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Seu intestino grosso


h remédios de nossos avós que seriam hoje proibidos
 

Falando+de+agua


câncer, uma visão médica diferente.pdf


Manteiga versus margarida

Qual é a mais saudável?

Observe nas embalagens:

Manteiga - ingredientes: creme de leite  (e sal, quando se trata de manteiga salgada)

Margarina- ingredientes: um monte de produtos químicos, conservantes, corantes, estabilizantes, antioxidantes, etc. Abra o arquivo: 

Manteiga x Margarina



Uma 'vacina' contra o câncer

15 de setembro de 2011 | 0h 00

Fernando Reinach - O Estado de S.Paulo

Desde meados do século 20, quando as vacinas se tornaram uma das armas mais poderosas da medicina, os oncologistas invejam os imunologistas. Não seria fantástico se a capacidade do sistema imunológico de identificar, perseguir e exterminar bactérias e vírus pudesse ser usado para combater células cancerosas?

Apesar da inveja velada, oncologistas e imunologistas passaram os últimos 50 anos colaborando para dirigir o canhão do sistema imunológico contra as células cancerosas. Alguns sucessos, como anticorpos monoclonais capazes de matar células tumorais, foram adicionados ao armamento dos oncologistas, mas até agora não havia sido possível convencer o sistema imunológico a se voltar de modo eficiente contra as células tumorais. Parece que isso vai mudar.

A base do sistema imunológico é sua capacidade de distinguir o que faz parte do nosso corpo (self) do que não faz (non-self) e destruir esses últimos. Quando o sistema imunológico detecta o vírus da gripe, ele "decide" que o vírus não faz parte do "self"e monta um ataque sistemático. Ficamos com febre, os gânglios onde as células do sistema imunológico se dividem incham e após alguns dias o sistema imunológico ataca e destrói o vírus.

O sistema é tão potente que é importante ele não errar, mas quando ele se engana e ataca uma parte do self, provoca doenças autoimunes. O problema que aflige oncologistas e imunologistas é que nosso sistema imunológico, quando detecta uma célula de nosso corpo que sofreu uma ou mais mutações e se transformou em uma célula tumoral, a classifica corretamente como self e não ataca. A célula tumoral continua a se dividir impunemente e o câncer pode se espalhar.

Nas últimas décadas, o mecanismo usado pelo sistema imune para fazer essa classificação foi elucidado. Ele reside em grande parte nos linfócitos T, mais especificamente nos receptores na superfície desses linfócitos. Usando técnicas de engenharia genéticas, imunologistas e oncologistas vêm modificando esses receptores de modo a forçar os linfócitos T a atacar células de tumores. Mas até agora essas células modificadas, quando injetadas nos pacientes, não se dividiam rapidamente e não duravam o suficiente para erradicar o tumor. Agora, parece que os cientistas conseguiram modificar essas células de modo que elas exterminem o tumor.

Nos últimos meses, essa nova estratégia foi testada em três pacientes. Os pacientes sofriam de uma forma avançada de leucemia resistente a todos os tratamentos quimioterápicos. Eles foram internados e amostras de seus linfócitos T foram isoladas. Esses linfócitos foram cultivados fora do corpo durante dez dias. Nesse tempo, foram infectados com um vírus modificado capaz de colocar no genoma dos linfócitos T do paciente uma versão alterada de seus receptores.

Esses receptores haviam sido modificados para garantir que os linfócitos reconhecessem as células cancerosas e que pudessem se multiplicar rapidamente e atacar o tumor. No décimo dia, um pequeno número desses linfócitos transgênicos foi injetados no sangue dos pacientes.

Resultado inesperado. Por uma semana, nada aconteceu, mas em seguida os pacientes começaram a ter febre e outros indícios de que uma resposta imunológica estava ocorrendo. Ela foi tão forte e rápida que os médicos tiveram dificuldade de controlá-la. Após duas semanas, foi possível verificar que os linfócitos T não somente haviam reconhecido o tumor, mas haviam se dividido rapidamente e destruído as células tumorais.

Os cientistas estimam que o sistema imunológico dizimou quase 1 quilo de células tumorais em cada paciente em poucos dias. Os cientistas, que esperavam um sucesso parcial, ficaram espantados: em dois dos três pacientes, nenhuma célula tumoral sobreviveu. E seis meses após o tratamento, eles continuam livres da leucemia.

O mais interessante é que os linfócitos T capazes de combater a leucemia colonizaram os órgãos do sistema imune e permanecem no corpo desses pacientes. Provavelmente eles atacarão novamente se surgirem novas células tumorais. Esses pacientes parecem estar "vacinados" contra este tipo específico de tumor.

Esse resultado mostra que temos tecnologias capazes de manipular o sistema imune de modo a dirigir seu poder de destruição contra o alvo de nossa preferencia. Mas, apesar deste sucesso, nem tudo são flores. Um dos três pacientes não foi curado completamente e nos três, ao matar as células tumorais, os linfócitos T modificados mataram também outras células que possuíam o marcador usado para identificar as células tumorais. E é preciso esperar um tempo mais longo que os seis meses decorridos para saber se a cura foi definitiva.

Nos próximos anos, saberemos se esse procedimento pode ser usado em diferentes tipos de tumor. E teremos uma ideia melhor de sua eficiência quando ele for testado em um número maior de pacientes, em diversos centros.


BIÓLOGO

MAIS INFORMAÇÕES: T CELLS WITH CHIMERIC ANTIGEN RECEPTORS HAVE POTENT ANTITUMOR EFFECTS AND CAN ESTABLISH MEMORY IN PATIENTS WITH ADVANCED LEUKEMIA. SCI TRANSL. MED., VOL. 3, PÁG. 95RA73, 2011


Cientistas desenvolvem vírus que ataca células cancerígenas

Nova técnica desenvolvida por cientistas do Canadá, EUA e Coreia do Sul, pode revolucionar tratamento de câncer.

31 de agosto de 2011 | 17h 18

O implante na corrente sanguínea de um vírus modificado que combate especificamente células cancerígenas pode ser a nova promessa da ciência no combate ao câncer. A descoberta é fruto de uma pesquisa internacional conjunta liderada pela Universidade de Otawa, no Canadá.

O estudo publicado pela revista Nature mostra que uma versão modificada do vírus vaccinia, intitulada JX-594, combate exclusivamente células doentes, deixando incólume o tecido saudável.

A pesquisa ainda não é conclusiva, já que apenas 23 pacientes foram submetidos aos testes. Mas o artigo, assinado por pesquisadores de universidades dos Estados Unidos, do Canadá e da Coreia do Sul, diz que a descoberta "transformará" de maneira efetiva o tratamento da doença do futuro.

O JX-594 (modificado a partir do vírus usado na vacina contra a varíola) foi aplicado em diferentes dosagens nos 23 pacientes, portadores de tipos de câncer que se espalham rapidamente por vários órgãos do corpo humano.

No grupo de oito pessoas que recebeu alta dosagem, o tratamento teve resultados positivos em sete pacientes, nos quais o vírus modificado atacou apenas as células cancerígenas após introdução via corrente sanguínea.

Os pesquisadores observaram que o vírus interrompeu momentaneamente o crescimento dos tumores em seis pacientes após a aplicação. Por questões de segurança, apenas uma dose foi administrada.

Otimismo

Para o professor John Bell, da Universidade de Otawa, que liderou o time de pesquisadores, "a administração intravenosa (do vírus) é crucial para o tratamento do câncer porque permite atacar tumores espalhados pelo corpo".

A terapia viral no combate ao câncer não é novidade. Até agora, no entanto, o vírus era diretamente aplicado no tumor, e não na corrente sanguínea.

"Estamos muito empolgados porque pela primeira vez uma terapia viral se mostrou consistente e efetiva com o vírus replicando no tecido cancerígeno após aplicação intravenosa em humanos", diz Bell.

Apesar do estágio inicial da pesquisa, o cientista diz acreditar que "um dia vírus e outras terapias biológicas podem transformar efetivamente nossa maneira de lidar com o tratamento do câncer".

Ouvido pela BBC, o diretor do Barts Cander Institute da Grã-Bretanha, Nick Lemoine, considera a descoberta "uma promessa real" para "cânceres de difícil tratamento".

"O estudo é importante porque mostra que um vírus previamente usado na vacinação contra varíola em milhões de pessoas pode, uma vez modificado, atingir o câncer por meio da corrente sanguínea, mesmo quando o câncer já se espalhou pelo corpo do paciente", diz. BBC Brasil

 

Homens têm níveis de testosterona cada vez mais baixos
29/08/2011-17h23
JULIANA VINES
DE SÃO PAULO

Os homens de hoje são menos "machos" do que seus pais ou avós. Pelo menos se depender da quantidade de testosterona, o hormônio masculino.

Nas últimas duas décadas, os níveis desse hormônio caíram bastante, segundo alguns estudos. Um deles, feito com mais de 1.500 homens entre 1987 e 2004, constatou que os machos de hoje têm 22% menos testosterona do que os de duas décadas atrás.

Segundo os pesquisadores, do New England Research Institutes, nos EUA, o declínio dos índices não está relacionado com a idade dos participantes da pesquisa --é normal que os mais velhos tenham níveis mais baixos do hormônio. A queda foi generalizada e, para eles, deve-se a mudanças no estilo de vida e fatores ambientais, como estresse e tabagismo.

O trabalho foi publicado na revista "The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism".

Para Ricardo Meirelles, endocrinologista e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o achado do estudo é consenso entre os médicos. Uma das principais razões, segundo ele, é o aumento no número de obesos.

"A obesidade causa queda nos níveis de testosterona e isso favorece o acúmulo de gordura. É um círculo vicioso perverso: menos hormônio aumenta a formação de gordura e inibe a quebra", diz. O excesso de gordura também pode fazer com que o hormônio testosterona seja transformado em estrogênio, hormônio feminino.

De acordo com a endocrinologista Elaine Maria Frade Costa, do Hospital das Clínicas de SP, outros fatores da vida moderna também influenciam.

"Poluidores ambientais e a ingestão de substâncias estrogênicas --pesticidas, componentes do plástico, soja-- podem inibir a liberação do hormônio", afirma.

As consequências são diminuição de libido, disfunção sexual, perda óssea, anemia e alterações no humor.

O quadro nem sempre precisa ser tratado. Mas, se a quantidade de hormônio masculino for abaixo da normalidade, vira doença: o hipogonadismo.

Um exame de sangue simples detecta o problema. Se a causa for excesso de peso, muitas vezes só o emagrecimento é suficiente para normalizar os níveis de testosterona. Se não, há tratamentos com reposição hormonal

 

Tabaco transgênico é usado no tratamento da aids (26/08/2011)

Plantas de tabaco foram geneticamente modificadas para servir de base ao cultivo de anticorpos que combatem a doença

O Reino Unido aprovou, em junho de 2011, testes clínicos para um tratamento anti-HIV feito a partir de anticorpos (proteínas produzidas pelas células de defesa do corpo) produzidos em plantas de tabaco geneticamente modificadas (GM). Os anticorpos em questão são denominados monoclonais (clones feitos a partir de uma única célula do sistema imunológico) e combatem um alvo específico, no caso, o HIV, vírus causador da aids.

Os anticorpos produzidos pelas plantas de tabaco são chamados P2G12. As plantas GM que produzem o P2G12 foram cultivadas em estufas no Instituto Fraunhofer, na Alemanha. O anticorpo foi isolado, purificado e, agora, a Universidade de Surrey, na Inglaterra, começará a realizar os testes clínicos.

Muitos fármacos – incluindo os anticorpos monoclonais – são feitos por meio de processos caríssimos, usando tanques de fermentação com bactérias ou células de mamíferos. As plantas têm vantagens em relação ao uso de ingredientes de origem animal porque, além de serem mais baratas, não carregam patógenos humanos. O tabaco foi selecionado por ser de fácil cultivo e adequadas a esse objetivo.

Fonte: Comissão Europeia - Agosto de 2011

 

Avançam pesquisas com plantas que produzem medicamentos (24/08/2011)

Os vegetais desenvolvidos em laboratório atuariam como produtores de proteínas que não podem ser fabricadas quimicamente

Uma equipe de cientistas alemães do Fraunhofer Institute for Molecular Biology and Applied Ecology utiliza plantas para produzir biofármacos. Os vegetais funcionariam como fábricas de proteínas que, diferentemente de outras substâncias, não podem ser produzidas quimicamente.

Atualmente, já há produção biológica de medicamentos, a exemplo da insulina recombinante e de anticorpos que combatem o câncer. As substâncias produzidas por meio dessa técnica têm uma produção mais barata e em larga escala. Comparadas às produzidas em células animais, têm ainda a vantagem de que as plantas crescem mais rápido, são mais fáceis de cuidar e podem ser protegidas de influências nocivas.

A planta escolhida foi o tabaco, um vegetal bastante utilizado na biologia molecular por ser de fácil manuseio, o que significa que códigos genéticos para a produção de proteína farmacêutica podem ser introduzidos com mais facilidade. Além disso, grande quantidade de biomassa é produzida rapidamente, gerando, consequentemente, mais proteína desejada.

As substâncias produzidas estão sendo testadas em estudos clínicos. Por exemplo, anticorpos que podem ser usados em um gel íntimo usado por mulheres para a proteção contra infecção por HIV. Outro caso, a produção de vacina contra malária em plantas.

Fonte: Check Biotech - Maio de 2011


Original Message -----
From: Nidio Antonio Barni nidiobarni@gmail.com
To: undisclosed-recipients:;
Cc:
Sent: Seg 29/08/11 15:25
Subject: Fwd: Mamão e suas propriedades...

PLANTE UM MAMOEIRO EM SUA CASA E NUNCA MAS FIQUE DOENTE. 


Como eu já tive "gastrite aguda" (posso provar por imagem de endoscopia), (nem um copo de água podia ingerir, que me dava azia), o próprio médico, há uns 20 anos, recomendou-me, ao invés de Tagamed e outros remédios que vinha me receitando por quase dois anos), que, de manhã, por30 dias, me limitasse a comer um "mamão papaya", (de que já ouvira maravilhas para curar gastrites e afins).
Nesse período, até as 10 horas, não deveria ser tomado nenhum líquido. Café, chás ou outras bebidas que contivessem pó, nesses 30 dias não poderiam ser tomados em hipótese alguma. Pois qual não foi nossa surpresa, quando ao final dos 30 dias, em nova endoscopia, meu
aparelho digestivo não apresentava mais nenhum sinal de gastrite.

Transmito isso, pois sei que muitas pessoas se abstém de comer doces ou outras iguarias porque logo vem a dolorosa azia. Desde que comecei a comer, todo dia, um "mamão papaya", de manhã, nunca mais tive qualquer sintoma de
azia ou mal estar. Posso comer doces, chocolates, etc.!
Ah!... sem contar que naquela ocasião também sofria de hérnia hiatal, a que provoca o refluxo ...!


Mamão, um tesouro ao seu alcance

O mamão (Carica papaya), originário da América Tropical, é uma das melhores frutas do mundo, tanto pelo seu valor nutritivo, como pelo poder medicinal. Cada parte desta planta é preciosa, a começar pelo tronco! De sua parte
interna, retira-se uma polpa que - depois de ralada e seca assemelha-se ao coco ralado. É rica em propriedades nutritivas e aproveitada em alguns lugares no preparo de deliciosas rapaduras.

O cozimento das raízes dá um tônico para os nervos, e é também remédio para as hemorragias renais.

As folhas do mamoeiro, após secas à sombra, têm aplicação no preparo de agradável chá digestivo que pode ser dado livremente às crianças, pois não contém cafeína.

O suco leitoso extraído das folhas é o vermífugo mais enérgico que se conhece. Usa-se diluído em água. Ainda é digestivo e cura feridas. Em diversos lugares, a medicina popular o utiliza para tratar eczemas, verrugas e úlceras.

Os índios preparam a carne envolvendo-a com folhas de mamoeiro por algumas horas antes de levá-la ao fogo. Este processo amacia a carne.

Com as flores do mamoeiro macho prepara-se um maravilhoso xarope que combate a rouquidão, tosse, bronquite, gripe e indisposições gástricas causadas por
resfriados.

Coloca-se um punhado de flores, com um pouco de mel em vasilha resistente ao calor, mas que não seja de alumínio. Acrescenta-se um copo de água fervendo, tapando-se bem. Depois de esfriar, toma-se às colheradas, de hora em hora.
Com o fruto verde faz-se um doce maravilhoso. Pode-se também prepará-lo ensopado ou ao molho branco. É uma iguaria!

O mamão maduro: é altamente digestivo (cada grama de papaína - fermento solúvel contido no fruto digere 200g de proteína); tem mais vitamina C que a laranja e o limão; contribui para o equilíbrio ácido-alcalino do organismo;
é diurético, emoliente, laxante e refrescante; cura prisão de ventre crônica comido em jejum, pela manhã, faz bem ao estômago é eficaz contra a diabete, asma e icterícia; bom depurativo do sangue; não pode faltar na alimentação
da criança, pois favorece o seu crescimento.

Depois de comer-se o mamão, esfrega-se a parte interna da casca sobre a pele para tirar manchas, suavizar a pele áspera e eliminar rugas.


Mastigar de 10 a 15 sementes frescas elimina vermes intestinais, regenera o fígado e limpa o estômago. Comidas em quantidade, são eficazes contra câncer e tuberculose.

Faltava dizer que qualquer uso que se faça de qualquer parte desta planta, traz consigo uma ação vermífuga poderosa, o que bastaria para destacar sua importância.

Melhor que consumir frutos do supermercado (colhidos verdes e amadurecidos à força no carbureto), é colhê-los já maduros no pé, no próprio quintal pois além disso serão livres de agrotóxicos. Num espaço bem apertado cabem vários mamoeiros. Eles gostam de terra boa, bem adubada. Por exemplo, com lixo de cozinha ou com uma "Boca da Terra". O consumo do mamão é recomendado pelos nutricionistas por se constituir em um alimento rico em licopeno (média de 3,39 mg em 100 gr), vitamina C e
minerais importantes para o organismo. Quanto mais maduro, a maior a concentração desses nutrientes.


Tabaco transgênico é usado no tratamento da aids (26/08/2011)

Plantas de tabaco foram geneticamente modificadas para servir de base ao cultivo de anticorpos que combatem a doença

O Reino Unido aprovou, em junho de 2011, testes clínicos para um tratamento anti-HIV feito a partir de anticorpos (proteínas produzidas pelas células de defesa do corpo) produzidos em plantas de tabaco geneticamente modificadas (GM). Os anticorpos em questão são denominados monoclonais (clones feitos a partir de uma única célula do sistema imunológico) e combatem um alvo específico, no caso, o HIV, vírus causador da aids.

Os anticorpos produzidos pelas plantas de tabaco são chamados P2G12. As plantas GM que produzem o P2G12 foram cultivadas em estufas no Instituto Fraunhofer, na Alemanha. O anticorpo foi isolado, purificado e, agora, a Universidade de Surrey, na Inglaterra, começará a realizar os testes clínicos.

Muitos fármacos – incluindo os anticorpos monoclonais – são feitos por meio de processos caríssimos, usando tanques de fermentação com bactérias ou células de mamíferos. As plantas têm vantagens em relação ao uso de ingredientes de origem animal porque, além de serem mais baratas, não carregam patógenos humanos. O tabaco foi selecionado por ser de fácil cultivo e adequadas a esse objetivo.

Fonte: Comissão Europeia - Agosto de 2011



Avançam pesquisas com plantas que produzem medicamentos (24/08/2011)

Os vegetais desenvolvidos em laboratório atuariam como produtores de proteínas que não podem ser fabricadas quimicamente

Uma equipe de cientistas alemães do Fraunhofer Institute for Molecular Biology and Applied Ecology utiliza plantas para produzir biofármacos. Os vegetais funcionariam como fábricas de proteínas que, diferentemente de outras substâncias, não podem ser produzidas quimicamente.

Atualmente, já há produção biológica de medicamentos, a exemplo da insulina recombinante e de anticorpos que combatem o câncer. As substâncias produzidas por meio dessa técnica têm uma produção mais barata e em larga escala. Comparadas às produzidas em células animais, têm ainda a vantagem de que as plantas crescem mais rápido, são mais fáceis de cuidar e podem ser protegidas de influências nocivas.

A planta escolhida foi o tabaco, um vegetal bastante utilizado na biologia molecular por ser de fácil manuseio, o que significa que códigos genéticos para a produção de proteína farmacêutica podem ser introduzidos com mais facilidade. Além disso, grande quantidade de biomassa é produzida rapidamente, gerando, consequentemente, mais proteína desejada.

As substâncias produzidas estão sendo testadas em estudos clínicos. Por exemplo, anticorpos que podem ser usados em um gel íntimo usado por mulheres para a proteção contra infecção por HIV. Outro caso, a produção de vacina contra malária em plantas.

Fonte: Check Biotech - Maio de 2011

http://www.agrosoft.org.br/agropag/218846.htm

Você sabe usar as plantas medicinais para o combate da gripe e do resfriado?

noticias :: Por Editor em 04/08/2011 ::

Dores de cabeça, garganta irritada, coriza, tosse, fraqueza e aquela vontade de ficar embaixo das cobertas. Esses são alguns dos sintomas da gripe e do resfriado, comuns nesta época do ano. Uma das alternativas, além de procurar o médico e ir a uma farmácia, é utilizar as plantas medicinais -- presentes no cotidiano das pessoas principalmente pela diversidade ecológica - para o auxílio e tratamento desses sintomas gripais. Mas você sabe usá-las adequadamente?

A voluntária e agente da Pastoral da Saúde de Criciúma/Região Sul 4 Melânia de Mattia Pierini informa as plantas utilizadas pela Pastoral da Saúde para bronquites, gripes, resfriados e tosse (problemas pulmonares), todas elas contempladas na Renisus (Relação de Plantas Medicinais de Interesse para o SUS).

Conforme ela há uma lista que orienta estudos e pesquisas para subsidiar a elaboração de catálogo de plantas medicinais e fitoterápicas a serem disponibilizados para uso da população. São elas: abacaxi, amora, folha da fortuna, gengibre, mastruço, picão-preto; salsa, tansagem, alho, guaco, hortelã-pimenta, hortelã, menta e eucalipto. As últimas quatro plantas já são validadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para vários problemas respiratórios.

Ela ressalta que antes de usar qualquer planta a pessoa deve conhecer bem para preparar o chá e certificar-se para que realmente é utilizada. "Se for adquirida seca e embalada é bom verificar a coloração. Não pode estar torrada ou escurecida, tem que apresentar um aspecto novo e não esqueça do tempo de validade. Já na coleta da planta, o importante é observar se não apresentam fungos, ferrugens e se as folhas estão realmente propícias para o devido fim", completa. Melânia destaca ainda que o mesmo chá não pode ser utilizado mais do que sete dias.

CUIDADOS COM AS PLANTAS

Outro aspecto que se deve tomar cuidado ao utilizar as plantas medicinais é em relação a sua correta identificação botânica, isto é, é preciso nomear as plantas medicinais pelo seu nome científico. "O nome científico da planta é como se fosse o nosso CPF, não tem erro, ao passo que o nome popular da planta é como se fosse somente nosso primeiro nome. Quantos Paulos, Marias, Pedros, você conhece? Vários, assim são as plantas, uma mesma planta pode ser conhecida e ter mais de 30 nomes populares e plantas diferentes pode ter o mesmo nome popular. É aí que ocorre toda a confusão e até mesmo casos de intoxicação e óbito pelo uso equivocado de plantas medicinais", comentou Ângela Rossato, coordenadora do curso de Farmácia da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc).

Conforme ela, a correta identificação botânica é importante, pois é através dela que se tem acesso aos diversos estudos científicos e às informações validadas sobre as plantas medicinais. Por exemplo, o Rosmarinus officinalis L., popularmente conhecido como Alecrim. Já se sabe que não pode ser utilizado por mulheres grávidas, aliás nenhuma planta medicinal é recomendada para mulheres grávidas, pois não há evidências da sua segurança ao feto, muito pelo contrário, na sua grande maioria comprometem a gestação.

As plantas medicinais também não são isentas de contraindicações, claro que bem menos se comparado com os medicamentos sintéticos, como exemplo a Mikania glomerata (Guaco). Sabe-se, por exemplo, que esta planta pode interferir na coagulação sanguínea, e em doses acima das recomendadas pode provocar vômitos e diarreias.

"Também devemos ter cuidado com relação às interações medicamentosas. A Mikania glomerata deve ser usada com cautela quando o paciente estiver em tratamento com corticóides e anti-inflamatórios, e não deve ser utilizada por pacientes que estejam em tratamento com anticoagulantes, pois as cumarinas presentes na planta podem potencializar seus efeitos e antagonizar o efeito da vitamina K, com risco de hemorragia para o paciente", enfatizou Ângela.

No entanto, essas informações valem somente para a Mikania glomerata, pois somente este "Guaco" foi estudado, mostrando mais uma vez a importância do nome científico da planta, porém isso não significa que os outros Guacos não tenham contraindicações, elas apenas não foram estudadas. "Por isso é muito importante escolher plantas medicinais validadas, pois os estudos garantem seu uso seguro, racional e podemos ponderar riscos e benefícios", alerta.

Neste sentido, a Unesc, mantém desde o ano 2000 um projeto de extensão em parceria com a Pastoral da Saúde da Diocese de Criciúma (SC), Regional Sul IV. É realizada capacitação com os acadêmicos e desenvolvidas pesquisas em bibliografias e sites científicos sobre as plantas medicinais. Paralelamente ocorrem encontros mensais com as agentes da Pastoral da Saúde interessadas em trocar experiências sobre taxonomia (classificação) cultivo e uso terapêutico das plantas medicinais.

O projeto conta com mais de 60 plantas estudadas que resultaram na elaboração de seis apostilas e pesquisas acadêmicas. A troca de informações, segundo Ângela, se multiplica na comunidade de Criciúma e região por meio da prática e do convívio comunitário das agentes da Pastoral da Saúde, que participam dos encontros mensais, e estas repassam as informações às demais agentes integradas à Pastoral da Saúde. Na Universidade o conhecimento gerado durante os encontros se materializa por meio da participação dos professores, acadêmico-bolsistas e voluntários, projetos de pesquisa e acadêmicos.

Confira as plantas para cada sintoma, segundo informações da Pastoral da Saúde:

Bronquite -- Abacaxi, alho, amora, bagas de gravatá, gengibre, guaco, mastruço, picão-preto e tansagem.

Gripe -- Abacaxi, alho, casca de banana, cebola, erva-doce, eucalipto, falsa pulmonária, folha da fortuna, guaco, gengibre, hortelã, limão, mastruço, sabugueiro, salsa e tansagem.

Resfriado -- Alecrim, eucalipto cheiroso, gengibre, falsa pulmonária, limão, mastruço, pariparoba, sabugueiro, salsa e violeta.

Rouquidão -- Alho, gengibre (colocar na boca e mascar o equivalente ao tamanho de uma unha).

Tosse -- Amora, alecrim, casca de banana, cordão de frade, gengibre, guaco, mastruço, picão preto, quitoco e salsa.

FONTE

Universidade do Extremo Sul Catarinense
Daniela Savi - Jornalista
Telefone: (48) 3431-2547

Links referenciados

Agência Nacional de Vigilância Sanitária
www.anvisa.gov.br

Universidade do Extremo Sul Catarinense
www.unesc.net

Unesc
www.unesc.net


 Anvisa encerra debates e deve decidir pela proibição de emagrecedores

Em documento que servirá de base para a votação do tema na agência, equipe técnica mantém recomendação de cancelar o registro de inibidores de apetite; segundo o presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, relatório será votado até o início de agosto

15 de junho de 2011 | 0h 00

Fernanda Bassette e Lígia Formenti / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) encerrou ontem os debates em torno da discussão sobre proibir ou não os remédios para emagrecer no País. Apesar de ainda não haver um posicionamento definitivo, tudo indica que a agência vai mesmo retirar os remédios do mercado.

Isso porque a equipe técnica da Anvisa manteve a recomendação para o cancelamento do registro dos inibidores de apetite. O documento servirá de base para que a diretoria colegiada da agência defina os rumos do uso desses remédios. O presidente da agência, Dirceu Barbano, afirmou que o relatório final deverá ser votado até o início de agosto.

A intenção de banir as drogas foi anunciada pela Anvisa em fevereiro e adiantada pelo Estado. Os remédios em discussão são: sibutramina, femproporex, mazindol e dietilpropiona.

Favorável à proibição, Barbano tem dito que reverteria sua posição apenas se houvesse algum fato novo relevante durante o painel científico internacional, realizado ontem com especialistas de várias áreas.

"Todas as exposições a que assistimos reforçam os argumentos usados no nosso primeiro parecer", afirmou a chefe do Núcleo de Notificação da Anvisa, Maria Eugênia Cury. Em linhas gerais, esse primeiro documento aponta que os riscos desses remédios são maiores que os benefícios da perda de peso.

Entre os palestrantes convidados estava o cardiologista dinamarquês Christian Torp-Pedersen, um dos coordenadores do estudo Scout - que avaliou os riscos da sibutramina em pacientes com problemas cardíacos. Os resultados desse estudo foram o gatilho para a Anvisa iniciar a discussão sobre a proibição.

Torp-Pedersen reconhece que a sibutramina aumenta em 16% os riscos de problemas cardíacos em pacientes com fatores de risco, mas sustenta que a droga pode trazer benefícios, principalmente para os pacientes obesos sem risco associado.

"O problema é que o remédio é usado justamente por pessoas que têm risco mais elevado. Pessoas obesas e com sobrepeso têm maior probabilidade de apresentar distúrbios cardíacos", ponderou Maria Eugênia.

Segundo Barbano, o Brasil é o maior consumidor de sibutramina no mundo. "Em 2010, foram consumidas 5,6 toneladas do medicamento no mundo. Desse total, 55% foi vendido no País", diz.

Ainda segundo Barbano, outro fato demonstra que há uma indicação excessiva de remédios para emagrecer no Brasil: "Em 2009, os Estados Unidos consumiram 5 quilos e o Brasil, 170 quilos. Há algo errado", completou.

Mais pesquisas. Os partidários à manutenção dos remédios no mercado defendem a realização de uma pesquisa em grande escala no País, financiada pelo Ministério da Saúde, para comprovar a eficácia e a segurança de três das quatro drogas: anfepramona, femproporex e mazindol.

"O governo tem recursos para isso. Os obesos precisam de respostas, de indicações terapêuticas", defendeu Walmir Coutinho, presidente da Associação Internacional de Estudo de Obesidade. Para o pesquisador Francisco Paumgarttem, da Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme), a discussão no País sobre o uso de remédios sofreu uma inversão: "Ninguém está demonstrando evidências de segurança ou eficácia, mas argumentando que, como há poucos estudos, devemos presumir que o produto não faz mal até que novos trabalhos sejam realizados."

Desiré Carlos Callegari, conselheiro do Conselho Federal de Medicina (CFM), defendeu a manutenção desses remédios com mais rigor na prescrição: "Defendemos o direito de o paciente poder decidir e de os médicos terem autonomia para discutir o que é melhor para o paciente."

Ricardo Meirelles, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), admitiu seu pessimismo em relação à mudança no quadro. "Acho que a Anvisa está inflexível e já possui uma opinião formada. Fica difícil argumentar. Caso ocorra a proibição, não descartamos uma medida judicial", diz.

Opção terapêutica

PEDRO MENEGASSO
DIRETOR DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA, REGIONAL SP

"O debate está ficando repetitivo. As posições são conhecidas. Parece que há uma perseguição aos emagrecedores e posições extremamente radicais e políticas. Para nós, a decisão sobre o uso ou não do remédio deveria ser do médico."

DESIRÉ CALLEGARI
CONSELHEIRO DO CFM

"O CFM quer ser parceiro da Anvisa para educar o médico e a população. Mas se os remédios saírem do mercado e não restarem opções terapêuticas, vamos à Justiça. O paciente obeso não pode ficar totalmente desassistido."



EUA definem formol como agente cancerígeno

Comunicado do governo americano afirma que substância usada em alguns alisamentos para cabelos, esmalte para unhas e perfumes provoca câncer

13 de junho de 2011 | 0h 00

Denise Chrispim Marin - O Estado de S.Paulo

O governo americano definiu a substância formaldeído (base do formol), usada em alguns produtos para alisamento de cabelos, esmalte para unhas, perfumes e placas de madeira, como causadora de câncer. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já classifica a substância como agente cancerígeno desde 2004.

Em alerta, o Departamento de Saúde dos Estados Unidos ainda apontou o estireno, conhecido como benzina de vinil e presente em copos e plásticos de papel, como um potencial causador da doença. Outros sete produtos químicos foram listados como prováveis cancerígenos, entre os quais o ácido aristolóquico, encontrado em plantas usadas em fórmulas contra artrite.

Foi o segundo alerta relevante sobre produtos potencialmente cancerígenos nesta quinzena. No fim do mês passado, a OMS informou que o uso frequente de telefones celulares pode provocar câncer, devido aos seus campos de radiofrequência eletromagnéticos.

As advertências mais recentes dos EUA estão no 12º relatório preparado por uma equipe de toxicologistas do Instituto Nacional de Saúde, que teve o cuidado de atrasar a divulgação em um mês para antes informar os setores industriais afetados. Assim como as versões anteriores, esta também abriu uma controvérsia com o Conselho Químico Americano, organização empresarial que rejeitou as conclusões.

O relatório, entretanto, tem sido historicamente avaliado com respeito. O de 2000 alertou os fumantes passivos sobre os riscos de desenvolverem câncer. Em 2005, a naftalina foi apontada como potencial cancerígeno.

O relatório de 2011 apontou riscos maiores às pessoas em contato frequente com o formaldeído e o estireno, como funcionários de salões de beleza e de indústrias de manufaturas de plástico, do que aos usuários finais desses produtos. Porém, recomendou aos consumidores americanos a diminuição da exposição a essas substâncias e lhes sugeriu observar a presença de formaldeído em suas fórmulas antes de comprar e usar um produto.

Alisamento brasileiro. Pelo menos dois Estados americanos - Illinois e Oregon - e um organismo federal já haviam emitido alerta sobre o produto Brazilian Blowout Acai Professional Smoothing Solution, fabricado por uma empresa da Califórnia, por seus níveis de formaldeído acima dos recomendados.

Trata-se de um composto usado para alisamento temporário de cabelos, em um processo similar ao da popular "chapinha japonesa". O relatório apontou efeitos como dor de cabeça, vômito e ataque de asma em funcionários de salões expostos ao produto. Também registrou casos de câncer na passagem nasal e de leucemia em embalsamadores de corpos - prática comum antes de funerais nos EUA.

O alerta ressaltou haver maior evidência de o formaldeído causar tumor do que o estireno.


BBC transmite nesta segunda-feira suicídio assistido de milionário

A transmissão foi alvo de críticas de diversas organizações, que acusaram a emissora de ajudar a promover o suicídio assistido

13 de junho de 2011 | 10h 38

Efe

LONDRES - A emissora britânica BBC transmite nesta segunda-feira, 13, o suicídio assistido de Peter Smedley, um milionário britânico de 71 anos que sofria de um transtorno neuromotor e que foi para a clínica suíça Dignitas para morrer.

A transmissão foi alvo de críticas de diversas organizações, que acusaram a emissora de ajudar a promover o suicídio assistido e de encorajar outras pessoas a seguirem os passos de Smedley.

A BBC se defendeu afirmando que o filme, com o título de Choosing to die, dará aos telespectadores a oportunidade de formar sua própria opinião, já que o programa recolhe todos os pontos de vista relacionados com o suicídio assistido.

O filme mostra imagens de Smedley tomando uma dose letal de barbitúricos na clínica suíça, que nos últimos 12 anos ajudou mais de mil pessoas a morrer.

A organização britânica Dignity in Dying, que defende o suicídio assistido e teve acesso ao filme antes de sua transmissão, declarou que é "emocionante e, em algumas ocasiões, difícil de assistir".

"Não busca esconder a realidade da morte assistida. Ao expor a perspectiva de uma pessoa no suicídio assistido, nos impõe o desafio de pensar sobre o tema e nos perguntar que opções podemos querer para nós e nossos entes queridos no fim da vida", disse uma porta-voz.

"Censurar o debate não fará nada para ajudar aquelas pessoas que sofrem de maneira intolerável", afirmou a porta-voz, que acrescentou que a realidade atual é que "as pessoas nem sempre viajam ao exterior para morrer, mas acabam com suas vidas em suas próprias casas".

"Fazem-no a portas fechadas ou com a ajuda de médicos e de entes queridos que as ajudam de maneira ilegal", acrescentou.

Já os ativistas que criticam a eutanásia, como a organização Care Not Killing Alliance, qualificaram o programa da BBC como uma propaganda a favor do suicídio assistido disfarçado em forma de reportagem.

O porta-voz do grupo Alistair Thompson acusou a BBC de não oferecer uma visão equilibrada sobre o assunto, dando destaque aos programas em que o suicídio assistido é defendido.

Segundo Thompson, o programa que será exibido nesta segunda-feira será o quinto em três anos que a emissora pública transmite a favor da eutanásia.

Choosing to die foi dirigido pelo escritor Terry Pratchett, que sofre de mal de Alzheimer e é partidário da eutanásia.

A reportagem começa quando Smedley deixa sua residência no Reino Unido e exibe o momento em que o milionário ingere uma dose de Nembutal com a ajuda de chocolate. Depois disso, ele começa a respirar com dificuldade e chama por sua esposa, com quem foi casado por 40 anos.

Enquanto agoniza, um dos empregados da clínica diz diante das câmeras: "Está perdendo o conhecimento. Em breve a respiração se deterá e depois será a vez do coração".

Para Pratchett, a morte de Smedley foi "um acontecimento feliz".

"Morreu tranquilo, mais ou menos nos braços de sua mulher, discretamente", acrescentou.

No entanto, ressaltou que não sabe se teria coragem de fazer o mesmo: "Não tenho certeza do que faria se estivesse em seu lugar".



Especial sobre a bactéria Escherichia coli, que está atacando na Europa

Alemanha aponta brotos como origem de surto de E.coli

Segundo o presidente do centro nacional de saúde pública do país, descobriu-se que as pessoas que comeram brotos teriam nove vezes mais chances de apresentar sinais da infecção

10 de junho de 2011 | 7h 47

Agência Estado, Reuters e Efe

BERLIM - A Alemanha identificou brotos contaminados como a origem de um surto mortal da bactéria Escherichia coli (E.coli), que já matou pelo menos 30 pessoas. A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 10, por Reinhard Burger, presidente do Instituto Robert Koch, centro nacional de saúde pública do país.

"São os brotos de feijão", disse Reinhard Burger, chefe do Instituto Robert Koch, em coletiva de imprensa. Esses vegetais são muito consumidos na Alemanha, onde são servidos na maioria dos bufês de salada e, frequentemente, nos sanduíches.

"Descobriu-se que as pessoas que comeram brotos teriam nove vezes mais chances de apresentar diarreia sanguinolenta ou outros sinais de infecção pela EHEC que aquelas que não os consumiram", afirmou ele, referindo-se a um estudo feito com pessoas que adoeceram depois de comerem em restaurantes. "O surto ainda não terminou", acrescentou.

"É uma grande satisfação apresentar a descoberta hoje, e conseguir isolar a causa e a origem da infecção", acrescentou Burger. "É o resultado da cooperação intensa entre a Alemanha e as autoridades alimentares."

Com a identificação, as autoridades sanitárias alemãs suspenderam o alerta contra o consumo de pepinos, alfaces e tomates crus pela infecção com uma cepa agressiva da bactéria E. coli que causou 29 mortes na Alemanha e uma na Suécia. A decisão foi anunciada pelos porta-vozes do Instituto Robert Koch de virologia e do Instituto Federal de Avaliação de Riscos em entrevista coletiva conjunta em Berlim.

Foi mantida a advertência contra o consumo dessas sementes germinadas em forma de brotos de soja ou de legumes, depois que um produtor do estado da Baixa-Saxônia foi confirmado como a origem da infecção. Reinhard Burger, diretor do Instituto Robert Koch, assinalou que o número de doentes pela infecção de E. coli vem caindo e novamente fez uma chamada à população para que observe as mínimas normas de higiene no manejo de verduras e outros alimentos crus.

As autoridades de saúde do estado federado Renânia do Norte-Vestfália, oeste da Alemanha, informaram que foi confirmada a presença direta da bactéria E. coli em sementes germinadas procedentes da fazenda. As sementes germinadas que deram positivo foram encontradas na região de Bonn, no oeste do país, no lixo de uma família que teve dois doentes após a ingestão desses vegetais. 

Exportações. A Comissão Europeia confirmou que a Alemanha não exportou a outros países do bloco europeu sementes germinadas procedentes da plantação assinalada pelas autoridades como provável origem da infecção. "Segundo as informações do governo alemão, esses produtos foram consumidos unicamente na Alemanha", afirmou nesta sexta-feira em entrevista coletiva o porta-voz de Saúde do Executivo comunitário, Fréderic Vincent.

Após as últimas descobertas das autoridades alemãs, "estamos vendo a luz no final do túnel" na crise causada pelo surto de E. coli, afirmou Vincent. O porta-voz destacou a complexidade do processo de encontrar a origem da infecção ao longo da cadeia alimentar, uma tarefa que comparou a "uma investigação policial".

Ao ser perguntado sobre a gestão da crise sanitária por parte do governo alemão, Vincent lembrou as últimas declarações do porta-voz de Saúde, John Dalli, nas quais disse que os Estados-membros deviam evitar as conclusões precipitadas na hora de enfrentar uma situação deste tipo. "Foi uma crise sanitária de uma amplitude incomum na União Europeia", concluiu Vincent.

Rússia. O chefe do Serviço Sanitário da Rússia, Gennady Onishchenko, anunciou que seu país suspenderá o veto às importações de verduras procedentes da Europa em troca de garantias da União Europeia (UE) sobre cada país e produto. As posições se aproximaram significativamente. A Comissão Europeia propôs desenvolver este trabalho não em nível nacional, como é feito agora, mas em nível da Comissão, que dará garantias sobre cada país e cada tipo de produto", disse Onishchenko à imprensa.

A autoridade indicou que as primeiras provisões serão autorizadas assim que houver um acordo sobre que documentos garantirão a segurança dos produtos. As declarações de Onishchenko, membro da delegação russa na cúpula Rússia-UE, representam uma suavização da postura de Moscou na "guerra das verduras". Para levantar a proibição, a Rússia exigia até agora saber a causa exata do foco do surto infeccioso que deixou 29 mortos na Alemanha. A UE solicitou a suspensão do veto russo por considerá-lo uma medida "desproporcional" à emergência sanitária causada por uma cepa agressiva da bactéria E. coli.

''Ainda não se sabe por que essa cepa prefere adultos jovens''

Microbióloga explica que a ''E. coli'' do atual surto na Alemanha pertence a um grupo que costuma[br]causar casos esporádicos

06 de junho de 2011 | 0h 00

Alexandre Gonçalves - O Estado de S.Paulo

ENTREVISTA
Beatriz Guth, professora-associada de microbiologia da Unifesp


Entre 2001 e 2005, a equipe da professora Beatriz Guth, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), identificou em São Paulo 13 casos graves de infecção por E. coli, parecidos aos observados na Europa. Com uma diferença: eram esporádicos e afetaram crianças. Ela falou ao Estado sobre o atual surto.

Qual é a particularidade da bactéria que tem causado o surto?

Ela parece reunir características de dois grupos patogênicos: por um lado, produz uma proteína tóxica chamada Shiga; por outro, coloniza o intestino de forma muito agressiva.

É comum esse tipo de bactéria infectar adultos?

Não. As E. coli entero-hemorrágicas afetam idosos e crianças de, no máximo, 5 anos. Em até 10% dos casos, evolui para insuficiência renal, que costuma aparecer dias após cessar a diarreia. Não se sabe por que a combinação de genes da cepa que surgiu na Europa fez com que ela preferisse adultos jovens.

Como surgem novas cepas?

Essas bactérias recebem, trocam ou perdem material genético relacionado à virulência em DNA móvel.

Já houve cepas tão virulentas?

Sim. Houve a cepa O157:H7, que causou surtos semelhantes no Japão, Canadá e EUA. Normalmente, encontramos casos esporádicos. Mas, periodicamente, acontecem os surtos.

Algo explica a emergência de cepas mais virulentas?

É difícil apontar uma causa específica. Há indícios de que essa cepa possui genes de resistência a antibióticos. Talvez o uso indiscriminado dessas substâncias tenha feito emergir uma cepa resistente aos remédios.

Sabemos como é transmitida?

Ainda não. De um modo geral, ruminantes costumam ser os principais reservatórios de bactérias que produzem a proteína toxina. Alimentos de origem animal ou vegetal - contaminados com fezes - podem transmitir a doença. Ela também pode ser transmitida de pessoa a pessoa se não se tomam as medidas adequadas de higiene.


Saiba mais sobre causas e prevenção da infecção intestinal na Alemanha

Especialistas sugerem cuidados com frutas e vegetais, que podem carregar a bactéria

01 de junho de 2011 | 17h 03

Saiba mais sobre a bactéria e suas causas:

O que é a E. coli?

A Escherichia coli é um tipo de bactéria presente nos intestinos de humanos e de outros animais. A maioria de suas variações é inofensiva, mas algumas produzem uma toxina que causa cólicas severas e diarreia.

O que se sabe sobre o atual surto?

A bactéria tem causado infecções sérias, afetando o sangue, os rins e, em alguns casos, o sistema nervoso central das vítimas. Entre os sintomas, estão diarreia com sangue, falência renal e surtos epilépticos.

A variedade suspeita pelas infecções é a O104, um tipo raro. Outra cepa perigosa, conhecida como O157, causa males similares e foi associada a surtos de E. Coli ocorridos nos anos 1980.

Qual é a origem do surto?

Suspeita-se que o surto tenha se originado de vegetais contaminados. Nessa terça-feira, no entanto, investigações em Hamburgo concluíram que as acusações iniciais contra pepinos importados da Espanha não tinham fundamento. Aparentemente, a variedade da bactéria encontrada nos pepinos era diferente da que causou as infecções.

Contaminações por E. Coli geralmente são associadas a carnes cruas e ovos, mas, recentemente, cresceram os relatos de casos com aparente contaminação por frutas e vegetais frescos.

O que fazer quanto a isso?

Autoridades alemãs pediram às pessoas que evitem pepinos, alface e tomates crus, especialmente no norte do país, onde ocorreu a maioria dos casos.

Já a agência britânica de controle de alimentos sugere que, antes do consumo, as pessoas lavem bem os alimentos, tirem as suas cascas e os cozinhem.

No entanto, para a especialista escocesa Nicola Holden, do Instituto James Hutton, estas medidas podem ser insuficientes, já que as bactérias podem estar dentro dos alimentos, e não apenas em suas cascas.

"A bactéria consegue entrar nas colheitas por diferentes meios, mais comumente pela irrigação, mas também durante o processamento e na hora da embalagem", disse.

O que dizem outros especialistas?

O professor Brendan Wren, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, diz que a E. coli pode se alojar na superfície de itens frescos como pepinos e folhas de alface e espinafre.

"Esses tipos de E. Coli podem sobreviver a condições ambientais mais hostis que a bactéria típica e produzir toxinas danosas aos humanos", afirma.

Para Jonathan Fletcher, especialista em microbiologia na Universidade de Bradford (Inglaterra), os mais afetados pela bactéria costumam ser as crianças e os idosos.

Já o gado costuma carregar a toxina em seu intestino sem manifestar sinais de doenças, afirma.

"Se esterco de gado é usado como fertilizante, é provável que vegetais como pepinos sejam contaminados pela E. Coli. Se estes não forem lavados corretamente, estarão presentes em número suficiente para causar infecção." BBC Brasil -



 



Programa gera polêmica por mostrar momento em que homem morre de câncer

BBC defende decisão de mostrar morte em série sobre o ciclo da vida do corpo humano

12 de maio de 2011 | 9h 18

 

Um documentário que mostra o momento exato em que um homem de 84 anos morre de câncer está causando polêmica na Grã-Bretanha.

O ex-soldado, identificado apenas como Gerald, foi filmado para o programa da BBC Inside the Human Body ("Dentro do Corpo Humano") durante seus últimos dois meses de vida, até morrer no dia 1º de janeiro deste ano, em sua casa.

O documentário, que será exibido na noite desta quinta-feira na Grã-Bretanha, mostra com animações computadorizadas exatamente o que acontece dentro do corpo humano desde o momento do nascimento até o último suspiro.

'Morte serena e natural'

O apresentador do programa, Michael Mosley (foto), defendeu a decisão de mostrar a morte de Gerald dizendo que é importante "não se esquivar de falar sobre a morte e, quando justificado, mostrá-la".

Segundo os produtores, a cena foi filmada com sensibilidade e mostra, de uma perspectiva científica, o que está acontecendo com o corpo de Gerald quando ele morre devido aos efeitos do câncer de pulmão e fígado.

"É possível defender a filmagem de uma morte serena e natural", disse Mosley à revista Radio Times.

Mas o apresentador admitiu que a decisão pode ofender algumas pessoas: "Eu sei que há quem sinta que mostrar uma morte humana na televisão é errado, quaisquer que sejam as circunstâncias."

Alguns críticos também disseram que a decisão de mostrar a morte de Gerald é uma tentativa clara da BBC de aumentar sua audiência.

Proposta aceita

A equipe de produção do programa procurou diversos hospitais e ONGs ligadas a câncer tentando encontrar alguém que aceitasse ser filmado em seus últimos momentos de vida.

Quando Gerald aceitou a proposta, em novembro do ano passado, ele disse que o fez por achar que seria útil mostrar que é possível morrer sem dor, em casa, cercado por seus entes queridos.

A polêmica causada pelo programa surge pouco depois de outra controvérsia, causada por um documentário, também da BBC, sobre suicídio assistido.

O programa, que vai ao ar nos próximos meses, mostrará um homem de 71 anos, que sofria de uma doença grave, tomando um coquetel de drogas para acabar com a própria vida em uma clínica na Suíça. BBC 

 

Autoestima entra na luta contra o câncer

Cresce preocupação com bem-estar durante e após o tratamento; cuidados estéticos reduzem depressão e melhoram resposta à terapia

17 de abril de 2011 | 0h 00

Karina Toledo - O Estado de S.Paulo

Até por exigência da profissão, a comissária de voo Patrícia Souza, de 33 anos, sempre foi vaidosa. Nos últimos meses, porém, ela tem caprichado mais na maquiagem. "Preciso cobrir as olheiras e passar um pouco de blush para parecer saudável. Também tenho usado cílios postiços", conta. Patrícia está fazendo quimioterapia.

Há sete meses, ela luta contra um câncer de mama. Desde então, descobriu na prática algo que diversas pesquisas mostram: cuidados estéticos, que a princípio podem parecer supérfluos, diminuem os índices de depressão, melhoram a resposta ao tratamento e a qualidade de vida dos pacientes oncológicos.

Essa preocupação com o bem-estar durante e após o tratamento contra o câncer tem crescido entre os profissionais de saúde à medida que aumenta a sobrevida dos doentes, afirma a dermatologista Dolores Fabra.

Ela coordenou, na Faculdade de Medicina do ABC, a implementação de um ambulatório de reabilitação cosmiátrica para pacientes oncológicos: um serviço para amenizar as alterações que o tratamento pode causar na pele, nas unhas e nos cabelos.

Impacto. A radioterapia costuma deixar a pele mais fina e avermelhada. Já a quimioterapia pode causar machas, descamação, ressecamento e acne, além de enfraquecer as unhas e derrubar os pelos. "Mas para tudo isso há solução", garante a médica. Dolores avaliou, por meio de questionários, o impacto desses cuidados na qualidade de vida de seus pacientes. Em média, eles relataram uma melhora no grau de sofrimento em torno de 82,5%.

No caso de Patrícia, a revolução ocorreu quando ela encontrou uma prótese capilar que lhe permite nadar, tomar banho e dormir como fazia antes. "Só caiu a ficha de que eu estava doente quando o cabelo começou a cair", conta. Durante uma semana, a comissária se recusou a sair de casa. Não gostava de ser vista sem lenço nem mesmo pelos pais. "Agora, voltei a sair com os amigos e até a paquerar."

Alienados. Segundo o cirurgião Paulo Tarso de Lima, do Hospital Israelita Albert Einstein, o tratamento contra o câncer leva, muito frequentemente, os pacientes a se distanciarem do próprio corpo. Na tentativa de se defender do sofrimento, diz ele, não é raro abandonarem os cuidados com alimentação, exercícios e aparência. O efeito acaba sendo o oposto do desejado.

"Às vezes, o paciente reclama de desconforto, mas não consegue localizar com precisão a origem do problema. Essa falta de sintonia com o corpo faz a dor parecer maior e difusa", afirma.

Qualquer iniciativa que ajude a reestabelecer essa conexão, continua Lima, devolve ao paciente a noção de que a dor é limitada e temporária.

"Hoje, a preocupação com a estética anda lado a lado com a oncológica", diz o mastologista Silvio Bromberg. Quando a mulher precisa ser submetida a uma mastectomia, diz ele, deve-se fazer a reconstrução mamária imediata sempre que possível. "Quando a paciente acorda da cirurgia com uma mama nova, o astral é outro. Isso faz com que atravesse melhor todo o tratamento."

Essa foi a opção da funcionária pública Eloisa, de 64 anos. Ela pediu para não revelar o sobrenome, pois escondeu sua luta contra o câncer de mama da maioria das pessoas que a conhecem "para evitar os olhares de pena".

Em nenhum momento do tratamento Eloisa deixou de trabalhar. Marcava as reuniões importantes para o dia anterior à sessão de quimioterapia. Quando sentia-se mal, atribuía a culpa a uma virose.

"Durante a quimioterapia, houve momento em que subir uma escada parecia tão difícil como subir uma colina. Mas em nenhum momento ninguém me viu destruída", conta.

Pesquisadores brasileiros testam
alface para detectar dengue

23 de março de 2011

Atualmente, o antígeno é feito em cérebro de ratos

Pesquisa da UnB com alface ainda tem mais dois anos pela frente

Cientistas da UnB (Universidade de Brasília) estão estudando um novo método para diagnosticar o vírus da dengue. A ideia deles é produzir o tradicional kit de diagnóstico utilizando alfaces, e não camundongos, como é feito atualmente. As informações são da UnB Agência.

De acordo com o pesquisador Tatsuya Nagata, do Departamento de Biologia Celular da UnB, o Brasil precisa ter uma alternativa para o diagnóstico da dengue.

- Atualmente, o antígeno é preparado pela injeção em cérebro de camundongos. A nossa técnica, além de não sacrificar esses animais, tem baixo custo.

O Brasil não consegue, hoje em dia, produzir a quantidade de antígeno que precisa e acaba tendo que importar de outros países, como a Austrália. A nova alternativa poderá acabar com a necessidade do país em importar o kit diagnóstico.

O método consiste em “injetar” uma parte do gene do vírus da dengue em DNA do cloroplasto de alfaces e colocá-las em um meio de cultura com antibiótico. Isso vai garantir que sobrevivam apenas as células que receberem o gene do vírus. Elas irão brotar e gerar uma nova planta.

Essa nova planta será estimulada para adquirir raízes e se desenvolver. Esse processo leva cerca de quatro meses, explica o pesquisador.

O projeto é financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal, que destinou R$ 210 mil ao projeto.

Projeto ainda vai levar dois anos

Nagata trabalha junto com a estudante de doutorado Franciele Maldaner e com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Aropecuária).

Franciele explica que a pesquisa está em fase de validação de kit, utilizando um antígeno feito com alfaces em colaboração da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

- Por enquanto os resultados estão sendo positivos. Ainda temos mais dois anos pela frente.

O antígeno está sendo testado com sangue de pessoas que tiveram a doença – registradas no banco de dados da Fiocruz.

- A validação pode sair em três meses ou em dois anos. Precisamos de um aproveitamento de cerca de 95%. Não podemos comercializar um produto em grande escala se der muitos falso negativo ou falso positivo.

Nagata defende que a utilização de alface é o melhor custo-benefício. Outros métodos com células de mamíferos, células de insetos, leveduras e bactérias também são utilizados para a preparação de vacinas ou para o diagnóstico de doenças.

As plantas, no entanto, aproximam-se mais do sistema do ser humano do que bactérias e leveduras, por isso garantem melhor qualidade, diz o professor.

- Utilizar um camundongo, por exemplo, sai bem mais caro e é preciso sacrificar o animal. O ponto positivo [de usar camundongo] é o funcionamento do sistema, que é bem semelhante ao do ser humano. Mas as plantas garantem também um bom resultado.

 Fonte: http://noticias.r7.com/saude/noticias/pesquisadores-brasileiros-testam-alface-para-detectar-dengue-20110323.html

 


Primeiro modelo de envelhecimento celular humano chega aos laboratórios

Estudo favorece a busca de compostos químicos para alterar o processo do envelhecimento humano

24 de fevereiro de 2011 | 9h 48

Efe

MADRI - Cientistas dos EUA e Espanha desenvolveram um modelo celular para estudo em laboratório do envelhecimento humano após rejuvenescer o núcleo das células de pacientes com uma síndrome muito rara de envelhecimento precoce, cuja média de vida é de 15 anos.

A pesquisa, publicada na última edição da revista Nature, favorecerá a busca de compostos químicos para alterar o processo do envelhecimento humano, assim como uma maior compreensão das doenças cardiovasculares.

Também pode dar esperanças de cura no futuro aos doentes com a síndrome de envelhecimento prematuro Hutchinson-Gilford.

A extrema complexidade do processo de envelhecimento e suas patologias associadas sempre significaram barreiras para o estudo, que agora podem começar a ser derrubadas.

Os afetados com a raríssima síndrome de Hutchinson-Gilford, cerca de 100 casos conhecidos no mundo, sofrem na infância patologias associadas à velhice como a arteriosclerose, trombose e ataques cardíacos.

Os sintomas principais desta doença causada por um defeito genético que produz o acúmulo de uma proteína, a progeria, causadora da aceleração do envelhecimento, são baixa estatura, alopecia, ausência de gordura subcutânea, osteoporose e rigidez articular.

Trata-se da primeira vez que os cientistas conseguem desenvolver um modelo celular humano "in vitro" para estudar o envelhecimento.

Assim explicou à Agência Efe o diretor do estudo, Juan Carlos Izpisúa, diretor do Centro de Medicina Regenerativa de Barcelona (CMRB) além de responsável pelo laboratório de expressão genética do Instituto Salk, nos EUA.

Os cientistas geraram com sucesso células-tronco pluripotentes induzidas (iPS) a partir de fibroblastos (células do tecido conjuntivo) de pacientes com esta síndrome.

A pesquisa conseguiu a regressão de células doentes destes pacientes para um estado embrionário, com a supressão reversível do gene da progeria por reprogramação, e sua posterior reativação durante a diferenciação celular.

Foi possível "um modelo único" para estudar patologias humanas associadas ao envelhecimento prematuro, com a vantagem de que as células reprogramadas se diferenciam em um prazo relativamente curto (duas semanas), em contraste com as décadas que dura o envelhecimento normal.

Este modelo "in vitro" de células iPS se baseia na identificação de novos marcadores de envelhecimento e vários aspectos da velhice prematura e fisiológica em humanos.

A geração de células iPS em pacientes com progeria facilitará o conhecimento de doenças cardiovasculares, que são as que causam mais mortes nas sociedades desenvolvidas.

Além disso, o estudo dá esperanças para o desenvolvimento no futuro de tratamentos para crianças com a síndrome de Hutchinson-Gilford, por exemplo, o possível transplante de células pluripotentes induzidas saudáveis.




Engenheiros criam nanopartícula que pode levar a uma vacina contra a aids

Partículas esféricas de gordura podem carregar versões sintéticas de proteínas com maior segurança

23 de fevereiro de 2011 | 12h 56

estadão.com.br

Engenheiros do Massachusetts Institute of Technology (MIT) desenvolveram um novo tipo de nanopartícula que poderá oferecer com segurança e eficácia vacinas para doenças como o HIV e a malária. As novas partículas, descritas na edição 20 de fevereiro da revista Nature Materials, consistem de esferas de gordura concêntricas que podem carregar versões sintéticas das proteínas normalmente produzidas por vírus.

Estas partículas sintéticas provocam uma forte resposta imunológica - comparável àquela produzida por vacinas de vírus vivos - mas de forma muito mais segura, diz Darrell Irvine, autor do estudo e professor associado de ciência de materiais e de engenharia e engenharia biológica.

As novas partículas podem ajudar cientistas a desenvolver vacinas contra o câncer, bem como doenças infecciosas. Em colaboração com cientistas do Walter Reed Army Institute of Research, Irvine e seus alunos estão agora testando a capacidade das nanopartículas para produzir uma vacina experimental contra a malária em camundongos.

Vacinas protegem o corpo ao expô-lo a um agente infeccioso, geralmente uma forma morta ou inofensiva do vírus ou uma proteína sintética, que faça com que o sistema imune responda rapidamente quando encontra o mesmo patógeno. Ao desenvolverem uma vacina, os cientistas procuram provocar um dos dois agentes da imunidade no corpo humano: as células T, que atacam as células do corpo infectadas pelo patógeno; ou as células B, que secretam anticorpos contra os vírus ou bactérias.

Para as doenças em que o patógeno tende a permanecer no interior das células, tais como o HIV, uma forte resposta de um tipo de célula T conhecida como célula T "assassina" é exigida. A melhor maneira de provocar reação essas células é a utilização de vírus mortos ou incapacitados, mas que não pode ser feito com o HIV, já que é difícil tornar o vírus inofensivo.

Para contornar o perigo do uso de vírus vivos, os cientistas estão trabalhando em vacinas sintéticas para o HIV e outras infecções virais como a hepatite B. No entanto, essas vacinas, embora mais seguras, não provocam uma resposta muito forte das células T. Recentemente, cientistas têm tentado selar as vacinas em gotículas de gordura, chamadas de lipossomos, que poderiam ajudar a promover respostas de célula T ao envolver a proteína em uma partícula semelhante ao de um vírus. No entanto, estes lipossomos têm pouca estabilidade no sangue e fluidos corporais.

Irvine, que é membro do David H. Koch Institute for Integrative Cancer Research do MIT, decidiu seguir a abordagem dos lipossomos ao agregar muitas das gotas juntas em esferas concêntricas. Uma vez que os lipossomos são fundidos, paredes adjacentes de lipossomos são quimicamente "grampeados" uns aos outros, tornando a estrutura mais estável e menos propensa a quebrar-se rapidamente após a injeção. No entanto, uma vez que as nanopartículas são absorvidas por uma célula, eles degradam rapidamente, liberando a vacina e provocando uma resposta das células T.

Em testes com ratos, Irvine e seus colegas usaram as nanopartículas para portar uma proteína chamada ovalbumina, uma proteína da clara do ovo comumente utilizada em estudos de imunologia porque as ferramentas bioquímicas estão disponíveis para controlar a resposta imunológica a essa molécula. Eles descobriram que três imunizações de baixas doses da vacina produziram uma forte resposta celular T - após a imunização, até 30 por cento de todos as células T assassinas em camundongos eram específicos para a proteína da vacina.




OMS revisa segurança de vacina para gripe após casos de narcolepsia

Estudo associou casos da 'doença do sono' à vacina Pandemrix de gripe H1N1, fabricada pela GlaxoSmithKline

01 de fevereiro de 2011 | 15h 05

Efe e Reuters

HELSINQUE - A Organização Mundial de Saúde está revisando a segurança da vacina contra a gripe H1N1 Pandemrix, fabricada pela companhia farmacêutica GlaxoSmithKline, após a notificação de um estudo finlandês que sugere que crianças que receberam a imunização eram nove vezes mais propensas a contrair narcolepsia, um estranho transtorno do sono.

A narcolepsia é uma doença neurológica pouco comum que provoca alteração grave do sono, fazendo com que a pessoa durma sem motivo durante várias vezes ao dia.

O Instituto Nacional de Saúde e Bem-estar da Finlândia (THL) iniciou uma investigação em agosto para investigar a possível relação entre esta vacina e a narcolepsia, depois da detecção desta doença em 17 crianças finlandesas vacinadas com Pandemrix durante a última pandemia de gripe A H1N1.

O fenômeno levou às autoridades de saúde finlandesas a interromper o uso da vacina de forma preventiva até determinar seus possíveis efeitos colaterais.

As causas são desconhecidas, mas os cientistas consideram que é produto de uma combinação de fatores genéticos e ambientais, incluindo as infecções.

Estudo do instituto THL, entre 2009 e 2010, diagnosticou 60 casos de narcolepsia em crianças e adolescentes finlandeses com idades entre quatro e 19 anos, dos quais 52 (quase 90%) haviam recebido a vacina contra o vírus A H1N1 com Pandemrix.

"A associação observada é tão evidente que é pouco provável que outros fatores possam explicar plenamente o fenômeno", assinalaram os responsáveis do estudo em comunicado.

A maior parte dos quadros de narcolepsia aparece em crianças entre quatro e 15 anos, enquanto não detectaram nenhum caso em menores de quatro anos nem em jovens maiores de 19 anos.

"Com base nas análises preliminares, o risco de contrair narcolepsia em indivíduos entre quatro e 19 anos que foram vacinadas se multiplicou por nove, em comparação com os que não receberam a vacina", acrescentou o comunicado.

Para o instituto THL, a causa mais provável do fenômeno é o efeito conjunto da vacina com algum outro fator, por isso que nos próximos meses serão realizadas novas pesquisas de caráter epidemiológico, imunológico e genético.

Além da Finlândia, até o momento Suécia e Islândia detectaram aumento anormal de casos de narcolepsia infantil possivelmente relacionado à vacina Pandemrix, embora estejam realizando estudos adicionais em outros nove países da União Europeia.




Algumas vacinas podem proteger crianças contra câncer

Crianças de áreas onde maioria foi vacinada contra hepatite B têm 20% menos probabilidade de contrair câncer

04 de fevereiro de 2011 | 9h 55

Reuters

NOVA YORK - Crianças que receberam determinadas vacinas podem ter menos risco de desenvolver câncer na infância, especialmente um tipo de leucemia, revelou um estudo feito nos EUA. Publicado no The Journal of Pediatrics, o estudo mostra que crianças nascidas em áreas onde a maioria das crianças foi vacinada contra a hepatite B têm 20% menos probabilidade de contrair todos os tipos de câncer infantil do que as nascidas em regiões onde um número menor foi vacinado. 

 
Em especial, as crianças nascidas em áreas de alta aplicação de vacina contra a pólio e séries de vacinas que incluem a hepatite B e a pólio, entre outras doenças, têm 30-40% menos risco de contrair leucemia linfoblástica aguda, um tipo que é mais comum na infância.

Michael Scheurer, da Faculdade Baylor de Medicina, de Houston, Texas, e um dos autores do estudo, avisou que, a despeito da relação aparente, que deve ficar mais clara depois de pesquisas futuras, ainda não se pode dizer "vacine seus filhos e eles não terão câncer".

Estudos anteriores mostraram resultados ambíguos. Uma teoria é que algumas infecções comuns podem elevar o risco de uma criança apresentar leucemia, devido ao efeito das infecções sobre o sistema imunológico em desenvolvimento.

As vacinas devem, teoricamente, reduzir esse risco de câncer - a não ser que a própria vacina imite muito estreitamente uma infecção natural.

Visando verificar se as crianças nascidas em regiões onde a maioria é vacinada têm mais ou menos chances de contrair câncer que nascidas em regiões com índices inferiores de vacinação, Scheurer e seus colegas usaram dados sobre todos os diagnósticos de câncer no Estado do Texas para identificar 2.800 casos de câncer infantil confirmados entre 1995 e 2006 em crianças de 2 a 17 anos.

Para cada criança que recebeu o diagnóstico de câncer, os pesquisadores encontraram quatro outras do mesmo gênero e da mesma idade que não o receberam. Então eles compararam quantas das crianças com ou sem câncer tinham nascido em condados com altos índices de vacinação.

De acordo com Scheurer, a descoberta mais importante foi o risco mais baixo de leucemia em regiões com altos índices de vacinação contra hepatite B e pólio.

Scheurer disse que o estudo aponta um benefício adicional da vacinação de rotina na infância - especialmente porque coincide com a notícia recente de que o pesquisador britânico Andrew Wakefield falsificou algumas evidências que supostamente apontavam um vínculo entre vacinas e autismo.

 

Cientistas produzem vacina que funciona contra todas as cepas da gripe

A pesquisa é inovadora porque, ao contrário dos empregados até agora, ataca diferentes partes do vírus

07 de fevereiro de 2011 | 9h 09

Efe

LONDRES - Cientistas da Universidade de Oxford, do Reino Unido, constataram a eficácia de uma vacina contra a gripe que poderia funcionar contra todas as variações do vírus. 

 
AP

A pesquisa é inovadora porque o tratamento, ao contrário dos empregados até agora, ataca diferentes partes do vírus, o que faz com que não seja necessário produzir a cada temporada novas variações da vacina.

Segundo os detalhes adiantados nesta segunda-feira, 7, pelo jornal The Guardian, a equipe dirigida pela doutora Sarah Gilbert, do Jenner Institute da Universidade de Oxford, centrou seu trabalho nas proteínas do interior do vírus da gripe - que são as mesmas em todas as cepas - e não nas da camada externa, que podem sofrer mutações.

"O problema com a gripe é que tem uma grande quantidade de variantes que mudam de maneira constante", manifestou Adrian Hill, diretor do Jenner Institute, que lembrou que quando aparece uma nova cepa à qual os seres humanos não são imunes os cientistas não conseguem produzir a tempo uma vacina eficaz.

Isto é o que ocorreu nos últimos anos com a recente pandemia de gripe A ou a anterior de gripe aviária.

As vacinas tradicionais empregadas atualmente fazem com que o organismo crie anticorpos, mas esta nova vacina dispara o número de linfócitos T ou células T, que são elementos fundamentais do sistema imunológico.

Na pesquisa, 22 voluntários foram infectados com a cepa Wisconsin do vírus da gripe H3N2, isolado desde 2005. Destes, 11 haviam tomado a vacina e outros 11 não.

O resultado foi contundente: a vacina funcionou nas 11 pessoas que a receberam e mostraram um maior nível de ativação dos linfócitos T, responsáveis por combater o vírus.

Os autores da pesquisa destacaram que uma vacina universal economizaria muito tempo e dinheiro, já que o processo de desenvolver uma vacina contra cada gripe significa, pelo menos, quatro meses de trabalho e um investimento milionário.

Além disso, se a variação da gripe for altamente patogênica - como ocorreu em 1918 com a morte de milhões de pessoas - o atraso na obtenção da vacina seria fatal.

"Se empregássemos a mesma vacina de maneira regular, seria como vacinar contra qualquer outra doença, como o tétano. Se transformaria em uma rotina. Não teríamos drásticas mudanças na demanda nem problemas de provisão", manifestou Sarah.

A equipe da doutora Sarah considera que este avanço será especialmente positivo para as pessoas mais velhas. 




Sobreviventes do H1N1 desenvolvem superanticorpos para gripe

10 de janeiro de 2011 | 15h 03

JULIE STEENHUYSEN - REUTERS

Um estudo dos anticorpos de pessoas infectadas com a gripe H1N1 é mais uma indicação de que os cientistas estão perto de uma vacina "universal" capaz de neutralizar muitas cepas de vírus da gripe, incluindo da gripe suína (H1N1) e da gripe aviária (H5N1), afirmaram pesquisadores norte-americanos nesta segunda-feira.

De acordo com os pesquisadores, as pessoas infectadas na pandemia do H1N1 desenvolveram uma resposta imune incomum, produzindo anticorpos capazes de protegê-las de todas as cepas sazonais da gripe H1N1 da última década, da cepa mortal da "gripe espanhola" de 1918 e mesmo de uma cepa da gripe aviária H5N1.

"Isso mostra que uma vacina universal para a influenza é de fato possível", disse Patrick Wilson, da Universidade de Chicago, que trabalhou no artigo publicado no Journal of Experimental Medicine.

Muitas equipes trabalham numa vacina "universal" da gripe que seria capaz de proteger as pessoas de todas as cepas de gripe durante décadas ou mesmo durante a vida inteira.

Autoridades norte-americanas afirmam que uma vacina universal da gripe eficaz terá consequências enormes para o controle da influenza, que mata entre 3.300 e 49 mil pessoas anualmente nos Estados Unidos.

A equipe de Wilson começou a produzir os anticorpos em 2009 a partir de nove pessoas infectadas na primeira onda de gripe suína antes do desenvolvimento da vacina contra o H1N1. A esperança era desenvolver uma forma de proteger os funcionários da saúde.

Trabalhando em parceria com pesquisadores da Escola de Medicina da Emory University, a equipe produziu 86 anticorpos que reagiram com o vírus H1N1 e os testou em diferentes cepas de vírus.

Desses, cinco eram capazes de interferir com muitas cepas de vírus, incluindo a da "gripe espanhola" de 1918 e a da gripe aviária H5N1.

Testes com esses anticorpos em ratos indicaram que os animais estavam totalmente protegidos de uma dose de gripe que poderia ser letal.




Vírus H1N1, da gripe suína, começa a sofrer mutação, aponta estudo

Linhagem ligeiramente nova já predomina na Austrália, na Nova Zelândia e em Cingapura

21 de outubro de 2010 | 20h 10

Reuters

WASHINGTON - O vírus H1N1, causador da gripe suína, pode estar começando a sofrer mutação, e uma linhagem ligeiramente nova já predomina na Austrália, na Nova Zelândia e em Cingapura, disseram pesquisadores nesta quinta-feira, 21.

 

Ho/Reuters

Mais estudos são necessários para dizer se a nova cepa é mais mortal que a primeira e se a atual vacina continua garantindo total proteção, afirmaram Ian Barr e colegas do Centro de Colaboração de Pesquisa e Referência sobre Influenza (ligado à Organização Mundial da Saúde) em Melbourne, na Austrália.

"No entanto, isso pode representar o início da mais dramática deriva antigênica da pandemia de gripe A, o que pode exigir uma atualização da vacina antes do esperado", escreveram os autores na publicação online Eurosurveillance. A deriva antigênica é um processo responsável pela incapacidade de o organismo humano hospedeiro criar resistência permanente contra a gripe.

É possível que essa linhagem seja mais mortal e também capaz de infectar as pessoas que já foram vacinadas, destacaram os pesquisadores. Os vírus da gripe sofrem mutação constantemente - é por isso que as pessoas precisam de uma vacina nova a cada ano. Desde que eclodiu, em março de 2009, e foi difundido globalmente, o H1N1 tem se mantido estável, com quase nenhuma alteração significativa.

Cientistas do mundo inteiro estão de olho em todas as cepas da gripe, para o caso de uma mutação perigosa emergir. Apesar de o H1N1 não ter sido muito letal, espalhou-se globalmente em algumas semanas e matou mais crianças e jovens do que uma cepa média costuma fazer.

A OMS declarou o fim da pandemia em agosto, e o H1N1 se tornou o principal vírus de gripe sazonal em circulação em quase todas as regiões do planeta, exceto na África do Sul, onde o H3N2 e a Influenza B são mais comuns. A atual vacina sazonal protege contra H3N2, H1N1 e a cepa B.

"O vírus tem mudado pouco desde que surgiu, no entanto, nesse relatório nós descrevemos várias mudanças genéticas distintas no H1N1 da pandemia", informou a equipe de Barr. "Essas variações foram inicialmente detectadas em Singapura, no início de 2010, e posteriormente se espalharam pela Austrália e pela Nova Zelândia", explicam os autores.

As alterações ainda não são significativas, segundo eles. Mas há casos de pessoas que foram vacinadas e depois infectadas, além de algumas mortes. "Essa variante do vírus tem sido associada à dose monovalente aplicada em adolescentes e adultos em 2010, assim como a um número de casos fatais de quem a variante foi isolada", escreveram.

Apesar disso, não há informações suficientes para dizer se pode haver outros fatores que tornem os pacientes mais vulneráveis, salientaram. "Resta saber se essa linhagem vai continuar a predominar no resto da temporada de gripe na Oceania e em outras partes do Hemisfério Sul e se espalhar para o Hemisfério Norte ou simplesmente desaparecer", acrescentaram.

Segundo a OMS, 18.450 pessoas em todo o mundo morreram em decorrência do vírus H1N1, incluindo muitas mulheres grávidas e jovens. Mas, segundo a organização, levará pelo menos um ano após a pandemia terminar para que seja determinado o número real de mortos, provavelmente bem maior.

A gripe sazonal mata cerca de 500 mil pessoas por ano, 90% delas idosos em situação vulnerável, de acordo com a OMS. A pandemia de 1957 matou cerca de 2 milhões e a de 1968, 1 milhão.


Fábrica de vacina contra gripe do Butantã entra em funcionamento

Inaugurada em 2007, instalação ainda não havia conseguido cumprir todas as exigências para [br]desenvolver o produto

05 de fevereiro de 2011 | 0h 00

Fernanda Bassette - O Estado de S.Paulo

A fábrica de vacina contra influenza do Instituto Butantã, em São Paulo, está finalmente funcionando - embora com pouco mais de 10% da capacidade. Isso significa que, neste ano, parte da população brasileira vai receber a vacina contra a gripe totalmente nacional. Até então, a vacina era importada e apenas envazada pelo instituto.

Anunciada em 2004 e inaugurada em 2007, a fábrica da influenza ainda não tinha conseguido cumprir todas as etapas para disponibilizar a vacina da gripe - o que provocou problemas de abastecimento na última campanha de vacinação.

O Butantã pretende entregar de 2 a 6 milhões de doses da vacina tríplice (que inclui o vírus H1N1 e mais dois que estão em circulação) para a campanha deste ano. A fábrica, no entanto, foi projetada para produzir 20 milhões de doses. E o Ministério da Saúde informou que pretende adquirir 30 milhões de doses.

O anúncio do funcionamento integral da fábrica foi feito ontem, durante a posse do novo diretor do instituto, o médico imunologista Jorge Kalil Filho. "Vacina é o ato médico mais eficaz que existe. Nesta primavera vamos começar a campanha de vacinação da gripe com doses completamente produzidas aqui."

Apesar de a fábrica ter sido oficialmente inaugurada em 2007, o superintendente-geral do Butantã, Hernan Chaimovich, diz que não houve atraso para o início da produção. "O que foi inaugurado em 2007 foi o prédio. O processo de fabricação é muito mais complexo, envolve etapas de adequação e de validação. E esse processo demorou três anos. A fábrica está em operação integral desde o fim do ano passado", afirmou.

Segundo Kalil, o maior desafio do Butantã é conseguir produzir vacinas contra doenças que não proporcionam imunidade depois que as pessoas se contaminam, como uma vacina contra o vírus HIV, por exemplo. Além disso, uma das suas prioridades será investir na produção de uma vacina eficaz contra a dengue - o que já acontece.

O instituto vai iniciar os testes de segurança contra os quatro sorotipos da dengue no segundo semestre em uma fábrica piloto. Serão selecionados cem voluntários saudáveis - que nunca tiveram dengue antes e não possuem nenhuma outra doença.

"A nossa preocupação é, no futuro, quando tivermos de estudar pessoas que já tiveram dengue, ter a certeza de que essa vacina foi capaz de desencadear uma resposta imunológica para os quatro tipos de vírus", diz Alexander Precioso, diretor de ensaios clínicos do Butantã.

De acordo com o secretário de Estado da Saúde, Giovanni Guido Cerri, a intenção é disponibilizar a vacina contra a dengue para a população brasileira em 2015.

Células-tronco transformam ratos machucados em 'super-heróis', diz estudo

Transplante causou crescimento de 170% nos músculos dos receptores, e ganho se manteve por toda a vida

10 de novembro de 2010 | 18h 05

REUTERS - REUTERS

A injeção de células-tronco em camundongos machucados fez com que seus músculos atingissem o dobro do tamanho original em questão de poucos dias, criando roedores poderosos com músculos grandes e fortes que duraram o resto de suas vidas, informam pesquisadores americanos.

Se o mesmo valer para seres humanos, a descoberta poderá levar a tratamentos para doenças que causam deterioração muscular, como  distrofia.

Ela poderá até mesmo ajudar as pessoas a combater a erosão natural dos músculos que vem com o envelhecimento, disseram os autores do estudo, em artigo publicado na revista Science Translational Medicine.

"Este foi um resultado muito interessante e inesperado", disse um dos autores, Bradley Olwin, da Universidade  do Colorado em Boulder.

"Descobrimos que células-tronco transplantadas são alteradas de modo permanente e reduzem o envelhecimento do músculo transplantado, mantendo força e massa".

A equipe de Olwin fez o experimento em camundongos jovens com ferimentos nas pernas, injetando neles células-tronco musculares extraídas de camundongos doadores.

Células-tronco têm a propriedade de renovar-se constantemente, formando outras células especializadas.

Essas células não apenas repararam os ferimentos, como fizeram o músculo tratado crescer 170%.

os cientistas acharam que a mudança seria temporária, mas ela durou por toda a vida dos animais, de cerca de dois anos.

"Quando os músculos foram examinados dois anos depois, descobrimos que o procedimento havia mudado de forma permanente as células transplantadas, tornando-as resistentes ao processo de envelhecimento do músculo", disse ele.

Olwin e colegas disseram que a injeção das células em músculos saudáveis não gerou o mesmo efeito, o que sugere que há algo importante na associação das células-tronco com o ferimento que desencadeia o crescimento.

As descobertas encorajam estudos em humanos, mas Olwin lembra que o resultado espetacular foi obtido em camundongos, não em pessoas.


Agência revisa uso do Avastin, da Roche, para câncer de mama

24 de setembro de 2010 | 13h 26

KATIE REID - REUTERS

Os reguladores europeus de saúde pública estão fazendo uma revisão sobre os benefícios do medicamento Avastin, da Roche, contra o câncer de mama à luz de novos dados clínicos, que lançam mais incertezas sobre suas perspectivas.

A notícia vem enquanto os investidores aguardam uma decisão das autoridades norte-americanas sobre se revogam ou não a indicação do Avastin nos casos de câncer de mama avançado e segue-se a uma série de revezes do tratamento até agora este ano.

O FDA, a agência que controla o uso de alimentos e drogas nos Estados Unidos, também avalia se amplia a indicação do Avastin nos EUA a fim de permitir que a droga seja usada junto com outras quimioterapias.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMEA) anunciou na sexta-feira ter iniciado uma revisão sobre os riscos e benefícios do Avastin, depois que a Roche apresentou um estudo para embasar o seu requerimento para usar o Avastin no tratamento do câncer de mama associado à quimioterapia citotóxica capecitabina ou baseada em antraciclina.

Em comparação com os resultados dos estudos anteriores, a agência informou que o último estudo apontou inconsistências entre diferentes ensaios, em especial em termos de eficácia.

"É provável que isso assuste o mercado, pois poderá colocar outros 800 milhões de francos suíços no Avastin sob risco", disse o analista Karl-Heinz Koch, da Helvea.

A Roche afirmou estar comprometida em trabalhar com o Comitê da EMEA para Produtos Medicinais de Uso Humano a fim de garantir que ele tenha toda a informação de que necessite para a revisão sobre o Avastin como tratamento de primeira linha para o câncer de mama metastático.

A opinião do comitê da EMEA sobre a ampliação da indicação deve sair este ano, informou a Roche, acrescentando que o uso atual do Avastin nas indicações autorizadas, incluindo para o tratamento de pacientes com câncer de mama metastático, não era afetado pela revisão.




Anvisa suspende três remédios oncológicos

24 de setembro de 2010 | 0h 00

- O Estado de S.Paulo

A Anvisa determinou na última quinta-feira a suspensão de nove produtos, entre eles três remédios usados em tratamentos oncológicos: o Lupron Depot, importado pelo laboratório Abbott; o Oncovin e o Velban, importados pela Antibióticos do Brasil.

Nos três casos, a agência alegou não atendimento das exigências regulamentares. Também são mencionados dois recolhimentos voluntários de medicamentos: o Lectrum, da Sandoz, por resultados insatisfatórios em testes de uniformidade de conteúdo, e um lote da vacina para Haemophilus Influenza B, de Bio-Manguinhos, por erros em informações do rótulo do produto.


Cientista quer revolucionar tratamento de diabetes com pâncreas artificial

Órgão artificia responderia aos níveis de açúcar no sangue

17 de setembro de 2010 | 12h 07

Efe

LONDRES - Uma cientista britânica desenvolveu um pâncreas artificial que pode revolucionar o tratamento do diabetes, já que permitiria acabar com as injeções diárias que os diabéticos precisam para controlar os níveis de glicose.

O pâncreas artificial, que ainda sendo está submetido a exames pré-clínicos, foi criado pela professora Joan Taylor, da Universidade de Montfort, em Leicester (Inglaterra).

A insulina produzida por pessoas com diabetes não consegue regular os níveis de açúcar, o que provoca sérias complicações para o organismo. Algumas pessoas que têm a doença sequer produzem o hormônio.

O órgão artificial, segundo informação do jornal britânico "The Times", tem uma carcaça de metal que é mantida em seu lugar por uma barreira de gel, e responde aos níveis de açúcar no sangue, já que gera insulina quando é necessário.

O órgão poderia ser implantado entre a última costela e o quadril e recheado de insulina a cada poucas semanas.

"Acredito que podia utilizar certa proteína (que não especifica) para criar um gel que pudesse reagir à glicose. Quando é exposto aos fluidos do corpo ao redor dos órgãos internos, o gel reage de acordo com a quantidade de glicose presente", explicou a cientista.

"Os altos níveis fazem com que o gel se abrande e libere insulina na corrente sanguínea", acrescentou.

Segundo o "The Times", se os testes forem bem-sucedidos, o pâncreas artificial seria uma solução simples e barata para os diabéticos.

A cientista disse que o órgão não tem pilhas e não seria visível na superfície da pele.

Taylor e sua equipe de colaboradores acreditam que vão passar com sucesso pelos testes clínicos nos próximos anos e, caso tenha bons resultados, o órgão artificial estaria disponível dentro de entre cinco e dez anos.


Alimentação  |  02/09/2010 17h58min

Cuidados com alimentação podem amenizar os efeitos da quimioterapia Tratamento causa alteração e redução do paladar

Pacientes com câncer que fazem tratamento quimioterápico podem apresentar diversos efeitos colaterais. Um deles é a alteração no paladar, que prejudica a alimentação.

A quimioterapia utiliza compostos que impedem a multiplicação de células malignas. Esse processo, dependendo do paciente, causa alterações no paladar que podem ser leves (hipogeusia, quando a sensibilidade aos sabores fica reduzida) ou agudas (digeusia, quando há ausência da sensibilidade ao gosto).

Esses efeitos têm duração variável. Geralmente, desaparecem após algumas semanas, mas são os grandes responsáveis pela ingestão alimentar insuficiente e, consequentemente, pela perda de peso durante o tratamento.

Pensando nesses casos, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), criou um cardápio especial e uma programação de aulas de culinária gratuitas. O objetivo é ajudar os pacientes oncológicos a comer melhor, além de ensinar a maneira correta de preparar os alimentos.

— A boa notícia é que estes sintomas desagradáveis podem ser minimizados por meio do uso de medicamentos prescritos pelo médico e com uma avaliação nutricional. Os profissionais, em conjunto, irão avaliar quais são os cuidados necessários com a alimentação durante o período de tratamento — explica Suzana.

Confira algumas dicas que podem contribuir para o alívio dos sintomas da quimoterapia, como náuseas, falta de apetite ou boca seca:

:: Evite alimentos muito quentes ou muito gelados

:: Substitua talheres de metal por outros de plástico, caso o paciente sinta sabor residual metálico

:: Utilize como temperos as ervas aromáticas, como o manjericão, orégano, salsinha, hortelã e alecrim

:: Mantenha uma boa higiene oral

:: Enxágue a boca antes das refeições

:: Coma bala de hortelã ou menta

:: Pingue gotas de limão sobre a língua

:: Consuma alimentos de diferentes texturas e beber suco de laranja ou água com gotas de limão.

AGÊNCIA USP DE NOTÍCIAS 

 

Pesquisa sobre vacina contra o câncer começa a mostrar resultados

Vacinas podem dar maior qualidade de vida aos pacientes que já desenvolveram a doença

20 de agosto de 2010 | 12h 31

New York Times

KANSAS CITY - A vacina que Larry Mathews que está recebendo não vai protegê-lo da gripe. Tudo bem - as apostas são muito mais elevadas do que isso.

Ele está esperando que as aplicações fortaleçam seu sistema imunológico para lutar contra o câncer agressivo que invadiu seu cérebro. Se funcionar como ele quer, as células matadoras do próprio corpo irão absorver as células malignas que a cirurgia, radioterapia e quimioterapia não conseguia eliminar.

Por décadas, cientistas vêm tentando criar vacinas assim para "recrutar" o sistema imunológico do corpo e destruir as células cancerígenas de maneira que expulse vírus e bactérias exteriores.

Depois de muitas tentativas vãs e promessas prematuras, parece que a pesquisa está começando a mostrar resultados.

No final de abril, a Food and Drug Administration dos EUA aprovou a primeira vacina contra o câncer, Provenge, que modestamente pode prolongar a vida dos homens com câncer de próstata avançado. Vários dos principais planos de seguro e a Medicare em algumas partes do país, incluindo Kansas e Missouri, já concordaram em pagar o tratamento caro.

Mathews participa de um estudo preliminar clínico do Hospital São Lucas com vacina contra o câncer de cérebro desenvolvido na Universidade de Kansas Medical Center. Um amplo estudo que já dura dois anos, destinado a obter a aprovação do FDA está prevista para começar neste outono (americano).

No mundo todo, os cientistas estão trabalhando em dezenas de vacinas contra melanoma, câncer de mama e câncer de pulmão, cólon e pâncreas.

Pesquisadores podem citar histórias de pacientes com câncer que tinham apenas meses de vida e que sobreviveram 15 anos ou mais, após ter recebido as vacinas. Mas até agora provas conclusivas de grandes estudos clínicos são escassas.

Mesmo assim, os especialistas preveem que várias vacinas contra o câncer poderiam ser eficazes o suficiente para ganhar a aprovação do FDA nos próximos quatro ou cinco anos.

Estas vacinas terapêuticas são projetadas para pacientes que já têm câncer. Isso os torna radicalmente diferentes das convencionais vacinas preventivas, tais como a vacina de cancro cervical Gardasil, que imunizam contra os vírus que causam câncer.

O impulso no desenvolvimento de vacinas terapêuticas não vem de qualquer descoberta científica única, disse William Chambers, diretor de pesquisa clínica e imunologia na American Cancer Society. Pelo contrário, é o resultado de anos de progresso, lento e incremental.

"A imunoterapia tem sido um osso duro de roer", disse Chambers."O que estamos vendo agora é fruto de muito trabalho duro. Alguns dos casos de sucessos estão aparecendo.''

O sistema imune identifica organismos estranhos no organismo e, em seguida, procura e destrói.

Mas as células cancerosas geralmente obtêm um passe livre. Por um lado, elas são muito semelhantes às normais do pulmão ou da próstata ou de células do cólon. E à medida que crescem, evoluem suas formas de "desligar" uma resposta imune ou de poder de detecção.

O objetivo das vacinas é treinar o sistema imunológico para reconhecer as formas que as células cancerosas se diferem das células normais e motivá-lo para o ataque destas.

Por tentativa e erro cientistas identificaram os alvos em células cancerosas, os chamados antígenos, que o sistema imunológico pode identificar como diferentes das células normais. Eles também podem compreender melhor os componentes do sistema imune que reconhecem os antígenos e alertar o sistema imunológico sobre as células assassinas.

As vacinas representam uma grande mudança no pensamento sobre como tratar o câncer, disse James Gulley, um pesquisador do Instituto Nacional de Câncer dos EUA. Terapias convencionais contra o câncer usam drogas tóxicas e radiação em tumores, mas podem prejudicar outros tecidos e causar náuseas, fadiga, perda de cabelo e outros efeitos colaterais.

Vacinas diminuem a probabilidade de ter o sistema imunológico como alvo. Os efeitos colaterais - febre, calafrios, dor no local da injeção - normalmente não são muito maiores do que aquilo que você pode começar a ter a partir de uma vacina contra a gripe.


União não investe todo o valor empenhado

Em 2009, apenas 65% da verba reservada foi desembolsada; setor precisa de R$ 13,5 bilhões ao ano, por duas décadas, para universalizar saneamento

21 de agosto de 2010 | 0h 00

Edna Simão / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Apesar de o governo federal ter elevado a previsão orçamentária para a área de saneamento básico nos últimos anos, os recursos efetivamente desembolsados estão longe do prometido. Em 2009, por exemplo, houve o compromisso (valor empenhado) de investir R$ 10,314 bilhões, porém foram desembolsados R$ 6,699 bilhões (65% do total).

Estudo da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) mostra que o setor precisa de investimentos de R$ 13,5 bilhões ao ano, por 20 anos seguidos, para garantir a universalização do saneamento básico, incluindo tratamento de esgoto. Segundo a Abdib, de 2003 para cá, a média de investimentos no setor foi de R$ 4,7 bilhões por ano.

Para o Ministério das Cidades, há descompasso entre o que é empenhado e o que é pago pelo governo porque os recursos normalmente são liberados conforme o ritmo de execução da obra. Mas, em algumas situações, os compromissos assumidos pelo governo podem ser cancelados.

Falta prioridade. Na avaliação do professor da área de saneamento básico da Universidade de Brasília (UnB) Oscar Cordeiro Netto, o saneamento básico não está entre as prioridades dos governos. Em período eleitoral, por exemplo, uma obra que era de interesse de um prefeito pode não ser mais para seu sucessor. Isso acontece porque obras como construção de estradas, hospitais e escolas são mais lucrativas em termos de votos que empreendimentos de saneamento, que ficam embaixo da terra e ninguém vê, ou seja, com o tempo são esquecidas. "O setor de saneamento básico vive ao sabor do curto prazo e dos interesses políticos. Isso precisa mudar", afirmou Netto.

O professor disse ainda que, muitas vezes, existe a disponibilidade no orçamento, mas não há bons projetos para a realização da obra e, por isso, o dinheiro fica parado. Com o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento, Netto reconhece que houve aumento do volume de investimentos no setor nos últimos anos. A meta do governo federal era aplicar R$ 10 bilhões por ano entre 2007 e 2010.

Mesmo com o empenho maior do governo nos últimos anos, os recursos são insuficientes para atender o déficit da população brasileira, principalmente no que diz respeito a esgoto e coleta de lixo. "Historicamente, a União, Estados e municípios não destinam os recursos necessários para se ter no País um nível satisfatório de saneamento básico", comentou o especialista em saneamento básico.


Transplante de medula óssea pode curar doença de pele rara

11 de agosto de 2010 | 21h 34

GENE EMERY - REUTERS

Transplantes altamente arriscados de medula óssea curaram cinco crianças com um defeito genético potencialmente letal, já que aparentemente elas não produzem as proteínas que mantém a pele unida, disseram pesquisadores dos EUA na quarta-feira.

Mas uma sexta criança morreu por causa dos efeitos colaterais de uma droga usada no preparativo do transplante, e outra morreu de infecção após o transplante.

Vítimas da epidermólise bolhosa distrófica recessiva (RDEB, na sigla em inglês) têm bolhas dolorosas na pele, na boca e na garganta, causada por qualquer mínimo trauma. Isso expõe o organismo a infecções e, em alguns casos, a uma forma agressiva de câncer. Com dificuldade para engolir, muitos pacientes acabam morrendo de desnutrição crônica.

Com o novo tratamento, "houve uma melhora na cura, menos bolhas, e sua qualidade de vida foi positivamente afetada", segundo John Wagner, da Universidade de Minnesota, que participou do estudo publicado na revista New England Journal of Medicine.

Os pacientes, segundo ele, "puderam fazer coisas que não faziam antes, como andar de bicicleta ou subir num trampolim."

A doença em questão afeta 1 em cada 50 mil pessoas, e por causa dos riscos do transplante de medula óssea apenas os casos mais graves são considerados como candidatos ao procedimento, segundo Wagner.

Ele disse que, após os sete primeiros casos relatados no estudo, outras seis crianças foram submetidas ao tratamento com bons resultados. O tratamento habitual para vítimas da doença custa 30 mil dólares por ano, e o transplante pode custar de 500 mil a 1 milhão de dólares.


06 de agosto de 2010 | N° 16419 ZH

ARTIGOS

Maconha faz mal?, por Sérgio de Paula Ramos*

Sou dos que pensam que não cabe a um especialista determinar como uma sociedade deve se comportar frente a este ou àquele tema. Nosso dever é dar informações científicas e permitir que, em posse delas, a própria sociedade decida sobre seus caminhos.

Com a maconha, é isso que deve ocorrer. O especialista alerta que seu uso por jovens, comprovadamente, associa-se com posterior queda no rendimento escolar, experimentação de outras drogas, depressão e esquizofrenia. Ainda que jovens que usaram maconha mais do que 100 vezes na vida (ou seja, duas vezes por semana ao menos por um ano), ao chegarem aos 25 anos, terão menos diplomas universitários e estarão menos empregados que seus iguais não usuários.

Outro fato relevante é que maconha, na história natural de um dependente químico, é a segunda droga de experimentação, sendo a primeira o álcool; daí porque se diz que ambas são drogas de entrada para as demais. Igualmente, é de se destacar o fato de que quanto mais uma droga for oficial ou oficiosamente liberada, maior será seu consumo e os problemas decorrentes dele.

Perguntados sobre por que experimentaram maconha, os jovens respondem que por curiosidade e pressão do grupo. Já com os não experimentadores a resposta é que não experimentaram porque é proibido e faz mal.

Tais fatos estão muito bem documentados por uma plêiade de trabalhos científicos de todos os quadrantes. Em ciência, primeiro fazemos uma observação, depois usamos uma metodologia consistente para verificar se nossa observação procede; depois, ela é compartilhada por outros pesquisadores, até que se transforme num consenso.

Não é o caso desse trabalho, publicado há 11 anos pelo Dr. Dartiu Silveira, citado pelo jornalista Marcos Rolim. Sua amostra foi pequena, seu tempo de seguimento insuficiente, e as demais variáveis não neutralizadas. Tais imprevidências impossibilitaram que a comunidade científica compartilhasse das conclusões do autor e, decorridos todos esses anos, desconheço outro trabalho que tenha chegado aos mesmos resultados; e mais, tampouco tenho informação de que algum serviço de dependência química no mundo esteja se regendo por essa orientação terapêutica, de sugerir que uma porta de saída para o crack seja usar maconha. Aliás, no passado, cometia-se a ingenuidade de se achar que cachimbo ajudaria o tabagista a parar de fumar ou que calmantes, tipo diazepínicos, ajudariam alguém a parar de beber.

Portanto, a título de resumo, o uso de maconha por jovens é deletério, sua liberação aumentará o consumo e os problemas dele decorrentes. Em posse de tais informações, que a sociedade decida o que quer fazer. Até lá, o debate robusto e elegante ajudará; e que não se tome como atitude antiética lembrar fato verdadeiro e de conhecimento público.

·          Psiquiatra e psicanalista, coordenador da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus

 

 

06 de agosto de 2010 |  ZH

MATE SAUDÁVEL

Chimarrão para combater o colesterolPesquisa aponta que a bebida típica do gaúcho é mais eficaz contra a gordura do que o chá verde

Um novo estudo aponta que a bebida típica dos gaúchos tem mais motivos para ser apreciada além de manter as tradições. Sorvido com frequência, o chimarrão reduz os níveis do colesterol ruim (LDL), segundo pesquisa do programa de pós-graduação do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul.

A primeira fase da pesquisa indica que a bebida é mais eficaz na redução do colesterol do que o chá verde. O estudo constatou que quem tomou um litro de mate diariamente por oito semanas teve o colesterol LDL reduzido em 4,2%, em média, enquanto que quem bebeu chá verde ou chá de maçã não apresentou redução no índice. Quem consumiu chimarrão também perdeu, em média, meio quilo no período.

Para cardiologista, mate não deve ser visto como remédio

Os resultados serão apresentados hoje no Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado (Socergs), em Gramado, pela nutricionista Bruna Pontin, mestranda do programa. A pesquisa é parte de um estudo maior sobre o chimarrão, que envolve outros três nutricionistas e uma cardiologista.

Segundo a cardiologista Vera Portal, professora do programa, a pesquisa revela que, com a redução do colesterol, também se reduzem os riscos de doenças cardiovasculares. Mas ela pondera que o chimarrão não deve ser visto como um remédio.

– Uma pessoa que toma chimarrão por hábito pode estar incrementando um valor a mais de redução de risco de doenças, assim como faz quando tem uma alimentação adequada ou pratica exercícios – esclarece.

Conforme a médica, a redução média de colesterol com exercícios e alimentação adequada é de 9%, índice que pode chegar a 30% com medicação. Para o cardiologista fundador do Instituto do Coração da Serra Gaúcha, Ricardo Almeida, a pesquisa apresenta uma baixa amostragem:

– O número de pessoas avaliadas ainda é pequeno para se ter um embasamento mais sério, e os níveis de redução são baixos, iguais ou superáveis com exercícios físicos e alimentação adequada, mas sabe-se que o chimarrão tem substâncias com efeito brando sobre o colesterol.

vanessa.franzosi@gruporbs.com.br

VANESSA FRANZOSI | Sucursal da Serra


02 de agosto de 2010 | ZH

ESTUDO CONTROVERSO

A nova polêmica da maconha

Especialistas criticam pesquisador paulista que defende uso da droga como terapia para derrotar crack

A pesquisa paulista que aponta a maconha como remédio para derrotar o vício em crack é considerada inválida e até mesmo irresponsável na comunidade científica brasileira. O assunto ganhou repercussão no fim de semana, quando o trabalho foi citado pelo jornalista Marcos Rolim em artigo da edição dominical de Zero Hora.

No texto intitulado Maconha, porta de saída?, Rolim afirma que a pesquisa representa o “mais impressionante resultado de superação de crack no Brasil”, critica a falta de repercussão que ela teve e utiliza o estudo para defender o uso medicinal da maconha. O artigo motivou forte reação de leitores. Vários enviaram e-mails de protesto ao jornal.

A pesquisa citada por Rolim foi realizada pelo psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, diretor do Programa de Orientação e Tratamento a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A experiência consistiu em oferecer maconha a um grupo de 50 usuários de crack. Conforme os dados, 68% haviam trocado de droga depois de seis meses. Após um ano, quem fez a substituição deixou também a maconha. Em reportagem recente da Folha de S.Paulo, Silveira descreveu o experimento como “um sucesso”.

– A dependência de maconha é muito menos agressiva do que a do crack. Nesses casos, a maconha funcionou como porta de saída do vício – disse o pesquisador.

Não é o que pensam especialistas em dependência química. Ex-presidente e atual membro do conselho consultivo da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), o psiquiatra gaúcho Sérgio de Paula Ramos é enfático na hora de criticar o trabalho de Silveira. Ele cita um episódio ocorrido em um Congresso Brasileiro de Psiquiatria, alguns anos atrás, na época em que o experimento foi divulgado. Ramos e Silveira foram agendados para uma mesma mesa, durante a qual discutiriam. Segundo o gaúcho, Silveira, que estava presente no congresso, não apareceu e “escapou do debate científico sério”.

– Ele não teve peito de ir. O experimento não tem a menor credibilidade científica. Foi muito criticado quando veio a público, anos atrás. Foi feito com poucas pessoas, seguidas durante pouco tempo. Dizer que a maconha pode fazer algum bem beira a irresponsabilidade. É dar as costas para a ciência – diz Ramos.

Psiquiatra diz que estudo é contestado na metodologia

Conforme ele, chefe da unidade de dependência química do Hospital Mãe de Deus, há uma biblioteca inteira de trabalhos científicos brasileiros e internacionais demonstrando que a maconha é prejudicial à saúde e serve de porta para drogas mais pesadas.

– O brasileiro começa com álcool. Quem evolui para as drogas ilícitas passa primeiro pela maconha e depois para a cocaína. Em 40 anos, nunca tratei um usuário de cocaína e de crack que não tivesse começado pelo álcool e pela maconha – afirma.

O psiquiatra Félix Kessler, do Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), também afirma que o estudo de Silveira é muito contestado em termos metodológicos. Uma das falhas seria o trabalho não levar em conta se outros fatores, como família e emprego, conduziram os dependentes observados à abstinência.

– Do jeito como o estudo foi feito, não é possível dizer que foi a maconha que fez os pacientes deixarem de usar crack, como dá a entender – disse Kessler

01 de agosto de 2010 | N° 16414 ZH

ARTIGOS

Maconha, porta de saída?, por Marcos Rolim*

A epidemia de crack é um dos fenômenos mais sérios na interface entre saúde pública e segurança. O que a faz particularmente grave é a reconhecida dificuldade de superar a dependência química. Pois bem, a Universidade Federal de São Paulo realizou pesquisa com 50 dependentes químicos de crack que foram submetidos a um tratamento experimental de redução de danos. Sob a coordenação do psiquiatra Dartiu Xavier, o grupo foi tratado com maconha. Daquele total, 68% trocou o crack pela maconha. Ao final de três anos, todos os que fizeram a troca não usavam mais qualquer droga (nem o crack, nem a maconha). Anotem aí: todos.

Imaginei que, com a divulgação destes resultados por Gilberto Dimenstein, na Folha de S. Paulo em 24 de maio, haveria grande interesse sobre o estudo. Nada. A resposta ao mais impressionante resultado de superação da dependência de crack no Brasil foi o silêncio. O uso medicinal da maconha tem sido admitido em dezenas de países, inclusive nos EUA. Por aqui, o tema segue interditado pela irracionalidade. É evidente que o consumo de maconha pode produzir efeitos danosos. Sabe-se que o abuso pode conduzir o usuário a problemas de concentração e memória e que em determinadas pessoas o uso está correlacionado à precipitação de surtos esquizofrênicos. Daí a criminalizar seu consumo e impedir experiências destinadas ao uso medicinal vai uma distância que tende a ser percorrida pela intolerância e pelo obscurantismo.

O psicofarmacologista Eduardo Carlini sustenta que o princípio ativo da maconha pode ser útil no combate à depressão e ao estresse. O mesmo tem sido dito por cientistas quanto ao tratamento do glaucoma, da rigidez muscular causado pela esclerose múltipla, ou como apoio aos pacientes com Aids, aos que sofrem do mal de Parkinson e aos que se submetem à quimioterapia em casos de câncer. Estudo da USP com pacientes que ingeriram cápsulas de canabidiol, um dos compostos encontrados na erva, demonstrou resultados positivos no tratamento da fobia social e na redução da ansiedade.

As oportunidades abertas por estudos do tipo, entretanto, assim como a necessária pesquisa, estão impugnadas no Brasil por um discurso preconceituoso e por uma legislação ineficiente e estúpida. Seguimos repetindo que a maconha é “a porta de entrada” para o consumo de drogas mais pesadas, o que pode traduzir tão-somente uma “falácia ecológica” (quando se deduz erroneamente a partir de características agregadas de um grupo), vez que o universo de consumidores de maconha é muitas vezes superior ao grupo dos dependentes de drogas pesadas que se iniciaram pela cannabis. Em outras palavras: é possível que a maconha seja mais amplamente uma opção alternativa às drogas pesadas e não uma droga de passagem. Independentemente disto, é possível que a maconha seja uma porta de saída para a dependência química por drogas pesadas. O que, se confirmado, será uma ótima notícia.

marcos@rolim.com.br

*Jornalista

 

Cuidados com os dentesPergunta: Sempre que escovo os dentes, percebo que a minha gengiva sangra muito. O que pode ser isso?

Resposta:
A doença periodontal é uma infecção que destrói os tecidos que suportam os dentes (osso, ligamento periodontal e cemento). Sua principal causa é o acúmulo de placa bacteriana ou biofilme dental. Normalmente, o paciente não sente dor, mas sem tratamento haverá sangramento gengival, formação cada vez mais profunda de bolsas periodontais, mobilidade dentária e, por fim, a perda do dente.

Os fumantes, por exemplo, apresentam maior risco de desenvolver doença periodontal porque apresentam deficiências na resposta imunológica e inflamatória, além de outras alterações que resultam na destruição dos tecidos periodontais. O tratamento se baseia na remoção do acúmulo dessa placa sobre a superfície dental, feita por periodontistas (cirurgiões-dentistas especialistas em doenças gengivais) e na meticulosa higiene diária do paciente (uso de escova dental, escovas especiais, fio dental e enxaguatórios bucais).

SILVIA MARIA ZANELLA * | * Cirurgiã dentista (CRO / RS 10.894)

 

23 de julho de 2010 | N° 16405 ZH

PROMESSA DE CURA

Fígado de cobaias trabalha como rim

Um experimento de manipulação genética fez o fígado de cobaias assumir uma função normalmente exercida pelos rins, ajudando o organismo a produzir hemácias, os glóbulos vermelhos do sangue. A pesquisa, realizada no instituto Howard Hughes, de Boston (EUA), sugere uma nova forma de tratar a anemia de origem renal.

A estratégia usada no estudo foi fazer com que o fígado de animais adultos fabricasse eritropoietina, hormônio que estimula a síntese de hemácias. Normalmente, só os fígados de embriões fabricam essa molécula. A produção é transferida para os rins após o nascimento.

Em doentes renais, o nível de eritropoietina cai, levando à falta de hemácias. Para tentar religar no fígado adulto a função do embrionário, os cientistas estudaram um grupo de substâncias chamadas PHD, que inibem a produção de eritropoietina. A ideia era encontrar alvos para drogas capazes de “inibir o inibidor’’.

Os cientistas alteraram o DNA de camundongos para desligar a produção de variantes de PHD no fígado a fim de descobrir quais delas inibiam a eritropoietina com mais eficácia. Descobriram que é preciso silenciar três variantes da enzima ao mesmo tempo para que o fígado volte a produzir a substância.

Segundo William Kaelin Jr., um dos autores do estudo publicado na revista Science, já existem inibidores de PHD que se mostraram promissores em experimentos em pacientes com doença renal crônica.


Copo de silicone é opção ecofriendly para ‘aqueles dias’

Usado na Europa e Estados Unidos, aparato substitui o absorvente higiênico convencional

13 de julho de 2010 | 17h 15

Carolina Spillari - estadao.com.br

Em lugar dos tradicionais absorventes descartáveis, utilizados pela grande maioria das mulheres no período menstrual, mas que levam cem anos para se decompor na natureza, as europeias e norte-americanas vêm adotando os copinhos de silicone, usados da mesma forma que os absorventes internos. Apesar da maioria das brasileiras ainda mostrar resistência,  alguns especialistas destacam que a solução é limpa e, melhor, não agride o meio ambiente, contribuindo para reduzir o volume de lixo nos aterros sanitários.

 

Paulo Liebert/AE

Especialistas destacam que a solução é mais limpa

"As brasileiras que moram lá fora (no exterior) acabam não usando por uma questão cultural", observa o ginecologista e obstetra do Hospital Albert Einstein, Eduardo Zlotnik. Para o médico, o método é ótimo,  por que você gera menos lixo. "A vantagem do copo é que a mulher pode tirar e lavar", diz ele.

No Brasil, o absorvente convecional é o mais consumido. O copinho causa a mesma surpresa que os absorventes internos, quando surgiram no mercado. As mulheres torcem o nariz. É o que conta a dançarina Patrícia Fox, de 42 anos. "Minhas amigas ficam interessadas, mas desconfiadas." Patrícia diz que qualquer mulher que trabalha fora de casa pode incluir o copo em sua rotina, desde que tenha uma pia para lavá-lo, após esvaziá-lo. Antes de começar a usar o copo, não se sentia bem ao descartar absorventes no lixo. "Quando descobri o copinho me senti muito mais leve", desabafa.

Mas a higiene do método e mesmo a necessidade premente de se evitar a poluição por absorventes higiêncos tradicionais estão longe de ser consenso. A fotógrafa Maíra Gross, 31 anos, usa os absorventes convencionais descartáveis e se diz satisfeita. "Não vejo um absorvente reutilizável como algo higiênico", diz. Para Maíra, antes do absorvente ser considerado como algo a ser reciclado, os lixos mais comuns - como o orgânico doméstico e os recicláveis, como papel e vidro - devem ser prioridade. E alfineta: "O uso de fraldas descartáveis deveria ser analisado  antes."

No tempo da vovó

Há ainda quem defenda a volta dos paninhos, uma controvérsia tão grande como os reutilizáveis de silicone. Formada em medicina natural há cinco anos, Maíra Salomão alterna os panos com o copo interno. "É extremamente higiênico e muito mais prático para as mulheres que tem uma rotina intensa". Segundo Maíra, o copo tem o formato do cólo e se adapta melhor ao útero, diferente dos absorventes internos.

As marcas mais comuns usadas pelas americanas e europeias são o Mooncup (http://www.mooncup.co.uk/languages/pt/compre-o-agora/Brasil.html ), o DivaCup (http://www.divacup.com/), The Moon Keeper (http://www.keeper.com/), Fleurcup (http://fleurcup.com), Femmecup (http://www.femmecup.com), Ladycup (http://www.ladycup.eu/), Lunette (www.lunette.fi/pt/). 

O médico Eduardo Zlotnik lembra que o uso de reutilizáveis é uma boa opção quando componentes dos absorventes descartáveis causam alergia. "É um detalhe que faz com que a gente peça para a paciente mudar de marca", acrescenta, lembrando que, nas classes de menor poder aquisitivo, isso não é possível. "Em classes menos favorecidas economicamente, a gente encontra muitas mulheres usando paninho. Não é barato para quem ganha um salário mínimo, e tem que sustentar uma família, gastar mais cinco reais por mês em absorvente", explica o ginecologista. 
 

Para a fotógrafa Maíra Gross a volta ao pano talvez não seja a melhor solução. "Haveria mais consumo de água, o que não seria bom. Precisamos de uma solução mais abrangente", conclui.

 


Vitamina D pode diminuir risco de mal de Parkinson

Segundo estudo finlandês, o nutriente exerce um efeito protetor no cérebro

13 de julho de 2010 | 16h 50

Agência Fapesp

SÃO PAULO - Um novo estudo indicou que pessoas com níveis elevados de vitamina D podem ter menor risco de desenvolver doença de Parkinson. O trabalho foi publicado na edição de julho dos Archives of Neurology.

O papel da vitamina D na saúde óssea é conhecido, mas estudos anteriores apontaram a relação também com problemas como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer.

Paul Knekt, do Instituto Nacional para Saúde e Bem-Estar da Finlândia, e colegas acompanharam 3.173 homens e mulheres com idades entre 50 e 79 anos e que não tinham diagnóstico de Parkinson no início do estudo, entre 1978 e 1980.

Os participantes completaram questionários e foram submetidos a entrevistas sobre aspectos de saúde e socioeconômicos. Também foram examinados e forneceram amostras de sangue para análise.

Em um período de 29 anos, até 2007, os pesquisadores observaram que 50 dos participantes desenvolveram a doença de Parkinson. Após serem feitos os ajustes para fatores potencialmente relacionados (como atividade física e índice de massa corporal), os indivíduos no grupo com níveis mais elevados da vitamina D apresentaram 67% menos risco de desenvolver a doença do que o grupo com menores níveis. Os participantes haviam sido divididos em quatro grupos com relação aos níveis da vitamina.

“Apesar dos níveis baixos de vitamina D em geral na população estudada, uma relação de dose e resposta foi encontrada. O estudo foi conduzido na Finlândia, onde há exposição restrita à luz solar e, portanto, tem como base uma população com níveis continuamente baixos da vitamina”, disse Knekt.

“De fato, o nível médio da vitamina D na população estudada é cerca da metade do nível considerado ideal, de 75 a 80 nanomoles por litro. Os resultados do estudo são consistentes com a hipótese de que uma deficiência crônica de vitamina D é um fator de risco para Parkinson”, destacou.

Segundo os pesquisadores, os mecanismos pelos quais os níveis da vitamina podem afetar o desenvolvimento da doença são desconhecidos, mas o nutriente exerce um efeito protetor no cérebro por meio de atividades antioxidantes, da regulação de níveis de cálcio, da desintoxicação, da modulação do sistema imunológico e da melhoria na condução de eletricidade nos neurônios. “O estudo reúne os primeiros dados promissores em humanos que sugerem que um estado inadequado de vitamina D está associado com o risco de desenvolver Parkinson, mas outras pesquisas são necessárias, tanto básicas como clínicas, para elucidar o papel, mecanismos e concentrações exatas”, disse Marian Leslie Evatt, da Universidade Emory, nos Estados Unidos, em editorial na revista sobre o estudo.

Crianças cegas e com baixa visão têm acesso a literatura infanto-juvenil

Produtora lança em Araras (SP) dois primeiros títulos de coleção voltada para deficientes visuais

01 de julho de 2010 | 18h 25

estadão.com.br

SÃO PAULO - Com a proposta de incluir crianças com deficiência visual (cegas ou de baixa visão) no criativo e rico universo da literatura, a produtora cultural Silvia Maria Track, com o patrocínio da Fundação Nestlé Brasil, lança em Araras (SP) nesta quinta-feira, 1º, os dois primeiros títulos da Coleção Edelweiss (Brisa-Brilho e Mãe da Vida), pioneiros no atendimento do público infanto-juvenil com deficiência visual no País.

A tiragem inicial de 6 mil exemplares será distribuída para escolas da rede pública de Araras e para a Pró Visão (Sociedade Campineira de Atendimento ao Deficiente Visual), entidade que orientou a edição das publicações sobre a adequação dos textos e das ilustrações para que as histórias possam ser lidas pelas crianças com deficiência.

Para adaptar as obras às técnicas que permitirão a leitura pelas crianças com baixa visão, a produtora cultural Silvia Track, co-autora dos livros, seguiu as orientações sobre o tipo e tamanho das letras, contraste de cores e contornos bem demarcados nas imagens.

Para também atender as crianças cegas, metade dos exemplares foi transcrita e impressa em Braille e será doada à Pró Visão para redistribuição às bibliotecas de entidades afins em todo o Brasil.

As ilustrações são assinadas pelo desenhista Paulo Branco e a distribuição dos livros está sob a responsabilidade da Associação para Estudos e Projetos em Esportes, Cultura e Meio Ambiente (Edelweiss).

Deficiência visual no Brasil

De acordo com o Censo do IBGE de 2000, dos 24,5 milhões de brasileiros com deficiência, 16,5 milhões (67%) são deficientes visuais (baixa visão ou cegos). Destes, 32% (5,2 milhões) são crianças. Apenas no Estado de São Paulo, são 2,6 milhões de pessoas com deficiência visual.

De acordo com a presidente da Pró Visão, Maria Cristina Camargo, até hoje os poucos livros destinados às crianças com baixa visão trazem, erroneamente, letras grandes, sem considerar que doenças como o glaucoma, por exemplo, tornam a visão tubular e a ampliação das palavras apenas fará com que o texto saia do campo ocular. "Esse projeto é o primeiro adequado a elas", afirma.

As histórias

Em Brisa-Brilho, Kathia Vieira usa o nascimento de uma brisa para mostrar o quanto devemos valorizar a nós mesmos e os conhecimentos que adquirimos. Já Suzana Montauriol trata, em Mãe da Vida, de temas sobre a diversidade cultural, ambiental e filosófica e usa textos poéticos e lendas para falar de autoestima, cidadania e percepção do outro.

"Livros sobre temas ambientais ajudam também nossas crianças a ingressar no universo da preservação, já que a baixa visão as impede de ter acesso aos apelos visuais da sustentabilidade, como matas, borboletas e araras. Elas ouvem as falas, mas não podem ver as belezas das fotos e imagens na TV. Por meio das ilustrações adequadas no livro, elas passam a ter uma ideia melhor da beleza da natureza", diz Cristina



 RS registra 20 casos e 9 mortes por meningite em 2010

Contudo, secretaria ressalta um decréscimo no número de casos em relação aos anos anteriores

01 de julho de 2010 | 15h 04

Fabiana Marchezi, do estadão.com.br

SÃO PAULO - Nove pessoas morreram em decorrência de meningite entre janeiro e junho deste ano no Rio Grande do Sul. A última morte foi registrada na semana passada, no município de Santa Maria. A vítima era uma adolescente de 17 anos.

De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, ao todo foram registrados 20 casos no Estado em 2010, de diferentes formas da doença. As nove mortes ocorreram nas cidades de Canoas, Jaguarão, Pelotas, Porto Alegre, Restinga Seca, Santa Maria, Tramandaí, Viamão.

Todos os óbitos foram decorrentes da forma mais grave da meningite: a meningocócica. Os outros 11 doentes se recuperaram.

Contudo, a secretaria ressalta um decréscimo significativo no número de casos em relação ao mesmo período de anos anteriores. A incidência vem diminuindo gradativamente: em 2007, foram registrados 111 casos; no ano seguinte, 105; e em 2009, 75.


Austrália estuda pele artificial para reabilitação completa de queimaduras

Tecido sintético terá nervos, vasos sanguíneos, glândulas de suor e folículos

15 de junho de 2010 | 4h 06

Efe

SYDNEY, AUSTRÁLIA - Cientistas australianos desenvolvem um tipo de pele artificial que permitirá a reabilitação completa das vítimas de queimaduras, segundo informou uma fundação de Sydney.

O professor Peter Maitz explicou através da agência australiana AAP que o grande avanço do projeto é que a pele artificial, de 1,5 centímetros de espessura, permite a regeneração integral do tecido e de suas funções sensoriais.

Neste momento, os enxertos de pele artificial feitos em laboratório só têm um milímetro.

Os cientistas australianos estão desenvolvendo um tipo de tecido sintético com nervos, vasos sanguíneos, glândulas de suor e folículos.

Desta maneira, a chamada pele artificial em três dimensões inclui a derme e a epiderme, as camadas exterior e média da pele.

A pele artificial ainda está em fase de desenvolvimento, e os investigadores australianos estimam que poderão realizar os primeiros enxertos dentro de dez anos.

Criado com células-tronco recolhidas da pele sadia do próprio paciente, o tecido poderá regular e controlar a temperatura, o suor e o tato, funções que as peles artificiais feitas na atualidade não conseguem.

Estudo vê ligação entre câncer e uso de remédio para o coração

Usuários de remédio para problemas cardíacos e pressão alta têm maior chance de terem câncer

14 de junho de 2010 | 19h 16

BBC Brasil



LONDRES -

Um estudo feito nos Estados Unidos sugere que os usuários de um tipo de remédio comumente destinado para tratar problemas cardíacos e pressão alta têm uma possibilidade um pouco maior de desenvolver câncer.

No levantamento, divulgado na última edição da publicação científica The Lancet Oncology, os cientistas do University Hospitals Case Medical Center, na cidade de Cleveland, fizeram um cruzamento de informações de estudos sobre casos de câncer de pulmão, próstata e mama de 68 mil pacientes. Também analisaram informações sobre novos diagnósticos de câncer em 61 mil pessoas e registros de mortes por câncer de outros 93 mil.

Eles concluíram que, entre os pacientes que tomavam uma classe de medicamentos conhecida como bloqueadores dos receptores de angiotensina, a probabilidade de desenvolver câncer chegou a 7,2%, enquanto que em pacientes que não tomaram esses remédios a possibilidade foi calculada em 6%.

Quando investigaram mais a fundo que tipos específicos de tumores estariam associados ao medicamento, verificaram uma predominância maior de casos de câncer de pulmão.

Câncer

Os bloqueadores dos receptores de angiotensina são recomendados principalmente para condições como pressão alta e insuficiência cardíaca.

Em 2003, testes com um remédio desse tipo revelaram um aumento nos riscos de morte por câncer, mas não ficou claro no período se o resultado era significativo ou não.

Não está claro por que bloqueadores dos receptores de angiotensina aumentariam os riscos de câncer, mas alguns estudos com animais indicam que talvez haja uma associação entre a droga e o crescimento de vasos sanguíneos em tumores.

Embora o aumento constatado seja modesto, o cientista responsável pelo estudo, Ilke Sipahi, disse que, como as drogas são usadas em grande escala, existe um potencial de muitos casos adicionais de câncer.

Com base nos resultados, os cientistas responsáveis pelo estudo pedem aos órgãos responsáveis pela regulamentação do uso de remédios que realizem novas investigações para analisar a relação entre o medicamento e o câncer.

Eles recomendam, porém, que os pacientes não deixem de tomar a droga. Em caso de preocupação, devem procurar um médico.

Tim Chico, vice-diretor da NIHR Cardiovascular Biomedical Research Unit da University of Sheffield, no Reino Unido, disse que o estudo não provou a existência de um vínculo definitivo entre o câncer e a droga. Ele enfatizou que medicamentos que baixam a pressão salvam vidas.

16 de junho de 2010 | N° 16368 ZH

EFEITO INVERSO

Antibióticos diminuem resistência

O que seria um gesto para melhorar a saúde das populações pode produzir um efeito inverso. Os esforços dos países desenvolvidos para melhorar a saúde nos países pobres por meio do fornecimento de cada vez mais tratamentos contra doenças infecciosas acelerará a resistência dos micróbios aos antibióticos, revela um relatório publicado ontem.

Durante os últimos anos, as organizações governamentais desenvolvidas do mundo e os grupos privados de ajuda se mobilizaram para permitir que os países pobres tivessem acesso a tratamentos contra a malária, o vírus da aids ou ainda a tuberculose, destacou o estudo do Centro para o Desenvolvimento Global, uma organização não governamental situada em Washington (EUA).

A distribuição abundante de tratamentos certamente salvou inúmeras vidas, mas também influenciou na crescente resistência a doenças infecciosas, o que poderia ter sido evitado com um controle maior, acrescentaram.

– A resistência aos antibióticos é um fenômeno natural, mas que não é levado a sério no momento da distribuição e da utilização dos medicamentos, acelerando o processo – lamentou Rachel Nugent, presidente do grupo de trabalho que preparou o relatório.

 

09 de maio de 2010 | N° 16330 ZH

CAPAPerigos alimentares

- Não pode engolir chiclete.

Mito

A ideia, como lembra o pediatra José Paulo Ferreira, era que chiclete “trancava nas tripas”. Médicos garantem que nada acontece, afinal, o chiclete é uma goma sintética e vai desaparecer pelas vias naturais assim como qualquer outra comida.

- Não misture leite com melancia ou manga.

Mito

Era sempre um pavor imaginar essa mistura. Mas é apenas folclore, garantem os médicos.

- Não coma bolo quente porque pode dar dor de barriga.

Mito

Bolo quente é bom e não dá nada. Esse bordão pode ter surgido em famílias grandes como forma de amedrontar as crianças que queriam beliscar a comida antes da hora. A ordem era: espere todos sentarem à mesa e então comece a comer.

- Não pode mergulhar nem tomar banho depois de comer. Pode dar congestão.

Faz sentido, mas com ressalvas.

Neste caso, há lógica para quem abusou da bebida alcóolica e da comida. Quando essa mistura cai no estômago, a digestão fica mais difícil e o sangue se concentra no aparelho digestivo. Então, se a pessoa entra na água gelada, como explicam os médicos, o sangue vai para a periferia da pele para aquecer a pele. E aí, já viu... a digestão fica mais difícil ainda.

09 de maio de 2010 | N° 16330 ZH

CAPA

Doença à vista- Não pise no chão gelado porque pega friagem

- Não durma com o cabelo molhado porque pode ficar gripado.

Verdade, mas com ressalvas.

Há um pouco de razão neste conselho. Ao pisar descalço no chão, há uma mudança na temperatura corporal. Com isso, a criança fica mais suscetível a quadros virais e a desencadear um quadro alérgico. O mesmo ocorre quando alguém dorme com o cabelo molhado:

– A cama, a camiseta, o cabelo ficam úmidos, e essa umidade esfria. Mas não é porque dormiu com o cabelo molhado que automaticamente vai pegar gripe – diz Ferreira.

E o pediatra ainda brinca:

– Não pode nem fazer muita propaganda de que isso não é tão mito, senão as pessoas vão parar de tomar banho de noite.


de maio de 2010 | N° 16330 ZH

CAPA

Ranking dos conselhos

Perguntamos aos leitores do Donna Online: qual das frases clássicas abaixo a sua mãe sempre fala? Confira as mais votadas.

“Não pise no chão gelado porque pega friagem.” – 21,55%

“Olhe os modos!” – 19,89%

“Não pode pisar no chão descalça, se não vai ter cólica.” – 9,94%

“Não pode mergulhar/tomar banho depois de comer senão vai dar congestão.” – 9,39%

“Não durma com o cabelo molhado porque acorda com gripe.” – 8,29%

“Não lave o cabelo se estiver menstruada.” – 8,29%

“Não leia no escuro para não estragar as vistas.” – 7,18%

“Não coma o bolo quente que dá dor de barriga.” – 5,52%

“Isso não é coisa de menina de família fazer.” – 3,87%

“Não se deve tomar sopa e beber algo gelado ao mesmo tempo.” – 2,76%

“Combinar melancia/manga e leite faz mal” e “Não pise no chão gelado depois de tomar banho senão entorta a boca” – 1.1%

“Não revire os olhos! Se bater um vento, vai ficar vesgo.” e “Não pode engolir chiclete.” – 0,55% segue

Perguntamos aos leitores do Donna Online: qual das frases clássicas abaixo a sua mãe sempre fala? Confira as mais votadas.

“Não pise no chão gelado porque pega friagem.” – 21,55%

“Olhe os modos!” – 19,89%

“Não pode pisar no chão descalça, se não vai ter cólica.” – 9,94%

“Não pode mergulhar/tomar banho depois de comer senão vai dar congestão.” – 9,39%

“Não durma com o cabelo molhado porque acorda com gripe.” – 8,29%

“Não lave o cabelo se estiver menstruada.” – 8,29%

“Não leia no escuro para não estragar as vistas.” – 7,18%

“Não coma o bolo quente que dá dor de barriga.” – 5,52%

“Isso não é coisa de menina de família fazer.” – 3,87%

“Não se deve tomar sopa e beber algo gelado ao mesmo tempo.” – 2,76%

“Combinar melancia/manga e leite faz mal” e “Não pise no chão gelado depois de tomar banho senão entorta a boca” – 1.1%

“Não revire os olhos! Se bater um vento, vai ficar vesgo.” e “Não pode engolir chiclete.” – 0,55% segue


09 de maio de 2010 | N° 16330 ZH

CAPA5

As meninas e a menstruação

A primeira menstruação sinaliza: a menina está virando mulher. Mas não é só isso. Também é a senha para as mães repetirem vezes sem conta os conselhos anticólica.

- Se pisar no chão gelado, pode ter cólica.

Verdade, mas com ressalvas

Apesar de inúmeras meninas e mulheres garantirem que essa faz sentido, o pediatra José Paulo Ferreira e a ginecologista Liliane Diefenthaler Herter afirmam que essa relação é infundada. Está relacionada, no entanto, à imunidade da paciente, já que pisar no chão gelado baixa a temperatura corporal. Assim, pode piorar algum sintoma já existente, como a cólica menstrual.

– Isso só é válido para pacientes mais suscetíveis, não para todas – atenta Liliane.

Mas o contrário funciona. Colocar bolsa de água quente na barriga alivia, sim, os sintomas da cólica, porque relaxa a musculatura.

- Não lave o cabelo se estiver menstruada.

Mito.

Vale o depoimento de Ferreira:

– Antigamente, a coitada da mulher ficava sem lavar o cabelo quando estava menstruada e até por 40 dias depois de dar à luz um bebê. Diziam que ia dar um treco.

Esse hábito surgiu numa época em que a menstruação era vista como uma doença e quando o puerpério, período em que a mulher ficava resguardada após o parto, era encarado como uma quarentena em que as mães ficavam até sem tomar banho, como relata Ferreira:

– Até hoje as mulheres dizem “Doutor, não tomei banho, não saí de casa, não peguei luz”. Eu digo que se ficar em casa pega até mofo.



GRANDES AVANÇOS

O futuro em teste

Há uma revolução em curso na área de diagnósticos de doenças. Graças às descobertas do Projeto Genoma Humano, concluído em 2003, a medicina entra em uma nova era. Os avanços permitem às pessoas fazer exames genéticos para verificar a propensão a determinadas doenças, que passam a ser tratadas de forma antecipada. A novidadade é o acesso cada vez mais facilitado a esse tipo de serviço. Hoje já é possível fazer o teste do futuro até pelo correio e por valores que, embora ainda elevados, despencam com a rapidez das novas tecnologias médicas.

Em outra ponta, surgem as terapias personalizadas. A indústria farmacêutica passa a utilizar o conhecimento genético para desenvolver medicamentos direcionados para subtipos de doenças que acometem grupos específicos de pacientes. Esse tratamento mais individualizado ainda é incipiente, mas ajuda a projetar o futuro da medicina.

 
01 de maio de 2010 | N° 16322 ZH

PESQUISAS MÉDICAS

Fique de olho

Por ano, o Brasil registra pelo menos 150 mil acidentes envolvendo a região ocular

Não existem estudos ou estatísticas que apontem com exatidão o número de adultos e crianças vítimas de acidentes oculares no Brasil. Os especialistas, porém, são unânimes: eles ocorrem com muita frequência. O descuido, seja no ambiente de trabalho, durante o lazer ou mesmo dentro de casa, pode ter desfechos dramáticos. Os danos nem sempre são reversíveis, apesar dos grandes avanços na área da oftalmologia.

Ferimentos provocados por produtos de limpeza doméstica, perfuração por objetos ou estilhaços, além de queimaduras decorrentes do contato com substâncias químicas ou fontes de calor, são as ocorrências mais comuns. Levantamento parcial do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) demonstra que os acidentes oculares contabilizam mais de 150 mil casos por ano. Esse é o montante notificado, mas como a maioria das ocorrências não é registrada, médicos do CBO calculam que a quantidade real ultrapasse muito essa estimativa.

Eles alertam também que a maior parte dos acidentes poderia ser evitada. O oftalmologista Jonathan Lake pondera que a água sanitária e os produtos de limpeza são responsáveis pela maioria das lesões oculares ocorridas em casa. Os adultos menosprezam o perigo ao manusearem as substâncias – e as crianças são atraídas por embalagens coloridas.

Nas duas situações, um respingo no globo ocular é suficiente para danificar a visão. O médico lembra que, nos olhos, qualquer ferimento é mais delicado para tratar.

– Quando a pele é queimada ou ferida, a pessoa fica, geralmente, com uma marca que não causa impacto funcional. Nos olhos, as cicatrizes podem comprometer a acuidade visual – especifica Lake.

Mesmo lesões aparentemente superficiais são capazes de prejudicar a visão permanentemente. Queimaduras provocadas por substâncias químicas são mais traiçoeiras do que aquelas causadas por fontes térmicas.

– Se o produto químico não for removido o mais rápido possível, continua penetrando nos olhos, gerando reações inflamatórias e até perfurando os tecidos oculares – alerta.

O risco pode vir até da água. O médico conta que atendeu uma criança que brincava com um compressor. O olho foi atingido com um jato d’água e o cristalino acabou comprometido. O trauma gerou uma inflamação intensa.

Na lavagem do banheiro de casa, gotas de água sanitária respingaram nos olhos da auxiliar administrativa Gabriela Pires Pacelli, 22 anos. Ela lavou o local com água, mas resistiu a procurar um médico.

– Fui ao oftalmologista sete horas depois do acidente. Ardia muito, e a minha reação foi de esfregar o local com as mãos. Tive sorte de que a substância estava diluída em água, o que amenizou os danos – conta.

 

01 de maio de 2010 | N° 16322 ZH

NOVOS AVANÇOS

Medicamentos se tornam personalizados

Identificar a dose correta para o paciente é uma das aplicações práticas de um conceito mais amplo desenvolvido a partir das descobertas genéticas: a medicina personalizada. Há pelo menos dois caminhos em evolução: desenvolver testes que determinem a reação de medicamentos existentes nos diferentes tipos de pacientes e apontar biomarcadores para produzir drogas para subtipos de doenças.

Essa área de pesquisa começou ainda na década de 50, mas recebeu pouca atenção. A indústria estava focada em encontrar o medicamento mais eficiente para determinada doença, não para pacientes. Hoje, as novas terapias começam a funcionar com remédios produzidos para um grupo acometido pela mesma doença. Os resultados de pesquisas baseadas em subtipos de pessoas podem substituir o modelo de um medicamento para todos – um foco mais generalista – pelo de um medicamento para cada grupo de pacientes – um foco mais específico.

Essa nova forma de medicar promete a redução do sofrimento dos pacientes com efeitos colaterais e de equívocos em tratamentos. Pesquisas mostram que um medicamento pode não ser eficiente para até 75% dos pacientes. Esse resultado coloca a indústria farmacêutica no papel do paciente que busca no consultório médico uma cura para sua deficiência. Nos Estados Unidos, o número de óbitos por reações adversas chega a 100 mil pacientes por ano.

Para estancar essa ferida aberta na medicina, muitos medicamentos, especialmente para câncer, chegam ao mercado com a exigência de um teste de diagnóstico que atestará ao médico se o paciente tem o conjunto genético correto para responder ao tratamento.

O biólogo brasileiro Everton Nogoceke, que mora na Suíça, trabalha hoje com o desenvolvimento de terapias inovadoras que consideram as diferenças biológicas entre os pacientes. Esses estudos partem da definição de biomarcadores.

O mais conhecido deles é o gene receptor HeR-2, descoberto nos anos 1980. Entre 20% e 30% das mulheres com câncer de mama têm o receptor nas células cancerígenas. O anticorpo trastuzumab, chamado no mercado de Herceptin, foi desenvolvido para combater o HeR-2 especificamente nestes pacientes identificados. O resultado foi uma redução na proliferação das células cancerígenas na maioria das pacientes.

01 de maio de 2010 | N° 16322 ZH

NOVOS AVANÇOS

Aliado extra no tratamento do câncer

Além da mente preparada para encarar o tratamento, a aposentada Iria Stertz, 52 anos, conta com um aliado extra na luta contra o câncer de mama descoberto em setembro do ano passado em um exame de rotina. Com a identificação de que tem o gene receptor HeR-2 nas células cancerígenas, ela recebe um medicamento produzido exclusivamente para pessoas com essa característica. O resultado esperado pelos médicos e comprovado pela paciente é a redução dos efeitos colaterais com o anticorpo trastuzumab, chamado no mercado de Herceptin.

No início do tratamento, em outubro, Iria removeu o tumor. Um mês depois, iniciou a quimioterapia com um grupo de medicamentos, incluindo o Herceptin. A aposentada teve momentos de falta de energia e dor no corpo, mas o mal-estar desapareceu quando o tratamento seguiu apenas com o Herceptin.

– Pelo que eu havia lido, achei que seriam bem piores os efeitos colaterais. Mas o importante é ter boa saúde para ter uma resposta orgânica melhor ao tratamento – afirma a gaúcha de Venâncio Aires, que vive em Florianópolis desde 1983.

Paralelamente às doses do remédio, a aposentada faz sessões de radioterapia no Hospital Moinhos de Vento, na Capital. O tratamento realizado em território gaúcho é completamente diverso do sugerido na primeira indicação médica, recebida em Santa Catarina. Na cidade onde mora, Iria ouviu do médico a sugestão de retirar a mama para conter o câncer. Apavorada com a alternativa apresentada, decidiu pedir uma segunda opinião, que a levou à terapia atual, bem menos agressiva.

 

01 de maio de 2010 | N° 16322 ZH

VOCÊ FAZ O VIDA

Reaprenda a viver

A RPG é uma técnica que se dedica a ensinar novamente as pessoas a se posicionar de forma correta, a se sentar e até a respirar adequadamente

Dor, fisgada, queimação. As denominações para os desconfortos que acometem músculos, ossos e articulações são variáveis, Quem nunca se queixou ou sofreu com dores no sistema músculo-esquelético? Quando não é decorrente de acidentes ou de processos degenerativos, a dor sinaliza que a postura está alterada. E é ela, a postura, o foco da reeducação postural global, técnica da fisioterapia desenvolvida na França há três décadas, a conhecida RPG. O método corrige lesões e deformações do corpo, além de ensinar o paciente a se posicionar de forma correta, curando lesões e proporcionando equilíbrio.

As tensões da vida contemporânea e a falta de movimentação corporal têm transformado o homem em um ser sentado e curvado. É o que acredita o fisioterapeuta Oldack Borges de Barros. Ele explica que, diferentemente da fisioterapia tradicional, a RPG não trata apenas o local lesionado.

– Nossos músculos estão interligados em cadeias que interferem umas nas outras. Na RPG, tratamos a causa do problema, não só o sintoma. Avaliamos o paciente a partir do local da queixa, mas distinguimos os mecanismos de compensação que desencadeiam a dor – diz o fisioterapeuta, presidente da Sociedade Brasileira de RPG.

A RPG pode trabalhar todos os problemas atendidos pela fisioterapia, com a vantagem de ser um tratamento global voltado para as limitações individuais de cada paciente. Isso porque, segundo Oldack, ninguém sofre de forma igual, ainda que a região do corpo comprometida seja a mesma. Desvios na coluna, pés chatos, males dos joelhos, hérnias de disco, mazelas decorrentes de alterações neurológicas, tendinites, doenças causadas por esforço repetitivo e contusões sofridas por esportistas são todos exemplos de transtornos abordados pela técnica.

No primeiro encontro, são avaliadas sete zonas do corpo para identificar a causa da dor e da alteração postural.

– Examinamos a cervical, a lombar, o quadril, os joelhos, os pés e os ombros, além de verificar o fluxo da respiração do indivíduo, detalhe que compromete radicalmente o equilíbrio postural da pessoa. O homem desaprendeu a respirar e passa a maior parte do tempo sentado de forma incorreta. Esses fatores passam desapercebidos até surgirem as dores e os desequilíbrios – enfatiza.

Problemas tratáveis

ORTOPÉDICOS

Escoliose, cifose e lordose, dores na coluna cervical e dorsal, pés planos e cavos, joelhos valgos (para fora) ou varos (para dentro), doenças ocupacionais relacionadas ao trabalho (Dort)

NEUROLÓGICOS

Hérnia de disco, labirintite

REUMATOLÓGICOS

Fibromialgia, síndrome miofascial, artrite, artrose, tendinite, bursite

RESPIRATÓRIOS

Asma, bronquite

SOMÁTICOS

Estresse, distúrbios circulatórios e digestivos

OCULARES

Estrabismo

 

01 de maio de 2010 | N° 16322 ZH

VOCÊ FAZ O VIDA

Como é feita a terapia

Depois da avaliação, o fisioterapeuta traça o planejamento da terapia, que contempla atividades para eliminar as dores e corrigir a postura. Os profissionais lançam mão de oito exercícios, que fortalecem os músculos dinâmicos, responsáveis pela movimentação corporal, e alongam os estáticos, encarregados de manter o corpo em pé. Na sessão de RPG, que dura no mínimo uma hora, são trabalhadas posturas – movimentos lentos, graduais e progressivos no paciente.

– O objetivo é alongar e descomprimir o corpo, permitindo que os músculos voltem para as posições fisiologicamente corretas – observa a fisioterapeuta Priscila Jacarandá Moreira.

Dayver Clavo Medeiros Veiga, 16 anos, sofre com uma escoliose.

– Sentia dores na região peitoral. Cheguei a consultar um cardiologista, imaginando que estivesse com um problema cardíaco. Tomei remédios sem necessidade até começar a RPG. Gostava de malhar e precisei parar, pois o peso agrava o desvio da coluna. A dor altera nossa vida – conta.

Dayver passou por seis sessões de RPG e já sente a diferença:

– Meu corpo estava travado. Na terapia, aprendi a equilibrá-lo de maneira adequada e consigo respirar melhor. Praticamente não sinto mais dor.

 

01 de maio de 2010 | N° 16322 ZH

POR AÍ

Irritação infantil

O Programa de Crianças e Adolescentes Bipolares do Hospital de Clínicas de Porto Alegre seleciona 20 crianças e adolescentes de sete a 17 anos com sintomas de irritabilidade acentuada e/ou “crises de birra” e que não estejam em tratamento para ingresso em um projeto de pesquisa.

Contatos pelo telefone: (51) 3359-8094 ou pelo e-mail cfpaim@hcpa.ufrgs.br.

01 de maio de 2010 | N° 16322AlertaVoltar para a edição de hojePOR AÍRisco cardiovascular

O Hospital de Clínicas recruta voluntários para estudo. Serão inscritos homens a partir de 55 anos e mulheres a partir de 65, com pelo menos um fator de risco, como excesso de peso, histórico de tabagismo, baixo HD,L nível alto de açúcar no sangue, doença renal ou história de doença cardíaca na família. Informações: (51) 3359-6322 e 9787-8657 ou hope_hcpa@yahoo.com.br.

01 de maio de 2010 | N° 16322AlertaVoltar para a edição de hojePOR AÍSíndrome de Down

Familiares, profissionais da saúde, educadores e demais interessados contam, desde abril, com um grupo de discussão voltado a debater e trocar informações sobre a síndrome de Down e assuntos relacionados. A iniciativa é de um grupo de pais vinculados à Associação dos Familiares e Amigos do Down – Afad de Porto Alegre. Informações podem ser obtidas em http://br.groups.yahoo.com/group/rs–down/.



01 de maio de 2010 | N° 16322 ZH

NUTRIÇÃO

Viva sem sal

Excesso do tempero tem efeitos maléficos, podendo provocar problemas cardíacos graves

Tudo parecia estar bem. Os níveis de colesterol se mantinham dentro do normal, a saúde não dava sinais de problemas e a vida seguia sem sobressaltos. Seguia. Até que um infarto chegou de repente e pegou Antônio Grecca, 60 anos, de surpresa. Como um susto desses pode atingir uma pessoa saudável? A explicação pode estar em um inocente gesto comum a qualquer brasileiro: colocar pitadas de sal na comida. O tempero em excesso dentro do organismo tem efeitos maléficos e aumenta a pressão sanguínea, podendo provocar doenças cardíacas graves.

– Não tinha histórico da doença, nem sabia que era hipertenso. Acredito que o ingestão de sal foi um fator determinante que resultou no infarto – diz Grecca.

Agora, dedica-se a exercícios físicos, redobrou a atenção com a alimentação e, claro, reduziu bastante a quantidade de sal. O novo comportamento de vida não deve ser seguido apenas por Grecca, mas por qualquer pessoa, saudável ou não. Uma pesquisa americana recente, publicada no New England Journal of Medicine, mostrou que uma pequena alteração no hábito alimentar pode evitar milhares de mortes. Segundo o estudo, o corte de meia colherzinha de chá de sal por dia evitaria até 92 mil mortes por ano nos Estados Unidos.

A pesquisa é relevante também para o Brasil. Por aqui, o consumo do tempero é bem acima do recomendável. Em média, o brasileiro ingere diariamente 12 gramas de sal, quando ideal é, no máximo, metade dessa quantidade.

– Sabemos que é um veneno para a pressão arterial. É pior que o estresse, o esforço, o frio – afirma Jorge Ilha Guimarães, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

De acordo com o presidente, a redução no sal precisa ser encarada como uma atitude inadiável. No Brasil, são registradas mais de 300 mil mortes por ano como resultado de eventos cardíacos. Se o consumo for reduzido, o número de vidas perdidas também seria significativo.

Só que para frear o consumo do tempero na alimentação, os especialista esbarram em um desafio gigante: a mudança de hábito.

– Mudar o estilo de vida é uma das maiores encrencas que enfrentamos, mas precisamos iniciar essa luta logo. O problema do sal é uma questão epidemiológica – acredita Pedro Pimentel Filho, cardiologista do Hospital Conceição.

O que provoca

> O verdadeiro vilão da pressão arterial é um componente que está dentro do sal: o sódio.

> Quando ingerido em excesso, pelo consumo de sal, o nutriente lesiona os rins e impede que esses órgãos eliminem o excesso de água no organismo.

> Com mais mais água circulando, a quantidade de sangue no organismo fica maior do que o volume ideal.

> Quando o volume de sangue aumenta muito, o coração precisa fazer mais força para bombeá-lo, ou seja, provoca o aumento da pressão arterial.



01 de maio de 2010 | N° 16322 ZH

NUTRIÇÃO

Leia o rótulo dos produtos

Livrar-se do consumo exagerado do sal é uma missão árdua. A dificuldade ocorre porque o tempero não é encontrado apenas na forma clássica de pó branco, como estamos acostumados. Na verdade, o sal costuma ficar escondido em muitos outros alimentos.

– Ele está escondido até onde não nos damos conta, como em pães, produtos congelados e bolachas – ressalta a nutricionista Júlia Dubin.

Uma boa dica é olhar com atenção o rótulo dos produtos. Lá, é especificada a porcentagem de sódio presente naquele alimento em relação ao consumo diário ideal por pessoa. Por exemplo, o rótulo de um pão pode mostrar que cada fatia tem 7% da quantia de sódio recomendada. Se você ingerir quatro fatias por dia, irá consumir quase 30% do total de sódio diário somente em pães.

Mesmo descobrindo que boa parte do sódio está camuflada nos alimentos, não se pode deixar de redobrar atenção às pitadas adicionadas na comida caseira. Deixar o saleiro em cima da mesa, por exemplo, é considerado um pecado capital pelos cardiologista.

– Uma boa alternativa é não salgar a comida durante o preparo, apenas temperá-la quando já está pronta, na mesa. A pessoa sente mais o gosto salgado usando menos sal – diz o cardiologista Pedro Pimentel Filho.

Outra alternativa é mudar de tempero. Em vez do sal, utilize pimentas naturais, orégano, salsinha e curry.

Os vilões em sua alimentação

> Temperos prontos: vendidos nos supermercados, esses produtos têm na composição temperos diferentes, entre eles, o sal. Às vezes, uma única porção faz o consumidor ingerir mais sódio do que o recomendado por dia.

> Mostarda e molhos para salada: fortes e com gosto saliente, recebem grandes quantidades de sódio.

> Congelados: para dar sabor a pizzas, hambúrgueres e nuggets, as indústrias não poupam pitadas de sal. Poucas porções de congelados ultrapassam a quantia diária de sódio recomendada.

> Pão doce: apesar do nome fazer referência ao açúcar, o sódio não deixa de estar presente.

> Churrasco: mesmo batendo o sal grosso após assar, a carne se mantém muito salgada e o consumo em excesso pode prejudicar a pressão arterial.

> Embutidos: linguiças e salsichas figuram entre os principais vilões da saúde. A quantidade de sódio é enorme.

 
Os tipos

> Fino: esse tipo de sal é considerado o pior deles. Por ser refinado, o sal entra mais facilmente na corrente sanguínea e chega aos rins com mais rapidez.

> Grosso: esse tipo tem as vantagens de não ser refinado e poder ser retirado parcialmente após o preparo. Porém, em geral, o sal grosso é sempre colocado em excesso.

> Light: é uma mistura com os nutrientes sódio e potássio. Recomenda-se esse tipo de sal para pessoas que sofrem de hipertensão por ter menos sódio. Mas o sal light deve ser evitado por pacientes com problemas renais, que também podem ser provocados pelo consumo de potássio em excesso


Saúde

As modernas técnicas biotecnológicas são aplicadas em diversos processos da medicina humana e animal, principalmente no que diz respeito à produção de medicamentos e vacinas.

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Para se ter uma idéia da importância da biotecnologia nessa área, um dos mais destacados exemplos é a produção de insulina (por meio de vegetais). Por meio da biotec, os custos de produção do medicamento são reduzidos em pelo menos 40% - o que pode torná-la acessível a qualquer pessoa que sofre de diabetes, seja em países ricos ou em desenvolvimento. Segundo A. M. Shelton, professor de Entomologia na Universidade de Chicago, praticamente toda a insulina usada no tratamento de diabetes na atualidade é produzida por meio da biotecnologia e da engenharia genética, e muitos dos medicamentos utilizados para combater o câncer e problemas cardíacos são produzidos por meio desses métodos.

A biotecnologia também é utilizada para a produção de novas vacinas. No Instituto Butantan, por exemplo, está em fase de estudos a vacina contra pneumonia. Além desta, também a de proteção das mucosas, uma vacina contra a raiva mais segura e eficiente, e uma versão menos alérgica da vacina tríplice (Pertussis, Difteria e Tétano).

Outra importante área de aplicação da biotec na saúde diz respeito aos tratamentos de doenças por meio das células-tronco, cuja capacidade de regenerar tecidos e órgãos têm trazido esperança para pacientes com alguns tipos graves de doença.

Outro exemplo é a promissora terapia gênica, um tratamento para doenças hereditárias que se caracteriza pela inserção de um gene dentro da célula humana a fim de conferir uma nova função ou melhorar os efeitos de um gene anormal causador de alguma doença.

 

 Terapia Gênica

*por Alexandra Zilli

A terapia gênica (TG) é um tratamento para doenças hereditárias que se caracteriza pela inserção de um gene funcional dentro da célula humana a fim de conferir uma nova função ou melhorar os efeitos de um gene anormal.

Atualmente, 5% das crianças no mundo nascem com uma doença hereditária ou congênita e quase 40% dos adultos são geneticamente predispostos a desenvolver doenças comuns, como câncer, diabetes e doenças do coração, entre outras. Em países desenvolvidos, mesmo submetidos a melhores condições, 25% dos bebês com menos de um ano de idade são acometidos por doenças genéticas. O índice cai para 23% em crianças entre o primeiro e o quarto ano de vida.

Há dois tipos de técnicas utilizadas na terapia gênica: a germinativa, que se caracteriza pela introdução do material genético nos espermatozóides ou óvulos (células germinativas), e a somática, pela qual se introduz o material genético em quaisquer outras células.

Quando os genes estão alterados, as proteínas codificadas por eles são incapazes de desenvolver sua função biológica normal, dando origem às “desordens genéticas”. A TG é o meio de colocar a informação correta de volta nas células. De certa forma, funciona como um transplante de genes. A chave do sucesso da terapia

gênica é a entrega do gene correto para as células que dele necessitam.

Na maioria dos estudos de TG, um gene normal é colocado dentro do genoma para substituir um gene anormal, causador de alguma doença. A molécula carreadora, denominada vetor, é usada para levar o gene terapêutico para as células-alvo do paciente. Atualmente, o vetor mais comum é o vírus, alterado geneticamente para carrear o DNA humano normal. Os cientistas têm tentado tirar vantagem da capacidade do vírus de infectar a célula humana, porém, no caso da terapia gênica, o genoma do vírus é modificado para remover os genes causadores de doença e inserir os de interesse terapêutico.

O vetor viral, portanto, leva o material contendo o gene humano terapêutico para dentro da célula-alvo. A geração de uma proteína funcional, produto do gene terapêutico, restabelece a célula-alvo, o que pode representar a cura da doença.

Condições ou desordens que surgem de mutações em um único gene são os melhores candidatos para terapia gênica. Infelizmente, desordens multigênicas ou multifatoriais, tais como doenças do coração, pressão alta, mal de Alzheimer, artrite e diabetes, seriam especialmente difíceis de serem tratadas usando essa terapia, pois são causadas por efeitos combinados de variações em muitos genes.

Um dos principais fatores que ainda mantém a TG fora dos tratamentos de escolha para doenças genéticas é a possível resposta imune desencadeada por um objeto estranho introduzido no organismo. Há sempre a insegurança de que o vetor viral atenuado, sem os genes responsáveis pela sua própria replicação, poderia readquirir a habilidade de se replicar e causar a enfermidade no paciente.

O Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador norte-americano, ainda não aprovou nenhum produto de terapia gênica para a venda. Entretanto, as pesquisas relacionadas a ela continuam a crescer e o FDA está muito empenhado na supervisão dessa atividade. Desde 1989, o órgão recebeu cerca de 300 requisições de pesquisadores médicos e de fabricantes para o estudo e o desenvolvimento de produtos de terapia gênica. Com o objetivo de garantir a segurança das pessoas envolvidas em estudos e daquelas que eventualmente recebam produtos de TG, o FDA está supervisionando atualmente cerca de 210 protocolos ativos de estudos. Já no Brasil, o órgão responsável pela vigilância de protocolos envolvidos com terapia gênica é a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP).

Perspectiva para os próximos 20 anos

Teoricamente, todos os genes humanos terão sido mapeados e identificados nas próximas duas décadas e os mecanismos genéticos de cada uma das doenças terá sido descrito. Com isso,

será possível tornar a medicina mais preventiva, e o diagnóstico e a terapia serão mais específicos e efetivos, integrados ao aconselhamento genético dentro do serviço médico. A expectativa é que a metodologia genética venha a ser uma abordagem básica para promover a saúde e controlar as doenças, e a terapia gênica, um método universal na prevenção de doenças e no desenvolvimento de tratamentos.

·        Alexandra Zilli é farmacêutica-bioquímica da UNIFESP/INCOR e conselheira do CIB.

 
1. O texto a seguir refere-se à palestra "Transgênicos e seus benefícios para o meio ambiente e a saúde humana", proferida pelo Prof. Dr. Marcelo Menossi, pesquisador do Laboratório de Genoma Funcional do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética e docente do Departamento de Genética e Evolução, Instituto de Biologia, da Universidade Estadual de Campinas. As opiniões emitidas não representam a opinião da Universidade Estadual de Campinas. A numeração refere-se à ordem dos slides da apresentação.

2. A biotecnologia está cercada de polêmica, na qual os consumidores estão sendo chamados a opinar sobre um tema complexo, que tem promessas de inúmeros benefícios, mas que, como toda tecnologia, também tem riscos associados, como toda tecnologia. No entanto, diversas pesquisas mostram que a maioria da população ainda não se sente adequadamente informada sobre o assunto. Uma delas, feito no Reino Unido em 2001, mostra que a maioria dos entrevistados não tem informação suficiente para opiniar sobre o balanço entre riscos e benefícios dos alimentos geneticamente modificados.

3. Na discussão do uso da biotecnologia na agricultura diversos questionamentos são levantados. Uma questão inicial trata da necessidade dos alimentos transgênicos. Entre 1950 e 2000 a área utilizada na agricultura praticamente não foi alterada, mas a quantidade de alimentos produzida mais que duplicou. Isso ocorreu graças ao melhoramento genético clássico, cruzando plantas da mesma espécie, sem o uso da biotecnologia. No entanto, as previsões de crescimento populacional e melhoras do nível de vida da população indicam que até 2050 a produtividade na lavoura deverá ser quase que duplicada para que não haja falta de alimentos. Caso não encontremos tecnologias para isso, teremos que aumentar a área cultivada, o que representa um risco para áreas protegidas, como as florestas. A biotecnologia tem enorme potencial para aumentar a produtividade das plantas.

4. Um segundo ponto importante diz respeito ao uso de agrotóxicos na lavoura. Mesmo usando quantidades enormes desses produtos, perde-se 40% de tudo que é plantado. Caso não usássemos qualquer tipo de agrotóxico, a perda seria de 70%.

5. Para se ter uma idéia, só na safra 1998/1999 de soja e somente no estado do Paraná, foram gastos 10.000 toneladas de agrotóxicos. 

 6. O uso de agrotóxicos, embora importante para evitar as perdas na agricultura, têm diversos efeitos negativos no meio ambiente e na saúde humana. Só em 2001, o sistema nacional de informações toxico-farmacológicas contabilizou 12 mortes e 1550 casos de intoxicação devido ao manuseio de agrotóxicos. Os números são alarmantes e a OMS estima que os casos não notificados sejam 50 vezes maiores.

7. Para se entender a biotecnologia é importante saber como o homem molda as plantas de forma a reunir características agronomicamente interessantes. Há cerca de 10.000 anos o homem percebeu que o cruzamento controlado das plantas é uma ferramenta muito poderosa. Por exemplo, ao cruzar uma planta resistente à seca, mas pouco produtiva, com uma planta muito produtiva, mas pouco resistente à seca, algumas das sementes darão origem a plantas que incorporam as duas características boas. Através desses cruzamentos controlados, o chamado melhoramento genético clássico, chegamos ao tomate que compramos nos mercados, muito maior que o tomate encontrado na natureza. Com o milho ocorreu algo similar: o ancestral tinha espiga do tamanho de um dedo, muito menor que o milho cultivado atualmente. Porém, em alguns casos, o cruzamento entre plantas da mesma espécie não consegue resolver um problema, como podria ser o caso de plantas resistentes a insetos.

8. O melhoramento genético clássico tem suas limitações, sendo a principal dela a impossibilidade de cruzar organismos de espécies distintas. Outro aspecto interessante, principalmente para poder comparar com a biotecnologia, é que o melhoramento clássico também apresenta riscos. Por exemplo, no cruzamento das plantas exemplificadas anteriormente, a segunda planta, com alta produtividade, poderia ter também uma substância tóxica nas suas folhas. O híbrido entre as duas plantas incorporaria, além das duas qualidades, uma característica ruim. Esse foi o caso de batatas com maior resistência a fungos, mas que também apresentavam altos níveis de uma toxina, e também de aipo, que tinha altos níveis de psoraleno, outra toxina. A comercialização desses produtos não ocorreu, devido a esses problemas imprevisíveis. Assim, a tecnologia que utilizamos para produzir nossos alimentos tem seus problemas, com o qual exigir que o risco seja zero é algo fora da realidade, tanto para o melhoramento clássico como para a biotecnologia.

9. A biotecnologia moderna é o resultado de enormes avanços científicos. Para compreendê-la é importante saber que o DNA existe em todos os organismos.

10. Ele forma longas moléculas, chamadas cromossomos, dentro dos núcleos das nossas células. O DNA é chamado de livro da vida, pois contém as informações que as células utilizam para o seu funcionamento e também por ser formado por 4 letras, A, T, C e G, que representam os compostos químicos do DNA.

11. A primeira impressão ao ler o livro da vida é de absoluta desinformação, pois o que existe é apenas a sopa de letras A, T, C e G.

12. No entanto, as letras contém informação. Se o código genético é como o livro da vida, cada gene seria uma página, como num livro de receita. A primeira parte do gene contém a informação de quando, onde e quanto usar a receita. A segunda parte é a receita em si. O último módulo é um aviso, informando que a receita acaba por ali.

13. Na realidade, dentro de uma célula vegetal, um gene poderia conter um promotor ativo nas folhas, uma região codificante que produz uma proteína que mata insetos, e uma região terminadora que sinaliza o final do gene.

14. Assim, o promotor define onde, quando e quanto a região codificante será ativada. A região codificante indica o que será produzido, e a terminadora indica o final do gene. Esses módulos de informação são intercambiáveis entre os diferentes genes, e não perdem suas características. Um promotor ativo em folha, sempre fará que qualquer região codificante seja usada nas folhas, independentemente de qual proteína ela codificar. É uma relação muito similar ao casamento, na qual os homens são a região codificante, que sempre obedece a região promotora (as mulheres, obviamente).

15. Graças à modularidade, é possível combinar as regiões de diferentes genes para que uma determinada proteína seja produzida da forma desejada. Esses novos genes são chamados de transgenes ou DNA recombinante. As quimeras, figuras mitológicas, representam bem a capacidade da engenharia genética em produzir novas combinações. Um exemplo de transgene seria um promotor do gene da ubiquitina de milho, sempre muito ativo em vários tipos de células, a região codificante Cry da bactéria Bacillus thuringiensis (que é tóxica para insetos) e a terminadora de uma segunda bactéria, Agrobacterium tumefaciens.

16. A produção de uma planta transgênica via biotecnologia envolve três etapas. Na primeira, o transgene é construído em laboratório, a partir de DNA de diversas espécies. Esse transgene é então transferido para uma planta. Normalmente as plantas que aceitam a incorporação de DNA não são produtivas. Entra em ação o melhoramento genético clássico, através do qual a variedade transgênica ruim de campo, mas com um gene novo interessante, é cruzada com uma variedade boa de campo. São feitos vários cruzamentos até que se obtém uma variedade comercial transgênica. Assim, a biotecnologia sempre anda de mãos dadas com o melhoramento genético clássico.

17. Segundo a legislação brasileira, todo organismo que contém DNA recombinante (manipulado em laboratório), recebe a denominação de organismo geneticamente modificado. No caso da soja transgênica, as plantas têm um transgene que dá resistência a um herbicida e que será detalhado mais adiante.

18. A legislação brasileira também define o que é um alimento transgênico: é todo aquele que na sua composição tem pelo menos 1% de produto derivado de um OGM. Esses alimentos devem estar devidamente rotulados, contendo um triângulo com um T no seu interior.

19. O exemplo mais conhecido de OGM é a soja transgênica, que contém um transgene produzido com seqüência de quatro espécies. O promotor, chamado de 35S, é de um vírus encontrado na couve-flor. Esse promotor é muito ativo em todas as partes da planta. A região terminadora é de uma bactéria do solo, chamada Agrobacterium tumefaciens. A região codificante produz uma proteína da mesma bactéria e contém também um pedaço da região codificante de um gene de petúnia (em verde na figura do slide). Esse “pedaço” que vem da petúnia serve para a proteína da bactéria funcione corretamente na planta. A proteína produzida, chamada de EPSP, não sofre os efeitos do glifosado, fazendo com que a planta transgênica seja resistente a esse herbicida.

20. Ao aplicar o glifosato nas lavouras de soja, mata-se as ervas-daninhas, que competem com a soja na absorção de nutrientes do solo e pela luz. O glifosato é um dos herbicidas menos tóxicos que existem atualmente, pois não tem nenhuma atividade pré-emergente ou residual no solo (Franz et al., 1997). Além disso, o glifosato não tem tendência à lixiviação, degrada-se rapidamente no solo e é essencialmente atóxico para mamíferos, pássaros e peixes (EPA EUA, 1993, WHO, 1994; Giesy et al., 2000; Williams et al., 2000). Os agricultores que plantam soja resistente a glifosato deixam de usar outros agrotóxicos que são mais daninhos ao meio ambiente. Ressalte-se que a patente para produção do glifosato, descoberto pela empresa Monsanto, já expirou e existe mais de uma dezena de empresas que fabricam esse produto, afastanto o receio de um monopólio da cultura da soja.

21. Um segundo tipo de transgene muito utilizado no mundo todo é o que dá resistência a inseto. O transgene Cry, é também chamado de Bt, pois foi encontrado em uma bactéria chamada Bacillus thuringiensis. Essa bactéria é amplamente utilizada como agrotóxico nas plantações, pois ela produz uma toxina que é letal contra diversos insetos. As plantas que contém o transgene feito com o forte promotor 35S e a codificante do Bt são altamente resistentes a insetos. O algodão é um bom exemplo.

22. Existem várias culturas transgênicas, sendo a soja a mais abundante. A EMBRAPA é a empresa brasileira que mais se destaca na produção de transgênicos, embora seus produtos ainda não possam ser comercializados devido às restrições jurídicas na lei de biossegurança.

23. Diversos países consomem alimentos transgênicos, como abóbora, arroz, batata, canola e milho. O consumo de alimentos geneticamente modificados iniciou-se há quase 10 anos.

24. A velocidade de adoção da biotecnologia na agricultura é supreendente, sendo que a área cultivada aumenta mais de 10% ao ano. Mais da metade da população mundial vive em países que cultivam transgênicos.

25. A polêmica ao redor dos transgênicos é enorme, em boa parte alimentada por organizações não governamentais, que têm uma forte tradição na interação com a mídia. Aos pouco a imagem negativa dos OGM vai sendo contrabalanceada com os resultados obtidos nos diversos países que plantam transgênicos. Entender os diversos aspectos desta polêmica é fundamental para se ter um posicionamento.

26. Um dos pontos centrais da discussão trata da legislação sobre pesquisas e comercialização de transgênicos. A legislação atual em vigor no Brasil está baseada na lei 8974, de 1995. Ela instituiu a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) como responsável pela análise científica dos riscos para a saúde humana e para o meio ambiente. A CTNBio é composta por 8 cientistas das áreas de saúde humana, saúde animal, agricultura e meio ambiente (2/área), 5 representantes dos seguintes ministérios: Ministério da Saúde, Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária; Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia Legal; Ministério da Educação e do Desporto; e Ministério da Ciência e Tecnologia (1/ministério), além de um representante de órgão oficial de defesa do consumidor, um de órgão oficial da saúde do trabalhador e um de empresas ligadas à áreas de biotecnologia. Nossa legislação é considerada como uma das mais avançadas do mundo.

27. A avaliação dos riscos para a saúde humana é feita utilizando o princípio da equivalência substancial. O alimento não transgênico é usado como padrão de comparação. O alimento derivado do OGM é avaliado quanto ao aparecimento de toxinas, redução de nutrientes, produção de alergias, etc. Nenhum alimento é liberado para consumo humano se não passar por todos os testes.

28. Apesar da legislação e de todos os testes, são veiculadas algumas informações completamente equivocadas, principalmente na internet. Uma polêmica trata da possibilidade de que o alimento GM possa causar mortes, citando o caso do triptofano, um complemento alimentar. Afirma-se que o triptofano produzido por bactérias transgênicas teria matado 37 pessoas nos EUA. Isso não ocorreu. De fato, o triptofano consumido foi produzido por bactérias transgênicas, mas o que causou problemas foi um produto derivado do triptofano, que surgiu devido à alterações no processo de purificação. Esse derivado tóxico não existia nas bactérias transgênicas.

29. Vale destacar que toda a insulina utilizada pelos diabéticos é produzida em organismos transgênicos. Além disso, na indústria de alimentos existe um vasto número de proteínas que são produzidas em OGM: na cerveja, no pão, em sucos, etc.

30. Outro aspecto que causa apreensão é a possibilidade de que os alimentos transgênicos causem alergia. De fato, qualquer alimento tem esse potencial. Porém, todo alimento transgênico é avaliado nesse aspecto, sendo que o mesmo não se aplica aos alimentos convencionais. Curiosamente, existem alimentos cuja modificação genética visa reduzir a capacidade de geração de alergias. Muitas pessoas são alérgicas a soja e arroz. Com a engenharia genética é possivel produzir plantas transgênicas que não produzem as proteínas que desencadeiam a alergia.

31. A avaliação da segurança para o meio ambiente é outro ponto muito importante. A cultura não transgênica é considerada como parâmetro, levando em conta os agrotóxicos utilizados, práticas agrícolas, etc. Divesos fatores são avaliados, sendo necessários ensaios de campo para se ter um grau razoável de certeza de que os impactos no meio ambiente serão no máximo de mesma intensidade que a cultura não transgênica. Cabe lembrar que a agricultura atual não é isenta de impactos no meio ambiente. A biotecnologia deve sempre buscar reduzir esse impacto.

32. Nesse aspecto de impacto ambiental, uma grande preocupação é que a planta transgênica cruze com espécies aparentadas, gerando pragas agrícolas devido à transferência da nova característica dada pelo transgene. Essa é uma possibilidade que deve ser avaliada cuidadosamente. Normalmente realiza-se um estudo para determinar se existem espécies silvestres aparentadas que possam cruzar com a planta transgênica. Numa etapa posterior verifica-se se os híbridos formados pelo cruzamento são viáveis. Finalmente, estima-se se a incorporação da nova característica confere alguma vantagem ao híbrido. Esses são apenas alguns exemplos da extensa lista de parâmetros avaliados antes de se liberar o cultivo comercial. É importante notar que o cruzamento com plantas espécies silvestres não é exclusividade de plantas transgênicas, com o qual este risco ambiental não é uma novidade introduzida pela biotecnologia.

33. Outra preocupação importante diz respeito à redução da biodiversidade (diversidade de espécies existentes no ecossistema). Um estudo com plantas resistentes a herbicidas, feito no Reino Unido, em 2003, mostrou que a quantidade de abelhas e borboletas encontradas nas lavouras é menor em cultivos transgênicos de beterraba e canola. Essa mudança foi causada pela redução de ervas daninhas nas lavouras transgênicas, cujas flores são utilizadas pelas borboletas e abelhas. O inverso ocorreu no milho, o que ressalta uma vez mais que a avaliação dos transgênicos deve ser feita caso a caso. Um aspecto interessante desse estudo é que a redução no número de insetos quando se compara transgênico e convencional é muito menor que a observada quando se faz rotação de cultura não transgênicas, tanto entre canola e beterraba ou canola e milho. Assim, ainda que existam mudanças com a introdução de beterraba ou canola transgênica, elas são muito menores que a decorrente de práticas agrícolas normais. Este estudo também mostrou que em todas as três culturas a quantidade de herbicida usada foi menor no caso dos transgênicos (vide adiante). Os potenciais impactos positivos desse fator, como menor intoxicação de agricultores, menores resíduos nos alimentos e nos rios, não foram avaliados nos estudos.

34. Além da complexidade de fatores que sempre deve ser avaliada quando se faz uma análise de risco, existe um outro complicador, que é a uma tendência a se fazer uma avaliação qualitativa: existe ou não o risco? Uma avaliação correta estima dois fatores: nível do dano causado e a probabilidade de ocorrer o evento. A biotecnologia sempre deve se pautar por produzir modificações genéticas que representem situações de baixo risco associado (eventos improváveis ou pouco prováveis, associados a danos pequenos, por exemplo).

35. Apesar de todo o receio que cerca a biotecnologia agrícola, os estudos realizados em condições de campo em diversos países mostram que ocorre redução no uso de agrotóxicos no caso de cultivos resistentes a insetos e herbicidas. Um estudo de três anos na China mostrou que o cultivo de algodão Bt (resistente a insetos) proporcionou enorme redução de inseticidas, da ordem de 125.000 toneladas. Isso aumentou a competitividade do agronegócio chinês, que compete diretamente com o Brasil, pois o agricultor teve um ganho adicional de U$ 200/ha.

36. Um efeito secundário decorrente do uso de inseticidas nas lavouras de algodão foi a queda no número de agricultores intoxicados, que chegou a ser 8 vezes menor nas lavouras transgênicas. Este estudo foi feito com pequenos agricultores, que geralmente tem pouco acesso a informações sobre o manuseio correto de agrotóxicos. Para que esse tremendo sucesso tenha o mesmo impacto no Brasil, é fundamental que existam políticas públicas que facilitem ao pequeno agricultor o acesso à essa tecnologia.

37. As lavouras de soja, algodão, canola e milho resistentes a herbicidas também necessitam menores quantidades de agrotóxicos. Um estudo nos EUA mostrou que só no ano de 2002 deixaram de ser aplicadas 15.200 toneladas de herbicidas nessas culturas.

38. O estudo de campo feito na Europa com beterraba, milho e canola resistentes a herbicidas mostrou que em todos os casos as culturas transgênicas necessitaram um menor uso de agrotóxicos. No caso da beterraba e milho as reduções foram da ordem de 35 e 42%, respectivamente.

39. Mas a biotecnologia agrícola não se restringe à resistência a herbicidas e a insetos. Pesquisadores dos EUA desenvolveram plantas de tomate que tem elevada tolerância à seca. As plantas transgênicas produzem sete vezes mais tomates que as plantas convencionais em situações de falta de água.

40. O potencial é praticamente ilimitado, como tem sido demonstrado por pesquisadores da EMBRAPA. Eles produziram plantas de feijão resistente a vírus. Quando uma plantação de feijão é infectada por vírus, não existe solução baseada em agrotóxico: é necessário queimar toda a plantação.

41. Existem outros exemplos interessantes em indústrias nacionais. No caso da cana-de-açúcar, a Copersucar produziu plantas que são resistentes à broca, inseto que se alimenta do interior dos talos da cana, reduzindo a produção de açúcar. A cana transgênica reduziria a quantidade de inseticidas nas lavouras. Esses exemplos indicam que as empresas nacionais, utilizando a massa de pesquisadores brasileiros, são capazes de gerar biotecnologia para o agronegócio brasileiro. Diversos setores contrários à biotecnologia afirmam categoricamente que o Brasil ficará refém de multinacionais se adotar essa tecnologia. Essa afirmação é um verdadeiro insulto à inteligência e à capacidade dos brasileiros.

42. Além de proporcionar vantagens mais facilmente perceptíveis para os agricultores, os laboratórios de diversos países estão preparando uma segunda geração de alimentos transgênicos que trarão vantagens para a saúde humana. Como exemplo podemos citar soja e canola que produzem óleo com composição mais saudável, ou que acumulam maiores níveis de produtos que ajudam a combater o câncer, batata que absorve menos óleo durante a fritura, ou mesmo mandioca com baixos teores de compostos tóxicos.

43. A vedete dos alimentos transgênicos de segunda geração é o arroz dourado. Ele foi desenvolvido por pesquisadores na Suíça e graças à introdução de três transgenes passou a acumular beta-caroteno nos grãos. O beta-caroteno é precursor da vitamina-A e tem cor amarelada. O arroz transgênico contém tanto beta-caroteno que adquiriu uma cor dourada. Estima-se que uma dieta rica nesse arroz contribua para eliminar a carência de vitamina A, que causa a cegueira em milhares de crianças em países da África e Ásia. Alguns críticos da biotecnologia afirmam que as quantidades de beta-caroteno produzidas são insuficientes. De fato, as primeiras plantas transgênicas apresentam níveis insuficientes, mas foram melhoradas e em breve serão comercializadas na Ásia novas variedades com teor muito maior.

44. É importante comentar o enorme potencial das plantas transgênicas para produção de fármacos. Graças à biotecnologia, produtos como o hormônio de crescimento humano e a insulina, usados por um grande número de pacientes, podem ser produzidos de forma muito econômica em sementes de milho. Essa tecnologia foi desenvolvida pela Universidade Estadual de Campinas e será licenciada para que as empresas possam produzir esses compostos no próprio País.

45. Graças ao enorme potencial da biotecnologia e aos rigorosos testes realizados com os alimentos transgênicos, essa tecnologia conta com o apoio de um conjunto expressivo de pessoas e entidades: um grupo de 27 ganhadores do prêmio Nobel (12 em medicina), a OMS, a sociedade americana de toxicologia, a FAO e academiasde ciência do Brasil, China, EUA, Índia, Inglaterra e México. É importante notar que isso não é uma carta branca para os transgênicos. Essas entidades entendem que existem risco associados, mas confiam que eles estão sendo corretamente avaliados e que os transgênicos liberados para consumo não representam perigo para o meio ambiente e para a saúde humana.

46. Apesar de todo o esforço da comunidade científica para certificar a segurança dos alimentos transgênicos, a população de diversos países ainda tem reticências. Essa apreensão inicial é comum quando se trata de algo novo e desconhecido. Foi assim com as vacinas e com os automóveis. A tomada de decisão está baseada no balanço entre percepção de benefícios e riscos da nova tecnologia, comparado com o mesmo balanço da tecnologia em uso. Se os riscos percebidos da tecnologia nova prevalecerem, essa tecnologia será rejeitada. Assim, o desafio para pesquisadores e empresas é ressaltar os ganhos da biotecnologia e destacar que vários testes são feitos com os alimentos transgênicos.

47. O princípio da precaução é constantemente citado para justificar mais estudos sobre a biossegurança. Segundo esse princípio “Quando houver ameaça de danos sérios ou irreversíveis, a ausência de absoluta certeza científica não deve ser utilizada como razão para postergar medidas eficazes e economicamente viáveis para prevenir a degradação ambiental”. Dependendo de como ele é utilizado, pode servir para bloquear o uso da biotecnologia sempre que não houver “absoluta certeza científica”, pois esse nível de certeza é praticamente inatingível. Se adotado com relação aos medicamentos, por exemplo, todos eles  seriam proibidos. Como citado anteriormente, a avaliação de riscos é fundamental nas análises, mas as visões extremadas não contribuem para o avanço da ciência na agricultura. É necessário também avaliar que o protelamento de uma ação como a adoção da biotecnologia também tem suas conseqüências. Isso significaria prosseguir com a tecnologia atual, que causa diversos impactos no meio ambiente.

48. Por outro lado, a posição dos consumidores frente aos alimentos geneticamente modificados ainda é uma incógnita em boa parte dos países. Dependendo de como se faça a pesquisa de opinião pública pode-se chegar a resultados bem diferentes. No Brasil até pouco tempo atrás o consumidor só tinha acesso a notícias negativas sobre os transgênicos. Esse panorama tem sido alterado gradativamente nos últimos 1-2 anos.

49. Um bom exemplo de como as informações são importantes para a tomada de decisão sobre comprar ou não transgênicos pode ser observada numa pesquisa feita no período de 1997 a 2002 nos EUA. A pergunta feita foi a seguinte: “Qual seria a probabilidade de você comprar produtos como tomate e batata caso eles fossem modificados pela biotecnologia para ter um paladar melhor ou mais fresco?” Pouco mais de 50% compraria e pouco menos de 50% não compraria. Note que a palavra “transgênico” foi evitada.

50. Uma segunda questão incorporou a seguinte alteração “...modificado pela biotecnologia para proteger contra insetos, requerendo menor número de aplicações de pesticidas ". A informação a respeito da vantagem do alimento transgênico modificou completamente a percepção dos consumidores: mais de 70% afirmaram que comprariam, enquanto que a parcela que não compraria foi reduzida para 25%.

51. Um exemplo recente de como os alimentos transgênicos podem trazer benefícios para o consumidor pode ser observado em milho resistente a insetos. As espigas de milho podem sofrer o ataque de larvas de insetos que perfuram a palha e chegam até os grãos. Com isso é aberta uma porta de entrada para fungos, alguns dos quais produzem toxinas. Pesquisadores da França, ao comparar o milho transgênico e o convencional, observaram que neste último existe um quantidade incrivelmente maior de fumonisina, toxina que pode causar danos no fígado. Certamente, este tipo de informação causará enorme impacto na opinião pública. 

 
52. O Brasil carece profundamente de pesquisas de opinião pública confiáveis. Um exemplo dramático de manipulação é a pesquisa feita em 2001 pelo IBOPE, encomendada pela ONG Greenpeace, um dos maiores opositores da biotecnologia. Eles observaram que 66% dos entrevistados jamais havia ouvido falar de transgênicos.

53. O entrevistador explicou a cada entrevistado o que eram os transgênicos, segundo uma ótica muito particular: “Um organismo é chamado de transgênico, ou geneticamente modificado, quando é feita uma alteração no seu DNA, ou seja, o local onde estão as características de um ser vivo. Através da engenharia genética, genes são retirados de uma espécie vegetal ou animal e transferidos para outra. Esses novos genes sofrem uma espécie de reprogramação, podendo produzir um novo tipo de substância, diferente do organismo original”. É difícil estimar a confusão que essas informações podem causar nos entrevistados.

54. A conseqüência foi fulminante: 74% dos entrevistados disse preferir alimentos não transgênicos, enquando que 14% ainda assim prefeririam alimentos transgênicos.

55. E é essa pesquisa de validade altamente questionável que o Greenpeace usa para afirma que 74% dos brasileiros já disseram não aos transgênicos. Essa manipulação das informações não contribui para uma discussão equilibrada sobre uma tecnologia que pode trazer tantos benefícios para a população e para o meio ambiente.

56. Com relação à legislação sobre organismos geneticamente modificados, está em vigor a lei 8974, de 1995, pela qual as decisões da CTNBio tanto para pesquisa como para comercialização de OGM são definitivas e vinculam os demais órgãos do governo. A questão particular da soja resistente a herbicida é complexa, pois em 1998 a CTNBio deu parecer positivo sobre a segurança alimentar e para o meio ambiente, baseando-se em estudos feitos em outros países e levando em conta que a soja não cruza com qualquer espécie no Brasil e que o glifosato já era amplamente usado no Brasil. Ainda assim, a CTNBio exigiu que o plantio comercial fosse acompanhado por cinco anos para maior segurança. No entanto, ainda em 1998 surgiu uma liminar que exige estudo de impacto ambiental no Brasil e proibindo o plantio comercial. Através de medida provisória, o Governo Federal tem liberado ano a ano o plantio e comercialização da soja. 

 
57. Está em tramitação no congresso nacional um novo projeto de lei de biossegurança. Na versão da Câmara dos Deputados o poder da CTNBio fica limitado às pesquisas. Para comercialização, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Saúde podem vetar. Essa versão também impede a pesquisa com células-tronco embrionárias, grande promessa para a cura de inúmeras doenças. O Senado avaliou a versão da Câmara e viu por bem modificá-la, restaurando os poderes da CTNBio, por entender que nela tanto o Min. do Meio Ambiente e o Min. da Saúde estão representados. A versão do Senado abre a possibilidade de recursos, que seriam avaliados pelo Conselho Nacional de Biossegurança, formado por 11 ministros (dentre os quais estão os dois citados anteriormente). A Câmara agora votará pela versão inicial ou pela versão que incorpora as sugestões do Senado. A versão aprovada será enviada para o Presidente da República. No meu entender, a versão aprovada no Senado é mais interessante, pois evitaria redundância de avaliações. A CTNBio já conta com representantes de todos os ministérios envolvidos e tem um histórico de tomada de decisões sem a contaminações de cunho ideológico.

58. Como conclusões, podemos destacar: a) A tecnologia dos transgênicos não é isenta de riscos, a exemplo das tecnologias atuais usadas na agricultura; b) Os transgênicos liberados são tão seguros quanto os convencionais; b) Cada transgênico deve ser avaliado criteriosamente em cada região; c) Existem relatos contundentes de benefícios decorrentes da adoção da tecnologia dos transgênicos; d) A sociedade deve estar bem informada sobre riscos e benefícios; e) A lei de biossegurança deve privilegiar a discussão num nível científico, com o qual a versão aprovada no Senado deveria ser apoiada 

 

 A biotecnologia na produção de substâncias de interesse medicinal

Uma das conseqüências da engenharia genética é a possibilidade de utilização de plantas como “fábricas” para produção de substâncias farmacêuticas. As plantas produzem, naturalmente, compostos biologicamente ativos, que conferem proteção contra herbívoros e infecção por patógenos, além de agirem como atrativos para polinizadores e dispersores de sementes. Muitos desses compostos têm sido utilizados como medicinais desde os tempos pré-históricos e vários dos medicamentos atuais são baseados em produtos naturais. A biotecnologia, principalmente a transformação genética, tem o potencial de aumentar ou modificar a produção destes compostos farmacêuticos e criar plantas transgênicas importantes para a saúde humana.

Resultados positivos estão sendo obtidos por meio da modificação genética de plantas para alterar quantitativamente a produção de um composto de interesse medicinal. A hirudina, poderoso anticoagulante produzido pela sanguessuga, pode ser extraída de sementes de plantas transgênicas. Outro exemplo importante é a alteração do conteúdo de vitamina C (ou ácido ascórbico) em plantas, pela introdução de um gene responsável pela síntese de uma enzima que a recicla. A única fonte dessa vitamina para os seres humanos é a alimentação, já que não são capazes de produzi-la.

O ácido ascórbico está presente, em grandes quantidades, em frutas cítricas e hortaliças, mas em pequenas quantidades nos grãos. Nas plantas, é um composto importante para a proteção contra os efeitos oxidantes do oxigênio, ou seja, aqueles que geram a produção de radicais livres, causada pela seca, alta incidência luminosa, baixas temperaturas ou solos salinos. O aumento da concentração de vitamina C não é apenas benéfico para melhorar a alimentação humana, mas também para o aumento da produtividade vegetal. A possibilidade concreta de alterar a quantidade dessa vitamina em plantas, inclusive nos cereais, permitirá ampliar o número de fontes alimentares a partir das quais o ácido ascórbico poderá ser obtido.

A dose diária recomendada de vitamina C para adultos é de 75mg para mulheres e 90mg para homens, quantidade suficiente para prevenir doenças relacionadas à sua deficiência. Alguns estudos sugerem que os hábitos alimentares modernos aumentam a probabilidade de que um grande número de pessoas não consuma 200 mg de vitamina C por dia, necessários para garantir a saúde dos sistemas cardiovascular e imunológico. Dessa forma, a perspectiva de aumentar os teores de ácido ascórbico em alimentos de origem vegetal possibilitaria a ingestão de vitamina suficiente para uma vida mais saudável.

Eliane R. Santarém é bióloga, Dra. em Botânica, pesquisadora da PUC-RS e conselheira do CIB.

 
 O potencial dos alimentos GMs no combate a doenças

Neuza Brunoro e Raquel Azeredo

Há dois mil e quinhentos anos, o mundo recebia do grande Hipócrates um conceito revolucionário: “que o alimento seja o teu remédio e o teu remédio seja o alimento”. Chegamos ao século XXI endossando os “alimentos funcionais”, isto é, aqueles que, além da função de nutrir, oferecem benefícios adicionais à saúde humana, contribuindo para a prevenção de enfermidades ou retardando processos degenerativos.

A primeira geração de alimentos geneticamente modificados (GMs) visava ao meio ambiente ou ao agricultor. Já a segunda está diretamente ligada ao consumidor, pois a biotecnologia permite conferir certas propriedades desejáveis a alimentos comuns. Passamos a mencionar, a seguir, apenas alguns exemplos desse potencial que estimula nossas melhores expectativas.

Por meio de transgenia, o valor protéico da batata pode ser aumentado de 1% para 14%, o que permite prever grandes benefícios para populações de muitos países. Além disso, pode-se aumentar o teor de amido dos tubérculos, reduzindo a absorção de óleo durante o processo de fritura e, conseqüentemente, tornando o alimento mais saudável. Alguns tipos de batatas modificadas geneticamente – licenciadas nos Estados Unidos e Canadá – contêm uma proteína que protege a planta de ataques de insetos, o que permite reduzir o uso de inseticidas.

É possível também produzir, por meio da biotecnologia, variedades de batata com reduzido teor de substâncias tóxicas causadoras de doenças, presentes naturalmente nos tubérculos. Pesquisas semelhantes têm sido feitas com tomates, por uma técnica em que o gene responsável pela produção de tais substâncias indesejáveis é anulado.

Uma outra importante vantagem da aplicação da biotecnologia diz respeito ao potencial alergênico dos alimentos. Estima-se que 2% dos adultos e 8% das crianças sejam alérgicos a algum tipo de substância naturalmente presente em alimentos convencionais. A boa notícia é que substâncias que causam alergias podem ser removidas em alimentos transgênicos. Já se produziu uma variedade de arroz com baixíssima capacidade de causar alergia. Um alimento muito

alergênico, o trigo, também está sendo modificado e as pesquisas são promissoras. Já no caso do amendoim, que possui proteínas alergênicas em grandes quantidades, a produção de variedades pouco alergênicas levará ainda algum tempo.

Alimentos enriquecidos

Anualmente, cerca de 500 mil crianças ficam cegas por deficiência de vitamina A. A biotecnologia levou à produção do “arroz dourado” e de outros alimentos ricos em betacaroteno, um pigmento amarelo-alaranjado que é convertido em vitamina A no organismo. O consumo desses alimentos poderá ajudar a reduzir a cegueira e a morte pela deficiência de vitamina A em países menos desenvolvidos. Outros produtos, como o tomate com alto teor de licopeno (um pigmento vermelho que tem propriedades antioxidantes), podem ajudar a reduzir o risco de diversos tipos de câncer e de doenças cardiovasculares.

A genética também pode ser de grande valia para a prevenção de doenças cardiovasculares. Para que os óleos sejam transformados em margarinas, é preciso que sejam hidrogenados, para “encorparem”. Esse processo faz com que se formem ácidos graxos na forma “trans”, cujo consumo excessivo tem sido associado a diversas doenças circulatórias. A biotecnologia permite obter variedades de soja cujos óleos não precisam de hidrogenação para uso industrial e, ainda, aumentar o teor de ácido esteárico, um tipo de gordura que não aumenta o colesterol sangüíneo. Também é possível fazer transformações no óleo de canola, de forma que sua composição fique parecida com óleo de peixes, rico em ácidos graxos ômega-3, que reduzem o risco de doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

Também foram desenvolvidas variedades transgênicas de soja e milho que contêm até dez vezes mais vitamina E em sua forma mais benéfica para o organismo, por seu efeito antioxidante.

Outras pesquisas tornam possível modificar arroz e trigo, de forma que esses alimentos se tornam fontes ricas em ferro, permitindo reduzir os casos de anemia que ocorrem em muitas partes do mundo.

Os benefícios da biotecnologia para a saúde precisam ser levados ao conhecimento da população. Quando o meio ambiente é protegido, com a redução de agrotóxicos, ganham a natureza e a saúde de homens e animais. Quando substâncias prejudiciais são

retiradas dos alimentos ou quando o teor de nutrientes e componentes funcionais é elevado, todos são beneficiados.

E, além disso, o ataque ao maior problema nutricional dos seres viventes – a fome – pode ter na biotecnologia um aliado, em direção a um futuro mais digno, para que toda humanidade se alimente como é seu direito.

Neuza Brunoro e Raquel Azeredo são Ph.D em Tecnologia dos Alimentos, pesquisadoras do Departamento de Nutrição e Saúde da Universidade Federal de Viçosa e conselheiras do CIB.