Apesar de que 99% do som se perde ao passar da água para o ar, o canto é tão intenso que uma pessoa que anda pela margem pode de fato ouvir essas pequenas criaturas cantando do fundo do rio", assinala em uma nota o biólogo James Windmill, da Universidade de Strathclyde.


Os animais mais ruidosos da Terra costumam ser os maiores como as baleias azuis e os elefantes, mas, segundo o estudo, se comparar a intensidade do som com o tamanho de seu corpo, os "Micronecta scholtzi" são os campeões.


A pesquisa, publicada na revista "PLoS One", será apresentada neste sábado na conferência anual da Sociedade para a Biologia Experimental realizada entre 1 e 4 de julho em Glasgow (Escócia).


Segundo Windmill, é um mistério como estes insetos conseguem fazer tanto barulho, já que só utilizam uma zona de 50 micrómetros - da largura de um cabelo humano - para a estridulação.


Do ponto de vista biológico, o estudo pode contribuir à conservação das espécies, já que registrar os sons dos insetos pode servir para realizar um acompanhamento da biodiversidade, enquanto do ponto de vista da engenharia poderia ser aproveitado pela acústica, disse Windmill.




Astrônomos europeus descobrem o quasar mais distante já encontrado

Segundo dados do Observatório Austral Europeu (ESO), esse é o objeto mais luminoso descoberto até agora no Universo primordial

29 de junho de 2011 | 14h 03

Efe

BERLIM - Astrônomos europeus descobriram o quasar mais distante descoberto até o momento a partir das observações realizadas com o telescópio de longo alcance do Observatório Austral Europeu (ESO, na sigla em inglês), em Cerro Paranal, no Chile, e outros telescópios.

 

Efe

Segundo estudiosos, descoberta de quasar deve ajudar a entender como cresceram os buracos negros

Segundo os resultados do estudo facilitados à Agência Efe por Richard Hook, porta-voz do ESO de Garching, no sul da Alemanha, se trata do objeto mais luminoso descoberto até agora no Universo primordial, que é alimentado por um buraco negro que possui dois bilhões de vezes a massa do Sol.


"Este quasar é uma evidência vital do Universo primordial. É um objeto muito raro que nos ajudará a entender como cresceram os buracos negros supermassivos em poucas centenas de milhões de anos depois do Big Bang", disse Stephen Warren, líder da equipe de astrônomos, em uma nota do ESO.


A luz deste quasar, chamado ULAS J1120+0641, demorou 12,9 bilhões de anos para chegar aos telescópios da Terra, por isso que é visto como era quando o Universo tinha apenas 770 milhões de anos.


Anteriormente já se tinha confirmado a existência de objetos ainda mais distantes, como uma explosão de raios gama com deslocamento ao vermelho de 8,2 e uma galáxia com deslocamento ao vermelho de 8,6, mas o quasar recém descoberto, com deslocamento ao vermelho de 7,1, é centenas de vezes mais brilhante que os anteriores.


O deslocamento ao vermelho cosmológico é uma medida do estiramento total do Universo entre o momento em que a luz foi emitida e o momento em que foi recebida.


Depois do quasar recém descoberto, o mais distante é visto atualmente como era 870 milhões de anos depois do Big Bang, com um deslocamento ao vermelho de 6,4.


"Demoramos cinco anos para encontrar este objeto", afirmou Bram Venemans, um dos autores do estudo, em referência à nova descoberta.


A equipe de astrônomos, que procurava um quasar com deslocamento ao vermelho maior que 6,5 teve uma surpresa ao "encontrar um que está inclusive mais longe, com um deslocamento ao vermelho maior que 7".


"Ao permitir-nos olhar em profundidade a era de reionização, este quasar representa uma oportunidade única para explorar uma janela de 100 milhões de anos na história do cosmos que até agora não estava a nosso alcance", ressaltou.


Segundo Daniel Mortlock, principal autor do estudo, se considera que "só há cerca de 100 quasares brilhantes com deslocamento ao vermelho superior a 7 em todo o céu".


"Encontrar este objeto envolveu uma busca minuciosa, mas o esforço valeu a pena para poder desvelar alguns dos mistérios do Universo primitivo".


O brilho dos quasares, dos quais se acredita que sejam galáxias distantes muito luminosas alimentadas por um buraco negro supermassivo em seu centro, os transforma em poderosas luzes que podem ajudar a obter informações sobre a época em que foram formadas as primeiras estrelas e galáxias.




Arqueólogos confirmam autenticidade de ossuário da neta de Caifás

Segundo Autoridade de Antiguidades de Israel, descoberta representa a primeira referência epigráfica sobre essa personagem

29 de junho de 2011 | 15h 07

Efe

JERUSALÉM - Arqueólogos israelenses descobriram um ossuário de 2 mil anos de antiguidade que pertence à neta de Caifás, sumo sacerdote a quem o Novo Testamento atribui a responsabilidade pela condenação e crucificação de Jesus pelos romanos.

A descoberta foi entregue à Autoridade de Antiguidades de Israel há três anos, após seu roubo por profanadores de tumbas antigas, mas somente agora os pesquisadores da Universidade de Tel Aviv e da de Bar-Ilan confirmaram sua autenticidade.


Em seu exterior, o ossuário tem gravado em aramaico - língua vernácula da região naquela época - a inscrição "Miriam, filha de Yeshua, filho de Caifás, sacerdote de Maaziah da Casa de Imri".


"A importância da inscrição está na referência aos ancestrais da morta e na referência à conexão entre eles e a linhagem sacerdotal de Maaziah e a Casa de Imri", declararam os pesquisadores em comunicado.


A pesquisa revelou que o ossuário de sua descendente provinha de uma caverna funerária no Vale de Elá, onde eram as planícies da Judéia, cerca de 30 quilômetros ao sudoeste de Jerusalém.


Os ossuários da região são pequenos cofres que os judeus costumavam utilizar nos séculos I e II para um segundo enterro de seus parentes e onde costumavam depositar unicamente seus ossos.


O cofre que chegou às mãos da Autoridade de Antiguidades está decorado na parte frontal com um estilizado motivo floral, em cima do qual está gravada a inscrição que revela a identidade da morta.


Maaziah é o último elo da linhagem dos 24 grandes sacerdotes que serviram no Templo de Jerusalém, e mesmo mencionado no Antigo Testamento, a descoberta representa a primeira referência epigráfica sobre essa personagem.

Por ter sido extraído sem registro científico, a análise do cofre foi prolongada e exaustiva a fim de determinar tanto sua autenticidade como a da inscrição.




Cientistas testam e comparam inteligência de corvos e papagaios

Fabuloso: assista também o vídeo no link abaixo

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,cientistas-testam-e-comparam-inteligencia-de-corvos-e-papagaios,730710,0.htm

Peru descobre 370 tumbas incas

Sítio arqueológico tem entre 500 e 600 anos e fica a 3,7 mil metros de altitude nos Andes peruanos

14 de junho de 2011 | 16h 27

Arqueólogos peruanos começaram a catalogar 370 tumbas incas encontradas nos Andes a cerca de 3,7 mil metros de altitude.

Os pesquisadores dizem que há tumbas quadradas, circulares, muradas e que algumas estão em buracos ou sob pisos de pedra.

Especialistas afirmam que o sítio arqueológico tem entre 500 e 600 anos e que algumas das tumbas ainda contêm os restos mortais dos falecidos, dentro cestas de vime.

"Os indivíduos tinham funerais característicos e as cestas eram feitas de acordo com o volume dos corpos", afirmou Jorge Atauconcha, chefe do sítio arqueológico de Chumbivilcas. BBC Brasil



Cientistas induzem célula a emitir raio laser

Técnica usa como base proteína emissora de luz encontrada em águas-vivas e tem potencial para uso científico e médico

14 de junho de 2011 | 5h 36

Cientistas americanos induziram uma célula a produzir luz laser, diz um artigo publicado na revista científica Nature Photonics.

A técnica se baseia em uma célula que foi programada geneticamente para produzir uma proteína - encontrada naturalmente em uma espécie de água-viva - capaz de emitir luz.

Quando a célula é iluminada com uma tênue luz azul, passa a emitir luz laser verde direcionada.

O trabalho pode ter aplicações na geração de imagens microscópicas de qualidade superior e também em tratamentos médicos que utilizam luzes.

A luz laser se diferencia da luz normal porque ela tem um espectro mais reduzido de cores, como ondas de luz que oscilam juntas, em sincronia.

As formas mais modernas de laser utilizam materiais sólidos construídos cuidadosamente para produzir lasers usados em diversos aparelhos eletrônicos, entre eles, escaneadores de supermercados, tocadores de DVDs e robôs industriais.

Avanço

O trabalho dos cientistas Malte Gather e Seok Hyun Yun, do Wellman Center for Photomedicine do Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos, estabelece um precedente importante: esta é a primeira vez que um organismo vivo produz a luz laser.

A dupla usou uma proteína verde fluorescente (Green Fluorescent Protein, ou GFP, na sigla em inglês) como um meio de ganho, para a amplificação da luz.

Objeto de muitos estudos, a molécula GFP - encontrada originariamente em uma espécie de água-viva - revolucionou a biologia ao agir como uma "lanterna" que pode iluminar sistemas vivos.

Gather e Yun programaram células do rim humano para produzir GFP.

Banhadas em Luz

As células foram colocadas, uma de cada vez, entre dois minúsculos espelhos com 20 milionésimos de um metro de comprimento.

Os espelhos funcionaram como uma "cavidade laser" na qual raios de luz foram refletidos múltiplas vezes, banhando a célula.

Quando a célula foi exposta à luz azul, passou a emitir luz verde intensa e direcionada.

As células continuaram vivas durante e depois do experimento.

Em uma entrevista que acompanha o artigo na Nature Photonics, os cientistas observaram que o sistema vivo é "auto-regenerativor". Ou seja, se as proteínas que emitem luz são destruídas no processo, a célula simplesmente produz mais proteínas.

"Em terapias baseadas em luz, diagnóstico e geração de imagens, as pessoas procuram formas de transportar luz emitida por uma fonte externa de laser para um ponto profundo no interior do tecido."

"Agora, podemos abordar o problema de outra forma: amplificando a luz no (próprio) tecido".

BBC Brasil

 

Cerveja já era produzida na França na Idade do Ferro

Pesquisadores encontraram restos de cevada e equipamentos que sugerem a produção doméstica da bebida no país

14 de junho de 2011 | 12h 27

Estadão.com.br

SÃO PAULO - Laurent Bouby e uma equipe de pesquisadores do Centro de Bioarqueologia e Ecologia, ligado ao Museu de História Natural francês, encontraram evidências da produção de cerveja na França no período conhecido como Idade do Ferro, por volta de 500 anos antes de Cristo. Os pesquisadores encontraram, durante escavações em Roquepertuse, a presença de grãos de cevada e equipamentos para o processo de maltagem. A descoberta foi publicada na edição online da revista Human Ecology.

Até então, só havia evidências da produção de vinho na região. Foram analisadas três amostras de sedimentos obtidos nos anos de 1990. Uma destas amostras foi retirada do chão de uma residência, próximo a uma lareira e um forno. As outras foram retiradas de um recipiente de cerâmica e de um fosso. Todas elas apresentavam restos de plantas carbonizadas com predominância de cevada.

De acordo com o que foi achado, os pesquisadores chegaram à conclusão de que os grãos eram encharcados em recipientes, espalhados e revirados durante a germinação em uma superfície plana. Eles então eram levados ao forno para secar para parar o processo de germinação, depois disto os grãos maltados eram moídos. A lareira e os contêineres encontrados serviriam para a fermentação e estocagem.

"As amostras de Roquepertuse sugerem que a cerveja foi realmente produzida como uma atividade doméstica. Comparados a outras evidências, isso contribui para o retrato de uma sociedade que combina um intricado uso de vários tipos de bebidas, incluindo cerveja, que foi provavelmente uma tradição local, e vinho, que foi, pelo menos em partes, promovido pelo contato entre as colônias por agentes mediterrâneos.", declararam os autores.


Espécies resolveram problemas usando objetos como ferramentas

10 de junho de 2011 | 16h 45

Pesquisadores das universidades de Viena e Oxford testaram pássaros de algumas das espécies consideradas as mais inteligentes do planeta e comprovaram a habilidade dos animais em resolver complexos problemas.

Corvos-da-nova-caledônia e papagaios da Nova Zelândia foram submetidos a uma bateria de testes em que precisaram vencer desafios para ter acesso a comida.

Entre as situações criadas pelos cientistas estavam puxar um barbante para alcançar a recompensa, usar bolinhas de gude para empurrar a comida para fora de uma caixa e um gancho para abrir uma janela.

Corvos selvagens normalmente utilizam objetos para resolver tarefas do dia-a-dia, segundo cientistas.

Para os corvos, o mais difícil foi abrir a janela puxando um gancho.

Os pesquisadores afirmaram que isso não foi devido à dificuldade em entender que precisava puxá-lo, mas sim ao medo natural dos corvos de tocarem objetos desconhecidos.

Pelo mesmo motivo, o pássaro preferiu usar um objeto para empurrar a comida do que enfiar a cabeça na caixa.

O papagaio da Nova Zelândia também resolveu todos os problemas, apesar da espécie não costumar usar ferramentas na natureza.

A única tarefa em que teve dificuldades foi usar um graveto como ferramenta.

Cientistas dizem que isso se deve ao formado curvo do bico da ave.

Mesmo assim, o animal foi capaz de desenvolver uma técnica complexa, na qual usou a abertura na caixa, as patas e o bico para finalmente ter acesso à comida.

Os cientistas afirmam que a comparação entre a capacidade de resolver problemas destas aves revela como a evolução de diferenças de inteligência depende de cada espécie.

BBC Brasil


Arroz foi modificado geneticamente por agricultores pré-históricos       (10/06/2011)

Há 10 mil anos o grão é melhorado por meio do processo de seleção artificial

Não é de hoje que o ser humano interfere na genética das plantas para obter variedades com melhores características agronômicas, a exemplo da produtividade. Segundo um grupo de cientistas liderados por Masanori Yamasaki, da Universidade de Kobe, no Japão, esse é o caso do arroz.  Testes genéticos mostraram que, no processo de domesticação, as mutações tornaram os talos do arrozeiro mais robustos e aumentaram a capacidade de produção de grãos da planta.

Os cientistas analisaram o genoma do arroz selvagem e o comparou ao de duas subespécies do cereal, domesticados em momentos e de forma diferentes. Devido a uma mutação no gene “semi anão 1” (SD1), o caule do arroz ficou mais curto. A diversidade genética no SD1 é muito maior no arroz selvagem que nas espécies cultivadas pelo ser humano, que guardaram as mutações. Para os autores, isso sugere que houve uma seleção artificial durante o início do processo de domesticação do arroz.

A conclusão da pesquisa é de que nossos antepassados (agricultores chineses) levaram em conta a altura dos pés e selecionaram as menores plantas, que tinham características genéticas específicas. Assim como acontece com os atuais transgênicos, os antigos produtores também tinham o objetivo de aumentar a produtividade.

Fonte: PNAS - 06 de junho de 2011

Pesquisadores descobrem fósseis de criatura gigante de 488 milhões de anos

Esses animais eram predadores gigantes com corpos leves e dois apêndices espinhosos que saíam da boca

26 de maio de 2011 | 8h 43

Efe

LONDRES - Cientistas da universidade americana de Yale descobriram no Marrocos fósseis de criaturas marinhas gigantes que habitaram a Terra no período Ordoviciano, entre 488 milhões e 472 milhões de anos atrás.

Em estudo publicado na edição mais recente da revista Nature, os pesquisadores Peter Van Roy e Derek Briggs estimam que os anomalocaris, predadores gigantes com corpos leves e dois apêndices espinhosos que saíam da boca, de aspecto similar aos camarões, habitaram os mares por um tempo muito mais longo do que se acreditava até agora.

Os anomalocaris possuíam dentes afiados, úteis para perfurar as couraças de pequenos artrópodes como os trilobites, e lóbulos para se deslocar na água. Os espécimes mais antigos dessas criaturas, conhecidas como "camarões estranhos", datam do período Cambriano Médio, entre 542 milhões e 501 milhões de anos atrás.

Os fósseis descobertos agora medem cerca de 1 metro e são muito maiores que os demais fósseis datados do mesmo período.

O fato de os animais encontrados no Marrocos serem 30 milhões de anos mais jovens que os que habitaram a Terra no Cambriano indica que os anomalocaris dominaram os ecossistemas marítimos muito antes do que se pensava.

 
 
Bactéria dos 'pepinos assassinos' chega à Inglaterra

Tipo letal da E.Coli, que já matou nove pessoas na Alemanha, foi diagnosticada em morador inglês

28 de maio de 2011 | 16h 22

AE - Agência Estado

LONDRES - Uma pessoa na Inglaterra foi diagnosticada com um tipo letal da bactéria E. Coli que pode ter vindo de pepinos orgânicos cultivados na Espanha. A bactéria já matou nove pessoas na Alemanha e quase 300 foram internadas em hospitais. Alguns casos também foram registrados na Suécia, na Dinamarca e na Holanda. Por conta das mortes, os produtos foram apelidados de "pepinos assassinos" nos locais afetados.

A recomendação das autoridades é que pessoas que estejam viajando para a Alemanha não comam pepinos, tomates crus ou alface. A Autoridade de Proteção à Saúde da Grã-Bretanha afirmou que três alemães que estão atualmente na Inglaterra ficaram doentes e já foi confirmado que um dos casos envolve a bactéria. Segundo a autoridade, a epidemia da Alemanha é séria. A bactéria é infecciosa e pode provocar infecções secundárias. As informações são da Dow Jones.

Avião solar realiza primeiro voo internacional

Aparelho Solar Impulse saiu de Payerne, na Suíça, em direção a Bruxelas, na Bélgica

13 de maio de 2011 | 9h 03


Um avião experimental movido totalmente a energia solar realizou seu primeiro voo internacional nesta sexta-feira.

O aparelho chamado Solar Impulse ("Impulso Solar", em inglês) saiu do aeroporto de Payerne, na Suíça, em direção a Bruxelas, na Bélgica.

A viagem de doze horas é um teste para a capacidade do Solar Impulse de fazer percursos usados por aviões comerciais.

No ano passado, a aeronave já bateu o recorde de maior tempo de voo obtido por um avião movido a energia solar, ficando no ar por 26 horas, 10 minutos e 19 segundos.

O Solar Impulse, que tem capacidade para apenas um tripulante, já realizou diversos voos dentro da Suíça - como entre os aeroportos de Genebra e Zurique, por exemplo.

"Pilotar uma aeronave como a Solar Impulse pelo espaço aéreo europeu e pousar em um aeroporto internacional é um desafio incrível para todos nós, e o sucesso disso depende do apoio das autoridades", diz o piloto e co-criador do avião, Andre Borschberg.

Em um prazo de até três anos, a equipe do Solar Impulse planeja realizar voos transatlânticos e completar uma volta ao mundo, sempre em missões tripuladas. BBC Brasil

 

'Menino magnético' fica famoso na Croácia por atrair metais

Itens como colheres e panelas parecem grudar no corpo Ivan Stoiljkovic, de apenas 6 anos

13 de maio de 2011 | 15h 57

Um menino croata de apenas seis anos de idade parece ter a capacidade de atrair objetos metálicos, como se fosse um super-herói dos quadrinhos.

Ivan Stoiljkovic já virou atração na cidade de Koprivnica, na Croácia, onde mora. Itens como colheres, moedas e até panelas e halteres parecem grudar no tórax do menino.

Os familiares de Ivan dizem que o garoto precisa estar muito concentrado para que os seus poderes funcionem. Eles afirmam que o menino pode carregar até 25 kg de metal grudados no corpo.

"Uns meses atrás, a avó viu na TV um menino que estava fazendo coisas como essas. E então ele (Ivan) tirou a camiseta e perguntou se poderia fazer isso. Ela colocou coisas sobre ele e elas ficaram grudadas", diz a mãe do garoto, Snezana Stoiljkovic.

Além de seus supostos poderes magnéticos, Ivan também teria uma incrível capacidade de regeneração. A família do menino diz que seus ferimentos curam rapidamente, sem deixar cicatrizes.

Ivan teria ainda o poder de curar outras pessoas. Parentes afirmam que o garoto consegue aliviar as dores de estômago de seu avô usando apenas as mãos. Ele também teria acabado com a dor na perna de um vizinho que sofreu um acidente de trator.

Mesmo sendo uma celebridade local, Ivan brinca e se diverte como uma criança comum, aparentemente sem ligar para aquilo que parecem ser superpoderes. BBC Brasil -

 

Pessoas com menor grau de educação envelhecem mais rápido, sugere estudo

Pesquisa indica que educação melhor ajuda pessoas a tomar decisões mais apropriadas para a saúde a longo prazo

12 de maio de 2011 | 5h 54

Uma pesquisa britânica realizada com 400 homens e mulheres sugere que pessoas com menos educação tem tendência a envelhecer mais rapidamente.

Análises do DNA dos pesquisados sugerem que o envelhecimento celular é mais avançado em adultos sem qualificações comparados com aqueles que tem um diploma universitário.

A instituição de caridade britânica para problemas do coração, British Heart Foundation, afirmou que o estudo, realizado em Londres e publicado na revista especializada Brain, Behaviour and Immunity, reforça a necessidade de enfrentar as diferenças sociais.

"Não é aceitável que o local onde você vive ou o quanto você ganha - ou a menor bagagem acadêmica - possam significar um risco maior de doenças", afirmou o professor Jeremy Pearson, diretor médico associado da instituição.

A ligação entre boa saúde e status socioeconômico já foi estabelecida em outras pesquisas.

As pessoas mais pobres tem mais probabilidade de fumar, fazer menos exercícios e ter menos acesso atendimento de saúde de boa qualidade, quando comparadas as pessoas mais ricas.

Mas, o novo estudo sugere que a educação pode ser um fator determinante mais preciso da saúde no longo prazo do que o status social e a renda.

Além do University College de Londres, também participaram especialistas da University of Wales Institute, em Cardiff, e da Universidade da Califórnia, em San Francisco.

Decisões

Os pesquisadores sugerem que uma educação melhor permite que as pessoas tomem decisões melhores que afetam a saúde no longo prazo.

Os cientistas também especulam que as pessoas mais qualificadas poderão sofrer menos com o estresse no longo prazo ou então ter mais habilidade para lidar com o estresse.

"Educação é um marcador de classe social que as pessoas adquirem logo no início da vida e nossa pesquisa sugere que é a exposição no longo prazo às condições de um status mais baixo que promove o envelhecimento celular acelerado", afirmou o professor Andrew Steptoe, do University College de Londres, que liderou o estudo.

A equipe de Steptoe pegou amostras de sangue de mais de 400 homens e mulheres com idades entre 53 e 75 anos e então mediram o comprimento de partes do DNA encontrado na extremidade dos cromossomos.

Estas partes, chamadas telômeros (representado pela cor vermelha na imagem acima), protegem os cromossomos de danos. Os cientistas acreditam que telômeros mais curtos podem ser um indicador de envelhecimento mais rápido.

Os resultados da nova pesquisa do University College de Londres mostraram que pessoas com menos educação tinham telômeros mais curtos, o que indica que elas podem envelhecer mais rapidamente.

Estes resultados também indicaram que o comprimento dos telômeros não foi afetado pelo status social e econômico de uma pessoa em um período mais tardio de sua vida, como se pensava anteriormente.

Para o professor Stephen Holgate, presidente do Conselho de Pesquisa Médica e da Diretoria de Sistemas de Medicina, as experiências de uma pessoa no início da vida "podem ter influências importantes na saúde".

"Assim como em todas as pesquisas de observação, é difícil estabelecer as causas destas descobertas, mas este estudo fornece provas de que ter uma educação em um nível mais alto pode trazer mais benefícios do que apenas no mercado de trabalho", afirmou. BBC Brasil


Cientistas propõem modelo que explica formação de exoplanetas

Cerca de 25% desses planetas extrassolares mantêm uma órbita retrógada em relação ao giro de sua estrela mãe

11 de maio de 2011 | 18h 50

Efe

LONDRES - Cientistas da Universidade Northwestern (Illinois, EUA) propuseram um modelo que explica a formação dos exoplanetas chamados "Júpiteres quentes" que giram em uma direção contrária à de sua estrela mãe.

Cerca de 25% desses planetas extrassolares mantêm uma órbita retrógada em relação ao giro de sua estrela mãe, um fenômeno que contradiz a teoria padrão que explica a formação planetária, segundo a qual um planeta deve girar na mesma direção que sua estrela, como ocorre em nosso sistema solar.

Na última edição da revista Nature, a equipe liderada pela astrofísica Smadar Naoz detalha um modelo que aborda todas as propriedades dos "Júpiteres quentes" conhecidos, algo que até agora não se tinha conseguido.

Os modelos existentes até o momento descreviam como uma estrela binária distante pode produzir inclinações na órbita dos "Júpiteres quentes", mas não detalhavam como se podem gerar órbitas retrógradas em relação ao momento angular total do sistema.

Este tipo de exoplaneta orbita a uma distância 100 vezes mais próxima a sua estrela mãe do que Júpiter, e em alguns casos sua trajetória não está alinhada ao eixo de rotação de sua estrela.

A análise dos cientistas constata que, em um sistema solar com vários planetas, o momento angular do mais próximo a sua estrela não tem de ser constante, e pode eventualmente ser retrógrado.

 
 

Sacola plástica é o tipo mais sustentável, diz estudo

11 de abril de 2011 | 12h 00

CIRCE BONATELLI - Agência Estado

As sacolinhas plásticas de supermercado causam menos danos ambientais que outros modelos, quando a comparação leva em conta o uso da sacola uma única vez, defende um estudo da Agência Ambiental da Inglaterra. A pesquisa do órgão governamental inglês explica que sacolas de papel, plástico resistente (polipropileno) e algodão consomem mais matéria-prima e energia para sua fabricação. Por isso, teriam que ser reutilizadas 3, 11 ou 131 vezes, respectivamente, para causar menos danos ambientais que uma sacola plástica usada apenas uma vez.

O estudo divulgado em fevereiro no Reino Unido analisa, especificamente, o potencial de aquecimento global dos diferentes modelos de sacolas. Para isso, os pesquisadores Chris Edwards e Jonna Meyhoff Fry acompanharam o ciclo de vida (extração de matéria-prima, manufatura, distribuição, uso, reuso e descarte) de cada modelo. Em cada uma das etapas do ciclo de vida, foi contabilizada a quantidade de gases causadores do efeito estufa emitidos pelo consumo de energia na fabricação e no transporte das mercadorias, além dos desperdícios de materiais durante o processo.

A partir desse acompanhamento, os pesquisadores verificaram que, em seu ciclo de vida completo, uma sacola plástica comum emite 1,5 kg de gás carbônico e outros gases que contribuem para o aquecimento global. O dado já considera que 40% desse tipo de sacola são reutilizados com frequência pelos ingleses para acondicionar o lixo em casa. Já o ciclo de vida das outras sacolas têm um impacto bem maior: papel (5,53 kg), plástico resistente (21,5 kg) e algodão (271,5 kg). Isso é o que explica a necessidade de tantos reúsos para neutralizar a fabricação desses modelos, de acordo com a pesquisa.

Outro ponto importante foi a constatação de que, na Inglaterra, o uso de matérias-primas e a fabricação das sacolas concentram em média 70% dessas emissões de carbono. A partir desses dados, o estudo conclui ainda que sacolas que foram feitas para durar mais - como as de plástico mais resistente ou as de algodão - também exigem mais recursos para sua fabricação. Portanto, se não forem reutilizadas devidamente, o potencial de aquecimento global pode ser pior que o das sacolas plásticas.

Reações no Brasil

O presidente do Instituto Akatu de Consumo Consciente, Hélio Matar, afirmou que, apesar desses resultados, as sacolas plásticas não são a opção mais sustentável. Segundo ele, é preciso ponderar os dados da pesquisa. Ele lembrou que os estudos foram realizados na Inglaterra, onde a matriz energética baseada em combustíveis fósseis torna a atividade industrial - e a fabricação de qualquer tipo de sacola - muito mais poluente. "No Brasil, o resultado certamente seria diferente", disse, ao lembrar que o País tem uma matriz energética limpa, baseada em hidrelétricas.

Para Cláudio José Jorge, presidente da Fundação Verde (Funverde), a pesquisa também destoa da realidade no Brasil por outro motivo: a sacola de algodão costuma ser maior que a sacola plástica convencional e comporta praticamente o dobro de itens. "Uma sacola retornável substitui mais de uma sacolinha plástica e carrega mais itens no supermercado ou na feira. Isso ajuda a neutralizar o impacto da fabricação", defende.

Hélio Matar acrescentou que as sacolas plásticas também são responsáveis por outros danos ambientais não contabilizados pela pesquisa, cujo foco foi o aquecimento global. "O volume de sacolas descartadas no Brasil é gigante, em torno de 150 bilhões de unidades por ano", disse. Segundo Matar, isso cria problemas como entupimento de bueiros e enchentes nas cidades, além de sobrecarregar aterros sanitários. "Em um País com recursos financeiros limitados como o nosso, isso representa uma dificuldade a mais para a administração pública", afirmou.

Já Miguel Bahiense, presidente da Plastivida, entidade ligada ao setor produtivo do plástico no Brasil e divulgador da pesquisa no País, tem opinião contrária. "Os questionamentos no Brasil não têm levado em conta as questões técnicas e ambientais. Se a sacola plástica teve o melhor desempenho na pesquisa, por que proibir o produto?", argumenta. Bahiense ainda sugere que, em vez de coibir as sacolas plásticas, como tem ocorrido em algumas cidades, é preciso conscientizar a população. Ele defende a necessidade de ensinar os cidadãos a diminuir o consumo de sacolas, reaproveitá-las ao máximo e encaminhá-las para reciclagem sempre que possível.


Campanha em supermercados incentivará substituição de sacolas plásticas

Estabelecimentos têm seis meses para colocar acordo em prática e encontrar alternativas viáveis

09 de maio de 2011 | 16h 18

Marcela Gonsalves, da Central de Notícias, estadão.com.br e Agência Brasil

São Paulo, 9 - Foi assinado nesta segunda-feira, 9, um convênio entre a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SMA) e a Associação Paulista de Supermercados (APAS), com o objetivo de reduzir o uso de sacolas plásticas nesses estabelecimentos. O documento prevê a realização de uma campanha educativa para incentivar a substituição das sacolas derivadas de petróleo entre os supermercados associados à APAS.

A partir desta segunda-feira, os estabelecimentos têm seis meses para colocar em prática o acordo e encontrar alternativas viáveis para o transporte de mercadorias.

No último dia 21, a Secretaria do Meio Ambiente formalizou a criação de um Grupo de Trabalho para estudar a viabilidade da extinção do uso das sacolinhas nos supermercados paulistas. A Resolução SMA-15 foi publicada no Diário Oficial do Estado.

Pelo Brasil

Cuiabá e Rio de Janeiro são capitais que já aprovaram leis para a substituição das sacolas plásticas no comércio. Cidades do interior de São Paulo, como Jundiaí, Sorocaba, Itu e Monte Mor, também saíram na frente da capital paulista. Em Belo Horizonte, a lei entrou em vigor no dia 18 de abril e prevê multa de R$ 1 mil para quem desrespeitar a regra, valor que dobra no caso de reincidência.

Mas para não ficar a espera de leis municipais, o Ministério do Meio Ambiente lançou uma campanha em 2009 chamada "Saco é um Saco". No início deste ano, foi divulgado um balanço que mostrava que em um ano e meio de campanha, cerca de 5 bilhões de sacolas plásticas deixaram de ser usadas. O número superou as expectativas, que previa evitar a utilização de 1,5 bilhão de unidades.

O balanço é baseado em estimativas das redes de supermercado Walmart, Pão de Açúcar e Carrefour e do Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas, da indústria do plástico, além de informações de cidades que decidiram proibir o uso das sacolas.

A nova meta agora é reduzir o consumo das sacolas em todo o País em 40% até 2014, mas alguns supermercados estabeleceram metas próprias. O Walmart , por exemplo, que atualmente oferece descontos ao cliente que usa embalagens retornáveis, quer reduzir a utilização de sacolinhas em 50% até 2013. Já o grupo Carrefour espera chegar em 2014 sem oferecer nenhuma sacola plástica em suas lojas.

 

Célula-tronco brasileira não representa o País

Cientistas responsáveis pela criação da linhagem nacional argumentam que a falta de compatibilidade genética pode limitar o uso em eventuais terapias

04 de maio de 2011 | 8h 32

Alexandre Gonçalves - O Estado de S. Paulo

A primeira linhagem brasileira de células-tronco embrionárias tem pouca afinidade genética com a população do País. É o que mostra um estudo publicado na revista Cell Transplantation.

Cientistas responsáveis pela criação da linhagem nacional argumentam que a falta de compatibilidade genética pode limitar o uso em eventuais terapias. Eles sublinham a necessidade de novas linhagens obtidas de embriões oriundos de comunidades mais miscigenadas.

A equipe de Lygia da Veiga Pereira, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), avaliou a compatibilidade da linhagem brasileira - batizada de BR-1 e criada em 2008 - com as amostras do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), um banco de dados com registros de mais de um milhão de pessoas que oferece uma boa ideia da variabilidade genética no País.

O estudo não identificou qualquer compatibilidade entre a linhagem nacional de células-tronco embrionárias e a amostra do Redome. Linhagens dos Estados Unidos e de Cingapura apresentaram maior correspondência com a população brasileira.

Lygia explica que os embriões utilizados na criação da BR-1 vieram de clínicas particulares de reprodução assistida. Normalmente, casais que procuram tais clínicas possuem uma situação econômica confortável e ascendência europeia, o que restringe muito a representatividade genética da linhagem.

No trabalho da Cell Transplantation, os cientistas utilizaram o exame HLA, que avalia as características e a compatibilidade de determinadas proteínas na membrana celular. Uma eventual incompatibilidade entre o tecido transplantado e o organismo do receptor pode desencadear um processo de rejeição grave.

O mesmo método é usado, por exemplo, antes de transplantes de rim. "Ainda não sabemos a resposta do sistema imunológico ao transplante de CTEs", aponta Lygia. "Em breve, com a publicação dos resultados dos testes realizados pela Geron (primeira empresa a testar terapias com CTEs em humanos), saberemos."

Os serviços de reprodução assistida públicos não costumam produzir embriões excedentes. Todos são implantados. Para Lygia, seria conveniente mudar a prática. Ela não descarta a criação, no futuro, de bancos de linhagens de células-tronco embrionárias análogos ao Redome.




Cérebro fica mais ativo em interações com pessoas do mesmo status social

Estudo constatou que a pessoa tende a apresentar maior atividade cerebral em resposta à outra de acordo com nível socioeconômico.

03 de maio de 2011 | 7h 30

Nosso cérebro tende a ficar mais ativo quando nos relacionamos com pessoas que julgamos pertencer a um nível socioeconômico semelhante ao nosso, dizem especialistas do Instituto Nacional de Saúde Mental, nos Estados Unidos.

Os especialistas dizem que este comportamento é determinado pela percepção que as pessoas têm das outras à sua volta. Seu trabalho foi publicado na revista científica Current Biology.

Estudos anteriores já haviam constatado que macacos se comportam desta forma, mudando seu comportamento em interações com outros macacos de acordo com sua percepção da posição do outro animal no grupo.

Estudo

Como parte do experimento, 23 pessoas com diferentes níveis sociais receberam informações sobre outros indivíduos também com status sociais variados.

A equipe usou exames de ressonância magnética para medir a atividade na região do cérebro conhecida como striatum ventral, associada à sensação de prazer.Os cérebros dos participantes que achavam ser de status social e econômico mais alto apresentaram maior atividade em relação a outros indivíduos tidos como do mesmo nível. Cérebros de voluntários com status mais baixo ficaram mais ativos em resposta a indivíduos percebidos como de status semelhante.

Primeiras Avaliações

"A forma como interagimos e nos comportamos em relação às pessoas que nos cercam é determinada, com frequência, pelo seu status social em relação ao nosso", disse a responsável pelo estudo, Caroline Zink.

"Portanto, informações sobre status social são muito importantes para nós".

A especialista acrescentou que status socioeconômico não se baseia somente em dinheiro, mas pode também incluir fatores como habilidades, proezas e hábitos.

Comentando o estudo, a psicóloga Jane McCartney, membro da British Psychological Society, disse:

"As primeiras avaliações (que fazemos do outro) são muito importantes para todos, porque estão associadas a status, aparência e dinheiro".

"Trata-se de decidir se esta pessoa é do mesmo status e o que você precisa fazer para assegurar que ela sabe que você é de um nível igual", disse McCartney.

Segundo a psicóloga, a avaliação também tenta determinar que papel a outra pessoa pode ter na sua vida.

BBC Brasil -


Descoberta de fóssil desvenda travessia de formigas gigantes pré-históricas

A espécie 'Titanomyma lubei', com mais de cinco centímetros de comprimento, teria viajado entre Europa e América do Norte quando os continentes estavam mais próximos

04 de maio de 2011 | 8h 33

Cientistas encontraram, nos Estados Unidos, restos fossilizados de uma das maiores espécies de formiga que já habitaram a Terra e descobriram que elas devem ter atravessado o Ártico durante picos de calor, há cerca de 50 milhões de anos.

A espécie Titanomyma lubei, com mais de cinco centímetros de comprimento, teria conseguido viajar entre a Europa e a América do Norte quando os continentes estavam mais próximos.

Os fósseis dos animais foram encontrados em sedimentos de um antigo lago no Estado americano do Wyoming.

Em texto publicado no periódico especializado Proceedings B, o grupo de cientistas americanos e canadenses mostram que as formigas gigantes quase sempre viveram em climas quentes.

A espécie recém-descoberta parece similar a fósseis do mesmo período geológico encontrados na Alemanha e no sul da Inglaterra.

"Não temos (fósseis) de formigas operárias desta nova espécie, apenas a rainha", disse o cientista Bruce Archibald, da Universidade Simon Fraser, na Colúmbia Britânica, Canadá.

Altas temperaturas

Ele acredita que as formigas gigantes tenham dimensões semelhantes às de seus pares encontrados na Alemanha. Isso significa que seu tamanho pode ser parecido ao de um pequeno pássaro, como um beija-flor, disse Archibald à BBC.

Até agora, pouco se sabe sobre os hábitos da nova espécie, mas os fósseis tinham asas. Todos eles foram encontrados próximos a plantas que vivem em temperaturas acima dos 20 graus centígrados.

Na época em que a espécie viveu, entre 56 e 34 milhões de anos atrás, houve períodos de "eventos hipertermais", em que as temperaturas na Terra subiam para níveis mais altos que os atuais, provavelmente por causa da liberação de gases como o metano na atmosfera.

Travessia

Os pesquisadores acreditam que as formigas gigantes devam ter feito sua jornada da Europa à América do Norte - ou vice-versa - durante um desses picos de calor.

"Havia muita vida cruzando os continentes, como mamíferos e plantas", disse Archibald.

"E há muitos insetos parecidos no Canadá e na Dinamarca, mas eles viviam em um clima mais frio e poderiam ter feito a travessia a qualquer momento."

"Este é o primeiro exemplo de uma espécie que precisaria de mais calor para fazer a travessia", explica o cientista.

As "pontes" pelo Ártico tinham normalmente clima temperado, a não ser durante os eventos hipertermais.

Ao longo de sua pesquisa, o grupo de cientistas mapeou as localizações de todas as espécies de formigas, extintas ou contemporâneas, que crescem mais de 3 centímetros.

Eles descobriram que praticamente todas estão associadas a temperaturas tropicais, por algum motivo ainda desconhecido.

BBC Brasil

 

Pesquisadores divulgam dados de maior mapa 3D do universo

Para o empreendimento, os cientistas usaram luzes de 14 mil quasares, os maiores emissores de energia conhecidos

03 de maio de 2011 | 11h 00

estadão.com.br

Cientistas divulgaram na segunda-feira, 2, os resultados da pesquisa de oscilação de espectroscopia Baryon (BOSS, em sua sigla em inglês) do Sloan Digital Sky Survey (SDSS-III), que realizou o maior mapa 3D do universo distante até o momento.

Para o empreendimento, os pesquisadores usaram as luzes de 14 mil quasares, os maiores emissores de energia do universo. O novo mapa foi apresentado na reunião de abril da Sociedade Americana para a Física, em Anaheim, Califórnia.

A escala de distância do novo mapa corresponde a um momento inicial do universo quando a distribuição de matéria era quase uniforme.

 

Governo estuda participação do setor privado no Programa Espacial Brasileiro

Uma avaliação sobre este projeto será feito pela Agência Espacial Brasileira e pelo Ministério da Ciência e Tecnologia na sexta-feira (6)

03 de maio de 2011 | 15h 13

Agência Brasil

Rio de Janeiro - A inclusão do setor privado na execução do Programa Espacial Brasileiro está em análise pelo governo. Ainda na primeira quinzena do mês, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, encaminhará à Presidência da República documento com a avaliação do desempenho do Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae) e os desafios para os próximos anos.

A afirmação é do presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Raupp, que esteve nesta segunda-feira, 2, na Reunião Magna de 2011 da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

As decisões relativas ao Pnae deverão ser tomadas ainda neste semestre, segundo Raupp, visando à sua inclusão no Plano Plurianual (PPA). A última atualização do Pnae foi feita em 2004.

A avaliação da participação industrial será feita pela AEB e pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) na próxima sexta-feira, 6. A ideia é que participem do processo grandes empresas classificadas como integradoras, que seriam responsáveis pelo projeto contratado pelo governo e que poderiam subcontratar empresas menores para a fabricação de componentes e peças.

De acordo com o presidente da AEB, é preciso articular melhor os vários integrantes do sistema, que são a própria agência, como órgão de planejamento e coordenação; os órgãos executores (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - Inpe e Centro Técnico Aeroespacial - CTA) e as empresas contratadas para desenvolvimento de subsistemas dos programas espaciais ou de veículos lançadores.

Para melhorar o desempenho dos executores do Pnae e, em consequência, tirar o atraso que o Brasil sofre nessa área, Raupp destacou a necessidade de estimular o desenvolvimento da indústria para a produção dos componentes espaciais, devido ao alto valor agregado desses produtos em função da tecnologia embutida. "O desenvolvimento da indústria com capacidade de inovação, competitiva, é um dos objetivos da política [espacial]", afirmou.

A ênfase à participação do setor privado não implicará, porém, em privatização do Inpe ou do CTA, garantiu Raupp. O MCT e a AEB vão propor a expansão da atuação das empresas privadas no Pnae na construção de satélites e na prestação de serviços. Segundo Raupp, essa medida resolverá, em grande parte, a questão de alocação de recursos humanos para o programa, na medida em que o setor privado ficará responsável pela contratação de pessoas para operar os sistemas espaciais ou desenvolver novos sistemas.

Além disso, a entrada da indústria resolve uma questão de logística, que é o fato das instituições que executam o Pnae terem que "operar sob um marco legal inadequado", que é a Lei das Licitações. "A Lei 8.666 não é lei para regulamentar o universo de atuação dessas entidades. Isso prejudica muito a capacidade de contratar serviços, de contratar obras de alta tecnologia".

Outra variável que está sendo examinada são as demandas possíveis que se apresentam ao programa espacial. "O norte do Programa Espacial Brasileiro é resolver problemas da sociedade e a parte científica e tecnológica". Segundo Raupp, estão sendo avaliados que programas de satélites são demandados por outros agentes do governo, como o Ministério da Defesa e o das Comunicações (devido ao Programa Nacional de Banda Larga).


Pesquisadores encontram novo mineral em meteorito

Wassonite é composto pelos elementos enxofre e titânio

06 de abril de 2011 | 13h 50

estadão.com.br

SÃO PAULO - Pesquisadores da Nasa, Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão encontraram um novo tipo de mineral, que recebeu o nome de Wassonite em homenagem ao pesquisador John T. Wasson. A descoberta foi feita em um meteorito encontrado na Antártida em dezembro de 1969.

O meteorito pode ter se originado de um asteroide que orbitava entre Marte e Jupiter. O Wassonite está entre os menores e mais importantes minerais identificados no meteorito de 4,5 bilhões de anos. A Associação Mineralógica Internacional já aprovou a descoberta.

De acordo com os pesquisadores, o Wassonite é formado por dois elementos, o enxofre e o titânio. Ele possui uma estrutura cristalina única, ainda não encontrada na natureza. Em volta dele há outros minerais desconhecidos que estão sob avaliação.

O estudo dos minerais pode revelar dados importantes sobre a formação do sistema solar. A descoberta foi feita com o auxilio do microscópio eletrônico de transmissão da Nasa, que conseguiu isolar o Wassonite e determinar a sua composição química e estrutura atômica.


Cientistas fazem pacientes movimentarem cursor do computador com a mente

Técnica poderá ajudar pessoas que perderam a voz ou que possuem mobilidade limitada

06 de abril de 2011 | 20h 36

EFE

Washington, 6 abr - Um grupo de cientistas da Universidade de Washington conseguiu que seus pacientes movimentem o cursor do computador com a mente colocando eletrodos diretamente no cérebro deles para registrar a atividade elétrica.

O estudo, publicado nesta quarta-feira na revista Journal of Neural Engineering, indica que esta descoberta terá grandes aplicações para os pacientes que perderam a voz devido a uma lesão cerebral ou pacientes com mobilidade limitada.

Os cientistas empregaram uma técnica chamada eletrocorticografia (ECoG), utilizada para pesquisar as regiões do cérebro que causam epilepsia.

O processo da ECoG foi aplicado às interfaces cérebro-computador (BCI), com objetivo de ajudar pessoas com incapacidade de interagir com seu entorno, e os cientistas conseguiram estimular o movimento das extremidades.

O doutor Todd Kuiken já apresentou, na reunião anual da Associação Americana para o Avanço das Ciências (AAAS), realizada em fevereiro em Washington, uma técnica que permite aos pacientes controlarem suas próteses apenas pensando na ação que desejam realizar.

No entanto, este estudo vai além. O doutor Eric Leuthardt e sua equipe trabalharam com quatro pacientes que sofriam de epilepsia, que tiveram eletrodos implantados no cérebro para vigiar os impulsos aos estímulos aos quais foram submetidos.

Os cientistas deram aos pacientes uma lista de palavras relacionadas com as ações que precisavam realizar para movimentar o cursor do computador. Por exemplo, dizer ou pensar na palavra "AH" movimentaria o cursor para a direita.

Os eletrodos emitem sinais que são processados e armazenados em um computador e descobriram que o cérebro pode controlar com mais de 90% de precisão o cursor.

"Este é um dos primeiros exemplos, em um grau muito pequeno, do que se chama de leitura de mente", disse Leuthardt, que assinalou que espera que as operações futuras sejam feitas em microescala para que os implantes sejam menos invasivos.

Os cientistas esperam poder inserir mais adiante os implantes de forma permanente no cérebro para ajudar a restaurar a funcionalidade dos pacientes incapacitados e, inclusive, ler a mente.

"Queremos ver se podemos não apenas detectar quando a pessoa está dizendo cachorro, árvore, ferramenta ou alguma outra palavra, mas também aprender como ler a mente, o que é a ideia pura desse conceito", assinalou."É emocionante e dá um pouco de medo pensar na leitura de mentes, mas existe um potencial incrível para as pessoas que não podem se comunicar", assegurou.


Morte de morcegos pode causar prejuízos econômicos e ambientais

Redução de animais impacta na proliferação de insetos, causa danos ecológicos e faz agricultura dos EUA gastar R$ 6 bi anuais com pesticidas

01 de abril de 2011 | 20h 13

Alexandre Gonçalves - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - A morte de morcegos pode trazer um prejuízo anual de R$ 6 bilhões para a agricultura americana por gastos com pesticida e queda de produtividade. Atualmente, as populações do animal sofrem um grave declínio nos EUA. Os autores do estudo publicado na Science afirmam que as conclusões servem de alerta para outros países, entre eles o Brasil.

Cerca de 1 milhão de morcegos americanos morreram nos últimos anos. Com isso, até 1,3 mil toneladas de insetos deixaram de ser devoradas anualmente, ameaçando cultivos e florestas. "Sem dúvida, morcegos insetívoros também desempenham um papel importante no controle de pragas no Brasil", afirma o autor do artigo, Justin Boyles, da Universidade de Pretória, na África do Sul.

Os pesquisadores Susi Pacheco, do Instituto Sauver, em Porto Alegre, e Carlos Esbérard, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), realizaram um cálculo semelhante ao dos americanos. "Cerca de 500 morcegos insetívoros, cada um pesando 10 gramas, consumiriam 6 toneladas de insetos por ano", pondera Susi. "Além disso, como há uma grande diversidade de morcegos no Brasil, eles realizam outros serviços importantes para a regeneração de florestas: polinização e dispersão de sementes", pondera Boyles.

O brasileiro Marco Mello, pós-doutorando da Universidade de Ulm, na Alemanha, publicou há um mês um artigo na PLoS One sobre as interações entre plantas frutíferas e morcegos no Brasil. Eles constituem o segundo grupo dispersor de sementes mais importante. Perdem apenas para as aves.

Mello mostrou que as redes de alimentação que envolvem morcegos são mais suscetíveis à extinção que as que envolvem aves. Na prática, o desaparecimento de uma espécie causa um impacto maior na saúde do ecossistema. Outros estudos apontam que os morcegos costumam cuidar da dispersão das sementes de plantas pioneiras - aquelas que iniciam um processo de reflorestamento. As aves seriam responsáveis principalmente pelas árvores mais tardias. Ou seja, em áreas degradadas ou fragmentadas, os morcegos desempenhariam um papel importante.

 
Satélite mostra deslocamento do solo após terremoto no Japão

Cientistas usam técnica conhecida como InSAR para verificar as alterações

30 de março de 2011 | 11h 17

estadão.com.br

SÃO PAULO - Cientistas estão usando imagens do satélite Envisat, da Agência Espacial Europeia (ESA), para compreender melhor os eventos tectônicos a partir do terremoto de magnitude 9 que atingiu o Japão em 11 de março.

Veja também:
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As imagens registradas nos dias 19 de fevereiro e 21 de março podem ser comparadas para mostrar como o tremor afetou a região. As comparações da imagens mostraram um deslocamento do solo de 2.5 metros para o leste e um movimento descendente na costa leste da ilha de Honshu. Cientistas italianos do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia também usaram dados do satélite Envisat para mostrar um deslocamento da solo com alteração máxima de 2.5 metros.

A técnica usada pelos cientistas é conhecida como InSAR, sigla para Interferometria por radar de abertura sintética. Ela combina imagens do solo capturadas a partir da mesma posição do satélite no espaço e da mesma localização na Terra, mas em datas diferentes.

Fóssil descoberto no Rio Grande do Sul explica evolução dos mamíferos

Estudo da 'Science' descreve parente distante que vivia no sul do País há 260 milhões de anos, era herbívoro e tinha dentes de sabre

24 de março de 2011 | 20h 47

Alexandre Gonçalves e Elder Ogliari, de Porto Alegre - O Estado de S. Paulo

O Pampa gaúcho abrigou, há 260 milhões de anos, um parente longínquo dos mamíferos. Batizado de Tiarajudens eccentricus, o animal representa o registro mais antigo de uma estrutura dentária sofisticada: com incisivos, molares e caninos. Graças aos diferentes tipos de dentes, ele podia cortar e mastigar alimentos, um luxo que ampliou drasticamente sua dieta.

O fóssil de São Gabriel, cidade a 325 quilômetros de Porto Alegre, também surpreendeu os cientistas por exibir caninos em forma de dentes de sabre. O Tiarajudens era herbívoro. O artigo que descreve a descoberta na Science levanta três hipóteses para explicar os caninos de 12 centímetros: manipulação dos alimentos antes de os abocanhar, defesa contra predadores ou uso em disputas com indivíduos da mesma espécie (por fêmeas ou território, por exemplo).

Antes do Tiarajudens, a maioria dos animais apresentava dentição semelhante à dos jacarés: dentes pontiagudos especializados em rasgar para engolir. Quase todos se alimentavam de carne ou insetos. O fóssil gaúcho representa uma nova fase.

Capazes de mastigar alimentos, os herbívoros mais evoluídos incluíram plantas fibrosas, mais abundantes, à sua dieta. Foi o primeiro passo rumo à hegemonia numérica. Iniciava o cenário, que persiste até hoje, de um ambiente com predomínio de vertebrados herbívoros e um número menor de carnívoros. "(O Tiarajudens) é um representante do primeiro ecossistema moderno", sintetiza Juan Carlos Cisneros, salvadorenho da equipe que descobriu o fóssil. Na época, realizava pós-doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Hoje, leciona na Federal do Piauí.

 

Pesquisadores apresentam fóssil marinho de 525 milhões de anos

O Galeaplumosus abilus pertence ao filo dos hemicordados

25 de março de 2011 | 9h 50

estadão.com.br

SÃO PAULO - Pesquisadores chineses e ingleses divulgaram uma imagem de um fóssil de 525 milhões de anos muito bem conservado e que foi encontrado na província de Yunnan, na China. O fóssil, pertencente ao filo dos hemicordados, oferece algumas pistas sobre a evolução dos vertebrados. O achado foi publicado na revista Current Biology.

Chamado de Galeaplumosus abilus, o exemplar apresenta um tipo de carapaça mais dura que cobre o corpo sensível. Os cientistas já tinham observado esta carapaça em detalhes, mas apenas agora conseguiram visualizar com clareza partes internas, como os tentáculos usados para pegar plânctons para a alimentação.


Japoneses criam primeiros espermatozoides em laboratório

Pesquisadores da Universidade de Yokohama acreditam que, no futuro, técnica pode auxiliar no tratamento da infertilidade em homens

24 de março de 2011 | 17h 12

estadão.com.br

SÃO PAULO - Pesquisadores japoneses conseguiram criar em laboratório os primeiros espermatozoides de animais mamíferos. A técnica, publicada na edição desta quarta-feira, 23, da Nature, era dada até então como impossível. Os cientistas acreditam que a descoberta pode ajudar a revelar como se dá a formação dos espermatozoides e, no futuro, auxiliar no tratamento da infertilidade em homens.

Takehiko Ogawa e seus colegas da Universidade de Yokohama descobriram que a chave para a obtenção dos espermatozoides através da meiose estava em uma simples mudança das condições de cultura. "O relatório é muito emocionante, pois representa o cumprimento de uma meta defendida por muitos biólogos durante muitos anos", diz Mary Ann Handel, especialista em genética reprodutiva no Laboratório Jackson, em Bar Harbor, nos Estados Unidos.

Por tentativa e erro, a equipe observou quais métodos de cultura permitiram que o esperma retirado de fragmentos de testículos dos camundongos amadurecessem. Para acompanhar o desenvolvimento dos espermatozoides, eles usaram uma proteína fluorescente que marcou células que passavam - ou já haviam passado - pela meiose.

Ali Honaramooz, biólogo reprodutivo da Universidade de Saskatchewan, em Saskatoon, no Canadá, diz que a técnica poderia ajudar os meninos pré-púberes prestes a passar por terapias contra o câncer, por exemplo, que destrói a fertilidade. A descoberta também poderia proteger o potencial reprodutivo de animais em extinção que morrem antes da maturidade sexual, acrescenta.

O procedimento também será útil para estudar os eventos moleculares subjacentes à produção de esperma, diz Martin Dym, biólogo celular da Universidade de Georgetown em Washington. Mas, antes que a técnica possa ser usada em tratamentos para a infertilidade masculina, os investigadores terão de gerar milhões de espermatozoides e traduzir o trabalho para as condições humanas, ele ressalta.




Nível de radiação na água de Tóquio sofre redução

Radioatividade no líquido voltou a níveis seguros para consumo, porém autoridades alertam para possíveis resquícios de radiação no encanamento

24 de março de 2011 | 3h 48

Efe

TÓQUIO - A radioatividade na água de Tóquio registrou queda nesta quinta-feira, 24, voltando a níveis seguros para consumo, inclusive por bebês.

Na quarta, o governo da capital japonesa advertiu os pais de que não dessem água da torneira para as crianças com menos de um ano devido ao alto índice de iodo.

As autoridades metropolitanas indicaram que no início da manhã desta quinta-feira a concentração de iodo radioativo na central de Kanamachi, que abastece as regiões central e oeste da capital, era de 79 becquerel por quilo, frente aos 210 becqerel por quilo registrados ontem.

No entanto, ainda assim segue a recomendação para que a água não seja dada a crianças com menos de um ano, já que ainda pode restar água com alto nível de radiação no encanamento. Há ainda a possibilidade de a radiação aumentar novamente.

O limite considerado seguro para bebês é de 100 becquerel por quilo, enquanto para adultos sobe para 300 becquerel por quilo.

Também foi detectado iodo radioativo em uma amostra de água recolhida na terça-feira na cidade de Kawaguchi, ao norte de Tóquio, segundo anunciaram as autoridades municipais.

O nível de iodo chega a 120 becquerel por quilo, acima do limite recomendado para bebês.

Ainda foi detectado material radioativo na água de outras províncias próximas à usina nuclear de Fukushima, onde os operários lutam para controlar os seis reatores que ficaram seriamente danificados pelo terremoto e o posterior tsunami de 11 de março.

Diante da contaminação da água, o governo metropolitano de Tóquio deve distribuir água engarrafada às famílias com bebês na capital e nas cinco cidades vizinhas afetadas.



Ambientalistas protestam em sete capitais contra usinas nucleares

No Rio, a manifestação será em frente à sede da Eletrobras - operadora das usinas Angra 1 e Angra 2, em Angra dos Reis

23 de março de 2011 | 16h 41

Agência Brasil

Representantes de movimentos sociais e ambientalistas contrários às usinas nucleares no Brasil protestam nesta quarta-feira, entre 18h e 22h, no Rio, em São Paulo, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza. No Rio, a manifestação será em frente à sede da Eletrobras - operadora das usinas Angra 1 e Angra 2, em Angra dos Reis.


“O acidente radioativo na Usina Nuclear Fukushima, no Japão, mostra o que pode acontecer no Brasil. Não precisamos desse tipo de tecnologia, que produz resíduos que demoram milhares de anos para deixar de ser radioativo”, disse o representante da ONG EcoGreens, uma das organizadoras da manifestação, André Amaral.


Segundo o ambientalista, as usinas nucleares brasileiras são deficitárias. “Elas representam perigo e, ao mesmo tempo, trazem prejuízos para o bolso do contribuinte. A construção de Angra 3 é caríssima, com licenciamento ambiental incompleto. Além disso, o município de Angra foi excluído estrategicamente do Plano de Emergência, porque não há possibilidade de evacuação em caso de desastre.”


De acordo com André, o programa nuclear brasileiro não e transparente e não tem controle social. “O Brasil está na contramão dos demais países que estão desativando suas usinas e investindo em outros tipos de geração de energia.”


O Projeto de Lei de Energias Renováveis está parado no Congresso desde 2003, acrescentou André. O texto, informou, estabelece condições para as indústrias de energia limpa no Brasil. “Só assim, vamos reduzir as emissões de gases de efeito estufa e evitar desastres como os de Chernobyl e Fukushima”, afirmou André, citando as usinas eólicas e hídricas como fontes mais indicadas para geração de energia no país.


Nesta terça, moradores e ambientalistas percorreram o Angra dos Reis para protestar contra a construção da Usina Nuclear de Angra 3. O grupo também contestou o Plano de Emergência do município em caso de acidente nas usinas Angra 1 e 2. A Eletrobrás garante que o Plano de Emergência segue normas internacionais e que as usinas cumprem rígidos padrões de segurança.


O pescador José Carlos Pedrosa, que vive a cerca de 30 quilômetros (km) das usinas, disse não ser contra a instalação de usinas nucleares. Porém, considera fundamental a construção de estradas e vias eficazes de saída do município para serem usadas em caso de acidente. “Se acontecer um acidente hoje, muita gente se contaminaria.”




Pesquisadores brasileiros testam
alface para detectar dengueAtualmente, o antígeno é feito em cérebro de ratos

Pesquisa da UnB com alface ainda tem mais dois anos pela frente

Cientistas da UnB (Universidade de Brasília) estão estudando um novo método para diagnosticar o vírus da dengue. A ideia deles é produzir o tradicional kit de diagnóstico utilizando alfaces, e não camundongos, como é feito atualmente. As informações são da UnB Agência.

De acordo com o pesquisador Tatsuya Nagata, do Departamento de Biologia Celular da UnB, o Brasil precisa ter uma alternativa para o diagnóstico da dengue.

- Atualmente, o antígeno é preparado pela injeção em cérebro de camundongos. A nossa técnica, além de não sacrificar esses animais, tem baixo custo.

O Brasil não consegue, hoje em dia, produzir a quantidade de antígeno que precisa e acaba tendo que importar de outros países, como a Austrália. A nova alternativa poderá acabar com a necessidade do país em importar o kit diagnóstico.

O método consiste em “injetar” uma parte do gene do vírus da dengue em DNA do cloroplasto de alfaces e colocá-las em um meio de cultura com antibiótico. Isso vai garantir que sobrevivam apenas as células que receberem o gene do vírus. Elas irão brotar e gerar uma nova planta.

Essa nova planta será estimulada para adquirir raízes e se desenvolver. Esse processo leva cerca de quatro meses, explica o pesquisador.

O projeto é financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal, que destinou R$ 210 mil ao projeto.

Projeto ainda vai levar dois anos

Nagata trabalha junto com a estudante de doutorado Franciele Maldaner e com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Aropecuária).

Franciele explica que a pesquisa está em fase de validação de kit, utilizando um antígeno feito com alfaces em colaboração da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

- Por enquanto os resultados estão sendo positivos. Ainda temos mais dois anos pela frente.

O antígeno está sendo testado com sangue de pessoas que tiveram a doença – registradas no banco de dados da Fiocruz.

- A validação pode sair em três meses ou em dois anos. Precisamos de um aproveitamento de cerca de 95%. Não podemos comercializar um produto em grande escala se der muitos falso negativo ou falso positivo.

Nagata defende que a utilização de alface é o melhor custo-benefício. Outros métodos com células de mamíferos, células de insetos, leveduras e bactérias também são utilizados para a preparação de vacinas ou para o diagnóstico de doenças.

As plantas, no entanto, aproximam-se mais do sistema do ser humano do que bactérias e leveduras, por isso garantem melhor qualidade, diz o professor.

- Utilizar um camundongo, por exemplo, sai bem mais caro e é preciso sacrificar o animal. O ponto positivo [de usar camundongo] é o funcionamento do sistema, que é bem semelhante ao do ser humano. Mas as plantas garantem também um bom resultado.

 Fonte: http://noticias.r7.com/saude/noticias/pesquisadores-brasileiros-testam-alface-para-detectar-dengue-20110323.html

Estudo de 1958 pode ajudar a demonstrar como começou a vida na Terra

Ex-aluno de Stanley Miller encontrou amostras de um estudo que podem esclarecer processo de surgimento de aminoácidos na Terra

21 de março de 2011 | 16h 13

estadão.com.br

SÃO PAULO - Amostras de um estudo de 1958 encontradas recentemente podem trazer respostas na compreensão dos processos que criaram as primeiras formas de vida na Terra. O trabalho é apresentado na edição desta segunda-feira, 21, da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Um ex-aluno de Stanley Miller encontrou amostras de um experimento similar à experiência de Urey-Miller (ou "sopa orgânica"). Jeffrey Bada decidiu então estudar as amostras que, até onde se sabe, permaneceram intocadas após o estudo original de Stanley Miller em 1958.

Na experiência de Urey-Miller, de 1953, os cientistas presumiram que a atmosfera da Terra recém-formada fosse similar à de Júpiter, rica em hidrogênio, água, amônia e metano. Então Miller e Urey dispararam cargas elétricas, simulando raios, nesta "sopa elementar". O resultado, que surpreendeu a muitos, foi a formação espontânea dos aminoácidos glicina e a alanina, moléculas elementares para a vida na Terra.

Após esse experimento, considerado por muitos uma demonstração de como a vida começou no planeta, Miller realizou um estudo similar cinco anos depois. As amostras foram arquivadas e, segundo se sabe, nunca mais foram estudadas. Agora, mais de 50 anos depois, Jeffrey Bada relata que novas análises das amostras de Sulfeto de hidrogênio mostram que havia uma diversidade de compostos orgânicos na Terra no início de sua formação cuja existência ainda era desconhecida.

A análise de Bada utilizou métodos que ainda não estavam disponíveis para Miller e corroborou a tese de que erupções vulcânicas (principal fonte de Sulfeto de hidrogênio na Terra) acompanhadas por raios podem converter gases simples em uma ampla gama de aminoácidos, base das proteínas e da vida na Terra.

Bada também descobriu que os aminoácidos produzidos pelo experimento de Miller com Sulfeto de hidrogênio são similares àqueles encontrados em meteoritos. Isso apoia uma hipótese de que processos como os que foram realizados no laboratório são um modelo de como material orgânico pode se espalhar pelo universo, podendo proporcionar as sementes para a vida extraterrestre.

Notícias anteriores sobre o assunto:

Meteoritos podem ter possibilitado a vida na Terra, diz pesquisa

Cientistas encontraram evidência de emissão de nitrogênio em meteorito primitivo encontrado na Antártida

01 de março de 2011 | 9h 09

Agência Fapesp

SÃO PAULO - A vida na Terra pode ter origem no espaço? Um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos descobriu evidência da emissão, por meteorito primitivo, de nitrogênio, elemento químico fundamental encontrado em todos os organismos terrestres. Cientistas Universidade do Estado do Arizona analisaram um meteorito encontrado na Antártica que contém carbono. O estudo foi publicado na edição desta semana da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Para determinar a composição molecular de compostos insolúveis encontrados no meteorito, o grupo coletou amostras que foram tratadas com água em altas temperatura e pressão. A massa dos componentes resultantes foi analisada e os cientistas verificaram que emitia amônia (NH4) - um precursor importante para moléculas biológicas complexas, como aminoácidos e DNA - na água em torno.

Os pesquisadores analisaram os átomos de nitrogênio na amônia e determinaram que os isótopos atômicos não se encaixavam com os encontrados atualmente na Terra, descartando a possibilidade de que a amônia pudesse ter resultado de contaminação durante o experimento.

Estudos têm tentado sem sucesso identificar a origem da amônia responsável por desencadear a formação das primeiras biomoléculas na Terra. A nova pesquisa sugere que meteoritos, que carregam com eles registros da química nos primórdios do Sistema Solar, podem ter semeado a Terra com os precursores moleculares da vida.

Moléculas essenciais para a vida na Terra podem ter vindo do espaço

Nasa descobre evidências de que aminoácidos canhotos que formam todos os seres vivos podem ter vindo de asteroides

19 de janeiro de 2011 | 15h 42

estadão.com.br

SÃO PAULO - Uma nova pesquisa da Agência Espacial dos Estados Unidos descobriu que um número maior de asteroides são capazes de criar o tipo de aminoácidos necessários para a vida na Terra.

Os aminoácidos são usados para construir proteínas, que são usadas pelos organismos vivos para produzir estruturas como o cabelo e as unhas e para acelerar ou regular reações químicas. Essas moléculas existem em duas variedades que são a imagem em espelho uma da outra, como as nossas mãos. A vida na Terra usa a versão canhota exclusivamente para existir. Como a vida baseada na versão destra dessas moléculas poderia funcionar perfeitamente, na teoria, os cientistas estão tentando descobrir porque a vida terrestre favoreceu os aminoácidos canhotos.

Em março de 2009, pesquisadores do Centro Goddard de Voos Espaciais da Nasa relataram um excesso da forma isovaline, canhota, dessas moléculas vindo de um asteroide rico em carbono. Isso sugere que talvez a vida baseada nas moléculas canhotas tenha começado no espaço, onde as condições nos asteroides favorecem a criação de aminoácidos canhotos. Impactos de meteoritos podem ter fornecido esse material, enriquecido em aminoácidos canhotos, para a Terra.

Na pesquisa atual, a equipe relata ter encontrado excesso de isovaline canhota (L-isovaline) em muitos mais asteroides ricos em carbono do que se pensava anteriormente. Segundo os pesquisadores, isso comprova a descoberta inicial.

Os cientistas encontraram excesso dessas moléculas mais particularmente na água dos meteoritos CM1 e CR1, o que parece ser mais comum do que os pesquisadores pensavam anteriormente. A questão agora é o que cria esse maior número de aminoácidos canhotos nos asteroides.

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Cassini detecta chuva de metano de primavera em Titã, lua de Saturno

Uso das imagens proporcionadas pela sonda levou a uma nova teoria sobre clima do planeta

18 de março de 2011 | 12h 43

Efe


WASHINGTON - A sonda Cassini detectou sinais de uma chuva de metano de primavera sobre as dunas próximas ao equador de Titã, lua de Saturno, segundo um estudo apresentado nesta sexta-feira, 18, na revista Science.

Veja também:
 Nasa cogita explorar Titã, lua de Saturno

Titã, a maior lua do planeta, tem lagos de metano em latitudes elevadas, mas suas regiões equatoriais são em sua maioria áridas, com grandes extensões de dunas.

Em observações anteriores, os cientistas haviam detectado canais secos, como se fossem marcas de um rio extinto na parte sul, no entanto não acreditavam que se tratavam de evidências de que no passado o planeta tivesse um clima mais úmido na região.

O uso das imagens proporcionadas pela sonda Cassini levou a uma nova teoria. A cientista Elizabeth Turtle do laboratório de física da Universidade Johns Hopkins e seus colegas observaram quedas bruscas da luminosidade da superfície próxima ao equador de Titã após a formação de um acúmulo de nuvens.

Os autores formularam diversas explicações para essas mudanças luminosas, como uma tempestade violenta ou atividade vulcânica nesta região, mas finalmente chegaram a uma conclusão que acreditaram mais provável: uma grande tempestade de metano.



Estudo explica mecanismo que ajuda espermatozoide a encontrar óvulo

Pesquisa pesquisas podem ajudar no desenvolvimento de um anticoncepcional masculino

17 de março de 2011 | 11h 18

estadão.com.br e Agência Fapesp

Dois estudos publicados nesta quinta-feira, 17, na revista Nature explicam qual o mecanismo molecular que ajuda o espermatozoide humano a detectar e chegar até os óvulos. Segundo as pesquisas, as descobertas das pesquisas podem ajudar no desenvolvimento de um anticoncepcional masculino.

As pesquisas destacam o papel fundamental da progesterona, hormônio feminino liberado pelas células que circundam o óvulo. O espermatozoide pode "sentir" esse hormônio e é guiado por ele até o óvulo. Dessa forma, a pesquisa sugere uma nova classe de anticoncepcionais, dessa vez masculinos, baseados nesse canal de comunicação óvulo-espematozoide. A publicação científica também destaca o papel de um inusitado canal de íons hormonais.

Os estudos independentes foram conduzidos pelo grupo de Yuriy Kirichok, na Universidade da Califórnia em San Francisco, Estados Unidos, e por Benjamin Kaupp, do Center of Advanced European Studies and Research, e colegas.

Os pesquisadores notaram um mecanismo que funciona da seguinte forma: células do cúmulos (que ficam ao redor dos óvulos) liberam progesterona, o que induz o influxo de íons de Ca2+ (cálcio) nos espermatozoides. A progesterona é um hormônio esteróide produzido, a partir da puberdade, pelo corpo lúteo (que também libera estrógeno) e pela placenta durante a gravidez. O influxo de íons de Ca2+ leva a um aumento na atividade dos espermatozoides e estimula o movimento da célula reprodutiva masculina em direção ao óvulo.

Os novos estudos ajudam a esclarecer os mecanismos desse processo. Os dois grupos demonstraram que a progesterona ativa um canal de cálcio sensitivo ao pH chamado CatSper, o que causa um rápido influxo de íons de cálcio nos espermatozoides.

Como outros hormônios esteroides, a progesterona atua normalmente por meio de um receptor intracelular, mas as novas pesquisas destacam que, nos espermatozoides, o hormônio feminino pode sinalizar por meio de um mecanismo não genômico. Se a ativação do CatSper é o único efeito da progesterona na sinalização de Ca2+ é algo que futuras pesquisas poderão esclarecer.

Energia para resfriar usina no Japão é restabelecida

Medida é fundamental para que temperatura adequada seja mantida em reatores

17 de março de 2011 | 10h 38

AE - Agência Estado

TÓQUIO - A Tokyo Electric Power (Tepco), proprietária da usina Daiichi, em Fukushima, no Japão, informou nesta quinta-feira, 17, que restabeleceu a conexão do cabo de energia. A eletricidade é essencial para que motores, válvulas e bombas mantenham os reatores em uma temperatura adequada. Além disso, a Tepco planeja seguir lançando água para resfriar seus reatores e evitar novas explosões e vazamentos radioativos.

A situação, porém, ainda não está estabilizada e pode piorar, de acordo com a Agência de Segurança Nuclear francesa (ANS, na sigla em francês). Segundo a agência, as situações mais preocupantes são as dos reatores 3 e 4 da usina. "A piora da situação permanece uma possibilidade em Fukushima", disse o vice-diretor da ANS, Olivier Gupta, durante entrevista à imprensa. "Tudo deve ser feito para levar água à usina", disse ele, lembrando que a Tepco utiliza helicópteros e tanques com água para o resfriamento.

O governo metropolitano de Tóquio informou hoje que o nível de radiação no centro da capital japonesa às 6 horas (horário de Brasília) estava em 0,050 milisieverts (unidade usada para indicar danos biológicos causados pela radiação). O número é pouco maior que os níveis normais.

Os níveis de radiação eram mais altos na Prefeitura de Fukushima, área próxima da usina Daiichi. O usina tornou-se fonte de preocupação internacional após o terremoto da sexta-feira passada, que prejudicou o sistema de resfriamento de vários de seus reatores.

Na cidade de Fukushima, 60 quilômetros a noroeste da usina, a radiação estava em 12,3 microsieverts. O governo japonês ordenou a retirada das pessoas que vivem num raio de 20 quilômetros da usina. O maior risco é para os funcionários que trabalham no resfriamento dos reatores. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.


Macacos reconhecem 'amigos' em fotos, diz estudo

Pesquisa com macacos selvagens indicou que animais aprendem com a idade a reconhecer colegas de grupo

17 de março de 2011 | 9h 21

Um estudo de pesquisadores alemães indicou que macacos adultos são capazes de reconhecer seus "amigos" em fotografias.

Capacidade de reconhecimento vem com a idade, indica estudo

Na pesquisa, macacos-de-gibraltar selvagens passaram mais tempo analisando as fotos de animais que eles não conheciam.

Os mais novos ficaram interessados e ao mesmo tempo confusos diante das imagens, às vezes tocando ou saudando a foto.

Em um artigo na revista científica Animal Cognition, os cientistas do Centro de Primatas e da Universidade de Gottingen, na Alemanha, concluem que estes animais aprendem, com a idade, a entender o que as fotos representam.

"Nós não esperávamos que eles respondessem dessa maneira às fotos", disse a coordenadora do estudo, Julia Fischer. "Pensamos que as fotos não seriam relevantes para eles, porque na vida real eles não têm nada assim."

Para a pesquisadora, "agora que sabemos (que eles reconhecem espontaneamente as fotografias), poderemos estudá-los em um ambiente muito mais natural, através de jogos".

Rosto conhecido

A pesquisa de campo foi conduzida no parque natural de Rocamadour, no sudoeste da França, com macacos que não haviam sido treinados.

A equipe estava munida de folhetos contendo as fotos dos animais para ajudá-los na identificação dos indivíduos de cada grupo.

"Um dos macacos agarrou um livro de fotos e começou a olhar para as fotos. Um estudante me perguntou se eu achava que ele estava reconhecendo o macaco da foto. Eu não sabia", contou Julia Fischer.

A pesquisadora e sua equipe montaram então um experimento simples, dando aos macacos fotos de animais do mesmo grupo e de outros grupos.

Os pesquisadores observaram que, quando os macacos adultos recebiam fotos de um rosto familiar, passavam a vista rapidamente.

"Animais adultos passaram mais tempo olhando para os animais desconhecidos, sugerindo que eles reconheciam os membros do seu grupo pelas fotos", afirmou a professora.

Já os animais mais jovens, embora demonstrassem muito interesse, ficaram claramente confusos com as fotos.

"Alguns não souberam o que fazer e acabavam saudando as fotos", disse a professora Fischer.

BBC Brasil.

 

Tepco tentará reativar sistema de refrigeração de reatores de Fukushima

Empresa que administra usina deve usar cabos de energia para tentar conter vazamento de radiação

16 de março de 2011 | 21h 39

estadão.com.br

TÓQUIO - A Tokyo Electric Power Company (Tepco), empresa que administra a usina nuclear de Fukushima Daichi, no nordeste do Japão, informou nesta quinta-feira, 17 de acordo com o horário local), que tentará instalar dispositivos que levem energia e reativem os sistemas de refrigeração dos reatores do complexo para evitar maiores vazamentos de material radiativo.

A companhia informou que os trabalhos para reativar os sistemas e refrigeração poderia começar ainda na manhã da quinta-feira, de acordo com a emissora japonesa NHK. A prioridade da empresa é recolocar os dispositivos em funcionamento para que os núcleos dos reatores sejam resfriados.

Os planos, de acordo com a Tepco, são usar cabos de energia de outra companhia e ligá-los em uma central provisória, que seria usada como fonte de emergência para os sistemas de refrigeração. A companhia afirmou que tal operação não pode ser realizada na quarta-feira por conta dos altos níveis de radiação registrados na área de Fukushima. O procedimento, segundo a Tepco, deverá ser concluído o quanto antes para evitar a exposição exagerada de seus técnicos à radiação.

Enquanto isso, outros métodos são tentados para que as barras de combustível dos reatores sejam resfriadas. A polícia de Tóquio planeja usar um canhão de água de um caminhão de bombeiros,no reator nuclear número 1. Os técnicos da usina já tentaram usar a água do mar.

Todos os seis reatores da usina apresentaram problemas no sistema de refrigeração devido aos danos sofridos por conta do terremoto de magnitude 9,0 e do tsunami subsequente que atingiram o Japão na sexta. Houve explosões em alguns deles, incêndios em outro e os núcleos de três deles sofreram danos. As autoridades japonesas lutam contra o que poderia se transformar em um desastre nuclear.

Os EUA afirmaram que os níveis de radiação registrados na área de Fukushima estão "extremamente altos". O governo japonês, porém, já afirmou que a radiação registrada não apresenta riscos à saúde, embora tenha admitido que os núcleos tenham sofrido danos. Há registros de que mais pessoas tenham sido contaminadas.


Pesquisadores da UFRJ apresentam novo dinossauro brasileiro

'Oxalaia quilombensis' era um espinossaurídeo que vivia na Ilha de Cajual, no Maranhão, e tinha entre 12 e 14 metros de comprimento

16 de março de 2011 | 13h 36

Clarissa Thomé - O Estado de S. Paulo

RIO - O maior dinossauro carnívoro já encontrado no Brasil, o espinossaurídeo Oxalaia quilombensis, vivia na Ilha de Cajual, no Maranhão. O animal, primeiro descrito na região, tinha entre 12 e 14 metros de comprimento e pesava entre 5 e 7 toneladas e andou pela ilha há cerca de 95 milhões de anos.

Os pesquisadores do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro encontraram vestígios do maxilar inferior, com sete dentes, e a narina do réptil. A comparação com espécies semelhantes encontradas na África mostram que o Oxalaia quilombenses é ainda maior. O nome do bicho homenageia Oxalá, divindade masculina respeitada pela religião africana e aos quilombos que existiam no Maranhão.

A pesquisa sobre o novo dinossauro brasileiro foi apresentada na manhã desta quarta-feira, 16, no lançamento dos Anais da Academia Brasileira de Ciências, que reúne artigos inéditos sobre paleontologia com achados brasileiros, da Austrália, Bolívia, Angola e Japão. "É a primeira vez que pesquisas sobre fósseis estrangeiros são publicadas numa revista brasileira de repercussão internacional", ressalta o paleontólgo Alexander Kellner, editor da publicação.



Cientistas desvendam origem de espécie de frango mutante com pescoço de peru

A galinha-da-transilvânia sofreu mutação genética complexa que resulta na ausência de penas no pescoço, fazendo com que as aves suportem melhor o calor.

16 de março de 2011 | 11h 45

A galinha-da-Transilvânia, um tipo de galinha com pescoço pelado como o de um peru, deve sua aparência peculiar a uma mutação genética complexa, segundo pesquisadores do Instituto Roslin, da Universidade de Edimburgo, na Escócia.

Os cientistas descobriram que os efeitos da mutação genética são exacerbados por uma substância derivada da vitamina A que é produzida em volta do pescoço da ave e que combinada à proteína BMP-12 na pele suprime o crescimento de penas, levando a galinha a ter o pescoço pelado.

A equipe de pesquisadores diz que a descoberta pode ajudar na produção de frango em países quentes porque galinhas com pescoço pelado são mais bem equipadas para agüentar o calor.

A pesquisa também ajuda a explicar como pássaros, como os abutres, por exemplo, evoluíram para sua aparência atual devido ao metabolismo diferenciado da vitamina A na pele de seus pescoços.

Os cientistas da Universidade de Edimburgo analisaram amostras de DNA de aves do México, França e Hungria para encontrar a mutação genética. Amostras de pele de embriões de galinhas também foram analisadas usando modelos matemáticos complexos.

As galinhas-da-Transilvânia existem há centenas de anos e seriam originárias do norte da Romênia. O estudo, publicado pela Public Library of Science (PLoS), foi financiado pelo Conselho de Pesquisa em Biotecnologia e Ciências Biológicas.

BBC Brasil -


Tipo sanguíneo pode explicar problemas na geração de herdeiros de Henrique VIII

Antígeno Kell pode ser o responsável por frustrar as tentativas do rei da Inglaterra em gerar herdeiros para o trono

16 de março de 2011 | 21h 36

estadão.com.br

SÃO PAULO - O sangue do rei Henrique VIII da Inglaterra pode carregar a explicação para o seu problema em gerar herdeiros e seu comportamento considerado próprio de um tirano. A bioarqueologista Catrina Banks Whitley e a antropóloga Kyra Kramer acreditam que o rei carregava o antígeno Kell.

Uma mulher com o Kell negativo que engravida de um homem com Kell positivo pode gerar uma criança Kell positivo saudável na primeira gravidez, mas os anticorpos criados durante esta gestação irão atravessar a placenta e atacar os fetos nas próximas vezes que ela engravidar.

De acordo com as observações da dupla, o histórico da vida matrimonial de Henrique VIII dá indícios de que a incompatibilidade sanguínea tenha sido o motivo de tentativas frustradas de conceber um filho, herdeiro do sexo masculino, nos dois primeiros casamentos.

A síndrome de Mcleod, desordem genética típica deste grupo sanguíneo, também explicaria a transformação física e comportamental pelo qual ele passou após os 40 anos. Na juventude, o rei tinha tipo atlético, era forte e, dizem, generoso. Mas ao envelhecer ele parecia outra pessoa, ganhando muito peso e tornando-se tirano.

"Acreditamos ter encontrado a razão do ponto de vista médico para os problemas reprodutivos de Henrique VIII e de sua deterioração psicológica", declararam Whitley e Kramer.

A maior parte das pessoas do grupo sanguíneo é Kell negativo. É o pai com o fator positivo que cria problemas para gerar herdeiros. "Nós traçamos a possível transmissão do gene Kell positivo de Jaqueline de Luxemburgo, a bisavó materna do rei. As tentativas falhas de reprodução dos descendentes masculinos e o histórico de sucesso entre as descentes femininas sugerem a presença do fenótipo Kell na família", explicaram as pesquisadoras.O rei Henrique VIII reinou entre os anos de 1509 e 1547. Foi casado seis vezes e rompeu com a Igreja Católica, que não aceitava o divórcio, tornando-se líder da Igreja da Inglaterra ou Igreja Anglicana. Ele teve um único herdeiro homem legítimo. Eduardo VI Tudor é fruto do casamento com Joana Seymour. É possível encontrar outros nomes dados como herdeiros de Henrique VIII, mas estes são considerados filhos ilegítimos. O único reconhecido pelo rei foi Henrique Fitzroy, Duque de Richmond, nascido de um relacionamento com Elizabeth Blount enquanto o rei era casado Catarina de Aragão.

Radiação cai e técnicos retomam trabalho em usina no Japão

Trabalhos para tentar esfriar reator tinham sido suspensos após novo acidente em instalação de Fukushima.

16 de março de 2011 | 5h 39

TÓQUIO - Radiação em Tóquio está acima do normal, mas ainda não oferece perigo. Funcionários da usina nuclear afetada por explosões após o tremor de sexta-feira no Japão voltaram ao local para tentar esfriar e estabilizar os reatores nesta quarta-feira. O porta-voz do governo Yukio Edano disse que os níveis de radiação caíram na usina.

No início do dia, o governo japonês tinha obrigado os técnicos a suspender as tentativas de estabilizar os reatores por causa de um pico nos níveis de radiação na usina nuclear de Fukushima.

Momentos antes, a usina (no nordeste do Japão) começou a expelir uma fumaça branca, intensificando os temores de um acidente radioativo.

A fumaça teve início poucas horas após a ocorrência de um novo incêndio no reator 4 da instalação, que ainda estava sendo combatido.

Segundo a Tokyo Electric Power Co (Tepco), que opera a usina, a fumaça poderia ser um vapor, produzido pelo superaquecimento de um taque de combustível. A usina já havia sofrido outras quatro explosões, que provocaram o vazamento de elementos radioativos.

Os técnicos estavam trabalhando em Fukushima, jogando água do mar nos reatores para tentar estabilizá-los e evitar um superaquecimento.

Neve

O sistema de resfriamento de Fukushima foi danificado durante o terremoto de 9 graus de magnitude e o tsunami que devastaram a costa leste do país na sexta-feira.

Funcionários do governo aconselharam moradores num raio de 20 a 30 km da usina a deixar a área ou permanecer abrigados.

Em Tóquio, a mais de 200 quilômetros de Fukushima, o nível de radiação sofreram uma pequena elevação, suficiente para amedontrar os moradores, que começam a estocar mantimentos.

O governo confirmou a morte de mais de 3 mil pessoas, mas teme que o número seja superior a 10 mil.

Cerca de 500 mil pessoas estão em abrigos temporários, que sofrem com a falta de comida, água, eletricidade e combustível. Também há escassez de cobertores em alguns lugares, enquanto a meteorologia prevê temperaturas abaixo de zero e nevascas.

AIEA

Nesta terça-feira, a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA) anunciou estar monitorando os níveis de radiação nas proximidades da usina e que a quantidade de radiação nas regiões próximas vinha diminuindo significativamente desde a madrugada.

A AIEA disse que outras usinas nucleares japonesas, como Onagawa, Tokai e Fukushima Daini estão "estáveis e seguras", mas que a situação em Daiichi, onde estão os reatores danificados, ainda era preocupante.

Uma zona de exclusão aérea foi estabelecida sobre o complexo nuclear.

De acordo com a AIEA, 150 pessoas na região da usina foram examinadas para detectar possíveis contaminações por radiação. Já foram tomadas medidas para a descontaminação de 23 pessoas.

A agência diz que o total de radiação a que uma pessoa normalmente se expõe durante um ano, contando todas as fontes normais, é de cerca de 2,4 milisieverts (unidade de medida que avalia os efeitos da radiação absorvida pelo organismo).

Pessoas que vivem nas proximidades de instalações nucleares estão expostas a uma dose de 1 milisievert adicional ao ano, segundo a agência.

Dentro da usina de Fukushima Daiichi, uma medição chegou a detectar 400 milisieverts de radiação no ar, entre os reatores número 3 e número 4.

Nos arredores da instalação, a quantidade de radiação liberada no ar chegou a atingir 11,9 milisieverts, mas caiu para 0,6 milisieverts seis horas depois.

A Organização Meteorológica Mundial disse que ventos começam a dispersar o material radioativo do ar para o oceano. No entanto, há previsões de que a direção das correntes de ar mudem na quarta-feira.

BBC Brasil


expansão do universo com precisão de 3,3%

Teoria alternativa à matéria escura foi descartada depois que cientistas da Nasa recalcularam taxa com precisão sem precedentes

15 de março de 2011 | 10h 46

estadão.com.br

Uma teoria alternativa à matéria escura foi descartada depois que astrônomos da Nasa recalcularam a taxa de expansão do universo com precisão sem precedentes usando o Telescópio Hubble da Nasa. As novas medições têm margem de erro de apenas 3,3%, enquanto as anteriores - apresentadas em 2009 - eram de até 30%. Os resultados serão publicados na revista Astrophysical Journal em abril.

Há tempos os cientistas tentam explicar a expansão do universo a taxas crescentes. Uma das teorias, a da matéria escura, explica que existe um tipo de matéria que não pode ser detectada, mas que tem efeito oposto ao da gravidade. Acredita-se que ela forme cerca de um quarto do universo.

A hipótese concorrente, descartada após este último estudo, postulava que uma "bolha" enorme de espaço relativamente vazio de oito bilhões de anos-luz rodeia nossa vizinhança galáctica. Se vivêssemos perto do centro desse vácuo, observações de galáxias sendo empurradas para fora a velocidades crescentes seriam uma ilusão.

Adam Riess, que liderou o estudo, conseguiu descartar essa última hipótese usando as observações do Hubble para uma melhor caracterização do comportamento da matéria escura. Os dados ajudaram a determinar um número muito mais preciso para a taxa de expansão do universo, o que ajudará os astrônomos a determinar questões como o formato do universo.

"Estamos usando a nova câmera instalada no Hubble como um radar de trânsito para pegar o universo ultrapassando a velocidade permitida", afirmou Riess em nota divulgada pela Nasa. "Parece que é a matéria escura que está apertando o acelerador."

Para a pesquisa, inicialmente a equipe teve que determinar com precisão as distâncias de galáxias próximas e distantes da Terra. Então, eles compararam essas distâncias com a velocidade a que as galáxias estão aparentemente diminuindo devido à expansão do Espaço. Eles usaram esses dois valores para calcular a "constante de Hubble", número que relaciona a velocidade a que uma galáxia parece "diminuir" a sua distância da Via-Láctea.

Vale lembrar que os astrônomos não podem medir fisicamente a distância de uma galáxia até a Via-Láctea. Sendo assim, eles usam estrelas ou supernovas como pontos de referência confiáveis. Esses objetos têm um brilho intrínseco - seu brilho real, não diminuído pela distância, pela poeira ou pela atmosfera - e um brilho real - visto da Terra. Sua distância pode então ser medida de maneira confiável pela comparação desses dois brilhos.


Homem controlou o fogo há 400 mil anos

Estudo de indícios antigos da presença humana na Europa questiona consenso de que hominídeos dominavam o fogo há 2 milhões de anos

15 de março de 2011 | 0h 00

Alexandre Gonçalves - O Estado de S.Paulo

Os humanos só controlaram o uso do fogo há 400 mil anos. É o que afirma um estudo científico divulgado ontem que questiona o consenso sobre o tema. Até agora, acreditou-se que os primeiros hominídeos já usariam fogo há 2 milhões de anos para preparar alimentos e se aquecer.   

 A confecção de ferramentas de pedra e o controle racional do fogo - para cozinhar, aquecer-se e prolongar a duração do dia - são considerados marcos importantes da evolução humana.

O artigo, publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), coloca em xeque uma teoria que alcançou notável prestígio nos últimos anos. O arqueólogo Richard Wrangham, de Harvard, relacionou a evolução humana ao hábito de cozinhar alimentos.

Segundo o pesquisador americano, há 2 milhões de anos o Homo erectus teria aprendido a cozinhar, hábito que facilita a digestão dos alimentos. A energia economizada pelo sistema digestivo teria servido então para turbinar o cérebro, acelerando a evolução humana.

Além disso, ainda de acordo com a teoria de Wrangham, o hábito de se alimentar ao redor de uma fogueira teria desenvolvido a sociabilidade das primeiras comunidades primitivas.

O arrazoado virou livro - Pegando Fogo - Como Cozinhar Nos Tornou Humanos -, mas pesquisadores da Universidade Leiden, na Holanda, e da Universidade do Colorado, em Boulder (EUA), decidiram verificar se as descobertas arqueológicas dos últimos anos confirmavam a teoria. Concluíram que, apesar de convincente à primeira vista, a tese de Wrangham não possui parentesco com a realidade dos registros pré-históricos.

Frio europeu. Os pesquisadores procuraram evidências do uso de fogo por humanos na Europa. Acreditava-se que a conquista do continente estaria condicionada ao domínio da tecnologia do fogo: só com uma boa fonte de calor e luz os humanos conseguiriam deixar o ambiente tropical africano e sobreviver às latitudes mais frias do clima temperado no norte. Os dados contrariaram as expectativas.

Os registros mais antigos da presença humana na Europa datam de 1 milhão de anos atrás e estão todos na região sul do continente. Contudo, há fortes indícios no norte, em Happisburgh (Inglaterra), de que humanos já estavam adaptados ao clima frio há 800 mil anos - porém sem o uso do fogo como fonte de calor.

Os registros arqueológicos só apareceram 400 mil anos depois. Os mais antigos estão em Beeches Pit, na Inglaterra, e Schöningen, na Alemanha: pedaços de madeira tostada, pedras e sedimentos derretidos, além de indícios de fogueiras.

Os autores do trabalho também induzem provas baseadas em testemunhos negativos: sítios arqueológicos mais antigos de diversos países - Rússia, Bulgária, Itália, Espanha e França -, muito bem protegidos dentro de cavernas, não apresentam qualquer sinal do uso de fogo por seres humanos.

Ao ser questionado, Wrangham preferiu evitar polêmicas. "O trabalho representa um caso clássico de discordância científica", afirmou o pesquisador. "Enfim, temos um quebra-cabeças encantador." / COM AP


Neandertais também faziam fogueiras

15 de março de 2011 | 0h 00

Alexandre Gonçalves - O Estado de S.Paulo

Os neandertais dominavam com maestria a tecnologia do fogo. Essa é outra conclusão do artigo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

A conclusão surpreendeu os próprios autores do estudo. "Até agora, muitos cientistas pensavam que os neandertais utilizavam ocasionalmente o fogo, mas não recorriam a ele continuamente", afirma Paola Villa, curadora do Museu de História Natural da Universidade do Colorado, em Boulder (EUA). "Não esperávamos encontrar registros de tantos sítios arqueológicos com claras evidências de uso contínuo dessa tecnologia."

Segundo Wil Roebroeks, da Universidade Leiden, o uso mais surpreendente de fogo pelos neandertais foi o observado na produção de uma espécie de cola. Eles aqueciam a casca do tronco de bétulas em furos feitos no chão para evitar a entrada de ar. Surgia então uma substância negra utilizada para unir artefatos de pedra.

Há cerca de 500 mil anos surgiram os primeiros grupos de neandertais na Europa. Com o passar dos séculos, eles chegaram à Ásia. Sua extinção ocorreu há 30 mil anos, de forma quase concomitante às primeiras migrações de homens modernos da África para a Europa, há 40 mil anos.

Os seres humanos atuais carregam um pequeno porcentual de DNA neandertal, provavelmente associado a cruzamentos entre as duas espécies.



Tema foi abordado em livros e filmes

15 de março de 2011 | 0h 00

Marcelo Valletta - O Estado de S.Paulo

A importância do fogo para o homem do final do Paleolítico foi tema do romance A Guerra do Fogo, publicado em 1911 pelos belgas Joseph e Séraphin Boex, irmãos que escreviam juntos e usavam um pseudônimo comum, J. H. Rosny. O livro foi adaptado para as histórias em quadrinhos e para o cinema, com uma versão curta em 1915, de Georges Denola, e a mais famosa, de 1981, dirigida por Jean-Jacques Annaud.

No longa-metragem de Annaud, a história se passa há cerca de 80 mil anos, em território hoje pertencente à Europa (parte dele foi filmada na Escócia). Uma tribo de Homo sapiens que sabe conservar o fogo, mas não produzi-lo, é atacada por outra, de neandertais. Como o fogo é perdido, após a batalha três membros da tribo são enviados em missão para trazê-lo de volta.

Participaram como consultores Anthony Burgess (escritor mais conhecido por Laranja Mecânica), que desenvolveu o idioma falado pelos homens pré-históricos, e o zoólogo e etólogo Desmond Morris (autor de O Macaco Nu e O Zoo Humano, entre outros), que coreografou os gestos e a linguagem corporal dos personagens. Mesmo assim, não se considera que o filme seja um retrato razoavelmente fiel do período. Nesse ponto do Paleolítico (de 2,6 milhões a 10 mil anos atrás), há evidências de que o homem era mais sofisticado que as personagens da obra.


Ciência global

15/03/2011 17:41 | Autor: Bernardo Esteves

A globalização da ciência não é um fenômeno novo, mas ganhou na internet uma ferramenta interessante que permite visualizar os laços que unem pesquisadores de todo o mundo. O canadense Olivier Beauchesne, analista de uma empresa de consultoria em ciência, elaborou um mapa da cooperação científica global entre 2005 e 2009.

O mapa foi alimentado com dados de grandes repositórios de artigos, como o Scopus, mantido pela Elsevier, gigante da publicação científica. Nos estudos que envolviam autores de instituições diferentes, uma linha foi traçada unindo as cidades de cada uma delas. O resultado é uma representação elegante dos principais eixos de colaboração científica no mundo.

O mapa traduz visualmente um fenômeno cada vez mais comum no mundo da ciência – estudos que envolvem extensas redes de laboratórios em vários países. Tomemos o exemplo do sequenciamento do genoma do orangotango, publicado em janeiro na Nature: o trabalho foi feito por uma centena de pesquisadores de nove países. No mapa elaborado por Beauchesne, ele seria representado com linhas ligando as cidades de cada um deles.

O mapa da cooperação científica oferece uma boa caracterização visual da distribuição da produção científica mundial. Como era de se esperar, as redes mais densas de colaboração ligam Estados Unidos, Europa e Japão. Economias emergentes como Brasil, Índia e China também aparecem com redes destacadas.

Um olhar mais detalhado para as redes de cooperação que envolvem os pesquisadores brasileiros também aponta tendências esperadas. Os nós mais importantes correspondem às cidades que abrigam as universidades e centros de pesquisa de maior produção acadêmica. A deficiência crônica que o país tem de pesquisadores na região Norte se traduz de forma eloquente em um vazio relativo sobre o território amazônico.

O mapa também diz muito sobre as redes de cooperação internacional que envolvem cientistas brasileiros. Elas praticamente se resumem aos eixos que nos ligam à Europa e aos Estados Unidos. As parcerias com outros países latino-americanos são bastante modestas. Para enxergar a colaboração com países da África e de outros continentes, é preciso abrir a versão do mapa em alta resolução e forçar bastante a vista.

Definitivamente, a cooperação Sul-Sul que o Brasil vem buscando estabelecer com outros países do mundo em desenvolvimento ainda não tem tradução visual no mapa da colaboração científica.

Arte: Olivier H. Beauchesne @ Science-Metrix, Inc. 

Pesquisadores dizem ter encontrado a cidade perdida de Atlântida

De acordo com pesquisa, a lendária cidade está localizada na costa sul da Espanha

14 de março de 2011 | 17h 28

Reuters

Uma equipe liderada por pesquisadores norte-americanos acredita ter encontrado a lendária cidade de Atlântida, que teria sido atingida por um tsunami e levada para o fundo do mar há milhares de anos.

"É tão difícil entender que um tsunami possa varrer 100 km de terra, e é disso que estamos falando", disse Richard Freund, professor da universidade de Hartford, em Connecticut, e responsável pela pesquisa.

Para desvendar o mistério que cerca o desaparecimento da cidade, a equipe usou fotos de satélite de uma cidade misteriosa que está submersa para localizar o norte de Cadiz, na Espanha. Lá, enterrada nos pântanos do parque Dona Aña, eles acreditam ter localizado o antigo domínio conhecido como Atlântida.

Entre 2009 e 2010, a equipe de arqueólogos e geólogos usou uma combinação de radar, mapeamento digital e tecnologia subaquática para pesquisar o local. A descoberta de "cidades memoriais" na Espanha, construídas à imagem de Atlântida por aqueles que teriam escapado do Tsunami, deram aos pesquisadores mais provas, disse Freund.

Ainda é difícil ter certeza sobre as evidências, mas Freund diz que achar as "cidades memoriais" o deixou confiante de que Atlântida está enterrada nos pântanos da costa sul da Espanha. "Nós achamos algo que nunca tinha sido visto antes, o que nos dá certa credibilidade".

O filósofo grego Platão escreveu sobre a cidade há 2.600 anos, descrevendo-a como "uma ilha situada em frente ao estreito de Pilares de Hércules", nome dado ao Estreito de Gibraltar na antiguidade. Utilizando a descrição detalhada de Platão como um mapa, as buscas foram concentradas no Mediterrâneo e no Atlântico, acreditando-se que estes eram os melhores lugares para localizar a cidade.

O debate sobre se a cidade realmente existiu dura milhares de anos. Os diálogos de Platão de 360 A.C. são as únicas fontes históricas de informação sobre a cidade. Platão disse que a ilha conhecida como Atlântida "desapareceu nas profundezas do mar em apenas um dia e uma noite".

Especialistas planejam fazer escavações no local e nas "cidades memoriais" encontradas na Espanha para estudar as formações geológicas e para datar seus artefatos.




Alteração em DNA ajuda a explicar distúrbios de ansiedade

Pesquisa usou camundongos modificados geneticamente para estudar alteração encontrada no DNA

14 de março de 2011 | 20h 34

estadão.com.br

SÃO PAULO - Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Weill Cornell, nos Estados Unidos, identificaram uma alteração no DNA que confere um comportamento de ansiedade tanto em camundongos como nos seres humanos. A pesquisa poderá ajudar a desenvolver um tratamento para distúrbios relacionados a este tipo de comportamento, como fobias e o estresse pós-traumático.

"Nós descobrimos que humanos e camundongos que têm a mesma alteração genética também têm uma grande dificuldade em acabar com uma resposta de ansiedade em relação a um estímulo adverso", explicou a Dra. B.J. Casey, uma das autoras do estudo publicado na revista Science.

Os pesquisadores observaram um comportamento semelhante entre humanos e camundongos que possuem uma alteração no gene do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF, na sigla em inglês). Os camundongos foram alterados geneticamente, ou seja, tinham uma variação genética humana inserida em seu genoma.

A observação foi feita a partir de dois tipos de estímulos, aqueles que não causavam mal algum e outros que causavam aversão, que provocariam um comportamento de ansiedade chamado medo condicionado. A intensa exposição aos fatores que não causavam mal normalmente faria com que o comportamento ansioso acabasse. "Mas tanto camundongos como os humanos que possuíam alteração no BDNF demoraram mais para superar os traumas", explicou a Dra. Fatima Soliman, autora do estudo.


Esta alteração está presente em um circuito cerebral, ligado ao córtex frontal e amígdalas, responsável por aprender a identificar sinais de segurança e perigo. "O estudo destes genes poderá ajudar médicos a tomarem decisões mais seguras em tratamentos referentes a distúrbios de ansiedade", disse o Dr. Francis S. Lee, coautor do estudo.




Arquivo de Albert Einstein será disponibilizado online

Digitalização levará um ano; cientista deixou todos os seus mais de 80 mil documentos de herança para a universidade

14 de março de 2011 | 10h 39

Reuters

JERUSALÉM - O arquivo de Albert Einstein será digitalizado e disponibilizado na Internet dentro de um ano, informou nesta segunda-feira a Universidade Hebraica de Jerusalém.    

 

Reprodução

Einstein, que morreu em 1955, deixou seus arquivos em herança para a universidade

Einstein, que morreu em 1955, deixou seus arquivos em herança para a universidade, da qual ele foi um dos co-fundadores. O arquivo contém mais de 80 mil documentos do cientista judeu, nascido na Alemanha, considerado o pai da física moderna.

"É a coleção mais importante de seus documentos e uma coleção importante da história do século 20", disse Roni Grosz, diretor do Arquivo Albert Einstein, da Universidade Hebraica.

A universidade disse que a coleção, que inclui cadernos de pesquisa, correspondência com colegas e amigos e artigos que Einstein fez nas áreas da ciência, filosofia e política, seria disponibilizado em um site público que a instituição está criando.


Debate sobre energia nuclear pode mudar de rumo

A possibilidade de um acidente no Japão pós-tsunami pode enfraquecer politicamente a opção pela garação de energia a partir de fissão nuclear

11 de março de 2011 | 21h 09

Karina Ninni - estadao.com

Com o anúncio de crescente risco de um acidente nuclear no Japão por conta do tsunami que atingiu o país e que desestabilizou a usina nuclear de Fukushima, onde se confirmou um vazamento de material radioativo, as discussões sobre a geração de energia via fissão nuclear podem tomar um novo rumo.


Quem afirma é o professor José Eli da Veiga, titular do departamento de economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) que lança, no próximo dia 16, um livro sobre o tema. Em Energia Nuclear: do anátema ao diálogo (São Paulo, Editora Senac, 2011), Veiga reuniu quatro experts sobre o assunto no Brasil  - o físico José Goldemberg, o engenheiro naval Leonam dos Santos Guimarães, o engenheiro químico João Roberto Loureiro Mattos e o engenheiro civil Oswaldo dos Santos Lucon - para oferecer visões distintas sobre o tema, que causa tanta controvérsia entre os próprios cientistas.


Em entrevista exclusiva, José Eli da Veiga falou ao estadao.com:


Pelo que se percebe, o tema energia nuclear ainda causa muita polêmica. No primeiro capítulo do livro, assinado por você, afirma-se que à análise fria dos fatos se contrapõe uma 'retórica afetiva'. Por que o assunto ainda hoje é tratado de forma mais passional do que racional?


No Brasil, não há discussão fora do meio acadêmico, o que é chocante. Mas percebo que as pessoas, ao se colocarem contra ou a favor das usinas nucleares, não se posicionam por conhecimento de causa, e sim por uma ou outra experiência pessoal. Por exemplo: eu trouxe dos EUA um adesivo que fazia objeção a armas nucleares. Colei na minha sala. Um aluno veio me ver e afirmou que tinha achado um erro o Brasil estipular na Constituição que não desenvolveria armas nucleares (segundo a Constituição de 1988, as atividades nucleares ficaram restritas a “usos pacíficos”). Então as pessoas se posicionam com base em seus credos e não com base no conhecimento de causa.


Há algum consenso entre a comunidade científica quando o assunto são usinas nucleares?


Por incrível que pareça, não. Esse é o tema do livro: a controvérsia. Por exemplo: diante da ideia disseminada de que um país que adquire tecnologia para gerar energia nulear estaria a um passo de produzir armamentos nucleares, poderia parecer óbvio que, quanto menos países tivessem acesso a essa tecnologia, mais a salvo estaria o mundo. Mas nem isso é consenso. Grandes nomes da ciência política, como Keneth Waltz, da Universidade de Berkley, defendem que o ideal é que cada vez mais mais países tenham acesso à tecnologia nuclear.


Um acidente como o de Chernobyl provoca nas pessoas certa ojeriza à opção de geração de energia por meio de fissão nuclear. Mas, no livro, você cita fontes que afirmam que os efeitos de Chernobyl não foram tão catastróficos assim. Você acredita que a sociedade atenta para o nível de periculosidade de uma usina do gênero ou o prórpio risco de acidentes já delineia o posicionamento das pessoas acerca do tema?


Eu cito no livro um ecólogo e ambientalista, o Stewart Brand, que afirmou que as consequências de Chernobyl foram infinitamente menores do que se imagina. Ele fez essas observações com base em um estudo da ONU, que afirmava que os impactos não seriam o que se imaginava. Eu também tinha a opinião de que Chernobyl foi a gota d'água, a prova de que realmente a geração de energia nuclear era um risco imenso, que não valia a pena se correr. Agora, estou em dúvida. Os que defendem a geração de energia nuclear afirmam que Chernobyl era uma usina antiga, com uma tecnologia completamente ultrapassada.


Você acha que as discussões sobre emissões e aquecimento global alteraram as bases do debate sobre as matrizes energéticas no mundo?

Com certeza. O número de pessoas que a vida toda foram contra a geração de energia nuclear e agora estão mudando de opinião é cada vez maior. Elas estão se perguntando: faz sentido, hoje, com tudo o que se sabe sobre o carvão e suas emissões, gerar energia a partir dele? Agora, eu não sou um expert no assunto 'energia nuclear'. O que me propus a fazer foi apresentar os argumentos, por meio de artigos de especialistas, por que me dei conta da evolução que o debate estava tendo mundo afora.


O premiê japonês acaba de mandar evacuar uma área ao redor da usina nuclear de Fukushima, onde se confirmou um vazamento de material radioativo do reator 1. Segundo as agências noticiosas, os níveis de radiação em torno do complexo aumentaram oito vezes nas últimas horas em um ponto de checagem do lado de fora do usina e estão mil vezes maiores do que o normal na sala de controle do reator. Isso pode alterar a reavaliação que está sendo feita sobre geração de energia nuclear?


Certamente. Se acontecer um acidente com a usina japonesa, a ideia de gerar energia através de tecnologia nuclear perde muita força politicamente, agora que o debate está muito avançado internacionalmente nos meios acadêmicos, até por conta do aquecimento global e suas causas. Atualmente, existem aqueles que defendem que há um renascimento dos investimentos em energia nuclear, com é o caso do Leonam, que assina um capítulo do livro, e os que afirmam o contrário, como o Goldemberg. Agora, no caso do Japão, o mero aumento dos níveis de radiação não quer dizer nada à primeira vista. Precisamos esperar pelos fatos.


E hidrelétricas? Você acredita que, sendo a Amazônia nossa mais nova fronteira energética, celeumas como a que vem se travando em torno de projetos como o de Belo Monte influenciam o debate?


É claro. Um dos grandes argumentos contra a geração de energia por meio de usinas nucleares é o aproveitamento do potencial hidrelétrico da Amazônia. Agora, se você me perguntar, como cidadão brasileiro, se eu sou a favor do aproveitamento de todas as quedas d'água da Amazônia, eu vou dizer que não. Acho que há rios em que não se deve mexer. Mas é claro que sabemos que a energia hidráulica é muito mais barata que a nuclear. A construção de usinas de última geração está ficando cada vez mais cara, até por conta dos requisitos de segurança que hoje se tem.


Você cita no livro que a geração de energia eólica e solar é intermitente e, portanto, só pode ser complementar. Isso é consenso entre e comunidade científica?


Sim. Agora, não significa que precisa ser sempre assim. Quanto mais se investir em pesquisa para geração de energia solar e eólica mais chances essas fontes têm de ser competitivas. Um exemplo é a captação de energia solar no espaço. Os satélites já funcionam à base de energia solar. A tecnologia para gerar energia solar no espaço nós já temos. Mas não temos como transmiti-la para a Terra.


O livro Energia Nuclear: do anátema ao diálogo será lançado dia 16 de março, às 15h, na Auditório da FEA/USP, com uma mesa redonda que contará com o organzador do livro, José Eli da veiga, o físico José Goldemberg e o engenheiro Leonam dos Santos Guimarães.


Primatas selvagens envelhecem de forma semelhante ao ser humano

Acreditava-se que o processo lento de envelhecimento do homem era próprio da espécie

10 de março de 2011 | 19h 21

Estadão.com.br

SÃO PAULO - Uma pesquisa com primatas selvagens mostrou que o processo de envelhecimento observado nos seres humanos não é próprio da espécie. A observação de 3 mil indivíduos concluiu que, embora o ser humano tenha acesso à medicina moderna e medicamentos, ele é atingido pelos problemas que chegam junto com a idade tanto quanto os outros. O motivo que leva à morte pode até ser diferente, mas o processo mais lento, que faz o risco aumentar com o passar dos anos é semelhante para todas as espécies.

"Nós tínhamos boas razões para pensar que o processo de envelhecimento humano era único", disse a co-autora do estudo Anne Bronikowski, da universidade estadual de Iowa. "Os humanos vivem mais que muitos animais. Há algumas exceções, como papagaios, mas o homem é o primata que vive por mais tempo".

A base de que os humanos envelheciam de forma diferente surgiu a partir de estudos anteriores feitos com animais de vida curta, como camundongos. O estudo com os primatas selvagens, que será publicado na edição desta semana da revista Science, quer mudar esta percepção.

"Os humanos vivem por muitos anos além da idade de reprodução", disse Bronikowski. "Se fôssemos como outros mamíferos começaríamos a morrer rapidamente depois de atingirmos a meia idade, mas não morremos", explicou a pesquisadora.

"Existe este argumento na ciência de que o envelhecimento humano tinha características únicas, mas nós não tínhamos dados do envelhecimento em primatas selvagens, além dos chimpanzés, até recentemente", disse a co-autora do estudo Susan Alberts, bióloga da Universidade Duke, que fica na Carolina do Norte, Estados Unidos.

As espécies de primatas observadas foram os macacos capuchinhos da Costa Rica, o muriqui do Brasil, babuínos e macacos azuis do Quênia, chimpanzés da Tanzânia, gorilas de Ruanda e lêmures de Madagáscar. O estudo não focou o declínio da saúde ou da fertilidade, mas se preocupou em observar o risco de morte com o avanço da idade.

Outro dado coletado durante a pesquisa mostrou que o envelhecimento dos machos monogâmicos é parecido com o de suas fêmeas. Nos demais, ou seja, naqueles que têm mais de uma parceira durante a vida, o estresse causado pela competição para o acasalamento seria fator importante para explicar o envelhecimento mais acelerado entre os machos.


Como os humanos conseguiram cérebros maiores e pênis sem espinhos

Parte do que nos diferencia de outros animais refere-se àquilo que o nosso DNA perdeu na evolução

10 de março de 2011 | 14h 30

Reuters

SÃO PAULO - Uma parte desaparecida do DNA responsável por ativar e desativar os genes ajuda a explicar algumas diferenças chave entre os chimpanzés e humanos - incluindo porque os humanos têm cérebros maiores e porque o pênis humano não tem espinhos na ponta, revelaram pesquisadores norte-americanos nesta quarta, 9.

O estudo, publicado na revista Nature, reforça a noção de que os genes que controlam a atividade de outros genes tem um grande papel no que faz dos humanos tão diferentes de outros mamíferos.

Para estudar isto, David Kingsley, do Instituto Médico Howard Hughes e da universidade de Medicina de Stanford, na Califórnia, e seus colegas compararam o código genético dos humanos, chimpanzés - os parentes mais próximos do homem - e de outros mamíferos.

Eles acharam 510 segmentos genéticos que estão presentes nos chimpanzés e em outros mamíferos, mas estão faltando nos humanos. Quase todos são genes regulatórios - "interruptores" genéticos que ativam e desativam os genes ao redor.

Então a equipe fez uma análise no computador para identificar os segmentos de DNA deletados que estavam agrupados com outros genes.

Eles acharam que uma das sessões do DNA deletado no genoma humano era responsável por produzir bigodes sensoriais, como as dos ratos, e pontas espinhosas, como aqueles encontrados nos pênis de vários mamíferos.

"As pessoas ficam sempre surpresas em ouvir que o pênis de várias espécies são cobertos com estes espinhos", disse Kingsley.

Ele disse que pênis espinhosos, ou com farpas, estão tipicamente presentes em espécies que se acasalam rapidamente, como nos chimpanzés machos, que devem competir para fertilizar uma ou duas fêmeas.

Estes espinhos - feitos de queratina, a proteína achada nas unhas - com frequência estão em receptores sensoriais e alguns experimentos sugerem que removê-los faz com que copulação dure mais.

Para os humanos, perder estes espinhos prolongou o tempo do sexo e ajudou a promover relações monogâmicas, de acordo com os pesquisadores.

Mais interessante ainda para Kingsley, no entanto, é que outra parte do DNA deletado estava alocado perto dos genes que mantém o desenvolvimento das células em xeque. A perda desta parte do DNA pode ter contribuído para o desenvolvimento de cérebros maiores nos humanos.

Ambas características podem estar relacionadas com as necessidades reprodutivas dos humanos, que dão a luz a bebês com cérebros maiores, requerendo que os pais fiquem juntos - pelo menos por tempo bastante para criarem seus filhos. "A ligação do casal é boa se você estiver tentando criar crianças que relativamente não precisarão de ajuda no futuro", disse Kingsley.Mais do que explicar as diferenças físicas na evolução humana, no entanto, a equipe espera descobrir diferenças fisiológicas importantes, incluindo o porquê de os humanos serem mais suscetíveis a doenças como artrite, câncer, malária, HIV, Alzheimer e Parkinson.

Cientistas descobrem 'cacto ambulante' no sudoeste China

Animal amplia o conhecimento sobre a evolução dos artrópodes, filo do qual fazem parte os insetos, as aranhas e os crustáceos

24 de fevereiro de 2011 | 12h 17

Agência Fapesp

SÃO PAULO - Cientistas descobriram uma criatura extinta e inusitada no sudoeste China que foi apelidada de "cacto ambulante". O animal amplia o conhecimento sobre a evolução dos artrópodes, filo do qual fazem parte os insetos, as aranhas e os crustáceos. A descoberta foi apresentada na última edição da revista Nature.

O achado também reacende a questão de se o desenvolvimento do característico esqueleto externo duro dos artrópodes começou ou não com a aquisição de pernas robustas.

A maior parte dos grupos de animais vivos atualmente apareceu primeiramente no registro fóssil durante a chamada explosão do Cambriano, um período de rápida evolução ocorrido há cerca de 500 milhões de anos.

Jianni Liu, do Departamento de Geologia da Universidade Northwest, nos Estados Unidos, e colegas descrevem no artigo agora publicado a descoberta de uma outra espécie no pouco conhecido grupo dos lobopodios (Lobopodia).

O exemplar tinha cerca de 6 centímetros de comprimento e lembra um verme com corpo mole e estreito, mas com dez pares de pernas robustas e cheias de formações que lembram espinhos. A espécie foi classificada como Diania cactiformis, por lembrar um cacto.

Os cientistas responsáveis pelo estudo sugerem que o fóssil encontrado pode representar o organismo mais próximo dos artrópodes modernos de que se tem notícia.

Embora o "cacto ambulante" não seja exatamente o ancestral comum dos artrópodes atuais, ele tem os membros mais robustos e parecidos com os de um artrópode dos lobopodios conhecidos.

Segundo Liu e colegas, isso pode indicar que esse ramo dos lobopodios evoluiu para ter pernas duras antes mesmo que seus corpos endurecessem. Mas não se sabe se essa característica pode se aplicar aos artrópodes em geral.




Primeiro modelo de envelhecimento celular humano chega aos laboratórios

Estudo favorece a busca de compostos químicos para alterar o processo do envelhecimento humano

24 de fevereiro de 2011 | 9h 48

Efe

MADRI - Cientistas dos EUA e Espanha desenvolveram um modelo celular para estudo em laboratório do envelhecimento humano após rejuvenescer o núcleo das células de pacientes com uma síndrome muito rara de envelhecimento precoce, cuja média de vida é de 15 anos.

A pesquisa, publicada na última edição da revista Nature, favorecerá a busca de compostos químicos para alterar o processo do envelhecimento humano, assim como uma maior compreensão das doenças cardiovasculares.

Também pode dar esperanças de cura no futuro aos doentes com a síndrome de envelhecimento prematuro Hutchinson-Gilford.

A extrema complexidade do processo de envelhecimento e suas patologias associadas sempre significaram barreiras para o estudo, que agora podem começar a ser derrubadas.

Os afetados com a raríssima síndrome de Hutchinson-Gilford, cerca de 100 casos conhecidos no mundo, sofrem na infância patologias associadas à velhice como a arteriosclerose, trombose e ataques cardíacos.

Os sintomas principais desta doença causada por um defeito genético que produz o acúmulo de uma proteína, a progeria, causadora da aceleração do envelhecimento, são baixa estatura, alopecia, ausência de gordura subcutânea, osteoporose e rigidez articular.

Trata-se da primeira vez que os cientistas conseguem desenvolver um modelo celular humano "in vitro" para estudar o envelhecimento.

Assim explicou à Agência Efe o diretor do estudo, Juan Carlos Izpisúa, diretor do Centro de Medicina Regenerativa de Barcelona (CMRB) além de responsável pelo laboratório de expressão genética do Instituto Salk, nos EUA.

Os cientistas geraram com sucesso células-tronco pluripotentes induzidas (iPS) a partir de fibroblastos (células do tecido conjuntivo) de pacientes com esta síndrome.

A pesquisa conseguiu a regressão de células doentes destes pacientes para um estado embrionário, com a supressão reversível do gene da progeria por reprogramação, e sua posterior reativação durante a diferenciação celular.

Foi possível "um modelo único" para estudar patologias humanas associadas ao envelhecimento prematuro, com a vantagem de que as células reprogramadas se diferenciam em um prazo relativamente curto (duas semanas), em contraste com as décadas que dura o envelhecimento normal.

Este modelo "in vitro" de células iPS se baseia na identificação de novos marcadores de envelhecimento e vários aspectos da velhice prematura e fisiológica em humanos.

A geração de células iPS em pacientes com progeria facilitará o conhecimento de doenças cardiovasculares, que são as que causam mais mortes nas sociedades desenvolvidas.

Além disso, o estudo dá esperanças para o desenvolvimento no futuro de tratamentos para crianças com a síndrome de Hutchinson-Gilford, por exemplo, o possível transplante de células pluripotentes induzidas saudáveis.




Engenheiros criam nanopartícula que pode levar a uma vacina contra a aids

Partículas esféricas de gordura podem carregar versões sintéticas de proteínas com maior segurança

23 de fevereiro de 2011 | 12h 56

estadão.com.br

Engenheiros do Massachusetts Institute of Technology (MIT) desenvolveram um novo tipo de nanopartícula que poderá oferecer com segurança e eficácia vacinas para doenças como o HIV e a malária. As novas partículas, descritas na edição 20 de fevereiro da revista Nature Materials, consistem de esferas de gordura concêntricas que podem carregar versões sintéticas das proteínas normalmente produzidas por vírus.

Estas partículas sintéticas provocam uma forte resposta imunológica - comparável àquela produzida por vacinas de vírus vivos - mas de forma muito mais segura, diz Darrell Irvine, autor do estudo e professor associado de ciência de materiais e de engenharia e engenharia biológica.

As novas partículas podem ajudar cientistas a desenvolver vacinas contra o câncer, bem como doenças infecciosas. Em colaboração com cientistas do Walter Reed Army Institute of Research, Irvine e seus alunos estão agora testando a capacidade das nanopartículas para produzir uma vacina experimental contra a malária em camundongos.

Vacinas protegem o corpo ao expô-lo a um agente infeccioso, geralmente uma forma morta ou inofensiva do vírus ou uma proteína sintética, que faça com que o sistema imune responda rapidamente quando encontra o mesmo patógeno. Ao desenvolverem uma vacina, os cientistas procuram provocar um dos dois agentes da imunidade no corpo humano: as células T, que atacam as células do corpo infectadas pelo patógeno; ou as células B, que secretam anticorpos contra os vírus ou bactérias.

Para as doenças em que o patógeno tende a permanecer no interior das células, tais como o HIV, uma forte resposta de um tipo de célula T conhecida como célula T "assassina" é exigida. A melhor maneira de provocar reação essas células é a utilização de vírus mortos ou incapacitados, mas que não pode ser feito com o HIV, já que é difícil tornar o vírus inofensivo.

Para contornar o perigo do uso de vírus vivos, os cientistas estão trabalhando em vacinas sintéticas para o HIV e outras infecções virais como a hepatite B. No entanto, essas vacinas, embora mais seguras, não provocam uma resposta muito forte das células T. Recentemente, cientistas têm tentado selar as vacinas em gotículas de gordura, chamadas de lipossomos, que poderiam ajudar a promover respostas de célula T ao envolver a proteína em uma partícula semelhante ao de um vírus. No entanto, estes lipossomos têm pouca estabilidade no sangue e fluidos corporais.

Irvine, que é membro do David H. Koch Institute for Integrative Cancer Research do MIT, decidiu seguir a abordagem dos lipossomos ao agregar muitas das gotas juntas em esferas concêntricas. Uma vez que os lipossomos são fundidos, paredes adjacentes de lipossomos são quimicamente "grampeados" uns aos outros, tornando a estrutura mais estável e menos propensa a quebrar-se rapidamente após a injeção. No entanto, uma vez que as nanopartículas são absorvidas por uma célula, eles degradam rapidamente, liberando a vacina e provocando uma resposta das células T.

Em testes com ratos, Irvine e seus colegas usaram as nanopartículas para portar uma proteína chamada ovalbumina, uma proteína da clara do ovo comumente utilizada em estudos de imunologia porque as ferramentas bioquímicas estão disponíveis para controlar a resposta imunológica a essa molécula. Eles descobriram que três imunizações de baixas doses da vacina produziram uma forte resposta celular T - após a imunização, até 30 por cento de todos as células T assassinas em camundongos eram específicos para a proteína da vacina.




OMS revisa segurança de vacina para gripe após casos de narcolepsia

Estudo associou casos da 'doença do sono' à vacina Pandemrix de gripe H1N1, fabricada pela GlaxoSmithKline

01 de fevereiro de 2011 | 15h 05

Efe e Reuters

HELSINQUE - A Organização Mundial de Saúde está revisando a segurança da vacina contra a gripe H1N1 Pandemrix, fabricada pela companhia farmacêutica GlaxoSmithKline, após a notificação de um estudo finlandês que sugere que crianças que receberam a imunização eram nove vezes mais propensas a contrair narcolepsia, um estranho transtorno do sono.

A narcolepsia é uma doença neurológica pouco comum que provoca alteração grave do sono, fazendo com que a pessoa durma sem motivo durante várias vezes ao dia.

O Instituto Nacional de Saúde e Bem-estar da Finlândia (THL) iniciou uma investigação em agosto para investigar a possível relação entre esta vacina e a narcolepsia, depois da detecção desta doença em 17 crianças finlandesas vacinadas com Pandemrix durante a última pandemia de gripe A H1N1.

O fenômeno levou às autoridades de saúde finlandesas a interromper o uso da vacina de forma preventiva até determinar seus possíveis efeitos colaterais.

As causas são desconhecidas, mas os cientistas consideram que é produto de uma combinação de fatores genéticos e ambientais, incluindo as infecções.

Estudo do instituto THL, entre 2009 e 2010, diagnosticou 60 casos de narcolepsia em crianças e adolescentes finlandeses com idades entre quatro e 19 anos, dos quais 52 (quase 90%) haviam recebido a vacina contra o vírus A H1N1 com Pandemrix.

"A associação observada é tão evidente que é pouco provável que outros fatores possam explicar plenamente o fenômeno", assinalaram os responsáveis do estudo em comunicado.

A maior parte dos quadros de narcolepsia aparece em crianças entre quatro e 15 anos, enquanto não detectaram nenhum caso em menores de quatro anos nem em jovens maiores de 19 anos.

"Com base nas análises preliminares, o risco de contrair narcolepsia em indivíduos entre quatro e 19 anos que foram vacinadas se multiplicou por nove, em comparação com os que não receberam a vacina", acrescentou o comunicado.

Para o instituto THL, a causa mais provável do fenômeno é o efeito conjunto da vacina com algum outro fator, por isso que nos próximos meses serão realizadas novas pesquisas de caráter epidemiológico, imunológico e genético.

Além da Finlândia, até o momento Suécia e Islândia detectaram aumento anormal de casos de narcolepsia infantil possivelmente relacionado à vacina Pandemrix, embora estejam realizando estudos adicionais em outros nove países da União Europeia.




Algumas vacinas podem proteger crianças contra câncer

Crianças de áreas onde maioria foi vacinada contra hepatite B têm 20% menos probabilidade de contrair câncer

04 de fevereiro de 2011 | 9h 55

Reuters

NOVA YORK - Crianças que receberam determinadas vacinas podem ter menos risco de desenvolver câncer na infância, especialmente um tipo de leucemia, revelou um estudo feito nos EUA. Publicado no The Journal of Pediatrics, o estudo mostra que crianças nascidas em áreas onde a maioria das crianças foi vacinada contra a hepatite B têm 20% menos probabilidade de contrair todos os tipos de câncer infantil do que as nascidas em regiões onde um número menor foi vacinado. 

 Em especial, as crianças nascidas em áreas de alta aplicação de vacina contra a pólio e séries de vacinas que incluem a hepatite B e a pólio, entre outras doenças, têm 30-40% menos risco de contrair leucemia linfoblástica aguda, um tipo que é mais comum na infância.

Michael Scheurer, da Faculdade Baylor de Medicina, de Houston, Texas, e um dos autores do estudo, avisou que, a despeito da relação aparente, que deve ficar mais clara depois de pesquisas futuras, ainda não se pode dizer "vacine seus filhos e eles não terão câncer".

Estudos anteriores mostraram resultados ambíguos. Uma teoria é que algumas infecções comuns podem elevar o risco de uma criança apresentar leucemia, devido ao efeito das infecções sobre o sistema imunológico em desenvolvimento.

As vacinas devem, teoricamente, reduzir esse risco de câncer - a não ser que a própria vacina imite muito estreitamente uma infecção natural.

Visando verificar se as crianças nascidas em regiões onde a maioria é vacinada têm mais ou menos chances de contrair câncer que nascidas em regiões com índices inferiores de vacinação, Scheurer e seus colegas usaram dados sobre todos os diagnósticos de câncer no Estado do Texas para identificar 2.800 casos de câncer infantil confirmados entre 1995 e 2006 em crianças de 2 a 17 anos.

Para cada criança que recebeu o diagnóstico de câncer, os pesquisadores encontraram quatro outras do mesmo gênero e da mesma idade que não o receberam. Então eles compararam quantas das crianças com ou sem câncer tinham nascido em condados com altos índices de vacinação.

De acordo com Scheurer, a descoberta mais importante foi o risco mais baixo de leucemia em regiões com altos índices de vacinação contra hepatite B e pólio.

Scheurer disse que o estudo aponta um benefício adicional da vacinação de rotina na infância - especialmente porque coincide com a notícia recente de que o pesquisador britânico Andrew Wakefield falsificou algumas evidências que supostamente apontavam um vínculo entre vacinas e autismo.

 

Cientistas produzem vacina que funciona contra todas as cepas da gripe

A pesquisa é inovadora porque, ao contrário dos empregados até agora, ataca diferentes partes do vírus

07 de fevereiro de 2011 | 9h 09

Efe

LONDRES - Cientistas da Universidade de Oxford, do Reino Unido, constataram a eficácia de uma vacina contra a gripe que poderia funcionar contra todas as variações do vírus. 

 
AP

A pesquisa é inovadora porque o tratamento, ao contrário dos empregados até agora, ataca diferentes partes do vírus, o que faz com que não seja necessário produzir a cada temporada novas variações da vacina.

Segundo os detalhes adiantados nesta segunda-feira, 7, pelo jornal The Guardian, a equipe dirigida pela doutora Sarah Gilbert, do Jenner Institute da Universidade de Oxford, centrou seu trabalho nas proteínas do interior do vírus da gripe - que são as mesmas em todas as cepas - e não nas da camada externa, que podem sofrer mutações.

"O problema com a gripe é que tem uma grande quantidade de variantes que mudam de maneira constante", manifestou Adrian Hill, diretor do Jenner Institute, que lembrou que quando aparece uma nova cepa à qual os seres humanos não são imunes os cientistas não conseguem produzir a tempo uma vacina eficaz.

Isto é o que ocorreu nos últimos anos com a recente pandemia de gripe A ou a anterior de gripe aviária.

As vacinas tradicionais empregadas atualmente fazem com que o organismo crie anticorpos, mas esta nova vacina dispara o número de linfócitos T ou células T, que são elementos fundamentais do sistema imunológico.

Na pesquisa, 22 voluntários foram infectados com a cepa Wisconsin do vírus da gripe H3N2, isolado desde 2005. Destes, 11 haviam tomado a vacina e outros 11 não.

O resultado foi contundente: a vacina funcionou nas 11 pessoas que a receberam e mostraram um maior nível de ativação dos linfócitos T, responsáveis por combater o vírus.

Os autores da pesquisa destacaram que uma vacina universal economizaria muito tempo e dinheiro, já que o processo de desenvolver uma vacina contra cada gripe significa, pelo menos, quatro meses de trabalho e um investimento milionário.

Além disso, se a variação da gripe for altamente patogênica - como ocorreu em 1918 com a morte de milhões de pessoas - o atraso na obtenção da vacina seria fatal.

"Se empregássemos a mesma vacina de maneira regular, seria como vacinar contra qualquer outra doença, como o tétano. Se transformaria em uma rotina. Não teríamos drásticas mudanças na demanda nem problemas de provisão", manifestou Sarah.

A equipe da doutora Sarah considera que este avanço será especialmente positivo para as pessoas mais velhas. 



Sobreviventes do H1N1 desenvolvem superanticorpos para gripe

10 de janeiro de 2011 | 15h 03

JULIE STEENHUYSEN - REUTERS

Um estudo dos anticorpos de pessoas infectadas com a gripe H1N1 é mais uma indicação de que os cientistas estão perto de uma vacina "universal" capaz de neutralizar muitas cepas de vírus da gripe, incluindo da gripe suína (H1N1) e da gripe aviária (H5N1), afirmaram pesquisadores norte-americanos nesta segunda-feira.

De acordo com os pesquisadores, as pessoas infectadas na pandemia do H1N1 desenvolveram uma resposta imune incomum, produzindo anticorpos capazes de protegê-las de todas as cepas sazonais da gripe H1N1 da última década, da cepa mortal da "gripe espanhola" de 1918 e mesmo de uma cepa da gripe aviária H5N1.

"Isso mostra que uma vacina universal para a influenza é de fato possível", disse Patrick Wilson, da Universidade de Chicago, que trabalhou no artigo publicado no Journal of Experimental Medicine.

Muitas equipes trabalham numa vacina "universal" da gripe que seria capaz de proteger as pessoas de todas as cepas de gripe durante décadas ou mesmo durante a vida inteira.

Autoridades norte-americanas afirmam que uma vacina universal da gripe eficaz terá consequências enormes para o controle da influenza, que mata entre 3.300 e 49 mil pessoas anualmente nos Estados Unidos.

A equipe de Wilson começou a produzir os anticorpos em 2009 a partir de nove pessoas infectadas na primeira onda de gripe suína antes do desenvolvimento da vacina contra o H1N1. A esperança era desenvolver uma forma de proteger os funcionários da saúde.

Trabalhando em parceria com pesquisadores da Escola de Medicina da Emory University, a equipe produziu 86 anticorpos que reagiram com o vírus H1N1 e os testou em diferentes cepas de vírus.

Desses, cinco eram capazes de interferir com muitas cepas de vírus, incluindo a da "gripe espanhola" de 1918 e a da gripe aviária H5N1.

Testes com esses anticorpos em ratos indicaram que os animais estavam totalmente protegidos de uma dose de gripe que poderia ser letal.




Vírus H1N1, da gripe suína, começa a sofrer mutação, aponta estudo

Linhagem ligeiramente nova já predomina na Austrália, na Nova Zelândia e em Cingapura

21 de outubro de 2010 | 20h 10

Reuters

WASHINGTON - O vírus H1N1, causador da gripe suína, pode estar começando a sofrer mutação, e uma linhagem ligeiramente nova já predomina na Austrália, na Nova Zelândia e em Cingapura, disseram pesquisadores nesta quinta-feira, 21.

 

Ho/Reuters

Mais estudos são necessários para dizer se a nova cepa é mais mortal que a primeira e se a atual vacina continua garantindo total proteção, afirmaram Ian Barr e colegas do Centro de Colaboração de Pesquisa e Referência sobre Influenza (ligado à Organização Mundial da Saúde) em Melbourne, na Austrália.

"No entanto, isso pode representar o início da mais dramática deriva antigênica da pandemia de gripe A, o que pode exigir uma atualização da vacina antes do esperado", escreveram os autores na publicação online Eurosurveillance. A deriva antigênica é um processo responsável pela incapacidade de o organismo humano hospedeiro criar resistência permanente contra a gripe.

É possível que essa linhagem seja mais mortal e também capaz de infectar as pessoas que já foram vacinadas, destacaram os pesquisadores. Os vírus da gripe sofrem mutação constantemente - é por isso que as pessoas precisam de uma vacina nova a cada ano. Desde que eclodiu, em março de 2009, e foi difundido globalmente, o H1N1 tem se mantido estável, com quase nenhuma alteração significativa.

Cientistas do mundo inteiro estão de olho em todas as cepas da gripe, para o caso de uma mutação perigosa emergir. Apesar de o H1N1 não ter sido muito letal, espalhou-se globalmente em algumas semanas e matou mais crianças e jovens do que uma cepa média costuma fazer.

A OMS declarou o fim da pandemia em agosto, e o H1N1 se tornou o principal vírus de gripe sazonal em circulação em quase todas as regiões do planeta, exceto na África do Sul, onde o H3N2 e a Influenza B são mais comuns. A atual vacina sazonal protege contra H3N2, H1N1 e a cepa B.

"O vírus tem mudado pouco desde que surgiu, no entanto, nesse relatório nós descrevemos várias mudanças genéticas distintas no H1N1 da pandemia", informou a equipe de Barr. "Essas variações foram inicialmente detectadas em Singapura, no início de 2010, e posteriormente se espalharam pela Austrália e pela Nova Zelândia", explicam os autores.

As alterações ainda não são significativas, segundo eles. Mas há casos de pessoas que foram vacinadas e depois infectadas, além de algumas mortes. "Essa variante do vírus tem sido associada à dose monovalente aplicada em adolescentes e adultos em 2010, assim como a um número de casos fatais de quem a variante foi isolada", escreveram.

Apesar disso, não há informações suficientes para dizer se pode haver outros fatores que tornem os pacientes mais vulneráveis, salientaram. "Resta saber se essa linhagem vai continuar a predominar no resto da temporada de gripe na Oceania e em outras partes do Hemisfério Sul e se espalhar para o Hemisfério Norte ou simplesmente desaparecer", acrescentaram.

Segundo a OMS, 18.450 pessoas em todo o mundo morreram em decorrência do vírus H1N1, incluindo muitas mulheres grávidas e jovens. Mas, segundo a organização, levará pelo menos um ano após a pandemia terminar para que seja determinado o número real de mortos, provavelmente bem maior.

A gripe sazonal mata cerca de 500 mil pessoas por ano, 90% delas idosos em situação vulnerável, de acordo com a OMS. A pandemia de 1957 matou cerca de 2 milhões e a de 1968, 1 milhão.


Fábrica de vacina contra gripe do Butantã entra em funcionamento

Inaugurada em 2007, instalação ainda não havia conseguido cumprir todas as exigências para [br]desenvolver o produto

05 de fevereiro de 2011 | 0h 00

Fernanda Bassette - O Estado de S.Paulo

A fábrica de vacina contra influenza do Instituto Butantã, em São Paulo, está finalmente funcionando - embora com pouco mais de 10% da capacidade. Isso significa que, neste ano, parte da população brasileira vai receber a vacina contra a gripe totalmente nacional. Até então, a vacina era importada e apenas envazada pelo instituto.

Anunciada em 2004 e inaugurada em 2007, a fábrica da influenza ainda não tinha conseguido cumprir todas as etapas para disponibilizar a vacina da gripe - o que provocou problemas de abastecimento na última campanha de vacinação.

O Butantã pretende entregar de 2 a 6 milhões de doses da vacina tríplice (que inclui o vírus H1N1 e mais dois que estão em circulação) para a campanha deste ano. A fábrica, no entanto, foi projetada para produzir 20 milhões de doses. E o Ministério da Saúde informou que pretende adquirir 30 milhões de doses.

O anúncio do funcionamento integral da fábrica foi feito ontem, durante a posse do novo diretor do instituto, o médico imunologista Jorge Kalil Filho. "Vacina é o ato médico mais eficaz que existe. Nesta primavera vamos começar a campanha de vacinação da gripe com doses completamente produzidas aqui."

Apesar de a fábrica ter sido oficialmente inaugurada em 2007, o superintendente-geral do Butantã, Hernan Chaimovich, diz que não houve atraso para o início da produção. "O que foi inaugurado em 2007 foi o prédio. O processo de fabricação é muito mais complexo, envolve etapas de adequação e de validação. E esse processo demorou três anos. A fábrica está em operação integral desde o fim do ano passado", afirmou.

Segundo Kalil, o maior desafio do Butantã é conseguir produzir vacinas contra doenças que não proporcionam imunidade depois que as pessoas se contaminam, como uma vacina contra o vírus HIV, por exemplo. Além disso, uma das suas prioridades será investir na produção de uma vacina eficaz contra a dengue - o que já acontece.

O instituto vai iniciar os testes de segurança contra os quatro sorotipos da dengue no segundo semestre em uma fábrica piloto. Serão selecionados cem voluntários saudáveis - que nunca tiveram dengue antes e não possuem nenhuma outra doença.

"A nossa preocupação é, no futuro, quando tivermos de estudar pessoas que já tiveram dengue, ter a certeza de que essa vacina foi capaz de desencadear uma resposta imunológica para os quatro tipos de vírus", diz Alexander Precioso, diretor de ensaios clínicos do Butantã.

De acordo com o secretário de Estado da Saúde, Giovanni Guido Cerri, a intenção é disponibilizar a vacina contra a dengue para a população brasileira em 2015.


Osso do pé encontrado na Etiópia comprova que 'Lucy' já era bípede

'Australopithecus afarensis' andavam eretos e tinham pés arqueados como o homem moderno

10 de fevereiro de 2011 | 19h 27

estadão.com.br

SÃO PAULO - Um osso do pé de um ancestral do homem moderno encontrado em Hadar, na Etiópia, sugere que esses hominídeos andavam eretos e tinham pés arqueados como nós. A descoberta, descrita na edição de sexta-feira, 11, da revista Science, apoia a hipótese de que o Australopithecus afarensis - espécie da famosa Lucy - não vivia parte de sua vida em árvores, andando essencialmente como os homens de hoje.

Os A. afarensis viveram entre 3.7 e 2.9 milhões de anos atrás e o esqueleto de Lucy, o mais completo já encontrado, revelou que ela andava ereta. Desde então, paleontólogos discutem se todos os membros dessa espécie eram bípedes ou se viviam parte de suas vidas em árvores, apresentando uma forma de locomoção intermediária entre os chimpanzés quadrúpedes e os humanos bípedes. No entanto, o entendimento sobre a questão havia sido prejudicado devido ao raro registro de fósseis contendo os ossos dos pés.

Uma equipe de cientistas da Universidade do Missouri e da Universidade Estadual do Arizona agora descreve um novo osso do pé praticamente perfeitamente preservado. O osso é um quarto metatarso, um dos ossos longos que ligam os dedos à base do pé. Ele tem diversas características similares aos ossos dos humanos modernos, ao contrário dos ossos dos primatas. Por exemplo, suas duas extremidades são torcidas uma em relação à outra e ele se inclina em um ângulo relativamente agudo em direção aos dedos.

Esse pé, assim como seu arco bem formado, seria firme o suficiente para se apoiar no solo, mas flexível o suficiente para absorver o choque das pisadas. Esse fóssil também sugere que o pé do A. afarensis já tinha se transformado completamente de estruturas adaptadas para agarrar em um estrutura adaptada para andar e correr, disseram os pesquisadores.

Humanos, diferentemente de outros primatas, têm dois arcos nos pés, um longitudinal e outro transverso, que são compostos dos ossos do meio dos pés e suspensos por músculos da sola dos pés. Durante uma caminhada, esses arcos têm duas funções importantes: ajudar a empurrar o solo e absorver o choque das pisadas.

O local 333 em Hadar, onde a descoberta foi realizada, também é conhecido como "Sítio da Primeira Família", pois é a fonte mais rica de fósseis de A. Afarensis na África, onde mais de 250 descobertas já foram realizadas, representando ao menos 17 indivíduos. O projeto Hadar é o programa de paleontologia mais antigo ainda em funcionamento no vale do Rift na Etiópia, desenvolvendo pesquisas há mais de 38 anos.




Esqueleto leva história da humanidade a 4,4 milhões de anos

Revista Science publica, em 11 artigos, descrição detalhada de fóssil hominídeo ainda mais antigo que Lucy

AP

A história da espécie humana recuou mais um milhão de anos, com cientistas aprendendo cada vez mais sobre Ardi, um hominídeo que viveu há 4,4 milhões de anos onde hoje fica a Etiópia.

A fêmea de 50 kg e 1,2 metro percorria as florestas um milhão de anos antes da famosa Lucy, estudada há décadas como o mais antigo esqueleto de um ancestral humano.

Este esqueleto, ainda mais antigo, reverte o que se pensava sobre evolução humana, disse o antropólogo C. Owen Lovejoy, da Universidade Estadual de Kent.

Em vez de o homem ter evoluído de um criatura semelhante ao chimpanzé, a nova descoberta oferece evidências de que chimpanzés e humanos evoluíram de um ancestral comum muito antigo, mas por rumos diferentes.

"Este não é o ancestral comum, mas é o mais perto dele que já chegamos", disse Tim White, diretor do Centro de Pesquisa em Evolução Humana  da Universidade da Califórnia, Berkeley.

As linhagens que levaram aos humanos modernos e ao chamados grandes macacos provavelmente tiveram um mesmo ancestral há 6 ou 7 milhões de anos, disse White.

Mas Ardi tem várias características que não aparecem em macacos africanos contemporâneos, o que leva à conclusão de que esses animais evoluíram bastante desde o último ancestral comum com a humanidade.

Em estudo de Ardi, em andamento desde que o esqueleto foi descoberto em 1994, indica que a espécie viveu nas matas e era capaz de escalar árvores usando as quatro patas, mas o desenvolvimento de braços e pernas sugere que essas criaturas não passavam muito tempo na copa das árvores.  E eram capazes de andar eretas, sobre as patas traseiras, quando estavam no chão.

Chamado anteriormente de Ardipithecus ramidus - o que significa "raiz dos macacos do chão" - o fóssil é descrito em detalhes em 11 artigos publicados pela revista Science.

"Esta é uma das descobertas mais importantes para o estudo da evolução humana", disse David Pilbeam, curador de paleontologia do Museu Peabody de Arqueologia e Etnologia de Harvard. "Está relativamente completo, já que preserva cabeça, mãos, pés e algumas partes essenciais. Representa um gênero que pode ser ancestral do australopiteco, que é o ancestral do nosso gênero, homo", disse Pilbeam, que não tomou parte nas pesquisas apresentadas na revista.

Cientistas montaram o esqueleto de Ardi a partir de 125 pedaços.

Lucy, também descoberta na África, viveu um milhão de anos depois de Ardi e pertencia ao gênero de aparência mais humana Australopithecus.

"No Ardipithecus, temos uma forma não especializada que não evoluiu muito na direção do Australopithecus. Então, quando você analisa da cabeça aos pés, você vê uma criatura-mosaico, que não é chimpanzé, nem humana. É Ardipithecus", disse White.

White destaca que Charles Darwin, cujos estudos no século 19 abriram caminho para a ciência da evolução, era cauteloso quanto ao último ancestral comum entre homem e macaco.

"O único jeito de sabermos o que era esse último ancestral comum é encontrá-lo. Bem, voltamos 4,4 milhões de anos no passado e achamos algo muito próximo a ele", disse o cientista. "E, como Darwin supunha, as linhagem humana e dos macacos têm caminhado de modo independentes desde que houve a separação, desde o último ancestral compartilhado".


Tomografia de Lucy vira pré-humanos pelo avesso

Isso pode responder a questões sobre como nossos ancestrais desceram das árvores e caminharam

06 de fevereiro de 2009 | 20h 38

REUTERS

Tomografias viraram pelo avesso os restos de Lucy, provavelmente o ser proto-humano mais famoso, e isso pode responder a questões sobre como nossos ancestrais desceram das árvores e caminharam, disseram cientistas nesta sexta-feira, 6.

A Universidade do Texas, em Austin, em parceira com o governo da Etiópia, completou a primeira tomografia computadorizada de alta resolução desse espécime ancestral dos humanos, que viveu há cerca de 3,2 milhões de anos.

"Essas tomografias que completamos na Universidade do Texas nos permitem ver a arquitetura interna - como seus ossos são construídos", disse à Reuters o professor de Antropologia John Kappelman, um dos chefes da pesquisa que examinou todas as 80 peças do esqueleto de Lucy.

Os cientistas esperam que o estudo de uma Lucy "virtual" dê pistas sobre a vida dos nossos ancestrais. Esse esqueleto foi achado em 1974 na Etiópia e é o exemplar mais bem-preservado do Australopithecus, uma espécie proto-humana.

"Isso a abre a pessoas que, em vez de terem de viajar a algum museu distante para ver o original, podem realmente resolver no computador", disse Kappelman.

O antropólogo disse que as tomografias poderiam revelar novidades sobre o encaixe dos ossos de Lucy - e portanto se ela e seus iguais subiam em árvores além de andar.

O fóssil de Lucy está visitando os EUA como parte de uma inédita exposição itinerante promovida pelo Museu de Ciências Naturais de Houston. O esqueleto, com um metro de altura, está cerca de 40% completo.

"Isso vai nos ajudar a preencher o que foi um dos primeiros estágios (...) da nossa evolução, para realmente entendermos melhor os comportamentos de um primo extinto. De certa forma é como (...) conseguir sintonizar a máquina do tempo em 3 milhões de anos atrás, ir e voltar e conseguir reconstruir o que esse fóssil estava fazendo no seu dia-a-dia", disse Kappelman.

"Ela provavelmente é agora, e acho que será por muito tempo, o fóssil mais famoso do planeta Terra", acrescentou.



Bacia larga do Homo erectus permitiu bebês inteligentes

Estudo de fóssil de 1,2 milhão de anos revelou que pelve era maior do que se pensava

14 de novembro de 2008 | 10h 51

Seres humanos mais inteligentes se desenvolveram porque seus ancestrais do sexo feminino tinham a bacia mais larga que lhes permitiu dar à luz bebês com cérebros maiores, sugeriu o estudo de um fóssil de 1,2 milhão de anos.

A reconstituição do fóssil da bacia de uma fêmea descoberta em 2001, na região de Afar, na Etiópia, levou os pesquisadores a especularem que os homens primitivos estavam mais equipados do que se imaginava para produzir bebês com cérebros maiores do que se acreditava anteriormente.

"Esta é a mais completa pelve de fêmea de Homo erectus desse período já encontrada", disse Sileshi Semaw, da Universidade de Indiana, em Bloomington, nos Estados Unidos.

"Esta descoberta nos dá informações mais precisas sobre a pelve do Homo erectus e, portanto, sobre o tamanho de seus recém-nascidos".

Modelos antigos

"Em termos de hominídeos ancestrais, tudo o que tínhamos até agora como fóssil de pelve era Lucy (de 3,2 milhões de anos e também descoberta na Etiópia), e que era muito mais antiga que os humanos modernos", afirmou Sileshi Semaw.

O estudo, divulgado na quinta feira na revista Science, comparou ainda dados que haviam sido estimados anteriormente com base em um fóssil da pelve de um jovem macho encontrado no Quênia, e que datava de 1,5 milhão de anos.

Semaw e sua equipe estabeleceram que o fóssil da bacia de 1,2 milhão de anos era 30% maior do que o cálculo feito a partir do fóssil queniano.  

BBC Brasil


Novos fósseis mudam a árvore da evolução humana

Fósseis encontrados no Quênia tiram o Homo habilis da árvore genealógica do homem moderno

08 de agosto de 2007 | 14h 27

Carlos Orsi - estadao.com.br

Duas espécies que, acreditava-se, estavam entre os ancestrais diretos do homem moderno foram, na verdade, irmãs, não mãe e filha, e uma delas - o Homo habilis - possivelmente não está na linha evolutiva que leva à humanidade atual. Essas conclusões, apresentadas na edição desta semana da revista Nature, vêm de dois fósseis descobertos em 2000 no Quênia.   Os fósseis são um pedaço de mandíbula de Homo habilis e um crânio preservado de Homo erectus, datados de 1,44 milhão e 1,55 milhão de anos atrás, respectivamente.   A descoberta mostra que as duas espécies conviveram numa mesma área por um período de vários milhares de anos, o que contradiz a hipótese de que o H. habilis teria sido ancestral do H. erectus. Assim, uma dessas duas espécies tem de deixar a linha dos ancestrais diretos do homem.   "Em princípio, tem de ser o Homo habilis" que vai embora, disse o principal autor do artigo que descreve a descoberta, Fred Spoor, do University College London. Como isso,  o Homo erectus passa a ser a mais antiga forma conhecida do gênero homo na linha direta que vai até o  Homo sapiens - a espécie humana atual.   Segundo Spoor, habilis e erectus "provavelmente vêm de um ancestral comum, ainda desconhecido", que teria vivido entre 2 milhões e 3 milhões de anos atrás. Também tomaram parte na pesquisa a equipe de mãe e filha Meave e Louise Leakey, do Koobi Fora Research Project, no Quênia.   Spoor, que continua em campo no Quênia e falou ao estadao.com.br por telefone via satélite, comparou a situação à do homem de neandertal, que até os anos 50 do século passado era citado como um ancestral do homem moderno. Desde então, descobriu-se que ele, na verdade, representava um ramo paralelo na evolução.   "As duas espécies provavelmente se evitavam", disse ele, descrevendo as condições de coexistência entre o habilis e o erectus. "Como chimpanzés e gorilas da atualidade, que ocupam territórios próximos, mas não gostam de entrar em contato".   Ele diz que as duas formas ocupavam nichos ecológicos diferentes, com dietas distintas: "O Homo erectus era mais sofisticado", com uma dieta mais variada, que possivelmente incluía carne de caça, enquanto o habilis tinha hábitos mais vegetarianos.   Se o Homo habilis desapareceu e o Homo erectus não é seu descendente, o que aconteceu com ele? "Provavelmente eram uma população pequena, que não resistiu a mudanças ambientais" e acabou extinta, diz.   DIFERENÇAS ENTRE OS SEXOS   Outro ponto considerado "surpreendente" por Spoor nos fósseis descobertos no Quênia é o tamanho, diminuto, do crânio de Homo erectus, em comparação com outros fósseis da mesma espécie.   Provavelmente o exemplar era uma fêmea, e o pequeno tamanho do fóssil sugere um forte dimorfismo sexual - isto é, uma grande diferença física entre machos e fêmeas - dentro do gênero homo, onde a característica não é comum.   "Isso geralmente está ligado a estratégias reprodutivas e com a forma como os recursos são repartidos", diz o cientista. Espécies onde os machos são muito maiores que as fêmeas "geralmente têm um macho dominante, que controla a reprodução, e machos subalternos que às vezes tentam desafiá-lo", explica.   Como essa característica, se existiu, desapareceu nos milênios entre o H. erectus e o homem moderno? "Isso depende muito das condições ambientais" em que a espécie evoluiu, diz ele. "Possivelmente, o período que o Homo erectus passou fora da África começou a reduzir esse dimorfismo". Para saber com certeza, diz Spoor, é preciso buscar mais fósseis.   O pesquisador adverte contra a tentação de se usar o dimorfismo do Homo erectus para fazer juízos de valor sobre quais tipos de relação entre os sexos seriam mais "naturais", "primitivas" ou "avançadas".   "As duas formas, com e sem macho dominante, existem entre várias espécies de macacos", explica, citando os gorilas, onde o grupo tem um macho dominante, e o bonobo, onde as relações entre os sexos são "mais igualitárias". "Um dia, fomos mais como os gorilas, hoje não somos mais", diz.



Descobertos fósseis de transição entre Lucy e o homem moderno

'Australopithecus sediba' era capaz de correr como um ser humano e tinha cérebro com forma avançada

08 de abril de 2010 | 11h 02

Carlos Orsi, do estadao.com.br

SÃO PAULO - Cientistas da África do Sul anunciam na edição desta semana da revista Science a descoberta de dois fósseis de 2 milhões de anos, preservados em uma caverna e que parecem representar uma nova espécie de hominídeo, o Australopithecus sediba. "Acredito que este é um bom candidato para a espécie de transição entre o homem-macaco da África do Sul, o Australopithecus africanus, e o Homo habilis ou o Homo erectus", disse o líder da equipe responsável pela descoberta, Lee Berger, da Universidade de Witwatersrand, em Johanesburgo.

O ser humano moderno também pertence ao gênero homo, sendo da espécie Homo sapiens. Cientistas acreditam que esse gênero evoluiu a partir os australopitecos, dos quais o fóssil mais famoso é Lucy, um exemplar da espécie Australopithecus afarensis. Alguns cientistas acreditam que o Australopithecus africanus evoluiu a partir do afarensis. A equipe de Lee sugere que o africanus, por sua vez, gerou o sediba.

Além de se encaixar na árvore da família dos australopitecos, no entanto, os novos fósseis apresentam características peculiares ao gênero homo. A escolha do nome da nova espécie, "sediba", vem de uma palavra africana para "fonte". "Consideramos apropriado para uma espécie que pode ser o ponto a partir do qual surge o gênero homo", afirma Berger.

Os fósseis são um jovem macho e uma fêmea adulta. A idade do jovem é estimada como correspondente à de um ser humano moderno de entre 10 e 13 anos, embora sua idade cronológica provavelmente fosse menor, de cerca de oito anos. Os cientistas acreditam que essa espécie amadurecia mais depressa que a humanidade atual.

A espécie tem braços longos, como um macaco, mãos pequenas e fortes, uma pélvis muito avançada e pernas compridas, capazes de caminhar e, talvez, correr como um ser humano.

"Estimamos que tivessem ambos cerca de 1,27 metro, embora a criança certamente pudesse ter crescido mais", acrescentou Berger. "O cérebro do jovem tinha de 420 a 450 centímetros cúbicos, o que é pequeno se comparado com o cérebro humano, mas a forma do cérebro parece mais avançada que a dos australopitecinos".

Os esqueletos foram encontrados em meio aos esqueletos articulados de um felino com dentes-de-sabre, antílope, camundongos e coelhos. Eles estavam preservados em uma substância rígida, semelhante ao concreto, um sedimento que se formou no fundo do que parece ter sido um lago raso subterrâneo.




Dentes achados em Israel despertam dúvidas sobre a origem do homem

Antropólogos acreditam que descoberta pode significar mudanças na origem do homem moderno

10 de fevereiro de 2011 | 18h 35

estadão.com.br

SÃO PAULO - Oito pequenos dentes encontrados em uma caverna perto de Rosh Haain, no centro de Israel, estão levantando questionamentos sobre a origem dos seres humanos, diz o antropólogo Rolf Quam, da Universidade de Binghamton, nos Estados Unidos. Junto com ele, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Tel Aviv vem investigando a descoberta, publicada no American Journal of Physical Anthropology.

Escavados na caverna de Qesem, um sítio pré-histórico descoberto em 2000, os dentes têm formato e tamanho muito semelhantes aos do homem moderno, o Homo sapiens, que também foram encontrados em outros sítios de Israel - o novo achado, porém, revela restos muito mais antigos do que todos os outros já encontrados.

Os dentes encontrados são de um período entre 200 mil e 400 mil anos atrás. Segundo os pesquisadores, vestígios humanos dessa época são bastante escassos. "Temos ainda muitos dos neandertais e Homo sapiens a partir de tempos mais recentes, cerca de 60 a 150 mil anos atrás, mas os fósseis de períodos anteriores são raros", disse Rolf Quam. Para o antropólogo, os dentes podem fornecer informações sobre quem foram os ocupantes da região e as relações evolutivas que se estabeleceu com fósseis posteriores.

África. Atualmente, os antropólogos acreditam que os humanos modernos e neandertais compartilham um ancestral comum que viveu na África mais de 700.000 anos atrás. Alguns dos descendentes desse ancestral comum teriam migrado para a Europa e se desenvolvido para neandertais. Outro grupo permaneceu na África e evoluiu para o Homo sapiens, que posteriormente migrou para fora do continente. Se os restos de Qesem estiverem ligado diretamente à espécie Homo sapiens, isso poderia significar que o homem moderno se originou no que hoje é Israel ou pode ter migrado da África muito antes do que é reconhecido hoje em dia.




Possível nova ancestral humana é encontrada em caverna na Sibéria

Criatura poderia ter vivido há meros 30 mil anos e teria parentesco com os humanos modernos

25 de março de 2010 | 9h 15

Reuters

Equipe de arqueologistas na caverna onde foi encontrada parte do fóssil da 'Mulher X'      

WASHINGTON - Material genético retirado de um osso de dedo mindinho achado em uma caverna siberiana mostra que um tipo de pré-humano até agora desconhecido viveu junto com humanos modernos e Neandertais, relataram cientistas na quarta-feira, 24. A criatura, apelidada por enquanto de "Mulher X", poderia ter vivido há meros 30 mil anos, e aparentemente guarda parentesco apenas remoto com os humanos modernos e os Neandertais, segundo os pesquisadores.

"Realmente pareceu algo que nunca vimos antes", disse por telefone Johannes Krause, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, na Alemanha. "Era uma sequência (de DNA) que parecia como a de humanos, mas realmente bem diferente."

Em artigo na revista Nature, Krause e seus colegas disseram que conseguiram sequenciar o DNA da mitocôndria, parte da célula que é transmitida praticamente intacta de mãe para filha. Eles compararam ao DNA de humanos, Neandertais e macacos.

A sequência indica que esse hominídeo divergiu há cerca de 1 milhão de anos da linhagem que deu origem a humanos e Neandertais, a qual por sua vez se dividiu há cerca de 500 mil anos. Dessa forma, a "Mulher X" é mais jovem que o "Homo erectus", pré-humano que deixou a África para colonizar boa parte do mundo há cerca de 1,9 milhão de anos. "É alguma nova criatura que não estava no nosso radar até agora", disse Svaante Paabo, colega de Krause e especialista em análise de DNA antigo.

Além disso, esse humanídeo teria vivido perto de humanos modernos e de Neandertais. "Havia pelo menos três... diferentes formas de humanos nesta área há 40 mil anos", disse Paabo.

Os dois pesquisadores tiveram o cuidado de ainda não conferir um novo nome à espécie. Eles estão trabalhando para sequenciar o DNA nuclear -- aquele que compõe a maior parte do código genético, e que poderá nos contar mais sobre a "Mulher X".

O sequenciamento genético pouco revela aos cientistas sobre a aparência da criatura ou sua interação com outros humanos que viviam nas montanhas Altai, na Sibéria, onde o dedo mindinho foi achado.

Os cientistas ainda esperam encontrar mais ossos, que permitam eventualmente reconstituir o esqueleto desses hominídeos. As condições secas e frias dos montes Altai preservam o DNA.

Paabo e Krause disseram que teoricamente é possível que a criatura esteja relacionada a outra possível terceira espécie humana -- o "Homo floresiensis", apelidado de "hobbit, que viveu em uma ilha da atual Indonésia há cerca de 17 mil anos.

A equipe tentou sem sucesso obter DNA de ossos dos "hobbits". A maior parte dos esqueletos de pré-humanos foi achada em lugares quentes e úmidos, como a África, que não são propícios à preservação do material genético.



Cão é capaz de farejar câncer de intestino, indica pesquisa

Estudo de faro canino pode levar ao desenvolvimento de sensores para detectar doença

01 de fevereiro de 2011 | 7h 57

Um cão labrador conseguiu detectar um câncer de intestino pelo cheiro do hálito e de amostras de fezes em uma pesquisa realizada no Japão. Bighunterman77/DivulgaçãoDetecção de câncer de intestino em estágio inicial é difícil, cães podem ajudar

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O estudo, publicado pela revista especializada Gut, indicou que o animal foi capaz de identificar a doença mesmo em suas fases iniciais.

Outras pesquisas já haviam sugerido anteriormente que os cães são capazes de farejar câncer de pele, de bexiga, de pulmão, de ovários e de mama.

Acredita-se que a biologia do tumor inclui um cheiro distinto, e uma série de estudos já usou cachorros para tentar detectá-los.

Os pesquisadores da Universidade Kyushu, no Japão, dizem que seria difícil e custoso usar cachorros em testes de rotina para detectar câncer, mas que o estudo poderia levar ao desenvolvimento de sensores eletrônicos no futuro.

Amostras

Para pesquisador, uso de cães para testes em larga escala é inviável

Na pesquisa, o labrador Marine, de oito anos, foi apresentado a cinco amostras, uma das quais era de um paciente com câncer e quatro de pessoas saudáveis.

Nos testes com amostras de hálito o animal detectou a amostra com câncer em 33 de 36 vezes. Com as amostras de fezes, o cachorro acertou 37 das 38 vezes.

Mesmo o câncer de intestino em estágio inicial foi detectado, o que é conhecidamente difícil.

Segundo alguns estudos, os testes mais comuns para detectar câncer de intestino, que tentam identificar pequenas quantidades de sangue nas fezes, revelam apenas um em cada dez casos em estágio inicial.

"Pode ser difícil introduzir o julgamento do faro canino na prática clínica por conta do custo e do tempo necessário para o treinamento do cão. A habilidade do faro pode variar entre os cães e também no mesmo cão em dias diferentes", afirma o coordenador do estudo, Hideto Sonoda.

Nariz eletrônico

Algumas pesquisas anteriores já indicaram o potencial de um "nariz canino eletrônico" para a realização de testes para identificar o câncer pelo cheiro.

"O cheiro específico do câncer existe, mas os componentes químicos (que provocam o odor característico) não estão claros. Somente o cachorro conhece a resposta", disse Sonoda à BBC.

"Por isso é necessário identificar os compostos orgânicos voláteis específicos detectados pelos cães para desenvolver um sensor precoce de câncer", afirmou.

Segundo ele, porém, o desenvolvimento de um sensor do tipo ainda vai exigir tempo e novas pesquisas.

BBC Brasil



Compartilhamos 99.4% dos genes com eles

Mairesse


Estudo holandês analisa como chimpanzés reagem à morte dos filhotes

Após carregar corpo por mais de um dia, fêmea colocou os dedos contra o pescoço do bebê

31 de janeiro de 2011 | 15h 25

estadão.com.br

SÃO PAULO - Pela primeira vez, pesquisadores do Instituto Max Planck de Psicolinguística, na Holanda, relatam em detalhes como uma mãe chimpanzé reage à morte de seu bebê. O animal apresenta comportamentos que não são normalmente vistos com os filhotes vivos, como colocar os dedos contra o pescoço deles e deitar o corpo no chão para vê-los a distância.



Hélvio Romero/AE

Resultados estão na American Journal of Primatology

Veja também: 

Chimpanzés percebem a morte como humanos, indica pesquisa 

Vídeo da New Scientist: Animal carrega corpo 

As observações da pesquisadora Katherine Cronin e de sua equipe fornecem uma visão única sobre como os chimpanzés, um dos primatas mais próximos dos seres humanos, aprendem sobre a morte. Os resultados do estudo estão na edição online desta semana da revista American Journal of Primatology.

Os cientistas conduziram o trabalho no abrigo para animais Chimfunshi Wildlife Trust, na Zâmbia, África, onde chimpanzés selvagens resgatados do comércio ilegal vivem no maior grupo social em ambiente fechado do mundo. A dra. Katherine e Edwin Van Leeuwen, do Max Planck, colaboraram com Innocent Mulenga, do Chimfunshi, e com o dr. Mark Bodamer, professor de psicologia na Universidade de Gonzaga, no Estado de Washington (EUA).

Estreita relação

Mães chimpanzés normalmente mantêm estreito contato por vários anos com seus filhotes, carregando-os quase que continuamente por 2 anos e os amamentando até os 4 ou 6 anos de idade. O forte vínculo entre mãe e filho continua por vários anos após o desmame, e é um dos relacionamentos mais importantes na vida desse primata.

Morte prematura

Katherine e os colegas avaliaram o comportamento que um chimpanzé fêmea expressou em relação a seu bebê de 16 meses que havia morrido recentemente. Após carregar o corpo do filhote por mais de um dia, a mãe colocou-o no chão, em uma clareira, aproximou-se várias vezes dele e estendeu os dedos contra o rosto e o pescoço dele por vários segundos.A fêmea ficou perto do corpo por quase uma hora, em seguida levou-o a um grupo de chimpanzés e os viu examinarem o animalzinho. No dia seguinte, a mãe já não carregava mais o filho morto.

Quase nada se sabe sobre como os primatas reagem à morte de indivíduos próximos, o que eles entendem sobre a morte ou se choram. Os pesquisadores acreditam ter presenciado um período único de transição em que a mãe aprende sobre a morte do filho, processo nunca antes relatado em detalhes. Mas eles se abstêm de interpretação, enquanto fornecem vídeos aos telespectadores para permitir que eles julguem por si mesmos o que os chimpanzés entendem sobre a morte.

"Os vídeos são extremamente valiosos, porque nos forçam a parar e pensar sobre o que pode estar acontecendo na mente de outros primatas", diz a pesquisadora. "Se um espectador decide finalmente que o chimpanzé está de luto, ou simplesmente curioso sobre o corpo, não é tão importante quanto parar um momento para considerar essas possibilidades", afirma.

Vínculo mãe-bebê

Estudos anteriores documentaram mães chimpanzés carregando seus filhotes mortos durante dias ou semanas, demonstrando que o rompimento do vínculo mãe-bebê é incrivelmente difícil para eles. A atual pesquisa complementa essas observações e lança uma nova luz sobre como esses animais podem aprender sobre a morte.

"Nossas informações contribuem para um pequeno, mas crescente banco de dados sobre como primatas não humanos reagem à morte. Esperamos que essas descobertas continuem se acumulando e, eventualmente, permitam que os cientistas façam uma análise abrangente sobre a extensão do entendimento de primatas não humanos sobre a morte, e como eles respondem a isso", destaca Katherine.

Semelhanças com humanos

"O abrigo Chimfunshi fornece uma incrível oportunidade de observar o comportamento de chimpanzés que vivem em grandes grupos sociais multietários e em condições naturalistas, o olhar mais próximo possível da vida selvagem", diz Bodamer. "Era apenas uma questão de tempo e de condições adequadas que a resposta dos chimpanzés à morte fosse gravada e submetida a uma análise para revelar notáveis semelhanças com os seres humanos", completa.

Chimpanzés percebem a morte como humanos, indica pesquisa

Animais acariciam companheira moribunda e buscam sinais de vida; filha passa a noite com o corpo

27 de abril de 2010 | 14h 31

Associated Press

Uma rara gravação em vídeo feita numa reserva de vida silvestre mostra que os chimpanzés reagem à morte de um membro do grupo da mesma forma que seres humanos quando o morto é um parente próximo, anunciaram cientistas na segunda-feira.

Vídeos do experimento (do site da Current Biology):

Movie S1 (MOV 8336 kb)

Movie S2 (MOV 5123 kb)

 

Vídeos de um grupo de quatro chimpanzés no Parque de safári e Aventura Blair Drummond, na Escócia, mostram três chimpanzés acariciando e penteando outro, uma fêmea moribunda, mais do que seria normal, disse o professor de psicologia James Anderson, da Universidade de Stirling.

O vídeo também mostra que os três chimpanzés testaram a fêmea, Pansy, em busca de sinais de vida após o momento da morte, disse Anderson. A filha de Pansy ficou junto ao corpo da mãe durante toda a noite, e todos os chimpanzés se mostraram abatidos nos dias seguintes.

"Esta é a primeira vez, até onde sabemos, que pessoas conseguiram registrar em vídeo o momento exato em que um chimpanzé adulto morre em meio ao grupo a que pertence", disse Anderson, coautor do estudo sobre o caso, publicado na edição desta terça da revista Current Biology.

Pesquisadores nunca haviam sido capazes de observar a reação dos chimpanzés à morte na natureza porque o animal moribundo normalmente se isola e busca um esconderijo, disse Anderson. E, em zoológicos, animais doentes são segregados e submetidos a eutanásia.

No caso escocês, os funcionários do parque previram a morte e registraram o comportamento do grupo com câmeras de vídeo montadas sobre as plataformas onde vivem os animais.

Os três chimpanzés sobreviventes - que conviveram com Pansy por mais de 20 anos - reuniram-se ao redor dela e a acariciaram por dez minutos antes da morte. Quando ela morreu, inspecionaram sua boca e levantaram a cabeça e os ombros do corpo, para tentar sacudi-la de volta à vida.

os animais pararam de alisar os pelos de Patsy e se afastaram dela depois de confirmar a morte, mas a filha voltou e fez um ninho junto à mãe, onde se deitou para passar a noite.

"Creio que este vídeo mostra que os chimpanzés tinham consciência de que algo estranho havia ocorrido, mas outra pesquisa terá de ser realizada para determinar o quanto eles entendiam do que estava  acontecendo", disse   Alasdair Gillies, principal zelador do parque e outro coautor do estudo. "Estamos apenas abrindo o debate".

Os pesquisadores acreditam que o estudo sugere que os chimpanzés - cujo senso de empatia é conhecido - são mais semelhantes aos seres humanos do que se imaginava. "Temos o cuidado de evitar o antropomorfismo, mas ficou muito difícil não notar que algumas dessas coisas são extremamente parecidas com as reações humanas a indivíduos moribundos", disse Anderson.

Tudo isto, logo abaixo,  seria impossivel se os falsos ambientalistas fossem vitoriosos.
No Brasil, diversas ONGs ambientalistas nacionais, recebem (a WWF já parou de financiar) fianciamento de ONGs internacionais (comandadas por famílias reais) com a finalidade de defender os interesses dos grandes grupos internacionais de países do Primeiro Mundo, para atrasar pesquisas científicas no Terceiro Mundo, que poderiam ser instrumentos de desenvolvimento e colocar o Brasil, por exemplo, na lista dos mais avançados.
A chamada Política do Apartheid Tecnológico, instituicionalizada (ja existia antes) na Holanda em 1994, tem como objetivo principal impedir que os países subdesenvolvidos desenvolvam tecnologias ditas estratégicas, para evitar que venham a competir no cenário internacional. Então, muitas vezes, a interferência, por exemplo, na pesquisa em energia nuclear, tem como argumento a questão da segurança internacional, mas o objetivo é outro muito diferente.
Então, campanha contra pesquisas científicas, infelizmente contam com agentes nacionais, que são financiados; além, é claro, para não fazer injustiça, das pessoas e pequenas ONGs de boa-fé, mas geralmente, leigos nos assuntos que tratam; e, portanto, facilmente enganados.

PELA CPI DAS ONGs AMBIENTALISTAS
Quem tem medo da verdade?

Abraços
Mairesse

 

Descobertas mostram como o genoma de bactérias e micróbios evolui

Processo é feito principalmente pela aquisição de cromossomos de outros indivíduos

28 de janeiro de 2011 | 13h 30

estadão.com.br

SÃO PAULO - Cientistas do Instituto Pasteur, na França, e da Universidade de Maryland, nos EUA, revelam como bactérias e micróbios do reino Archaea evoluíram seu repertório de genes para enfrentar novos desafios, principalmente por meio da aquisição de cromossomos de outros indivíduos.

O estudo, publicado na revista de acesso livre PLoS Genetics na última quinta-feira, 27, esclarece o papel da duplicação de genes, uma importante fonte de inovações em bactérias e organismos pluricelulares.

Os micróbios vivem e prosperam em condições extremamente diversas e difíceis, desde água fervente ou gelada até o sistema imunológico humano. Essa notável adaptabilidade é resultado de sua capacidade de modificar rapidamente o repertório de funções de proteínas, ao ganhar, perder ou alterar genes.

Esses organismos são conhecidos por mudar genes para expandir seu repertório de famílias de proteínas sob duas formas: por meio de processos de duplicação seguidos de especialização funcional lenta - da mesma forma como fazem grandes organismos pluricelulares, como os humanos - e por meio da aquisição de diferentes genes diretamente de outros micróbios.

O último método, conhecido como transferência horizontal de genes (HGT), é notoriamente visível na disseminação de resistência de bactérias a antibióticos, transformando-as em "superbactérias", como a Staphylococcus aureus resistente a meticilina (MRSA, na sigla em inglês), um grave problema de saúde pública.

Os pesquisadores examinaram um grande banco de dados de genomas microbianos, incluindo alguns dos patógenos humanos mais virulentos, para descobrir se a duplicação ou a HGT foi o método mais comum de expansão. Eles mostram que o crescimento da família de genes pode seguir as duas vias citadas, mas, ao contrário de grandes organismos pluricelulares, os micróbios preferem a transferência horizontal. Assim, a diversificação rápida das funções resulta do recrutamento de adaptações pré-existentes em outros desses seres unicelulares.

O trabalho termina a observação de que, uma vez que esses organismos criaram a maior parte das formas bioquímicas de vida - da respiração à fotossíntese -, é preciso reconhecer o papel preponderante da HGT na diversificação de todas as famílias de proteínas.




Homem moderno deixou a África 65 mil anos antes do que se pensava

Cientistas descobriram ferramentas de pedra com 100 mil a 125 mil anos na Península Arábica

27 de janeiro de 2011 | 18h 10

Reuters

FRANKFURT - O Homo sapiens deixou a África em direção à Arábia cerca de 65 mil anos antes do que se pensava, e esse êxodo foi motivado por fatores ambientais em vez de tecnologia, disseram cientistas nesta quinta-feira, 27. Estudo será publicado na edição desta semana da Science

Os resultados do estudo, que será publicado na edição desta semana da revista Science, sugerem que os migrantes seguiram uma rota direta da África para a Península Arábica, e não viajaram pelo vale do Nilo ou Oriente Médio, como indicavam trabalhos anteriores.

Uma equipe internacional de pesquisadores avaliou um conjunto de ferramentas antigas que incluía machados, perfuradores e raspadores encontrados no sítio arqueológico de Jebel Faya, nos Emirados Árabes Unidos.

"Nossos achados devem estimular uma reavaliação dos meios pelos quais nós, seres humanos modernos, nos tornamos uma espécie global", afirmou Simon Armitage, da Universidade de Londres, que participou do estudo.

Usando datação por luminescência - técnica que determina quando partículas minerais foram expostas à luz solar pela última vez -, os cientistas descobriram que as ferramentas de pedra têm entre 100 mil e 125 mil anos de idade.

Embora a data exata de saída da África do homem moderno tenha sido assunto de muitos debates, evidências anteriores apontam que o êxodo ocorreu ao longo da costa do Mar Mediterrâneo ou Arábico há cerca de 60 mil anos.

Hans-Peter Uerpmann, da Universidade Eberhard Karls em Tübingen, Alemanha, que liderou a pesquisa, explicou que a perícia descartou a possibilidade de as ferramentas terem sido feitas no Oriente Médio.

Segundo ele, esses instrumentos lembram os fabricados por seres humanos primitivos da África Oriental, sinalizando que "nenhuma realização cultural específica demandou que as pessoas deixassem a África".

O trabalho mostra que fatores ambientais, como o nível do mar, eram mais importantes que as inovações tecnológicas para incentivar a migração. Os autores analisaram o nível do mar e registros de mudanças climáticas preservados na paisagem desde o último período interglacial - há cerca de 130 mil anos - para delimitar quando os humanos cruzaram a Arábia.

Eles descobriram que o Estreito Bab-el-Mandeb, entre a Arábia e a África, teria se tornado mais estreito naquele momento, como os níveis do mar mais baixos, proporcionando uma rota segura para fora da África, tanto antes quanto no início desse período interglacial.

Uerpmann disse que o estreito pode ter sido transitável na maré baixa, o que torna provável que os humanos modernos caminhassem por ele ou viajassem em balsas ou barcos.

Anteriormente, pensava-se que os desertos da Península Arábica teriam impedido um êxodo da África, mas o novo estudo sugere que a região se tornou mais úmida durante o período interglacial, com mais lagos, rios e vegetação, facilitando a sobrevivência do homem nessa travessia.




Nova terapia genética anti-HIV torna células T resistentes à infecção

Processo foi desenvolvido por equipe de pesquisadores do Japão, da Coreia do Sul e dos EUA

27 de janeiro de 2011 | 22h 44

estadão.com.br

SÃO PAULO - Uma estratégia inovadora da genética para tornar as células T (glóbulos brancos do sangue responsáveis pela imunidade) resistentes à infecção pelo vírus HIV, sem afetar seu crescimento e sua atividade normais, é descrita em um artigo publicado na revista Human Gene Therapy, disponível gratuitamente na internet.

Uma equipe de pesquisadores do Japão, da Coreia do Sul e dos EUA desenvolveu uma terapia genética em que um gene bacteriano chamado MazF é transferido para as células CD4+T. A proteína MazF é uma enzima que destrói transcrições do gene, impedindo a síntese proteica. O design desse método garante que a síntese da MazF seja provocada por infecção pelo HIV. Quando o vírus infecta os linfócitos T, a MazF é induzida, bloqueando a replicação do HIV e, essencialmente, tornando as células T resistentes.

Essa ferramenta terapêutica foi desenvolvida pelo pesquisador Hideto Chono e por colegas da empresa japonesa de biomedicinaTakara Bio Inc., do Instituto Nacional de Inovação Biomédica do Japão, da Universidade Nacional de Seul e da companhia sul-coreana ViroMed Co., e da Escola de Medicina Robert Wood Johnson, nos EUA.

"O potencial de utilização de vetores para expressar genes dentro de uma célula a fim de bloquear a infecção viral foi considerado por David Baltimore em uma estratégia chamada de imunização intracelular. Esse estudo ilustra uma maneira única em que a imunização pode ser alcançada", afirma o PhD James Wilson, diretor do Programa de Terapia Genética do Departamento de Patologia e Medicina Laboratorial da Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia.


Pesquisador de Taiwan mistura ouro a planta para produzir luz

Cientistas apostam que, no futuro, vegetais possam substituir iluminação de rua com energia limpa

28 de janeiro de 2011 | 16h 10

Reuters


  O cientista Su Yen-Hsun, do Centro de Pesquisa em Ciência Aplicada de Taiwan, divulgou nesta sexta-feira, 28, o resultado de uma experiência que mistura nanopartículas de ouro e água a plantas.

De acordo com o estudo, as substâncias fazem com que as plantas produzam clorofila e emitam luz pelas folhas. 

No futuro, os pesquisadores apostam que os vegetais possam substituir as iluminações de rua por meio desse tipo de energia limpa.



Genoma do orangotango tem 97% de coincidências com o homem, diz estudo

Os 3% representam 90 milhões de variantes; animal e homem tiveram ancestral comum

26 de janeiro de 2011 | 22h 51

Efe

MADRI - Um consórcio internacional de pesquisa sequenciou o genoma do orangotango e identificou 97% de coincidências genéticas com o ser humano, segundo publicou esta semana a revista Nature.



Monkey World/Divulgação

Pesquisa é publicada esta semana na revista Nature

Cientistas do Instituto de Biologia Evolutiva de Barcelona (UPF-CSIC) e do Instituto de Oncologia da Universidade de Oviedo colaboraram nesse trabalho, dirigido pelo cientista Devin Locke, da Universidade de Washington em Saint Louis (EUA) e fruto da colaboração de mais de 30 laboratórios de sete países.

Os pesquisadores identificaram mais de 3 milhões de pares de bases que constituem o genoma do orangotango, animal com o qual o homem compartilhou um antepassado comum há mais de 12 milhões de anos.

Apesar das grandes coincidências genéticas dos humanos com o orangotango, "nós não somos tão parecidos com a espécie como se pensava há alguns anos", explicou Arcadi Navarro, coordenador do estudo apresentado pelos pesquisadores da Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, onde ensina genética.

O cientista, que é também professor do UPF-CSIC, acrescentou que "graças às técnicas modernas foram detectadas diferenças muito importantes em certos fragmentos do genoma, e isso nos faz muito diferentes".

Esses 3% de diferenças nas zonas comuns do genoma representam cerca de 90 milhões de variantes não comuns. "Só nesses fragmentos não compartilhados poderia haver até dezenas de genes que nós temos, mas os orangotangos não, e vice-versa".

Segundo os cientistas, com a sequenciação do genoma do orangotango, ampliou-se o conhecimento genômico dos primatas vivos, entre eles o homem e o chimpanzé. Por outro lado, também já foram sequenciados os genomas dos extintos Homo neanderthalensis e Denisova hominin.

Os dados obtidos sobre o orangotango apresentam pistas para entender a evolução dos hominídeos e o processo até a aparição do Homo sapiens sapiens. Além disso, a pesquisa oferece informação sobre os mecanismos das reorganizações cromossômicas de doenças como o câncer.


Células-tronco transformam ratos machucados em 'super-heróis', diz estudo

Transplante causou crescimento de 170% nos músculos dos receptores, e ganho se manteve por toda a vida

10 de novembro de 2010 | 18h 05

REUTERS - REUTERS

A injeção de células-tronco em camundongos machucados fez com que seus músculos atingissem o dobro do tamanho original em questão de poucos dias, criando roedores poderosos com músculos grandes e fortes que duraram o resto de suas vidas, informam pesquisadores americanos.

Se o mesmo valer para seres humanos, a descoberta poderá levar a tratamentos para doenças que causam deterioração muscular, como  distrofia.

Ela poderá até mesmo ajudar as pessoas a combater a erosão natural dos músculos que vem com o envelhecimento, disseram os autores do estudo, em artigo publicado na revista Science Translational Medicine.

"Este foi um resultado muito interessante e inesperado", disse um dos autores, Bradley Olwin, da Universidade  do Colorado em Boulder.

"Descobrimos que células-tronco transplantadas são alteradas de modo permanente e reduzem o envelhecimento do músculo transplantado, mantendo força e massa".

A equipe de Olwin fez o experimento em camundongos jovens com ferimentos nas pernas, injetando neles células-tronco musculares extraídas de camundongos doadores.

Células-tronco têm a propriedade de renovar-se constantemente, formando outras células especializadas.

Essas células não apenas repararam os ferimentos, como fizeram o músculo tratado crescer 170%.

os cientistas acharam que a mudança seria temporária, mas ela durou por toda a vida dos animais, de cerca de dois anos.

"Quando os músculos foram examinados dois anos depois, descobrimos que o procedimento havia mudado de forma permanente as células transplantadas, tornando-as resistentes ao processo de envelhecimento do músculo", disse ele.

Olwin e colegas disseram que a injeção das células em músculos saudáveis não gerou o mesmo efeito, o que sugere que há algo importante na associação das células-tronco com o ferimento que desencadeia o crescimento.

As descobertas encorajam estudos em humanos, mas Olwin lembra que o resultado espetacular foi obtido em camundongos, não em pessoas.

 

Encontradas bolhas gigantes de radiação no centro da Via-Láctea

As emissões da bolha são muito mais energéticas do que emissões de raios gama de outras partes da galáxia

09 de novembro de 2010 | 18h 32

estadão.com.br - estadão.com.br

O Telescópio de Raios Gama Fermi, da Nasa, revelou uma estrutura até então desconhecida, centrada na Via-Láctea. Essa característica se expande por 50.000 anos-luz e pode ser o vestígio de uma erupção do buraco negro gigante do centro da galáxia.

"O que vemos são duas bolhas emissoras de raios gama que se estendem por 25.000 anos-luz para o norte e para o sul do centro galáctico", disse Doug Finkbeiner, astrônomo do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, por meio de nota. "Ainda não entendemos completamente sua natureza e origem".

A estrutura abarca mais da metade do céu visível, da constelação de Virgem à de Grus, e pode ter milhões de anos. Um artigo a respeito da descoberta aparece no Astrophysical Journal.

Finkbeiner e sua equipe descobriram as bolhas ao processar dados disponibilizados ao público pelo Telescópio de Grande Área (LAT) do Fermi.

Cientistas agora estão  realizando mais análises para entender melhor a formação da estrutura.

As emissões da bolha são muito mais energéticas do que emissões de raios gama de outras partes da galáxia. E as duas partes da bolha parecem ter bordas bem definidas. Isso tudo sugere que ela se formou numa liberação enorme e relativamente veloz de energia, cuja causa permanece um mistério.

Uma possibilidade inclui o jato de partículas de um buraco negro supermassivo no centro galáctico. Em muitas outras galáxias, astrônomos observam jatos acelerados de partículas, alimentados pela queda de material nos buracos negros centrais.

Embora não haja sinal de que o buraco negro da Via-Láctea tenha jatos assim, ele pode ter produzido algo semelhante no passado.

A bolha também pode ter se formado como resultado do fluxo de gás de uma grande onda de formação de estrelas, talvez a mesma que gerou muitos aglomerados no centro da Via-Láctea, há milhões de anos.

Nova descoberta sugere que Via Láctea pode ter bilhões de planetas habitáveis

Gliese 581g tem tamanho, gravidade e temperatura compatíveis com a vida, dizem descobridores

29 de setembro de 2010 | 18h 05

Carlos Orsi - estadão.com.br

Astrônomos descobriram um planeta de tamanho próximo ao da Terra orbitando dentro da chamada "zona habitável" de uma estrela. Trata-se do segundo planeta encontrado na zona habitável de Gliese 581. Segundo os autores, a descoberta abre a possibilidade de haver dezenas de bilhões de mundos potencialmente habitáveis na galáxia.

A zona habitável é definida como a distância da estrela onde a energia que atinge o planeta é suficiente para manter água em estado líquido, na superfície ou logo abaixo do solo.

O planeta é um de dois novos astros encontrados em órbita da estrela Gliese 581, a 20 anos-luz da Terra. Chamado Gliese 581g, o planeta tem um período orbital de 36,6 dias, uma massa que pode estar entre 3,1 vezes e 4,3 vezes a massa da Terra e um raio até 50% maior que o terrestre, diz, por meio de nota, um dos autores da descoberta, Paul Butler, da Pesquisa de Exoplanetas Lick-Carnegie. A gravidade na superfície deve ser de menos que o dobro da terrestre.

O planeta fica bem perto de sua estrela - a distância que o separa dela é apenas 14% da que separa a Terra do Sol -, mas como Gliese 581 é muito mais fraca que o Sol, tem uma zona habitável que começa e termina a uma distância muito menor de sua superfície.

Os autores da descoberta, descrita no Astrophysical Journal, especulam que o planeta pode ter uma face permanentemente voltada para sua estrela. Trata-se do mesmo fenômeno que ocorre na Lua, que apresenta sempre o mesmo lado para a Terra. Se esse for o caso, Gliese 581g teria um lado extremamente quente e o outro, completamente congelado, com uma faixa potencialmente habitável na linha que separa os hemisférios quente e frio.

Gliese 581g não é o primeiro planeta encontrado dentro da zona habitável dessa estrela: outro mundo, Gliese 581d, descoberto em 2007, tem a maior parte de sua órbita dentro dessa região do espaço. No entanto, Gl 581d tem sete vezes a massa terrestre, o equivalente a metade da massa do planeta gigante Urano.

A despeito disso, no ano passado a revista australiana Cosmos coletou mensagens para serem enviadas ao espaço na direção desse planeta, na esperança de que seres vivos de lá, caso existam, sejam inteligentes e possam reconhecer o sinal da Terra.

A estrela também abriga um dos planetas extrassolares de menor massa, Gliese 581e, com 90% mais massa que a Terra. Mas Gl 581e fica muito perto do astro - a distância que o separa da estrela é de apenas 3% da que existe entre a Terra e o Sol.

Com os dois novos planetas encontrados, a estrela agora passa a ter seis mundos conhecidos. De acordo com a nota dos autores da descoberta, o sistema da estrela Gliese 581 sugere que a proporção de estrelas da Via Láctea com planetas potencialmente habitáveis pode ser maior do que se pensava, chegando a algumas dezenas de 1%.

Pode parecer pouco, mas o total de estrelas da galáxia é estimado como algo entre 200 bilhões e 400 bilhões - se 20% delas tiverem pelo menos um planeta habitável, haveria de 40 bilhões a 80 bilhões de mundos onde a vida poderia florescer.

Até hoje, foram descobertos cerca de 490 planetas localizados fora do Sistema Solar.




Descoberta de planeta habitável é iminente, dizem astrônomos

Dentro de quatro ou cinco anos, estimam especialistas, um planeta capaz de abrigar vida deve ser encontrado

08 de janeiro de 2010 | 14h 17

Associated Press

Astrônomos afirmam que estão à beira de encontrar planetas semelhantes à Terra em órbita de outras estrelas, um passo essencial para determinar se estamos sozinhos no Universo.

Um alto funcionário da Nasa e outros importantes cientistas dizem que, dentro de quatro ou cinco anos, o primeiro planeta semelhante à Terra e capaz de abrigar vida deve ser encontrado, ou talvez até já tenha sido. Um planeta com o tamanho aproximado da Terra pode até mesmo ser anunciado ainda este ano, se certas pistas detectadas por um telescópio espacial se confirmarem.

Na reunião anual da Associação de Astronomia dos Estados Unidos, cada uma das descobertas a respeito de "exoplanetas" - os localizados fora do Sistema Solar - aponta para a mesma conclusão: planetas onde a vida pode surgir provavelmente abundam, a despeito da violência do ambiente espacial, repleto de explosões, buracos negros e colisões.

O novo telescópio espacial Kepler, da Nasa, e diversas novas pesquisas do campo, que de repente se tornou altamente competitivo, da exoplanetologia geraram um notável burburinho na convenção. Cientistas falam que hoje estão num  "ponto incrivelmente especial da história", e perto de descobrir a resposta para a pergunta que incomoda a humanidade desde os primórdios da civilização.

"A pergunta fundamental é: estamos sós? Pela primeira vez, há otimismo de que em algum ponto, dentro de nosso tempo de vida, vamos chegar à resposta para isso", disse Simon Worden, astrônomo e chefe do Centro de Pesquisa Espacial Ames, da Nasa. "Se eu fosse de apostar, e sou, apostaria que não estamos sós, que há um monte de vida".

Até mesmo a Igreja Católica realizou conferências científicas sobre a possibilidade de vida extraterrestre, incluindo um simpósio em novembro passado.

 

Planeta semelhante à Terra pode ser inferno vulcânico

Novos cálculos indicam que primeiro planeta rochoso de fora do sistema Solar é dominado por rios de lava

06 de janeiro de 2010 | 15h 00

Carlos Orsi, do estadao.com.br

O planeta Corot-7b, o primeiro mundo rochoso detectado fora do sistema solar, possivelmente é um pelaneta dominado por violentas erupções vulcânicas.

Cientistas apontam superfície rochosa em 'super-Terra'

Sendo cerca de 70% maior que a Terra e dotado de superfície rochosa, o planeta foi classificado como uma "super-Terra". Embora outras "super-Terras" já fossem conhecidas, Corot-7b foi o primeiro planeta relativamente pequeno de fora do Sistema Solar a ter a densidade calculada, confirmando  uma composição rochosa, como a da Terra, e não gasosa, como a de Júpiter ou Saturno.

O planeta gira tão perto de sua estrela que a temperatura em sua superfície deve ser de cerca de 2.000 ºC no lado iluminado. E provavelmente cai abaixo dos -210 ºC no lado escuro.

Agora, um novo estudo sugere outra característica que torna o primeiro "irmão" extrassolar da Terra ainda mais inóspito: se a órbita de Corot-7b não for perfeitamente circular, o planeta estará sujeito a uma atividade vulcânica comparável à de Io, uma das luas de Júpiter e o corpo mais geologicamente ativo do Sistema Solar. Em Io existem mais de 400 vulcões ativos, que emitem material a altitudes de até 300 quilômetros.

A reclassificação de Corot-7b, de "super-Terra" para "super-Io", está sendo proposta pelo astrônomo Rory Barnes, da Universidade de Washington. seus cálculos foram apresentados numa reunião da Sociedade de Astronomia dos Estados Unidos, realizada nesta semana.

Barnes determinou que um pequeno desvio da órbita do planeta em relação a uma trajetória circular bastaria para submetê-lo a intensas forças de maré, capazes de distorcer o formato do planeta, aquecendo seu interior a ponto de desencadear o vulcanismo intenso. Na Terra, as forças de maré são absorvidas pelos oceanos.

"Corot-7b muito provavelmente não tem oceanos", disse Barbes, em nota. "Um planeta numa órbita não circular sofre forças gravitacionais de diferentes intensidades em diferentes pontos de sua trajetória, sendo as forças maiores quando está mais perto da estrela e as menores, quando está mais afastado". Entre os dois pontos extremos, prossegue o cientista, o planeta "estica e relaxa".

Esse movimento produz fricção que aquece seu interior.

"Se as condições forem como especulamos, o planeta terá muitos vulcões continuamente em erupção, e magma escorrendo por toda a superfície", acrescenta. 

O planeta Corot-7b fica a 480 anos-luz da Terra.

 

Nasa descobre planetas gigantes fora do Sistema Solar

Cinco planetas foram detectados por telescópio Kepler, enviado ao espaço no ano passado

05 de janeiro de 2010 | 7h 00

BBC Brasil

O telescópio Kepler, da Nasa, detectou pela primeira vez desde que entrou em operação cinco planetas fora do nosso Sistema Solar. O tamanho dos planetas varia de um raio quatro vezes maior do que o da Terra até planetas muito maiores do que Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar.

Novos planetas receberam os nomes Kepler 4b, 5b, 6b, 7b e 8b

O telescópio, que foi lançado no ano passado para procurar planetas com características semelhantes às da Terra, fez as descobertas poucas semanas depois de entrar em funcionamento.

A agência espacial americana afirma que as descobertas mostram que o telescópio está funcionando bem e tem alta sensibilidade.

Os novos planetas receberam os nomes Kepler 4b, 5b, 6b, 7b e 8b e foram anunciados em um encontro da Sociedade Astronômica Americana (AAS, na sigla em inglês), em Washington, a capital dos Estados Unidos.

Todos os planetas circulam muito proximamente às suas estrelas principais - seu sol - seguindo órbitas que variam ente 3.2 até 4.9 dias.

Esta proximidade e o fato de suas estrelas principais serem muito mais quentes do que o nosso sol significa que os novos planetas tem temperaturas extremamente elevadas, estimadas entre 1.200ºC e 1.650º C.

Densidade intrigante

"Os planetas encontrados são todos mais quentes do que lava derretida; eles simplesmente brilham de tão quentes", disse Bill Borucki, o cientista da Nasa que lidera a missão do Kepler no centro de pesquisas Ames, em Moffett Field, Califórnia.

"De fato, os dois maiores são mais quentes do que ferro fundido e olhar para eles é como olhar para uma fornalha. Eles são muito brilhantes por si só e, certamente, não são lugares para procurarmos vida."

O Kepler 7b vai intrigar muitos cientistas. Este é um dos planetas de mais baixa densidade já encontrado fora do sistema solar (cerca de 0,17 gramas por centímetro cúbico) já descoberto.

Segundo Borucki, a densidade média deste planeta é equivalente a do isopor, e os cientistas devem se deliciar em estudá-la para tentar entender sua estrutura.

O Kepler foi lançado da estação espacial de Cabo Canaveral em 6 de março do ano passado. Ele está equipado com a maior câmera já lançada ao espaço.

A missão do telescópio é observar mais de 100 mil estrelas de forma contínua e simultânea.

Ele percebe a presença de planetas ao observar variações de sombra quando um desses planetas passa em frente ao seu sol.

'Mundos de água'

Os detectores do Kepler têm sensibilidade extraordinária - segundo a Nasa, se o telescópio fosse voltado para uma pequena cidade na Terra, à noite, seria capaz de detectar a luz automática na entrada de uma casa quando alguém passa por ela.

A Nasa espera que tamanha sensibilidade leve à descoberta de planetas não apenas de tamanho semelhante ao da Terra, mas que orbitem em torno de seus sóis a uma distância mais favorável à existência de vida, onde haja também potencial existência de água em sua superfície.

Os cientistas da missão disseram no encontro da AAS que o Kepler mediu a existência de centenas de possíveis planetas, mas são necessárias mais investigações para estabelecer sua real natureza.

Os cientistas advertiram ainda que podem se passar anos até que seja confirmada a existência de planetas semelhantes à Terra, mas enquanto isso, as descobertas do Kepler vão ajudá-los a melhorar suas estatísticas sobre as distribuições dos tamanhos dos planetas e períodos de órbita.

A existência dos planetas identificados primariamente pelo telescópio Kepler foi confirmada por telescópios baseados na Terra, entre eles o Keck I, no Havaí. BBC Brasil

 

Cerca de 15% dos sistemas solares são como o da Terra

Resultado de pesquisa poder ajudar numa estimativa aproximada das possibilidades de vida no resto do Universo

06 de janeiro de 2010 | 8h 44

Efe

'Sistemas solares como o nosso não são raros', diz astrônomo americano sobre resultado da pesquisa

WASHINGTON - Apenas 15% dos sistemas solares existentes no universo são similares ao que vivemos, segundo as conclusões de um grupo de astrônomos após dez anos de pesquisas.

Para o astrônomo Andrew Gould, professor da Universidade de Ohio (Estados Unidos), o dado é "positivo", porque "com bilhões de estrelas, reduzir as possibilidades para 10% significa que pode haver algumas centenas de milhões de sistemas similares"."Agora sabemos qual é nosso lugar no Universo", disse o astrônomo Scott Gaudi, da mesma universidade, para quem "os sistemas solares como o nosso não são raros, mas também não são maioria".

Gaudi apresentará os resultados do estudo nesta quarta-feira, 6, em Washington durante uma reunião da Sociedade Astronômica Americana. Com eles, os cientistas devem poder fazer uma estimativa aproximada das possibilidades de vida no resto do Universo.

A pesquisa é fruto de uma cooperação em nível mundial através do programa Microlensing Follow-Up Network (MicroFUN), sediada na Universidade de Ohio, que mapeia o céu na busca de planetas que se encontram fora do sistema solar.

Os astrônomos do MicroFUN utilizam o efeito de microlente gravitacional, que ocorre quando uma estrela passa diante de outra, vista desde a Terra. A estrela mais próxima amplifica a luz da mais distante, como se fosse uma lente. Esse efeito é mais intenso se houver planetas em órbita em torno da estrela que age como lente. As conclusões alcançadas pelos astrônomos se reduzem a uma análise estatística, diz Gould.

Nos últimos quatro anos, o programa MicroFUN descobriu apenas um sistema solar parecido com o nosso, com dois planetas gigantes de gás similares a Júpiter e Saturno.

"Só achamos este sistema, e deveríamos ter encontrado seis até agora se cada estrela tivesse um sistema solar como o da Terra", disse Gaudi, ao explicar que este reduzido número de descobertas só faz sentido com a existência de um pequeno número de sistemas - ao redor de 15% - como o nosso.

 

Moléculas orgânicas descobertas em mais um planeta distante

Planeta é considerado inabitável, mas descoberta testa técnicas que um dia poderão encontrar vida

21 de outubro de 2009 | 17h 05

Carlos Orsi, do estadao.com.br

Pela segunda vez, astrônomos detectaram moléculas básicas da vida na atmosfera de um planeta gigante gasoso, fora do Sistema Solar. Essa descoberta, realizada por cientistas da Nasa, se segue ao anúncio, feito por pesquisadores europeus, de que 32 novos planetas foram encontrados ao redor de outras estrelas, e da descoberta de sinais de moléculas orgânicas em um planeta-anão do nosso Sistema Solar.

"O Universo não está nos provocando", disse um dos autores da descoberta mais recente, Mark Swain, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da Nasa, referindo-se ao acúmulo de descobertas de matéria orgânica em outros mundos - mas sem, ainda, um sinal claro de vida extraterrestre.

"Um sinal claro de vida requer, primeiro, um planeta onde possa haver vida; a detecção de moléculas relacionadas a processos biológicos; e evidência de que a abundância dessas moléculas requer atividade biológica", explica. "Nós apenas não fomos capazes, ainda, de satisfazer a todos os três critérios".

O planeta onde foi detectada a presença de água, metano e dióxido de carbono - "essas foram moléculas  que detectamos até agora, talvez no futuro encontremos mais", diz Swan - falha logo no primeiro critério: chamado HD 209458b, esse mundo é um "Júpiter quente", um gigante gasoso que orbita muito perto de sua estrela, a um oitavo da distância que separa Mercúrio do Sol, na constelação de Pégaso, a 150 anos-luz da Terra.

Segundo nota divulgada pela Nasa, a eventual descoberta do mesmo tipo de molécula, na atmosfera de um planeta mais parecido com a Terra, poderia indicar a presença de vida. Atualmente, as missões Corot, europeia - com participação brasileira - e Kepler, da Nasa, vasculham o espaço em busca desse tipo de planeta.

A estrela em torno da qual HD 209458b gira é semelhante ao Sol. A descoberta da matéria orgânica foi feita com o uso dos telescópios espaciais Spitzer e Hubble. O Hubble detectou as moléculas e o Spitzer calculou suas abundâncias.

O primeiro planeta extrassolar onde houve descoberta de matéria orgânica foi HD 189733b, outro Júpiter quente. O anúncio foi feito em dezembro do ano passado. Agora, os cientistas poderão começar a comparar os dados dos dois mundos. Segundo Swain, esse tipo de trabalho abre caminho para as análises que, um dia, poderão revelar vida fora da Terra.

Para obter prova incontestável de vida, diz ele, é preciso fazer medições muito precisas da abundância de moléculas relacionadas à biologia. "Isso tem de ser feito com precisão suficiente para permitir descartar processos não biológicos". Os resultados sobre HD 209458b estão publicados no periódico científico  Astrophysical Journal.

Novos planetas e planeta-anão

Na segunda-feira, 19, cientistas do Observatório Europeu Meridional (ESO) anunciaram a descoberta de 32 planetas fora do Sistema Solar, incluindo alguns pequenos o suficiente para serem rochosos, embora ainda muito maiores que a Terra.

Em setembro, outra equipe europeia havia anunciado possíveis sinais de matéria orgânica em Haumea, um planeta-anão do Sistema Solar, que orbita o Sol a uma distância cerca de 50 vezes maior que a da Terra, para além das órbitas de Netuno e Plutão.


Cientista quer revolucionar tratamento de diabetes com pâncreas artificial

Órgão artificia responderia aos níveis de açúcar no sangue

17 de setembro de 2010 | 12h 07

Efe

LONDRES - Uma cientista britânica desenvolveu um pâncreas artificial que pode revolucionar o tratamento do diabetes, já que permitiria acabar com as injeções diárias que os diabéticos precisam para controlar os níveis de glicose.

O pâncreas artificial, que ainda sendo está submetido a exames pré-clínicos, foi criado pela professora Joan Taylor, da Universidade de Montfort, em Leicester (Inglaterra).

A insulina produzida por pessoas com diabetes não consegue regular os níveis de açúcar, o que provoca sérias complicações para o organismo. Algumas pessoas que têm a doença sequer produzem o hormônio.

O órgão artificial, segundo informação do jornal britânico "The Times", tem uma carcaça de metal que é mantida em seu lugar por uma barreira de gel, e responde aos níveis de açúcar no sangue, já que gera insulina quando é necessário.

O órgão poderia ser implantado entre a última costela e o quadril e recheado de insulina a cada poucas semanas.

"Acredito que podia utilizar certa proteína (que não especifica) para criar um gel que pudesse reagir à glicose. Quando é exposto aos fluidos do corpo ao redor dos órgãos internos, o gel reage de acordo com a quantidade de glicose presente", explicou a cientista.

"Os altos níveis fazem com que o gel se abrande e libere insulina na corrente sanguínea", acrescentou.

Segundo o "The Times", se os testes forem bem-sucedidos, o pâncreas artificial seria uma solução simples e barata para os diabéticos.

A cientista disse que o órgão não tem pilhas e não seria visível na superfície da pele.

Taylor e sua equipe de colaboradores acreditam que vão passar com sucesso pelos testes clínicos nos próximos anos e, caso tenha bons resultados, o órgão artificial estaria disponível dentro de entre cinco e dez anos.


Cientistas encontram parte do cérebro ligada à introspecção

Estudo britânico correlaciona matéria cinzenta à capacidade de avaliar corretamente os próprios pensamentos

16 de setembro de 2010 | 15h 53

Associated Press - AP

Um novo estudo descobriu uma parte do cérebro humano que é maior nas pessoas que parecem especialmente introspectivas.

Veja também:

 Duas cabeças nem sempre pensam melhor que uma, mostra estudo

Algumas pessoas conhecem suas mentes melhor que outras, e a pesquisa descrita nesta semana é um passo para entender a biologia por trás de um aspecto importante da consciência humana.

Trata-se de um trabalho necessário para que, um dia, se possam compreender doenças ou ferimentos no cérebro que provam as pessoas de aspectos fundamentais da reflexão sobre si mesmas, como esquizofrênicos que não acreditam que estão doentes e, por isso, rejeitam medicação.

Ao descobrir as bases neurológicas da consciência de si mesmo "seremos capazes de criar estratégias para intervir nesses casos e melhorar a capacidade introspectiva das pessoas?", pergunta Stephen Fleming, do University College London, principal autor da pesquisa publicada na revista Science.

Introspecção é basicamente pensar sobre o que se está pensando, um modo de julgar os próprios pensamentos e ações - algo intrinsecamente difícil de estudar.

A pesquisa britânica encontrou um meio de medir a capacidade introspectiva ao comparar a confiança das pessoas numa decisão tomada com o acerto da decisão.

Os pesquisadores apresentaram a 32 pessoas saudáveis uma série de padrões numa tela de computador, dos quais um era mais brilhante que os outros, por alguns instantes. Primeiro, os voluntários tiveram de escolher rapidamente qual tela continha o padrão mais brilhante.

Como algumas pessoas são melhores observadores que outras, o nível de dificuldade foi ajustado para que todos tivessem o mesmo tipo de obstáculo.

Depois desse ajuste, os voluntários tiveram de dar uma nota para seu grau de confiança na resposta.

A ideia: pessoas com boa introspecção teriam mais confiança quanto estivessem certas, e mais dúvida quanto estivessem erradas.

Varreduras do cérebro mostraram que a capacidade introspectiva está fortemente ligada á quantidade de matéria cinzenta em uma parte do córtex pré-frontal, bem atrás dos olhos, dizem os pesquisadores.

Além disso, as pessoas mais introspectivas também mostraram uma função mais forte na matéria branca dessa parte do cérebro - a matéria branca são os "cabos telefônicos" que permitem a comunicação entre as células.

Reforçando as descobertas, estudos anteriores mostram uma associação entre esquizofrenia e mau funcionamento do córtex pré-frontal, e derrames nessa área podem roubar das pessoas a capacidade introspectiva, disse Fleming.

Mas mais pesquisas são necessárias para resolvera questão de o que veio antes: são essas diferenças cerebrais inatas? Ou refletem um fortalecimento da região cerebral em resposta a um esforço maior de introspecção, o que significaria que essa capacidade pode ser treinada?


Povoado da Idade do Ferro é encontrado durante obra em Londres

16 de setembro de 2010 | 12h 32

REUTERS

LONDRES (Reuters Life!) - Restos antigos de uma criança e de animais supostamente de mais de 2 mil anos atrás foram desenterrados durante a construção de uma escola em Londres.

Arqueólogos dizem que a descoberta, uma das mais importantes na capital britânica nos últimos anos, indicam a existência de um povoado agricultor da Idade do Ferro e do período romano no local.

Segundo especialistas, a descoberta é importante porque outros terrenos semelhantes do período foram destruídos pelo desenvolvimento posterior na região.

As escavações revelaram que crianças e animais foram enterrados -- alguns na época do domínio romano -- em diversas localidades no sul de Londres. Diversos tipos de armamentos, incluindo um arpão e um escudo também foram encontrados.

"Um número muito grande de esqueletos de animais domésticos foram recuperados, incluindo de cavalos, bois, porcos, ovelhas, cabras e cachorros", disse o arqueólogo-chefe, Duncan Hawkins.

"Esses animais que foram desmembrados parcial ou integralmente parecem ter sido sacrificados deliberadamente e depositados em buracos profundos cavados com rochas calcárias."

Características da Idade do Ferro, como um caminho para os animais domésticos, valas rasas e fossas também foram identificadas.

Os trabalhadores de construção se depararam com os resto enquanto construíam as fundações para o colégio Stanley Park, em Sutton. O local fica próximo de um dos maiores achados da Era do Bronze do sul da Inglaterra, encontrado no início do século 20. Não se sabe se existe relação entre os dois povoados.

Cientistas Filipinos desenvolvem Berinjela transgênica       (13/09/2010)

A berinjela é uma das maiores culturas vegetais no país em termos de área e volume de produção.

A berinjela transgênica desenvolvida pela unidade Los Baños de melhoramento de plantas da universidade é resistente à broca do fruto e conhecida como “FSB-R”. O gene usado para conferir resistência à nova variedade foi extraído da bactéria Bacillus thuringiensis, por essa razão, a variedade também é chamada de Bt.

A praga FSB é a que mais afeta a produção de berinjela nas Filipinas e leva a perdas da ordem de 54 a 70%.  Na natureza, não existem plantas de berinjela que sejam resistentes a esta praga. De acordo com Desiree Hautea, cientista chefe do projeto, a utilização desta nova variedade poderá reduzir até 72 vezes o uso de pesticidas, com 24% de economia nos custos de produção.

A berinjela é uma das maiores culturas vegetais no país em termos de área e volume de produção. A expectativa é que os pequenos produtores que adotam a cultura sejam aqueles que mais se beneficiem desta tecnologia.

Fonte: ISAAA - 03 de Setembro de 2010

 

Japoneses desenvolvem tomate que produz proteína adoçante       (10/09/2010)

Essa mesma proteína é encontrada naturalmente em uma fruta africana e usada para adoçar os pratos e bebidas.

Um grupo de pesquisadores japoneses identificou linhas de tomates transgênicos que expressam altos níveis de miraculina, uma proteína que não é doce, mas é capaz de transformar sabores amargos em doces. No trabalho mais recente, publicado em agosto de 2010, os cientistas cruzaram tomates transgênicos com tomates anões e obtiveram nas linhas resultantes desse cruzamento plantas com altos níveis de miraculina.

A miraculina é encontrada naturalmente na fruta milagrosa (Richadella dulcifica), um arbusto típico da África. Os africanos usam as bagas vermelhas da planta para melhorar o sabor de seus pratos e bebidas. A espécie é tida como uma fonte potencial de edulcorantes (adoçantes diferentes do açúcar) de baixa caloria, entretanto, tem dificuldades de se desenvolver fora de seu habitat natural.

Em pesquisas anteriores, tentou-se produzir miraculina com bactérias e fungos, sem que se chegasse a proteínas com poder adoçante. Agora, com esta descoberta dos cientistas do Japão, a ideia é produzir a proteína a partir de tomates, especialmente em sistemas fechados de produção.

Fonte: Journal of Agricultural and Food Chemistry - Agosto de 2010



WWF revê posicionamento sobre modificação genética       (09/09/2010)

A ONG ressalta que é preciso produzir mais com menos terras para restabelecermos a saúde do planeta.

“Para alimentar a crescente população mundial levando em conta a saúde do planeta, é necessário produzir mais alimentos em uma área menor”, afirmou o vice-presidente do Fundo Mundial da Natureza (World Wildlife Fund, WWF), Jason Clay em agosto de 2010, na cidade de Denver, Estados Unidos. Clay disse que a ONG, em benefício da sustentabilidade global, reviu sua postura contrária à modificação genética adotada nos últimos anos.

O vice-presidente da WWF disse ainda que o fato de termos que “congelar” os impactos sobre a terra não quer dizer estagnar a produção. “A agricultura e os agricultores é que devem ser mais eficientes”, completa.

Para Clay, a equação na qual só ocorre multiplicação, de pessoas, consumo e de terras para cultivo, não resulta em um planeta sustentável. Ele ressaltou que nos próximos 40 anos, a população mundial vai aumentar 33% - de quase 7 bilhões de pessoas atualmente para 9 bilhões – e o consumo deve dobrar. “Em 2050, com 70% das pessoas morando em cidades, o impacto humano sobre a terra e a água não será aceitável”, conclui.

Fonte: Farmonline.com - agosto de 2010


Matemático brasileiro ganha prêmio científico na Itália

Os Prêmios Balzan têm o objetivo de reconhecer e estimular áreas emergentes da pesquisa

06 de setembro de 2010 | 13h 20

Associated Press - AP

Um matemático brasileiro e um biólogo japonês são os agraciados com os Prêmios Balzan para ciências exatas, anunciados na Itália nesta segunda-feira, 6. O brasileiro Jacob Palis, do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa) receberá um prêmio de 750.000 francos suíços, ou cerca de R$ 1,3 milhão, por seu trabalho na teoria dos sistemas dinâmicos.

O japonês  Shinya Yamanaka está sendo reconhecido por seu trabalho para dotar células adultas de algumas das características das células-tronco embrionárias.

Os Prêmios Balzan têm o objetivo de reconhecer e estimular áreas emergentes da pesquisa científica.

Além dos dois prêmios de ciências exatas, também são concedidos duas premiações para as humanidades. Neste ano, os agraciados são o historiador italiano Carlo Ginzburg, pai da "micro-história", o estudo do passado com foco nas pessoas comuns e no cotidiano, e ao alemão Manfred Bauneck, por sua história do teatro na Europa.

Os Prêmios Balzan serão entregues numa cerimônia realizada em Roma, no dia 19 de novembro. A Fundação Balzan, que concede as honrarias, é baseada em Milão e Zurique. Foi criada pela família do jornalista italiano Eugenio Balzan, que fugiu da Itália para Suíça na década de 30 para escapar do cerco fascista à mídia.

A cada ano, o prêmio é concedido a diferentes áreas. Os do próximo ano terão como tema história antiga, estudos do Iluminismo, biologia teórica e os primórdios do Universo.




Dinheiro pode sim comprar alguma felicidade, mostra estudo

A felicidade aumenta com a renda, mas o efeito se estabiliza aos US$ 75.000

06 de setembro de 2010 | 16h 23

Associated Press

Dizem que dinheiro não compra felicidade. Mas isso não é exatamente verdade. O bem-estar emocional das pessoas - a felicidade - aumenta junto com a renda até cerca de US$ 75.000 (R$ 130.000) anuais, informam pesquisadores na edição desta terça-feira, 6, da revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Para quem ganha menos do que isso, disse Angus Deaton, economista da Universidade Princeton, "é difícil ser feliz".

Deaton e Daniel Kahneman analisaram pesquisas realizadas com 450.000 americanos entre 2008 e 2009 para o Índice Gallup-Healthways de Bem-Estar, que incluem perguntas sobre a felicidade cotidiana e o nível geral de satisfação.

A felicidade aumenta com a renda, mas o efeito se estabiliza aos US$ 75.000, disse Deaton. Por outro lado, o nível geral do senso de sucesso aumenta à medida que a renda sobe acima desse ponto. "Dar às pessoas mais renda além dos 75 mil não vai fazer muito para melhorar o humor no dia a dia... mas vai fazer com que sintam que têm uma vida melhor", disse Deaton.

Kahneman, um psicólogo que já recebeu um Prêmio Nobel, e Deaton realizaram o estudo para descobrir como o crescimento econômico e as políticas econômicas afetam as pessoas. Existem questionamentos sobre o valor do crescimento para os indivíduos, e a dúvida está longe de ser resolvida, reconhece Deaton. Mas acrescenta: "Trabalhar neste artigo me trouxe muito bem-estar emocional. Como economista, tendo a imaginar que o dinheiro é bom para as pessoas, e estou satisfeito em encontrar alguma evidência disso".

 

Cientistas observam chimpanzés desativando armadilhas humanas

Alguns animais descobriram como driblar caçadores, acredita-se que por observação passada de geração em geração

06 de setembro de 2010 | 5h 21

BBC Brasil

Chimpanzés selvagens estão aprendendo a driblar as armadilhas de caçadores humanos nas florestas da Guiné, segundo pesquisadores.

O que mais impressionou os especialistas é que os chimpanzés tomam a iniciativa de procurar e desativar as armadilhas sem se machucar.

A descoberta foi feita por acaso pelos primatologistas Gaku Ohashi e Tetsuro Matsuzawa, que seguiram chimpanzés em Bossou, Guiné (oeste da África), para estudar seu comportamento social.

Ferimentos e mortes de primatas decorrentes de armadilhas são comuns no continente africano. Mas poucos ferimentos do tipo foram encontrados nos animais de Bossou - o que parecia incomum, já que os animais vivem perto de comunidades humanas e de locais repletos de armadilhas. Agora os primatologistas entendem o porquê.

Ohashi e Matsuzawa, do Instituto de Pesquisas de Primatas na Universidade de Kyoto, no Japão, estudaram cinco chimpanzés machos (jovens ou adultos) que tentavam desativar os ardis.

Uma armadilha típica, como as feitas pelo povo Manon, em Bossou, consiste em um laço de arame conectado a uma corda a um galho arqueado, geralmente de uma muda de árvore.

A muda tensiona a corda, e, quando o animal atravessa o laço, a armadilha é acionada, prendendo geralmente o pescoço ou a perna do animal que a ativou.

Mas, em Bossou, alguns chimpanzés "pareciam saber quais partes dos ardis eram perigosas e quais não eram", disse Ohashi à BBC.

Sem ferimentos

No periódico Primates, os pesquisadores descrevem seis casos diferentes em que chimpanzés foram vistos tentando desativar as armadilhas. Na maioria das vezes os animais agarraram e chacoalharam os galhos do ardil até que este se quebrasse.

Em todos os casos, os primatas conseguiram não tocar a parte perigosa da armadilha, o laço de aço. "Ficamos surpresos em encontrar esse comportamento", disse Ohashi. "É o primeiro relato de chimpanzés que quebram armadilhas sem ferimentos."

Os episódios revelam também dados importantes sobre o aprendizado dos animais, que muitas vezes adquirem novas habilidades por tentativa e erro. Mas não foi este o caso: um erro ao tentar desativar a armadilha poderia ser fatal.

Os especialistas especulam que os chimpanzés tenham aprendido a lidar com os ardis ao observá-los ao longo do tempo, e essa informação pode ter sido passada de geração em geração.

Em um caso, um jovem chimpanzé observou um adulto desativar uma armadilha antes de tocá-la.

Os pesquisadores advertem que as armadilhas continuam a ser uma ameaça significativa aos chimpanzés selvagens e dizem se esforçar para identificar e desativar ardis nas florestas.

Eles também dizem que os chimpanzés em outras regiões não parecem ter aprendido até agora a driblar caçadores humanos dessa forma.



Programa paulista de estudo da biodiversidade ganha versão federal

É o primeiro esforço em financiamento para colocar em prática o Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade

05 de setembro de 2010 | 19h 01

Herton Escobar - O Estado de S. Paulo

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançou um edital de R$ 51,7 milhões para financiar projetos de pesquisa voltados para o conhecimento e a conservação da biodiversidade brasileira. Trata-se do primeiro esforço de financiamento para colocar em prática o recém-criado Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (Sisbiota-Brasil), um programa nacional inspirado no Biota-Fapesp, o bem-sucedido programa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, que há mais de dez anos estuda a composição da biodiversidade paulista e propõe estratégias científicas para conservá-la.

"Com isso cumprimos mais uma das metas importantes do Biota, que previa a replicação de nosso modelo em outros estados, regiões e, finalmente, um programa nacional de pesquisa em caracterização e conservação da biodiversidade", disse ao Estado o biólogo Carlos Joly, da Unicamp, que coordena o programa estadual. "Tarefa cumprida! Agora é trabalhar e torcer para que esta iniciativa federal tenha o mesmo sucesso do Biota."

Desde que foi lançado em 1999, o programa da Fapesp já apoiou 94 grandes projetos de pesquisa, que resultaram na descrição de aproximadamente 1.800 novas espécies vegetais e animais do Estado de São Paulo. Também adquiriu e depositou informações sobre 12.000 espécies e digitalizou e disponibilizou online informações sobre 35 grandes coleções biológicas da biodiversidade brasileira. Números que constam de um artigo recente publicado na revista Science, exaltando o sucesso do programa e apresentando-o como um modelo a ser seguido para estudos da biodiversidade.

O Sisbiota-Brasil, lançado em julho deste ano, visa a fazer pelo Brasil o que o Biota fez por São Paulo. Como diz o edital do CNPq: "Estima-se existir em nosso País pelo menos dois milhões de espécies distintas, enquanto são conhecidas cerca de duzentas mil, ou seja, conhecemos apenas 10% das espécies que possuímos. A insuficiência de conhecimento científico de vários aspectos importantes da biota brasileira, contrastando com a perda acelerada de hábitats e com outras mudanças ambientais globais, é particularmente preocupante. Torna evidente a necessidade de novas estratégias que contribuam para acelerar os inventários da biota, que compilem e disponibilizem as informações existentes, e que visem a conservação e aplicação de práticas de manejo que possam aumentar a resiliência dos ecossistemas e reduzir os impactos decorrentes das mudanças ambientais e de outros estressores."

O texto ressalta ainda a ameaça das mudanças climáticas e a necessidade de valorizar os serviços ambientais prestados pela biodiversidade: "Como extensão do conhecimento da biodiversidade, há uma crescente demanda para o desenvolvimento de produtos e a valoração de serviços ambientais. De acordo com os cálculos existentes até o momento, se por um lado avalia-se os serviços prestados pela biodiversidade brasileira em 2 trilhões de dólares por ano, bem maior que o valor do Produto Interno Bruto do país, por outro temos que cerca de 60% dos ecossistemas do planeta não são mais capazes de prover os serviços ecológicos dos quais o homem depende, tais como produção de alimento, água potável e controle do clima. Este cenário coloca o Brasil como importante protagonista mundial, atual e potencial para o desenvolvimento sustentável do planeta, sendo por isso estratégico estimular e fomentar a pesquisa nesta área."

O edital está dividido em três "chamadas", organizadas por temas: Chamada 1 - Sínteses e Lacunas do Conhecimento da Biodiversidade Brasileira, com propostas financiáveis até R$ 600.000; Chamada 2 - Pesquisa em Redes Temáticas para Ampliação do Conhecimento sobre a Biota, o Papel Funcional, Uso e Conservação da Biodiversidade Brasileira, com propostas financiáveis entre até 2.000.000; e Chamada 3 - Pesquisa em Redes Temáticas para o Entendimento e Previsão de Respostas da Biodiversidade Brasileira às Mudanças Climáticas e aos Usos da Terra, com valor máximo de financiamento por proposta de até R$ 650.000.

Os projetos devem ser submetidos até o dia 18 de outubro.

Antiga cerveja africana continha antibiótico, mostra estudo

O grão usado para fazer a bebida fermentada continha a bactéria estreptomices

03 de setembro de 2010 | 16h 12

estadão.com.br - estadão.com.br

Uma análise química dos ossos de antigos núbios mostra que eles consumiam regularmente o antibiótico tetraciclina, muito provavelmente na cerveja. Os antibióticos, substâncias capazes de matar bactérias e conter infecções, foram descobertos cientificamente em 1928, com a penicilina.

A pesquisa, encabeçada pelo antropólogo George Armelagos da Universidade Emory e pelo químico Mark Nelson, da Paratek Pharmaceuticals, está publicada no American Journal of Physical Anthropology.

"Tendemos a associar drogas que curam doenças à medicina moderna", disse, em nota, Armelagos. "Mas está ficando cada vez mais claro que essa população pré-histórica estava usando evidência empírica para desenvolver agentes terapêuticos. Não tenho dúvida de que sabiam o que estavam fazendo".

Armelagos havia descoberto, em 1980, aparentes traços de tetraciclina em ossos humanos da Núbia, atual Sudão, datados de 350 a 550. Mais tarde, ele e colegas associaram a fonte do antibiótico à cerveja núbia.

O grão usado para fazer a bebida fermentada continha a bactéria estreptomices, que produz tetraciclina. A questão passou a ser determinar se a "contaminação" com antibiótico era acidental ou proposital.

Envolvendo-se na pesquisa, Nelson realizou um procedimento para extrair a tetraciclina dos ossos de antigos núbios mumificados. Segundo ele, os restos mortais estavam "saturados" do produto. "Estou convencido de que eles tinham a ciência da fermentação sob controle e estavam produzindo a droga de propósito".

Outros povos da época, como jordanianos e egípcios, também usavam cerveja para fins terapêuticos.

Deus é desnecessário para explicar a criação, diz Hawking

O Universo pode e deve criar-se a partir do nada, escreve o famoso cientista em novo livro

02 de setembro de 2010 | 13h 39

REUTERS - REUTERS

Deus não criou o Universo e o Big Bang foi uma consequência inevitável das leis da física, argumenta o eminente físico teórico Stephen Hawking em um novo livro. 

 
Evan Agostini/AP

Em The Grand Design (O Grande Projeto, em tradução literal), que tem como coautor o físico americano Leonard Mlodinow, Hawking diz que uma nova série de teorias torna o conceito de criador do Universo redundante, de acordo com o jornal britânico Times.

"Porque existe uma lei como a gravidade, o Universo pode e deve criar-se a partir do nada. Criação espontânea é a razão para haver alguma coisa em vez de nada, para que o Universo exista, para que nós existamos", escreve Hawking.  "Não é necessário invocar Deus para acender o pavio e pôr o Universo em movimento".

Hawking, com 68 anos, ganhou notoriedade mundial com seu best-seller de 1988, Uma Breve História do Tempo, um relato da história do Universo, e é renomado no meio científico por suas teorias sobre buracos negros, cosmologia e gravidade quântica.

Desde 1974, o cientista trabalha para casar as duas pedras angulares da física - a Teoria da Relatividade Geral, que trata de fenômenos de larga escala e da força da gravidade, e a Teoria Quântica, que cobre as interações entre partículas subatômicas.

Seu comentário mais recente sugere que ele rompeu com seu ponto de vista anterior sobre a religião. Antes, ele havia escrito que as leis da física apenas diziam que não era preciso acreditar numa intervenção divina.

Em Uma Breve História..., ele escreveu que uma teoria completa da física permitiria "conhecer a mente de Deus".

Em seu último livro, ele diz que a descoberta, em 1992, de um planeta em órbita de outra estrela além do Sol ajudava a desconstruir a visão de que o universo não poderia ter surgido do caos, mas foi criado por Deus.

"Isso faz as coincidências de nossas condições planetárias -- um único Sol, uma combinação de sorte de uma distância entre a Terra e o Sol e a massa solar, muito menos impressionante, e evidência muito menos convincente de que a Terra foi criada cuidadosamente apenas para agradar aos seres humanos", diz ele no livro.

Hawking consegue falar apenas por um sintetizador de voz computadorizado, em decorrência de uma neurodistrofia muscular que avançou nos últimos anos e o deixou quase completamente paralisado.

Ele começou a sofrer da doença em seus 20 e poucos anos, mas conseguiu se estabelecer como uma das maiores autoridades no mundo científico. O físico também teve participação especial no seriado "Jornada nas Estrelas" e nos desenhos animados "Futurama" e "Os Simpsons".

No ano passado ele anunciou que estaria deixando o cargo de professor lucasiano de matemática na Universidade de Cambridge que mantém desde 1979. O posto já foi anteriormente assumido por Newton.

O livro tem lançamento internacional marcado para 7 de setembro.

 

 Imagens do Hubble ajudam a desvendar interior de supernova

Descoberta em 1987, essa supernova é a mais próxima da Terra a ser detectada desde 1604

02 de setembro de 2010 | 16h 19

estadão.com.br - estadão.com.br

Observações feitas com o Telescópio Espacial Hubble de uma supernova próxima estão permitindo que astrônomos meçam a velocidade e a composição do material do interior da estrela que é ejetado ao espaço após a explosão, diz um estudo publicado na edição desta semana da revista Science

 HST/Nasa-ESA

Uma equipe da Universidade do Colorado em Boulder detectou um aumento significativo no brilho emitido pela supernova 1987A, o que é consistente com previsões teóricas da interação das supernovas com a vizinhança galáctica.

Descoberta em 1987, essa supernova é a mais próxima da Terra a ser detectada desde 1604, e fica na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã vizinha da Via-Láctea. 

A equipe observou a supernova em luz visível, ultravioleta e infravermelho, mapeando o jogo entre a explosão estelar e o famoso "colar de pérolas", um anel brilhante com 9 trilhões de quilômetros  de diâmetro que cerca o remanescente da supernova e que foi energizado por raios X.

O anel de gás provavelmente foi expelido 200.000 anos antes da supernova explodir, e ondas de choque partindo do remanescente fizeram brilhar de 30 a 40 "pérolas" nele -- objetos que provavelmente vão se fundir no futuro, gerando um anel  contínuo.

"As novas observações nos permitem medir com precisão a velocidade e a composição das 'vísceras estelares' ejetadas, que nos falam a respeito da disposição de energia e elementos pesados na galáxia hospedeira", disse, por meio de nota, o pesquisador  Kevin France.

"As observações não só nos dizem quais elementos estão sendo reciclados na Grande Nuvem de Magalhães, mas como isso muda o ambiente na escala de tempo da vida humana", afirmou.

Além de ejetar grandes quantidades de hidrogênio, 1987A eliminou hélio, oxigênio, nitrogênio e elementos pesados mais raros, como enxofre, silício e ferro.

 

Rússia coloca em órbita 3 satélites de sistema de posicionamento

Satélites ficarão sob controle do Centro de Testes e Comando Titov

02 de setembro de 2010 | 11h 25

Efe

MOSCOU - A Rússia colocou em órbita, com ajuda de um foguete Proton-M, três satélites que se incorporarão a seu sistema de posicionamento global Glonass, informaram as agências russas.

O foguete foi lançado às 21h54 de quarta-feira (horário de Brasília) da base de Baikonur (Casaquistão), e dez minutos depois o bloco acelerador DM-2Q, com os três satélites, se separou do foguete e começou seu voo autônomo.

Um porta-voz das Forças Espaciais da Rússia, responsáveis do lançamento, informou à agência Interfax que os satélites ficarão sob controle do Centro de Testes e Comando Titov.

Até este procedimento, o sistema Glonass, análogo ao GPS americano, contava com uma frota de 23 satélites.

 
Índia quer construir um dos maiores telescópios solares do mundo

Conturbada região da Caxemira receberá projeto que custará US$ 32 milhões

02 de setembro de 2010 | 11h 54

Efe

NOVA DÉLHI - A Índia planeja construir um dos maiores telescópios solares do mundo, que servirá como ferramenta para o estudo da estrutura microscópica do sol, informou nesta quinta-feira, 02, uma fonte oficial.

A região de Ladakh, na Caxemira indiana, receberá o novo telescópio, de dois metros de diâmetro, cujo custo está estimado em 1,5 bilhões de rúpias (cerca de US$ 32 milhões), de acordo com a fonte, citada pela agência Ians.

"O telescópio solar ajudará a estudar a estrutura microscópica do sol e obter observações específicas", afirmou o diretor do Instituto Indiano de Astrofísica (IIA), Siraj Hassan.

O centro anunciou sua intenção de financiar o projeto do chamado "Grande Telescópio Solar Nacional", além de participar de seu projeto construção e instalação.

"Quanto maior é o diâmetro e a superfície disponível para absorver a luz solar, mais raios podem ser captados por segundo, o que permite aos investigadores que acumulem informação com maior clareza e obtenham resultados precisos", explicou Hassan.

O local do telescópio, na localidade de Merak, perto de um lago, reúne as condições necessárias de longas horas de sol e boa visibilidade.

 

Descoberto novo tipo de composto para o combate da malária

Tratamento poderá ser oral, de uma única dose; teste clínico começa este ano

02 de setembro de 2010 | 15h 03

estadão.com.br - estadão.com.br

Uma equipe internacional de cientistas de instituições dos EUA, Suíça e da indústria farmacêutica Novartis anunciam, na edição desta semana da revista Science, a descoberta de uma nova possível droga que pode representar uma nova classe de tratamentos para a malária. Testes clínicos do composto devem ocorrer ainda este ano.

Science/AAAS

O estudo foi feito por meio de uma triagem, por meio de testes em células, de milhares de produtos naturais registrados na biblioteca da Novartis, em busca de substâncias com conhecida ação contra o parasita causador da malária, o Plasmodium falciparum. A primeira peneira gerou uma relação de 275 compostos.

Sucessivas triagens eliminaram os que tinham pouco efeito contra parasitas resistentes a tratamento ou que eram tóxicos para células de animais mamíferos. Dezessete substâncias restaram no final.

Uma avaliação desse grupo final apontou para um candidato específico, membro de uma classe de moléculas que nunca havia sido associada ao combate à malária.

Uma equipe de químicos sintetizou então cerca de 200 derivados da molécula, a fim de otimizar o perfil de segurança e as propriedades farmacológicas. Após vários testes, a substância NITD609 foi apresentada como a melhor candidata para os experimentos em seres humanos.

"Estamos muito entusiasmados com o novo composto", disse, por meio de nota, a pesquisadora Elizabeth Winzeler, do Instituto de Pesquisa Scripps e da Fundação Novartis, que encabeçou o estudo, juntamente com Thierry Diagana. "Ele tem muitas características promissoras, incluindo potencial de ser um tratamento de uma única dose oral".

Para determinar se e como a droga poderia criar resistência no plasmódio, outros cientistas envolvidos na pesquisa clonaram um parasita da malária, criando dois organismos idênticos. Um deles foi levado a desenvolver-se numa colônia normal e o outro, num ambiente contendo uma dose não letal da nova molécula.

Depois de várias gerações, os parasitas na colônia contaminada com  NITD609 começaram a mostrar sinais de resistência. Comparando o genoma dos parasitas resistentes aos da colônia saudável, os pesquisadores acharam as mutações e estimaram o efeito da possível futura droga nas proteínas do plasmódio.


Simpósio discute futuro da biotecnologia no Brasil e no mundo       (01/09/2010)

A escolha do tema é oportuna uma vez que em 1985 foi realizado o Simpósio “Impacto da Biotecnologia na Agropecuária”.

Estudantes de graduação e de pós-graduação vão ter a oportunidade de refletir sobre o presente e o futuro da biotecnologia junto com profissionais da área no Simpósio Biotecnologia+25. O Evento, que acontece nos dias 15 e 16 de setembro, é organizado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O objetivo é estudar os avanços que a biotecnologia trouxe nos últimos 25 anos e discutir como a ciência pode continuar a trazer benefícios sociais, ambientais e econômicos pelos próximos 25.

O último relatório do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), publicado em 2010, afirma que para alimentar os possíveis 9,2 bilhões de pessoas que vão existir no mundo em 2050, será necessário dobrar a produção de alimentos de forma sustentável. Esse é um dos desafios que coloca as questões propostas pelo simpósio da UFPel no centro da discussão sobre os rumos da biotecnologia no Brasil e no mundo até 2035.

A escolha do tema é oportuna uma vez que em 1985, com o objetivo de mobilizar esforços para a implantação da área de Biotecnologia na UFPel, foi realizado o Simpósio “Impacto da Biotecnologia na Agropecuária”. Os interessados em participar do simpósio devem acessar a página da universidade na internet e se cadastrarem gratuitamente.

Fonte: UFPel - 01 de setembro de 2010

Sequenciamento genético do trigo é anunciado por pesquisadores britânicos       (27/08/2010)

O mapeamento do genoma da planta é tido como o mais significativo avanço na produção da cultura em 10 mil anos.

Desde a primeira vez em que o trigo foi cultivado, há mais de 10 mil anos, o sequenciamento do genoma da planta está sendo considerado como o mais significativo avanço para a agricultura, de acordo com artigo publicado no jornal inglês The Independent desta sexta-feira (27/08/2010). Como resultado da descoberta, novas variedades de trigo resistentes a doenças podem estar disponíveis até 2015. As vantagens, segundo os pesquisadores, incluem possibilidade de redução no preço do pão e a produção de um alimento mais seguro e saudável.

Cientistas britânicos responsáveis pela pesquisa vão colocar uma primeira versão do seqüenciamento à disposição de pesquisadores de todo o mundo. O objetivo é estimular a criação de novas variedades resistentes a doenças ou tolerantes à seca. Segundo o professor Keith Edwards, da Universidade de Bristol, a divulgação pública dos dados do trabalho vai aumentar drasticamente a velocidade com que novas plantas serão desenvolvidas.

Na Universidade de Liverpool, outro centro de pesquisa de trigo responsável pelo trabalho, o geneticista Neil Hall também prevê avanços rápidos. “É possível que em cinco anos o pão fique mais barato por conta do desenvolvimento de novas variedades”, afirma.

Embora o trigo tenha sido uma das primeiras espécies domesticadas pelo homem, pesquisas com a planta enfrentaram dificuldades, especialmente por conta de sua complexidade genética, resultado do cruzamento entre três espécies selvagens diferentes.

Desde quando era plantado no império romano, o rendimento por hectare de trigo aumentou três vezes.  Contudo, ao longo da última década, a produtividade atingiu um patamar que não foi superado mesmo com os esforços dos pesquisadores e cientistas. Essa é uma das razões pelas quais a descoberta do genoma da planta é tão importante.

Fonte: The Independent - 27 de agosto de 2010




Histórico banco de sementes russo ameaçado por avanço imobiliário

Organizações internacionais dedicadas à pesquisa agrícola apelaram ao presidente Dmitry Medvedev

20 de agosto de 2010 | 16h 08

Associated Press

O primeiro banco de sementes do mundo sobreviveu à 2ª Guerra Mundial porque 12 cientistas preferiram morrer de fome a comer os grãos que estavam sendo preservados para as futuras gerações.

Mas agora o banco de sementes do Instituto Vavilov de Indústria Vegetal está em perigo outra vez, por causa de planos, já aprovados pela Justiça, de erradicar seus vastos campos de plantas geneticamente diversas para a construção de casas de luxo nos arredores de São Petersburgo.

Organizações internacionais dedicadas à pesquisa agrícola apelaram diretamente ao presidente Dmitry Medvedev para que salve a Estação Agrícola Pavlovsk, que segundo eles pode ser crucial para manter as lavouras de fruta do mundo, à medida que a mudança climática e outras ameaças enfraquecem as variedades existentes.


Medvedev ordenou uma investigação, mas o primeiro lote de terras da estação vai a leilão em 23 de setembro. Cientistas temem que a decisão governamental pode chegar tarde demais.

"Se perdermos essas terras... muitos tipos de planta estarão extintos para sempre", disse o chefe da Pavlovsk, Fyodor Mikhovich.

A estação agrícola corre o risco de perder 91 hectares onde está um dos maiores campos de frutas e arbustos frutíferos, incluindo quase 1.000 tipos de morango de 40 países, 300 variedades de cereja e quase 900 tipos de cassis.

Ele também abriga uma rica variedade de gramíneas e grãos, mas o principal campo de cereais do instituto fica em outro local.

Pelo menos 90% das plantas não são mais encontradas em nenhuma outra parte do mundo. A maioria é composta de variedades antigas, que não são mais cultivadas, mas o instituto as mantém para o caso de virem a ser necessárias no futuro.


Levar as plantações para outro campo não é factível, disse o agrônomo Sergei Gandrabur, que trabalha na estação. Ele disse que as plantas prosperam nessas terras, que estão bem protegidas do vento e das enchentes, e podem não sobreviver a um transplante.

O fundo federal que supervisiona a construção do conjunto habitacional obteve autorização judicial para se apossar das terras que, segundo seus administradores, não contêm nada de valor. O porta-voz Andrei Tikhonov disse que especialistas visitaram a área diversas vezes e não encontraram nada além de ervas daninhas e capim.

"Eles provavelmente têm essa coleção exclusiva, mas não nos nossos lotes", afirmou. O porta-voz acusa o instituto de ter interesse comercial na terra.

A estação foi fundada em 1924 por Nikolai Vavilov, um botânico e geneticista russo que criou o conceito do banco de sementes, um repositório de diversidade genética que poderia ser usado na criação de novas variedades para responder a ameaças à produção de alimentos.

Durante a 2ª Guerra Mundial, doze cientistas que tinham acesso ao banco de sementes morreram de fome mas não tocaram as sementes, cereais ou outras plantas que poderiam tê-los salvado. Centenas de milhares de moradores de São Petersburgo, na época chamada Leningrado, morreram durante o cerco da cidade.

Vavilov morreu de desnutrição na prisão em 1943, depois de criticar as teorias genéticas infundadas de Trofim Lysenko, que haviam sido adotadas pelo governo soviético.




Harvard admite ter encontrado falhas éticas em trabalho de pesquisador

Marc Hauser ficou famoso ao estudar as capacidades mentais dos macacos

20 de agosto de 2010 | 16h 59

estadão.com.br

A Universidade Harvard anunciou ter detectado oito casos de "má conduta científica" no trabalho de Marc Hauser, cientista que ficou famoso ao estudar as capacidades mentais dos macacos e explorar as origens biológicas da ética humana, informa o blog The Great Beyond, da revista Nature.

Houser está afastado do trabalho há quase duas semanas, por conta da investigação em andamento.

A página do pesquisador no site de Harvard descreve como principal interesse descobrir "as raízes evolucionárias da capacidade para linguagem, música, matemática e moralidade".

O comunicado da universidade surge depois de a instituição ter sido criticada por manter a situação de Hauser em suspenso, dando margem a rumores que puseram "estudantes, orientando e colegas" do pesquisador também sob suspeita, de acordo com o blog.

Segundo o comunicado de Harvard, foram detectados problemas em três artigos científicos assinados pelo cientista. Os problemas envolveriam "aquisição de dados, análise de dados, retenção de dados e a descrição das metodologias e resultados" das pesquisas.

Artigo de Hauser publicado em 2002, que possivelmente é um dos sob contestação, indicava que micos poderiam ser capazes de identificar padrões em sequências de sílabas.




Descoberta de cratera no Egito anima cientistas no país

Diante da promissora descoberta, foi formada uma equipe de cientistas italianos e egípcios

20 de agosto de 2010 | 17h 45

EFE

Com a recente descoberta, no Egito, de uma das crateras de impacto mais bem conservadas do mundo, formada por um meteorito milhares de anos atrás, os cientistas encaram o futuro da ciência egípcia com entusiasmo.

 Cratera no Egito indica que mesmo asteroides menores podem ser perigosos

A cavidade de 45 metros de diâmetro e 16 metros de profundidade, batizada de Kamil, se encontra a sudoeste do deserto egípcio, perto da fronteira com o Sudão, em uma zona característica por sua inóspita superfície.

"Não há nada lá, nem vento, o que permitiu que a cratera se mantivesse tão bem conservada. Esse nível de preservação só pode ser encontrado na Lua", disse o diretor do Instituto Nacional de Pesquisa em Astronomia e Geofísica (NRIAG), Salah Mahmoud, cuja instituição está envolvida na pesquisa.

A cratera foi observada pela primeira vez por uma equipe de italianos em uma missão do Google Earth, há dois anos.

Diante da promissora descoberta, foi formada uma equipe de cientistas italianos e egípcios, liderada pelo especialista Luigi Folco, do Museu Nacional da Antártida de Siena, na Itália, para analisar a zona e decifrar a origem da cratera.

Além de sua excepcional localização, seu bom estado de conservação se deve ao fato de o meteorito que originou a cratera não ter se fragmentado ao entrar em contato com a atmosfera terrestre, segundo as conclusões de um estudo dos cientistas, publicadas em julho passado na revista Science.

O coautor do artigo da Science e geofísico do NRIAG Ahmed Lethy disse que, graças "à excepcional estrutura da cratera e seu tamanho, assim como a distribuição dos restos", os pesquisadores poderão calcular o risco e os danos que podem ser causados por um novo meteorito no futuro.

O cientista ressaltou que esta é a segunda descoberta do tipo no Egito, depois do maior campo de crateras do mundo ter sido encontrado na região de Gilf al-Kabir, em 2004, no sudoeste do país, "cuja origem não foi confirmada", por não existirem amostras.

No entanto, a cratera Kamil foi produzida por um meteoro do qual restaram 1,7 toneladas de fragmentos, incluindo o pedaço maior que existe no Egito, de 85 quilogramas.

Com isto, segundo Lethy, é possível "estudar a atividade do universo de milhões de anos analisando o desenvolvimento de seus elementos internos".

Os cientistas egípcios começam a considerar o que décadas antes podia parecer impossível no Egito, um país no qual a ciência não foi uma prioridade durante muitos anos.

Um artigo publicado em 2006 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a Universidade de South Valley, no Cairo, descreveu a decadente situação da ciência no Egito.

"A despesa em pesquisa no Egito é muito baixa. Os pesquisadores egípcios estão entre os mais mal pagos nos países árabes", explicava o documento.

Mahmoud se queixou que a redução de apoios e de interesse em projetos deste tipo de pesquisas é um problema comum no Egito, como em todos os países em desenvolvimento.

"A maioria dos instrumentos que utilizamos não são tecnologia egípcia, vêm de países desenvolvidos como Estados Unidos, França ou Inglaterra, que nós poderíamos produzir, mas não a esse nível", lamentou o titular do NRIAG, situado na desértica zona de Helwan, a 25 quilômetros do Cairo.

"Não é fácil, precisamos ter uma indústria completa. No final, é melhor importar para preservar o dinheiro com que contamos".

Mesmo assim, "sonhamos em poder produzir esse tipo de alta tecnologia para seu uso em diferentes campos", afirmou o geofísico.

O achado da cratera Kamil, com a bem-sucedida participação egípcia, é motivo de orgulho para os cientistas e dá uma projeção positiva a seu trabalho no mundo.

Para Lethy, "este tipo de publicações de alta qualidade encorajam o governo a destinar mais dinheiro à pesquisa, porque vê nela resultados de interesse mundial".

"É uma mostra de que nosso nível de ciência está à altura do dos italianos", concluiu Mahmoud.

 

 

Pesquisa sobre vacina contra o câncer começa a mostrar resultados

Vacinas podem dar maior qualidade de vida aos pacientes que já desenvolveram a doença

20 de agosto de 2010 | 12h 31

New York Times

KANSAS CITY - A vacina que Larry Mathews que está recebendo não vai protegê-lo da gripe. Tudo bem - as apostas são muito mais elevadas do que isso.

Ele está esperando que as aplicações fortaleçam seu sistema imunológico para lutar contra o câncer agressivo que invadiu seu cérebro. Se funcionar como ele quer, as células matadoras do próprio corpo irão absorver as células malignas que a cirurgia, radioterapia e quimioterapia não conseguia eliminar.

Por décadas, cientistas vêm tentando criar vacinas assim para "recrutar" o sistema imunológico do corpo e destruir as células cancerígenas de maneira que expulse vírus e bactérias exteriores.

Depois de muitas tentativas vãs e promessas prematuras, parece que a pesquisa está começando a mostrar resultados.

No final de abril, a Food and Drug Administration dos EUA aprovou a primeira vacina contra o câncer, Provenge, que modestamente pode prolongar a vida dos homens com câncer de próstata avançado. Vários dos principais planos de seguro e a Medicare em algumas partes do país, incluindo Kansas e Missouri, já concordaram em pagar o tratamento caro.

Mathews participa de um estudo preliminar clínico do Hospital São Lucas com vacina contra o câncer de cérebro desenvolvido na Universidade de Kansas Medical Center. Um amplo estudo que já dura dois anos, destinado a obter a aprovação do FDA está prevista para começar neste outono (americano).

No mundo todo, os cientistas estão trabalhando em dezenas de vacinas contra melanoma, câncer de mama e câncer de pulmão, cólon e pâncreas.

Pesquisadores podem citar histórias de pacientes com câncer que tinham apenas meses de vida e que sobreviveram 15 anos ou mais, após ter recebido as vacinas. Mas até agora provas conclusivas de grandes estudos clínicos são escassas.

Mesmo assim, os especialistas preveem que várias vacinas contra o câncer poderiam ser eficazes o suficiente para ganhar a aprovação do FDA nos próximos quatro ou cinco anos.

Estas vacinas terapêuticas são projetadas para pacientes que já têm câncer. Isso os torna radicalmente diferentes das convencionais vacinas preventivas, tais como a vacina de cancro cervical Gardasil, que imunizam contra os vírus que causam câncer.

O impulso no desenvolvimento de vacinas terapêuticas não vem de qualquer descoberta científica única, disse William Chambers, diretor de pesquisa clínica e imunologia na American Cancer Society. Pelo contrário, é o resultado de anos de progresso, lento e incremental.

"A imunoterapia tem sido um osso duro de roer", disse Chambers."O que estamos vendo agora é fruto de muito trabalho duro. Alguns dos casos de sucessos estão aparecendo.''

O sistema imune identifica organismos estranhos no organismo e, em seguida, procura e destrói.

Mas as células cancerosas geralmente obtêm um passe livre. Por um lado, elas são muito semelhantes às normais do pulmão ou da próstata ou de células do cólon. E à medida que crescem, evoluem suas formas de "desligar" uma resposta imune ou de poder de detecção.

O objetivo das vacinas é treinar o sistema imunológico para reconhecer as formas que as células cancerosas se diferem das células normais e motivá-lo para o ataque destas.

Por tentativa e erro cientistas identificaram os alvos em células cancerosas, os chamados antígenos, que o sistema imunológico pode identificar como diferentes das células normais. Eles também podem compreender melhor os componentes do sistema imune que reconhecem os antígenos e alertar o sistema imunológico sobre as células assassinas.

As vacinas representam uma grande mudança no pensamento sobre como tratar o câncer, disse James Gulley, um pesquisador do Instituto Nacional de Câncer dos EUA. Terapias convencionais contra o câncer usam drogas tóxicas e radiação em tumores, mas podem prejudicar outros tecidos e causar náuseas, fadiga, perda de cabelo e outros efeitos colaterais.

Vacinas diminuem a probabilidade de ter o sistema imunológico como alvo. Os efeitos colaterais - febre, calafrios, dor no local da injeção - normalmente não são muito maiores do que aquilo que você pode começar a ter a partir de uma vacina contra a gripe.

 

Astrônomos usam Hubble para estudar energia escura

Lente gravitacional ajuda a determinar características do principal componente do Universo

19 de agosto de 2010 | 18h 47

estadão.com.br

Pela primeira vez, cientistas utilizando o Telescópio Espacial Hubble conseguiram tirar vantagem de uma lente de aumento espacial - um enorme aglomerado de galáxias cuja gravidade concentra a luz emitida por corpos mais afastados - para obter informações sobre a natureza da misteriosa energia escura que está acelerando a expansão do Universo.

Os cálculos feitos a partir dos dados do Hubble, juntamente informações obtidas por outros meios, aumentou de forma significativa a precisão das medições da energia escura, diz nota divulgada pelos responsáveis pelo telescópio espacial.

"Temos de enfrentar o problema da energia escura por todos os lados", disse, na mesma nota, Eric Jullo, astrônomo do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa. Ele é o principal autor do artigo sobre a nova abordagem, publicado na edição desta semana da revista Science.

Cientistas não sabem o que a energia escura é, mas sabem que ela é o principal componente do Universo - cerca de 72%. A matéria escura, perfaz 24% e também é misteriosa, mas mais fácil de estudar, porque influencia gravitacionalmente a matéria comum, que responde por apenas 4%.

No novo estudo, a equipe de cientistas usou imagens do Hubble para analisar um grande aglomerado de galáxias, Abell 1689. A gravidade do aglomerado faz com que galáxias localizadas no pano de fundo apareçam em imagens múltiplas e distorcidas.

Usando essas imagens distorcidas, cientistas foram capazes de determinar como a luz das galáxias do pano de fundo foi distorcida pelo aglomerado - uma características que depende das propriedades da energia escura. O método também depende de medições, feitas aqui na Terra, da distância que nos separa dessas galáxias e da velocidade com que elas se afastam de nós.

 


Garrafas de uísque são extraídas de caixa congelada há 100 anos na Antártida

É improvável que o uísque chegue a ser bebido, mas mestres produtores examinarão amostras

13 de agosto de 2010 | 14h 06

Associated Press

Uma caixa de uísque escocês que ficou presa no gelo da Antártida por um século finalmente foi aberta nesta sexta-feira, mas o lote não será degustado pelos amantes da bebida: será preservado como relíquia histórica.

Inclinar o copo para servir champanhe economiza bolhas, dizem cientistas

A caixa, resgatada da cabana antártica do lendário explorador Sir Ernest Shackleton depois de ter sido encontrada em 2006, foi degelada muito lentamente nas últimas semanas, no Museu Canterbury da Nova Zelândia.

A caixa foi cuidadosamente aberta para revelar 11 garrafas de scotch Mackinlay's, embrulhadas no papel e na palha que as protegeram dos rigores da expedição Nimrod, liderada por Shackleton em 1907.

A caixa estava solidamente congelada ao ser retirada da Antártida no início do ano, mas podia-se ouvir o uísque, ainda líquido, movendo-se no interior. A temperatura ambiente de -30º C não foi suficiente para congelar a bebida, fabricada entre 1896 e 1897.

É improvável que o uísque chegue a ser bebido, mas mestres produtores examinarão amostras para determinar se é possível reproduzir a receita, que se perdeu.

Uma vez que amostras tenham sido extraídas para envio à destilaria escocesa de Whyte & Mackay, que encampou a destilaria Mackinlay's anos atrás, as 11 garrafas serão devolvidas a seu lar, debaixo das tábuas da cabana de Shackleton na Ilha de Ross, perto da Enseada McMurdo na Antártida.

O entusiasta do uísque Michael Milne descreveu o evento como uma grande experiência. "Eu fiquei olhando para isso (a caixa) e, honestamente, meu coração começou a bater umas três vezes mais depressa", disse ele.

Milne disse que daria qualquer coisa para provar o uísque, mas se mostrou conformado: "Não vai acontecer, e não vou ficar nervoso com isso", declarou.

 

Maior turbina movida a marés do mundo será testada na Escócia

Gerador subaquático tem mais de 22 metros de altura e pesa cerca de 1,3 mil toneladas.

13 de agosto de 2010 | 8h 45

A maior turbina movida a energia de marés do mundo será testada na Escócia.

Criada pela empresa Atlantis Resources, a turbina AK-1000 será instalada para testes no Centro Europeu de Energia Marinha em Orkney, na Escócia.

Segundo a empresa a turbina subaquática foi desenvonvida para suportar a pressão das mais fortes correntes marinhas.

Com hélices de 18 m de diâmetro, mais de 22 m de altura e 1,3 mil toneladas, ela pode gerar até 1 MW de eletricidade, o suficiente para abastecer cerca de mil casas.

A empresa também afirma que por causa de sua baixa velocidade, a turbina não causará danos à vida marinha.

Se passar nos testes, a turbina podera ser a primeira de muitas a serem instaladas na costa da Escócia. BBC Brasil

 

Detectados raios gama emitidos por nova pela primeira vez

Efeito captado pelo Telescópio Espacial Fermi surpreende cientistas

12 de agosto de 2010 | 18h 26

estadao.com.br

Astrônomos usando Telescópio Espacial Fermi detectaram, pela primeira vez, raios gama emitidos por um tipo de estrela variável conhecido como nova, fenômeno que surpreendeu os cientistas. A descoberta derruba a ideia de que explosões nova não têm energia suficiente para produzir esse tipo de emissão.

Telescópio de raios gama reconfirma Teoria da Relatividade

Uma nova é um ganho súbito de brilho de uma estrela normalmente tênue. A explosão ocorre quando uma estrela anã branca, em um sistema binário, irrompe numa  explosão termonuclear.

"Em termos humanos, foi uma erupção imensamente poderosa, equivalente a cerca de 1.000 vezes a energia emitida pelo Sol a cada ano", disse a pesquisadora da Nasa Elizabeth Hays. "Mas, em comparação com outros eventos que o Fermi vê, foi bem modesta. Ficamos surpresos quando o Fermi a detectou com tanta força".

Raios gama são a forma mais energética de luz, e o Telescópio de Grande área do Fermi captou a nova por 15 dias. Cientistas acreditam que a emissão surgiu quando uma onda de choque, movendo-se a mais de um milhão de quilômetros por hora, partiu do local da explosão. Artigo descrevendo a descoberta aparece na edição desta semana da revista Science.

A detecção ocorreu na constelação de Cygnus, o Cisne. O sistema envolvido é conhecido como V407 Cyg, e fica a 9.000 anos-luz da Terra. É formado por uma anã branca e uma gigante vermelha com cerca de 500 vezes o tamanho do Sol.

"A gigante vermelha está tão inchada que sua atmosfera exterior vaza para o espaço", disse Adam Hill, da Universidade Joseph Fourier, na França. "A cada década, a gigante vermelha elimina hidrogênio suficiente para igualar a massa da Terra".

A anã branca captura parte desse gás, que se acumula em sua superfície. À medida que o gás se concentra, ao longo de décadas ou séculos, ele acaba ficando denso e quente o bastante para se fundir, produzindo hélio. A fusão libera energia suficiente para detonar todo o gás acumulado. A anã branca em si, no entanto, permanece intacta.

A explosão criou uma camada densa em expansão, chamada frente de choque, composta de partículas de alta velocidade, gás ionizado e campos magnéticos.

Os campos magnéticos aprisionam as partículas na camada e as excitam a energias tremendas. Antes de escapar, as partículas atingem velocidades próximas às da luz. Os pesquisadores dizem que os raios gama provavelmente surgem quando essas partículas colidem com o gás do vento da gigante vermelha.  Até então, cientistas não imaginavam que uma nova fosse capaz de acelerar partículas com tanta intensidade.



Voluntários do Einstein@home descobrem novo pulsar de rádio

O novo pulsar, chamado PSR J2007+2722, é uma estrela de nêutrons que gira 41 vezes por segundo

12 de agosto de 2010 | 15h 45

estadao.com.br

Três voluntários que doam tempo ocioso de seus computadores para pesquisas científicas descobriram um novo pulsar de rádio escondido nos dados obtidos pelo radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico. A descoberta, feita por um alemão e dois americanos, foi a primeira realizada pelo sistema Einstein@home, que usa tempo doado por computadores de 250.000 pessoas de 192 países.

Busca de ETs impulsiona pesquisa

Dez projetos científicos para baixar da web

Os voluntários que receberam crédito pela descoberta são o casal Chris e Helen Colvin, dos EUA, e Daniel Gebhardt, da Alemanha. Seus computadores, juntamente com meio milhão de outros aparelhos de todo o mundo, analisam dados para o Einstein@home.

O novo pulsar, chamado PSR J2007+2722, é uma estrela de nêutrons que gira 41 vezes por segundo. Fica na Via Láctea, a aproximadamente 17.000 anos-luz da Terra. Diferentemente da maioria dos pulsares que giram de forma tão rápida e precisa, e PSR J2007+2722 está sozinho no espaço, sem uma estrela companheira em sua órbita.

Astrônomos consideram-no especialmente interessante, já que ele provavelmente é um pulsar antigo que perdeu o companheiro. Mas não se pode descartar a hipótese de que seja um pulsar jovem nascido com um campo magnético excepcionalmente fraco.

O Eisntein@home, baseado na Universidade de Wisconsin (EUA) e no Instituto Max Planck de Física Gravitacional (Alemanha) vem buscando sinais de ondas gravitacionais nos dados do observatório americano LIGO desde 2005. Desde 2009, o sistema também passou a procurar sinais de pulsares em dados de Arecibo.

"Este é um momento emocionante para o Einstein@home e nossos voluntários. Prova que a participação pública pode descobrir novas coisas no Universo. Espero que inspire mais pessoas a se juntar a nós", disse o líder do projeto, Bruce Allen, do Instituto Max Planck.

O artigo científico que descreve a descoberta está publicado no Science Express, o sistema de publicação online da revista Science.

 

 
Homem de Neandertal e Homo sapiens conviveram e deixaram descendentes, diz estudo

Pesquisadores alemães acreditam que ambos têm origens que separaram há 400 mil anos

12 de agosto de 2010 | 15h 12

Efe

BERLIM - O homem de Neandertal, espécie hominídea extinta presumivelmente há 30 mil anos, conviveu com os primeiros homens modernos e, dessa relação, houve descendentes, segundo um estudo do Instituto Max-Planck de Leipzig (leste da Alemanha) antecipado pela revista P.M. Magazin.

A publicação divulga uma pesquisa que foi iniciada há quatro anos pelo instituto e estabelece que o Homo neanderthalensis - que habitou principalmente a Europa e algumas zonas da Ásia ocidental - não desapareceu repentinamente, como asseguravam até agora os especialistas, e se misturou com o Homo sapiens. As pesquisas alemãs partem, além disso, da suposição de que o Homo sapiens e o Homo neandertalis têm origem em linhagens que se separaram há pelo menos 400 mil anos.

Em 2006, estudiosos de evolução antropológica do Max-Planck, liderados pelo geneticista paleontólogo Svante Pääbo, localizaram ossos em uma caverna na Croácia que foram comparados com restos encontrados no noroeste da Espanha e no sul da Rússia.

Os pesquisadores decidiram, então, comparar o genoma dos neandertais com o do homem atual. Assim, descobriram que parte da genética daquela espécie hominídea de aspecto robusto, com 1m65 de altura máxima e extremidades curtas, ainda permanece no Homo sapiens.

"É certo que tivemos filhos com os neandertais", garante Gerd Schmitz, que faz parte da equipe de pesquisa do Max-Planck.

Em 2009, Pääbo e sua equipe anunciaram que tinham conseguido decifrar cerca de 63% dos dados genéticos do neandertal. Os pesquisadores de Leipzig conseguiram decodificar a sequência de mais de 3 bilhões de bases de DNA, tomando como material de partida mostras ósseas de seis homens de Neandertal.

A maior parte do material procedia de uma jazida na caverna de Vibndija, na Croácia. Também foram usadas para o estudo mostras da caverna de Sidrón, nas Astúrias (Espanha); de uma jazida em Mezmaiskaya, no sul da Rússia; e um esqueleto de 40 mil anos encontrado no próprio vale de Neandertal (Alemanha), que deu nome à espécie.

O grupo de Päabo evitou a contaminação do material genético do Neandertal com material genético humano durante o processo. Outra das questões que poderiam ser resolvidas, caso os cientistas consigam decifrar o genoma completo, é o enigma do desaparecimento do homem de Neandertal, há cerca de 30 mil anos. 

 

Matemáticos acham 'número de Deus' para resolver o cubo mágico

Para equipe de acadêmicos, 20 movimentos podem resolver qualquer combinação do quebra-cabeças

12 de agosto de 2010 | 9h 06

Um grupo de pesquisadores americanos concluiu que é possível resolver qualquer combinação do quebra-cabeças conhecido como "cubo mágico" em apenas 20 movimentos ou menos.

O chamado "número de Deus" é o mais baixo desde que a busca pela solução mais rápida para o colorido enigma começou, há 30 anos.

Em 1981, o matemático Morwen Thistlethwaite chegou a um algoritmo capaz de resolver qualquer posição do cubo mágico em 52 movimentos. Desde então, o número vem sendo reduzido - a última vez, em 2008, para 22.

"Sabemos ao certo que o número mágico é 20", disse à BBC o matemático da Kent State University, Morley Davidson. Ele disse, entretanto, que a maioria das posições requer entre 15 e 19 movimentos.

Segundo ele, das cerca de 43 bilhões de combinações possíveis com o cubo, 100 milhões podem ser resolvidas com exatos 20 movimentos. O restante, com menos.

"Levou 15 anos após a introdução do cubo para encontrar a primeira combinação que provavelmente requeria apenas 20 movimentos para ser solucionada", disseram os pesquisadores, no site em que os resultados foram divulgados.

"É apropriado que, 15 anos mais tarde, provemos que 20 movimentos são necessários para qualquer combinação."

Algoritmos complexos

Também conhecido como cubo de Rubik, o cubo mágico foi inventando em 1974 pelo arquiteto húngaro Erno Rubik.

Licenciado como brinquedo, o quebra-cabeças já vendeu desde então mais de 400 milhões de unidades no mundo, tornando-se um dos passatempos mais vendidos em escala global.

As equações para resolver os enigmas no menor número de movimentos são demasiado complexas para serem memorizadas por um mortal comum. Em geral, são necessários computadores e até supercomputadores.

Em competições internacionais, o recorde por resolver o cubo mágico 3 x 3 x 3 mais rapidamente - mas não necessariamente no menor número de movimentos - pertence ao estudante holandês Erik Akkersdijk, que encontrou uma solução em 7,08 segundos.

Já o "número de Deus" é assim chamado porque os pesquisadores assumem que um ser onisciente usaria este algoritmo para resolver o problema.

As pesquisas para definir o algoritmo da equação "divina" usaram um arsenal de capacidade informática providenciada pela gigante de tecnologia Google - que não divulga detalhes dos sistemas de computação oferecidos para a pesquisa, concluída em semanas.

Cálculos

Os pesquisadores dividiram todas as possibilidades em 2,2 bilhões de grupos, cada um contendo 20 bilhões de posições.

Para facilitar a conta, eles eliminaram combinações duplicadas e usaram simetria para identificar outras combinações similares. Assim, o número de grupos de 20 bilhões de combinações caiu para 56 milhões.

Para processar todos os dados que a pesquisa requeria, seriam necessários 35 anos de trabalho de um computador normal, disse Davidson.

"Para mim, achar o 'número de Deus' é como um círculo", disse Davidson. "O cubo mágico é um clássico dos anos 1980, época em que eu cresci, e uma das razões por que entrei na matemática."

Ele disse que, agora, a equipe pode continuar estudando problemas matemáticos com o cubo mágico, talvez em sua versão 4 x 4 x 4.

"É a popularidade universal do quebra-cabeças", justificou. "É provavelmente o quebra-cabeças mais popular da história humana."    

BBC Brasil 

  

Transplante de medula óssea pode curar doença de pele rara

11 de agosto de 2010 | 21h 34

GENE EMERY - REUTERS

Transplantes altamente arriscados de medula óssea curaram cinco crianças com um defeito genético potencialmente letal, já que aparentemente elas não produzem as proteínas que mantém a pele unida, disseram pesquisadores dos EUA na quarta-feira.

Mas uma sexta criança morreu por causa dos efeitos colaterais de uma droga usada no preparativo do transplante, e outra morreu de infecção após o transplante.

Vítimas da epidermólise bolhosa distrófica recessiva (RDEB, na sigla em inglês) têm bolhas dolorosas na pele, na boca e na garganta, causada por qualquer mínimo trauma. Isso expõe o organismo a infecções e, em alguns casos, a uma forma agressiva de câncer. Com dificuldade para engolir, muitos pacientes acabam morrendo de desnutrição crônica.

Com o novo tratamento, "houve uma melhora na cura, menos bolhas, e sua qualidade de vida foi positivamente afetada", segundo John Wagner, da Universidade de Minnesota, que participou do estudo publicado na revista New England Journal of Medicine.

Os pacientes, segundo ele, "puderam fazer coisas que não faziam antes, como andar de bicicleta ou subir num trampolim."

A doença em questão afeta 1 em cada 50 mil pessoas, e por causa dos riscos do transplante de medula óssea apenas os casos mais graves são considerados como candidatos ao procedimento, segundo Wagner.

Ele disse que, após os sete primeiros casos relatados no estudo, outras seis crianças foram submetidas ao tratamento com bons resultados.

O tratamento habitual para vítimas da doença custa 30 mil dólares por ano, e o transplante pode custar de 500 mil a 1 milhão de dólares.


12 de agosto de 2010 | N° 16425ZH

PERIGO MUTANTE

Estudo revela nova superbactériaEuropeus que fizeram cirurgias estéticas na Ásia trouxeram consigo ameaça

Turistas que viajaram ao sul da Ásia com o objetivo de fazer cirurgias estéticas levaram consigo para a Grã-Bretanha um novo tipo de bactéria mutante, resistente a antibióticos, anunciaram ontem cientistas, que temem que o problema se espalhe pelo mundo. Muitas infecções hospitalares que já eram difíceis de ser tratadas tornaram-se ainda mais resistentes aos medicamentos em consequência de uma enzima descoberta recentemente e que deixa a bactéria muito resistente.

A enzima chamada de NDM-1 foi identificada pela primeira vez ano passado pelo professor Timothy Walsh, da Universidade de Cardiff, em dois tipos de bactéria – Klebsiella pneumoniae e Escherichia coli (E.coli) – em um paciente sueco internado em um hospital da Índia.

As bactérias NDM-1 são resistentes até ao ‘“carbapenem”, um grupo de antibióticos utilizado como última tentativa em tratamentos de emergência contra bactérias resistentes a muitos remédios.

Até agora, 37 casos foram identificados na Grã-Bretanha

Os cientistas afirmaram que as bactérias foram introduzidas na Grã-Bretanha por pacientes que viajaram a Índia e ao Paquistão para fazer cirurgias estéticas.

– Se estas infecções continuassem sem o tratamento apropriado, com certeza poderíamos esperar algum tipo de mortalidade – declarou Walsh, professor de microbiologia, à rádio BBC.

No estudo, coordenado por Walsh e pela Universidade Karthikeyan Kumarasamy de Madras, os cientistas tentaram determinar a presença da NDM-1 no sul da Ásia e na Grã-Bretanha.

Examinando pacientes com sintomas suspeitos em hospitais, eles detectaram 44 casos – 1,5% dos pesquisados – em Chennai, e 26 (8% dos pesquisados) em Haryana, cidades da Índia.

Também encontraram a superbactéria em Bangladesh e no Paquistão, assim como 37 casos na Grã-Bretanha, alguns em pacientes que haviam retornado recentemente de cirurgias estéticas na Índia e Paquistão.

– A Índia também é responsável por cirurgias estéticas de outros cidadãos europeus e americanos, e é provável que a NDM-1 se espalhe pelo mundo – afirma o estudo, publicado na revista médica britânica Lancet.

Londres

 

Artigo da Nature propõe revisão da regulamentação dos alimentos transgênicos       (13/08/2010)

Segundo o autor, Ingo Potrykus, legislações com exigências injustificadas impedem que as culturas geneticamente modificadas salvem milhões de pessoas.

Um artigo publicado na revista científica Nature, em julho deste ano (2010), traz a análise do diretor do projeto Golden Rice Humanitarian, Ingo Potrykus, sobre a regulamentação mundial dos produtos geneticamente modificados (GM). Potrykus, em parceria com Peter Beyer, foi um dos inventores da tecnologia do arroz dourado (variedade transgênica do grão que produz o nutriente betacaroteno, que será convertido em Vitamina A no organismo humano e que não está presente no arroz convencional). A deficiência de Vitamina A afeta principalmente a visão, podendo levar à cegueira.

Segundo o artigo, as culturas geneticamente modificadas podem salvar milhões de pessoas da fome e da desnutrição, se, antes, puderem se livrar do excesso de regulamentação. “O Arroz Dourado já está pronto desde 1999, mas só deve chegar ao mercado em 2012”, afirma Potrykus. Para o pesquisador, isso se deve à legislação excessivamente rigorosa dos produtos GM. O mesmo não acontece com novas plantas obtidas através de métodos tradicionais de cultivo, embora também tenham seu genoma modificado.

De acordo com a publicação, populações carentes cuja dieta é baseada no arroz poderiam, por meio do consumo do Arroz Dourado, suprir a necessidade de vitamina A e assim reduzir substancialmente as 6.000 mortes por ano devido à deficiência deste nutriente. Nenhuma das variedades convencionais de arroz possui o precursor da vitamina A na parte comestível, dessa maneira, o cultivo convencional não pode aumentá-lo. O Arroz Dourado só foi possível, graças à engenharia genética.

Potrykus afirma que até hoje não houve um só caso de dano ao meio-ambiente e ao ser humano pela tecnologia de engenharia genética vegetal, mesmo nos Estados Unidos, onde a adoção dessa tecnologia é amplamente disseminada. Na opinião dele, as nações que reduzirem a carga regulatória sobre os produtos GM, ganharão tempo e recursos para investir em produtos transgênicos que atendam às necessidades de suas populações. “Talvez assim consigamos reduzir o tempo que essas tecnologias levam para ir do laboratório à mesa da população” diz Potrykus.
O artigo completo está disponível online no especial sobre alimentos produzido pela revista científica Nature.

Fonte: Nature - Julho de 2010


Tem novidade no site do CIB! Agora, quem busca informações sobre o universo da biotecnologia tem uma nova maneira de experimentar o conhecimento: os podcasts da Rádio CIB!
A seção multimídia do www.cib.org.br é uma nova ferramenta que pretende contribuir ainda mais para tornar a descoberta ciência fácil e prazerosa.

Os primeiros programas da Rádio CIB já estão prontos. Um deles fala do trabalho que deu impulso para o desenvolvimento da biotecnologia do jeito que a conhecemos hoje: a descoberta da estrutura dupla hélice do DNA, a molécula da vida. A façanha coube ao o físico inglês Francis Crick e ao biólogo americano James Watson.
Ouça o programa completo em http://www.cib.org.br/radio_cib.php.

Já o outro podcast aborda uma segunda revolução: o DNA recombinante. Em 1972, o bioquímico americano Paul Berg, pela primeira vez, misturou genes de espécies diferentes.  Berg descobriu como colocar genes de uma bactéria dentro do genoma de um vírus chamado S40. É esta técnica que deu origem aos organismos geneticamente modificados ou transgênicos. Ouça o podcast em http://www.cib.org.br/radio_cib.php

 
Feijão transgênico brasileiro pode ser liberado em 2012       (10/08/2010)

A variedade desenvolvida pela Embrapa é resistente a uma praga que afeta lavouras em todo continente americano

A equipe de cientistas da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e da Embrapa Arroz e Feijão espera que a variedade transgênica do feijão seja submetida à aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, CTNBio, em novembro de 2010. Segundo estimativas do pesquisador Francisco Aragão, um dos coordenadores desse trabalho na Embrapa, o processo de análise pode ser concluído em 2012, quando o produto estaria disponível para ser plantado e comercializado.

O novo feijão é resistente ao vírus do mosaico dourado. A praga atinge as lavouras de feijão de todo o continente americano. De acordo com a Embrapa, somente no Brasil perde-se pelo menos 90 milhões de toneladas de feijão por ano em virtude da doença. Plantas contaminadas têm as folhas amareladas, vagens deformadas e crescimento comprometido, o que prejudica a sua produtividade.

Além de Aragão, o trabalho é coordenado também pelo pesquisador Josias Faria. Segundo eles, o feijão é uma planta de difícil manipulação genética e o Brasil desponta como pioneiro nessa tecnologia. “As plantas foram produzidas por meio de uma nova estratégia de transformação genética, a partir da interferência de material genético do próprio vírus na planta”, explica Aragão.

Fonte: Redação CIB – 04 de agosto de 2010


Cientistas encontram a mais antiga habitação humana da Grã-Bretanha

A casa antecede a habitação britânica mais antiga anterior, em Northumberland, em pelo menos 500 anos

10 de agosto de 2010 | 16h 06

estadao.com.br

Equipe de pesquisadores das universidades de Manchester e York determinaram que um conjunto de vestígios da Idade da Pedra é a mais antiga habitação humana já encontrada na ilha. Datado de 8.500 a.C., o sítio é de uma época na qual a Grã-Bretanha ainda era parte da Europa Continental.

A pesquisa descobriu uma estrutura circular de 3,5 metros junto a um antigo lago em Star Carr, uma área de importância arqueológica comparável a Stonehenge, dizem os pesquisadores.

A equipe agora se dedica a escavar uma grande plataforma de madeira junto ao lago, feita de tábuas. A plataforma é o mais antigo sinal de carpintaria na Europa.

A casa antecede a habitação britânica mais antiga anterior, em Northumberland, em pelo menos 500 anos. O local era habitado por caçadores-coletores de uma época imediatamente posterior à última Era Glacial, e provavelmente migraram a partir de uma região hoje submersa pelo Mar do Norte.

"A partir da escavação, obtemos um retrato vívido de como essas pessoas viviam. Por exemplo, parece que a casa foi reconstruída em várias etapas. parece também que havia mais de uma casa, e que muitas  pessoas moravam aqui", disse um dos responsáveis pela escavação, Nicky Milner, da Universidade de York.

 

Células-tronco embrionárias e induzidas parecem equivalentes, diz estudo

As células iPS são criadas a partir da introdução de três genes em células adultas

05 de agosto de 2010 | 16h 07

estadao.com.br

Células-tronco embrionárias humanas e células adultas reprogramadas para um estado semelhante ao de células tronco, chamas células de pluripotência induzida, ou iPS, têm muito poucas diferenças em sua expressão genética e são praticamente impossíveis de distinguir no estado de cromatina, dizem pesquisadores do Instituto Whitehead. O resultado aparece na revsita especializada Cell Stem Cell.


As células iPS são criadas a partir da introdução de três genes em células adultas. Esses fatores de reprogramação empurram as células maduras para um estado mais flexível, semelhante ao de células-tronco embrionárias. Em teoria, as iPS também devem ser capazes de dar origem a diversos tipos de tecido.

Além de contornar os questionamentos éticos que cercam o uso de células extraídas de embriões, iPS podem ser criadas a partir do corpo do próprio receptor de um eventual transplante, evitando o risco de rejeição.

Desde que as primeiras iPS surgiram em 2006, suas semelhanças e diferenças em relação às células embrionárias têm sido alvo de debate.

para avaliar a questão da equivalência, os pesquisadores Garrett Frampton e Matthew Guenther analisaram os padrões de expressão genética e a chamada estrutura de cromatina das células. Variações do DNA nessa estrutura podem afetar a expressão genética, mas Guenther e Frampton determinaram que as células-tronco embrionárias e iPS são praticamente idênticas nos dois critérios.

"Neste estágio, não temos como provar que sejam absolutamente idênticas", disse Richard Young, responsável pelo laboratório onde o estudo foi realizado. "Mas a tecnologia disponível não revela diferenças". Segundo ele, isso sugere que as células IPS poderão vir a ser úteis como células-tronco personalizadas no futuro. 

 

Mandioca resistente a vírus pode estar disponível em 2015       (09/08/2010)

A mandioca transgênica resistente a duas das maiores doenças causadas por vírus – a podridão da raiz e a doença do mosaico – pode estar disponível para produtores africanos até 2015

A doença do mosaico destrói 35 milhões de toneladas da produção africana de mandioca por ano. De acordo com diretor do Centro de Pesquisa em Plantas Donald Danforth, Claude Fauquet, acabar com essa perda pode significar a diferença entre importar e ser autossuficiente na produção de alimentos.

O pólo de pesquisa da mandioca geneticamente modificada (GM) fica nos Estados Unidos, mas estão sendo construídos laboratórios na África e os cientistas locais treinados para dar continuidade ao projeto na fase dos testes de campo. Os países africanos envolvidos na iniciativa são: Quênia, Tanzânia, Uganda e Nigéria.

A equipe de cientistas já realizou testes de campo com outra planta, o tabaco geneticamente modificado, resistente ao mesmo tipo de doença. Pesquisadores aguardam a liberação de seus governos para a realização dos testes em campo com a mandioca.

Fonte: AllAfrica.com - Julho de 2010


Arquivos sugerem que Churchill teria encoberto suposta aparição de óvni

Documentos liberados mostram também outros relatos de aparições de objetos não identificados em território britânico.

05 de agosto de 2010 | 21h 57

O registro da suposta observação de um óvni por tripulantes de um avião militar britânico durante a Segunda Guerra Mundial foi mantido em segredo por determinação do então primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Winston Churchill, que acreditava que o relato poderia causar pânico na população.

A história foi revelada por documentos do Ministério da Defesa da Grã-Bretanha divulgados nesta quinta-feira pelos Arquivos Nacionais do país.

Segundo os relatos, Churchill determinou que o registro sobre a suposta aparição do objeto voador não identificado permanecesse secreto por 50 anos.

"Churchill acreditava que a divulgação do ocorrido poderia criar pânico em massa e abalar as crenças religiosas", afirmou Nick Pope, um ex-investigador do Ministério da Defesa britânico especializado em óvnis.

Os arquivos também mostram que, nos anos 1950, o governo britânico levava a questão de maneira tão séria que chegou a reunir chefes dos serviços de inteligência para discutir relatos sobre a presença de óvnis em seu espaço aéreo.

Segundo Pope, a maior parte da documentação referente às supostas aparições de objetos não identificados no período foi destruída.

Sabe-se, porém, que o governo britânico chegou a pedir relatórios semanais sobre os registros de aparições ao comitê de especialistas em inteligência encarregados de investigações nas áreas de segurança, defesa e assuntos internacionais.

Outros relatos

A documentação divulgada nesta quinta-feira é a mais recente série de arquivos liberada ao público como parte de uma parceria de três anos entre o Ministério da Defesa e os Arquivos Nacionais da Grã-Bretanha.

Os documentos incluem um trecho do chamado Livro Vermelho - relato semanal realizado por serviços de inteligência - que diz que não foram encontradas explicações para quatro aparições de objetos não identificados registradas por radares da aeronáutica britânica.

Entre as mais de 5 mil páginas dos arquivos, está também o relato de um piloto que diz que seu Boeing 737 quase colidiu com um objeto não identificado quando se preparava para pousar no aeroporto de Manchester em 1995.

Entre outros registros, há ainda o caso da equipe de resgate acionada para investigar um óvni que supostamente teria colidido nas montanhas de Berwyn, no País de Gales, em 1974.

O arquivo inclui também o filme em que um suposto "homem do espaço" é flagrado durante os registros de testes para o lançamento de um míssil, em 1964.

'Arquivo X'

Os relatos sobre a aparição dos óvnis atingiram o auge em 1996 - ano em que a série Arquivo X, sobre aparições de extraterrestres, tinha grande popularidade na TV britânica.

Naquele ano, os arquivos registram 600 supostas aparições de objetos não identificados, em comparação com a média anual de 240 registrada nos cinco anos anteriores.

A documentação também mostra que o setor responsável pelo registro das aparições no Ministério da Defesa recebeu, em 1996, 343 cartas do público e 22 questionamentos de parlamentares referentes a aparições de óvnis.

Segundo o consultor especializado em óvnis dos Arquivos Nacionais, David Clarke os documentos vieram a público por atrair grande interesse da população.

"Os óvnis são o terceiro assunto mais mencionado nos pedidos para acesso a documentos do Ministério da Defesa", diz ele.

O material está disponível no site dos Arquivos Nacionais britânicos (The National Archives).

BBC Brasil

 

Gelo de lua de Saturno alimenta um dos anéis do planeta

Os jatos de água e outras substâncias são liberados por fissuras na região do polo sul

06 de agosto de 2010 | 16h 09

estadao.com.br

A sonda Cassini registrou a imagem de Encélado no tênue anel E do planeta Saturno, que é criado pelos gêiseres de gelo emitidos a partir da lua.

Os jatos de água e outras substâncias liberados por fissuras na região do polo sul de Encélado levam alguns cientistas a especular que o astro tenha um oceano abaixo de sua superfície congelada, e talvez vida.

A imagem foi feita em luz visível, em abril, com a Cassini a 993.000 quilômetros de Encélado.


Astrônomos obtêm primeira imagem 3D do interior de estrela morta

Assimetria detectada nas imagens confirma previsão de modelos criados em computador

04 de agosto de 2010 | 14h 26

Com o uso do Telescópio Muito Grande (VLT) do Observatório Europeu Sul (ESO), astrônomos obtiveram, pela primeira vez, uma visão em três dimensões da distribuição do material mais interno expelido por uma estrela recentemente destruída. A explosão original, de acordo com os resultados, foi não só potente, como também mais concentrada em uma direção. Essa é, de acordo com os pesquisadores, uma indicação de que a supernova foi especialmente turbulenta, em acordo com recentes modelos de computador.

Diferentemente do Sol, que terá uma morte até certo ponto tranquila, estrelas de grande massa explodem como supernovas, expelindo uma grande quantidade de material. Nessa classe, a supernova 1987A, ou simplesmente SN 1987A, ocupa um lugar especial: observada em 1987, foi a primeira supernova avistada a olho nu em mais de 300 anos e, por conta de sua relativa proximidade, permitiu que astrônomos estudassem o processo com um nível de detalhamento sem precedentes.

Novas observações dos vestígios da supernova feitas por um instrumento do VLT permitiram que fosse feita uma reconstituição em três dimensões das partes centrais do material durante a explosão.

A imagem mostra que a explosão foi mais forte e rápida em algumas direções que em outras, levando a uma forma irregular, com algumas partes projetando-se mais pelo espaço.

O primeiro material ejetado pela explosão viajou à velocidade de 100 milhões de quilômetros por hora, o que é cerca de 10% da velocidade da luz. Mesmo a essa velocidade, foram necessários dez anos para que atingisse o diâmetro do anel original de gás e poeira soprado pela estrela moribunda. A análise também mostra que outra onda de material está viajando com um décimo dessa velocidade e, sendo aquecida pelos elementos radioativos criados pela explosão.

"Estabelecemos a distribuição de velocidades do material interno ejetado pela SN 1987", disse, em nota,  a principal autora do trabalho, Karina Kjær. "Exatamente como as supernovas explodem não é um processo bem compreendido, mas a forma como ela explode fica marcada em seu material interno . Podemos ver que esse material não foi ejetado simetricamente em todas as direções".

Esse comportamento assimétrico havia sido previsto em alguns dos mais recentes modelos de computador, que determinaram a ocorrência de grandes instabilidades durante a explosão. As novas observações representam uma confirmação desses modelos.


Descoberto fóssil de crocodilo com características de mamífero

Criaturas como o Pakasuchus eram abundantes no período de 110 milhões a 80 milhões de anos atrás

04 de agosto de 2010 | 15h 43

estadao.com.br

Fósseis de um antigo crocodilo com dentes semelhantes aos de um mamífero foram descobertos na Tanzânia, informam cientistas na edição desta semana da revista Nature. A criatura, de acordo com seus descobridores, pode mudar a imagem do que era a vida animal há 100 milhões de anos na região.

"Se você só olhasse para os dentes, não pensaria que se trata de um crocodilo. Pensaria que tipo estranho de mamífero ou de réptil semelhante a mamífero é este", disse, em nota, o líder do estudo,  Patrick O'Connor, anatomista da Faculdade de Medicina Osteopática da Universidade de Ohio. 

Os cientistas descrevem a nova espécie como um animal pequeno - "sua cabeça caberia na palma da mão" , disse O'Connor - e não tinha uma armadura tão pesada quanto os outros crocodilos, exceto ao longo da cauda. Outros aspectos de sua anatomia indicam que se tratava de uma criatura terrestre, que provavelmente se alimentava de insetos e pequenos animais.

Os molares da nova espécie, chamada Pakasuchus - fusão de uma palavra africana para "gato" com "crocodilo" em grego - tinham forma semelhante aos dentes dos mamíferos carnívoros.

O estudo do fóssil indica que criaturas como o Pakasuchus eram abundantes no período de 110 milhões a 80 milhões de anos atrás. Com base em outros fósseis encontrados na mesma região, o pequeno crocodilo vivia junto de grandes dinossauros, outros tipos de crocodilo, tartarugas e várias espécies de peixe.

 

Genoma da esponja do mar revela genes de centenas de milhões de anos

A esponja passa a ser o animal mais primitivo a ter o genoma sequenciado

04 de agosto de 2010 | 18h 46

estadao.com.br

A publicação da sequência completa do genoma de uma esponja marinha viva revela genes com centenas de milhões de anos, dizem pesquisadores. O trabalho está publicado na edição desta semana da revista Nature.

A esponja passa a ser o animal mais primitivo a ter o genoma sequenciado e, de acordo com os autores do trabalho, o sequenciamento revela que uma "riqueza genética espantosa" estava disponível na aurora do reino animal.

Um dos autores do trabalho publicado na Nature, Kenneth S. Kosik, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, explica que a origem evolucionária dos animais foi marcada pela capacidade de diferentes células assumirem propriedades especializadas e trabalhar em conjunto pelo bem do organismo.

"A esponja representa uma janela para esse momento", disse ele, em nota.

Ele acrescenta, como exemplo, que embora a esponja não tenha neurônios, seu genoma revela a presença de genes encontrados nesse tipo de célula.

O genoma da esponja mostra que, no caminho rumo à emergência dos animais, genes para uma rede completa de células especializadas evoluíram. "Essa rede lançou a base para o núcleo da lógica genética de organismos que não mais funcionavam como células individuais, mas como uma comunidade cooperativa de células especializadas", acrescentou Kosik.

 

Descoberta pulsação na aurora ultravioleta de Saturno

Saturno, como todos os planetas magnetizados, emite ondas de rádio a partir de suas regiões polares

04 de agosto de 2010 | 16h 45

estadao.com.br

Uma equipe internacional de cientistas, encabeçada pelo britânico  Jonathan Nichols, da Universidade de Leicester, descobriu que a aurora de saturno, um tênue brilho em radiação ultravioleta que ilumina a atmosfera superior do planeta junto aos polos, pulsa num ritmo aproximado de uma vez ao dia.

A duração do dia de Saturno tem sido objeto de muita discussão, desde que se descobriu que o "relógio" tradicional usado para medir a rotação do planeta, um gigante gasoso sem uma superfície sólida para servir de referência, aparentemente não é muito preciso.

Saturno, como todos os planetas magnetizados, emite ondas de rádio a partir de suas regiões polares. Essas emissões pulsam com um período próximo a 11 horas, e o intervalo dos pulsos foi presumido, durante a época das sondas Voyager, representante da rotação do planeta. No entanto, ao longo dos anos, o período da pulsação da emissão de rádio tem variado. Como a rotação de um planeta não muda facilmente, a caçada pela fonte da variação do rádio se tornou um problema significativo para ao estudo do planeta.

Agora, artigo publicado no periódico Geophysical Research Letters, a equipe de Nichols se vale de imagens do Telescópio Espacial Hubble para mostrar que não os as emissões de rádio pulsam, mas as auroras também, e de forma sincronizada.

Segundo Nichols, o resultado é importante por fornecer um elo entre as auroras e as emissões de rádio, além de fornecer mais um dado para um possível diagnóstico da irregularidade das pulsações.




Encontrados 95 genes que afetam a taxa de colesterol no sangue

As descobertas mostram que regular o colesterol é uma tarefa mais complexa do que se imaginava

04 de agosto de 2010 | 17h 52

REUTERS

Uma varredura de todo o DNA humano revelou 95 genes que afetam a taxa de colesterol no sangue, incluindo alguns que são afetados por drogas que já estão no mercado e outros que poderão se tornar alvo de novas drogas, disseram pesquisadores nesta quarta-feira.

As descobertas mostram que regular o nível de colesterol é uma tarefa mais complexa do que se imaginava, mas também apontam para alguns atalhos na prevenção de doenças cardíacas.

As variações encontradas respondem por entre um quarto e um terço das variações hereditárias de colesterol e triglicérides, informam os cientistas na edição desta semana da revista Nature. Dieta e exercícios também podem afetar fortemente os níveis de colesterol.

"Esses resultados ajudam a refinar nosso caminho na prevenção e tratamento da doença cardíaca, um problema de saúde que afeta milhões de pessoas nos EUA e muitas mais pelo mundo", disse Francis Collins, diretor dos Institutos Nacionais de saúde (NIH) dos Estados Unidos e que tomou parte na execução do estudo.


Uma grande equipe internacional de pesquisadores mapeou o DNA de mais de 100.000 pessoas para identificar os genes que afetam as várias formas de colesterol, incluindo a lipoproteína de alta densidade, o "colesterol HDL", ou "colesterol bom"; a lipoproteína de baixa densidade, o "colesterol LDL", ou" colesterol ruim"; e os triglicérides.

Essas formas de gordura são essenciais para as células, mas também podem entupir os vasos sanguíneos ou enrijecer as artérias. 

 

Sol retoma atividade e dispara jato de plasma na direção da Terra

Quando uma ejeção de massa coronal atinge a Terra, ela interage com o campo magnético

02 de agosto de 2010 | 18h 04

estadao.com.br

Depois de um longo sono, o Sol está acordando, dizem astrônomos do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian (CfA). na manhã deste domingo, a superfície da estrela entrou em erupção e lançou toneladas de plasma no espaço interplanetário. O plasma está vindo em nossa direção.

 

Divulgação/Nasa

"Esta erupção está apontada diretamente para nós, e espera-se que chegue no dia 4 de agosto", disse, em nota, o astrônomo  Leon Golub. "É a primeira grande erupção voltada para a Terra em um bom tempo".

A erupção, chamada ejeção de massa coronal, foi registrada pelo Observatório de Dinâmica Solar (SDO) da Nasa, lançado ao espaço em fevereiro deste ano e que produz imagens de alta definição do Sol em várias frequências.

Quando uma ejeção de massa coronal atinge a Terra, ela interage com o campo magnético e pode criar uma tempestade geomagnética. partículas do Sol fluem pelas linhas de força do campo magnético na direção dos polos terrestres.

Essas partículas colidem com os átomos da atmosfera, que podem brilhar em resposta.

Esses fenômenos, conhecidos como auroras, normalmente só são visíveis em altas latitudes, em locais afastados do equador.

O Sol passa por um ciclo de atividade de cerca de 11 anos. A última máxima de atividade solar ocorreu em 2001, e a mínima mais recente foi particularmente prolongada. A erupção de domingo, de acordo com o CfA, pode ser um sinal de que o Sol finalmente acordou.

 

Pequim lança 5º satélite para compor sua versão do GPS

China quer construir sistema que seja independente do GPS americano e do Glonass russo

02 de agosto de 2010 | 15h 40

EFE

A China lançou seu quinto satélite Beidou, a versão chinesa do sistema global de navegação por satélite, a partir da base aeroespacial de Xichang, na província sudoeste de Sichuan, informou o jornal China Daily.

O novo satélite fará parte de uma rede que será composta no futuro por 35 satélites que permitirão à China oferecer um serviço de navegação e posicionamento global aos usuários de todo o mundo.

O primeiro satélite de navegação Beidou entrou em órbita em 20 de outubro de 2000, em um esforço da China para construir seu próprio sistema de posicionamento, independente do americano Sistema de Posicionamento Global (GPS), do europeu Galileu ou do russo Sistema Satélite de Navegação (Glonass).

 

 

EUA e Europa preparam primeira missão conjunta a Marte

O foco serão os gases que aparecem em quantidades vestigiais, como o metano, na atmosfera marciana

02 de agosto de 2010 | 14h 54

estadao.com.br

A Nasa e a Agência Espacial Europeia selecionaram os instrumentos científicos que viajarão a bordo da ExoMars, a primeira de três missões robóticas conjuntas das duas agências para o estudo do planeta vermelho.


Com o nome completo de ExoMars Trace Gas Orbiter, a primeira sonda tem lançamento previsto para 2016 e estudará a composição química da atmosfera marciana com uma sensibilidade 1000 vezes superior á de missões anteriores.

O foco serão os gases que aparecem em quantidades vestigiais, como o metano, que podem ter origem geológica ou biológica e indicar a existência de vida em Marte.

Em órbita,a  sonda será também um elo a mais na cadeia de comunicações para as missões com destino à superfície, previstas para começar em 2018.

Os instrumentos selecionados são:

Espectrômetro de Ocultação de Moléculas Traço da Atmosfera de Marte: um espectrômetro projetado para detectar concentrações muito baixas de moléculas na atmosfera.

Espectrômetro de Alta Definição de Ocultação Solar e Nadir: um espectrômetro projetado para detectar componentes vestigiais da atmosfera e mapear suas posições na superfície.

Sonda Climática: um radiômetro de infravermelho que produzirá boletins diários sobre poeira, vapor d'água e outros materiais, e ajudará a pôr os dados dos espectrômetros em contexto.

Câmera Colorida Estéreo de Alta Resolução: uma câmera que produzirá imagens coloridas e em estéreo numa resolução de dois milhões de pixels a cada 8,5 km.

Experimento Global Atmosférico de Imagem de Marte: uma câmera de ângulo amplo e múltiplos espectros.

Implante de osso artificial permite regenerar juntas em coelhos

Empresas que fabricam juntas metálicas estão manifestando interesse na técnica

29 de julho de 2010 | 14h 06

REUTERS

Coelhos que receberam implantes de osso artificial regeneraram suas juntas, incluindo as cartilagens, pesquisadores informam nesta quinta-feira, 29.

Um único composto, chamado fator de crescimento, foi necessário para induzir o corpo dos animais a remodelar o tecido da junta, disse a equipe de pesquisadores da Universidade Columbia em Nova York, Universidade Clemson na Carolina do Sul e Universidade do Missouri. 

Uma junta regenerada deve durar mais e funcionar de modo mais natural que uma prótese metálica, disseram os autores do experimento.

Empresas que fabricam juntas metálicas estão manifestando interesse, disse o líder da pesquisa, Jeremy Mao. "Todo o tecido se formou a partir de células-tronco do receptor", disse ele.

Escrevendo na revista média The Lancet, os pesquisadores disseram ter iniciado o trabalho com op propósito de fabricar uma junta artificial usando um biomaterial aprovado pelas autoridades sanitárias americanas para a regeneração de ossos.

Eles replicaram uma junta de perna de coelho e infundiram o osso artificial, poroso, com fator de crescimento. Dez coelhos equipados com as juntas artificiais tratadas com o fator já estavam saltando depois de quatro semanas. Em comparação, dos dez coelhos que haviam recebido a junta sem fator de crescimento, poucos se mostraram capazes de andar normalmente.

"Foi uma descoberta surpreendente", disse Mao. os pesquisadores esperavam que mais trabalho fosse necessário para levar o corpo a revestir o osso artificial com cartilagem.

A técnica poderia beneficiar vítimas de artrite avançada. Juntas de metal duram de 10 a 15 anos, mas o novo tipo deve durar mais, disse Mao. "É a sua própria junta, que você fez pela segunda vez".

Em comentário na Lancet, o médico Patrick Warnke escreveu advertindo que talvez nem todos os pacientes tenham a capacidade de reagir tão bem ao fator de crescimento, regenerando a junta tão depressa, principalmente no caso de idosos.

 

Pesquisadores da Unicamp usam 'cola' para restabelecer conexão entre neurônios

Modelo inovador associa terapia celular ao reimplante de raízes nervosas para recuperar lesões cerebrais

29 de julho de 2010 | 13h 32

Agência Fapesp

SÃO PAULO - A realização de reparos eficientes em lesões do sistema nervoso é um desafio para a medicina. Compreender o rearranjo dos circuitos neurais provocado por essas lesões pode ser um passo fundamental para otimizar a sobrevivência e a capacidade regenerativa de neurônios motores e restabelecer os movimentos de pacientes.

A partir de investigações sobre esses mecanismos de rearranjo dos circuitos nervosos, um grupo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está desenvolvendo um modelo inovador que associa terapia celular ao reimplante das raízes nervosas.

Para restabelecer a conexão entre o sistema nervoso periférico e o central, os pesquisadores utilizam células-tronco mononucleares de medula óssea e uma “cola” desenvolvida a partir do veneno de serpentes.

O projeto é coordenado por Alexandre Leite Rodrigues de Oliveira, professor do Departamento de Anatomia, Biologia Celular e Fisiologia e Biofísica, e conta com apoio da Fapesp por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa - Regular.

Oliveira, que coordena o Laboratório de Regeneração Nervosa da Unicamp, apresentou na última segunda-feira, durante o 15º Congresso da Sociedade Brasileira de Biologia Celular, em São Paulo, modelos utilizados por sua equipe para investigar os mecanismos de regeneração do sistema nervoso central e periférico.

Este ano, o grupo já publicou artigos sobre o tema nas revistas científicas Neuropathology and Applied Neurobiology, Journal of Comparative Neurology e Journal of Neuroinflammation.

“Após uma lesão no sistema nervoso - periférico ou central -, ocorre um rearranjo considerável dos circuitos neurais e das sinapses. Entender esse rearranjo é importante para determinar a sobrevivência neural e a capacidade regenerativa posterior”, disse Oliveira à Agência Fapesp.

Para estudar os mecanismos de regeneração, os cientistas utilizam técnicas que unem microscopia eletrônica de transmissão, imuno-histoquímica, hibridação in situ e cultura de células gliais e de neurônios medulares.

“Procuramos associar a terapia celular ao reimplante das raízes nervosas. Para isso, temos usado células-tronco mesenquimais e mononucleares no local da lesão ou nas raízes reimplantadas. A ideia não é repor neurônios, mas estimular troficamente essas células e evitar a perda neural, de modo a conseguir otimizar o processo regenerativo”, explicou Oliveira.

O projeto mais recente do grupo envolve o uso de um selante de fibrina - uma proteína envolvida com a coagulação sanguínea -, produzido a partir de uma fração do veneno de jararaca pelo Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu.

“Os axônios dos neurônios motores saem da medula espinhal e entram na raiz nervosa, dirigindo-se aos nervos. O nosso modelo emprega essa ‘cola’ biorreabsorvível para reimplantar as raízes nervosas na superfície da medula, onde o sistema nervoso periférico se conecta ao sistema nervoso central. Associamos essa adesão às células-tronco, que produzem fatores neurotróficos - isto é, moléculas proteicas capazes de induzir o crescimento e a migração de expansões das células neurais”, afirmou Oliveira.

Quando as raízes motoras são arrancadas, cerca de 80% dos neurônios motores morrem duas semanas após a lesão. Mas os motoneurônios que sobrevivem têm potencial regenerativo após o reimplante de raízes nervosas.

“Porém, na maioria das vezes, o reimplante das raízes não é suficiente para se obter um retorno da função motora, porque a lesão causa uma perda neuronal grande demais. Por isso, é preciso desenvolver estratégias para diminuir a morte neuronal após a lesão. Achamos que o uso do selante de fibrina pode auxiliar nesse processo”, indicou.

Segundo Oliveira, quando há uma lesão periférica - comum em acidentes de trabalho, por exemplo -, com transecção ou esmagamento de nervos, ocorre uma resposta retrógrada, ou seja, uma reorganização sináptica visível na medula espinhal, onde se encontram os neurônios.

“O interessante é que, quando a lesão é periférica, o neurônico sinaliza de alguma forma para a glia - o conjunto de células do sistema nervoso central que dão suporte aos neurônios -, que se torna reativa. Essa reatividade está envolvida no rearranjo sináptico por meio de mecanismos ainda pouco conhecidos. Nosso objetivo é compreender e otimizar esse processo de rearranjo sináptico para, futuramente, criar estratégias capazes de melhorar a qualidade da regeneração neuronal”, afirmou.

Rearranjo sináptico

No laboratório da Unicamp, os cientistas induzem em ratos e camundongos doenças como a encefalomielite autoimune experimental - um modelo para estudar a esclerose múltipla. Após a indução de uma forma aguda da doença, os animais apresentam todos os sinais clínicos, tornando-se tetraplégicos de 15 a 17 dias após a indução.

“Por outro lado, eles se recuperam da tetraplegia muito rapidamente, entre 72 e 96 horas. O rearranjo sináptico induzido pela inflamação é tão grande que paralisa completamente a funcionalidade tanto sensitiva como motora, mas de forma transitória”, disse Oliveira.

No entanto, a esclerose múltipla destrói a bainha de mielina, uma substância que isola as terminações dos nervos e garante o funcionamento dos axônios. Segundo Oliveira, porém, essa bainha se recupera em surtos temporários: em alguns momentos há desmielinização; em outros, a resposta imune fica menos ativa, permitindo que a bainha de mielina se recomponha.

“O paradoxal é que, mesmo que a remielinização não tenha se completado, o animal volta a andar normalmente. Nossa hipótese é que o processo autoimune causa lesões cuja repercussão no sistema nervoso central é similar àquela que ocorre após uma injúria axonal. Transitoriamente, os neurônios param de funcionar. Quando a inflamação cede, as sinapses retornam muito rapidamente. No modelo animal, em algumas horas a função é retomada e os sinais clínicos vão desaparecendo”, disse.

Além do modelo da esclerose múltipla, os cientistas trabalham também com um modelo de lesão periférica dos nervos e na superfície da medula espinhal.

“Quanto mais perto da medula ocorre a lesão, mais grave é em termos de morte neuronal. Todas são graves, mas aquela que ocorre perto da medula causa perda neuronal, e aí não há perspectiva de recuperação. Mesmo com as vias íntegras, o neurônio que conecta o sistema central com o músculo morre e nunca mais haverá recuperação”, explicou o professor da Unicamp.

“Tanto no animal como no homem, ocorre uma perda grande de neurônios, mas, da pequena porcentagem que resta, apenas cerca de 5% consegue se regenerar. No homem, entretanto, há uma demora de mais de dois anos para que se recupere alguma mobilidade. No rato, a mobilidade é recuperada em três ou quatro meses”, afirmou Oliveira.

“Uma vez que isso foi descoberto, começou-se a tentar reimplantar as raízes, desenvolvendo estratégias cirúrgicas e tratamentos com drogas que evitem a morte neuronal nesse período em que há desconexão. Essa parece ser a saída mais promissora para evitar a perda neuronal e otimizar a regeneração”, destacou o pesquisador.


 

Robô na superfície de Marte fotografa redemoinho pela primeira vez

Um dia antes da foto do redemoinho, ventos limparam os painéis solares do Opportunity

29 de julho de 2010 | 14h 43

estadao.com.br

Pela primeira vez em mais de seis anos no planeta vermelho, o robô Opportiny fotografou, pela primeira vez, um redemoinho. Diferentemente de seu "irmão", o Spirit, que já havia encontrado o fenômeno dezenas de vezes, Opportunity ainda não havia cruzado o caminho de uma das colunas de poeira marciana.

Uma coluna alta de poeira aparece numa imagem feita pelo robô no último dia 15.

A área de atuação do Spirit, a cratera Gusev, tem uma textura mais grosseira no solo e é mais poeirenta que a área onde se encontra o Opportunity, na região de Meridiani Planum. Esses fatores permitem que vórtices de vento se formem mais prontamente e levantem mais poeira na vizinhança do Spirit em comparação com os arredores do Opportunity.


Um dia antes da foto do redemoinho, ventos limparam os painéis solares do Opportunity, aumentando a produção de eletricidade do robô em 10%. Opportunity e Spirit chegaram a Marte em janeiro de 2004, para uma missão de três meses.

Cientistas detectam declínio no plâncton dos oceanos

Os números são desconcertantes e assustadores, dizem os pesquisadores

28 de julho de 2010 | 15h 48

Associated Press

Células microscópicas de Rhizosolenia setigera, uma das espécies do fitoplâncton. Karl Bruun/AP

A despeito de seu tamanho, as minúsculas plantas marinhas conhecidas como o fitoplâncton são cruciais para boa parte da vida na Terra. São o alicerce da cadeia alimentar dos oceanos, produzem metade do oxigênio do mundo e absorvem gás carbônico. E sua população está em queda acentuada.

Os níveis mundiais de fitoplâncton caíram 40% desde os anos 50, de acordo com estudo publicado na edição desta semana da revista científica Nature. A causa provável é o aquecimento global, que dificulta o acesso do plâncton a nutrientes, dizem os pesquisadores. 

Os números são desconcertantes e assustadores, dizem os pesquisadores canadenses que conduziram o estudo e um especialista dos Estados Unidos.

"É preocupante porque o fitoplâncton é a moeda básica de tudo que acontece no oceano", disse o biólogo Boris Worm, da Universidade Dalhousie, um coautor do trabalho. "É como uma recessão... que estivesse perdurando por décadas".

Meio milhão de pontos de informação, datando de 1899, mostram que os níveis de fitoplâncton em praticamente todos os oceanos do mundo começaram a cair nos anos 50. As maiores mudanças ocorreram no Ártico, no Atlântico sul e equatorial e no Pacífico equatorial. Apenas o Oceano Índico não mostra declínio. Os autores do estudo afirmam que, a despeito da redução, é muito cedo para dizer que o fitoplâncton esteja a caminho de desaparecer.

A principal cientista de mudança climática do serviço geológico do governo dos EUA, Virginia Burkett, disse que os números do plâncton são preocupantes e mostram problemas que não podem ser vistos apenas com a observação de espécies mais populares, como golfinhos ou baleias.

"Essas espécies diminutas indicam que mudanças de larga escala nos oceanos estão afetando os produtores primários do planeta", disse ela, que não tomou parte no estudo.

Quando o fitoplâncton diminui, como ocorre no ciclo do El Niño, pássaros e mamíferos marinhos morrem de fome em grande quantidade, dizem especialistas.


"Fitoplâncton, no fim, afeta todos nós em nossas vidas", disse o principal autor do trabalho, Daniel Boyce. "Muito do oxigênio em nossa atmosfera hoje foi produzido por fitoplâncton ou precursores de fitoplâncton nos últimos 2 bilhões de anos".

Worm explica que, quando a superfície do mar se aquece, a água quente no topo não se mistura mais tão facilmente com a água fria abaixo. Isso faz com que seja mais difícil para o fitoplâncton, que é leve e frequentemente vive perto da superfície, obtenha nutrientes das águas mais profundas.

Estudos anteriores sobre plâncton se valeram basicamente de dados de satélite, que só vão até 1978. Mas Worm e colegas usaram uma abordagem de baixa tecnologia, discos criados pelo cientista Pietro Angelo Secchi no século 19. Os discos medem a opacidade dos oceanos. Quando mais opacas as águas, mais plâncton. Cientistas independentes disseram que a abordagem é válida.

 

Consórcio internacional aprova US$ 21 bilhões para megaprojeto de fusão nuclear

Orçamento do projeto, alvo de críticas, já triplicou; ideia é reproduzir reações nucleares do sol.

28 de julho de 2010 | 16h 51

Os países que integram o projeto internacional de fusão nuclear Iter (sigla em inglês de Reator Termonuclear Experimental Internacional) concordaram nesta quarta-feira em realizar um investimento de cerca de US$ 21 bilhões (R$ 48 bilhões) na iniciativa para gerar energia limpa e barata até 2027.

O objetivo do Iter, que está sendo construído desde 2007 na cidade de Cadarache, no sul da França, é criar o maior reator de fusão nuclear do mundo, com a capacidade inédita de produzir mais energia do que consome, reproduzindo na Terra as reações nucleares que ocorrem no Sol.

A ideia é gerar, com 50 megawatts (MW) de energia iniciais, pelo menos 500 MW.

Até o momento, foi realizada apenas a terraplanagem do terreno de 42 hectares (o equivalente a cerca de 42 campos do tamanho do Maracanã) que irá abrigar o projeto.

No centro da planície atualmente deserta, será construído o gigantesco reator Tokomak, dentro de um prédio de 57 metros de altura, com outros quatro andares subterrâneos.

Por tudo isso, o projeto, que triplicou de orçamento nos últimos anos, é considerado um dos experimentos científicos mais ambiciosos do planeta.

Custos

Depois de uma reunião nesta quarta-feira dos membros do conselho do projeto - Índia, China, Coreia do Sul, Japão, Rússia, Estados Unidos e União Europeia (UE) - ficou decidido também que o japonês Osamu Motojima será o novo diretor-geral do Iter, responsável pela manutenção do cronograma e dos custos do projeto.

Em entrevista à BBC Brasil, Motojima admitiu que a sua maior responsabilidade será manter a fase de construção dentro do orçamento previsto.

A primeira dificuldade dele surgiu já no primeiro dia de mandato, já que a UE decidiu limitar a sua participação a US$ 6,6 bilhões, um corte de 9% em relação ao anteriormente previsto.

Como o bloco europeu é responsável por 45% da conta do Iter, Motojima terá que completar a fase de construção - prevista para novembro de 2019 - com cerca de US$ 850 milhões a menos que o prometido.

"Para termos a compreensão das pessoas, temos que nos manter dentro do orçamento. A minha expectativa é que podemos fazê-lo. Senão não aceitaria o cargo", afirmou o diretor-geral, que pretende poupar com mudanças na estrutura administrativa e nos sistemas de compra do Iter.

Na administração anterior, as estimativas de custo do Iter saltaram de 5 milhões de euros para cerca de 15 milhões de euros.

Críticas

Em meio à crise econômica mundial, o custo triplicado do projeto provocou duras críticas, principalmente depois que a UE propôs financiar o Iter com verbas de fundos de pesquisa de outros estudos ainda não repassadas.

"Isso é um projeto de física do plasma e por isso é interessante, belo, mas não há motivos para tirar verbas de outros belos projetos", afirmou à BBC Brasil o físico Jacques Treiner, da Universidade de Paris.

Para ele, o projeto do Iter tem falhas fundamentais na sua concepção e deveria ser abandonado antes de atrapalhar outros projetos.

Treiner é um dos signatários de uma carta aberta, ao lado do prêmio Nobel Georges Charpak, contra o repasse de verbas europeias ao Iter.

Nela, os estudiosos dizem que o repasse de verbas ao Iter seria o equivalente a 20 anos de pesquisas (sem contar com salários) nas áreas de biologia e física na França.

Economicamente 'inviável'

Para alcançar o objetivo do Iter, os cientistas terão que criar artificialmente temperaturas de cerca de 150 milhões de graus Celsius, que por sua vez transformam partículas atômicas em um gás incandescente, o plasma.

O problema é que, até hoje, o máximo de energia obtido por meio de plasma foi o equivalente a cerca de 70% da energia investida em produzir o gás.

Em outras palavras, ainda não se sabe como transformar a fusão nuclear em uma atividade economicamente viável.

No entanto, cientistas envolvidos no projeto acreditam que o Iter seja a melhor forma de obter uma fonte de energia limpa e renovável.

"Nós temos apenas um número limitado de fontes de energia. A fusão é uma delas. O investimento nessa tecnologia vale a pena, porque vai possibilitar uma recompensa de longo prazo, para os seus filhos, netos e bisnetos", afirmou o físico David Campbell, do Iter.

O Iter começou em 1985, quando os então presidentes dos Estados Unidos, Ronald Reagan, e da União Soviética, Mikhail Gorbachev, decidiram fechar um acordo internacional para desenvolver energia a partir da fusão nuclear.

Os sete integrantes do projeto esperam que seu sucesso não só garanta a energia do futuro, mas divisas referentes aos royalties a serem obtidos com a venda das tecnologias para outros países ou empresas. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.


 

Descobertos pares de planetas gigantes ligados entre si

Planetas maiores que Júpiter orbitam separados por uma distância menor que a entre a Terra e Marte

28 de julho de 2010 | 14h 57

estadao.com.br

Centenas de planetas extrassolares já foram descobertos nos últimos 15 anos, a maioria deles mundos solitários orbitando suas estrelas em aparente isolamento. Novas observações, no entanto, mostraram que um terço dos sistemas contém dois ou mais planetas, mas distantes entre si. Agora, pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) descobriram dois ssitemas com pares de planetas gigantes presos num abraço orbital.

Mais de 100 candidatos a planeta do tamanho da Terra

Em um dos sistemas, o par planetário gira em torno da estrela moribunda HD 200964, localizada a cerca de 223 anos-luz da Terra, a dança gravitacional dos planetas é mais apertada que em qualquer outro par já visto. "Este par veio num pacote surpresa", disse o líder do estudo, John A. Johnson, em nota.

"Um sistema planetário com gigantes tão próximos seria destruído rapidamente se os planetas não estivessem fazendo uma dança nem sincronizada. É um enigma como os planetas acharam o ritmo", acrescenta Eric Ford, da Universidade da Flórida.

Artigo assinado por Johnson, Ford e colegas sobre a intrigante mecânica orbital dos planetas será publicado no periódico Astronomical Journal.

Todos os quatro exoplanetas recém-descobertos são gigantes gasosos com mais massa que Júpiter, e como a maioria dos planetas já descobertos fora do Sistema Solar, foram encontrados medindo-se o deslocamento que causam na estrela central de seus sistemas.

A distância entre os planetas orbitando HD 200964 pode chegar a 0,35 Unidade Astronômica, comparável à distância que separa a Terra de Marte.

Os planetas em órbita da segunda estrela estudada, 24 Sextanis, a 244 anos-luz da Terra, estão a 0,75 Unidade Astronômica, ou cerca de 100 milhões de quilômetros. Em comparação, Júpiter e saturno nunca estão a menos de  500 milhões de quilômetros um do outro.

Por causa de suas grandes massas e pequena distância, cada um dos planetas exerce uma profunda influência gravitacional em seu parceiro. A atração entre os planetas de HD 200964, por exemplo, é 700 vezes maior que o que existe entre a Terra e a Lua.

Os pares se mantém estáveis porque suas órbitas se encontram em ressonância. Quando planetas entram em ressonância, seus períodos orbitais se relacionam em uma razão de pequenos números inteiros. Numa ressonância 2:1, por exemplo, o planeta mais externo do par completa uma volta em torno da estrela no mesmo tempo em que o interior completa duas.

Os planetas de 24 Sextanis estão presos numa ressonância 2:1, que é o padrão mais comum e estável. Já os de HD 200964 estão num padrão 4:3.




Híbrido de zebra e burro nasce em reserva de vida silvestre nos EUA

Este é o primeiro animal do tipo a nascer no parque em 40 anos

28 de julho de 2010 | 17h 58

Associated Press

Um "zeburro" de quatro dias, fruto do raro cruzamento entre zebra e burro, caminha ao lado da mãe na Reserva de Vida silvestre de Chestatee, nos Estados Unidos. O diretor da reserva diz que esta é a primeira vez em 40 anos que um zeburro nasce no local.

 

Observatório no Chile fotografa estrela que está se desfazendo

Estrelas de Wolf-Rayet têm uma radiação tão intensa que acabam expelindo suas camadas externas

28 de julho de 2010 | 13h 49

estadao.com.br

O Observatório de La Silla, no Chile, mantido pela organização Observatório Europeu Sul, captou uma imagem da estrela WR 22, na nebulosa de Carina. WR 22 é uma estrela Wolf-Rayet, um tipo raro de astro.

Estrelas de Wolf-Rayet têm uma radiação tão intensa que acabam, por pressão da luz, expelindo suas camadas externas, eliminando material da própria atmosfera para o espaço milhões de vezes mais depressa que o Sol.   

WR 22 é uma das estrelas desse tipo de maior massa já detectadas. Ela é membro de um sistema estelar duplo, e tem uma massa que é pelo menos 70 vezes maior que a do Sol. Embora esteja a mais de 5.000 anos-luz, a estrela é tão brilhante que pode ser vista, ainda que de modo tênue, a olho nu, em boas condições atmosféricas. 

As cores do pando de fundo da imagem são resultado da interação entre a intensa radiação ultravioleta emitida por estrelas de grande massa e muito quentes, como WR 22, e as vastas nuvens de gás, principalmente hidrogênio, onde esses astros se formam.


Pré-histórico usava planta contra verme

Estudo da Fundação Oswaldo Cruz avaliou fezes fossilizadas encontradas no Piauí e no Arizona (EUA)

23 de julho de 2010 | 0h 00

- O Estado de S.Paulo

RIO
O ser humano usava plantas medicinais para combater verminoses há 8,5 mil, indica uma pesquisa do Departamento de Paleoparasitologia da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz. O estudo encontrou vestígios de plantas que têm efeito anti-helmíntico em coprólitos - fezes fossilizadas.

A pesquisadora Isabel Teixeira-Santos chegou à conclusão ao analisar amostras encontradas no Piauí e no Arizona (EUA). "A gente tenta traçar o perfil paleoepidemiológico de grupos humanos pré-históricos. O ambiente era muito diferente. Tentamos entender que meios tinham para combater doenças. Isso é importante para entender a evolução humana", afirma a bióloga, que analisou o tema em sua tese de mestrado.

As amostras eram de períodos diferentes. As do Arizona têm até 4 mil anos; as do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, 8,5 mil.

Ela encontrou pólen e grânulo de amido de plantas da família das quenopodiáceas e das malváceas, que têm a propriedade de combater verminoses. "Esses grânulos são encontrados na raiz das plantas. O pólen está nas flores. Isso demonstra que eles comiam as partes da planta que fazem efeito", explica a bióloga.

"Não posso dizer que faziam isso de forma intencional, porque não há registros. Mas é provável que sim. Eles sentiam os sintomas e procuravam algum tipo de tratamento", afirma.

Nas amostras do Piauí também foram encontradas vestígios de polipodiáceas, família a que pertencem as samambaias. "Eles comiam as folhas. Alguns autores descrevem que essa folha provoca vômito e auxilia na remoção de helmintos (vermes)", diz Isabel.

A pesquisadora também conseguiu identificar a alimentação desses povos. No Arizona, a dieta era predominantemente milho e yuka, uma espécie de inhame. "Eram grupos que já tinham agricultura", afirma. No Piauí, havia até pinhão na base alimentação. / C.T.

 

Em breve, computadores serão capazes de gerar hipóteses úteis sem ajuda dos humanos, diz estudo

Novas ferramentas devem entrar em cena na próxima década para conduzir experimentos mais complexos

23 de julho de 2010 | 13h 43

Agência Fapesp

SÃO PAULO - Há décadas, os computadores eletrônicos têm ajudado os cientistas a armazenar, processar e analisar dados. Mas, à medida que uma explosão de novos conhecimentos tem mudado o panorama científico, a tecnologia também está ampliando o poder dos computadores.

Nesse novo contexto, as máquinas passam da simples análise para a formulação de hipóteses, entrando em uma área até então exclusiva aos humanos. De acordo com um artigo publicado na edição desta sexta-feira, 23, da revista Science, em breve os computadores serão capazes de gerar hipóteses úteis sem ajuda dos humanos.

Segundo James Evans e Andrey Rzhetsky, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, o fato é que os computadores estão se tornando cada vez menos dependentes de seus criadores.

“Com base em abordagens de inteligência artificial, programas de computadores estão se tornando cada vez mais capazes de integrar conhecimento publicado com dados experimentais, de buscar por padrões e relações lógicas e de permitir o surgimento de novas hipóteses com menos intervenção humana”, afirma a dupla.

Segundo os pesquisadores, novas e poderosas ferramentas computacionais entrarão em cena na próxima década para conduzir experimentos maiores e mais complexos, permitindo um grande avanço em áreas como física, química, biomedicina e ciências sociais.

“No passado, abordagens computacionais foram mais bem-sucedidas em sistemas pequenos e bem definidos do que em maiores, menos conhecidos e mais complexos. A explosão de dados de experimentos de alto desempenho, entretanto, tem apresentado sistemas muito complexos”, dizem Evans e Rzhetsky. “Encarar esse volume de dados com questões tão grandes em escala e complexidade será crítico porque, como disse Mark Twain, ‘você não pode depender de seus olhos quando sua imaginação está fora de foco’”, destacam os autores.


Experimento confirma regra central da Mecânica Quântica após 84 anos

Resultado é revés para algumas tentativas de conciliar a teoria quãntica com a relatividade

22 de julho de 2010 | 15h 29

estadao.com.br

 
Uma regra proposta em 1926 pelo físico alemão Max Born para calcular a probabilidade de se encontrar uma partícula quântica num determinado lugar foi comprovada em um experimento descrito na edição desta semana da revista Science. Pesquisadores austríacos e canadenses provaram que ondas de luz interferem entre si apenas aos pares, não em grupos de três ou mais.

A confirmação da chamada Regra de Born representa um novo golpe para as tentativas de obter uma unificação entre a Mecânica Quântica e a Teoria da Relatividade: se a regra falhasse, a teoria quântica ficaria com um flanco exposto ao ataque da teoria de Eisntein.

Na mecânica quântica, muitas proposições só podem ser elaboradas em termos de probabilidades, e os objetos podem ser descritos por uma função de onda, a partir da qual suas propriedades podem ser calculadas. Born havia postulado que a probabilidade de um objeto ter uma determinada posição é igual ao quadrado da função de onda.

Uma consequência direta dessa regra é o padrão de interferência visto no famoso experimento de fenda dupla, no qual partículas de luz são disparadas contra um anteparo contendo uma dupla de aberturas. De acordo com Born, a interferência só pode ocorrer em pares de possibilidades.

A equipe de Gregor Weihs, da Universidade de Innsbruck e da Universidade de Waterloo, realizou um experimento de fenda tripla para testar o postulado de que a interferência só ocorreria em pares.

"A existência de uma interferência de terceira ordem teria repercussões teóricas tremendas, e iria abalar o coração da mecânica quântica", disse ele. 

No experimento de Weihs, fótons, ou partículas de luz, foram disparados contra uma barreira de aço com três fendas de milésimos de milímetro. Medições foram realizadas com cada uma das fendas fechada individualmente, resultando em oito combinações independentes. Os dados foram usados para calcular a precisão da regra.

"Em princípio, o experimento é muito simples", disse o cientista. "Ficamos surpresos ao descobrir que ninguém o havia realizado antes". Segundo Weihs, as medições permitem afirmar que não existem interferências de terceira ordem, pelo menos até um certo limite. O próximo passo é reduzir esse limite.

 

Estrela superveloz é expulsa da Via Láctea por buraco negro

As observações feitas pelo Hubble confirmam que a estrela corredora vem do centro da Via Láctea

22 de julho de 2010 | 14h 20

Ilustração da fuga da estrela hiperveloz para cima e para fora do plano da Via Láctea. Nasa

Cem milhões de anos atrás, um sistema estelar triplo passava pelo movimentado centro  da Via Láctea quando passou perto demais do buraco negro central da galáxia, que capturou uma das estrelas arremessou as outras duas para fora da Via Láctea. No caminho, as duas estrelas ejetadas fundiram-se numa só.

Essa história é, de acordo com pesquisadores que fizeram uso do Telescópio Espacial Hubble, o cenário mais provável para a chamara "estrela hiperveloz", conhecida como HE 0437-5439 e uma das mais rápidas já detectadas. Ela está abrindo caminho pelo espaço a uma velocidade de 2,5 milhões de quilômetros por hora, três vezes a velocidade orbital do Sol em torno do núcleo da galáxia.

As observações feitas pelo Hubble confirmam que a estrela corredora vem do centro da Via Láctea.

Astrônomos acreditam que a maioria das cerca de 16 estrelas hipervelozes conhecidas são exiladas do núcleo da galáxia, mas o resultado atual é a primeira observação direta ligando numa estrela de altíssima velocidade ao centro.

"Usando o Hubble, podemos traçar da onde a estrela vem, medindo sua direção de movimento pelo céu. Sua direção aponta diretamente para fora do núcleo", disse, em nota, o astrônomo Warren Brown, do Centro  Harvard-Smithsonian de astrofísica, nos EUA. "Essas estrelas exiladas são raras na população de 100 bilhões de estrelas da Via Láctea. Par acada 100 milhões de estrelas da galáxia há uma estrela hiperveloz".

Os movimentos dessas estrelas desligadas da galáxia podem revelar a forma de distribuição da matéria escura que cerca a galáxia. "O puxão gravitacional da matéria escura é medido pelo formato da trajetória das estrelas hipervelozes para fora da Via Láctea", explica Oleg Gnedin, da Universidade de Michigan.

A estrela exilada já está percorrendo a periferia distante da Via Láctea, bem acima do disco galáctico, a cerca de 200.000 anos-luz do centro. Em comparação, o diâmetro da Via Láctea é de 100.000 anos-luz.

Com base em sua posição e velocidade, HE 0437-5439 teria de ter 100 milhões de anos de idade para ter tido tempo de viajar do núcleo galáctico até sua posição atual. Mas sua massa - nove vezes a do Sol - e sua cor azul significam que ela deveria ter se apagado em apenas 20 milhões de anos.

A explicação mais provável é que a estrela tenha nascido como parte de um sistema triplo, e surgido por meio da fusão de duas parceiras. Esse conceito de o buraco negro central da galáxia emprestar a estrelas velocidade suficiente para que escapem de vez da Via Láctea foi proposto originalmente em 1988. A teoria prevê que o buraco negro deve ejetar uma estrela a cada 100.000 anos.

 

 

Queda de meteorito movimenta a cidade de Varre-Sai (RJ)

Prefeitura quer comprar por R$ 18 mil pedra de 12 cm e oferece bicicletas para quem achar mais fragmentos

22 de julho de 2010 | 13h 34

Clarissa Thomé, de O Estado de S.Paulo

Meteorito encontrado em propriedade rural de Varre-Sai. Wellinton Rangel/Divulgação

RIO DE JANEIRO - A pequena cidade de Varre-Sai, a 375 quilômetros da capital fluminense, se tornou destino de um tipo diferente de turistas - os caçadores de meteoritos. Eles estão à procura de fragmentos de um objeto que caiu no município em 19 de junho. No início deste mês, um casal de bolivianos foi preso no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, com três pedaços do meteorito. O prefeito da cidade, Everardo Ferreira (PP), oferece bicicletas de recompensa aos estudantes que recuperarem partes da pedra.

"Queremos incentivar os alunos para que estudem a região, vivenciem esse achado tão importante para a cidade. E queremos também que o meteorito fique em Varre-Sai. Pessoas de outros países vieram procurar o meteorito por conta de sua importância científica", afirmou Ferreira, que pretende criar um museu astronômico como forma de fomentar o turismo na região.

Varre-Sai entrou para a rota do comércio de meteoritos na noite de 19 de junho, quando o agricultor Germano da Silva Oliveira, de 62 anos, viu um rastro vermelho no céu e uma explosão, que clareou tudo. No dia seguinte, ele caminhou até um campo de plantação de mandioca e encontrou a pedra acinzentada de cerca de 600 gramas e 12 centímetros. Levou para que os professores da escola municipal avaliassem.

Deu sorte. A professora Filomena Ridolphi, cadastrada na Olimpíada Brasileira de Astronomia, reconheceu a importância do material achado por Oliveira. O físico Marcelo de Oliveira Souza, professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense e coordenador do Clube de Astronomia Louis Cruls, explica que há poucos registros de quedas de meteorito. "E o resgate é mais raro ainda. Os relatos do senhor Germano são importantíssimos para que possamos entender a trajetória, como chegou à atmosfera. Cada meteorito pode trazer informações novas sobre a formação do sistema solar. Ficou milhões de anos vagando pelo universo", afirma.

O último registro de meteorito a cair no Rio de Janeiro, com relatos e o posterior resgate, é de 1869. Souza e um grupo de pesquisadores também vasculharam a região em que Germano Oliveira viu cair o meteorito, mas nada encontraram. Estima-se que haja um pedaço gigante, de cerca de 20 quilos. "Há um comércio mundial de meteorito. São pessoas motivadas por interesses científicos, às vezes são colecionadores, outros compram apenas para especular", afirma Souza.

Uma rocha como a que Oliveira encontrou valeria entre R$ 15 mil e R$ 18 mil. A rocha de 20 quilos, R$ 1 milhão. "A prefeitura está interessada em comprar, mas não vai entrar em leilão", avisou o prefeito. Os bolivianos detidos, Benjamin Rivera e Cláudia Avellar, pagaram R$ 170 por um dos fragmentos. "Eles compraram de um adolescente, e o rapaz acabou contando. Mas nem sabíamos que estavam com outros dois pedaços", diz Souza. "Nossa luta é que o meteorito permaneça na região. Só o anúncio de um meteoro fez aumentar muito a procura pelo clube de astronomia".

Enquanto não decide se vende ou não o meteorito, o agricultor pediu que a rocha fique guardada num cofre da prefeitura. O prefeito encomendou três réplicas que ficarão expostas na cidade. A Universidade Federal do Rio de Janeiro também está estudando a composição do material encontrado. 

 


Cientistas descobrem 'novo' círculo em Stonehenge

Com equipamentos que rastream o subsolo, arqueólogos 'veem' sítio milenar

22 de julho de 2010 | 10h 54

Arqueólogos descobriram um segundo círculo próximo ao célebre monumento milenar Stonehenge, na Grã-Bretanha.  

 Faça uma visita virtual a Stonehenge 

 
Dave Caulkin/AP

Círculo fica perto do célebre monumento milenar britânico

O achado vem sendo considerado o mais importante dos últimos 50 anos na região.

Em vez de usar pedras, os limites do círculo, escavado na terra, teriam sido demarcados com postes de madeira, já que foram encontradas dezenas de buracos com cerca de um metro de profundidade.

A descoberta faz parte de um projeto milionário de arqueologia na região de Wiltshire.

O coordenador do projeto, o professor Vince Gaffney, da universidade de Birmingham, classificou o achado de "excepcional".

O "monumento" circular data do perído Neolítico ee da Idade do Bronze. Ele fica distante 900 metros das enormes pedras de Stonehenge.

BBC Brasil 

 

Mapa do céu revela 25.000 novos asteroides, 95% próximos à Terra

Varredura feita pelo satélite infravermelho Wise capta objetos muito escuros para outros telescópios verem

16 de julho de 2010 | 13h 39

Associated Press

Imagem da galáxia Messier 83, feita pelo satélite Wise durante sua varredura do céu. Nasa/JPL

Um dos mais novos telescópios espaciais da Nasa avistou 25.000 asteroides nunca antes encontrados nos últimos seis meses. Desses, 95% são considerados "próximos da Terra", mas na linguagem da astronomia isso significa que se encontram até 48 milhões de quilômetros de nós. Nenhum representa uma ameaça para o futuro imediato.

Chamado Wise - sigla em inglês de Explorador de Varredura Infravermelha de Campo Amplo - o telescópio completa sua primeira varredura completa do céu neste sábado, e em seguida inicia outra rodada.

O que torna o Wise especial é sua capacidade de enxergar através de véus impenetráveis de poeira, captando o calor de objetos que são invisíveis para os telescópios comuns.

"A maioria dos telescópios se concentra nos objetos mais quentes e brilhantes do Universo", disse Richard Binzel, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. "O Wise é especialmente sensível para ver o que é frio e escuro,. o que daria para chamar de os objetos ocultos do Universo". 

Além dos asteroides, o Wise avistou 15 novos cometas. Ele encontrou centenas de possíveis anãs marrons, corpos que são maiores que planetas mas menores que estrelas, e confirmou 20 delas, incluindo a mais fria já descoberta.

 

Cientistas desvendam alguns dos segredos da Mona Lisa

Da Vinci usou dezenas de camadas finas de tinta para suavizar os contornos do famoso retrato

16 de julho de 2010 | 14h 27

Associated Press

A Mona Lisa é examinada com equipamento de alta tecnologia. V.A. Sol/AP

O sorriso enigmático continua um mistério, mas pesquisadores franceses dizem ter desvendado alguns segredos de uma das pinturas mais famosas do mundo, a Mona Lisa.

Cientistas estudaram sete pinturas de autoria de Leonardo da Vinci expostas no Museu do Louvre, para analisar o uso, pelo mestre, de sucessivas camadas extremamente finas de tinta - uma técnica que dava a seus quadros uma qualidade de sonho.

Especialistas do Centro de Pesquisa e Restauração de Museus da França descobriram que Da Vinci pintou cerca de 30 camadas em seus trabalhos para atingir o grau de sutileza que desejava. Todas juntas, essas camadas têm menos de 40 micrômetros, ou metade da espessura de um cabelo humano, disse o pesquisador  Philippe Walter.

A técnica, chamada "sfumato", permitiu que Da Vinci desse aos contornos uma qualidade nebulosa e criasse a ilusão de profundidade e sombra. O uso da técnica pelo gênio renascentista é bem conhecido, mas o estudo científico dela era limitado, porque as análises muitas vezes requeriam amostras das telas.

Os pesquisadores agora usaram uma técnica não invasiva, chamada espectroscopia de fluorescência de raios X, para estudar as camadas das pinturas e sua composição química.

Eles levaram o equipamento especialmente construído ao museu quando a instituição estava fechada e estudaram os rostos nos quadros, que são emblemáticos do sfumato.

O projeto foi desenvolvido em conjunto com a Instalação Europeia de radiação Síncrotron.

A ferramenta mostrou-se tão precisa que "agora podemos determinar a mistura de pigmentos usada pelo artista em cada camada de tinta", disse Walter. "E isso é muito importante para entender a técnica".

A análise mostrou ainda que Da Vinci testava novas técnicas constantemente, disse Walter. na Mona Lisa, ele usou óxido de manganês nas sombras. Em outras, cobre. Os resultados foram publicados na publicação especializada em química Angewandte Chemie.

Segundo a tradição, Mona Lisa é um retrato de Lisa Gherardini, mulher do mercador florentino Francesco del Giocondo, e que começou a ser pintado em 1503.




Cientistas desenvolvem mosquito resistente ao parasita da malária

Americanos introduziram um gene que afetou intestino do inseto, o que impediria o parasita de viver

16 de julho de 2010 | 17h 10

BBC News

Cientistas americanos conseguiram manipular geneticamente um mosquito resistente à malária. Os pesquisadores, da Universidade do Arizona, introduziram um gene que afetou o intestino do inseto, o que significa que o parasita da malária não poderia se desenvolver.

Os autores do estudo relataram a descoberta, que também reduziu a longevidade dos insetos, na revista PLoS Pathogens. Eles dizem que o objetivo final é a introdução no meio ambiente de mosquitos resistentes à malária.

"Antes de fazermos isso, temos que de alguma forma dar os mosquitos uma vantagem competitiva sobre os insetos transmissores da doença", explicou o professor Michael Riehle, da Universidade do Arizona, um dos principais pesquisadores do projeto.

No estudo, os cientistas alteraram um gene que codifica uma molécula de "sinalização". Essa molécula - uma proteína - permite que as células do mosquito se comuniquem umas com as outras, e é crucial para o desenvolvimento do parasita dentro do mosquito.

A adaptação genética aumentou artificialmente a produção dessas moléculas, prejudicando todo o processo e também encurtando a vida útil do inseto.

A equipe foi capaz de adicionar um marcador fluorescente ao gene para garantir a eficácia do método dentro do corpo do mosquito.

Segundo o professor Riehle, esta é a primeira vez que uma equipe foi capaz de bloquear completamente o parasita em desenvolvimento no mosquito.

Gareth Lycett, pesquisador de malária do Liverpool School of Tropical Medicine, no Reino Unido, disse que esse é um avanço importante. "Eles testaram o parasita de malária mais prejudicial, o Plasmodium falciparum", disse à BBC News. "É mais um passo na tentativa de ajudar o controle da malária através da liberação de mosquitos transgênicos".

Mas Lycett salientou que o trabalho não foi realizado especificamente no mosquito Anopheles gambiae. "Esse é o principal vetor da malária na África, onde a doença é mais prevalente", disse.

O estudo é um projeto colaborativo com a Universidade da Califórnia em Davis e da Universidade da Geórgia, financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA.




Túmulo de rei na Guatemala revela segredos da civilização maia

Arqueólogos descobriram câmara mortuária repleta de esculturas conservadas, cerâmica e ossos de crianças

15 de julho de 2010 | 22h 32

SARAH GRAINGER - REUTERS

Uma equipe de arqueólogos descobriu na Guatemala o túmulo de um rei maia repleto de esculturas muito bem conservadas, cerâmica e ossos de crianças, dando um novo raio de luz sobre essa desaparecida civilização.

Os pesquisadores descobriram em maio a câmara mortuária, que data de entre 300 e 600 anos dC, sob a pirâmide "El Diablo" na cidade de El Zotz, na região florestal de Petén, mas a descoberta só foi levada a público nesta quinta-feira.

O túmulo fechado ajudou a preservar tecidos, esculturas de madeira e cerâmicas coloridas, disseram os pesquisadores.

"É como o Fort Knox, um depósito de riqueza com tecidos e artigos comerciais, e isso é o que surpreende", disse Stephen Houston, quem lidera os trabalhos de escavação em El Zotz e é ligado à Universidade de Brown, nos Estados Unidos.

Esse país centro-americano está cheio de pirâmides e ruínas da ancestral civilização maia, que alcançou o ápice entre os anos 250 e 900 dC, cobrindo um território que se estendia desde o México até o que atualmente é Honduras.

Os arqueólogos disseram que a escavação em El Zotz, que significa morcego em vários dialetos maias, fornece novos dados sobre os rituais funerários dessa civilização.

Durante os funerais dos reis maias, frequentemente adolescentes eram sacrificados, mas nesta descoberta incomum em El Zotz, os arqueólogos encontraram ossos que pertenciam a crianças, inclusive de apenas um ano de idade.

O túmulo mostrou evidências de que o rei foi sepultado em traje tradicional de dança, decorado com conchas do mar e jade.

El Zotz está localizado perto das ruínas de Tikal, um popular destino turístico.




Pesquisa revela que células no cérebro e na medula regulam a respiração

Resultados podem ajudar a entender problemas respiratórios como asma, enfisema e até falta de fôlego

16 de julho de 2010 | 15h 10

Agência Fapesp

SÃO PAULO - Técnicas para controlar a respiração, como em ioga ou meditação, por exemplo, estão se tornando populares como alternativa para tentar relaxar e diminuir o estresse. Mas como é mesmo que o cérebro controla a respiração?

Segundo um grupo de cientistas do Reino Unido e dos Estados Unidos, são as células conhecidas como astrócitos que têm um papel central na regulação da respiração.

Astrócitos são células com formato de estrela (daí o nome) encontradas no cérebro e na medula espinhal. Até então, achava-se que fossem personagens passivos e secundários na fisiologia cerebral, mas Alexander Gourine, da University College London, e colegas encontraram evidências de que essas células multitarefas são protagonistas no controle químico-sensorial envolvido na respiração.

Os autores do estudo, publicado nesta sexta-feira, 16, na edição online da revista Science, descobriram que os astrócitos cerebrais são capazes de perceber alterações nos níveis de dióxido de carbono e de acidez no sangue e no cérebro.

Com essa capacidade, essas células podem ativar redes neuronais envolvidas na respiração, localizadas no cérebro, de modo a aumentar a respiração de acordo com a atividade e o metabolismo do organismo.

Os astrócitos fazem isso ao liberar trifosfato de adenosina (ATP), um mensageiro químico que estimula centros respiratórios no cérebro a aumentar a respiração para que a quantidade a mais de dióxido de carbono seja removida do sangue e eliminada pela expiração.

Os resultados do estudo, segundo os autores, podem ajudar a entender melhor os mecanismos responsáveis por problemas respiratórios como asma, enfisema e até a sensação de fôlego curto causada pelo estresse ou por doenças cardiovasculares. “A pesquisa identifica os astrócitos cerebrais como elementos fundamentais nos circuitos cerebrais que controlam funções vitais, como a respiração, e indica que eles são realmente as estrelas do cérebro”, disse Gourine.

Caçada de mamutes causou mudança climática na pré-história

Extinção causada pelo homem pré-histórico ajudou no fim da última Era Glacial

15 de julho de 2010 | 14h 07 

REUTERS

caçadores antigos que espreitaram os últimos mamutes lanudos provavelmente ajudaram a aquecer as latitudes extremas do norte da Terra milhares de anos antes que os seres humanos começassem a queimar combustíveis fósseis, de acordo com um estudo sobre mudança climática pré-histórica.

A extinção dos mamutes lanudos, que comiam folhas, contribuiu para uma proliferação de árvores baixas na região do Ártico, escurecendo uma paisagem que originalmente refletia a luz do Sol de volta para o céu, acelerando a elevação das temperaturas no norte polar, concluíram pesquisadores da Carnegie Institution.

A marcha da vegetação para o norte afetou o clima por causa do "efeito albedo", no qual a substituição da neve branca por uma superfície mais escura absorve mais luz e cria um ciclo de aquecimento que se perpetua.

O fim da última Era Glacial, marcado por aquecimento global e pelo dramático encolhimento das geleiras que haviam coberto boa parte do hemisfério norte, já estava em andamento quando a extinção do mamute lanudo começou. 

Mas a descoberta mais recente, que deve ser publicada na revista especializada Geophysical Research Letters, sugere que a atividade humana teve um papel na mudança do clima da Terra muito antes do início da era industrial, ainda que o efeito do fim dos mamutes tenha sido minúsculo em comparação com a situação atual.

Se os caçadores de mamute ajudaram a acelerar o aquecimento do Ártico, este seria potencialmente o primeiro impacto humano no clima, antecedendo o acusado pelos primeiros fazendeiros, disse Chris Field, diretor do departamento de ecologia Global da Carnegie e coautor do estudo.

Com o advento da agricultura há cerca de 7.000 anos, seres humanos provavelmente modificaram o clima por meio da destruição de florestas e do cultivo de novas variedades, disse Field.

 

Empresa da Nova Zelândia cria pernas biônicas

O aparelho permite que pessoas paraplégicas possam caminhar.

15 de julho de 2010 | 12h 33

Uma empresa da Nova Zelândia criou um par de pernas biônicas que permite que pessoas paraplégicas possam caminhar.

Durante o lançamento, nesta quinta-feira, o aparelho foi testado por Hayden Allen, que é paraplégico.

Com as pernas biônicas, Allen foi capaz de caminhar para o outro lado da sala para cumprimentar o primeiro-ministro da Nova Zelândia, John Key.

O aparelho, que tem o nome de Rex, pesa cerca de 38 kg e é feito sob medida.

Os inventores, Richard Little e Robert Irving, passaram sete anos desenvolvendo o projeto.

"Que eu saiba não existe outro aparelho que seja autônomo e que permita que as pessoas se levantem, caminhem, subam e desçam escadas sozinhas," diz Richard Little.

Espera-se que o primeiro par seja vendido por cerca de US$ 150 mil, segundo o canal de TV neozelandês TVNZ.

 BBC Brasil


Explosão de raios X de intensidade recorde cega observatório espacial

Fenômeno foi milhares de vezes mais intenso que a maior fonte de raios X conhecida no espaço

14 de julho de 2010 | 15h 20

estadao.com.br

Registro em raios X do fenômeno (amarelo e vermelho) e em luz visível e ultravioleta. Divulgação

O feixe de raios X mais brilhante  já detectado vindo de fora da região da Via Láctea cegou, temporariamente, a câmera do Observatório Espacial Swift, da Nasa, informam astrônomos.

Os raios X viajaram pelo espaço por 5 bilhões de anos antes de atingir e sobrecarregar o telescópio de raios X do Swift, em 21 de junho. O feixe de radiação veio de uma explosão de raios gama, uma violenta erupção de energia gerada pela transformação de uma estrela em buraco negro.

"Esta explosão de raios gama é, de longe, a mais brilhante fonte de luz  nos comprimentos de onda dos raios X já vista a distâncias cosmológicas", disse, em nota, David Burrows, principal cientista encarregado do telescópio de raios X do Swift.

Embora o satélite tenha sido projetado para estudar explosões de raios gama, seus instrumentos não foram criados para tolerar um feixe de raios X tão brilhante. "A intensidades desses raios X foi inesperada e sem precedentes", disse Neil Gehrels, principal investigador do Swift.

Segundo ele, a explosão, batizada GRB 100621A, foi a fonte de raios X mais intensa já detectada pelo Swift desde o início das observações nessa faixa do espectro, em 2005.

"A explosão foi tão brilhante que quando irrompeu nosso software de análise de dados desligou-se", disse Phil Evans, que criou partes da programação do satélite. "Havia tantos fótons bombardeando o detector a cada segundo que ele simplesmente não era capaz de contá-los com velocidade suficiente".

O software voltou a funcionar pouco depois, capturando a evolução da explosão ao longo do tempo, e Evans recuperou os dados do período "cego". os cientistas conseguiram então determinar que o fluxo de fótons, no brilho máximo, foi de 143.000 por segundo, mais de 140 vezes o brilho máximo da maior fonte contínua de raios X conhecida no céu, e que é uma estrela de nêutrons localizada muito mais perto da Terra que o ponto de origem da explosão.

Explosões de raios gama tipicamente começam com um flash súbito de raios gama e raios X, e em seguida perde intensidade até deixar para trás apenas um brilho tênue em frequências mais baixas, como o ultravioleta. Surpreendentemente, a explosão recorde em raios X teve apenas intensidade média em luz visível e ultravioleta.

 

Pulmão artificial funciona em ratos vivos por 6 horas, dizem cientistas

Este é o segundo trabalho publicado em 30 dias a demonstrar a possibilidade de um pulmão artificial

14 de julho de 2010 | 16h 06

REUTERS

Pesquisadores dos EUA criaram um pulmão artificial primitivo que permitiu que ratos respirassem durante horas, num feito que pode permitir o desenvolvimento de órgãos fabricados a partir de células do paciente.

Cientistas constroem pulmão de rato em laboratório

O resultado, descrito na revista Nature Medicine, é o segundo, em um mês, de pesquisadores que buscam regenerar pulmões a partir de células comuns.

No trabalho mais recente, Harald Ott e colegas do Hospital Geral de Massachusetts e da Escola de Medicina de Harvard  extraíram células dos pulmões de ratos até que restasse apenas uma matriz, ou armação.

Em seguida, submergiram a matriz num biorreator, juntamente com vários tipos de células do pulmão humano, criando pressões para simular a pressão no interior do corpo humano. 

As células colonizaram a armação e cresceram em diferentes tecidos pulmonares, informa Ott.

Quando transplantadas para ratos, funcionaram por cerca de seis horas, ainda que de modo imperfeito.

Os pesquisadores disseram que é possível tentar o experimento com células mais imaturas, como células-tronco embrionárias.

No mês passado, uma equipe da Universidade Yale implantou tecido pulmonar artificial em ratos, ajudando os animais a respirar por cerca de duas horas.

Vitamina D pode diminuir risco de mal de Parkinson

Segundo estudo finlandês, o nutriente exerce um efeito protetor no cérebro

13 de julho de 2010 | 16h 50

Agência Fapesp

SÃO PAULO - Um novo estudo indicou que pessoas com níveis elevados de vitamina D podem ter menor risco de desenvolver doença de Parkinson. O trabalho foi publicado na edição de julho dos Archives of Neurology.

O papel da vitamina D na saúde óssea é conhecido, mas estudos anteriores apontaram a relação também com problemas como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer.

Paul Knekt, do Instituto Nacional para Saúde e Bem-Estar da Finlândia, e colegas acompanharam 3.173 homens e mulheres com idades entre 50 e 79 anos e que não tinham diagnóstico de Parkinson no início do estudo, entre 1978 e 1980.

Os participantes completaram questionários e foram submetidos a entrevistas sobre aspectos de saúde e socioeconômicos. Também foram examinados e forneceram amostras de sangue para análise.

Em um período de 29 anos, até 2007, os pesquisadores observaram que 50 dos participantes desenvolveram a doença de Parkinson. Após serem feitos os ajustes para fatores potencialmente relacionados (como atividade física e índice de massa corporal), os indivíduos no grupo com níveis mais elevados da vitamina D apresentaram 67% menos risco de desenvolver a doença do que o grupo com menores níveis. Os participantes haviam sido divididos em quatro grupos com relação aos níveis da vitamina.

“Apesar dos níveis baixos de vitamina D em geral na população estudada, uma relação de dose e resposta foi encontrada. O estudo foi conduzido na Finlândia, onde há exposição restrita à luz solar e, portanto, tem como base uma população com níveis continuamente baixos da vitamina”, disse Knekt.

“De fato, o nível médio da vitamina D na população estudada é cerca da metade do nível considerado ideal, de 75 a 80 nanomoles por litro. Os resultados do estudo são consistentes com a hipótese de que uma deficiência crônica de vitamina D é um fator de risco para Parkinson”, destacou.

Segundo os pesquisadores, os mecanismos pelos quais os níveis da vitamina podem afetar o desenvolvimento da doença são desconhecidos, mas o nutriente exerce um efeito protetor no cérebro por meio de atividades antioxidantes, da regulação de níveis de cálcio, da desintoxicação, da modulação do sistema imunológico e da melhoria na condução de eletricidade nos neurônios.

“O estudo reúne os primeiros dados promissores em humanos que sugerem que um estado inadequado de vitamina D está associado com o risco de desenvolver Parkinson, mas outras pesquisas são necessárias, tanto básicas como clínicas, para elucidar o papel, mecanismos e concentrações exatas”, disse Marian Leslie Evatt, da Universidade Emory, nos Estados Unidos, em editorial na revista sobre o estudo.




Arqueólogos estudam práticas sexuais de civilizações pré-colombianas

Homossexualidade e masturbação estavam ligadas a ritos de passagem e fertilização da terra

13 de julho de 2010 | 8h 15

BBC Brasil

Um grupo de arqueólogos mexicanos publicou uma série de ensaios sobre os costumes sexuais das civilizações pré-colombianas do México e da América Central, revelando segredos que permaneceram ocultos por quase 500 anos.

Os documentos apontam para práticas que escandalizaram os espanhóis, que chegaram à região no século 16.

O conceito de sexualidade dos habitantes originais das Américas era muito diferente do europeu, que tinha uma visão moral e religiosa sobre o tema. Nas culturas mesoamericanas (como eram conhecidas as civilizações indígenas da região que vai do centro do México à América Central), o sexo era um elemento de ordem social, explica Enrique Vale, editor da revista Arqueologia Mexicana, que publicou os ensaios.

"A sexualidade ia além da função reprodutiva, era vista como uma maneira de assegurar a marcha do mundo", disse Vale à BBC.

Salão secreto

Durante centenas de anos, as práticas sexuais das civilizações mesoamericanas foram praticamente ocultadas, e mesmo na época moderna o tema foi abordado sob um ponto de vista moral.

Em 1926, por exemplo, o antropólogo Ramón Mena reuniu uma mostra de esculturas fálicas e outros objetos das civilizações pré-colombianas que faziam referência à sexualidade.

A coleção, no entanto, nunca foi aberta ao público e permaneceu escondida durante várias décadas em um salão secreto do antigo Museu Nacional de Antropologia na Cidade do México.

Muitas peças eram falsas, mas as que tiveram sua legitimidade confirmada foram distribuídas depois em mostras das diferentes culturas pré-colombianas.

Rito de passagem

Os ensaios publicados na revista Arqueologia Mexicana revelam, por exemplo, que a homossexualidade era uma prática comum na civilização maia.

Este era um elemento a mais na formação dos jovens, explicam os antropólogos Stephen Houston e Karl Taube no ensaio "A sexualidade entre os antigos maias".

"As relações entre pessoas do mesmo sexo eram próprias do tempo dos ritos de passagem, em que um menino se transformava em um homem", explicam.

A homossexualidade está presente em quase todas as culturas pré-colombianas, mas foi abordada de maneiras diferentes pelas diferentes civilizações.

Por exemplo, entre os astecas, que dominavam a região central do que é hoje o México, as relações entre pessoas do mesmo sexo não eram bem vistas.

Este elemento se refletia também nas divindades pré-colombianas, muitas das quais tinham, em maior ou menor escala, aspectos femininos e masculinos, explica o historiador Guilhem Olivier em seu ensaio "Entre o pecado nefando e a integração. A homossexualidade no México antigo".

Masturbação ritual

Em algumas culturas, a masturbação era um tema vinculado à fertilização da terra.

Os maias, como outras civilizações mesoamericanas, praticavam a masturbação como uma maneira de fecundar a terra, que em algumas civilizações era considerada um símbolo feminino.

"Há indícios de que os maias tinham objetos sexuais de madeira, usados como consolos e descritos pudicamente em um relatório arqueológico como uma efígie fálica", afirmam.

A atitude frente à masturbação é uma das práticas que torna mais evidente a diferença entre as culturas pré-colombiana e espanhola, diz Vela.

Há ainda outro elemento: em algumas culturas mesoamericanas, o erotismo não era um elemento central na sexualidade, mas era visto como uma forma de ordenar o planeta, que tem um lado feminino e um lado masculino, assim como existia o em cima e o embaixo, afirma o editor.

Fogo e sal contra os adúlteros

Em termos gerais, as transgressões sexuais eram castigadas com severidade nas culturas mesoamericanas.

O adultério, por exemplo, era castigado com a morte em algumas civilizações, e em outras, como a dos astecas, permitia ao marido traído arrancar a mordidas o nariz dos adúlteros.

Os purepechas tinham outro castigo: no caso dos adúlteros terem assassinado o marido, o amante era queimado vivo enquanto água com sal era jogada sobre ele até sua morte.

O adultério era castigado por uma forte razão: em algumas culturas, acreditava-se que a prática causava desequilíbrio para a comunidade e o cosmos, destacam Miriam López e Jaime Echeverría em seu ensaio "Transgressões sexuais no México antigo".

A presença do transgressor provocava desgraças, como a perda de colheitas ou a morte de crianças, e em alguns casos chegava-se a acreditar que ela poderia provocar o fim de uma época.

Como exemplo, eles citam que o líder asteca Moctezuma destruiu um local de prostituição, porque acreditava que as transgressões públicas das prostitutas teriam feito com que os deuses permitissem que os espanhóis chegassem e impusessem seu domínio.

 

 

Hubble captura fase final da vida de estrela semelhante ao Sol

Quando a atmosfera estelar é expelida, o espaço ao redor torna-se rico em poeira, que brilha

13 de julho de 2010 | 14h 34

estadao.com.br

Estrela na constelação de Cygnus elimina a própria atmosfera, como o Sol fará no futuro. HST/Nasa-ESA

O Telescópio Espacial Hubble captou um estágio breve da fase final da existência de uma estrela semelhante ao Sol. Localizada na constelação de Cygnus, a 15.000 anos-luz da Terra, a nuvem brilhante de poeira IRAS 19475+3119 começou a formar-se quando a estrela central saiu de sua fase gigante vermelha e começou a expelir a própria atmosfera. O Sol deve ser transformar numa gigante vermelha dentro de 5 bilhões de anos.

Quando a atmosfera é expelida, o espaço ao redor torna-se rico em poeira, e a estrela se mantém relativamente fria. Neste momento a poeira brilha ao refletir a luz da estrela e emite radiação infravermelha. Foi essa assinatura infravermelha que o satélite IRAS detectou em 1983, chamando a atenção dos astrônomos.

Jatos que partem da estrela podem criar espaços vazios de na nuvem, e este é o caso da IRAS 19475+3119, onde duas dessas figuras aparecem, em ângulos diferentes. Esses objetos são raros e duram pouco.

À medida que a estrela continua a se desfazer de material, o núcleo mais quente acaba exposto. A intensa radiação ultravioleta faz com que o gás brilhe de forma mais intensa, o que dá origem à nebulosa planetária. Os objetos que antecedem a nebulosa, como IRAS 19475+3119, são chamados de nebulosas preplanetárias ou protoplanetárias, mas não têm nada a ver com planetas.

O nome "nebulosa planetária" surgiu porque esse tipo de objeto se parecia muito com os planetas Urano e Netuno, quando observados por telescópios ^pequenos.

 

 

Inscrições para Reunião Anual da SBPC terminam nesta quarta

Evento será realizado de 25 a 30/7 na UFRN e terá como tema 'Ciências do Mar: herança para o futuro'

12 de julho de 2010 | 17h 28

estadão.com.br

SÃO PAULO - Estão abertas até as 12h desta quarta-feira, 14, as inscrições antecipadas pela internet para a 62ª Reunião Anual da SBPC, que acontece de 25 a 30 deste mês na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal.

Após esse prazo, novas inscrições poderão ser feitas a partir das 12h do dia 24 e durante o evento, na secretaria da SBPC, que ficará localizada no Centro de Convivência da UFRN.

As inscrições antecipadas pela internet darão ao participante o direito de receber a programação impressa do evento, além de um atestado de participação e a possibilidade de se inscrever em um minicurso, mediante o pagamento de uma taxa de inscrição à parte e conforme disponibilidade de vagas.

Com exceção dos minicursos, toda a programação da 62ª Reunião Anual da SBPC é aberta ao público. Os interessados em assistir às centenas de conferências, simpósios, mesas-redondas e apresentações de trabalhos científicos, entre outras atividades, têm acesso livre.

A programação do evento, cujo tema é “Ciências do Mar: herança para o futuro”, está disponível em www.sbpcnet.org.br/natal.

Experimento lança dúvida sobre uma das teorias fundamentais da física

Resultado de medição do próton parece ser incompatível com a eletrodinâmica quântica

07 de julho de 2010 | 14h 00

Carlos Orsi, do estadao.com.br

A teoria desenvolvida pela ciência no século 20 para explicar todos os fenômenos elétricos, magnéticos e a forma como a luz interage com a matéria está sendo desafiada por um importante resultado experimental. Considerada pelo ganhador do Nobel Richard Feynman a "joia da física - nosso maior orgulho", a eletrodinâmica quântica, ou QED, pode acabar se revelando um diamante imperfeito. 

 
Divulgação/Nature

Capa da revista Nature desta semana, com a descoberta da medida do próton

Não é pouca coisa: a QED é uma das teorias mais bem-sucedidas de todos os tempos. No livro que escreveu sobre o assunto, QED, A Estranha Teoria da Luz e da Matéria, Feynman (que morreu em 1988), compara a exatidão dos resultados produzidos com base nela à de uma medida da distância entre as cidades de Los Angeles e Nova York - de mais de 3.900 km - que fosse correta até a espessura de um fio de cabelo.

O experimento que está pondo a precisão da QED em jogo sonda espaços muito menores que o da largura de um cabelo humano, no entanto. Descrito na edição desta semana da revista Nature, ele representa a medição mais perfeita já obtida do raio do próton, uma das partículas fundamentais da matéria, presente no núcleo de todos os átomos. Se a espessura de um fio de cabelo se mede em micrômetros, ou milionésimos de metro, o raio de próton é apenas uma fração de femtômetro. É preciso um trilhão de femtômetros para fazer um milímetro.

O raio do próton apresentado na Nature é da ordem de 0,84 femtômetro. Experimentos mais antigos, no entanto, haviam fixado um valor mais próximo de 0,87. A diferença, embora pareça pequena, fica além das margens de erro estatístico e pode representar a primeira rachadura na couraça da QED, teoria que serviu de base para os cálculos realizados tanto na medição atual quanto nas anteriores.
 
Erro, revolução e cautela

Entre os cientistas, a discrepância, com sua sugestão implícita de uma falha na estrutura da QED, ao mesmo tempo entusiasma, intriga e inspira cautela. "Um problema na física da QED é a explicação menos provável, mas de longe a mais interessante e a principal motivação para trabalhos assim", resume o físico Jeff Flowers, do Laboratório Nacional de Física do Reino Unido e autor de um comentário que acompanha o artigo na Nature.

Flowers considera como mais prováveis causas para a diferença um erro de cálculo ou de experimento, cometido na medição atual ou em trabalhos prévios. Mas faz uma ressalva: "Por causa da discrepância entre o resultado deste artigo e os trabalhos anteriores, o artigo foi revisado, tanto formal quanto informalmente, por especialistas em física teórica e experimental, e ninguém conseguiu apontar um erro. Claro, isso não prova que não haja erro, mas ele com certeza não é óbvio".
 
Parte do aparato laser usado para medir o tamanho do próton. F. Reiser/PSI/Divulgação

O principal autor do artigo com o novo raio do próton, Randolf Pohl, do Instituto Max Planck de Óptica Quântica, na Alemanha, também diz que não está convencido de que a QED tenha falhado. "Mas estamos muito intrigados", reconhece. "Os experimentos são todos muito precisos e redundantes, então é difícil ver como poderiam ter errado tanto. E os teóricos acreditam que seus cálculos estão corretos".
 
"Minha opinião pessoal", diz ele, "é que temos muito trabalho pela frente", envolvendo novos experimentos e revisão dos cálculos. "Só se ninguém encontrar um erro é que poderemos presumir que a QED está em apuros".
 
Novas teorias e tecnologias
 
Mas o que significaria a QED estar em apuros? O fato de equipamentos eletrônicos funcionarem é uma prova de que ela não pode estar muito errada. Pohl concorda: "Sim, se a QED estiver errada, seria um efeito muito sutil, que não afetaria o funcionamento interno de televisores ou computadores".

Flowers, por sua vez, lembra que há casos na história da ciência em que o que parecia ser apenas uma pequena correção teórica, num determinado momento, acabou se revelando uma revolução filosófica e técnica mais à frente.
 
"A Relatividade Geral poderia ter sido apenas uma pequena perturbação da gravidade newtoniana", exemplifica, referindo-se à interpretação de Albert Einstein para os efeitos gravitacionais, que difere da teoria clássica de Isaac Newton. "No entanto, essa pequena perturbação acabou se revelando muito significativa". Não só filosoficamente a relatividade é "uma mudança radical de pensamento", diz ele, como na prática a teoria de Einstein se mostrou necessária para aplicações tecnológicas de alta precisão, como o sistema GPS.

"Como na gravidade newtoniana, uma falha da QED terá, de imediato, implicações para a física e para o nosso modelo do mundo e, no futuro, possivelmente em aplicações de alta precisão e tecnologias que ainda não conhecemos", especula.
 
Uma "física além da QED", capaz de explicar o resultado experimental, poderia incluir uma nova partícula subatômica, ainda desconhecida e não prevista nas teorias atuais. "Trata-se de possibilidade altamente especulativa e que só tem sido discutida em 'coffee-breaks' por enquanto", adverte Pohl.

"Podemos olhar novamente para a história, onde tem havido um ciclo de teorias sendo derrubadas por experimentos e levando a novas teorias", diz Flowers. "Esperamos continuar a refinar nossa compreensão e nossa capacidade de manipular o mundo físico".
 
O experimento
 
A medição do raio do próton foi feita por uma equipe de cientistas europeus liderada por Randolf Pohl e realizada no Instituto Paul-Sherrer, na Suíça. Os pesquisadores obtiveram sucesso na tentativa de substituir o elétron de um átomo de hidrogênio por uma partícula com a mesma carga elétrica, mas mais pesada, o múon.
 
O hidrogênio é o átomo mais simples que existe, composto apenas por um próton no núcleo e um elétron em órbita. Sendo mais pesado, o múon descreve uma órbita em torno do núcleo muito mais estreita que a do elétron e, por isso, sofre perturbações intensas, provocadas pela proximidade do próton.
 
Medindo essas perturbações com o uso de raios laser, os cientistas deduziram o raio do próton com uma precisão dez vezes maior que a permitida por outros experimentos. A ideia de usar "hidrogênio de múons" para medir o próton existia há décadas, mas desafios tecnológicos só permitiram que a experiência fosse tentada há poucos anos. O sucesso, afinal, veio em 2009.
 
"Até onde sabemos, os elétrons são partículas pontuais. Os prótons, não", explica Pohl. "São feitos de três quarks, muitos pares virtuais quark-antiquark e muitos glúons. Se você pensar no próton como uma nuvem difusa de quarks e glúons, essa nuvem ocupa algum espaço". A medição realizada permite obter um valor que pode ser interpretado como o raio médio da nuvem.

O fato de o próton ser menor do que se imaginava não significa, no entanto, que o conteúdo de espaço vazio embutido em matéria feita de átomos - planetas, árvores, pessoas - seja muito maior.
 
"O que conta não é o tamanho das partículas constituintes, mas o alcance da interação eletromagnética", diz Pohl. "Nesse aspecto, os átomos continuam a ser do mesmo tamanho. Além disso, o vazio não é de todo vazio. De acordo com a QED, o vácuo no interior dos átomos e dos prótons está repleto de fótons e partículas virtuais. Mas essa é outra história".

 

Descoberto buraco negro que emite bolha de gás de 1.000 anos-luz

Jatos produzidos por pequeno buraco negro aceleram e aquecem o gás interestelar, gerando a bolha

07 de julho de 2010 | 17h 05

estadao.com.br

Ilustração mostra buraco negro sugando matéria de estrela e projetando jatos. ESO/Divulgação

Combinando observações feitos pelo Telescópio Muito Grande do Observatório Europeu Sul, no Chile, e do observatório de raios X Chandra, da Nasa, astrônomos encontraram o mais potente par de jatos de matéria já avistado partindo de um buraco negro de massa estelar. O objeto, também conhecido como um microquasar, sopra uma enorme bolha de gás quente, com 1.000 anos-luz de diâmetro, duas vezes maior e dezenas de vezes mais potente que outros microquasares.A descoberta é descrita na edição desta semana da revista Nature.

"Estamos espantados com a energia injetada no gás pelo buraco negro", disse o principal autor do estudo, Manfred Pakull. "Este buraco negro tem apenas algumas poucas massas solares, mas é uma verdadeira versão miniatura dos mais poderosos quasares e galáxias de rádio, que contêm buracos negros com milhões de vezes a massa do Sol".

Sabe-se que buracos negros liberam quantidades imensas de energia, quando engolem matéria. Acreditava-se que a maior parte da energia surgia sob a forma de radiação, principalmente raios X. O novo estudo indica, no entanto, que uma quantia equivalente de energia, ou talvez maior, é emitida por meio de jatos compactos de partículas em alta velocidade.

Essas jatos velozes colidem com o gás interestelar, aquecendo-o e precipitando uma expansão. A bolha em expansão contém uma mistura de gás quente e partículas aceleradas de diferentes temperaturas. Observações em diferentes faixas de radiação eletromagnética ajudam os astrônomos a calcular a taxa total em que o buraco negro aquece os arredores.

Os astrônomos conseguiram ainda observar os pontos onde os jatos se chocam com o gás interestelar local, e revelam que a bolha de gás está crescendo a uma velocidade de quase um milhão de quilômetros por hora.

"O comprimento dos jatos em NGC 7793  é espetacular, se comparado ao tamanho do buraco negro da onde são lançados", disse o coautor do estudo Robert Soria. "Se o buraco negro fosse encolhido ao tamanho de uma bola de futebol, cada jato se estenderia da Terra até além da órbita de Plutão".

O buraco negro está localizado a 12 milhões de anos-luz de distância, na periferia da galáxia NGC 7793. Astrônomos estimam que a emissão de gás já dura pelo menos 200.000 anos.




Humanos primitivos chegaram ao norte da Europa há mais de 800.000 anos

Mamutes e felinos com dentes de sabre percorriam a área na época

07 de julho de 2010 | 15h 35

Associated Press

Artefatos de pedra encontrados no leste da Inglaterra, a norte de Londres. Sang Tan/AP

O homem primitivo aventurou-se pelo norte da Europa muito mais cedo do que se imaginava, colonizando a costa leste da Inglaterra há mais de 800.000 anos, afirmam cientistas. 

Cientistas questionam posição de 'Ardi' na evolução humana

Pesquisadores presumiam que os humanos - que parecem ter surgido na África há cerca de 1,75 milhão de anos - mantiveram-se junto às florestas tropicais, estepes e zonas mediterrâneas durante sua expansão inicial pelo Velho Mundo.

Mas a descoberta de uma coleção de ferramentas de pedra lascada a 220 km de Londres mostra que o homem percorreu climas mais frios muito cedo.

"O que descobrimos realmente solapa a visão tradicional sobre como os humanos se espalharam e reagiram à mudança climática", disse Simon Parfitt, pesquisador do University College London. "Isso mostra como sabemos pouco sobre o movimento para fora da África".

Cerca de 75 ferramentas de pedra lascada foram encontradas no sítio próximo a Happisburgh, uma vila à beira-mar de Norfolk, escrevem Parfitt e colegas na revista Nature.

Os pesquisadores dataram os artefatos de entre 866.000 a 814.000 anos atrás e 970.000 e 936.000 anos atrás. Isso é pelo menos 100.000 anos antes da mais antiga data conhecida para a colonização da Grã-Bretanha. 

Não se sabe exatamente que tipo de humano fez essas ferramentas. "É impossível dizer quem essas pessoas eram sem evidência fóssil", disse Eric Delson, antropólogo do Lehman College da Universidade da Cidade de Nova York, que não tomou parte na pesquisa.

Mamutes e felinos com dentes de sabre percorriam a área na época, e o Rio Tâmisa desembocava no mar ali, cerca de 150 km ao norte de sua foz atual. O clima era um pouco mais frio que o de hoje, pelo menos no inverno.

Chris Stringer, outro autor do artigo que descreve a descoberta, disse que viver nesse ambiente deveria ser um desafio. Florestas densas representavam um suprimento fraco de plantas comestíveis e caça dispersa. No inverno, os dias seriam curtos para caçar ou coletar alimento. E haveria o frio.


Computador decifra idioma extinto que desafiava linguistas

Programa decodificou grande parte do ugarítico, descoberto em escritos da cidade síria de Ugarit

05 de julho de 2010 | 16h 10

Agência Fapesp

SÃO PAULO - No livro 'Lost Languages', de 2002, o então editor do suplemento de educação superior do jornal inglês The Times, Andrew Robinson, afirmou que o trabalho arqueológico de decifrar línguas extintas exige uma mistura de lógica e intuição que os computadores são incapazes de possuir.

 
Reprodução

Ugarítico era uma língua semítica em alfabeto cuneiforme

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, tentam mostrar que Robinson estava errado.

Em estudo que será apresentado esta semana na reunião anual da Associação para Linguística Computacional, em Uppsala, na Suécia, o grupo mostrará um novo programa de computador que foi capaz de decifrar grande parte do extinto idioma ugarítico, descoberto a partir de escritos encontrados na cidade perdida de Ugarit, na Síria, cujas ruínas foram achadas em 1928.

O ugarítico era uma língua semítica escrita em alfabeto cuneiforme com 27 consoantes e três vogais. Os escritos encontrados foram importantes para estudiosos do Velho Testamento, por auxiliar a esclarecer textos hebraicos e revelar como o judaísmo utilizava frases comuns, expressões literárias e frases empregadas pelas culturas gentis que o cercavam.

O sistema, além de ajudar a decifrar línguas antigas que continuam resistindo aos esforços de especialistas, poderá expandir o número de idiomas que sistemas automatizados de tradução, como o Google Tradutor, são capazes de manejar.

Para simular a intuição que falta aos computadores, Regina Barzilay, do Laboratório de Inteligência Artificial e Ciência da Computação do MIT, e colegas fizeram várias proposições. A primeira é que a língua a ser decifrada pelo computador estaria próxima de outra. Para isso, foi escolhido o hebraico.

Outra afirmativa é que haveria um modo sistemático de mapear o alfabeto de uma língua com relação ao alfabeto de outra, e que os símbolos relacionados deveriam ocorrer com frequências semelhantes nos dois idiomas.

O sistema também fez asserções no nível semântico, no sentido de que as línguas relacionadas teriam pelo menos alguns cognatos, isto é, palavras com raízes comuns.

Por meio de um modelo probabilístico usado em pesquisas em inteligência artificial, os pesquisadores determinaram nos mapeamentos os radicais semelhantes e conjuntos de sufixos e prefixos consistentes, entre outras relações entre palavras das duas línguas.

O ugarítico já havia sido decifrado. Se não tivesse sido, os autores do estudo não teriam como avaliar a performance do sistema que desenvolveram.

“O sistema repetiu as análises dos dados resultantes centenas de vezes. E, a cada vez, os acertos eram mais frequentes, pois estávamos chegando mais perto de uma solução consistente. Finalmente, chegamos a um ponto no qual a alteração do mapeamento das similaridades não aumentava mais a consistência dos resultados”, disse outro autor do estudo, Ben Snyder, também do MIT.

Das 30 letras do alfabeto extinto, o sistema foi capaz de mapear corretamente 29 com seus correspondentes em hebraico. Cerca de um terço das palavras em ugarítico tem cognato em hebraico e, desse total, o sistema identificou corretamente 60%.

“Das palavras identificadas incorretamente, na maior parte das vezes o erro foi por apenas uma palavra. Ou seja, o sistema deu palpites bem razoáveis”, disse Snyder.

Apesar dos índices de acerto, os pesquisadores destacam que o sistema não é suficientemente bem resolvido para substituir os tradutores humanos. Mas, segundo eles, é uma ferramenta poderosa cujo desenvolvimento poderá ajudar no processo de decifração de línguas desconhecidas e de tradução mais eficiente dos idiomas conhecidos.

A pilha de batata

01 de julho de 2010 | 0h 00

Fernando Reinach - O Estado de S.Paulo

Dos quase 7 bilhões de pessoas que habitam a Terra, 1,6 bilhão moram em casas que não possuem energia elétrica. Para ouvir rádio ou procurar algo durante a noite, essas pessoas são obrigadas a comprar eletricidade na sua forma mais cara: uma pilha. Uma pilha alcalina de 1,5 V tipo AA custa R$ 3,50 e fornece 0,0042 kWh. É fácil calcular que o preço da eletricidade contida em uma pilha é de R$ 833 por kWh. A novidade é que um grupo de cientistas desenvolveu uma pilha feita de batata capaz de gerar eletricidade a R$ 16 por kWh.

Poucos se lembram, mas foi utilizando músculos de sapos que Luigi Galvani descobriu, em 1791, o princípio físico que levou Alessandro Volta a desenvolver a primeira pilha em 1800. Desde então, dependemos cada vez mais das pilhas. Elas estão em nossos relógios, celulares, lanternas e marca-passos. Durante o século 20, em muitas escolas os alunos construíam pilhas. Um dos experimentos populares consistia em cortar um cubo de batata com aproximadamente 2 cm de lado, colocar em faces opostas do cubo uma placa de zinco e uma de cobre (os chamados eletrodos). Por fim, o professor ligava um fio a cada eletrodo e conectava os fios a uma minúscula lâmpada de lanterna. Para espanto geral dos alunos (eu entre eles), o filamento da lâmpada emitia uma luz muito fraca. Obtida a atenção dos alunos, discutíamos o peixe elétrico e as reações químicas de oxidação e redução, que são o princípio do funcionamento das pilhas e baterias.

Agora, cientistas da Universidade de Jerusalém e da Universidade da Califórnia resolveram utilizar os métodos modernos de caracterização de pilhas para produzir uma pilha barata, biodegradável e capaz de fornecer um pouco de eletricidade para o 1,6 bilhão de pessoas sem rede elétrica. A escolha da batata se deve ao fato de ela ser produzida em 130 países e ser uma das principais fontes de alimento para grande parte da população sem eletricidade. A batata é o quarto alimento mais importante para a humanidade, depois do milho, do trigo e do arroz. O mundo produz 320 milhões de toneladas de batatas por ano.

A grande descoberta feita por esses cientistas é que, se rompermos as membranas que existem em volta das células presentes na batata, a capacidade de ela produzir eletricidade aumenta dez vezes. De início, eles usaram um processo chamado eletroporação para destruir as membranas, mas logo descobriram que o mesmo resultado era obtido cozinhando as batatas.

Uma pilha de batata feita com um cubo de 5 cm de lado pode produzir 0,9 V de tensão. Se conectarmos a ela uma lâmpada com 300 ohms de resistência, a batata crua produz, durante 20 horas, 20 micro watts. Mas, se a batata for cozida, essa mesma pilha pode produzir 200 microwatts durante as mesmas 20 horas. Parece pouco, se lembrarmos que as lâmpadas que utilizamos em nossas casas consomem entre 40 e 100 watts.

Mas há outro desenvolvimento tecnológico que pode ser combinado com as pilhas de batata. São as lâmpadas LED (light-emitting diode) presentes nas novas televisões. Essas lâmpadas, que vêm sendo desenvolvidas nos últimos 40 anos, produzem muito mais luz com muito menos eletricidade. Desde 1970, a quantidade de luz emitida por watt de energia gasta por lâmpadas LED aumentou 100 mil vezes.

Utilizando cinco blocos de batata cozida, eletrodos de zinco e cobre e duas lâmpadas LED, os cientistas construíram uma lanterna capaz de iluminar um pequeno quarto por 20 horas.

A grande vantagem desse sistema de iluminação é que ele utiliza material abundante, produzido localmente e que não necessita ser reciclado. O único risco é que a batata, após ter sido utilizada como pilha, vai conter aproximadamente 1 miligrama de zinco. Mas, como se acredita que a dose a partir da qual o zinco é prejudicial à saúde é de 15 miligramas por dia, valeria a pena estudar se seria saudável comermos, no café da manhã, a pilha utilizada durante a noite.

Mas se você imagina que essa eletricidade que custa R$ 16 por kWh é a solução definitiva, você deve examinar sua conta de luz e descobrir quanto paga pela eletricidade em sua casa. Eu pago R$ 0,29 por kWh. Conectar todas as casas à rede elétrica ainda é uma solução mais barata que a pilha de batata.


BIÓLOGO

MAIS INFORMAÇÕES: ZN/CU-VEGETATIVE BATTERIES, BIOELETRICAL CHARACTERIZATIONS, AND PRIMARY COST ANALYSES. J. RENEWABLE AND SUSTAINABLE ENERGY, VOL. 2, 033101, 2010



Cientistas dizem ter encontrado 'monstro do mar' em deserto no Peru

Batizada de Leviatã, baleia de 17 metros que viveu há 12 milhões de anos tinha dentes gigantes

01 de julho de 2010 | 9h 36

Pesquisadores descobriram o fóssil de uma baleia antiga com enormes e assustadores dentes.

Escrevendo na revista especializada Nature, os cientistas chamaram a criatura, que viveu há 12 milhões de anos, de "Leviatã".

Acredita-se que a baleia tinha mais de 17 metros de comprimento, e que pode ter travado intensas batalhas com outras criaturas gigantes que viviam no mar durante o período.

A Leviatã era bastante parecida com a baleia cachalote moderna em termos de tamanho e aparência.

Mas é aí que termina a semelhança. Enquanto a baleia cachalote é um animal relativamente passivo, que engole lulas do fundo do mar, a Leviatã era uma agressiva predadora.

'Monstro do mar'

De acordo com Christian de Muizon, diretor do Museu de História Natural de Paris, a Leviatã poderia ter caçado e comido grandes criaturas marinhas como golfinhos, focas e até mesmo outras baleias.

"Era um tipo de monstro do mar", disse.

"E é interessante notar que ao mesmo tempo nas mesmas águas havia outro monstro, que era um tubarão gigante de cerca de 15 metros de comprimento. É possível que eles tenham lutado."

Os pesquisadores especulam que a Leviatã podia caçar presas grandes, de até oito metros. A baleia capturava outros animais com sua enorme mandíbula e os destruía rapidamente com seus grandes dentes.

Um fóssil do crânio da baleia,de três metros de comprimento, foi descoberto por pesquisadores no sul do Peru, em 2008. Um pupiloade Muizon, Olivier Lambert, estava no grupo.

"Era o último dia da nossa viagem de campo quando um dos nossos colegas veio e disse que achava ter encontrado algo muito interessante", disse Lambert.

"Nós imediatamente vimos que era uma baleia muito grande e quando olhamos de perto vimos que era uma baleia cachalote gigante com dentes gigantes."

Dentes

Os dentes eram mais do que duas vezes maiores em comprimento e diâmetro do que os encontrados em baleias cachalote modernas e estavam localizados na arcada inferior e também na superior.

As baleias cachalote modernas têm dentes apenas em sua arcada inferior.

A descoberta do crânio significa que a Leviathan não é apenas um mito.

Os pesquisadores não sabem as razões que levaram à extinção do Leviatã. Eles especulam que possíveis mudanças ambientais podem ter obrigado a criatura a mudar seus hábitos alimentares.

Isso pode ter levado ao surgimento das baleias cachalote, muito mais gentis, com o nicho carnívoro sendo preenchido por baleias mais agressivas como as orcas quando as condições voltaram a mudar.

Os autores do artigo publicado na Nature são todos especialistas em baleias e fãs do clássico da literatura americana Moby Dick, que relata a história de uma feroz baleia cachalote branca.

Eles batizaram a criatura com o nome científico de Leviathan melvillei, em homenagem ao autor do livro.


Obama anuncia investimento de US$ 2 bi em energia solar

Projetos serão divididos entre a americana Abound Solar Manufacturing e a espanhola Abengoa

03 de julho de 2010 | 7h 14

Renovação energética. Projetos fazem parte do plano para atenuar a crise

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou neste sábado, 3, que seu governo destinará US$ 2 bilhões a dois projetos solares que serão divididos entre a empresa americana Abound Solar Manufacturing e a espanhola Abengoa.

Obama fez o anúncio em seu discurso semanal dos sábados, no qual assinalou que serão criados 3.600 postos de trabalho entre as duas companhias na construção e 1.500 empregos permanentes.

Em seu discurso, o presidente não especificou que percentual do montante cada companhia receberá para seus respectivos projetos, mas a Abengoa construirá uma das maiores plantas solares do mundo no estado americano do Arizona, que permitirá a criação de 1.600 trabalhos na construção e, quando for concluída, fornecerá energia elétrica a 70 mil lares.

"Após ver companhias que constroem no exterior, é uma boa notícia que tenhamos atraído uma empresa estrangeira para criar trabalhos aqui nos Estados Unidos", assinalou o presidente americano.

Obama destacou que 70% dos componentes e dos produtos que serão utilizados na construção da planta serão fabricados nos Estados Unidos, o que permitirá "impulsionar o emprego" e as comunidades "em todos os estados".

Uma vez completado o projeto, "esta será a primeira grande planta solar de grande escala nos Estados Unidos, que armazenará energia para seu uso posterior, inclusive durante a noite".

Por sua parte, a Abound, que tem sua sede no estado do Colorado, fabricará painéis solares avançados para duas novas plantas, "que permitirão a criação de mais de dois mil postos de trabalho na construção e 1.500 empregos permanentes".

A companhia já começou a construção da primeira planta, que ficará no Colorado, enquanto a segunda será construída em uma fábrica vazia de Chrysler em Indiana.

Estes projetos fazem parte do Plano de Recuperação Econômica que o Governo americano iniciou em 2009 para atenuar a crise econômica, com investimentos de US$ 787 bilhões, centrado em aumentar as despesas em infraestrutura, a criação de empregos e cortes tributários.

"São dois dos maiores investimentos em energia limpa do Plano de Recuperação Econômica", assinalou Obama, que assegurou que já viu os resultados dos investimentos que foram feitos nestes meses nas fábricas de painéis solares e turbinas que visitou.

O presidente garante que seu governo está lutando "para acelerar a recuperação e manter o crescimento econômico de todas as formas possíveis".


Cientistas descobrem complexa assinatura genética da longevidade

Carlos Orsi, estadao.com.br

Hábitos saudáveis provavelmente são o fator mais importante para se chegar bem aos 80 anos, mas para sobreviver aos 100 é preciso uma boa ajuda do DNA. Isso é o que  indica um estudo publicado na edição desta semana da revista Science, no qual pesquisadores americanos e italianos encontraram 150 marcadores genéticos - variações de uma única letra no material genético, espalhadas por todos os cromossomos humanos - cuja presença permite determinar, com 77% de precisão, se uma pessoa é centenária.

Dez anos depois, genoma ainda é um labirinto

Sequenciar é uma coisa, entender é outra

DNA 'saltador' faz cada pessoa ser única, diz estudo

"Suspeitávamos há tempos que a capacidade de viver 20 anos ou mais além dos 80 é, em sua maior parte, ditada pelos genes", explicou Paola Sebastiani, professora de Bioestatística da Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston e autora do estudo. "E como as pessoas podem envelhecer de tantas formas diferentes, também suspeitávamos que a capacidade de sobreviver a uma idade extremamente alta tem bases muito complexas, envolvendo muitos genes interagindo entre si e com fatores ambientais".

Ela afirma, ainda, que o fato de as 150 variações da DNA encontradas terem permitido identificar centenários com alta precisão, e independentemente de outros fatores, indica que a longevidade excepcional tem forte base genética. "O fato de o modelo não ser perfeito, no entanto, sugere que ambiente e estilo de vida também afetam a capacidade de uma pessoa atingir idades muito avançadas, mas provavelmente com menos intensidade".

As variações, disse Tom Perls, diretor do Estudo de Centenários da Nova Inglaterra e também autor do trabalho, estão espalhadas por aproximadamente 70 genes, e o papel exato de cada uma delas ainda  precisa ser identificado em novos estudos. Perls não acredita, no entanto, que as pesquisas futuras venham a produzir  um "elixir da juventude".

"Olho para a complexidade deste quebra-cabeças e fico com a forte impressão de que isso não levará a tratamentos que farão com que muita gente se torne centenária, mas sim permitirá adiar o início da manifestação de doenças relacionadas à idade, como o Alzheimer", disse ele.

Paola afirma que uma descoberta "surpreendente" veio da comparação do número de variações genéticas que predispõem a doenças ligadas à idade presente nos centenários e no grupo de controle.

"Descobrimos que os centenários e os controles não diferem muito nesse número. Esse resultado sugere que o que faz as pessoas viverem muito não é uma ausência de predisposição para doenças, mas um enriquecimento na predisposição à longevidade". Ela acredita que as variações que estimulam a longevidade podem, até mesmo, cancelar o efeito das predisposições negativas.

Esse resultado, segundo Perls, põe em dúvida a validade dos testes genéticos que avaliam predisposição a doenças, já que essas avaliações podem estar ignorando a ação protetora dos genes da vida longa.

O trabalho revelou ainda a existência de 19 "estilos" de assinatura genética para longevidade, definidos por diferentes combinações dos 150 marcadores.

"As assinaturas correlacionam-se com diferentes padrões de longevidade excepcional. Por exemplo, algumas correlacionam-se com longa sobrevivência, outras com uma demora no aparecimento de doenças. As assinaturas representam caminhos diferentes para a vida longa", disse Paola.

Perls lembrou que 90% dos centenários que apresentam problemas de saúde relacionados à idade só começam a sentir esses efeitos após os 90 anos.

O estudo, no entanto, não indica se as pessoas que têm as variações genéticas da longevidade contam com algum tipo de imunidade, e por isso poderiam fumar, evitar exercícios ou comer gordura à vontade. "A maioria dos centenários envolvidos no estudo tinha um estilo de vida muito saudável, com uma minoria muito pequena, por exemplo, com o hábito de fumar ou beber", disse Paola.

Os testes genéticos no grupo de controle do estudo revelou que 15% deles têm predisposição para a alta longevidade, uma taxa muito maior que a encontrada na população em geral: em países ricos, a proporção é de um centenário para cada 6.000 pessoas.

"O fato é que 15% da população tem a assinatura genética que eleva a chance de viver até os 100 anos entre 65% e 98%, se essas pessoas não forem atropeladas por um ônibus, não morrerem na guerra, não sofrerem um acidente", disse Perl. "Além disso,  boa parte dessas pessoas talvez precise também evitar o fumo e a obesidade".

Na próxima semana, o website do Estudo de Centenários da Nova Inglaterra (http://www.bumc.bu.edu/centenarian/) deve publicar um programa que permitirá a qualquer um que já conheça seu genoma pessoal computar sua predisposição à longevidade, com base nos marcadores descobertos. O site trará também indicações sobre a melhor interpretação do resultado.

Mas os autores do trabalho disseram que não pretendem lançar um teste do tipo no mercado, e Perls questionou se a sociedade já estaria pronta para algo assim. "Eu me preocupo com o que as companhias de seguro fariam com essa informação".



 Estrelas mais antigas da Via Láctea vieram de outras galáxias

Cientistas fizeram simulações em computador para tentar recriar cenários da 'infância' da Via Láctea

01 de julho de 2010 | 10h 57

Agência Fapesp

SÃO PAULO - Muitas das estrelas mais antigas da Via Láctea são remanescentes de outras galáxias menores que foram dilaceradas por colisões violentas há cerca de 5 bilhões de anos.


Divulgação/Durham University

Corpos sofreram colisões violentas há 5 bilhões de anos

A afirmação é de um grupo internacional de cientistas, em estudo publicado pelo periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Essas estrelas anciãs são quase tão antigas como o próprio Universo. Os pesquisadores, de instituições da Alemanha, Holanda e Reino Unido, montaram simulações em computadores para tentar recriar cenários existentes na 'infância' da Via Láctea.

O estudo concluiu que as estrelas mais antigas na galáxia, encontradas atualmente em um halo de detritos em torno dela, foram arrancadas de sistemas menores pela força gravitacional gerada pela colisão entre galáxias.

Os cientistas estimam que o Universo inicial era cheio de pequenas galáxias que tiveram existências curtas e violentas. Esses sistemas colidiram entre eles, deixando detritos que eventualmente acabaram nas galáxias que existem hoje.

Segundo os autores, o estudo apoia a teoria de que muitas das mais antigas estrelas da Via Láctea pertenceram originalmente a outras estruturas, não tendo sido as primeiras estrelas a nascer na galáxia da qual a Terra faz parte e que começou a se formar há cerca de 10 bilhões de anos.

"As simulações que fizemos mostram como diferentes relíquias observáveis na galáxia hoje, a exemplo dessas estrelas anciãs, são relacionadas a eventos no passado distante", disse Andrew Cooper, do Centro de Cosmologia Computacional da Universidade Durham, no Reino Unido, primeiro autor do estudo.

"Como as camadas antigas de rochas que revelam a história da Terra, o halo estelar preserva o registro do período inicial dramático na vida da Via Láctea, que terminou muito tempo antes de o Sol ser formado", afirmou.

As simulações computacionais tomaram como início o Big Bang, há cerca de 13 bilhões de anos, e usaram as leis universais da física para traçar a evolução das estrelas e da matéria negra existente no Universo.

Uma em cada centena de estrelas na Via Láctea faz parte do halo estelar, que é muito mais extenso do que o mais familiar disco em espiral da galáxia.

O estudo é parte do Projeto Aquário, conduzido pelo consórcio Virgem, que tem como objetivo usar as mais complexas simulações feitas em computador para estudar a formação de galáxias.

 

 Cientistas dizem ter encontrado fósseis da primeira forma de vida multicelular

Os fósseis foram achados no Gabão, na África, e têm 2,1 bilhões de anos

01 de julho de 2010 | 13h 12


Vestígios fósseis do macro-organismo descoberto no Gabão. Divulgação/Nature  

Cientistas disseram ter encontrado no Gabão o que pode ser o fóssil da primeira forma de vida multicelular da terra.

Em artigo publicado na revista Nature nesta quinta-feira, os pesquisadores falaram da descoberta dos fósseis que teriam aproximadamente 2,1 bilhões de anos, 200 milhões a mais do que os fósseis mais antigos encontrados até agora.

Os fósseis têm um formato irregular e se parecem com "biscoitos enrugados", segundo o coordenador da pesquisa, Abderrazak El Albani, da Universidade de Poitiers, na França.

A transição de organismos unicelulares para multicelulares foi um passo crucial na evolução da vida na Terra e abriu caminho para o surgimento de todos os organismos complexos, incluindo plantas e animais.

A grande questão é se os fósseis encontrados na África tinham células que cresceram de maneira coordenada ou se são apenas conjuntos de várias bactérias unicelulares.

A equipe escreveu na Nature que as análises das estruturas dos fósseis usando uma técnica chamada microtomografia de raios X indicam que se trata mesmo de vida multicelular.

Os fósseis existiram durante um período na história da Terra que veio pouco depois do que foi chamado de "Grande Evento da Oxidação", quando concentrações de oxigênio livre na atmosfera cresceram rapidamente.  

 

DE HUMANOS A BABUÍNOS, A RECEITA DA VIDA LONGA

por Carlos Orsi

Seção: Filosofando

meio ambiente

01.julho.2010 17:22:37

A revista Science publica um amplo estudo revelando que um complexo de 150 características genéticas parece ser a marca que distingue as pessoas que vivem mais de 100 anos dos mortais mais “mortais”.

(Entrevistei uma das autoras do estudo por e-mail e acompanhei uma coletiva dela e de outro pesquisador; o resultado pode ser lido aqui).

O mais interessante desse trabalho, a meu ver, é a demonstração de como a interação dos genes entre si e com o ambiente é complexa. Um “quebra-cabeças”, como disse um dos autores do trabalho.

Genes que predispõem a doenças podem ser neutralizados pelos de longevidade, por exemplo — e mesmo os “genes de longevidade” não foram bem identificados, ainda: sabe-se que são cerca de 70, e estão espalhados por todo o genoma humano.

Quanto ao ambiente, os autores da pesquisa notam que 15% da população parece ter o DNA certo para viver além dos 100, mas que menos de 1% chega lá. O fato é que não há genética que proteja contra guerra, furacão, atropelamento, bala perdida… E, embora bons genes possam ajudar a superar ou evitar o que seriam os efeitos naturais de algumas escolhas erradas de estilo de vida, para tudo há limite.

Menos divulgado que o estudo da Science sobre longevidade humana, também nesta quinta saiu um trabalho na Current Biology sobre o que ajuda a prolongar a vida de… babuínos. Babuínas, na verdade.

A conclusão: babuínas que têm laços de amizade íntimos e estáveis vivem “substancialmente mais”. O efeito é independente do status social do animal e do número de amigos. O que importa é qualidade e  estabilidade das relações.

“Esses dados ampliam nossa compreensão do valor adaptativo dos laços sociais nos babuínos e complementa um crescente corpo de evidência que indica que laços sociais têm valor adaptativo (…) de camungondos a humanos”, diz o resumo do estudo.


Carbono 14 produz primeira cronologia precisa do Antigo Egito

Novas datas mostram que eventos na história do Egito são mais antigos do que se pensava

17 de junho de 2010 | 17h 16

estadao.com.br

Por milhares de anos, o Antigo Egito dominou o mundo Mediterrâneo, e estudiosos de todo o mundo  passaram mais de um século tentando documentar os reinos dos diversos governantes dos chamados Antigo, Médio e Novo Reinados. Agora, uma análise detalhada de carbono 14 de vestígios de uma planta da região está oferecendo uma cronologia precisa das dinastias que concorda com a maior parte das teorias anteriores, mas também impõe algumas revisões.

Embora as cronologias prévias tenham tido uma precisão relativa, definir datas absolutas para eventos específicos na história egípcia tem sido uma tarefa polêmica. O novo estudo, publicado na revista Science, delimita as previsões anteriores, especialmente para o Antigo Reinado, que se mostra mais antigo do que estimavam os especialistas. 

O estudo também deve oferecer uma forma de realizar comparações mais precisas com a história de países vizinhos, como a Líbia e o Sudão.

A equipe do pesquisador Christopher Bronk Ramsey, da universidades Oxford e Cranfield, na Inglaterra, e cientistas da França, Áustria e Israel, coletaram medições de radiocarbono de 211 plantas. As amostras foram retiradas de coleções de museus que reuniam sementes, cestos, tecidos e frutas associados a reinos e faraós particulares.

Eles então combinaram os dados do radiocarbono com informação histórica sobre a ordem e a duração de cada reinado, a fim de estabelecer uma cronologia completa das dinastias.

A nova cronologia indica que alguns eventos ocorreram mais cedo do que se imaginava. Ela sugere, por exemplo, que o reino de Djoser começou entre 2.691 e 2.625 a.C. - não mais entre 2.635 e 2.610 - e que o Novo Reinado começou entre 1.70 e 1.544 a.C..

Há mais água na Lua do que se achava, diz estudo

A água não está imediatamente acessível - ela está incorporada ao interior rochoso da Lua

14 de junho de 2010 | 20h 26

REUTERS

A Terra "nascendo" no horizonte da Lua, em imagem feita pela Apollo 11. Nasa

Há muito mais água na Lua do que se pensava, e ela está disseminada sob a superfície, segundo um estudo divulgado na segunda-feira.

Missões recentes à Lua tem mostrado gelo nas sombras das crateras, e também sob a poeira lunar. Mas ela poderia ter sido levada por asteróides caídos no satélite.

O novo estudo, publicado na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, mostra no entanto que há na Lua muito mais água do que isso - descoberta que pode ser importante em futuras missões tripuladas. "A água pode ser onipresente no interior lunar", escreveram os pesquisadores.

"Por mais de 40 anos pensamos na Lua como seca", disse Francis McCubbin, do Instituto Carnegie, de Washington, que liderou o estudo. "Descobrimos que o conteúdo mínimo de água variava de 64 partes por bilhão a 5 partes por milhão - pelo menos duas ordens de magnitude maior do que os resultados anteriores."

A água não está imediatamente acessível - ela está incorporada ao interior rochoso da Lua, segundo o relatório, publicado no endereçohttp://www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1006677107 .

Hoje, a maioria dos cientistas acredita que a Lua se formou quando um objeto do tamanho de Marte colidiu com a Terra, ejetando um material que se aglutinou e começou a orbitar o planeta, 4,5 bilhões de anos atrás.

Houve formação de magma nesse processo, e algumas moléculas de água podem ter sido preservadas conforme o magma esfriava e se cristalizava.

Os pesquisadores examinaram amostras recolhidas há 40 anos durante as missões lunares Apolo. Rochas do tipo mais comum no interior contêm evidências químicas de compostos de hidrogênio e oxigênio que indicam a presença de água.

"As concentrações são muito baixas e, por isso, foram até recentemente quase impossíveis de detectar", disse em nota Bradley Jolliff, da Universidade Washington University, em Saint Louis, que trabalhou na pesquisa.

"Podemos agora finalmente começar a considerar as implicações e a origem da água no interior da Lua."


Encontrados mais seis planetas fora do sistema solar

Cientistas brasileiros ajudam nas descobertas do satélite CoRoT, que incluem uma estrela fria

14 de junho de 2010 | 17h 32

estadão.com.br

SÃO PAULO - A equipe do satélite franco-europeu-brasileiro CoRoT (Convection, Rotation and planetary Transits, na sigla em inglês) anuncia nesta segunda-feira, 14, a descoberta de mais seis planetas e de uma pequena estrela fria (anã marrom) fora do sistema solar. Todos os corpos são maiores que a Terra.

O Brasil participa dessa missão espacial que se destina principalmente à descoberta de exoplanetas e ao estudo da estrutura interna e evolução estelar.

Os cientistas brasileiros têm participado ativamente das pesquisas com o satélite e das descobertas de novos planetas, como no caso dos seis novos anunciados.

Sonda espacial retorna à Terra após visitar asteroide

Japonesa Hayabusa, em órbita desde 2003, pode ter trazido as primeiras amostras de pó de asteroide obtidas pelo homem

13 de junho de 2010 | 17h 30

AP

Um clarão sobre o interior remoto e semiárido da Austrália, conhecido como "Outback", marcou neste domingo, 13, o retorno à Terra de uma sonda espacial japonesa que os cientistas esperam que traga as primeiras amostras de pó de asteroide nunca antes coletadas, que poderão oferecer informações sobre a origem do sistema solar. 

 
Japan Aerospace Exploration Agency / AP

Sonda espacial Hayabusa coletou material da superfície de um asteroide

Após viajar 4 bilhões de milhas (6 bilhões de quilômetros) ao longo de sete anos, a sonda Hayabusa entrou em combustão ao entrar na atmosfera, mas somente após expelir uma cápsula que deve conter o pó de asteroide, informou a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial.

A cápsula caiu de paraquedas na Área Proibida Woomera, uma remota zona militar a cerca de 300 milhas (485 quilômetros) ao noroeste de Adelaide, capital da cidade mais populosa do Estado da Austrália Meridional.

Os cientistas irão coletar a cápsula na próxima segunda-feira, 14, de manhã e a colocarão em um recipiente lacrado, que será enviada em seguida ao Japão para ser estudada.

Hayabusa, projeto lançado em 2003, aterrissou no asteroide em 2005 e se espera que tenha coletado amostras do material de sua superfície que poderão fornecer pistas sobre a formação e evolução do sistema solar.

Os cientistas esperam estudar como e quando o asteroide se formou, suas propriedades físicas, com quais outros corpos espaciais ele poder ter tido contato e como foi afetado pelo vento e radiações solares.

Hayabusa iria retornar à Terra inicialmente em 2007, mas uma série de falhas técnicas - incluindo a deterioração de seus motores iônicos, problemas com os lemes de controle e com as baterias - fizeram com que se perdesse a oportunidade de regresso à órbita terrestre, até este ano.

 
Japão ativa com sucesso vela impulsionada pela luz solar

Se funcionar corretamente, a Ikaros será a primeira demonstração prática desse tipo de propulsão

11 de junho de 2010 | 14h 44

Carlos Orsi, do estadao.com.br

A Agência de Exploração Espacial do Japão, Jaxa, confirma que a vela espacial Ikaros se abriu com sucesso a 770 km de altitude, e está gerando eletricidade a partir de uma camada fina de células solares. A Ikaros havia sido lançada ao espaço no fim de maio, no mesmo foguete que transportou a sonda Akatsuki, com destino a Vênus.

A vela tem uma superfície quadrada de 4,5 metros de lado e 7 milésimos de milímetro. Sua abertura foi um processo complexo e demorado, que teve início no dia 3.

Além de uma camada de células fotoelétricas, um sistema de manobra e sensores estão integrados à vela. A Ikaros agora deve se manter no espaço por seis meses, demonstrando tanto a manobrabilidade da vela quanto a eficiência das células coletoras de energia.

A Ikaros tenta demonstrar a viabilidade dessa combinação de tecnologias - uma vela impulsionada pela pressão da luz solar e um gerador elétrico que, no futuro, poderá ser usado para alimentar um motor e outros instrumentos.

Se essa combinação funcionar, o Japão pretende usá-la para enviar uma missão futura ao planeta Júpiter.

 Embora sejam relativamente comuns na ficção científica - Arthur C. Clarke escreveu um conto clássico sobre uma regata de veleiros solares - velas nunca chegaram a ser usadas realmente como o meio principal de propulsão de um veículo espacial, embora testes de viabilidade já tenham sido realizados por EUA, Rússia e Japão.

A organização privada Planetary Society tentou enviar uma vela ao espaço em 2005, mas o foguete russo contratado para levar a vela Cosmos 1 à órbita terrestre falhou no lançamento.

 

Imagem capturada em alta velocidade revela transformação em bolha estourada

Descoberta da Universidade de Harvard pode ajudar indústria e pesquisa médica.

11 de junho de 2010 | 10h 27

Com a ajuda de um câmara de vídeo de alta velocidade, cientistas descobriram que sob certas condições, uma bolha que estoura em uma superfície líquida não desaparece simplesmente.  

A bolha cria um anel perfeito de pequeninas "bolhas filhas".

Isso ocorre quando a bolha rompida retrai no líquido, formando um anel de ar.

A descoberta foi feita por cientistas da Universidade de Harvard e publicada na revista especializada Nature.

Num determinado momento, as bolhas filhas tornam-se pequenas o suficiente para romper e formar "jatos" que lançam pequenas gotículas na atmosfera.

O coordenador da pesquisa, James Bird, da Universidade de Harvard, disse que a descoberta poderia eventualmente ajudar a aprimorar vários processos de manufatura.

"Quando pequenas bolhas são prejudiciais, como na fabricação de vidro, nossos resultados fornecem informações sobre como os parâmetros podem ser alterados para reduzir as bolhas filhas", disse Bird.

Os cientistas disseram que a descoberta pode ter implicações também para a pesquisa médica, já que gotículas lançadas por bolhas que estouram são associadas com a transmissão de doenças em piscinas e banheiras.

Esse tipo de gotícula também estaria envolvido na troca de material e calor entre o oceano e a atmosfera.

BBC Brasil



Cometas do Sistema Solar podem ter se formado em outras estrelas

Os pesquisadores usaram simulações de computador para mostrar que o Sol pode ter capturado cometas


10 de junho de 2010 | 15h 55

estadao.com.br

Muitos dos cometas mais conhecidos da história, incluindo o Halley, o Hale-Bopp e o McNaught, podem ter nascido em órbita de outras estrelas que não o Sol, de acordo com novo estudo do astrônomo Martin Duncan, da Queen's University, e de uma equipe internacional de astrônomos.

"Quem quer que tenha observado a cauda de um cometa no céu pode ter olhado para material de outra estrela", disse Duncan, em nota. O trabalho está no Science Express, o serviço de publicação online de artigos científicos da revista Science.

Os pesquisadores usaram simulações de computador para mostrar que o Sol pode ter capturado pequenos corpos congelados de estrelas-irmãs, na época em que se encontrava em um berçário de estrelas, e que isso pode ter criado um reservatório de cometas.

Embora o Sol, hoje, não tenha estrelas companheiras, acredita-se que tenha se formado em um aglomerado contendo centenas de estrelas em grande proximidade, todas no interior de uma densa nuvem gasosa.

Nesse período, cada estrela formou em torno de si um grande número de objetos congelados - cometas em potencial - , num disco da onde acabaram se originando os planetas. A maioria dos cometas foram gravitacionalmente expulsos desses sistemas-bebês pelos planetas gigantes em formação, tornando-se membros livres do aglomerado.

O aglomerado do Sol acabou quando o gás do envelope foi banido pela radiação das estrelas mais quentes. Os pesquisadores criaram modelos de computador que mostram que o Sol então capturou gravitacionalmente uma grande nuvem de cometas à medida que o aglomerado se desagregava.

"O processo de captura é surpreendentemente eficiente, e leva à possibilidade de que a nuvem contém um potpourri com amostras de material de um grande números de estrelas-irmãs do Sol", disse Duncan.

Um indício de que a simulação do grupo pode estar correta é a nuvem de cometas que envolve o Sistema Solar, a Nuvem de Oort. O modelo de computador oferece uma hipótese para explicar a formação da nuvem.



Astrônomos captam movimento de planeta fora do Sistema Solar

O astro pode ter se formado de modo semelhante aos planetas gigantes do Sistema Solar

10 de junho de 2010 | 17h 20

estadao.com.br

Cientistas conseguiram, pela primeira vez, acompanhar o movimento de um planeta em órbita de outra estrela que não o Sol. O exoplaneta tem a menor órbita já detectada em um planeta de fora do Sistema Solar observado diretamente, situando-se quase tão perto da sua estrela como Saturno está do Sol.

Os astrônomos creem que o astro pode ter se formado de modo semelhante aos planetas gigantes do Sistema Solar. Como a estrela é bem jovem, a descoberta mostra que planetas gigantes gasosos podem surgir em poucos milhões de anos, uma escala de tempo curta em termos cósmicos.

Com apenas 12 milhões de anos - o Sol, em comparação, tem mais de 4 bilhões - Beta Pictoris tem 75% mais massa que a nossa estrela. Situada a cerca de 60 anos-luz de distância, na direção da constelação de Pictor, trata-se de um dos exemplos mais conhecidos de uma estrela rodeada por um disco de poeira e detritos, o tipo de ambiente onde se formam planetas.

Observações anteriores mostraram uma deformação do disco, um disco secundário inclinado e cometas em rota de colisão com a estrela. “Eram sinais indiretos, mas indicativos da presença de uma planeta de grande massa, e as nossas novas observações demonstram este fato de forma definitiva,” diz a líder da equipe, Anne-Marie Lagrange.

“Uma vez que a estrela é muito jovem, os nossos resultados mostram que planetas gigantes podem formar-se nestes discos em escalas de tempo tão pequenas como alguns milhares de anos.”

Observações recentes mostraram que os discos em torno de estrelas jovens se dispersam ao fim de alguns milhões de anos, e que a formação de planetas gigantes deve, portanto, ocorrer mais depressa do que o que se julgava anteriormente.

O exoplaneta tem uma massa de cerca de nove vezes a massa de Júpiter, dispondo igualmente da massa e localização certas para explicar a deformação observada no interior do disco.


Estudo liga diversas mutações genéticas, nem todas herdadas, ao autismo

O Projeto Genoma do Autismo estudou os genes de 996 pessoas com autismo e 1.287 sem

10 de junho de 2010 | 15h 04

REUTERS

|A maior análise genética já feita no mundo em autistas e em suas famílias determinou que muitos pacientes têm um padrão único de mutações genéticas, e que não necessariamente herdado.

As descobertas, publicadas na edição desta semana da revista Nature, ajudam a confirmar o forte papel que os genes desempenham no autismo, e sugere que os pequenos defeitos genéticos podem começar nos óvulos e esperma dos pais.

"Nossa pesquisa sugere fortemente que esse tipo de variação genética rara é importante e responde por uma porção significativa da base genética do autismo", disse Tony Monaco, do Centro Welcome Trust de Genética Humana da Universidade Oxford, que participou da chefia do estudo.

"Ao identificar as causas genéticas do autismo, esperamos ser capazes, no futuro, de melhorar o diagnóstico e o tratamento dessa condição", disse ele a jornalistas.

O Projeto Genoma do Autismo estudou os genes de 996 pessoas com autismo e 1.287 sem, todas de ancestralidade europeia.

A equipe descobriu que pessoas com autismo tendem a ter mais perdas e duplicações de blocos inteiros de DNA. Essas deleções e inserções são chamadas variantes de número de cópias, e podem interferir no funcionamento dos genes.

Pessoas com autismo têm, em média 19% mais dessas mudanças genéticas que as sem a condição. Os pesquisadores também determinaram que cada caso de autismo tem um conjunto diferente de perturbações, embora algumas afetem genes de função similar.

"Aqui é onde fica complicado. Vasa criança mostrou uma perturbação diferente em um gene diferente", disse o médico Stanley Nelson, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

Daniel Geschwind, também da UCLA, declarou que as descobertas indicam que "minúsculos erros genéticos podem ocorrer durante a formação dos óvulos e esperma dos pais", e que essas variações acabam copiadas no genoma da criança.

"A criança autista é a primeira pessoa da família a carregar a variante. Os pais não têm", disse ele.

A descoberta apoia o consenso emergente de que o autismo é causado, em parte, por "variantes raros", ou mudanças genéticas, que só aparecem em menos de 1% da população.

Embora cada variante só responda por uma pequena parcela dos casos de autismo, juntas elas começam a dar conta de uma grande porcentagem.



Mais antigo sapato de couro do mundo tem 5.500 anos

Gasto e com a forma do pé direito do dono, o sapato foi encontrado numa caverna

09 de junho de 2010 | 18h 31

Associated Press

Há cerca de 5.500 anos, alguém nas montanhas da Armênia pôs o pé direito no que hoje é o mais antigo sapato de couro já encontrado.

Ele jamais será confundido com um sapato moderno, mas o calçado preservado era feito de uma peça única de couro, amarrado na frente e atrás, informas pesquisadores na publicação científica online PLoS One.

Gasto e com a forma do pé direito do dono, o sapato foi encontrado numa caverna, juntamente com outros sinais de ocupação humana. O sapato estava cheio de capim, que data da mesma época que o couro do calçado - entre 5.637 e 5.387 anos atrás.

"É uma grande sorte", disse o arqueólogo Ron Pinhasi, do University College Cork, da Irlanda, que chefiou a equipe de pesquisadores.

"Nós normalmente só encontramos vasos quebrados, mas temos muito pouca informação sobre a atividade cotidiana" de povos antigos. "O que eles comiam? O que faziam? O que vestiam? Esta é uma chance de ver essas coisas... dá um vislumbre da sociedade".

Anteriormente, o calçado de couro mais antigo descoberto na Europa ou Ásia pertencia ao famoso Otzi, o "Homem do Gelo" encontrado congelado nos Alpes e hoje mantido em preservação na Itália. Otzi foi datado de 5.375 a 5.128 anos atrás, alguns séculos depois do sapato armênio.

Os calçados de Otzi eram feitos de pele de urso e de cervo, com uma amarra de couro. O calçado armênio parece  ser de couro de vaca.

Sandálias ainda mais antigas foram descobertas numa caverna dos Estados Unidos, mas são feitas de fibra vegetal, não couro.


Estudo brasileiro reforça hipótese de que vida na Terra veio do espaço

Pesquisa mostra como bactérias poderiam resistir com facilidade a uma viagem interplanetária, agarradas a micrometeoritos

06 de junho de 2010 | 0h 00

Herton Escobar - O Estado de S.Paulo

Quantos escudos protetores você precisaria para sobreviver a uma viagem interplanetária de milhões de anos, agarrado a um pedaço de rocha, congelado, sem água nem oxigênio e bombardeado incessantemente por radiação ultravioleta? Se você é uma bactéria da espécie Deinococcus radiodurans, uma superfície rugosa e uma camada de poeira já seriam suficientes. É o que indica o primeiro estudo experimental de astrobiologia feito por cientistas brasileiros.

Os resultados, publicados na última edição da revista científica Planetary and Space Science, dão suporte à teoria da panspermia, segundo a qual a vida pode não ter se originado na Terra, mas em outro ponto do universo, e caído aqui já pronta, trazida por um cometa, meteorito ou coisa parecida. Para isso, uma forma de vida primordial - representada nos experimentos por bactérias - precisaria sobreviver às intempéries do espaço por milhares ou até milhões de anos, dormente, para então renascer na superfície de algum planeta amigável. Como a Terra.

Por mais difícil que isso possa parecer, vários experimentos realizados nos últimos anos demonstram que determinadas bactérias, em determinadas condições, poderiam sobreviver a uma aventura espacial dessa natureza. A isso soma-se, agora, o trabalho do biólogo brasileiro Ivan Gláucio Paulino-Lima, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele submeteu colônias de Deinococcus radiodurans a condições similares às encontradas no espaço e comprovou que elas sobrevivem, com relativa facilidade, a doses altíssimas de radiação.

"Uma mínima proteção contra raios ultravioleta é suficiente para aumentar significativamente a sobrevivência desses microrganismos", afirma Lima, que fez o trabalho para sua tese de doutorado. "Do ponto de vista da biologia, os resultados não são tão extraordinários. Colocados num contexto astronômico, porém, as implicações tornam-se importantíssimas."

A mais importante delas é que microrganismos primitivos resistentes, semelhantes à Deinococcus radiodurans, poderiam, sim, sobreviver a uma viagem interplanetária, presos a grãos de poeira ou rocha (micrometeoritos). A simulação foi feita utilizando o acelerador de partículas do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas, capaz de produzir feixes contínuos de radiação em vários comprimentos de onda e diferentes intensidades.

As bactérias foram colocadas sobre uma fita de carbono, cuja superfície rugosa forma uma série de "caverninhas" microscópicas nas quais as bactérias podiam se esconder da radiação - algo bem semelhante à superfície de um micrometeorito, segundo os pesquisadores. Associado a isso, bastou uma camada de poeira, matéria orgânica ou um leve empilhamento de células para que as bactérias mais abaixo sobrevivessem.

No teste mais rigoroso, as bactérias foram expostas a 16 horas contínuas de radiação ultravioleta de vácuo, numa dose equivalente ao que elas receberiam ao longo de 1 milhão de anos viajando no espaço. "É uma radiação de altíssima energia, muito mais forte do que os raios ultravioleta que chegam à superfície da Terra", aponta a pesquisadora Claudia Lage, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, que orientou o trabalho de Lima na UFRJ. A atmosfera terrestre filtra os comprimentos de onda mais nocivos da radiação solar. Caso contrário, a superfície do planeta seria esterilizada.

Em média, só 2% das bactérias sobreviveram às sessões de radiação. Parece pouco, mas numa amostra de 100 mil células, isso significa 2 mil bactérias. Mais do que suficiente para inseminar um planeta, como gostam de dizer os astrobiólogos. "É praticamente uma invasão alienígena", compara Claudia.

Na surdina. Uma invasão tão silenciosa que passaria facilmente despercebida mesmo nos dias de hoje. Além de sobreviver às intempéries do espaço, para desembarcar aqui, os micróbios extraterrestres precisariam sobreviver à entrada na atmosfera.

Em 2003, uma rachadura no escudo protetor do ônibus espacial Columbia foi suficiente para destruir completamente a nave, matando seus sete tripulantes. Da mesma forma, o calor criado pelo atrito com o ar seria mais do que suficiente para pulverizar qualquer organismo preso à superfície de um meteoro ou outro meio de transporte espacial.

Por isso, os pesquisadores especulam que as "invasão" teria ocorrido por meio de micrometeoritos - fragmentos microscópicos de rocha -, grandes o suficiente para transportar bactérias, mas pequenos o suficiente para passar pela atmosfera sem se aquecer. Estudos feitos na Antártida indicam que até 10 mil toneladas de micrometeoritos caem anualmente sobre a Terra, segundo o astrônomo Eduardo Janot Pacheco, do Instituto de Astronomia (IAG) da Universidade de São Paulo, que também assina o estudo. "Formas de vida alienígenas podem estar caindo sobre o planeta agora mesmo", especula Janot.

As evidências fósseis mais antigas de vida microbiana no planeta datam de 2,5 bilhões de anos, segundo Claudia. "O planeta já era perfeitamente habitável naquela idade", diz ela, caso algum microrganismo alienígena tenha mesmo desembarcado por aqui naquele momento.

Talvez a própria Deinococcus radiodurans - que seria, neste caso, o ancestral comum de todas as formas de vida na Terra -, ou algo parecido com ela.

Conan, a bactéria. A Deinococcus radiodurans foi selecionada para o estudo porque, como diz seu nome, é uma espécie naturalmente resistente à radiação extrema. A razão evolutiva para isso, ninguém sabe, pois ela aguenta doses muito mais elevadas do que se registra em qualquer ambiente da Terra. E também é resistente à desidratação - outra características necessária para sobrevivência no espaço.

É encontrada em todo lugar, desde desertos até comidas enlatadas. Já apareceu no Guiness Book como "a bactéria mais durona do planeta", e às vezes atende pelo apelido de Conan. "Ainda bem que não é uma espécie patogênica, senão estaríamos em apuros", conclui Janot.


PARA ENTENDER


A busca pela origem da vida

Evidências genéticas associadas à teoria da evolução (em especial, o fato de que todos os seres vivos têm DNA), indicam que todas as espécies do planeta originaram-se de um ancestral comum, bilhões de anos atrás. Essa forma de vida primordial seria um organismo extremamente simples - muito mais simples do que uma bactéria. Mas como ela se formou? Ninguém sabe. Estudos mostram que algumas moléculas essenciais das células podem se formar espontaneamente na natureza, mas ninguém foi capaz de produzir vida dessa forma até agora em laboratório. A teoria da panspermia não resolve esse problema - apenas desloca-o para outro lugar do universo.




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Estudo contraria ideia de que ilhas sumirão

Trabalho analisou 27 ilhas do Pacífico onde o nível do mar subiu;apenas quatro tiveram redução do tamanho

05 de junho de 2010 | 0h 00

AP - O Estado de S.Paulo

NOVA ZELÂNDIA - Algumas ilhas do Pacífico que se imaginava ameaçadas pelo aumento do nível do mar cresceram nos últimos anos, em vez de afundarem. A informação é de um estudo publicado na revista Global and Planetary Change, que inclui as ilhas de Tuvalu, Kiribati e Micronésia. O crescimento dessas ilhas ocorreu em razão do acúmulo de corais e sedimentos, apesar de o nível do mar ter subido.

O estudo geológico prevê que as ilhas existirão daqui a cem anos, porém não se sabe se serão habitáveis. Kiribati, por exemplo, procura local para realocar parte da população que vive na faixa costeira.

Dois pesquisadores - Paul Kench, da Universidade de Auckland, e Arthur Webb, da Comissão de Geociências Aplicadas do Pacífico Sul - mediram 27 ilhas. O nível do mar subiu 120 milímetros nos últimos 60 anos na região analisada. E, enquanto quatro ilhas ficaram menores, as outras 23 mantiveram o mesmo tamanho ou cresceram.

Os cientistas utilizaram fotografias aéreas e imagens de satélite de alta resolução para chegar ao resultado. Kench afirmou que as ilhas estão respondendo ao aumento do nível do mar.

"Elas não estão todas crescendo. Mas a consistência com que algumas cresceram é um pouco surpreendente", diz o pesquisador. Ele alerta, no entanto, que um ritmo acelerado de subida do nível do mar poderia ser uma "séria ameaça ambiental para as pequenas nações insulares".

Para o oceanógrafo australiano John Hunter, a descoberta é uma boa notícia, e não uma surpresa. "Ilhas de coral podem se manter com algum aumento do nível do mar", afirma.

Entretanto, ele ressalta que o aquecimento não trará como consequência apenas a elevação do mar, mas também o aquecimento do oceano e a sua acidificação, o que pode ser prejudicial. "Isso certamente é problemático para os corais." /




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05 de junho de 2010 | N° 16357 ZH
REPORTAGEM DE CAPA

O mentor da Revolução Verde

O empresário alemão Oscar Schindler livrou cerca de 1,2 mil judeus das garras do nazismo. A Pastoral da Criança liderada até este ano por Zilda Arns salvou da morte prematura mais de 200 mil bebês pelo mundo. Uma eventual galeria de herois de todos os tempos não poderia prescindir do pesquisador americano Norman Borlaug. Embora pouco conhecido no Brasil, benfeitorias não faltam para lhe credenciar ao panteão dos visionários que ajudaram a mudar o mundo para melhor: estima-se que as inovações agrícolas desenvolvidas por ele evitaram a morte de mais de 200 milhões de seres humanos devido à fome.

Seus feitos contrastam com a humildade que sempre o caracterizou. Graças a pesquisas que multiplicaram a capacidade de produzir grãos a partir dos anos 60, inicialmente no México e depois em países latino-americanos, africanos e asiáticos, foi considerado o pai da Revolução Verde. A modéstia, porém, o fez rejeitar repetidas vezes o epíteto. Todas as vezes em que tentaram lhe alçar ao pedestal de líder dessa revolução pacífica, dizia:

– Que expressão miserável.

Em 1970, quando trabalhava em uma plantação nos arredores da Cidade do México, foi declarado vencedor do Prêmio Nobel da Paz. O argumento da academia foi de que “mais do que qualquer outra pessoa desta era, ele ajudou a prover pão para um mundo faminto” e a evitar conflitos decorrentes da crise alimentar que se avizinhava. Sua mulher foi correndo lhe dar a notícia na lavoura onde estava. Borlaug riu e sussurrou, descrente:

– Alguém está lhe pregando uma peça.

A mulher insistiu até lhe convencer.

– Então, mais tarde eu comemoro – murmurou, e retomou o trabalho.

Ainda criança, na fazenda da família, em Iowa, estranhava o fato de as plantas crescerem mais em alguns lugares do que em outros. Já adulto, foi ao México pelo projeto da Fundação Rockefeller para decifrar o mistério e amenizar a crise alimentar no país. Combinando variações de plantas, desenvolveu espécies mais resistentes a doenças e variações climáticas e fez explodir a produtividade. Suas lições livraram da inanição ainda a Índia e vários outros países.

Anos mais tarde, pleiteou ao comitê do Nobel a criação de um prêmio específico para a agronomia. Como não obteve sucesso, resolveu lançar por conta própria um concurso anual destinado a destacar avanços no combate à fome por meio do Prêmio Mundial de Alimentação. Em 2006, o agrônomo brasileiro Edson Lobato foi um dos vencedores do prêmio e teve a oportunidade de testemunhar o caráter modesto de Borlaug.

Aproximou-se dele, que então já contava mais de 90 anos, e pediu um autógrafo em um livro. Uma acompanhante do pesquisador americano afastou Lobato, dizendo que o veterano cientista não deveria ser perturbado. Borlaug repreendeu a moça, tomou o livro em mãos e o assinou.

– Isso é uma honra para mim – completou Borlaug, devolvendo a publicação.

Lobato, destacado pelas pesquisas que contribuíram para enriquecer o solo do cerrado brasileiro e torná-lo uma vasta área de agricultura, agora estuda a possibilidade de prestar consultoria para fazer o mesmo em solo africano. Borlaug morreu em setembro do ano passado, aos 95 anos. Deixou, como legado, uma semente resistente ao tempo: ideais que seguem inspirando pessoas como Oskar Metsavaht, Fabio Barbosa e Lelé.

24 de maio de 2010 | N° 16345ZH

ENERGIA

Brasil controla ciclo do urânio

O Brasil estará a partir deste ano preparado para controlar o ciclo completo de enriquecimento de urânio, desde a extração do mineral radioativo até a fabricação final de combustível. O coordenador do Programa de Propulsão Nuclear da Marinha, o capitão André Luis Ferreira Marques, citado pela Agência Brasil, assegurou que o fornecimento de combustível para as instalações de energia e para o projeto do futuro submarino nuclear estará garantido com este processo. Está previsto que o Brasil inaugure neste ano a primeira fase da Usina de Hexafluoreto de Urânio (Usexa), em Iperó, interior paulista.


Empresa alemã cria ilusão de ótica em portas de garagem

Style Your Garage, da Alemanha, cria imagens realistas e bem-humoradas

24 de maio de 2010 | 4h 48

Uma empresa alemã criou um produto que tem o objetivo de quebrar a monotonia das portas de garagem: coberturas com imagens variadas que criam ilusões de ótica em três dimensões.

Divulgação/style-your-garage.com

Imagens diversas são coladas sobre a porta da garagem com faixas de velcro

O produto é colado sobre a porta da garagem com faixas de velcro e deve ser instalado pelo próprio cliente. Os preços variam entre 169 euros (cerca de R$ 400) e 469 euros (R$ 1,1 mil), dependendo do tamanho da porta.

Os painéis são feitos de um material lavável e resistente, semelhante ao usado em lonas impermeáveis que cobrem mercadorias em caminhões.

A empresa style-your-garage.com oferece imagens que vão desde temas da natureza, como praias ou cavalos, até "objetos de desejo" mais consumistas, como lanchas, motos clássicas e carros de corrida.

Para os bem-humorados, existem opções como enormes carrinhos de criança, estúdios de TV com motivos de seleções, no clima da Copa do Mundo, celas de prisão e até escadas rolantes para o céu e o inferno.

A firma alemã permite o envio de imagens pessoais para criar capas para garagem com fotos de álbum de família e outros.

A empresa baseada em Munique também oferece em sua página a possibilidade de qualquer pessoa fazer parcerias com a empresa, através de um tema de criação própria. Basta enviar um desenho para uma garagem e enviar. Se for aprovado, a style-your-garage.com promete ceder parte dos lucros que ele venha a gerar. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.




Tópicos: Fotos, Style your garage.com, Garagem, Alemanha, Galeria, Imagens, Ilusão, Fotogaleria, Vida &, Ciência  TRAGÉDIA CIENTÍFICA

por Herton Escobar

Seção: Sem categoria

19.maio.2010 09:07:05

 
A maioria das pessoas não gosta de cobras e aranhas.

Na verdade, detesta. Basta ver uma na frente que logo quer matar a pauladas, pisar em cima ou sair correndo.

Por isso, quando cheguei ao Instituto Butantan na manhã de sábado para cobrir o incêndio que destruiu a coleção biológica de lá, minha primeira preocupação foi: Como vou explicar para as pessoas a importância disso? Quem é que vai se importar que 85 mil cobras e 450 mil aranhas e escorpiões “morreram” queimados? (na verdade eles já estavam todos mortos há muito tempo, fixados em formol e preservados em álcool, alguns deles há mais de cem anos, o que foi outra dificuldade de explicar….)

Felizmente, eu estava errado. Me surpreendi de maneira muito positiva com a indignação e a tristeza das pessoas diante dessa tragédia. Mesmo não entendendo muito bem porque, todos perceberam que aquela coleção era algo importante, histórico e insubstituível. Uma perda irreparável para a ciência e para a história do Brasil.

Aproveito a oportunidade para reproduzir um texto que publiquei na edição de segunda-feira do Estadão sobre isso. Como muitos dos leitores desse blog não são de São Paulo ou não recebem o jornal impresso em casa, acho que é válido.

Abraços a todos.

Prejuízo para a ciência mundial é incalculável

O real prejuízo causado pelo incêndio no Instituto Butantã não pode ser calculado em números. O acervo de cobras e aracnídeos que foi queimado não tinha valor financeiro. As milhares de obras de arte da natureza guardadas ali, ironicamente, não arrecadariam nem um décimo do que arrecada em leilão um único quadro ou outra obra de arte produzida pelo homem. Seu verdadeiro valor estava no conhecimento científico, produzido pelo esforço de milhares de cientistas que desbravaram selvas, pântanos, ilhas e montanhas para coletar e estudar todos esses animais nos últimos 120 anos.

“Milhares de trabalhos científicos foram publicados com base nesse acervo. Outros milhares, que poderiam ser publicados, não serão mais”, resumiu o zoólogo Francisco Luis Franco, que há dez anos faz (ou melhor, fazia) a curadoria da coleção.

O acervo, agora, terá de ser recomeçado do zero. E não será uma réplica do antigo, mas algo totalmente novo. Pois o valor científico da coleção estava justamente na sua diversidade e representatividade, tanto do ponto de vista temporal quanto geográfico.

As primeiras cobras coletadas por Vital Brazil, por exemplo, nunca poderão ser repostas. Mesmo que haja muitas outras da mesma espécie por aí, elas não têm o valor científico das originais. Porque não estão inseridas num contexto histórico. É como se alguém botasse fogo na Mona Lisa, dizem os pesquisadores: você pode ter milhões de cópias delas por aí – em pôsteres, camisetas, canecas e telas de computador –, mas a original é a original. Insubstituível.

Cada um dos mais de 500 mil animais depositados no acervo tinha um registro de coleta associado a ele, indicando onde, quando e em que condições foi capturado. É essa referência histórica que é tão importante para a ciência, pois serve como um registro da ocorrência de uma determinada espécie num determinado local, num determinado momento e em determinadas condições. Essas informações podem ser – e são – usadas para uma série de estudos acadêmicos e práticos, como o monitoramento de espécies ameaçadas e a identificação de áreas prioritárias para conservação.

Ou, simplesmente, para a identificação de espécies – a função primordial de uma coleção. Centenas dos animais queimados no incêndio eram “holótipos”, os exemplares originais que servem como referência para a descrição de uma espécie. Qualquer cientista no mundo que queira identificar uma espécie na natureza precisa compará-la ao seu holótipo. Ou seja: precisa consultar uma coleção.

“Essa coleção era incontornável. Não tinha como fazer nada com cobras no Brasil sem passar por ela”, diz o herpetólogo Hussam Zaher, diretor do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. Muitos dos holótipos das espécies brasileiras de cobra, segundo ele, estavam guardadas ali. Um prejuízo incalculável não só para o conhecimento da biodiversidade brasileira, mas para a ciência mundial. Todo cientista no mundo que trabalha com cobras da região tropical utilizava esse acervo do Butantã para suas pesquisas.

“Nunca mais vamos ver essas cobras”, resumiu Franco, no dia do incêndio. O mesmo vale para a coleção de aranhas e escorpiões, que possivelmente continha milhares de espécies ainda não descritas. Máquinas podem ser recuperadas ou substituídas. Esses animais, não.

Fim da história.

 

Isaias Raw defende crítica a coleção do Butantã; pesquisadores reagem

Ex-diretor do Butantã reforça sua posição, mas outros cientistas defendem trabalho

20 de maio de 2010 | 20h 13

Fabiane Leite e Alexandre Gonçalves, de O Estado de S. Paulo

Pesquisadores, comunidades científicas e o próprio diretor do Instituto Butantã, Otávio Mercadante, reagiram às declarações do ex-presidente da Fundação Butantã, Isaías Raw.

O pesquisador afirmou, em entrevista ao Estado, que cabe aos pesquisadores do instituto buscar apoio em agências de fomento à ciência. “Se não conseguir, é porque não tem competência”, disse Raw. Também relativizou o papel das coleções. “Se a população não é atendida com vacina e soro, não é para juntar cobra para brincar no laboratório.”

Em nova manifestação, por carta, voltou a defender a missão de saúde pública do instituto e a criticar os responsáveis pela coleção de cobras e aracnídeos.

A Sociedade Brasileira de Zoologia divulgou carta em que “repudia integralmente a manifestação pública” de Raw “sobre a inutilidade das coleções”.

Leia, abaixo, a íntegra das cartas de Raw e de seus críticos:


De: Prof. Isaias Raw
Para: Folha de S.Paulo e Estado de São Paulo
Data 19-5-2010


Assunto: O incêndio no Butantan

 Lamento que tenho que restringir minhas declarações a um texto escrito. Repete-se 1969 quando perseguido pela Ditadura e seus aliados, o prestigioso New York Times pediu uma entrevista.  Informei que minha família ainda estava no Brasil e só daria declarações se o texto me fosse submetido.  O texto submetido não foi o que apareceu no Jornal!  Defendo a liberdade da imprensa, que deve ser responsável.

Disse  ao inexperiente repórter, que como foi determinado  que as declarações seriam do Diretor do Butantan e  que aguardasse um texto escrito. Não foi o que ocorreu!  Tenho portanto direito à resposta!

1. Como Diretor do Instituto, eu já havia advertido os responsáveis pelo acervo de Coleções de Animais Peçonhentos, que  o  álcool usado para conservar estes animais, evaporava criando um ambiente  com vapores, que certamente um dia levaria a um incêndio de altas proporções.  Bastaria substituir o álcool por  glicerina (outro álcool, mais seguro).   Os pesquisadores e a Engenharia do Instituto recusaram-se a tomar conhecimento da advertência e ao receber os recursos da FAPESP para aumentar o patrimônio, nada fizeram para prevenir a anunciada catástrofe.

2. A coleção de cobras, algumas ainda  colhidas por Vital Brazil,  tinham  um valor sentimental e histórico.  Todos lamentamos, mas o real patrimônio deixado por Vital Brazil não foi a coleção de cobras, mas descobrir como produzir soros!  Vital Brazil iniciou produzindo soro contra peste bubônica, que permitiu reabrir os portos do Brasil, onde nenhum navio chegava!   Como médico, criou um Instituto que tinha como prioridade a saúde pública.   

3. Quando cheguei ao Butantan, em 1984, o Instituto só produziu 39.000 ampolas de soro, que testadas pelo INCQS,  foram  recusadas pois eram inativas e contaminadas!  O respeito à herança de Vital Brazil,  era construir uma planta moderna e produzir como estamos fazendo 700.000 ampolas todos os anos.

4. O Brasil não produzia as vacinas para proteger as crianças  e tinha uma altíssima mortalidade  infantil, que reduziu-se a um nível mais aceitável com as vacinas que produzimos.  O Butantan, reconhecido internacionalmente,  entregou no ano  passado ao Ministério 204 milhões de doses de vacina que produziu, 95% da produção nacional. Com o aparecimento da gripe aviária, altamente mortal, ficou claro numa reunião que participei na Organização Mundial da Saúde, que as vacinas produzidas nos países mais avançados seriam reservados para sua população.  Produzir vacinas era um problema de segurança nacional!

5. Tenho uma longa historia como pesquisador e formador de pesquisadores e professores universitários.  Sempre afirmei nas publicações sobre o Butantan, que Institutos que não tem pesquisa, não logram produzir soros ou vacinas.  Isto não significa que cabe diretamente ao Instituto financiar as pesquisas básicas, porque o pesquisador deve submeter projetos, que outros cientistas, protegidos pelo sigilo, julgam.  Só pode ser financiado pesquisas  que passaram pelo crivo da comunidade cientifica nacional e internacional.  O financiamento sem este crivo leva inexoravelmente a decadência da Instituição,  que encontrei em 1984,  quando o Instituto pediu socorro a uma dezena de professores universitários de alto nível que estavam sendo aposentados. Só é publicado, em revistas internacionais artigos que um comitê de pares analisou.   É isto que deixei como norma durante minha gestão, que contribui para que o Instituto obtivesse auxílios da Fapesp, CNPq e até do exterior, publicando em boas revistas e hoje tem um nível comparado as Universidade publicas do Estado e da Fiocruz. Ao contrario da manchete da Folha, nunca na historia do Instituto, os pesquisadores logram obter tantos recursos para pesquisa cientifica!

6. Como diretor  fui buscar recursos para recuperar o Museu Biológico,  um Museu com  uma coleção de cobras vivas, visitadas por meio milhão de crianças e turistas de todo o mundo.  A Dupont contribui com  300.000 dólares.  A população  nada sabia de vacinas e criei o Museu de Micróbios e Vacinas e foi a Aventis que deu outros 300.000 dólares, completado com recursos da Fundação Vitae e da Fundação.   Mais recentemente a Fundação teve que socorrer a construção do novo Laboratório de Farmacologia, que pesquisa venenos,  onde os recursos solicitados a Finep foram gastos,  sem completar a obra.

7. O incêndio é o momento de rever a atividade cientifica dos pesquisadores do acervo. Não podemos simplesmente juntar todas cobras que são trazidas.  A produção de soros é feita com venenos de cobras  criadas  em ambiente limpo. Precisamos entrar na era da biologia molecular que já tem 50 anos! Mais importante do que o número de cobras, é manter o DNA que deve ser sequenciado. o  exame dos cromossomos que foi abandonado, e amostras do veneno. Com um projeto moderno haverá auxílios da Fapesp,  CNPq e Finep.    Nada adianta mentir, que a coleção gerou "milhares de teses e trabalhos publicados em revistas importantes", que se fosse verdade, como afirma um artigo publicado na Folha por um pesquisador do Butantan (que se diz também, professor da Unifesp, o que se for verdade deveria ser afastado por ter dois cargos em tempo integral),  o pequeno grupo que se dedica a coleção publicaria mais que todas as Universidades públicas juntas.  

8. Ser neto do grande Vital Brazil não dá autoridade para definir o papel do Butantan.  Os recursos que por anos economizei são fundamentais para a população. Iniciamos a produção de vacinas e soros um ano antes que o Ministério da Saúde defina o que precisa e tenha orçamento para encomendar ao Butantan!  Paga no ano seguinte, quanto quer e quando pode!  Somos  a ancora das metas de autossuficiência para soros e vacinas,  promovida pelo Jatene como Ministro, inovação e desenvolvimento tecnológico do atual Ministro.  Para fazer frente a isto, e pagar cerca de quatrocentos funcionários da Divisão de Produção, ao deixa a Presidência  da Fundação, deixei 200 milhões de reais.  Sem a produção do Butantan estaríamos sempre dependentes de empresas internacionais, algumas das quais, por falta de retorno financeiro abandonaram a produção de soros.  Hoje além de fornecer soro antidiftérico para Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, estamos trabalhando para desenvolver soros para o Marrocos  e outros países do Norte da África e para o Madagáscar.  

9. Como diretor levantei 300 mil dólares , da  Dupont, para reformar o Museu Biológico, onde ficam cobras vivas e outros 300 mil dólares da Aventis,  que com recursos da Fundação Vitae criou o único museu existente de micróbios e vacinas.  Os dois museus atraem cerca de 500.000 visitantes, na maioria jovens estudantes,  por ano  e oferece kits e laboratórios para os alunos fazerem experiências, que ajudar a formar novos quadros de cientistas.  A Fundação tem arcado com o custo dos monitores e outros materiais para os museus.

10. Entre as novas prioridades são as vacinas de dengue que infectou este na 500.000 pessoas, o  rotavírus com uma vacina que cobre todos os 5 tipos de vírus presentes no Pais, o surfactante que evitará pelo menos metade de 150.000 das mortes por bebes sufocados poucos minutos depois do nascimento e a criação de vacinas múltiplas para a maternidade e para crianças, juntando 3 a 7 vacinas diferentes. Certamente Governo, o Ministério da Saúde, as Fundações de Apoio, o BNDES  e a própria população  são capazes de entender a  importância, que não foi refletida nos principais jornais.


* * *


Nós, os pós-graduandos do Museu de Zoologia da USP, expressamos nossa preocupação com a mensagem veiculada pela matéria publicada recentemente na Folha de São Paulo, no Caderno Ciência (19/05). Acreditamos que a matéria deixa a entender que a manutenção de coleções científicas para esse fim seja uma empreitada secundária para o desenvolvimento científico do Brasil. Não, ela não é.

Recente estudo realizado pela Thomson Reuters (empresa que avalia o desenvolvimento científico a nível mundial) revelou que a pesquisa em biodiversidade é um dos pontos fortes da produção científica brasileira, competindo diretamente com outras áreas de pesquisa de ponta. De fato, o Brasil apresenta a maior produção científica em nível mundial sobre fauna neotropical, com a Universidade de São Paulo como líder na área.

Essa produção científica é diretamente ou indiretamente dependente de ciências de base, pesquisas estas que só são possíveis pela manutenção de coleções científicas, como as recentemente perdidas pelo Instituto Butantan. Tais coleções alimentavam não apenas a produção dos pesquisadores residentes, mas eram também referência em nível nacional e mundial.

Acreditamos que a perda de uma coleção de tal magnitude seja detrimental não apenas para uns poucos pesquisadores, mas sim à sociedade como um todo. Este tipo de desastre não deveria ser menosprezado. Essa foi uma perda indescritível e achamos que as colocações do Dr. Isaías Raw não fazem jus à contribuição do zoólogo para a sociedade. Esperar-se-ia que um ex-presidente de uma importante instituição de pesquisa soubesse do papel que uma coleção de tal porte representa para a produção científica nacional. Infelizmente, este não parece ser o caso do Dr. Isaías Raw.

Atenciosamente,

Rodrigo Cesar Marques - Representante dos Alunos do MZUSP


de acordo:
Adalberto Cesari - Mastozoologia
Ana Paula Dornelas - Malacologia
André Luis Netto Ferreira - Ictiologia
Cibele Bragagnoto - Aracnologia
Daniel Abbate - Malacologia
Fabio de Andrade Machado - Herpetologia
Felipe Gobbi Grazziotin - Herpetologia
Flavia rodrigues Fernandes - Entomologia
Gabriel Biffi - Entomologia
Grazielle Giacomo - Museologia
Guilherme Ide Marques dos Santos - Ictiologia
Laura Rocha Prado - Entomologia
Lívia Rodrigues Pinheiro - Entomologia
Lucas de Araújo Cezar - Entomologia
Luciane augusto de A. Ferreira - Carcinologia
Matheus Godoi Pires - Herpetologia
Paola Sanchez - Herpetologia
Patricia Oristânio V. Lima - Malacologia
Paulo Miranda Nascimento - Paleontologia
Pedro Hollandra Carvalho - Ictiologia
Ricardo Arturo Guerra Fuentes - Herpetologia
Ricardo Kawada - Entomologia
Rodrigo Brincalepe Salvador - Malacologia
Simeão de Souza Moraes - entomologia
Vanessa Simão do Amaral - Malacologia
Vivian Trevine - Herpetologia
Ricardo Angelim Pires-Domingues - Paleontologia
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Fábio de Andrade Machado


Laboratório de Herpetologia/Morfometria

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A Sociedade Brasileira de Zoologia repudia integralmente a manifestação pública do senhor Isaías Raw, ex-diretor da Fundação Butantan, sobre a inutilidade das coleções científicas.

É lamentável encontrar um tamanho desprezo sobre o conhecimento biológico de nosso país, justamente quando o mundo inteiro, no Ano Internacional da Biodiversidade, organiza esforços para conhecer, preservar e divulgar o que resta dos ambientes naturais de nosso planeta. Além de entendermos a natureza que nos cerca, cada vez mais percebemos a importância econômica de fármacos, biomateriais e aplicações na agroindústria, além dos cruciais serviços ambientais prestados, como polinização na agricultura, fornecimento de água limpa e sequestro de carbono na atmosfera. As coleções biológicas foram e continuarão sendo uma ferramenta básica para subsidiar o desenvolvimento de todas as aplicações citadas acima.

Causou-nos particular espanto ouvir do próprio ex-administrador de uma organização sua completa falta de familiaridade sobre o que deveria administrar, da forma em que coleções similares são organizadas em todo mundo, e principalmente pelo raciocínio simplista que leva a falsas dicotomias, contrapondo a produção de vacinas para crianças com a manutenção das coleções. É importante salientar que reconhecimento que o Instituto Butantan tem hoje na produção de vacinas é fruto direto da ciência básica realizada através de suas coleções científicas e que possibilitaram a identificação correta das espécies para as quais vacinas e soros são produzidos. A Sociedade Brasileira de Zoologia entende que fomento para pesquisa é solicitado pelo pesquisador, porém a manutenção ou ampliação da infraestrutura é de responsabilidade institucional e de seu administrador.

Felizmente, ainda há no Brasil importantes Museus de História Natural que abrigam exemplos das espécies de nosso país, os quais frequentemente encontram-se em estados tão ou mais precários em relação à situação que causou a tragédia no Butantan. Precisamos urgentemente alocar recursos para evitar que tragédias similares causem mais perdas irreparáveis sobre um patrimônio, que é da humanidade. Entendemos que o momento chama por um ambicioso programa interministerial de consolidação dos Museus Brasileiros de História Natural, incluindo as coleções da fauna, flora e micro-organismos, para assegurar que o Brasil continue na liderança da pesquisa sobre a biodiversidade tropical.  


Rodney Ramiro Cavichioli
Presidente da Sociedade Brasileira de Zoologia


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Em reportagem ao Estado de São Paulo o professor Isaias Raw faz insinuações e afirmações nas quais questiona tanto a qualidade de parte dos pesquisadores do Instituto Butantan como da existência da coleção de cobras mortas em tal instituição. É triste ouvir, de um ícone da ciência brasileira, afirmação tão leviana, em um momento tão dolorido para pesquisa brasileira, a qual ele mesmo ajudou a construir.

Em primeiro lugar é preciso esclarecer que nos últimos anos dezenas de projetos, entre auxílios a pesquisa e bolsas a alunos, foram concedidos pela Fapesp a esses pesquisadores para trabalharem com serpentes e aranhas das coleções do instituto. Mais de 300 trabalhos em revistas internacionais de impacto foram produzidos somente nos últimos cinco anos por tais pesquisadores.

A competência de muitos desses pesquisadores pode ser constatada não só pelo fomento obtido, quantidade e qualidade de suas publicações, mas também pela concessão de bolsas de produtividade em pesquisa concedidas pelo CNPq. O Instituto Butantan é um órgão da Secretaria Estadual da Saúde e entre as suas atribuições está a produção de soros e vacinas. Essa não é a única atribuição nobre do Instituto que visa a beneficiar a saúde de milhões de brasileiros.

Diversos de seus pesquisadores estudam toxinas de serpentes, aranhas e outros animais venenosos. Dezenas de artigos são publicados anualmente por tais pesquisadores. Muitos desses trabalhos permitem reconhecer o modo de atuação dessas toxinas sobre organismo humano. Após muitos estudos e dedicação desses pesquisadores podemos hoje reconhecer toxinas com propriedades anestésicas, anticoagulantes e anti-hipertensivas. O reconhecimento de moléculas com essas propriedades farmacológicas podem permitir a elaboração de sua síntese e produção de remédios.

Um dos exemplos de toxina animal que "se transformou" em remédio nas estantes da farmácia é o anti-hipertensivo captopril. A molécula sintetizada para tal medicamento foi descoberta a partir do veneno da jararaca (Bothrops jararaca) que ocorre na Mata Atlântica. Quantos brasileiros se beneficiam e prolongam suas vidas pelo uso desse medicamento? Pesquisadores do Instituto Butantan descobriram recentemente mais de 10 toxinas com potencial para se transformarem em medicamentos. E o que o monte de cobras mortas e aranhas dizimadas pelo incêndio têm a ver com isso? Nos últimos 20 anos, mais de 30 espécies de cobras foram descritas graças à coleção de serpentes do Butantan (além de mais de 1.000 aranhas na coleção de artrópodes).

Nesse período, mais de 100 trabalhos descreveram a ecologia dessas cobras. Entre as espécies recentemente descobertas esta a jararaca endêmica da Ilha dos Alcatrazes (Bothrops alcatraz), situada a 34 km da costa de São Paulo. Essa ilha não possui ratos, principal alimento da jararaca do continente. Assim, essa serpente teve que se adaptar a essa nova situação e passou a comer centopeias. Estudos preliminares indicam que seu veneno é distinto, provavelmente uma adaptação ao seu novo alimento. Esse veneno possui proteínas não encontradas na jararaca do continente. Que propriedades farmacológicas podem existir nas moléculas dessas proteínas? Poderão novos medicamentos surgir depois de seu veneno ser estudado?

Outro estudo recente feito nessas coleções incineradas revelou que uma pequena cobrinha (Pseudablabes agassizii) se alimenta de aranhas, ao contrário de suas parentes próximas, que comem vertebrados. A dieta desse animal é um indicativo importante para outros pesquisadores que estudam toxinas. Que moléculas a evolução pode ter construído para uma cobra subjugar uma presa tão específica?

O fato de comer um invertebrado é um indicativo que toxinas diferentes e moléculas desconhecidas da ciência existem nesse veneno. Além de descrever a dieta dessa cobra os pesquisadores, em estudos de campo, verificaram que tal espécie era encontrada em áreas campestres do Cerrado brasileiro. Dados dos exemplares dessa espécie preservados na coleção possibilitaram confirmar que a espécie ocorre exclusivamente em áreas campestres do Cerrado. Essas áreas estão extremamente reduzidas e fragmentadas no Estado de São Paulo, e essas espécie certamente está condenada à extinção, caso esse habitat não seja preservado. Essa informação possibilitou incluir a serpente na lista oficial da fauna ameaçada de extinção do Estado de São Paulo.

Do mesmo modo, os dados de cobras mortas da coleção possibilitaram reconhecer que 18 espécies de serpentes estão ameaçadas de extinção no Estado de São Paulo. O reconhecimento de espécies ameaçadas e de seus hábitats são imprescindíveis para subsidiar o poder público em suas políticas de conservação.

Neste ano, o Estado de São Paulo criou 4 novas Unidades de Conservação (UC) - 2 Parques Estaduais, um Monumento Natural e uma Florestal Estadual.  Essas áreas foram indicadas pelo mapeamento para criação de UC elaborado pelo projeto Biota da Fapesp. As informações oriundas das cobras mortas da coleção do Butantan contribuíram para tal mapeamento. Deste modo, as cobras mortas da coleção do Butantan estão efetivamente auxiliando a conservar parte de nossa biodiversidade. A manutenção da Biodiversidade é inquestionável por uma série de motivos que inclui o ético e social, mas sob a ótica utilitária significa preservar moléculas desconhecidas com potencial de uso farmacológico dentro das cobras, sapos, peixes, aranhas, insetos, plantas e vários outros organismos.

Coleções zoológicas e botânicas constituem o estágio embrionário para desvendar essas moléculas e reconhecer aquelas que vão beneficiar o próprio homem. Coleções zoológicas e botânicas são as ferramentas básicas para auxiliar a preservar essas moléculas para as próximas gerações. Como disse recentemente um nobre pesquisador do Instituto Butantan "Inovação é uma história contada no futuro". Não obstante a imensa contribuição do professor Raw para ciência brasileira ele está atropelando parte dessa história.
 


      Otavio A. V. Marques
   Diretor do Laboratório de Ecologia e Evolução do Instituto Butantan


 

Experimento considerado impossível por Einstein é realizado após 100 anos

Medição envolvendo lasers comprova tese do cientista sobre movimento de partículas em suspensão

20 de maio de 2010 | 19h 17

Carlos Orsi, do estadao.com.br

Pinça laser usada para manter partículas de vidro em suspensão. Divulgação/Science

Com uma conta de vidro medindo milésimos de milímetro e raios laser, uma equipe de cientistas dos Estados Unidos conseguiu comprovar uma ideia formulada por Albert Einstein em 1907, e que o próprio gênio científico acreditava que jamais poderia ser testada.

O problema envolve o chamado "movimento browniano", como são chamados os deslocamentos aleatórios que uma partícula suspensa em líquido ou no ar apresenta, mesmo quando o meio está em repouso.

Em 1905, mesmo ano em que propôs a primeira versão da Teoria da Relatividade, Einstein havia explicado esse movimento como um resultado da temperatura do meio.

Dois anos depois, ele propôs que a energia da partícula suspensa deveria depender apenas de sua temperatura, e não de sua massa ou composição.

Para provar isso experimentalmente, no entanto, seria preciso medir a velocidade da partícula em escalas de tempo muito pequenas, o que Einstein considerou impossível, mas agora foi feito. O resultado está publicado na edição desta semana da revista Science.

"A velocidade de uma partícula browniana muda aleatoriamente e em escalas de tempo extraordinariamente curtas", explica Mark Raizen, da Universidade do Texas, um dos autores do experimento. "Para uma esfera de sílica de 1 micrômetro na água, a velocidade muda de direção e magnitude mais ou menos a cada 100 nanossegundos. Seria preciso um sistema de detecção com tempo de resposta inferior a 10 nanossegundos para medir a velocidade instantânea".

Para realizar a medição, a equipe de Raizen usou ultra-som e raios laser a fim de manter uma partícula de vidro de 3 micrômetros em suspensão no ar, a diferentes pressões.

"Lançamos as contas de vidro com o ultra-som, e as pegamos com as pinças laser", descreve ele. O laser, focado na partícula, gera uma pequena força, suficiente para mantê-la em suspensão contra a gravidade. Além disso, os deslocamentos da partícula no ar afetam o laser. A detecção dos raios permite medir a velocidade com precisão.

O resultado conferiu com a previsão de Einstein. "A conta de vidro tem a mesma energia cinética média que uma única molécula de ar", diz Raizen.

O uso de lasers para controlar partículas suspensas poderá permitir resfriar as partículas a temperaturas baixas o suficiente para permitir o surgimento de efeitos quânticos, afirma Raizen. "Nosso sistema é novo e tem muito potencial, porque a partícula de vidro no vácuo não está ligada fisicamente a nada. Ela é simplesmente suspensa em raios de luz".

 

Tópicos: Física, Einstein, Movimento brwoniano, Science, Vida &, Ciência 

 
Robô Opportunity bate recorde de durabilidade em Marte

Recorde da sonda Viking 1, de seis anos de 116 dias, foi quebrado nesta quinta-feira, 20

20 de maio de 2010 | 16h 41

Associated Press

 
Rastro do Opportunity, deixado sobre dunas marcianas. Divulgação/Nasa

Qual o engenho espacial que detém o recorde de sobrevivência na superfície de Marte? A partir desta quinta-feira, a resposta é: o robô Opportunity. Por décadas, a sonda Viking 1, da Nasa, manteve o título, com seis anos de 116 dias de trabalho científico. Agora, o Opportunity, um dos dois robôs que chegaram à superfície marciana em 2004, bateu essa marca.

Diferentemente do Viking, que realizou experimentos científicos a partir de uma posição fixa, o Opportunity, com seis rodas e movido a energia solar, manteve-se em movimento, descendo encostas de crateras e analisando rochas.

Projetado para durar três meses, o robô já percorreu mais de 18 km e se aproxima da maior cratera de impacto de sua missão, numa jornada que deve levar vários anos.

Com o inverno marciano no hemisfério sul, o robô tem alternado períodos de movimento com descanso para recarregar as baterias.

"A expectativa é de que o Opportunity continue, e continue e continue", disse o gerente do projeto, John Callas, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa.

O pesquisador Ray Arvidson, que trabalhou com o Viking, está espantado. "Não achei que veria isso durante a minha vida", afirmou.

O recorde do Opportunity pode ser derrubado em alguns meses. Spirit, seu "irmão gêmeo", pousou 21 dias antes. Mas a Nasa não sabe se ele ainda está funcionando. O robô, atolado, comunicou-se com a Nasa pela última vez no fim de março, e entrou em modo de hibernação, possivelmente porque o Sol está baixo demais no horizonte para alimentá-lo.

Os cientistas esperam pela primavera marciana para determinar se o robô não morreu congelado.


 Planeta mais quente da galáxia está sendo engolido por estrela

O planeta, Wasp-12b, está tão próximo de sua estrela que tem uma temperatura de mais de 1,500º C

20 de maio de 2010 | 16h 06

estadao.com.br

Ilustração do planeta distorcido e sendo sugado por sua estrela. Divulgação/Hubble

O planeta mais quente conhecido da Via-Láctea também pode ser o de menor expectativa de vida. O mundo condenado esta´sendo devorado por sua estrela, de acordo com observações feitas pelo Telescópio Espacial Hubble. O planeta pode ter apenas mais 10 milhões de anos antes de desaparecer por completo.

O planeta, chamado Wasp-12b, está tão próximo de sua estrela - semelhante ao Sol - que tem uma temperatura de mais de 1,500º C e está esticado como uma bola de futebol americano, pelas forças de maré. A atmosfera expandiu-se a quase três vezes o raio de Júpiter, e está derramando material na estrela. O planeta tem 40% mais massa que Júpiter.

O efeito de troca de matéria entre dois objetos é comum em sistemas binários de estrelas, mas é a primeira vez que é observado de forma tão clara num planeta, de acordo com nota divulgada pelos cientistas responsáveis.

"Vemos uma grande nuvem de material em volta do planeta, que está escapando dele e sendo capturado pela estrela. Identificamos elementos químicos nunca antes vistos em planetas fora do Sistema Solar", disse a líder da equipe que fez a observação, Carole Haswell, da Universidade Aberta da Grã Bretanha.

O trabalho da equipe está publicado no Astrophysical Journal Letters.

Uma análise teórica publicada em fevereiro na revista Nature por Shu-lin Li, da Universidade de Pequim, previa que a superfície do planeta devia estar distorcida e que o interior seria tão quente que a atmosfera estaria expandida. As observações di Hubble confirmam essas previsões.

A estrela, Wasp-12, fica a cerca de 600 anos-luz, na constelação do Auriga. O planeta havia sido descoberto em 2008 pelo programa britânico Busca Planetária de Área Ampla, que em inglês tem a sigla "Wasp".



Tópicos: Planeta, Estrela, Hubble, Vida &, Ciência

 

Após 10 anos, genoma humano ainda oferece mais desafios que soluções

Impacto desse conhecimento na prática médica ainda não se fez sentir nos consultórios e hospitais

06 de abril de 2010 | 11h 21

Carlos Orsi, do estadao.com.br

Cientista observa sequência do genoma (Foto: Vincent Kessler/Reuters)

SÃO PAULO - Dez anos depois de o primeiro sequenciamento do genoma humano ter sido anunciado, o impacto desse conhecimento na prática médica ainda não se fez sentir nos consultórios e hospitais. "As consequências para a medicina clínica têm sido modestas até agora", reconhece Francis Collins, que encabeçou o Projeto Genoma Humano (PGH), em artigo publicado na revista científica britânica Nature. Hoje, Collins é diretor dos Institutos Nacionais de Saúde do governo dos Estados Unidos.

"Os desafios que os pesquisadores de hoje enfrentam são pelo menos tão grandes quanto os que eu e meus colegas enfrentamos há dez anos", diz, em outro texto para a mesma revista, J.Craig Venter, que chefiou o programa de sequenciamento da empresa Celera Genomics.

O anúncio de que a sequência dos 3 bilhões de bases do genoma humano havia sido compilada pela primeira vez foi feito em 6 de abril de 2000 por Venter, perante a Câmara de Representantes do Congresso dos EUA. Na época, a mídia saudou o anúncio como uma vitória de Venter sobre o programa público, de Collins, na "corrida" pelo genoma.

Meses mais tarde, em junho, Venter e Collins, juntamente com o então presidente dos EUA, Bill Clinton, e o então primeiro-ministro britânico, Tony Blair, apresentaram ao público as duas sequências, a da Celera e a do PGH. Em nota conjunta, Clinton e Blair referiram-se ao sequenciamento como "um dos mais importantes empreendimentos científicos de todos os tempos", e destacaram que o acesso à informação genética humana "promoverá descobertas que reduzirão o fardo da doença, melhorarão a saúde em todo o mundo e melhorarão a qualidade de vida de toda a humanidade".

Avanços

Uma década mais tarde, Collins reafirma que "a prometida revolução na saúde humana continua a ser muito real". Na Nature, ele reconhece que "quem esperava resultados dramáticos da noite para o dia pode sentir-se desapontado". "A genômica segue a primeira lei da tecnologia", afirma: "Nós sempre superestimamos os efeitos de curto prazo e subestimamos os de longo".

Collins cita alguns avanços obtidos na medicina graças ao estudo do genoma, como a criação de testes genéticos para prever se um paciente de câncer precisará de quimioterapia, mas reconhece que "é justo dizer que o Projeto Genoma Humano ainda não afetou a saúde da maioria das pessoas".

Venter, por sua vez, lembra que hoje é possível sequenciar um genoma humano em um único dia e a um custo de poucos milhares de dólares, enquanto que o PGH custou bilhões. "Mas ainda há um caminho a percorrer antes que essa capacidade tenha um efeito significativo na saúde e na medicina", escreve, ecoando a opinião de Collins. "À medida que o custo do sequenciamento cai, a qualidade da informação precisa aumentar. A geração de dados genômicos terá pouco valor sem a informação correspondente... sobre as características observáveis do indivíduo, e sem ferramentas de computação para ligar essas duas coisas".

O pesquisador acredita que o sequenciamento do DNA de seres humanos individuais logo será uma operação barata e amplamente disponível, e que o principal obstáculo à frente serão os fenótipos - isso é, as características geradas pelos genes no organismo. "Os experimentos que transformarão a medicina, revelando a relação entre variação genética e resultados biológicos, como fisiologia e doenças, exigirão os genomas completos de dezenas de milhares de seres humanos, juntamente com dados digitalizados abrangentes de fenótipos".

Venter diz que a necessidade de se realizar esse tipo de análise pode justificar a construção de uma nova geração de supercomputadores, para dar conta da enxurrada de dados e no número astronômico de correlações possíveis entre o DNA e as características e o funcionamento do corpo humano.

Ele prevê que, na próxima década, passarão a estar disponíveis dados dos "vários genomas" de cada ser humano, incluindo a estrutura genética de espermatozoides, óvulos, células-tronco e células de tumores.



Tópicos: Genetica, Genoma humano, Sequenciamento, 10 anos, Vida &, Ciência 

 

Ciência | 20/05/2010 | 18h29min

Com a célula sintética, cientistas dos EUA dão passo para criar vida artificial

Há décadas cientistas manipulam genes de animais e plantas, mas é a primeira vez que alguém altera o genoma completo

Ciência | 20/05/2010 | 18h29min

Com a célula sintética, cientistas dos EUA dão passo para criar vida artificialHá décadas cientistas manipulam genes de animais e plantas, mas é a primeira vez que alguém altera o genoma completoAtualizada em 21/05/2010 às 08h04min

Geneticistas americanos anunciaram hoje que, pela primeira vez, produziram uma célula controlada por um genoma sintético, um passo que aproxima a ciência da criação de vida artificial.

— Esta é a primeira espécie autoduplicável no planeta cujo pai é um computador — disse, em entrevista coletiva, Craig Venter, um dos geneticistas mais famosos do mundo.

Há décadas cientistas manipulam genes de animais e plantas, mas é a primeira vez que alguém altera o genoma completo.

Leia mais no blog do Rodrigo Lopes.

Os autores da façanha, que publicaram a pesquisa na edição de hoje da revista "Science", replicaram no laboratório o genoma da bactéria Mycoplasma mycoides, ao qual adicionaram uma sequência de DNA com um endereço de internet, para revelar os mistérios de seu experimento.

Em seguida, inseriram o genoma na bactéria Mycoplasma capricolum, da qual tinham retirado anteriormente grande parte de sua informação genética.

O novo genoma passou a controlar a célula, que começou a produzir as proteínas que o DNA transplantado pedia.

— Esta é a primeira célula sintética feita e a chamamos de sintética porque é totalmente derivada de um cromossomo sintético — disse Venter.

Na verdade, apenas o genoma é sintético, enquanto o restante da célula é natural. O objetivo final dos investigadores é instalar em uma bactéria um genoma criado em laboratório que ordene a realização de trabalhos úteis para o ser humano.

A Synthetic Genomics, companhia fundada por Venter, já conta com um contrato no valor de US$ 600 milhões com a petrolífera Exxon Mobil para produzir algas que absorvam dióxido de carbono e gerem biocombustíveis.

A façanha abre a possibilidade de eventualmente criar uma espécie artificial, com toda a carga ética que isso implica.

— Este é um passo importante, tanto cientificamente quanto filosoficamente. Certamente mudou minhas opiniões sobre a definição da vida e como funciona a vida — afirmou Venter, que ficou famoso em 2000 por ser um dos primeiros cientistas a sequenciar o genoma humano.

Sua equipe tem o objetivo agora de sintetizar "a célula mínima que contenha apenas os genes necessários para sustentar a vida em sua forma mais simples".


AP E EFE

O trabalho gera esperança de que algum dia poderia produzir novos combustíveis, planejar melhores formas de limpar águas contaminadas e oferecer vacinas mais rapidamente
Foto:AP / J. Craig Venter Institute

 A experiência

1 Após sequenciar o DNA da bactéria Mycoplasma mycoides, cientistas guardaram sua informação genética em um computadorComo foi a criação do primeiro micróbio sintético

2 Usando um software,fizeram uma dezena de alterações no genoma do micróbio, apenas para marcá-lo com uma espécie de “etiqueta” genética

 
3 Após a etapa de computação, cientistas transformaram a informação digital em DNA, materializando o genoma da bactéria que existia só dentro do computador

 
4 Após o material genético ser composto, foi injetado em uma célula de outra bactéria, o Mycoplasma capricolum, que tivera  seu DNA extirpado

5 As células “vazias” que estavam inativas criaram vida e passaram a se reproduzir normalmente; o fato de que portavam a etiqueta provou o sucesso da pesquisa

O genoma l É o conjunto de todo o material genético localizado no núcleo das células de um ser vivo. Ele é distribuído em cromossomos, que por sua vez são compostos pela famosa molécula DNA.

l DNA é a sigla para ácido desoxirribonucleico, uma substância com um formato peculiar. Ela é composta por duas fitas compostas por sequências de bases nitrogenadas. Essas bases nitrogenadas são as famosas letras químicas do DNA, A, T, C e G (adenina, timina, citosina e guanina, respectivamente). l Então, o genoma é um imenso emaranhado de

DNA, que tem em seus bilhões de letras algumas sequências que codificam receitas para proteínas, os chamados gens

AplicaçõesA ideia dos cientistas é desenvolver uma ferramenta biotecnológica que permita produzir microorganismos sintéticos,geneticamente

1- absorver dióxido de carbono (CO2) do ar

 2- despoluir a água

3- l produzir biocombus t í ve i s com base em energia solar

4- l acelerar a produção de vacina

 
21 de maio de 2010 | N° 16342ZH

FAÇANHA CIENTÍFICA

A caminho da vida artificialPesquisadores norte-americanos anunciaram que, pela primeira vez, produziram uma célula controlada por genoma sintético

Cientistas norte-americanos fizeram ontem um anúncio que promete entrar para a história como um dos maiores – e mais divergentes – feitos da biologia moderna. Pela primeira vez, pesquisadores conseguiram produzir uma forma de vida “sintética” em laboratório. A façanha abre a possibilidade de criar uma espécie artificial, com toda a carga ética que isso implica.

O projeto é liderado pelo polêmico Craig Venter, que ajudou a sequenciar o genoma humano 10 anos atrás. No caso anunciado ontem, Venter foi ainda mais audacioso. Pegou o genoma sequenciado de uma bactéria, fez uma cópia “sintética” desse genoma, transplantou essa cópia para o “corpo” de uma célula morta (sem DNA), e essa célula passou a ser viva, funcionando e multiplicando-se como se fosse a bactéria original.

– É a primeira espécie autorreplicante no planeta cujo pai é um programa de computador – definiu Venter.

Pensando no genoma como um software biológico, o que os cientistas fizeram foi “piratear” o sistema operacional de uma máquina, transferir esse programa para outra máquina e fazer com que a máquina funcionasse normalmente.

Testes levaram 15 anos e custaram R$ 73,4 milhões

A operação custou US$ 40 milhões (R$ 73,4 milhões) e levou 15 anos para funcionar. O resultado final, apresentado na edição de ontem da revista Science, é uma linhagem de milhões de bactérias reproduzidas de uma única célula que recebeu o genoma sintético. Em trabalhos passados, publicados ao longo dos últimos anos, a equipe já havia conseguido transplantar o genoma de uma espécie de bactéria (Mycoplasma mycoides) para o corpo de uma outra espécie (Mycoplasma capricolum), que passou a se comportar como se fosse a primeira. Também já haviam mostrado que era possível confeccionar esse genoma em laboratório, letra por letra, usando a sequência original como referência. Mas até agora não haviam conseguido fazer com que esse genoma sintético funcionasse dentro da célula receptora. Conseguiam piratear o software, mas a máquina não rodava.

Agora, finalmente, rodou. As bactérias da linhagem sintética, batizada de M. mycoides JCVI-syn1.0, funcionam e se reproduzem normalmente, como qualquer bactéria na natureza

21 de maio de 2010 | N° 16342 ZH

FAÇANHA CIENTÍFICA

Cientista trabalha para produzir alga sintética

Já acusado de “brincar de Deus”, o polêmico Craig Venter busca desenvolver uma ferramenta biotecnológica que permita produzir micro-organismos “sintéticos”, geneticamente programados para realizar funções específicas.

Entre os benefícios da medida, estão absorver gás carbônico do ar, digerir manchas de petróleo no mar ou produzir biocombustíveis com base em energia solar.

– O próximo passo é uma alga sintética – avisa.

A célula original que recebeu o genoma sintético teve o benefício de todo o “maquinário” original do citoplasma (mitocôndrias, ribossomos e outras organelas) para funcionar, já que apenas o DNA havia sido removido. A cada multiplicação celular, porém, isso foi se diluindo, até que tudo dentro das células passou a ser 100% confeccionado pelo genoma sintético.

– Não criamos vida do nada – ressaltou Venter.

O termo “sintético” refere-se ao fato de o genoma ter sido montado em laboratório, mas todos os ingredientes são naturais

07 de maio de 2010 | N° 16328 ZH

LEGADO HISTÓRICO

Neandertais no DNA dos humanosDecodificação do genoma do chamado homem das cavernas indica que teria havido cruzamento com homem contemporâneoOs neandertais ainda vivem. De certa forma. Estudo publicado na revista científica Science concluiu que populações de fora da África, de origem europeia e asiática, têm de 1% a 4% de DNA herdado dessa espécie extinta há cerca de 30 mil anos.

Depois de quatro anos, uma equipe internacional de pesquisadores liderado pelo Instituto Max Planck, na Alemanha, fez o sequenciamento genético do homem de Neandertal e o comparou com cinco humanos contemporâneos da África meridional e ocidental, França, China e Papua Nova Guiné. Esse sequenciamento é baseado na análise de cerca de 1 bilhão de fragmentos de DNA extraídos de diversos ossos fossilizados de neandertal encontrados na Croácia, Espanha, Rússia e Alemanha.

– Podemos dizer que provavelmente ocorreu transferência de genes (acasalamento) entre o homem de Neandertal e os humanos modernos – diz Richard Green, professor de Engenharia Biomolecular da Universidade da Califórnia e um dos autores do estudo.

Segundo os pesquisadores, esse cruzamento deve ter ocorrido entre 60 mil e 80 mil anos atrás, depois que os primeiros Homo sapiens saíram da África, berço da humanidade, e encontraram neandertais no Oriente Médio. O fato de os genes do neandertal aparecerem no genoma de indivíduos de origem europeia e asiática, mas não entre os africanos, sustenta essa hipótese. Além disso, não foi encontrado nenhum gene de Homo sapiens no genoma de neandertal sequenciado a partir do DNA extraído de três ossos fossilizados provenientes da caverna Vindija, na Croácia, e que datam de 38 mil anos. O neandertal é considerado o primo mais próximo dos humanos, com um genoma idêntico em 99,7%.

– Aqueles que vivem fora da África carregam um pouco do DNA do neandertal – diz Svante Päabo, diretor do Departamento de Genética Evolutiva do Instituto Max Planck.

A meta científica principal é estudar as diferenças entre as duas espécies. E, com isso, obter pistas sobre o que permitiu ao Homo sapiens se tornar a espécie dominante do planeta.


Herança atual
- Algo entre 1% e 4% do genoma de uma pessoa é pouco? Segundo antropólogo John Hawks, é o mesmo legado hereditário que um tataravô deixaria para você. A diferença é que, no caso dos neandertais, isso persistiu após 1,5 mil gerações, e não de cinco. É como se, entre quase 7 bilhões de pessoas vivas hoje, houvesse 50 milhões de neandertais por aí.Multimídia


Argentina: Defendem o uso do herbicida glifosato para a produção07/05 

Especialistas destacam sua ampla utilização no mundo com um baixo risco toxicológico 

Por Fernando Bertello, La Nación

Se a soja desperta paixões frente à opinião pública, porque uns aplaudem seu exponencial crescimento nos últimos 15 anos, com uma semeadura que foi duplicada, e outros criticam seu avanço e junto a ela existe um produto que, pelo menos quando seu nome é pronunciado, também provoca reações: o glifosato voltou a estar em cena recentemente quando uma sentença de um juiz de Santa Fe proibiu a sua aplicação em zonas próximas ao povoado de San Jorge, frente a denúncias de supostas enfermidades da saúde humana provocadas por este produto.

O que é o glifosato, para que é usado, desde quando se recorre a ele na Argentina e no mundo, que relação tem com a soja e outros cultivos, que mudanças introduziu para a agricultura e como se classifica a nível toxicológico nas organizações internacionais são algumas das perguntas que vale a pena responder.

O glifosato é um princípio ativo de um herbicida que atua bloqueando a atividade de uma enzima sem a qual os vegetais morrem. Seu objetivo é o controle de ervas que competem ou possas chegar a competir com os cultivos por recursos vitais como a luz, a água e os nutrientes.

“O glifosato é um ácido que se formula como um sal para que seja solúvel em água. Basicamente, as formulações comerciais constam de um sal de glifosato e um tensoativo (se refere a algo que reduz a tensão entre as superfícies de contato), que permite ao glifosato penetrar dentro das ervas a serem tratadas e iniciar sua translocação até os pontos de crescimento onde atua”, explicou Pablo Grosso, diretor de Gestão Tecnológica da Câmara de Sanidade Agropecuária e Fertilizantes (Casafe), que une as empresas provedoras de agroquímicos.

Trata-se de um produto que tem 30 anos de vigência e é utilizado em pelo menos 140 países. A Argentina representa 8,5% do consumo total deste herbicida. “Começou a ser utilizado em 1974, ou seja, no mundo há uma experiência de mais de 35 anos de uso”, disse Grosso. Segundo o técnico da Casafe, é o produto fitossanitário (quer dizer, de proteção dos cultivos) mais usado no mundo. “São utilizados aproximadamente 2 bilhões de litros e a Argentina usa 8,5% desse total, com 170 milhões de litros”, completou.

O glifosato não é exclusivo de um só país, muito menos da soja. É empregado para tantos outros cultivos a campo, atividades pecuárias e em economias regionais onde também o objetivo é controlar as ervas daninhas.

Revolução técnica

No caso da soja, a combinação com o glifosato ocorreu num contexto ainda mais amplo. Foi na chegada da soja resistente ao glifosato, em 1996, que deu força ao produto e fez ainda mais sentido no controle de ervas. Uma soja resistente a este herbicida foi um avanço significativo para poder dar um passo a mais no controle de ervas daninhas difíceis e incorporar mais hectares na agricultura.

Mas, além da chegada da soja resistente ao herbicida glifosato, a soja tomou força por outro fator: o plantio direto, uma tecnologia que permitiu que se deixasse de revolver o solo para semear, permitindo maior eficiência no seu uso. Hoje são 20 dos 30 milhões de hectares semeados no país com plantio direto.

“A combinação do herbicida glifosato, soja transgênica resistente ao glifosato e plantio direto teve um efeito sinérgico tão grande que estabeleceu um novo paradigma único no mundo, que cobre milhões de hectares. Nem nos Estados Unidos, nem no Brasil (primeiro e segundo produtores mundiais de soja; a Argentina ocupa o terceiro lugar) existe essa quantidade de terras agrícolas com plantio direto contínuo, onde se cultivam soja transgênica e se usa o glifosato para controle de ervas daninhas”, afirmou Luis Salado Navarro, consultor. Outro benefício concreto que tiveram os produtores com esta tecnologia foi a redução de custos de produção por hectare, que baixou sensivelmente.

Gustavo Duarte, outro consultor, também não tem dúvidas sobre o que representa a agricultura com o glifosato. “Na agricultura com o glifosato se reduziu a perda de solo, único fator em discussão quando se fala de sustentabilidade da produção, já que mediante a adoção do plantio direto, foram minimizadas as perdas geradas pela lavração. Além disso, há um menor gasto de energia fóssil direta, com menos litros de diesel queimado na atmosfera por hectare, reduzindo o efeito estufa”, comentou.
“Antes da chegada do glifosato, o controle de ervas daninhas requeira a utilização de múltiplos produtos com nível de risco de contaminação, em alguns casos, muito superiores aos que poderia conduzir este herbicida”, disse Martín Díaz-Zorita, outro especialista.

Toxicidade menor

Neste contexto, a pergunta sobre a toxicidade ou não do glifosato se impõe. Segundo Guillermo Cal, diretor executivo da Casafe, a classificação toxicológica deste produto está regida segundo critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação).

É uma escala que consideram os produtos como extremamente ou muito perigosos, moderadamente perigosos, ligeiramente perigosos ou produtos que “normalmente não oferecem perigo”. Segundo afirmam no setor, o glifosato pertence a esta categoria. “A FAO e a OMS o definem como produto que normalmente não oferece perigo; não é uma classificação arbitrária, está fundamentada sobre parâmetros muito restritos”, afirmou Cal.
Na Argentina, o glifosato se encontra registrado no Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentária (Senasa). “Pertence, segundo a resolução 350/99 do Senasa, à categoria de produtos fitossanitários de menor risco toxicológico (classe IV ou faixa verde), em concordância com outras organizações internacionais que o avaliaram, como a FAO e a OMS”, disse Grosso. Este especialista completou: “É menos tóxico em muitos casos, que os produtos que se usam para combater a dengue, as pulgas, piolhos, baratas, etc”.
Chaves
Objetivos: o glifosato é um herbicida cujo objetivo é o controle de ervas daninhas. É empregado para eliminar aquelas que competem ou poderão competir com os cultivos. Contribui também para controlar as ervas na época de pousio, quer dizer, os meses que os cultivos não cobrem o solo. Além da soja, é empregado em outros cultivos a campo e economias regionais.
Uso global: a nível mundial são 140 países que o utilizam. O consumo global deste produto fica em torno de 2 bilhões de litros e a Argentina representa 8,5% desse total. Países como os Estados Unidos, a Inglaterra, a França e a Alemanha somam mais de 800 registros de formulações comerciais que foram avaliadas toxicologicamente para sua aplicação. É utilizado desde 1974.
Toxicidade: Segundo a Câmara Argentina de Sanidade Agropecuária e Fertilizantes (Casafe), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação (FAO) o classificam como produto que “normalmente não oferece perigo”. Pertence a uma categoria de produtos conhecida como “faixa verde”, ou menor risco toxicológico.


La Nacion - Tradução Portal Agrolink


04 de maio de 2010

Gelo flutuante global está em constante recuo, indica estudo.

O gelo flutuante do mundo está em recuo constante, o que mostra uma instabilidade que vai elevar o nível do mar, segundo um relatório publicado na "Geophysical Research Letters" nesta quarta-feira. As geleiras estavam desaparecendo de forma estável ao longo dos últimos dez anos, de acordo com a primeira medida realizada.

"É um número alto", disse o professor Andrew Shepherd, da Universidade de Leeds, principal autor do trabalho, estimando a perda líquida de gelo flutuante a prateleiras de gelo em 7.420 km na última década.

Esta quantidade é maior do que a perda dos mantos de gelo da Groenlândia e da Antártida no mesmo período de tempo, com destaque para o impacto do aquecimento dos oceanos no gelo flutuante.

O derretimento do gelo varia do inverno para o verão. Os cálculos do relatório dizem respeito à perda líquida ao longo da década passada.

"Há uma taxa constante de recuo por ano", afirmou o professor. "É um processo rápido e não há nenhuma razão para que ela não aumente no próximo século."

Polo norte sem gelo até 2050?

O estudo não lança uma nova luz sobre a hipótese de que em breve o polo norte pode ficar totalmente sem gelo, durante o verão. Muitos especialistas em clima dizem que isso poderia acontecer em 2050, talvez mais cedo.

O derretimento do gelo marinho flutuante e das prateleiras de gelo contribui pouco para a elevação do nível do mar, pois toda sua massa já está na água. Ao contrário do gelo em terra, que derrete no mar, e eleva o nível no que corresponde a sua massa inteira.

Se todo gelo flutuante do mundo derretesse, o nível do mar elevaria em cerca de 4 cm. Mas isso poderia ter um efeito maior, se as geleiras sobre a terra fossem desbloqueadas e deslizassem para o mar. Além disso, a água reflete menos luz do Sol do que o gelo, e aquece a área local.

Já se o gelo polar do mundo derretesse, o nível do mar aumentaria em cerca de 70 m, estimam os cientistas. "Estamos entrando em uma era onde o gelo do mar e as plataformas de gelo estão erodindo, devido ao aumento da temperatura", disse Shepherd.

O gelo flutuante eleva pouco o nível do mar, porque não aumenta o peso total da água salgada, mas dilui no oceano assim que derrete, provocando a expansão do volume do mar.

Na última década, o derretimento do gelo flutuante aumentou o volume dos mares do mundo em 193 km3, segundo o pesquisador.

 
Postado por Patrícia Mairesse

 

03 de maio de 2010

Lixo vira energia limpa na Dinamarca
 
Novo tipo de usina transforma o lixo em calor e eletricidade

Os advogados e engenheiros que vivem num elegante bairro de Horsholm parecem em paz com seu vizinho desajeitado: uma grande usina energética que queima milhares de toneladas de lixo doméstico e industrial 24 horas por dia.

 

Bem mais limpo que os incineradores convencionais, esse novo tipo de usina transforma o lixo local em calor e eletricidade. Dezenas de filtros retêm poluentes, do mercúrio à dioxina, que há uma década sairiam pela chaminé.

 

Desde então, essas usinas se tornaram cruciais no tratamento do lixo e como fonte de combustível em toda a Dinamarca. Seu uso não só reduziu o gasto energético do país e sua dependência em relação ao gás e ao petróleo, como também beneficiou o meio ambiente, minimizando o uso de aterros sanitários e diminuindo as emissões de dióxido de carbono.

 

As usinas são tão limpas que, hoje em dia, muitas vezes há mais dioxina emitida em lareiras e churrasqueiras do que pela incineração de lixo. O país, de 5,5 milhões de habitantes, tem 29 usinas dessas, atendendo 98 municípios, e outras dez estão em fase de planejamento ou construção.

 

Em toda a Europa, há cerca de 400 usinas, sendo que Dinamarca, Alemanha e Holanda lideram a construção e ampliação delas.

 

Na Dinamarca, as usinas ficam nas comunidades às quais atendem, não importa quão ricas elas sejam, para que o calor da queima do lixo possa ser distribuído de modo eficiente pelo encanamento até as casas.

 

Os planejadores se empenham em separar o tráfego residencial dos caminhões que levam o lixo, e algumas das usinas mais novas ficam dentro de elaboradas "cascas" externas, semelhantes a esculturas.

 

"Novos compradores em geral não se importam com a usina", disse Hans Rast, presidente da associação de proprietários de imóveis de Horsholm. "O que eles gostam é que olham para fora e veem a floresta." (As salas de estar dão para campos e árvores, e a usina fica mais de 350 metros além de uma cerca traseira, que faz limite com as garagens das casas.)

 

O gasto menor com aquecimento também agrada. A queima do lixo gera 80% da calefação e 20% da eletricidade em Horsholm.

 

Muitos países que estão ampliando sua capacidade de transformar lixo em energia, como Dinamarca e Alemanha, costumam ter também altos níveis de reciclagem; só o material que não pode ser reciclado é queimado.

 

Na Europa, as leis ambientais aceleraram o desenvolvimento dos programas de transformação de dejetos em energia. A União Europeia restringe severamente a criação de novos aterros sanitários, e seus países já se comprometeram a reduzir suas emissões de CO2 até 2012, conforme prevê o Protocolo de Kyoto.

 

Em Horsholm, apenas 4% do lixo atualmente vai para os aterros, e 1% (produtos químicos, tintas e alguns equipamentos eletrônicos) segue para locais especiais, como depósitos seguros em uma mina abandonada de sal na Alemanha. De todo o lixo da cidade, 61% é reciclado, e 34% queima em usinas energéticas.

 

As emissões das usinas de todas as categorias diminuíram para apenas 10% a 20% dos níveis autorizados pelos rígidos padrões ambientais europeus para descargas no ar e na água.

 

Ao final do processo de incineração, os ácidos, os metais pesados e o gesso extraídos são vendidos para uso na indústria e na construção. Pequenas quantidades de substâncias concentradas altamente tóxicas, formando uma pasta, são embarcadas para um dos dois depósitos de materiais perigosíssimos, nos fiordes noruegueses e na antiga mina alemã de sal.

 

"Os elementos perigosos são concentrados e tratados com cuidado, em vez de serem dispersados como seriam num aterro", disse Ivar Green-Paulsen, gerente-geral da usina Vestforbraending, em Copenhague, a maior do país.

 

Na Dinamarca, os governos locais administram a coleta, a incineração e a reciclagem do lixo, e há leis e incentivos financeiros para impedir que materiais recicláveis sejam queimados.

 

A usina de Horsholm, que pertence a cinco comunidades adjacentes, se provou até mesmo popular em uma região conservadora, que tem a maior renda per capita da Dinamarca. O prefeito de Horsholm, Morten Slotved, 40, quer ampliá-la. "Os cidadãos gostam dela porque diminui os custos de calefação e aumenta o valor das casas", disse. "Eu gostaria de ter outra fornalha."

(Elisabeth Rosenthal, do The New York Times)

(Folha de SP, 3/5)

Postado por Patrícia Mairesse


Duas notícias em biotecnologia:

Patentes de células-tronco no Brasil são dominadas pelos EUARIO - A pesquisa com células-tronco evoluiu nos últimos anos no país, mas a proteção das tecnologias estudadas ainda está sob domínio americano. Entre 1989 e 2008, o setor registrou 178 pedidos de patente no Brasil. Apenas três (4% do total) foram feitos por empresas e universidades locais.

- É um erro partir desse número para concluir que não há estudos - ressalta Rafaela Guerrante, engenheira química do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), que pesquisou o uso das patentes ao lado da microbiologista Priscila Rohem. - Quem trabalha com células-tronco no exterior precisa sempre avaliar o mercado brasileiro, para saber se algo semelhante é desenvolvido por aqui.

De acordo com o levantamento, 49% dos solicitantes de patentes são americanos. Também figuram no ranking, acima do Brasil, os canadenses (com 6% dos pedidos) e japoneses e italianos (5% cada). A expectativa é de que a supremacia americana fique mais evidente nos próximos anos, devido ao fim do bloqueio, imposto pelo ex-presidente George W. Bush, ao financiamento público para pesquisas com células-tronco embrionárias.

No Brasil, há projetos em andamento, como a Lei da Inovação, dando maior peso ao registro de patente, tradicionalmente negligenciado por aqui.

- Os pesquisadores brasileiros sempre consideraram que a melhor forma de avaliá-los seria a publicação de artigos, e não a proteção das tecnologias que descobriam - lamenta Rafaela. - Os órgãos de fomento têm incentivado a patente, mas estas mudanças só produzirão resultados significativos daqui a uns dez anos.

O registro da patente dá ao pesquisador exclusividade do mercado, definindo os grupos que podem explorá-lo com a tecnologia desenvolvida. Não há uma avaliação global - o pedido é apreciado pelo governo de cada país. No Brasil, mais de 60 instituições já foram contempladas com financiamentos públicos para estudar células-tronco.

As instituições parecem investir mais em técnicas segmentadas, como o uso das células-tronco na regeneração de músculo cardíaco e na distrofia muscular. Outra especialização de reconhecimento internacional aborda a pluripotência de células.

- Trata-se de uma pesquisa em que a célula-tronco adulta é induzida geneticamente para responder como uma embrionária, cuja aplicação é muito menos limitada - explica Rafaela. - Este procedimento elimina a polêmica de que os estudos com células-tronco dependem de fetos mortos.

Dois anos atrás, o Inpi realizou um estudo semelhante ligado aos pedidos de patente. Das 102 solicitações analisadas à época, apenas uma era brasileira. Próximas pesquisas devem comparar quantitativamente a publicação de estudos e o número de proteções de tecnologia solicitadas.


 Para prevenir doenças, cientistas unem, num mesmo embrião, DNA de três pessoas

Uma nova e polêmica técnica de fertilização impediria o nascimento de bebês com males hereditários que afetam os músculos, o fígado e o coração. Pesquisadores da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, conseguiram criar embriões formados pelo DNA de um homem e de duas mulheres, para prevenir o que os médicos chamam de problemas mitocondriais, herdados da mãe, que podem provocar a morte na infância. O estudo está na "Nature".

Cada célula precisa de energia para funcionar e sua usina é uma estrutura em forma de feijão conhecida como mitocôndria. Algumas doenças raras, no entanto, são desencadeadas por danos ao DNA das mitocôndrias. No Reino Unido, por exemplo, uma em cada 6.500 crianças, sofre de distúrbios desse tipo, que podem causar fraqueza muscular, cegueira, insuficiência cardíaca e hepática, diabetes e dificuldades de aprendizagem.

O DNA mitocondrial é transferido apenas de mãe para filho e contém menos genes. Ele é independente do material genético que se encontra no núcleo da célula. Quando há defeitos no DNA mitocondrial, as doenças são transmitidas das mães aos filhos. Portanto, gestantes com história familiar desses transtornos geralmente correm grande risco de gerar um filho doente ou não ter um bebê. E ainda não existe cura para essas alterações.

Com a nova técnica de fertilização in vitro, há maior esperança de o bebê nascer saudável. Ela consiste na transferência de DNA nuclear herdado dos pais a um óvulo doado com mitocôndrias perfeitas.

- Uma criança nascida com este método terá mitocôndrias que funcionam corretamente, e todas as demais características de sua informação genética são de seu pai e sua mãe - explica Doug Turnbull, da Universidade de Newcastle, que, ao lado da cientista Mary Herbert, coordenou a pesquisa. - É como trocar a bateria num laptop. A fonte de energia funciona corretamente, e nenhuma informação do disco rígido foi alterada.

Eles reforçam que o DNA mitocondrial só afeta a produção de energia celular. Todas as características que tornam uma pessoa reconhecível permanecem inalteradas no novo procedimento. O DNA da mitocôndria forma cerca de 13 genes em comparação com os 23 mil genes (número estimado) herdados de nossos pais. Um óvulo recém fecundado tem, normalmente, dois pronúcleos, constituído de material genético do óvulo e do espermatozoide, assim como o DNA mitocondrial (herdado apenas do óvulo). Pouco depois da fertilização esses pronúcleos se fundem.

Segurança ainda será avaliada

Os cientistas retiraram o pronúcleo do óvulo fertilizado, descartando as mitocôndrias. Depois implantaram o pronúcleo em óvulo de doadoras, cujos próprio pronúcleo havia sido removido, mas as mitocôndrias mantidas. Assim, o embrião passou a ter o DNA nuclear do pai e da mãe, além da mitocôndria saudável da doadora. Na experiência, foram produzidos 80 embriões, mantidos de seis a oito dias num laboratório, até a etapa de blastócito, como determina a Lei de Fertilização Humana e Embriologia do Reino Unido.

- Este é um avanço muito grande, com um potencial enorme para ajudar as famílias em situação de risco para doenças mitocondriais - afirma Turnbull.

A equipe da Universidade de Newcastle está fazendo outros estudos para investigar a segurança do procedimento. Ele poderá estar disponível nos próximos três anos, mas ainda esbarra em leis de muitos países, que proíbem a manipulação genética de embriões humanos em tratamentos de fertilização in vitro.

Mas se a técnica der certo e for segura, e a lei for alterada, ela poderá evitar casos como o de Sharon Bernardi, de 44 anos, que herdou uma doença mitocondrial de sua mãe. E ela perdeu seis de seus filhos com poucos dias de vida. O único que está vivo, Edward, de 20 anos, precisa de cuidado constante.